O projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil na Bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado, poderá gerar receitas estimadas em até 150 mil milhões de dólares norte-americanos para o Estado moçambicano ao longo de aproximadamente 30 anos de operação, reforçando as perspectivas de Moçambique consolidar-se como um dos principais produtores globais de gás natural liquefeito (GNL).
A projecção foi apresentada pelo Director-Geral da ExxonMobil Moçambique, Arne Gibbs, durante a 12.ª edição da Mozambique Mining and Energy Conference and Exhibition (MMEC), que decorre em Maputo, onde confirmou igualmente que a Decisão Final de Investimento (FID) continua prevista para o segundo semestre deste ano.
Segundo a ExxonMobil, o novo conceito técnico adoptado para o Rovuma LNG permitirá ganhos significativos de escala e maior eficiência operacional, resultado de um processo de engenharia e optimização desenvolvido ao longo dos últimos dois anos. A multinacional considera o Rovuma LNG um dos maiores projectos energéticos actualmente em desenvolvimento no continente africano.
De acordo com Arne Gibbs, a revisão do modelo técnico permitirá aumentar a produção de gás natural liquefeito sem crescimento proporcional dos custos operacionais, melhorando a rentabilidade e o retorno económico para o Estado moçambicano.
Além das receitas fiscais de longo prazo, a ExxonMobil defende que os benefícios económicos do projecto começarão a ser sentidos ainda durante a fase de construção, através de impostos, taxas, contratação de serviços locais e participação do sector financeiro moçambicano.
O projecto Rovuma LNG integra a Área 4 da Bacia do Rovuma, uma das maiores descobertas de gás natural das últimas décadas, com reservas estimadas em mais de 85 biliões de pés cúbicos de gás natural. A concessão é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), consórcio que integra ExxonMobil, Eni e China National Petroleum Corporation (CNPC), entre outros parceiros internacionais.
Moçambique possui actualmente três grandes projectos aprovados para exploração de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma. O único em operação comercial é o Coral Sul FLNG, liderado pela Eni, que iniciou exportações em 2022. O país aprovou recentemente também o projecto Coral Norte FLNG, avaliado em cerca de 7,2 mil milhões de dólares, com produção prevista para 2028.
Paralelamente, o projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies e avaliado em aproximadamente 20 mil milhões de dólares, encontra-se em processo de retoma após a suspensão causada pela insegurança em Cabo Delgado em 2021.
As autoridades moçambicanas e operadores internacionais consideram que a materialização destes investimentos poderá transformar estruturalmente a economia nacional, impulsionando receitas fiscais, criação de emprego, desenvolvimento de infra-estruturas e consolidação do Fundo Soberano de Moçambique, alimentado parcialmente pelas receitas provenientes do gás natural.



