Saturday, April 4, 2026
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Gemfields records revenues of 2.3 million dollars at auction of rubies and sapphires from Montepuez

Gemfields regista receita de 2,3 milhões de dólares em leilão de rubis e safiras de Montepuez

Gemfields, a company listed on the London Stock Exchange and a world leader in the mining and marketing of colored gemstones, announced total revenues of 2.3 million dollars from an auction held this September. The event involved the sale of commercial quality rubies, sapphires and corundum extracted from the Montepuez Ruby Mining (MRM) mine, located in the province of Cabo Delgado, in northern Mozambique.

The auction, which took place between September 2 and 4, offered 5.7 million carats in ten lots, all of which were sold in full. The average price achieved was 0.41 dollars per carat, highlighting the robust demand for the materials sold, as reported by Gemfields in a press release.

Adrian Banks, Executive Director of Product and Sales at Gemfields, expressed his gratitude to the auction participants and highlighted the success of the event, even though it was a short three-day auction. “Most of the offer consisted of corundum and sapphire, which are considered by-products of MRM. Despite this, the auction attracted a strong turnout and robust demand,” commented Banks.

The executive emphasized that the significant volume of raw product sold at lower prices will benefit the factories at the cutting centers in Chanthaburi, Thailand, and Jaipur, India. He also thanked the Mozambican government and Mwiriti’s partners for the satisfactory results achieved. All proceeds from the auction will be repatriated to Mozambique, with royalties owed to the government being paid in full.

Gemfields recently revealed that, since the start of operations in 2012, ruby mining in the MRM has generated revenues of one billion dollars (63.2 billion meticais). By 2023, the company had earned a total revenue of 151.3 million dollars (9.5 billion meticais) from ruby mining alone. As well as being a benchmark in ruby mining, Gemfields owns 75% of the Kagem emerald mine in Zambia and has bulk sampling licenses in Ethiopia.

With a strong presence in the global market, Gemfields continues to consolidate its position as a leader in the responsible mining and marketing of precious stones, making a significant contribution to the local economies where it operates.

BCI distinguido com dois prémios pela ‘Global Brands Magazine’

O Banco Comercial e de Investimentos acaba de ser distinguido como “Leading Commercial Bank” (Banco Comercial Líder de Moçambique) e “Excellence in Corporate Banking” (Excelência no Segmento Corporate de Moçambique) pela Global Brands Magazine, uma prestigiada empresa de publicação e pesquisa de marcas, com sede em Londres.

O rigoroso processo de avaliação da Global Brands Magazine enfatizou diversos aspectos que contribuíram decisivamente para estas distinções. Para a atribuição do prémio “Excellence in Corporate Banking”, entre várias valências, pesou a excelência dos Centros BCI Corporate, inteiramente dedicados às Grandes Empresas moçambicanas e multinacionais a operar em Moçambique, a quem o BCI oferece um acompanhamento personalizado e permanente, através de gestores dedicados, e da disponibilização de produtos e serviços especializados à medida das suas necessidades, apoiando a sua criação, expansão e gestão corrente, financiamento dos seus planos de investimento ou de desenvolvimento, suporte aos seus projectos de internacionalização ou operações com o exterior, entre outros.

Com vista a assegurar uma maior proximidade aos clientes, o BCI Corporate está presente em Maputo, Beira, Nampula e Pemba, assegurando-lhes, de igual modo, segurança, confiança e todo o apoio de que necessitam para um maior nível de investimento na economia moçambicana, em prol do desenvolvimento socioeconómico sustentável do país.

Para o prémio “Leading Commercial Bank”, a publicação considerou o facto de o BCI ser uma referência no sistema financeiro moçambicano, liderando actualmente nos principais indicadores, nomeadamente Activos, Depósitos e Crédito. Com o maior número unidades de negócio e uma vasta rede de ATM e de POS.  O BCI é responsável pela maior rede comercial bancária do país.

Os prémios supracitados foram atribuídos em reconhecimento da dedicação do Banco aos seus clientes, antecipando consistentemente as suas necessidades e fornecendo produtos e serviços bancários inovadores, eficientes e transparentes, baseados em elevados padrões éticos e de integridade.

Felícia Nhama: “Investir em boas práticas de ESG fideliza clientes e reduz custos operacionais”

Felícia Nhama, responsável pela Unidade de Responsabilidade Social e Comunicação Corporativa (URSCC) da Tmcel, narra a sua inspiradora trajectória profissional ao Profile.

Por um lado, Felícia partilha sua experiência ao comentar sobre projectos de cooperação e desenvolvimento que foram bem-sucedidos sob a sua coordenação. Por outro, faz uma apreciação do impacto dos indicadores de ESG na instituição em que actua, destacando a importância dessas práticas para o seu crescimento e sustentabilidade.

Profile Mozambique: Poderia partilhar connosco um resumo da sua trajectória profissional até chegar à Tmcel? Quais foram os principais desafios que enfrentou ao longo deste percurso?

Felícia Nhama: A minha trajectória profissional começou em 2002. Em setembro de 2004, ingressei na extinta Mcel, antes da fusão com a também extinta TDM como atendedora na Linha do Cliente, e um ano depois, assumi a função de Secretária do Conselho de Administração, posição que ocupei por quatro anos. Posteriormente, aceitei novos desafios como Técnica de Assuntos Corporativos na área de Comunicação Corporativa e Responsabilidade Social.

