O Governo da África do Sul vai deixar de apoiar, através de incentivos públicos, novos projectos de montagem de veículos que dependam da importação de carroçarias e da maioria dos componentes em kits.
A medida foi anunciada pelo Ministro do Comércio, Indústria e Concorrência, Parks Tau, durante a South African Auto Week.
O Governo pretende eliminar gradualmente as operações conhecidas como SKD (Semi Knocked-Down). Este modelo permite importar veículos parcialmente montados para posterior montagem local.
A nova orientação procura incentivar uma produção mais profunda dentro do país. O foco será aumentar a utilização de componentes fabricados localmente e reforçar a cadeia de fornecedores.
Meta de 60% de conteúdo local
A mudança enquadra-se no Automotive Master Plan da África do Sul. O plano estabelece como meta aumentar o conteúdo local dos veículos de uma média actual de 38% para 60% até 2035. Pretende-se também duplicar o emprego no sector. Outra meta é elevar a participação da África do Sul na produção mundial de veículos para 1%.
A medida não abrangerá os veículos comerciais médios e pesados.
O Governo pretende ainda tornar mais rigorosa a definição de CKD (Complete Knocked-Down), modelo em que os veículos são produzidos a partir de componentes e peças, com maior incorporação local.
Indústria pede maior produção local
A revisão surge depois de fabricantes de automóveis defenderem alterações ao sistema de incentivos. O sector considera que o modelo SKD pode permitir a entrada de veículos com reduzida incorporação local. As empresas defendem maior investimento, produção e criação de emprego no país.
O Governo está a rever o Automotive Production and Development Programme, em conjunto com a associação do sector automóvel NAAMSA, fabricantes de componentes, trabalhadores e outras partes interessadas. As autoridades também vão avaliar a necessidade de apoio adicional ao segmento de veículos comerciais ligeiros, incluindo as carrinhas pickup.
Antes de qualquer decisão, a International Trade Administration Commission (ITAC) deverá realizar uma investigação sobre o sector.
Segundo Parks Tau, qualquer eventual protecção adicional deverá estar associada a compromissos concretos de produção, localização de componentes, emprego, transformação, exportações e investimento.
A mudança sinaliza uma aposta numa indústria automóvel com maior valor acrescentado local, reduzindo gradualmente a dependência da simples montagem de veículos importados.
Fonte: Reuters



