Thursday, April 9, 2026
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Emissão de títulos do tesouro reflecte no incremento da dívida interna em Moçambique

Emissão de títulos

Moçambique anunciou a emissão de 609 milhões de meticais (aproximadamente 8,6 milhões de dólares) em Obrigações do Tesouro, com maturidade de cinco anos. A operação foi divulgada pela Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) e contou com um elevado interesse dos operadores do Tesouro com maturidade de cinco anos, indicam dados oficiais a que Lusa teve acesso.

A emissão corresponde à 10ª série de Obrigações do Tesouro de 2024 e estava destinada à subscrição directa por operadores especializados. A relação entre procura e oferta foi de 22,51%, com propostas que totalizaram 1,2 milhões de meticais.

Com uma taxa de juro nominal fixa de 15% para os primeiros quatro pagamentos semestrais e variável para os últimos seis, esta operação visa equilibrar as necessidades de financiamento do governo. No entanto, o aumento da dívida pública interna é uma preocupação crescente. De acordo com dados do Banco de Moçambique, a dívida interna totalizou 364,2 milhões de meticais, representando um aumento significativo nos últimos meses.

O relatório de Situação Económica e Perspectivas de Inflação, publicado em Maio, revela que a dívida interna contraiu 51,9 milhões de meticais, totalizando 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Isso inclui 99,8 milhões de meticais em Bilhetes do Tesouro e 169 milhões em Obrigações do Tesouro.

O Ministério da Economia e Finanças alertou sobre o rápido crescimento da dívida interna, prevendo que, se essa tendência continuar, a relação entre dívida interna e externa pode atingir 50% até 2029. Esse cenário é alarmante, pois pode colocar em risco a sustentabilidade financeira do país.

As taxas de juros sobre Letras do Tesouro e Títulos do Tesouro também aumentaram, resultando em custos mais elevados para o financiamento doméstico. A taxa média ponderada de empréstimos governamentais subiu de 5% em 2021 para 6,5% em 2023, acumulando um aumento de 150 pontos-base em apenas dois anos.

A recente emissão de títulos do Tesouro por Moçambique é um reflexo das necessidades de financiamento do governo, mas também evidencia o desafio crescente da dívida pública. A atenção das autoridades e dos investidores será crucial para garantir a sustentabilidade financeira do país nos próximos anos.

Treasury bond issue reflects increase in Mozambique’s domestic debt

Emissão de títulos

Mozambique announced the issue of 609 million meticais (approximately 8.6 million dollars) in Treasury Bonds, with a maturity of five years. The operation was announced by the Mozambique Stock Exchange (BVM) and was met with a great deal of interest from traders.
The issue corresponds to the 10th series of 2024 Treasury Bonds and was intended for direct subscription by specialized operators. The ratio between demand and supply was 22.51%, with bids totaling 1.2 million meticais.
With a fixed nominal interest rate of 15% for the first four six-monthly payments and variable for the last six, this operation aims to balance the government’s financing needs. However, the increase in domestic public debt is a growing concern. According to data from the Bank of Mozambique, domestic debt totaled 364.2 million meticais, representing a significant increase in recent months.

The Economic Situation and Inflation Outlook report, published in May, reveals that the domestic debt contracted by 51.9 million meticais, amounting to 23.7% of the country’s Gross Domestic Product (GDP). This includes 99.8 million meticais in Treasury Bills and 169 million in Treasury Bonds.

The Ministry of Economy and Finance has warned about the rapid growth of domestic debt, predicting that if this trend continues, the ratio between domestic and foreign debt could reach 50% by 2029. This scenario is alarming, as it could put the country’s financial sustainability at risk.

Interest rates on Treasury Bills and Treasury Bonds have also risen, resulting in higher costs for domestic financing. The weighted average rate on government loans rose from 5% in 2021 to 6.5% in 2023, accumulating an increase of 150 basis points in just two years.

Mozambique’s recent issuance of treasury bonds is a reflection of the government’s financing needs, but also highlights the growing public debt challenge. The attention of the authorities and investors will be crucial to ensure the country’s financial sustainability in the coming years.