Com o tempo, surgiu uma oportunidade para a posição de Gestora Sénior na mesma área, à qual me candidatei e desempenhei por oito anos, até o processo de fusão das empresas. Após a reestruturação, continuei como coordenadora da área.

Enfrentei diversos desafios, tanto pessoais quanto profissionais. Conciliei a maternidade, o lar e os estudos, conseguindo me formar enquanto trabalhava e cuidava de dois filhos. No ambiente profissional, tive que me adaptar a diferentes estilos de liderança, trabalhando directamente com cinco líderes distintos.

Um dos maiores desafios ocorreu quando fiquei sozinha no sector de Comunicação Corporativa e Responsabilidade Social, após a saída simultânea de toda a equipe. Assumi todas as funções dos três colegas que partiram, além das minhas próprias, lidando com tarefas complexas, como comunicação interna, externa, gestão de crises, parcerias e projectos sociais. Este período exigiu dedicação intensa, com trabalho fora do horário de expediente, incluindo fins de semana, especialmente em situações de crise. Essa experiência foi fundamental para o reconhecimento das minhas competências dentro da empresa.

PM: Considerando o contexto socio-económico de Moçambique, quais são os maiores desafios na implementação de estratégias de responsabilidade social do sector empresarial?

FM: Na minha opinião, Moçambique ainda enfrenta muitos desafios neste processo, primeiro, temos a questão da ausência de políticas claras ou guiões de orientação que possam nortear as empresas na condução das acções de responsabilidade social. Segundo, estas mesmas políticas enfrentam o desafio da falta de incentivos que possam motivar as empresas a desenvolver cada vez mais acções socialmente responsáveis.

As empresas também precisam ser incentivadas, motivadas e engajadas para que tenham mais interesse em contribuir para o bem-estar e qualidade de vida das comunidades onde estão inseridas. Outro maior desafio na minha óptica na implementação projectos de responsabilidade social por parte das empresas, é a falta de um estreito alinhamento com o governo, no sentido de fazer convergir as acções das empresas com as prioridades do governo e assim alcançar-se objectivos tangíveis, com impacto na sociedade.

A responsabilidade social empresarial, para que seja visível e notória, precisa gerar transformações e resultados positivos para todos os intervenientes, empresa, governo, comunidades e sociedade no geral. Temos ainda o desafio relacionado com a falta de regulamentação da Lei do Mecenato por parte do governo, onde os objectivos e vantagens da lei para as empresas não estão ainda claros.

Este último ponto tem sido a maior inquietação por parte das empresas quando pensam nos investimentos sociais pois, entendem as empresas esta lei como um prejuízo e não incentivo, o que retrai as empresas a ampliarem os seus investimentos em projectos sociais. É urgente a revisão e regulamentação desta lei para que todos saiam beneficiários e nenhuma das partes entre em prejuízos. Só desta forma teremos uma responsabilidade social real e concreta, com impacto.

PM: De que forma a comunicação corporativa pode ser utilizada para mitigar crises e fortalecer a imagem da empresa?

FM: Primeiro temos que entender que a comunicação corporativa representa um conjunto de acções e práticas que as empresas devem adoptar que têm como principal objectivo gerar impacto nos diferentes públicos de interesse das empresas. Por outro lado, a comunicação corporativa está relacionada a estratégias utilizadas para a empresa se comunicar com eficiência com os seus públicos, interno e externo.

Portanto, no processo de mitigação de crises, a comunicação corporativa deve ser eficiente pois, só desta forma ela ajuda a construir e a manter uma imagem positiva da empresa, incluindo o fortalecimento da identidade da marca pois, uma marca bem comunicada gera confiança e lealdade dos clientes. A comunicação em tempos de crise é um dos elementos importantes para evitar ruídos e consequentemente problemas no local de trabalho. Ela torna-se um recurso vital para estabelecer o diálogo tanto com o público interno, como com o externo, neste caso, clientes e também a mídia.

A estratégia principal no processo de gestão de crise na comunicação corporativa reside na antecipação e prevenção, este factor permite às empresas reagirem e se prepararem proactivamente para enfrentarem os desafios antes que se transformem em crises de grande impacto.

Por isso, as empresas devem desenhar políticas e procedimentos internos de comunicação de crise e estes devem estar devidamente claros e segmentados tendo em conta o tipo de crise, grau do público afectado, dimensão, abrangência, entre outros factores de relevância que podem impactar negativamente a imagem da empresa se não forem bem articulados.

PM: Poderia partilhar alguns exemplos de projectos de cooperação e desenvolvimento que foram bem-sucedidos sob a sua coordenação?

FM: São vários os projectos e cada um deles teve e continua a ter o seu impacto. No entanto, olhando para a dimensão do projecto e impacto, posso referir primeiro um projecto desenvolvido na área da saúde, o projecto SER – Serviço Expedido de Resultados, um projecto de cooperação e desenvolvimento entre a Tmcel, o Ministério da Sáude, através do INS – Instituto Nacional de Sáude e a CHAI – Clinton Health Initiative (Iniciativa Clinton para o Acesso à Saúde).

