Sexta-feira, Julho 12, 2024
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Análise financeira: aumento do crédito malparado sinaliza preocupações para Moçambique

O Banco de Moçambique divulgou hoje dados alarmantes sobre o aumento do crédito malparado no mercado financeiro do país. Segundo informações do Boletim de Estabilidade Financeira, publicado recentemente pelo banco central, empresas e famílias com crédito na banca comercial não estão honrando devidamente seus compromissos, resultando em uma elevação preocupante na qualidade dos activos.

Até Junho deste ano, o crédito total à economia atingiu pouco mais de 300 mil milhões de meticais. No entanto, o rácio de crédito em incumprimento (NPL), expresso como a proporção do NPL sobre o crédito total, aumentou para 10,58%, em comparação com os 10,02% registados em Junho de 2022, ultrapassando significativamente o benchmark convencional de 5,0%.

O Boletim de Estabilidade Financeira também revela que a cobertura do NPL pelas provisões específicas aumentou de 67,99% para 70,61%, indicando uma resposta activa dos bancos em preparação para possíveis inadimplências. Essa mudança ocorreu entre Junho de 2022 e Junho de 2023, após atingir 71,84% em Dezembro de 2022.

O sector do Comércio liderou as estatísticas, representando 30,50% do total do NPL em Junho passado, seguido por Indústria, com 23,01%, e Transportes e Comunicações, com 19,46%. Esses números indicam um desafio generalizado para diferentes sectores da economia moçambicana.

Apesar desse cenário, o relatório destaca que os bancos comerciais, embora enfrentem níveis elevados de crédito malparado, continuam a registar lucros notáveis. Os resultados líquidos do exercício aumentaram 1,2 mil milhões de meticais, totalizando 14,6 mil milhões de meticais em Junho de 2023.

A explicação para essa aparente contradição reside no aumento da margem financeira em 4,4 mil milhões de meticais. A rendibilidade dos activos (ROA) fixou-se em 4,64%, e a rendibilidade dos capitais próprios (ROE) atingiu 18,38%, indicando a capacidade dos bancos de manter a rentabilidade em meio aos desafios do ambiente económico.

Entretanto, é importante observar que o rácio do custo-benefício nas operações da banca comercial aumentou para 54,42%, registando um acréscimo de 1,09 pontos percentuais em relação ao período homólogo. Essa variação sugere uma ligeira redução da eficiência bancária, indicando a necessidade de uma gestão mais eficaz diante do actual contexto desafiador.

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