Os preços internacionais do petróleo recuaram esta segunda-feira, depois de atingirem máximos de cinco meses na sessão anterior, pressionados pela tomada de lucros dos investidores e pela decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de aliviar sanções e tarifas à Rússia, numa medida que poderá permitir o aumento das exportações russas de combustíveis, avançou Reuters.
Às 06h19 GMT, o Brent, referência para o mercado internacional, caiu 2,08%, para 107,57 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana, recuou 1,92%, para 99,46 dólares por barril. Na sexta-feira, ambas as referências tinham encerrado nos níveis mais elevados dos últimos meses, com o Brent a atingir o máximo desde 19 de Maio.
A decisão de Washington surge num contexto de forte instabilidade no mercado energético, marcado pelas tensões no Médio Oriente e pelos ataques a navios comerciais, que têm comprometido o transporte de petróleo na região do Golfo. Segundo a consultora Kpler, os fluxos de petróleo bruto provenientes do Golfo caíram para cerca de 8,5 milhões de barris por dia, em média, durante sete dias na semana passada, contra mais de 20 milhões de barris por dia na semana anterior.
Apesar do alívio das sanções à Rússia poder aumentar a disponibilidade de combustíveis no mercado internacional, os analistas consideram que a incerteza sobre a duração e o alcance da medida limita, para já, as perspectivas de uma redução sustentada dos preços. A continuidade dos riscos sobre as rotas marítimas mantém, assim, a pressão sobre a oferta mundial.
Impacto potencial para Moçambique
Para Moçambique, que depende das importações de combustíveis para abastecer grande parte das necessidades internas, a evolução das cotações internacionais representa um factor relevante para os custos de importação, a inflação e o equilíbrio externo. Uma descida sustentada do petróleo poderá reduzir a factura de importação de combustíveis e aliviar a pressão sobre os custos de transporte, a produção e os preços de bens e serviços.
Contudo, a manutenção do Brent acima dos 100 dólares por barril poderá continuar a representar um desafio para a economia nacional. Caso os preços internacionais permaneçam elevados, os custos de aquisição de combustíveis poderão aumentar, pressionando os operadores económicos e as contas externas do país. O efeito sobre os preços praticados no mercado moçambicano dependerá também da evolução cambial, dos custos de transporte, dos mecanismos de formação dos preços internos e das decisões das autoridades.
Por outro lado, como produtor de gás natural e com perspectivas de expansão da indústria de hidrocarbonetos, Moçambique poderá beneficiar de um contexto internacional de preços energéticos elevados, dependendo dos mecanismos de comercialização, dos contratos de venda e da exposição efectiva da produção nacional aos preços do petróleo.
O comportamento do mercado nas próximas semanas dependerá, sobretudo, da evolução das tensões geopolíticas, da segurança das rotas marítimas e da capacidade de a oferta russa compensar eventuais interrupções no abastecimento provenientes do Médio Oriente.



