Em termos de cereais por exemplo, os dados administrados em 2020 apontavam que Moçambique produziu um total de 2,8 milhões de toneladas, mas o Inquérito Agrário Integrado (IAI) 2020, apurou 1,9 milhão de toneladas, uma diferença de cerca de 900 mil toneladas, correspondente a 32,2%. Quanto as leguminosas, os dados de 2020 apontam para uma redução de 862,8 mil toneladas, contra 439,8 mil toneladas apuradas através do inquérito agrário, o que equivale a uma diferença de 422,9 mil toneladas, correspondente a 49,1%.

Em relação às raízes e tubérculos, em 2020 estimava-se uma produção nacional de 17,6 mil toneladas, mas o IAI aponta para 6,4 mil toneladas em 2021, uma redução de 11,2 mil toneladas, correspondente a 63,6%. Nas oleaginosas, em 2020 esperavam-se 247,5 mil toneladas, contra 212,6 mil toneladas segundo o inquérito, o que representa uma descida de 34,9 mil toneladas, equivalente a 14,1%.

Nas amêndoas houve uma redução de 145,5 mil toneladas para 2,4 mil toneladas, isto é uma queda na ordem de 98,3%. Este resultado pode estar associado ao défice no sector do caju. Das 567,4 mil toneladas de frutas produzidas em 2020, o inquérito reduziu a cifra para 269,2 mil toneladas, o que corresponde a uma diferença negativa de 298,2 mil toneladas, ou seja, 52,5%.

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As outras culturas também seguiram a mesma tendência de redução, que afectou igualmente o sector pecuário mas este, em menor dimensão. Reagindo aos dados, o Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, explicou que esta discrepância tem a ver com a ausência de anuários estatísticos no sector e que pode impactar o desempenho do PIB do sector agrícola em 2021.

Correia reconhece que o país ainda está longe de autosuficiência alimentar mas o passo nesse sentido já foi dado através do projecto SUSTENTA.

O IAI 2020 avança ainda que 97,8% da área arável nacional, é explorada por pequenos produtores correspondentes a 4.167,702 produtores, 2,19% (93.183 produtores) são médias explorações e 0,02% (873 produtores) são grandes explorações.

A nível de agricultura familiar, apenas 6,9% dos produtores têm acesso aos serviços de extensão, 9,7% dos produtores usam semente melhorada, 0,6% acede ao crédito e 39,9% conhece os preços de produtos. Contudo, o índice de perdas pós-colheita situa-se nos 13,5%.

Nampula, Zambézia, Tete, Sofala, Manica e província de Maputo são os maiores produtores nacionais em termos agregados.

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Lançado em Setembro do ano passado, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, o Inquérito Agrário Integrado de 2020 foi concluído no passado mês de Maio, tendo abrangido 141 dos 150 distritos nacionais e custou 200 milhões de meticais, financiados pelo Banco Mundial.

FONTEO País Económico

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