Terça-feira, Julho 23, 2024
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Sérgio Gomes: ʺO M-Pesa é o maior serviço de carteira móvel no país e conta com mais de 6 milhões de clientes activosʺ

O M-Pesa é o maior serviço de carteira móvel no país. Conta, actualmente, com mais de 6 milhões de Clientes activos e uma rede de mais de 60.000 Agentes activos. A meta é abranger 75 por cento da população moçambicana adulta, até 2025.

Durante a sessão de entrevista com o Director Geral da Vodafone M-Pesa, subsidiária da Vodacom Moçambique, Sérgio Gomes, referiu-se sobre os desafios da fintech ao longo dos 11 anos de existência e do posicionamento da Vodafone M-pesa para recuperação dos activos, visto que são parte de alguns utentes não honram com o compromisso.

Profile Mozambique: Celebra-se este ano, 11 anos da Plataforma M-pesa, neste crescimento, o que é que se pode esperar em termos de responsabilidade social no país?

Sérgio Gomes: A forma como nós ajudamos e apoiamos as famílias nas suas actividades económicas e ainda empoderar estas actividades, ao longo destes 11 anos, tem um impacto social e de desenvolvimento, elementos que exprimem  a nossa responsailidade social.

Por outro lado, o nosso propósito fudamental passa pela inclusão financeira bem como por dar acesso aos serviços financeiros a todos moçambicanos.

Nota que, quando estamos a lançar produtos financeiros de fnanciamento directo, seguros digitais e acesso directo para as pessoas e serviços de poupança, tudo isso contribui para dar acesso aos serviços financeiros a todos, e isso é parte da nossa responsabilidade social.

PM: Como a Vodafone M-pesa, uma fintech regulada tanto pelo Banco de Moçambique quanto pelo INCM devido à sua associação com a Vodacom, mantém sua independência diante das medidas implementadas pelo Banco Central?

SG: Vodafone Mpesa existe enquanto empresa, praticamente surge aquando da criação do serviço M-pesa, portanto, a empresa é participada 100% pela Vodacom. Entretanto, a empresa funciona de forma totalmente independente, tem os seus órgãos sociais, as decisões são tomadas de forma profissional e as nossas actividades são determinadas pelas estratégias que são delineadas internamente.

Agora, existe toda uma parceria estratégica com a vodacom, que é fundamental para nós. A empresa nasceu na Vodacom, vive junto a Vodacom e empodera a Vodacom tal como a Vodacom empodera o M-pesa. Mas em termos regulatórios temos uma relação específica que é coordenada pelo Banco de Moçambique, ao contrário da Vodacom que o regulador é o INCM.

PM: Persistem os casos de fraudes e ataques cibernéticos e muitos utentes têm mostrado preocupação correlação a segurança desta fintech. Que estratégias foram adoptadas com vista a controlar esta situação?

SG: Nós, felizmente, enquanto M-pesa não temos tido nenhum evento de um ataque cibernético, seja pequeno ou de grande escala, a forma como nós construímos toda a defesa de cyber security, a forma como nós temos as políticas definidas e as executamos no dia a dia e a responsabilidade que temos enquanto grupo internacional, tem-nos permitido ter uma defesa muito forte e por conseguinte evitar qualquer tipo de ataque, ainda que as tentativas possam ocorrer.

Agora, relativamente às fraudes, os casos relatados tem a ver com o fenómeno que se chama Engenharia Social. A fraude mais comum que todos deveriam experienciar é simplesmente o receberem uma SMS, a solicitar que aquele valor sejam enviado.

Nós temos tomado medidas muito concretas e temos criado sistemas também muito concretos durante os últimos 12 meses que reduziram substancialmente, e quando digo substancialmente é mesmo numa medida muito larga. E eu penso que essa experiência tem sido muito comum. Se há um ano atrás nós receberíamos num ano 10, 20 mensagens dessas, hoje recebem um num outro novo número, porque nós controlamos estes contactos e tomamos medidas. E nós vamos continuar a assumir a responsabilidade por esses controles. E por qualquer outro tipo de actividade fraudulenta ou tentativa fraudulenta para com os nossos clientes.

PM: Qual é a estratégia da Vodafone M-pesa para recuperação dos activos, visto que são muitas pessoas que nao honram com o compromisso?

SG: Da mesma forma que nós temos pessoas que não pagam, são algumas, nós temos uma maioria substancial de pessoas que pagam a tempo e a horas e que fazem uma utilização responsável do produto. E quando eu digo uma maioria substancial, nós estamos a falar do que hoje em dia temos, e eu posso divulgar este número, um NPO, que é o que nós chamamos para preço de produto, cerca de 4%. Ele está inclusive abaixo daquilo que é a média de todos os standards financeiros do NPO. A diferença é que este é um produto de máximo, portanto é muito muito conhecido.

Nós temos que dar voz às pessoas que fazem uma autorização responsável e para as quais faz muita diferença a existência deste produto. Eu posso-vos garantir que todos os dias existem pequenos empresários informais que fazem uso deste produto para poderem alavancar na sua actividade, para poderem adquirir mais produtos, para durante o dia fazerem a sua venda, aumentarem as suas vendas e no final do dia honram com o seu pagamento.

Também existem situações de emergência em que pessoas que não teriam a hipótese de comprar um medicamento, ou não teriam a hipótese naquele dia de se alimentarem, conseguem trazer uso e recurso deste produto, conseguem, porque esse salvar inclusive a vida, e no final fazem o pagamento responsável deste produto.

PM: O país tem estado a apontar várias medidas para combater o branqueamento de capitais, sobretudo o financiamento do terrorismo. Como se posiciona o M-pesa face a esta questão?

SG: Realativamente a esta questão, tenho o prazer de dizer que nós temos feito um investimento substancial, em criar toda uma linha de defesa relativamente ao branqueamento de capitais e ao o financiamento do terrorismo. Seja com as pessoas que contratamos para essas unidades.

E, inclusive, a responsabilidade que trouxemos aos nossos órgãos sociais, que são os maiores responsáveis por essa actividade de garantia, que nós temos as políticas adequadas, e que nós temos equipa adequada para que também faça isso. E também um investimento em sistemas e modelos para conseguir controlar as transações e para conseguir perceber onde é que estão os focos de possibilidade de garantimento de capitais, a que conhecemos as vezes.

As nossas transações hoje são extremamente seguras. Nós, inclusive, ao ponto de ver o tracking que fazemos, conseguimos identificar a todo e qualquer momento quais são as origens de risco e podemos fazer essa análise. E sim, temos, claro, um olho muito especial sobre a região com as regiões que são de mais alto risco, acerca da monitorização das transações que há agora, para perceber se em algum momento estamos em risco ou não.

Em linhas gerais, a empresa tem procedimentos de compliance bastante rigidas e com os sistemas que temos, somos uma barreira e uma defesa para a garantia de que as transações possam ser realizadas em um momento determinado, de tal forma que ha um limite de transferência por dia.

Conselho de Administração da Vodafone M-Pesa

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