É um projecto de grande impacto nacional e internacional, que iniciou em 2010 para melhorar a área de saúde materno-infantil, onde, resultados de testagens de HIV de crianças nascidas de mães seropositivas passaram a ser enviados através de uma impressora que funciona através de um cartão sim e tecnologia GPRS da tmcel.

O avanço desta tecnologia reduziu o tempo do envio de resultados de 6 meses para 28 dias, o que fez com que as crianças começassem a iniciar o tratamento mais cedo e como resultado ajudou a salvar vidas. Este projecto, posicionou Moçambique como pioneiro no uso do telemóvel para transmitir resultados laboratoriais no Serviço Nacional de Saúde e provou que as novas tecnologias de informação e comunicação são eficazes no sistema de saúde.

O M-Health passou a ser uma realidade em Moçambique, com a implementação deste projecto, que mereceu em 2012 a visita do antigo presidente dos EUA e patrono da organização internacional implementadora do projecto, Bill Clinton, à Moçambique, tendo visitado o Centro de Saude da Polana Caniço, onde foi instalado um dos laboratórios com este serviço.

Outro projecto a destacar e que implementado sob a minha coordenação foi o projecto MOPA, uma plataforma de monitoria participativa na gestão de resíduos sólidos na cidade de Maputo, em 2015. O MOPA foi desenvolvido em parceria com Tmcel, que disponibilizou a título gratuito a plataforma tecnológica USSD para o seu funcionamento. Este projecto, permite identificar e reportar problemas relacionados com a gestão de lixo, tornando possível a intervenção dos diversos actores, tais como o município, colectores privados de lixo e o cidadão.

Este projecto teve como parceiros a UX – User Experience, uma startup Moçambicana, o Banco Mundial e, para além da mcel, o Conselho Municipal de Maputo e a organização não-governamental Livaningo.

Recordo-me na altura, que quando a startup apareceu na empresa para falar do projecto foi um sim do meu lado, mesmo antes de submeter à aprovação superior. Foi perceber o impacto e resultado, a dimensão do projecto e ter a convicção de que devíamos sem dúvidas abraçar o projecto e termos a nossa marca associada ao projecto e foi aí que o parceiro disse que já tinha feito vários contactos e tentativas de abordar o projecto mas não tinham siso encaminhados à área certa e naquele momento, pela primeira vez, sentia que estava no lugar certo e com a pessoa certa para que o projecto fosse implementado e concretizado.

O impacto foi maior ainda, quando o projecto mereceu um prémio mundial da  Global Innovation Competition, uma competição que teve lugar em Accra, capital do Gana, que tinha como objectivo identificar as melhores tecnologias focadas na participação pública e no engajamento dos cidadãos nos continentes africano e asiático. Foi uma satisfação enorme saber que fizemos parte, como empresa, de um projecto de tamanha dimensão, que acreditamos no projecto, apoiamos e o impacto foi acima das expectativas.

PM: Como a Tmcel assegura que suas acções de responsabilidade social estejam alinhadas com as necessidades reais das comunidades onde actua?

FM: A empresa tem políticas e procedimentos internos que servem de guiões de orientação para as acções de responsabilidade social. Nestes documentos, constam alguns critérios e directrizes que conduzem a empresa na implementação dos projectos de responsabilidade social. Por outro lado, é também feito um trabalho de auscultação junto dos líderes comunitários e diálogo com as comunidades beneficiárias, de forma a perceber das próprias comunidades as reais necessidades e fazer com que as acções respondam exactamente às necessidades apontadas por eles.

É também nestes casos, importante fazer-se o estudo de viabilidade técnico e identificar potencialidades antes da implementação de algum projecto de forma que as acções pensadas tenham os resultados pretendidos. Posso citar um exemplo de um projecto cujo estudo de viabilidade não foi devidamente feito por uma das partes e instalou-se uma sala de informática devidamente equipada num distrito em que provavelmente aquela não era a real necessidade ou prioridade da comunidade, e por esta razão a sala chegou a ficar mais de um ano sem ter sido usada, chegando a danificar grande parte do equipamento informático que tinha sido instalado.

Temos este e muitos outros exemplos de projectos nas comunidades que quando não é feito o devido trabalho de campo prévio, de auscultação e diálogo com as comunidades beneficiárias, deparámo-nos com estas situações críticas. Portanto, o melhor é envolver todos os interessados, principalmente os beneficiários de tais acções.

PM: Como estão os indicadores de ESG na instituição onde está vinculada, e quais têm sido os seus impactos?

FM: Empresas que investem em boas práticas de ESG facilitam o caminho para fidelizar clientes e reduzir custos de operação e o primeiro passo para investir nesta direcção é buscar informações e olhar para o negócio, identificando boas práticas que contribuam para garantir a reputação e imagem da empresa.

Os indicadores de ESG podem ter vários benefícios para a empresa como por exemplo melhorar a imagem da marca, reduzir riscos e aumentar a eficiência nos processos. No entanto, é importante notar que cada empresa é única e as vantagens podem variar de acordo com o sector e tamanho da empresa, entre outros factores. No que diz respeito à práticas sociais, podemos destacar algumas práticas, nomeadamente, valorização da saúde e segurança no ambiente de trabalho, diversidade e inclusão e o posicionamento da empresa em causas sociais.