Nova gestão da CCMUSA destaca a importância da colaboração com a CCM

gestão da CCMUSA

A Câmara de Comércio de Moçambique (CCM) e a Câmara de Comércio Moçambique-Estados Unidos (CCMUSA) firmaram um compromisso de colaboração visando o fortalecimento do sector empresarial e a cooperação econômica entre Moçambique e os Estados Unidos.

O presidente da CCMUSA, Onório Manuel, destacou a CCM como um parceiro fundamental para o desenvolvimento sustentável de ambas as câmaras. “A CCM, pela sua vasta experiência e robustez no sector empresarial, será essencial no apoio às nossas iniciativas conjuntas”, afirmou.

Manuel enfatizou a importância de colaboração na promoção de novas oportunidades de investimento e na melhoria do ambiente de negócios. “Esperamos que esta sinergia traga benefícios directos para os empresários de Moçambique e dos Estados Unidos, promovendo o crescimento de ambos os mercados”, acrescentou.

O presidente da CCM, Álvaro Massingue, também enfatizou a necessidade de união de esforços para apoiar as comunidades empresariais. “Precisamos de trabalhar juntos para garantir um maior envolvimento no sector produtivo, maximizando o impacto das nossas acções”, sublinhou.

Massingue destacou a importância de advogar por políticas que apoiem a formação de jovens profissionais. “É crucial que as duas câmaras promovam uma formação direccionada às exigências do mercado, garantindo que os jovens tenham as competências necessárias”, enfatizou.

O dirigente da CCM também ressaltou a necessidade de sensibilizar empresários sobre a adesão às câmaras de comércio, reafirmando que essas instituições são plataformas essenciais para acesso à informação e redes de negócios.

A sinergia entre a CCM e a CCMUSA representa um passo significativo em direcção ao fortalecimento das relações comerciais e à promoção do desenvolvimento económico em Moçambique e nos Estados Unidos. Com um foco conjunto em formação e investimento, as duas câmaras estão posicionadas para gerar um impacto positivo em suas comunidades empresariais.

New CCMUSA management highlights importance of collaboration with CCM

gestão da CCMUSA

The Mozambique Chamber of Commerce (CCM) and the Mozambique-United States Chamber of Commerce (CCMUSA) have signed a collaboration agreement aimed at strengthening the business sector and economic cooperation between Mozambique and the United States.

The president of CCMUSA, Onório Manuel, highlighted CCM as a key partner for the sustainable development of both chambers. “CCM, due to its vast experience and strength in the business sector, will be essential in supporting our joint initiatives,” he said.

Manuel emphasized the importance of collaboration in promoting new investment opportunities and improving the business environment. “We hope that this synergy will bring direct benefits to entrepreneurs in Mozambique and the United States, promoting growth in both markets,” he added.

The president of CCM, Álvaro Massingue, also emphasized the need to join forces to support the business communities. “We need to work together to ensure greater involvement in the productive sector, maximizing the impact of our actions,” he stressed.

Massingue highlighted the importance of advocating for policies that support the training of young professionals. “It’s crucial that the two chambers promote training geared to the demands of the market, ensuring that young people have the necessary skills,” he emphasized.

The CCM leader also stressed the need to raise awareness among businesspeople about joining chambers of commerce, reaffirming that these institutions are essential platforms for access to information and business networks.

The synergy between CCM and CCMUSA represents a significant step towards strengthening trade relations and promoting economic development in Mozambique and the United States. With a joint focus on training and investment, the two chambers are positioned to generate a positive impact on their business communities.

Banco de Moçambique abre candidaturas para a 6ª edição do Sandbox Regulatório

O Banco de Moçambique anunciou o lançamento da 6ª edição do seu Sandbox Regulatório, convidando startups, instituições de crédito, sociedades financeiras, prestadores de serviços de pagamento, desenvolvedores e outras entidades financeiras emergentes a apresentarem propostas de soluções inovadoras para expandir o acesso aos serviços financeiros no país.

Oportunidade visa promover soluções financeiras inovadoras com foco em inclusão e sustentabilidade.

