Em causa está o projecto flutuante de produção de energia a ser ancorado nas proximidades do Porto da Matola, província de Maputo. A infra-estrutura terá capacidade de produzir 415 MW de energia, gerados na base de fuelóleo (produto residual da indústria de refinação de petróleo bruto) e estará operacional por um período de três anos.

A ser implementado pela Karpowership, uma companhia turca subsidiária do Grupo Karadeniz Holding Companies em parceria com a Electricidade de Moçambique (EDM), o mesmo inclui a construção de uma Linha de Transmissão de Energia de cerca de 4 Km que irá ligar a Central à subestação da Matola de 275V.

Entretanto, a iniciativa que se encontra ainda na fase embrionária foi à consulta pública esta quinta-feira, por ser prejudicial ao ambiente. Porém, John Hahon, Director técnico da Impacto (empresa que realiza os estudos ambientais), garantiu que, caso o projecto seja implementado, os potenciais impactos poderão ser a fuga ou derrame de óleos, incêndios e explosões e colisões com outros navios.

“O potencial impacto mais significativo que pode ocorrer é o derrame de óleo que poderá acontecer devido a um acidente, o que poderá ter impacto na pesca e nas indústrias localizadas nas proximidades da costa, como as salineiras, no entanto, a probabilidade de isso acontecer é baixa”, frisou Hahon.

Por sua vez, Garcez Narcy, Vice-Presidente da Associação dos Produtores e Comerciantes do Sal, disse que as salineiras não estão abertas e nem fechadas ao projecto da Karpowership, tendo em conta os impactos ambientais que o mesmo poderá causar por conta do combustível nocivo e poluente da água que eles vão usar, podendo afectar as salineiras.

A Associação garante ainda não ter sido contactada para auscultação pública. “Nós viemos aqui porque recebemos uma mensagem de um amigo que nos disse que há um assunto que vai afectar as nossas salinas, entretanto, os organizadores do evento afirmam que o convite foi enviado a um jornal e nós não vimos”.

“Caso o projecto, que é maior que as salinas, avance, não há outra alternativa senão pedir as compensações visto que isto irá afectar cerca de 3 milhões de pessoas que vão deixar de consumir o sal nacional e vão ter que importar.  O projecto não devia avançar também por conta dos poluentes cumulativos. Estamos a falar de cerca de oito salinas que se encontram nas proximidades que poderão fechar e que empregam cerca de 300 trabalhadores”.

Já os representantes da Karwership garantem que serão feitos vários estudos detalhados em relação ao sal.  Quanto às compensações, John Hahon explicou que as comunidades que vão perder suas machambas e culturas terão direito a compensações que serão definidas com base no que cada um tinha.

“Vamos fazer um plano de compensações com o tamanho das machambas para saber que valor cada um deve receber”.

Por conseguinte, a Justiça Ambiental procurou saber se este não seria o mesmo projecto que foi chumbado na África do Sul por não ter respeitado o impacto ambiental e, como resposta, foi dito que se trata de algo diferente, sendo que o projecto da África do Sul era mais grande e não há muitos detalhes sobre o mesmo.

Na mesma senda, o Centro Terra Viva procurou saber da experiência do projecto noutros países, tendo os organizadores do encontro respondido que um projecto similar já está a ser desenvolvido em Nacala, na província de Nampula, e até hoje ainda não teve nenhum contratempo. Mas tendo em conta os vários impactos que poderão advir do projecto, a organização não é a favor do mesmo.

Entretanto, a representante da EDM, Rute Rangel, afirmou que este projecto deve avançar para alavancar outras iniciativas sobre energias renováveis.

Sem referir o orçamento do projecto, a Karpowership garante que será feita a consulta e depois partilhada com o público, tendo em conta que esta foi a primeira auscultação das várias que ainda vão decorrer antes do ante-projeto ser apresentado ao Ministério da Terra e Ambiente.

 

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