Os indicadores de ESG devem estar acima do lucro e integrar questões ambientais, sociais e de governança na estratégia e operações da empresa, demonstrando um compromisso genuíno com um futuro sustentável e ético. Por isso, a empresa tem os seus indicadores alinhados à políticas internas e boas práticas de gestão traçadas pela empresa dentro dos objectivos a visão estratégica definida. Neste processo, todos os intervenientes são consciencializados sobre a sua importância para que participem nos processos de implementação de soluções.

Felícia Nhama: “Investing in good ESG practices builds customer loyalty and reduces operating costs”

Felicia Nhama, head of Tmcel’s Social Responsibility and Corporate Communication Unit (URSCC), tells Profile about her inspiring professional career.

On the one hand, Felicia shares her experience by commenting on cooperation and development projects that have been successful under her coordination. On the other hand, she appreciates the impact of ESG indicators on the institution where she works, highlighting the importance of these practices for its growth and sustainability.

Profile Mozambique: Could you share with us a summary of your career path until you joined Tmcel? What were the main challenges you faced along the way?

Felícia Nhama: My professional career began in 2002. In September 2004, I joined the now-defunct Mcel, before it merged with the now-defunct TDM, as a customer service agent, and a year later, I took on the role of Secretary to the Board of Directors, a position I held for four years. I then took on new challenges as a Corporate Affairs Technician in the Corporate Communications and Social Responsibility area.

In time, an opportunity arose for the position of Senior Manager in the same area, which I applied for and held for eight years, until the companies merged. After the restructuring, I continued as the area’s coordinator.

I faced many challenges, both personal and professional. I reconciled motherhood, home and studies, managing to graduate while working and looking after two children. In the professional environment, I had to adapt to different leadership styles, working directly with five different leaders.

One of the biggest challenges came when I was left alone in the Corporate Communications and Social Responsibility sector, after the entire team left at the same time. I took on all the functions of the three colleagues who left, as well as my own, dealing with complex tasks such as internal and external communication, crisis management, partnerships and social projects. This period required intense dedication, with work outside office hours, including weekends, especially in crisis situations. This experience was fundamental in recognizing my skills within the company.

PM: Considering Mozambique’s socio-economic context, what are the biggest challenges in implementing social responsibility strategies in the corporate sector?

FM: In my opinion, Mozambique still faces many challenges in this process. Firstly, there is the issue of the absence of clear policies or guidelines that can guide companies in conducting social responsibility actions. Secondly, these same policies face the challenge of a lack of incentives that can motivate companies to develop more and more socially responsible actions.

Companies also need to be encouraged, motivated and engaged so that they are more interested in contributing to the well-being and quality of life of the communities in which they operate. In my opinion, another major challenge in implementing corporate social responsibility projects is the lack of close alignment with the government, in order to make corporate actions converge with government priorities and thus achieve tangible goals with an impact on society.

In order for corporate social responsibility to be visible and notorious, it needs to generate positive transformations and results for all those involved: the company, the government, communities and society as a whole. There is also the challenge of the government’s failure to regulate the Patronage Law, where the law’s objectives and advantages for companies are still unclear.

This last point has been the biggest concern for companies when they think about social investments, as they see this law as a detriment rather than an incentive, which puts companies off expanding their investments in social projects. There is an urgent need to revise and regulate this law so that everyone benefits and neither party loses out. Only in this way will we have real, concrete social responsibility with an impact.

PM: How can corporate communication be used to mitigate crises and strengthen the company’s image?

FM: Firstly, we have to understand that corporate communication represents a set of actions and practices that companies must adopt, the main aim of which is to generate an impact on the company’s different stakeholders. On the other hand, corporate communication is related to the strategies used for the company to communicate efficiently with its publics, both internal and external.

Therefore, in the process of mitigating crises, corporate communication must be efficient because only in this way does it help to build and maintain a positive image of the company, including strengthening brand identity because a well-communicated brand generates trust and customer loyalty. Communication in times of crisis is one of the important elements in avoiding noise and consequently problems in the workplace. It becomes a vital resource for establishing a dialog with both internal and external audiences, in this case customers and the media.

The main strategy in the process of crisis management in corporate communication lies in anticipation and prevention, which allows companies to react and prepare proactively to face challenges before they turn into major crises.

For this reason, companies must design internal crisis communication policies and procedures, and these must be duly clear and segmented, taking into account the type of crisis, the degree of public affected, the size and scope, among other relevant factors that can negatively impact the company’s image if they are not well articulated.

PM: Could you share some examples of cooperation and development projects that have been successful under your coordination?

FM: There are several projects and each one has had and continues to have its impact. However, looking at the size of the project and its impact, I can first mention a project developed in the area of health, the SER project – Serviço Expedido de Resultados, a cooperation and development project between Tmcel, the Ministry of Health, through the INS – Instituto Nacional de Sáude and CHAI – Clinton Health Initiative.

It is a project with great national and international impact, which began in 2010 to improve the area of maternal and child health, where HIV test results for children born to HIV-positive mothers are now sent via a printer that works through a sim card and tmcel’s GPRS technology.

The advancement of this technology has reduced the time it takes to send results from 6 months to 28 days, which has led to children starting treatment earlier and as a result has helped to save lives. This project positioned Mozambique as a pioneer in the use of cell phones to transmit laboratory results in the National Health Service and proved that new information and communication technologies are effective in the health system.