Com duração de cerca de nove meses, o processo será dividido em quatro fases: preparação para testes (cinco meses), realização de testes (dois meses), apresentação de relatórios finais (um mês), e avaliação e divulgação de resultados (um mês). A iniciativa começará em fevereiro de 2025 e é voltada para projectos que promovam o uso equitativo de serviços financeiros em diferentes segmentos da sociedade, com atenção especial para grupos vulneráveis, incluindo mulheres, jovens, pessoas com deficiência e moradores de áreas rurais.

Além de priorizar a inclusão financeira, o Banco de Moçambique destacou que soluções focadas em mitigação das mudanças climáticas também serão valorizadas. A iniciativa tem o potencial de gerar impacto positivo na economia e fomentar o uso de tecnologias financeiras inovadoras no país.

Os interessados podem solicitar o formulário de participação através do site oficial do Banco de Moçambique ou pelo e-mail sandbox@bancomoc.mz. As inscrições estarão abertas até o dia 25 de outubro de 2024, e os candidatos devem seguir as directrizes estabelecidas no regulamento da iniciativa.

Para mais informações ou esclarecimentos, o Banco de Moçambique disponibiliza o e-mail do Gabinete de Inclusão Financeira (inclusao.financeira@bancomoc.mz).

Bank of Mozambique opens applications for 6th edition of Regulatory Sandbox

The Bank of Mozambique has announced the launch of the 6th edition of its Regulatory Sandbox, inviting startups, credit institutions, financial companies, payment service providers, developers and other emerging financial entities to submit proposals for innovative solutions to expand access to financial services in the country.

The opportunity aims to promote innovative financial solutions with a focus on inclusion and sustainability.

Lasting around nine months, the process will be divided into four phases: preparing for tests (five months), conducting tests (two months), presenting final reports (one month), and evaluating and disseminating results (one month). The initiative will begin in February 2025 and is aimed at projects that promote the equitable use of financial services in different segments of society, with special attention to vulnerable groups, including women, young people, people with disabilities and residents of rural areas.

As well as prioritizing financial inclusion, the Bank of Mozambique stressed that solutions focused on climate change mitigation will also be valued. The initiative has the potential to generate a positive impact on the economy and encourage the use of innovative financial technologies in the country.

Interested parties can request a participation form via the Bank of Mozambique’s official website or by emailing sandbox@bancomoc.mz. Applications will be open until October 25, 2024, and applicants must follow the guidelines set out in the initiative’s regulations.

For more information or clarification, the Bank of Mozambique has an e-mail address for the Financial Inclusion Office (inclusao.financeira@bancomoc.mz).

DP World planeia novos investimentos logísticos e portuários

A DP World está a planear novos investimentos em Moçambique, onde já opera e está a expandir o porto de Maputo, disse segunda-feira o presidente e CEO da multinacional do sector logístico e portuário sediada no Dubai, após um encontro em Nova Iorque com o Presidente moçambicano.

“Quero dizer que estamos entusiasmados com o país e com as cidades vizinhas, Nacala, muitos lugares hoje onde, acreditamos, podemos acrescentar valor ao sector do comércio”, disse Sultan Ahmed bin Sulayem, falando aos jornalistas após um encontro com Filipe Nyusi, que está de visita a Nova Iorque no âmbito da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Estamos em Moçambique há mais de 20 anos e Moçambique é agora um importante centro de carga, especialmente para os países vizinhos, África do Sul, Zimbabué e Zâmbia, e para a região. E isso reflecte-se no nosso investimento para expandir o porto de Maputo e temos discutido a possibilidade de criar parques industriais em várias partes do país e melhorar a logística no país e nos países vizinhos. Para Maputo é uma grande vitória em termos de comércio”, acrescentou Ahmed Bin Sulayem sobre o encontro com Nyusi.

De acordo com o presidente da DP World, multinacional com sede no Dubai, Emirados Árabes Unidos, o investimento na expansão do porto de Maputo – cerca de 600 milhões de dólares só nos próximos três anos – também já está em curso: “Vai ser muito maior do que o anterior”.

A concessão do porto de Maputo à Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) vai vigorar até 13 de abril de 2058, de acordo com os termos da adenda ao contrato, aprovada por decreto do governo moçambicano publicado em abril passado.

