O empresário nigeriano Aliko Dangote lançou a maior oferta pública inicial (IPO) de acções de sempre em África, ao colocar cerca de 3% da sua refinaria no mercado com o objectivo de captar até 2,1 mil milhões de dólares para financiar a expansão da unidade.
Apresentada como uma “IPO do povo”, a operação pretende permitir que investidores comuns nigerianos participem no crescimento de uma das maiores infra-estruturas industriais do continente. Dangote afirmou que o objectivo é “democratizar a criação de riqueza”.
Mais do que uma operação empresarial, a oferta poderá representar um novo modelo de financiamento para grandes projectos africanos. A capacidade de mobilizar capital doméstico para infra-estruturas estratégicas reduz a dependência exclusiva de financiamento externo e demonstra que os mercados de capitais africanos podem apoiar investimentos industriais de grande dimensão.
A refinaria, que tem aumentado as vendas devido às perturbações no abastecimento internacional de combustíveis, incluindo a exportação de combustível de aviação para a Europa Ocidental, está avaliada em cerca de 49 mil milhões de dólares através da IPO. Em Julho, investidores institucionais tinham adquirido uma participação de 6% por 2,5 mil milhões de dólares, avaliando a empresa em 40 mil milhões.
O interesse de fundos soberanos, instituições financeiras de desenvolvimento e grandes investidores internacionais reforça a dimensão estratégica do projecto. Entre os investidores da colocação privada está a Africa Finance Corporation, enquanto a empresa petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, ADNOC, também manifestou interesse no investimento.
Para África, o caso Dangote evidencia uma tendência relevante: a transformação dos recursos naturais em capacidade industrial e a criação de mecanismos próprios para financiar essa transformação. Para países africanos ricos em petróleo e gás, incluindo Moçambique, Angola e Nigéria, a experiência poderá servir de referência para desenvolver cadeias de valor locais, aumentar a capacidade de refinação e reduzir a dependência da importação de produtos petrolíferos.
Ao mesmo tempo, a operação levanta um desafio: garantir que a participação popular nos mercados de capitais se traduza efectivamente numa distribuição mais ampla dos benefícios do crescimento industrial, e não apenas numa concentração adicional de riqueza.