M-Health became a reality in Mozambique with the implementation of this project, which earned former US president and patron of the international organization implementing the project, Bill Clinton, a visit to Mozambique in 2012, where he visited the Polana Caniço Health Centre, where one of the laboratories with this service was installed.

Another noteworthy project implemented under my coordination was the MOPA project, a participatory monitoring platform for solid waste management in the city of Maputo in 2015. MOPA was developed in partnership with Tmcel, which provided the USSD technology platform for its operation free of charge. This project allows problems related to waste management to be identified and reported, making it possible for the various players, such as the municipality, private waste collectors and citizens, to intervene.

The partners in this project were UX – User Experience, a Mozambican startup, the World Bank and, in addition to mcel, the Maputo City Council and the non-governmental organization Livaningo.

I remember at the time that when the startup showed up at the company to talk about the project, I said yes, even before submitting it for approval. I realized the impact and results, the scale of the project and the conviction that we should definitely embrace the project and have our brand associated with it. It was then that the partner said that he had already made several contacts and attempts to approach the project but they hadn’t been forwarded to the right area and at that moment, for the first time, I felt that I was in the right place and with the right person for the project to be implemented and made a reality.

The impact was even greater when the project won a worldwide award at the Global Innovation Competition, a competition held in Accra, the capital of Ghana, which aimed to identify the best technologies focused on public participation and citizen engagement on the African and Asian continents. It was an enormous satisfaction to know that we were part, as a company, of such a large-scale project, that we believed in the project, supported it and the impact was beyond expectations.

PM: How does Tmcel ensure that its social responsibility actions are aligned with the real needs of the communities where it operates?

FM: The company has internal policies and procedures that serve as guidelines for social responsibility actions. These documents contain certain criteria and guidelines that guide the company in implementing its social responsibility projects. On the other hand, work is also done to listen to community leaders and engage in dialogue with the beneficiary communities, in order to understand the real needs of the communities themselves and ensure that the actions respond exactly to the needs pointed out by them.

In these cases, it is also important to carry out a technical feasibility study and identify potential before implementing a project, so that the actions planned have the desired results. I can cite an example of a project in which a feasibility study was not carried out properly by one of the parties and a properly equipped computer room was installed in a district in which that was probably not the real need or priority of the community, and for this reason the room remained unused for more than a year, even damaging much of the computer equipment that had been installed.

We have this and many other examples of projects in communities which, when there is no prior fieldwork, consultation and dialog with the beneficiary communities, we find ourselves in these critical situations. Therefore, it’s best to involve all the stakeholders, especially the beneficiaries of such actions.

PM: How are the ESG indicators at your institution and what has been their impact?

FM: Companies that invest in good ESG practices make it easier to retain customers and reduce operating costs, and the first step in investing in this direction is to seek out information and look at the business, identifying good practices that help to guarantee the company’s reputation and image.

ESG indicators can have various benefits for the company, such as improving brand image, reducing risks and increasing process efficiency. However, it is important to note that each company is unique and the benefits can vary according to the sector and size of the company, among other factors. With regard to social practices, we can highlight a few practices, namely valuing health and safety in the workplace, diversity and inclusion and the company’s positioning in social causes.

Os indicadores de ESG devem estar acima do lucro e integrar questões ambientais, sociais e de governança na estratégia e operações da empresa, demonstrando um compromisso genuíno com um futuro sustentável e ético. Por isso, a empresa tem os seus indicadores alinhados à políticas internas e boas práticas de gestão traçadas pela empresa dentro dos objectivos a visão estratégica definida. Neste processo, todos os intervenientes são consciencializados sobre a sua importância para que participem nos processos de implementação de soluções.

Moçambique recebe parte dos USD 50 mil milhões disponibilizados pela China para África

Macau e Hong Kong

Moçambique esta na lista dos 54 países de África que vai beneficiar, no próximo triénio, de parte dos 50 mil milhões de dólares que serão disponibilizados pela China.
O dinheiro destina-se ao financiamento de acções de parceria para a modernização do solo global, informa a Rádio Moçambique.

Trata-se de acções que constam do Plano de Acção 2025/2027, aprovado esta quinta-feira, na capital chinesa, Beijing, pela Cimeira do Fórum de Cooperação China-África.

O financiamento às dez actividades foi anunciado pelo Presidente da China, Xi Jinping, durante a abertura da Cimeira do Fórum de Cooperação China-África.

Moçambique participa da cimeira representado por uma delegação chefiada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.

A China vai igualmente oferecer a todos os países menos desenvolvidos, com relações diplomáticas com aquele país asiático, dos quais 33 africanos, a isenção de taxas alfandegárias nas exportações dos seus produtos para o mercado Chinês.

Nyusi reaffirms support for Beijing and considers the reintegration of Macau and Hong Kong a success

Macau e Hong Kong

The President of the Republic of Mozambique, Filipe Nyusi, said that the reintegration of Macau and Hong Kong into China should be considered an example of “success” within the principle of “One country, two systems”. Nyusi reiterated that Mozambique is prepared to support Beijing in its demand for the reunification of Taiwan.

“Mozambique reaffirms its firm and consistent support for the ‘One China’ principle in the Taiwan Strait and the ‘One Country, Two Systems’ model, which has been applied very successfully in Hong Kong and Macau,” Nyusi said.