A MPDC é uma empresa privada moçambicana que resultou de uma parceria entre os Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) e a Portus Indico, constituída pela Grindrod, DP World e a empresa Mozambique Gestores.

“É prorrogada por um período adicional de 25 anos a contar do termo constante da sua segunda adenda (13 de abril de 2033), terminando a concessão a 13 de abril de 2058, com vista à recuperação dos investimentos adicionais solicitados pelo Governo”, lê-se no decreto.

O mesmo decreto aprova os termos do Plano de Negócios para a realização de investimentos adicionais, “visando o aumento da capacidade de movimentação de cargas no Porto de Maputo, ficando a concessionária autorizada a realizar investimentos adicionais” de 2,060 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros) na Área de Concessão Portuária.

A concessionária do porto de Maputo prevê investir 600 milhões de dólares (553,4 milhões de euros) nos próximos três anos na expansão das infra-estruturas portuárias, a primeira fase de investimentos prevista na adenda ao contrato de concessão, até 2058.
O director executivo da MPDC, Osório Lucas, explicou anteriormente à Lusa que esta primeira fase vai aumentar a capacidade do terminal de contentores dos actuais 170 mil para 530 mil contentores em três anos.

“E vai também aumentar a capacidade do Terminal de Carvão da Matola, de sete milhões para 12 milhões. E a nossa capacidade de carga geral aumentará de 10 milhões para 13 milhões na fase 1, que estará concluída nos próximos três anos”, disse.
A MPDC espera passar de um volume de movimentação de carga de 26,7 mtpa (milhões de toneladas por ano) em 2023 para 50,9 mtpa em 2058, no final deste novo período de extensão do contrato de mais 25 anos (a partir de 2033).

Até 2058, estima-se também um aumento da capacidade operacional dos actuais 37 mtpa para 54 mtpa e da capacidade do terminal de 270 para um milhão de contentores, a expansão do Terminal de Carvão da Matola de 7,5 para 18 mtpa e do Terminal de Carga Geral de 9,2 para 13,6 mtpa.

O porto de Maputo emprega atualmente cerca de 10.000 trabalhadores diretos e indirectos, prevendo-se que a expansão traga mais 2.000 trabalhadores.

BAD investiu 3,5 mil milhões de dólares em Moçambique

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) desembolsou, nos últimos 47 anos, cerca de 3,5 mil milhões de dólares em Moçambique, que foram aplicados em 115 projectos.

De acordo com o primeiro-ministro, Adriano Maleiane, que falava segunda-feira na cerimónia que assinalou o 60º aniversário da criação do BAD, estes montantes foram investidos na agricultura, transportes, energia, água e saneamento.

“Parte deste montante contribuiu para a melhoria das condições de vida da população moçambicana. Ajudou também a modernizar o corredor de Nacala, melhorando a logística e a conetividade interna, bem como reforçando a posição competitiva do país”, afirmou.

Maleiane, disse que o Banco de Moçambique reconhece e enaltece o papel do BAD no desenvolvimento económico e social desde que o país aderiu àquela instituição financeira em 1977.

“O Banco Africano de Desenvolvimento tem estado alinhado com as prioridades do nosso governo, como comprovam os investimentos estratégicos em infra-estruturas como energia, água, saneamento, estradas, pontes e a modernização da agricultura no contexto do desenvolvimento da cadeia de valor agrícola”, disse.

De acordo com Maleiane, o Banco ajudou o país a mitigar os efeitos das alterações climáticas, incluindo os ciclones Idai e Kenneth, em 2019, e da pandemia da Covid-19. Esteve também envolvido na reconstrução dos distritos afectados pelos terroristas islâmicos na província nortenha de Cabo Delgado.

Por sua vez, o ministro dos Transportes, Mateus Magala, disse que o BAD tem sido uma instituição crucial na luta contra a pobreza em África.

“Não é um banco estrangeiro, é um instrumento dos governos”, disse. “A visão do Banco há 60 anos continua a ser a mesma, ou seja, eliminar a pobreza, promover o bem-estar, o desenvolvimento económico e a integração regional”.

No entanto, disse que o Banco deve desenhar novas estratégias de assistência ao país, atuando como um Banco que promova soluções para problemas estruturais, nomeadamente a criação de emprego para jovens e mulheres, a gestão da dívida, a segurança regional, as alterações climáticas e a digitalização da economia.

