Sunday, June 7, 2026
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Moçambique poderá reduzir importações com a produção local de biocombustíveis

Moçambique tem as condições agrícolas necessárias para produzir grandes quantidades de biocombustível para consumo interno, reduzindo consideravelmente as importações, segundo dados preliminares de um estudo realizado pela Green Light, uma empresa de consultoria focada em energia e ambiente na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

O estudo foi recomendado pelo Ministério da Economia e Finanças, no âmbito do Pacote de Medidas de Aceleração Económica (PAE) do Governo.

O PAE recomenda a mistura de biocombustíveis produzidos localmente (biodiesel e bioetanol) nos combustíveis líquidos importados para consumo interno.

De acordo com o representante da Green Light, Víctor Matavel, que falava durante a apresentação do estudo, na quinta-feira, em Maputo, existem várias culturas produzidas no país que podem servir de matéria-prima para a produção de biocombustíveis.

Apontou a mandioca, caju, milho, batata-doce, cana-de-açúcar e mexoeira, para a produção de bioetanol, e o algodão, coco, palma e rícino para a produção de biodiesel.

“Em termos de custos de produção de biocombustíveis, o estudo concluiu que a cana-de-açúcar exigiria entre 1,42 e 1,04 dólares por litro, enquanto a mandioca custaria entre 1,76 e 1,21 dólares por litro. Para a implementação efectiva da obrigação de mistura de biocombustíveis nos combustíveis líquidos, o país deve ter uma estratégia de produção de biocombustíveis, infra-estruturas de transporte, logística de biocombustíveis nos terminais de distribuição e adaptação das bombas de combustível e viaturas”, disse, citado pelo jornal independente ‘Carta de Moçambique’.

O maior obstáculo é o preço do biocombustível, que é superior ao dos combustíveis líquidos importados, o que pode tornar o estudo inútil.

Já houve uma série de estudos sobre o potencial de produção de biocombustíveis em Moçambique, mas nenhum deles se revelou viável.

O estudo final, que ainda está a ser realizado e não tem data para ser apresentado ao público, é financiado pela Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Grupo Banco Mundial.

Moçambique não concessionou o Porto de Nacala ao Malawi

O Ministério dos Transportes e Comunicações desmente que o Porto de Nacala esteja a ser concessionado ao Malawi. A instituição esclarece que se trata de um processo que permite ao país vizinho ter um local a 15 quilómetros do Porto para o condicionamento de carga.

O Ministério dos Transportes e Comunicações diz estar preocupado com as informações, segundo as quais, o país está a concessionar o Porto de Nacala ao vizinho Malawi.

O Secretário Permanente do Ministério dos Transportes e Comunicações esclarece que não se trata de nenhuma concessão.

“O Ministério dos Transportes e Comunicações está a trabalhar com o Malawi, sim, mas não no processo de concessão do porto de Nacala, mas num processo que permita ao Malawi ter um local, em Muchilipo, cerca de 15 quilómetros do porto de Nacala, para desenvolver um porto seco, com vista a condicionar a sua carga, de modo a garantir que maior carga de Malawi seja preparada naquele local e chegue ao porto sem custos, que acabam trazendo aquilo que é o desafio da logística no global”, esclareceu o Secretário Permanente do Ministério dos Transportes e Comunicações, Cláudio Zunguza.

E tudo isto só poderá acontecer depois de um estudo de pré-viabilidade.

“Há uma discussão que nos traz sobre as cargas líquidas, tendo em conta que, colocar um sistema tubular do porto de Nacala até ao porto seco num percurso de 15 quilómetros pode trazer um desafio. Está em discussão. Neste estudo, terá que se mostrar quais são as cargas que o Malawi pretende trazer com maior demanda. Aquelas cargas secas estarão acondicionadas no porto seco e, quanto às cargas líquidas poderá se trabalhar para ver se é possível colocar um tanque próximo do porto, no qual poderá permitir que Malawi possa garantir o acondicionamento da sua carga para que, através do seu sistema ferroviário ou rodoviário, seja demandado para o país vizinho, Malawi”, detalhou Cláudio Zunguza.

O dirigente falava num evento que debatia o desenvolvimento de infra-estruturas e o seu papel para impulsionar a economia nacional e regional.

“Tanto o corredor de Nacala, da Beira, como de Maputo estão a garantir um grande desenvolvimento, olhando em termos de infra-estruturas que é o primeiro pilar que estamos a trabalhar nele. Não estamos totalmente satisfeitos porque precisamos que o tempo de retorno dos navios não seja mais longo como tem sido hoje, queremos garantir que os nossos corredores continuem a ser mais competitivos e eficientes para responder à demanda nacional e regional”, avançou o Secretário Permanente.