During a meeting with Chinese President Xi Jinping as part of his working visit to China, Nyusi expressed solidarity with China against accusations of human rights violations and attempts at economic isolation. He also praised China’s cooperation policies with the African continent.

The Mozambican president congratulated Xi Jinping on his efforts to create a fairer and more balanced international system, through initiatives such as global development, global security, global civilization, the new Silk Road, and Artificial Intelligence.

Nyusi also encouraged constructive dialogue between China and its neighboring countries regarding the South China Sea, and highlighted China’s leadership in eradicating poverty in the country.

“We reiterate Mozambique’s commitment to maintaining good relations with the People’s Republic of China, both multilaterally and in matters of common interest. We are grateful for the solidarity we have received, which is aimed at qualitative development for the modernization and rejuvenation of the economy,” he concluded.

Filipe Nyusi is in China at the invitation of Xi Jinping to take part in the 9th Summit of the Forum on China-Africa Cooperation (FOCAC) and the China-Mozambique Business Forum. FOCAC is taking place in Beijing from 4 to 6 September, with the theme “Joining hands to promote modernization and build a high-level China-Africa community with a shared future”.

Moçambique inicia pesquisa de calcário em Gaza com vista à exploração potencial

Moçambique inicia pesquisa de calcário em Gaza com vista à exploração potencial

O Governo de Moçambique anunciou o início de actividades de avaliação para a possível exploração de calcário em vários distritos da província de Gaza, localizada na região sul do país. O calcário, uma rocha sedimentar rica em carbonato de cálcio, é amplamente utilizado em diversas indústrias, como as de química, ferro e aço, papel, tintas, alimentos, plásticos, agricultura e construção civil, sendo uma das rochas minerais industriais mais importantes devido à sua versatilidade, ampla disponibilidade e baixo custo.

Jerónimo Mutisse, chefe do Departamento de Recursos Minerais e Energia, informou que amostras de calcário já foram recolhidas nos distritos de Massingir, Mabalane, Mapai, Chicuálacuala, Massangena e Chigubo. Estas amostras serão submetidas a testes para determinar tanto a quantidade quanto a qualidade do minério presente na região.

“Se os resultados das amostras forem positivos, iremos mobilizar investidores para explorar o calcário, transformando Gaza em um ponto de referência para este recurso”, afirmou Mutisse, em entrevista à Rádio Moçambique. Ele destacou que, com dados favoráveis, a província poderia também receber fábricas de cimento, o que impulsionaria o desenvolvimento das comunidades locais e criaria novas oportunidades de emprego para os jovens da região.

Além disso, em Junho deste ano, a Jiangxi Bureau of Geology, uma instituição chinesa, comunicou que está se preparando para iniciar actividades de pesquisa mineral em Gaza. O foco inicial será na avaliação de zircão, urânio e ouro. Os resultados dessa pesquisa irão determinar se a exploração e a exportação desses recursos naturais serão viáveis e comercialmente rentáveis.

Mozambique begins limestone survey in Gaza with a view to potential exploitation

Moçambique inicia pesquisa de calcário em Gaza com vista à exploração potencial

The Mozambican government has announced the start of evaluation activities for the possible exploitation of limestone in several districts of Gaza province, located in the southern part of the country. Limestone, a sedimentary rock rich in calcium carbonate, is widely used in various industries, such as chemicals, iron and steel, paper, paints, food, plastics, agriculture and construction, and is one of the most important industrial mineral rocks due to its versatility, wide availability and low cost.

Jerónimo Mutisse, head of the Department of Mineral Resources and Energy, said that limestone samples had already been collected in the districts of Massingir, Mabalane, Mapai, Chicuálacuala, Massangena and Chigubo. These samples will be subjected to tests to determine both the quantity and quality of the ore present in the region.

“If the results of the samples are positive, we will mobilize investors to exploit the limestone, turning Gaza into a reference point for this resource,” said Mutisse, in an interview with Rádio Moçambique. He pointed out that, with favorable data, the province could also receive cement factories, which would boost the development of local communities and create new job opportunities for young people in the region.

“If the results of the samples are positive, we will mobilize investors to exploit the limestone, turning Gaza into a reference point for this resource,” said Mutisse, in an interview with Radio Mozambique. He pointed out that, with favorable data, the province could also receive cement factories, which would boost the development of local communities and create new job opportunities for young people in the region.

Furthermore, in June of this year, the Jiangxi Bureau of Geology, a Chinese institution, announced that it is preparing to begin mineral research activities in Gaza. The initial focus will be on evaluating zircon, uranium and gold. The results of this research will determine whether the exploration and export of these natural resources will be viable and commercially profitable.

Produção de gás em Búzi prevista para final de 2026, revela ENH

Produção de gás

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) anunciou que a produção de gás natural no Bloco de Búzi, localizado na província de Sofala, deverá começar no final de 2026. A informação foi divulgada por Rudêncio Morais, administrador de pesquisa e produção da ENH, durante o 2.º Fórum Indonésia-África, realizado em Bali. Segundo o jornal Notícias, o gás extraído do Bloco de Búzi será utilizado para abastecer uma central termoeléctrica na mesma província, e já existe um cliente garantido para a compra do recurso.