Denise Cortês-Keyser: “Precisamos integrar as comunidades locais em todos os níveis da cadeia de valor da indústria extractiva”

Durante a 5ª Edição das Conferências Índico, sob o tema “Mercado Segurador e a Indústria Extractiva: Perspectivas para o Benefício do Conteúdo Local em Moçambique”, Denise Cortês-Keyser, consultora e assessora para África no Global Gas Centre, em Genebra, apresentou uma visão incisiva e estratégica sobre as dinâmicas da indústria extractiva em Moçambique. A sua análise abarcou o papel crucial da tecnologia, da inclusão social e da gestão sustentável dos recursos naturais para o desenvolvimento económico.

O Desafio da Inclusão Local na Cadeia de Valor

Denise Cortês-Keyser destacou que, para que as indústrias extractivas beneficiem verdadeiramente o desenvolvimento económico de países como Moçambique, é essencial que as multinacionais se ajustem às realidades locais. “Se não criarmos condições para integrar as comunidades e empresas locais nas cadeias de valor, estamos a perpetuar um modelo de crescimento excludente”, afirmou.

De acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento (2021), a maioria dos países africanos ricos em recursos naturais enfrenta desafios semelhantes: enquanto as indústrias extractivas impulsionam o PIB, o impacto económico e social é frequentemente desigual, com as comunidades locais a ficarem à margem, mesmo nos locais onde esses recursos estão sendo explorados.

Um relatório da Open Society Foundations também destacou que a falta de transparência e de inclusão das comunidades nas tomadas de decisão tem contribuído para o aumento das desigualdades em países ricos em recursos naturais, como Moçambique.

Para Denise Cortês-Keyser, a solução passa por criar um sector privado robusto e competitivo, capaz de se inserir de forma significativa nas cadeias de fornecimento das grandes corporações internacionais. Ela reiterou a necessidade de fortalecer as empresas locais para que estas possam competir em pé de igualdade com fornecedores internacionais.

“A nossa estratégia não pode ser apenas extrair recursos e vendê-los. Temos de transformar esses recursos localmente, criando uma cadeia de valor que envolva todos os níveis da sociedade”, frisou. A crítica de Denise Cortês-Keyser aponta para a falta de integração de fornecedores locais, um problema que se reflecte na dificuldade em escalar pequenas e médias empresas (PMEs) e na exclusão de grande parte da população dos benefícios económicos.

Capacitação Técnica: A Chave para o Valor Acrescentado

Um dos temas centrais abordados foi a necessidade de capacitação técnica das empresas locais para que possam aproveitar plenamente o potencial dos recursos naturais. Moçambique, rico em reservas de gás natural, tem a oportunidade de se tornar um dos maiores exportadores mundiais de gás liquefeito, mas para isso precisa de garantir que o valor acrescentado permaneça dentro de suas fronteiras. “Sem capacitação técnica e inovação, continuaremos apenas a extrair recursos para outros beneficiarem-se”, alertou.

Estudos da Oxford Policy Management (2020) indicam que, sem um aumento substancial nos investimentos em capacitação técnica e inovação, Moçambique corre o risco de ser apenas um exportador de matérias-primas, sem aproveitar os ganhos de uma cadeia de valor mais complexa. O relatório aponta para a importância de desenvolver indústrias de transformação ligadas ao sector energético, como refinarias de gás ou indústrias petroquímicas, que poderiam multiplicar os empregos e gerar mais riqueza local.

“A transformação local não é apenas uma questão de crescimento económico, mas de soberania e auto-determinação. Precisamos de controlar o destino dos nossos recursos”, afirmou, sublinhando a importância de uma estratégia nacional integrada que priorize a formação técnica e a criação de empregos de alta qualificação no setor energético.

Um Ambiente de Negócios Inclusivo: Políticas para PMEs e Comunidades Locais

Denise Cortês-Keyser destacou ainda o papel fundamental de políticas públicas que fomentem um ambiente de negócios inclusivo. “As Zonas Económicas Especiais (ZEEs) são uma oportunidade crucial para que as PMEs locais possam competir e crescer. No entanto, sem um apoio estruturado, muitas destas empresas são incapazes de acessar as oportunidades que as ZEEs oferecem”, alertou.

