Cerca de 22,7 milhões de moçambicanos já têm acesso à energia eléctrica, mais 12,9 milhões do que em 2019, num avanço que coloca o país mais próximo da meta de acesso universal até 2030.
Cerca de 22,7 milhões de moçambicanos, equivalentes a 66,9% da população, têm actualmente acesso à energia eléctrica, contra aproximadamente 9,8 milhões em 2019, segundo dados apresentados pelo secretário permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), António Manda.
Os números representam um aumento de cerca de 12,9 milhões de beneficiários em seis anos, reflectindo a expansão da rede nacional de electrificação e os investimentos realizados para ampliar o acesso à energia no país.
Os dados foram divulgados em Maputo, durante as celebrações dos 49 anos da Electricidade de Moçambique (EDM), que assinalaram também o início de um novo ciclo rumo ao cinquentenário da empresa pública.
Segundo António Manda, o crescimento do acesso à electricidade constitui um avanço relevante na trajectória de electrificação do país, mas ainda existem desafios significativos para alcançar a meta de acesso universal à energia eléctrica até 2030.
“O percurso da EDM é motivo de reconhecimento, mas devemos também lembrar que a missão de edificar Moçambique ainda não está concluída.”
O responsável salientou que permanecem comunidades sem acesso à electricidade e consumidores que exigem um serviço mais seguro, fiável, acessível e de qualidade.
361 postos administrativos já electrificados
A expansão da electrificação tem permitido também ampliar a cobertura territorial da rede. Actualmente, as 11 capitais provinciais e 154 sedes distritais encontram-se electrificadas, enquanto prosseguem os trabalhos para levar energia aos postos administrativos.
Dos postos administrativos existentes no país, 361 já beneficiam de energia eléctrica, segundo os dados apresentados pelo MIREME.
A expansão da rede, contudo, ocorre num contexto em que o sistema energético nacional enfrenta riscos crescentes associados aos eventos climáticos extremos. António Manda defendeu, por isso, a necessidade de reforçar a resiliência das infra-estruturas para reduzir os impactos de fenómenos que têm afectado diferentes regiões do país.
Desafio passa por transformar recursos em energia competitiva
Para o MIREME, a expansão do acesso não deve ser dissociada da capacidade de Moçambique transformar o seu potencial energético em electricidade disponível, competitiva e sustentável.
O país dispõe de importantes recursos energéticos, incluindo potencial hidroeléctrico, gás natural, energia solar e outras fontes renováveis. O desafio, segundo Manda, consiste em converter esse potencial em capacidade efectiva de geração e fornecimento, alinhada com as necessidades de desenvolvimento económico e social.
“O desafio é justamente transformar esse potencial em energia eléctrica disponível, competitiva, sustentável, promovendo uma transição energética ajustada e justa às prioridades de desenvolvimento do nosso país.”
A questão da qualidade e fiabilidade do fornecimento ganha particular relevância à medida que aumenta o número de consumidores ligados à rede e cresce a procura de energia por parte das actividades económicas.
EDM pede maior proximidade com consumidores
Por seu turno, o presidente do Conselho de Administração da EDM, Joaquim Henrique Ou-chim, apelou às direcções provinciais da empresa para reforçarem os esforços destinados a aproximar os serviços dos cidadãos.
O responsável defendeu uma actuação baseada na ética, responsabilidade e qualidade no atendimento, como forma de melhorar a resposta às necessidades dos consumidores e das comunidades.
As celebrações dos 49 anos da EDM incluem um workshop dedicado às missões, desafios e perspectivas da empresa, reunindo actuais e antigos dirigentes, trabalhadores, parceiros de cooperação e outros intervenientes do sector energético.
A iniciativa abre, assim, o ciclo comemorativo que conduzirá aos 50 anos da Electricidade de Moçambique, num período em que a empresa enfrenta o desafio de conciliar a expansão do acesso com a necessidade de assegurar qualidade, fiabilidade e resiliência do fornecimento de electricidade.
Fonte: AIM