O debate teve lugar, no pavilhão dos corredores de desenvolvimento, na FACIM 2024, que decorre no distrito de Marracuene, província de Maputo. (JP)

Taxa de Juro de Referência mantém-se em 21,2% em setembro

A Associação Moçambicana de Bancos (AMB) anunciou que a taxa de juro de referência para as operações de crédito, conhecida como ‘prime rate’, permanecerá em 21,2% durante o mês de setembro. Esta é a segunda vez consecutiva que a taxa se mantém neste nível, reflectindo a estabilização das condições monetárias no País.

A ‘prime rate’, que serve de base para o cálculo dos juros nos empréstimos bancários, vinha caindo desde 2018, atingindo seu ponto mais baixo em fevereiro de 2021, quando ficou em 15,5%. Entretanto, desde então, a taxa começou a subir, alcançando um pico de 24,1% em julho de 2023. A partir desse ponto, houve uma leve retração, com a taxa descendo gradualmente até atingir os atuais 21,2% em julho deste ano.

A taxa de juro de referência é influenciada directamente pela taxa MIMO (taxa de juro de política monetária), que é definida pelo Banco de Moçambique (BdM). No final de julho, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco Central decidiu reduzir a taxa MIMO de 15% para 14,25%, justificando essa medida com a previsão de que a inflação no país deverá se manter em um dígito a médio prazo. (BN)

 

95% dos adultos moçambicanos usam moeda eletrónica, apenas 30% têm contas bancárias

Noventa e cinco em cada 100 adultos em Moçambique têm conta numa Instituição de Moeda Electrónica (IME), que funcionam via telemóvel, mas apenas 30 têm contas bancárias, segundo dados do Banco de Moçambique.

De acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Moçambique, com dados até final de Junho, 30,9 adultos em cada 100 tinham uma conta num dos cerca de 15 bancos comerciais que operam no país, com maior predominância entre homens (41,5) face a mulheres (19,3).

O mesmo relatório refere que, em cada 100 adultos moçambicanos, 94,5 têm conta numa das três IME com atividade em Moçambique, o que compara com 93,2 no final de 2023, 68,5 em 2022 e 67,2 em 2021.

No final de Junho, o número de contas IME era superior ao número de homens (105,8 contas por cada cem homens), enquanto 81,8 mulheres em cada cem tinham conta.

O número de agentes de IME em Moçambique, que funcionam através dos operadores de telecomunicações móveis, aumentou mais 12,2% no primeiro semestre, para mais de 252 mil, cobrindo todos os 154 distritos do país.

De acordo com dados oficiais, o total de agentes de IME ascendia em Setembro passado a 203.240, número que cresceu para 224.704 até final de Dezembro e para 252.144 no final de Junho.

Todos os distritos do país já têm agentes de IME, desde a cidade de Maputo, sul do país, com 36.795, a Larde, província de Nampula, no norte, com 11.

Em sentido contrário, dos 154 distritos do país, há 33 que ainda não contam com qualquer agência dos bancos tradicionais, quando eram 26 no final de 2023.

Moçambique conta atualmente com três IME, das três operadoras de telecomunicações móveis, que assim prestam serviços financeiros via telemóvel, incluindo transferências de dinheiro entre clientes ou pagamento de serviços. (JP)

CCMUSA reúne mais de 150 empresas e destaca oportunidades de parceria

Maputo foi palco de um evento significativo organizado pela Câmara de Comércio Moçambique-EUA (CCMUSA), que atraiu a participação de mais de 150 empresas de diversos sectores. O evento, parte da prática regular de Happy Hour promovida pela CCMUSA, serviu como um fórum para o intercâmbio de negócios e a criação de novas parcerias.

O encontro foi marcado por apresentações e discursos que ressaltaram a importância da colaboração e da inovação para o crescimento económico de Moçambique. Onório Manuel, Presidente da CCMUSA, expressou um profundo agradecimento a todos os participantes e destacou o empenho dos membros da organização, cujo trabalho árduo tem sido fundamental para o crescimento da Câmara e o fortalecimento das relações comerciais entre Moçambique e os Estados Unidos.

Durante a cerimónia, o Secretário de Estado na Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, sublinhou o papel vital da CCMUSA na promoção e desenvolvimento do ambiente de negócios. Ele sublinhou a importância das parcerias estratégicas e da colaboração entre empresas moçambicanas e norte-americanas para a criação de um ambiente económico mais robusto e dinâmico.

O evento da CCMUSA reafirmou o compromisso da organização em ser um catalisador para o desenvolvimento económico, criando oportunidades para as empresas que desejam expandir suas operações e estabelecer novas colaborações. A participação expressiva e o entusiasmo demonstrado pelas empresas presentes sublinham o potencial de crescimento e inovação que pode ser alcançado através de esforços conjuntos entre Moçambique e os Estados Unidos.