Para Denise, o acesso ao capital, a criação de produtos e serviços financeiros ajustados às empresas locais e comunitárias, bem como as elevadas taxas de juros são alguns dos principais obstáculos enfrentados pelas PMEs moçambicanas. Um relatório da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA, 2022) mostra que apenas 15% das PMEs moçambicanas estão actualmente integradas nas cadeias de valor da indústria extractiva. Este dado reflecte o potencial não explorado dessas empresas, cuja inclusão é vital para o desenvolvimento sustentável.

A Fundação Mo Ibrahim (2021) também reconhece que o desenvolvimento das PMEs é um dos pilares mais importantes para a industrialização e crescimento económico sustentável de África, mas que muitas vezes é negligenciado nos setores de maior capital intensivo, como o sector extractivo.

Ademais, Denise apontou que há necessidade de partilha atempada dos planos de procurement das multinacionais para que as empresas locais se prepararem e formem parcerias estratégicas. “As multinacionais devem comunicar de forma mais transparente e atempada os seus planos de procurement, permitindo que as empresas locais tenham tempo para se preparar e competir com igualdade”, defendeu.

Democratização e Inclusão Social: Um Caminho para a Equidade

Outro ponto crucial da intervenção de Denise foi a necessidade de democratizar os processos decisórios na indústria extractiva, envolvendo de forma mais efetiva as comunidades locais. “Quantas vezes vemos as comunidades locais serem excluídas das grandes decisões económicas que afectam as suas vidas? A inclusão deve ser transversal a todos os níveis da cadeia de valor, e não limitada a tarefas periféricas”, referiu.

A equidade de género foi outro tema fortemente enfatizado. Denise citou o exemplo de Folorunsho Alakija, a empresária mais rica de África, como um símbolo do que pode ser alcançado quando as barreiras estruturais de acesso à cadeia de valor da indústria extrativa para as mulheres são eliminadas. No entanto, ela alertou que, em muitos países africanos, as mulheres continuam sub-representadas em posições de liderança, às formações técnico-profissionais, acesso ao capital, particularmente em setores dominados por homens, como o da energia e dos recursos naturais.

No que concerne à questão de liderança, de acordo com o Relatório Global de Desigualdade de Género do Fórum Económico Mundial (2022), as mulheres representam menos de 10% das posições de liderança na indústria extrativa em África, reflectindo a necessidade urgente de políticas que promovam a inclusão de género.

Um Futuro Sustentável: Tecnologia, Parcerias e Respeito às Comunidades

Na sua visão para o futuro, Denise Cortês-Keyser defendeu que o sucesso do setor extrativo em Moçambique dependerá de uma combinação de fatores: o uso adequado da tecnologia, o fortalecimento de parcerias entre governo, sector privado local e investidores, e, acima de tudo, o respeito pelos direitos das comunidades locais. “O desenvolvimento sustentável só será possível se respeitarmos as pessoas que vivem nas áreas onde os recursos são extraídos e garantirmos que os benefícios do crescimento cheguem a todos”, concluiu.

Ela reiterou que a chave para o sucesso da indústria extrativa em Moçambique reside na colaboração eficaz entre as partes interessadas, com foco na inclusão e capacitação das PMEs, na equidade de género e na criação de políticas públicas que estimulem um ambiente de negócios inclusivo. “Se continuarmos a ignorar as vozes das comunidades locais, estamos a comprometer o futuro de toda a indústria”, afirmou com convicção.

Conclusão

Denise Cortês-Keyser apresentou uma visão clara e estratégica para o futuro da indústria extractiva em Moçambique: um futuro onde as comunidades locais, as PMEs, as mulheres e os líderes são capacitados para participar em todos os níveis da cadeia de valor. O sucesso, segundo ela, passa por uma transformação profunda nas políticas públicas, a mudança de mentalidade por parte dos Gestores séniores dessas grandes empresas, no investimento em inovação e na criação de um ambiente de negócios verdadeiramente inclusivo. “O desenvolvimento sustentável em Moçambique será construído sobre as fundações da inclusão e da capacitação, ou não será”, concluiu.

