O Presidente do Conselho de Administração da Vodacom defende que as empresas nacionais devem olhar para além da exploração dos recursos naturais e identificar oportunidades em toda a cadeia de valor da indústria. A posição foi apresentada durante a Masterclass do Clube de Petróleo, realizada a 28 de Outubro, em Maputo.
Para Salimo Abdula, a participação das empresas moçambicanas na indústria de petróleo e gás começa pela capacidade de identificar oportunidades, compreender as necessidades do mercado e preparar-se para responder às exigências do sector.
O empresário considera que o potencial de negócio não se limita às actividades directamente ligadas à exploração dos recursos naturais, abrangendo diferentes áreas de fornecimento de bens e serviços ao longo da cadeia de valor.
“Identificar as oportunidades é o primeiro passo para preparar o país e as empresas nacionais para responder às necessidades do sector. As oportunidades vão muito além da exploração dos recursos naturais, abrangendo diferentes áreas da cadeia de valor empresarial”, afirmou.
A intervenção de Salimo Abdula marcou um dos pontos centrais da Masterclass do Clube de Petróleo, subordinada ao tema “Oportunidades de Negócio na Indústria de Petróleo e Gás em Moçambique”, que reuniu empresários, estudantes e representantes de instituições ligadas ao sector.
Preparação técnica e segurança entre os principais desafios
Na mesma ocasião, João Machava, em representação do Clube de Petróleo, chamou a atenção para a complexidade de uma indústria ainda em desenvolvimento no país, caracterizada por elevados níveis de risco e exigências técnicas. O responsável destacou o domínio das normas de Higiene e Segurança no Trabalho (HST) como condição fundamental para as empresas que pretendem integrar a cadeia de fornecimento.
“É fundamental conhecer os desafios de uma indústria ainda recente no país, marcada por elevados níveis de risco e exigências técnicas. O domínio da Higiene e Segurança no Trabalho é essencial para que as empresas possam responder aos requisitos de contratação”, sublinhou.
Por sua vez, Amahoro Lins, do Bureau de Conteúdo Local da CTA, defendeu que Moçambique precisa de transformar o potencial dos seus recursos naturais em resultados concretos para a economia nacional, promovendo uma participação efectiva das empresas moçambicanas no desenvolvimento da indústria.
“Moçambique deve ir além do potencial dos recursos naturais e transformar as oportunidades do sector em resultados concretos para a economia nacional”, afirmou.
Já Feliz Malate, Director-Geral do Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), considerou que a existência de uma lei de conteúdo local, por si só, não garante a integração do empresariado nacional. Para o responsável, é necessário investir na formação, na qualificação e no desenvolvimento de competências que permitam às empresas responder às exigências do mercado e assegurar a sua sustentabilidade.
“A existência de uma lei de conteúdo local, por si só, não é suficiente. É fundamental investir no desenvolvimento de competências e noutras capacidades que permitam às empresas crescer e garantir a sua sustentabilidade a longo prazo”, defendeu.
A Masterclass do Clube de Petróleo promoveu a reflexão sobre os desafios de acesso ao mercado e as possibilidades de participação das empresas nacionais na indústria de petróleo e gás, reforçando a importância da preparação empresarial, da qualificação técnica e do cumprimento dos padrões internacionais.