Actualmente, estão em andamento actividades de avaliação da descoberta de gás, as quais permitirão a submissão de um plano de desenvolvimento ao Governo até o final deste ano. Paralelamente, uma empresa indonésia, em colaboração com técnicos da ENH, está a conduzir a aquisição de 1.050 quilómetros de sísmica bidimensional na região. Estas operações, inicialmente concentradas na zona Norte do bloco, em Búzi, avançarão posteriormente para a área sul, em Divinhe.

Rudêncio Morais explicou que o plano de trabalho prevê a conclusão das operações sísmicas na zona Norte do Bloco de Búzi até Novembro de 2024, com início das actividades na zona Sul em Dezembro do mesmo ano. “Esta fase é essencial para melhorar o conhecimento geológico da área e para a identificação de novos prospectos de gás”, destacou.

Os novos dados sísmicos, que serão mais detalhados do que os colectados em 2012-13, têm como objetivo proporcionar uma melhor compreensão da sub superfície do bloco. “É essencial obter imagens mais precisas que ajudem na maturação dos prospectos identificados”, acrescentou Morais.

A ENH planeja submeter o plano de desenvolvimento da descoberta de gás no Bloco de Búzi no último trimestre de 2024, o que garantirá o início da produção no final de 2026. A Buzi Hydrocarbonet, empresa operadora do bloco, detém 75% das acções, enquanto a ENH, que representa o Estado, possui os restantes 25%.

Durante o 2.º Fórum Indonésia-África, o sector privado indonésio manifestou interesse em cooperar com empresas moçambicanas na transição para uma energia mais sustentável e na valorização local dos recursos minerais.

Suzan Manungo: “Sem reinventar a roda, queremos apoiar a próxima geração de líderes financeiros”

Suzan Manungo, Gestora Financeira, com ampla experiência em gestão financeira operacional, estratégica e governança corporativa. Com 13 anos de experiência a actuar no sector financeiro, destacou-se pela habilidade de transformar desafios em oportunidades e pela dedicação ao crescimento sustentável nas organizações em que actua.

Profile Mozambique: Como tem sido o seu percurso profissional no mercado nacional?

Suzan Manungo: Com 13 anos de experiência no sector financeiro, comecei minha carreira na indústria de telecomunicações, trabalhando para um dos principais operadores do mercado. Inicialmente, actuei na área de suporte financeiro operacional, focada na colecta de dados financeiros e na transformação desses dados em informações úteis para a elaboração de relatórios financeiros.

Mais tarde, tive a oportunidade de progredir para uma função de controle, onde fui responsável pela preparação dos dados e pela produção de relatórios financeiros confiáveis, que pudessem ser utilizados em processos de tomada de decisão e desenvolvimento de estratégias empresariais. Recentemente, passei por uma transição significativa na minha carreira, mudando o foco do suporte operacional para um papel mais estratégico, actuando como parceira e aliada do conselho de administração e dos accionistas da instituição onde estou em exercício actualmente.

Considero essa transição um momento marcante da minha carreira, algo que consegui alcançar graças à minha vasta experiência operacional. No entanto, essa mudança mostrou-me que a progressão de carreira não é apenas vertical ou baseada apenas em competências técnicas. Foi necessário desenvolver habilidades além dos chamados “hard skills”, precisei aprender a pensar estrategicamente, exercer liderança e ter uma visão holística do negócio. Essa evolução foi crucial para o meu crescimento profissional e para a posição que ocupo hoje.

PM: Qual foi a temática da sua contribuição para este CFO (Finance Executive Summit)?

SM: No painel em que participei, partilhei um pouco sobre como consegui transformar os desafios que encontrei ao longo da minha carreira em oportunidades. Um dos grandes desafios que destaquei foi a necessidade de fazer uma transição de uma função predominantemente operacional para um papel mais estratégica. Durante esse processo, percebi que uma das habilidades essenciais em que deveria focar era o engajamento. Precisava sair do foco exclusivo nos números, deixar de lado a planilha de Excel e o escritório, e passar mais tempo no campo para entender os factores que poderiam influenciar os resultados financeiros que depois teríamos que reportar.

Numa outra abordagem, reflecti sobre quais factores poderiam expor a instituição que represento a riscos e como, ao apresentar relatórios ao Conselho de Administração, eu poderia não apenas reportar sobre eventos passados, mas também antecipar como as tendências do mercado poderiam afectar o futuro da nossa empresa e os resultados que apresentamos. Em outras palavras, tive que desenvolver uma visão de futuro (“forward-looking”) e aprender a engajar stakeholders internos e externos, identificando aqueles com informações essenciais para o nosso negócio. Isso não só me ajudou a agregar valor à instituição, mas também contribuiu para o meu próprio crescimento profissional.

Essa abordagem me permitiu expandir minha rede de contactos e ampliar meu conhecimento sobre a área em que atuo e outras áreas correlacionadas. Isso será de mais-valia para eu poder actuar em diferentes indústrias.

PM: Como os CFOs podem desenvolver a capacidade de “conectar os pontos” no actual ambiente económico de Moçambique, e quais estratégias são mais eficazes para identificar e mitigar riscos em meio a uma política monetária restritiva?