 

Sobre Denise Cortês-Keyser

Denise Cortês-Keyser é uma distinta Empresária Moçambicana, Consultora de Finanças e Investimentos, bem como Oradora Internacional Pública e Motivacional, com quase 25 anos de experiência inestimável. Com uma formação como Contabilista Certificada e uma licenciatura em Gestão, juntamente com uma pós-graduação em Finanças Empresariais e certificação em Gestão Sustentável da Cadeia de Abastecimento pelo Instituto de Liderança Sustentável da Universidade de Cambridge (CISL), Denise está bem equipada para impulsionar o sucesso em qualquer negócio ou organização.

O seu impressionante historial inclui o cargo de Vice-Presidente para Estudos, Projectos e Conselho de Marketing da Federação Moçambicana de Futebol, demonstrando a sua aptidão em funções de liderança estratégica. Além disso, Denise ocupa uma posição fundamental como membro do Conselho Consultivo da Operation Water, uma organização americana sem fins lucrativos dedicada a fornecer acesso à água às comunidades rurais em África.

Acompanhe o percurso profissional da Denise através da sua página do LinkedIN: Denise Cortês-Keyser

 

 

Denise Cortês-Keyser: “We need to integrate local communities at all levels of the extractive industry value chain”

During the 5th edition of the Indico Conferences, under the theme “Insurance Market and the Extractive Industry: Prospects for the Benefit of Local Content in Mozambique”, Denise Cortês-Keyser, consultant and advisor for Africa at the Global Gas Centre in Geneva, presented an incisive and strategic vision of the dynamics of the extractive industry in Mozambique. Her analysis covered the crucial role of technology, social inclusion and the sustainable management of natural resources for economic development.

The Challenge of Local Inclusion in the Value Chain

Denise Cortês-Keyser stressed that for extractive industries to truly benefit the economic development of countries like Mozambique, it is essential that multinationals adjust to local realities. “If we don’t create the conditions to integrate local communities and companies into value chains, we are perpetuating an exclusionary growth model,” she said.

According to the African Development Bank (2021), most African countries rich in natural resources face similar challenges: while extractive industries boost GDP, the economic and social impact is often uneven, with local communities left on the sidelines, even where these resources are being exploited.

A report by the Open Society Foundations also highlighted that the lack of transparency and inclusion of communities in decision-making has contributed to increasing inequalities in countries rich in natural resources, such as Mozambique.

For Denise Cortês-Keyser, the solution lies in creating a robust and competitive private sector, capable of inserting itself significantly into the supply chains of large international corporations. She reiterated the need to strengthen local companies so that they can compete on an equal footing with international suppliers.

“Our strategy cannot just be to extract resources and sell them. We have to transform these resources locally, creating a value chain that involves all levels of society,” she stressed. Denise Cortês-Keyser’s criticism points to the lack of integration of local suppliers, a problem that is reflected in the difficulty in scaling up small and medium-sized enterprises (SMEs) and the exclusion of a large part of the population from economic benefits.

Technical Training: The Key to Added Value

One of the central themes addressed was the need to build the technical capacity of local companies so that they can take full advantage of the potential of natural resources. Mozambique, rich in natural gas reserves, has the opportunity to become one of the world’s largest exporters of liquefied gas, but to do so it needs to ensure that added value remains within its borders. “Without technical training and innovation, we will only continue to extract resources for others to benefit from,” he warned.

Studies by Oxford Policy Management (2020) indicate that without a substantial increase in investment in technical training and innovation, Mozambique runs the risk of being just an exporter of raw materials, without taking advantage of the gains of a more complex value chain. The report points to the importance of developing transformation industries linked to the energy sector, such as gas refineries or petrochemical industries, which could multiply jobs and generate more local wealth.

“Local transformation is not just a question of economic growth, but of sovereignty and self-determination. We need to control the fate of our resources,” he said, stressing the importance of an integrated national strategy that prioritizes technical training and the creation of high-skilled jobs in the energy sector.