Carlos Zacarias expects positive results from oil prospecting

Carlos Zacarias espera resultados positivos em prospecção petrolífera

The Minister of Mineral Resources and Energy, Carlos Zacarias, on Thursday, August 29, expressed his optimism about the results of the oil surveys in an area formally awarded to the consortium led by the Italian multinational Eni, in partnership with the National Hydrocarbons Company (ENH).

“We are optimistic about the results of prospecting in the concession area,” said Zacarias after signing the concession contract for oil exploration and production in the Angoche sedimentary basin, located in northern Mozambique.

According to the Lusa news agency, the minister pointed out that the preliminary studies carried out so far in the Angoche sedimentary basin generate positive expectations for the operations that the consortium will carry out. He stressed that the determination of the commercial quantities of existing resources will depend on the quality of the complementary surveys to be conducted in Area A6-C, in Nampula province.

Zacarias called for the use of technologies that minimize environmental impact, allowing oil operations to coexist sustainably with other economic activities, such as fishing and tourism. He also stressed the importance of the consortium strictly complying with the work program established in the contracts, in accordance with the oil and environmental legislation in force.

The consortium’s operations, according to the minister, will generate jobs, social projects for local communities, business opportunities and revenue for the state. Eni’s director in Mozambique, Marica Calabrese, considered the concession to be an important milestone in the multinational’s presence in the country. “Eni believes strongly in this country. This will be the start of yet another success,” said Calabrese, recalling the company’s operations since 2006 in the Rovuma Basin.

The contracts signed are the result of the sixth tender for the concession of hydrocarbon exploration and production areas, launched in 2021. At the same time, the Rovuma LNG consortium, led by ExxonMobil, began the basic engineering phase in Area 4 of the Rovuma Basin, a crucial stage before the final investment decision.

Mozambique has the third largest natural gas reserves in Africa and currently has three development projects approved for the exploitation of the Rovuma Basin reserves, classified among the largest in the world.

Moçambique destaca-se com aumento significativo nas reservas cambiais em África

Moçambique está entre os dez países africanos com maior crescimento das reservas externas em 2023, de acordo com dados publicados nesta Quinta-feira, 29 de Agosto, pelo portal de notícias Business Insider Africa. O país registou um aumento de 32,3% nas suas reservas, posicionando-se em oitavo lugar no ranking continental.

Segundo o portal, o crescimento das reservas externas é fundamental para a manutenção da saúde financeira de um país, especialmente em África, onde as flutuações nas receitas de exportação, particularmente de petróleo, têm impacto significativo nas economias nacionais.

“O petróleo representa mais de 36% das exportações em África, o que faz com que os preços das matérias-primas tenham um papel crucial na taxa de câmbio e nas reservas externas, gerando lucros importantes para as nações africanas”, destaca o relatório do Business Insider Africa.

Mesmo diante de um cenário económico global adverso e da pressão dos preços das matérias-primas, as vendas de petróleo bruto foram determinantes para a recuperação das reservas cambiais no continente. De acordo com o relatório de 2024 sobre o comércio africano do Afreximbank, intitulado “Implicações Climáticas da Implementação da AfCFTA”, os activos cambiais de África aumentaram cerca de 2,6% em termos anuais, totalizando 26 biliões de meticais (411,9 mil milhões de dólares) em 2023, uma reversão positiva em comparação com a queda de 2,3% registada em 2022.

Além dos preços das matérias-primas, o relatório atribui a melhoria das reservas externas a factores como a entrada sustentada de capital, apoio de organizações internacionais, bilaterais e regionais de financiamento ao desenvolvimento, e o aumento das chegadas de turistas e remessas de emigrantes.

Esses desenvolvimentos contribuíram para uma ligeira melhoria na cobertura média das importações na região, que passou de quatro para cinco meses em 2023, acima do requisito mínimo de três meses estipulado pelo FMI.

Segundo o Business Insider Africa, os dez países africanos com maior crescimento das reservas externas em 2023 são: São Tomé e Príncipe (105,4%), Chade (83,6%), República do Congo (59,7%), Libéria (43,4%), República Centro-Africana (35,9%), Lesoto (35,3%), Guiné Equatorial (32,3%), Moçambique (32,3%), Eritreia (30,1%) e Tunísia (28,1%).

Mozambique stands out in the growth of foreign exchange reserves in Africa

Moçambique destaca-se em crescimento de reservas cambiais na África

Mozambique is among the ten African countries with the highest growth in foreign reserves in 2023, according to data published on Thursday, August 29, by the Business Insider Africa news portal. The country recorded a 32.3% increase in its reserves, placing it eighth in the continental ranking.

