O Governo moçambicano desafiou as empresas sul-coreanas a investirem no processamento local de minerais críticos e de gás natural, numa iniciativa apresentada em Maputo durante o Fórum de Negócios Moçambique-Coreia do Sul, realizado em Setembro de 2026.
A secretária de Estado da Indústria, Custódia Paúnde, afirmou que o país pretende deixar de ser apenas um exportador de matérias-primas brutas e passar a integrar essas matérias-primas em cadeias de valor nacionais, capazes de gerar mais emprego, rendimento e desenvolvimento industrial.
Segundo a governante, a experiência sul-coreana na industrialização, inovação e descarbonização pode ser decisiva para que Moçambique avance nas indústrias metalúrgica, química e alimentar, bem como nas energias verdes e na transformação tecnológica. Paúnde garantiu ainda que o Executivo está a implementar reformas para melhorar o ambiente de negócios, oferecendo maior segurança jurídica e previsibilidade aos investidores privados.
A posição do Governo foi secundada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique, cujo presidente, Álvaro Massingue, defendeu que a cooperação com a Coreia do Sul não deve ficar limitada aos contactos entre governos, mas envolver directamente empresas, investidores e empreendedores dos dois países.
Massingue apontou o gás natural, a energia, as infra-estruturas, a agricultura, a manufactura, a logística e a mineração como sectores com elevado potencial de parceria, sublinhando que Moçambique procura parceiros capazes de trazer capital, tecnologia, inovação e acesso a mercados internacionais.
Para o líder da CTA, o objectivo central é maximizar a criação de valor local, através da transferência de tecnologia, da formação de competências, do fornecimento local de bens e serviços e da constituição de empresas conjuntas que integrem as empresas moçambicanas nas cadeias de valor globais.
O embaixador da República da Coreia em Moçambique, Bok-Won Kang, considerou que a cooperação económica bilateral atravessa uma nova fase, marcada pelo aumento dos contactos entre governos, parlamentos e empresas. O diplomata destacou que o gás natural continua a ser uma das áreas mais visíveis dessa cooperação, com empresas sul-coreanas envolvidas em projectos do sector, mas notou que a parceria já se estende a domínios como segurança pública, saneamento, distribuição de produtos farmacêuticos, energia solar e reforço da rede eléctrica.
Kang referiu que empresas coreanas desenvolvem actividades em diferentes pontos do país, incluindo Tete e Niassa, e defendeu que a actual dinâmica de contactos se deve converter em contratos, investimentos e projectos concretos.
A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla do Governo moçambicano de romper com o modelo de exportação de recursos naturais sem transformação local. O país pretende usar o gás natural, os minerais críticos e a energia como base para criar novas actividades industriais, como centros de processamento, parques industriais e biocombustíveis.
O Fórum de Negócios Moçambique-Coreia do Sul reuniu empresários e investidores dos dois países com o objectivo de transformar oportunidades em parcerias efectivas, num contexto em que Maputo procura diversificar a economia e atrair investimento estrangeiro com maior impacto no tecido produtivo nacional.