An Inclusive Business Environment: Policies for SMEs and Local Communities

Denise Cortês-Keyser also highlighted the fundamental role of public policies that foster an inclusive business environment. “Special Economic Zones (SEZs) are a crucial opportunity for local SMEs to compete and grow. However, without structured support, many of these companies are unable to access the opportunities that SEZs offer,” she warned.

For Denise, access to capital, the creation of financial products and services tailored to local and community businesses, as well as high interest rates are some of the main obstacles faced by Mozambican SMEs. A report by the Confederation of Economic Associations of Mozambique (CTA, 2022) shows that only 15% of Mozambican SMEs are currently integrated into the value chains of the extractive industry. This reflects the untapped potential of these companies, whose inclusion is vital for sustainable development.

The Mo Ibrahim Foundation (2021) also recognizes that SME development is one of the most important pillars for Africa’s industrialization and sustainable economic growth, but that it is often neglected in the most capital-intensive sectors, such as the extractive sector.

In addition, Denise pointed out that there is a need for multinationals to share their procurement plans in time for local companies to prepare and form strategic partnerships. “Multinationals should communicate their procurement plans in a more transparent and timely manner, allowing local companies time to prepare and compete on a level playing field,” she said.

Democratization and Social Inclusion: A Path to Equity

Another crucial point in Denise’s speech was the need to democratize decision-making processes in the extractive industry, involving local communities more effectively. “How often do we see local communities being excluded from major economic decisions that affect their lives? Inclusion must be transversal to all levels of the value chain, and not limited to peripheral tasks,” he said.

Gender equality was another theme strongly emphasized. Denise cited the example of Folorunsho Alakija, Africa’s richest businesswoman, as a symbol of what can be achieved when structural barriers to access to the extractive industry value chain for women are eliminated. However, she warned that in many African countries, women are still under-represented in leadership positions, technical and professional training and access to capital, particularly in male-dominated sectors such as energy and natural resources.

On the issue of leadership, according to the World Economic Forum’s Global Gender Inequality Report (2022), women represent less than 10% of leadership positions in the extractive industry in Africa, reflecting the urgent need for policies that promote gender inclusion.

A Sustainable Future: Technology, Partnerships and Respect for Communities

In her vision for the future, Denise Cortês-Keyser argued that the success of the extractive sector in Mozambique will depend on a combination of factors: the appropriate use of technology, the strengthening of partnerships between the government, the local private sector and investors, and, above all, respect for the rights of local communities. “Sustainable development will only be possible if we respect the people who live in the areas where the resources are extracted and ensure that the benefits of growth reach everyone,” she concluded.

She reiterated that the key to the success of the extractive industry in Mozambique lies in effective collaboration between stakeholders, with a focus on the inclusion and empowerment of SMEs, gender equity and the creation of public policies that stimulate an inclusive business environment. “If we continue to ignore the voices of local communities, we are compromising the future of the entire industry,” he said with conviction.

Conclusion

Denise Cortês-Keyser presented a clear and strategic vision for the future of the extractive industry in Mozambique: a future where local communities, SMEs, women and leaders are empowered to participate at all levels of the value chain. Success, according to her, involves a profound transformation in public policies, a change in mentality on the part of the senior managers of these large companies, investment in innovation and the creation of a truly inclusive business environment. “Sustainable development in Mozambique will be built on the foundations of inclusion and empowerment, or it won’t be,” she concluded.

About Denise Cortês-Keyser

Denise Cortês-Keyser is a distinguished Mozambican Entrepreneur, Finance and Investment Consultant, as well as an International Public and Motivational Speaker, with almost 25 years of invaluable experience. With a background as a Chartered Accountant and a degree in Management, along with a post-graduate degree in Corporate Finance and certification in Sustainable Supply Chain Management from Cambridge University’s Institute of Sustainable Leadership (CISL), Denise is well equipped to drive success in any business or organization.

Her impressive track record includes serving as Vice President for Studies, Projects and Marketing Board of the Mozambican Football Federation, demonstrating her aptitude for strategic leadership roles. In addition, Denise holds a key position as a member of the Advisory Board of Operation Water, an American non-profit organization dedicated to providing access to water for rural communities in Africa.

Follow Denise’s career through her LinkedIN page: Denise Cortês-Keyser