SM: Acredito que um dos grandes desafios que enfrentamos como CFOs é a capacidade de conectar os pontos. Precisamos entender o que está acontecer no sector económico e como podemos contribuir de maneira eficaz para as instituições que servimos.

Actualmente, operamos em um ambiente de política monetária bastante restritiva. Assim, cabe a nós, CFOs, encontrar maneiras de atender às necessidades de financiamento de nossas instituições, ao mesmo tempo em que protegemos nossos activos e passivos neste cenário desafiador. Precisamos ser capazes de compreender e antecipar os impactos que essas políticas monetárias podem ter em nossas operações.

Nosso papel envolve ir ao campo para identificar esses factores e usar esse know-how, para proteger os interesses financeiros da nossa organização. É essencial mantermos um diálogo constante com os reguladores das áreas em que actuamos e estar atentos ao que acontece politicamente em nosso país. Precisamos, portanto, mudar nosso mindset e nos posicionar nos lugares certos, onde as conversas importantes oocorrem e onde as decisões cruciais são tomadas. É nesses espaços que podemos identificar tanto as oportunidades quanto os riscos para os nossos negócios.

PM: Como os CFOs podem se organizar e fortalecer sua influência colectiva no mercado moçambicano para garantir que suas vozes sejam ouvidas nas decisões políticas e económicas que afectam o sector financeiro?

SM: Em termos de oportunidades, acredito que estamos em um momento em que podemos nos unir para ter uma voz mais forte e representativa. Existem diversas vozes que defendem diferentes interesses, mas, como vimos neste workshop, nós, CFOs, ainda não temos essa união sólida que nos permita influenciar de forma significativa o rumo de algumas decisões que afetam nossa actuação como profissionais financeiros.

Vejo isso como uma nova realidade para os profissionais do sector, e acredito que, quanto mais cedo nos prepararmos para essa realidade e nos unirmos, maior será nossa capacidade de formar uma comunidade coesa e influente. Essa união nos permitirá, nos próximos anos, ter um impacto significativo e ser uma voz forte nas decisões que são tomadas em nosso país. Acredito que esta é uma oportunidade única para nós, como CFOs, moldarmos o futuro do sector financeiro em Moçambique.

PM: Como os CFOs podem se preparar para mitigar os riscos associados a possíveis oscilações cambiais negativas, considerando a dependência de importações e o impacto potencial sobre a liquidez das empresas no mercado moçambicano?

SM: Trata-se de um cenário bastante arriscado, especialmente porque está fora do nosso controle directo. Como profissionais financeiros, precisamos saber como nos posicionar diante de algo que não controlamos.

Precisamos entender até que ponto podemos antecipar as flutuações no mercado e na economia que podem surgir desse posicionamento conservador que temos observado por parte do regulador. É importante considerar que muitos de nós temos, em nossos livros contabilísticos, dívidas em moeda estrangeira. Se o cenário actual, que parece ser estável devido a um câmbio administrado “vier a se alterar” isso poderia comprometer nossa liquidez.

Enfrentamos, portanto, um cenário desafiador que exige de nós a máxima atenção para garantir que tenhamos liquidez suficiente para lidar com qualquer oscilação negativa que a situação cambial possa apresentar.

PM: E que impactos uma possível oscilação cambial negativa poderia ter no sector empresarial e no sector empreendedor mais informal?

SM: Se houver uma oscilação negativa no câmbio, fazer negócios se tornará muito mais difícil. Para aqueles que já estão a operar, será um desafio ainda maior cumprir com suas responsabilidades financeiras, pois o custo de todas as obrigações aumentará. E isso pode comprometer a capacidade de atender a essa demanda adicional.

Para os que não estão actualmente em uma situação de endividamento, mas que pretendem continuar a fazer negócios, adquirir bens e serviços se tornará significativamente mais caro. Estamos em um contexto em que nossa balança comercial é altamente desproporcional, a maioria dos serviços e bens precisam ser importados. Portanto, uma oscilação negativa no câmbio pode comprometer a capacidade de muitas instituições de cumprir os compromissos assumidos com seus clientes, devido ao aumento constante dos custos para adquirir esses bens e serviços.

PM: Como sugere que futuros CFOs desenvolvam a habilidade de sair da zona de conforto e assumam riscos calculados para alcançar um crescimento significativo em suas carreiras?

SM: Acredito que, em primeiro lugar, é fundamental se juntar a esta iniciativa. Participar eem fóruns como Finance Executive Summit, nos permite ouvir os testemunhos de profissionais já renomados e estabelecidos na área financeira. Durante o evento, foram partilhadas recomendações de capital relevo que todos devem considerar. Precisamos ter uma visão clara do nosso futuro. Ao sairmos da faculdade e ingressarmos no mercado de trabalho, é essencial entender onde queremos chegar e quais objectivos precisamos definir para alcançar essa visão.

Também é importante estarmos dispostos a sair da nossa zona de conforto. Não obteremos resultados diferentes ou melhores se continuarmos a fazer as mesmas coisas, a ter as mesmas atitudes, e a permanecer nos mesmos lugares. É crucial ter visão, definir objectivos claros, e ter disposição para sair da nossa zona de conforto e se conectar com a comunidade financeira que já existe. Não estamos a reinventar a roda, há profissionais experientes que estão dispostos a acolher novas perspectivas e apoiar potenciais novos líderes financeiros.