According to the portal, the growth of foreign reserves is fundamental to maintaining a country’s financial health, especially in Africa, where fluctuations in export revenues, particularly oil, have a significant impact on national economies.

“Oil accounts for more than 36% of exports in Africa, which means that the prices of raw materials play a crucial role in the exchange rate and foreign reserves, generating important profits for African nations,” highlights the Business Insider Africa report.

Even in the face of an adverse global economic scenario and pressure from raw material prices, crude oil sales have been decisive in the recovery of the continent’s foreign exchange reserves. According to Afreximbank’s 2024 report on African trade, entitled “Climate Implications of AfCFTA Implementation”, Africa’s foreign exchange assets increased by around 2.6% in annual terms, totaling 26 trillion meticais (411.9 billion dollars) in 2023, a positive reversal compared to the 2.3% drop recorded in 2022.

In addition to commodity prices, the report attributes the improvement in foreign reserves to factors such as the sustained inflow of capital, support from international, bilateral and regional development finance organizations, and the increase in tourist arrivals and emigrant remittances.

These developments have contributed to a slight improvement in the region’s average import coverage, which will rise from four to five months in 2023, above the minimum requirement of three months stipulated by the IMF.

According to Business Insider Africa, the ten African countries with the highest growth in foreign reserves in 2023 are: São Tomé and Príncipe (105.4%), Chad (83.6%), Republic of Congo (59.7%), Liberia (43.4%), Central African Republic (35.9%), Lesotho (35.3%), Equatorial Guinea (32.3%), Mozambique (32.3%), Eritrea (30.1%) and Tunisia (28.1%).

Sany Weng: “Percebi a carência de Educação Financeira em Moçambique e decidi agir”

Nesta entrevista, conversamos com Sany Weng, empreendedora e representante nacional da Money Savvy, sobre a sua trajectória profissional e o seu compromisso com a educação financeira em Moçambique. Formada em Gestão de Empresas, Sany encontrou a sua verdadeira vocação ao fundar a Money Savvy Mozambique, uma plataforma que tem como missão transformar a realidade financeira dos moçambicanos.

Profile Mozambique: Fale-nos brevemente sobre sua trajectória profissional, destacando sua formação e principais experiências?

Sany Weng: Sou formada em Gestão de Empresas, mas a minha carreira tomou um rumo diferente quando me tornei Facilities Manager numa empresa pioneira de Serviced Offices em 2013. Evoluí, e actualmente sou Directora-Geral.

Em 2018, fundei um a empresa de Facilities Management (MMO Facilities) como extensão da Mozambique Managed Offices (MMO), consolidando o meu papel de empreendedora.

Durante esse período, percebi a grande carência de educação financeira em Moçambique, algo que se tornou evidente através das minhas próprias experiências de vida, especialmente como mãe solteira que enfrentou dificuldades financeiras e conseguiu superá-las. Inicialmente, desejei ajudar as pessoas compartilhando as minhas experiências, mas decidi primeiro investir na minha formação em educação financeira. Participei de cursos com a Money Savvy Humans na África do Sul (2022) e com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2024, combinando experiência, teoria e metodologias para poder ajudar mais pessoas de maneira eficaz.

Com essa base de conhecimento e experiência, criei a Money Savvy Mozambiquepara poder ajudar a superar desafios financeiros e transformar vidas por meio da educação financeira, com principal foco em combater a falta de informação, que muitas vezes é a raiz dos problemas financeiros.

PM: Como surge a MoneySavvy Mozambique? Trata-se de uma plataforma genuinamente moçambicana?

SW: Sim, a plataforma é genuinamente moçambicana. Embora seja um franchise da África do Sul, com a marca MoneySavvy, as sócias são totalmente moçambicanas e a empresa é 100% liderada por mulheres moçambicanas. Embora os materiais sejam criados na África do Sul, eles são ajustados e adaptados à nossa realidade. Isso inclui modificar o conteúdo para torná-lo mais acessível e compreensível, evitando termos complexos e usando uma abordagem mais directa, prática e inclusiva.

Sobre o nível de literacia financeira entre os moçambicanos, actualmente há uma grande preocupação. O principal desafio é a dificuldade em gerir o orçamento mensal. Por exemplo, o salário mínimo aumentou de 8.600 para 9.600 meticais, enquanto os custos básicos, como transporte, consomem cerca de 2.000 meticais, deixando apenas 6.000 meticais para cobrir todas as outras despesas. Para uma família de cinco pessoas, isso não é suficiente para garantir uma sobrevivência digna.

A solução passa pela mudança de mentalidade e a criação de fontes de renda adicionais. Pelo que, encorajamos a abertura de pequenos negócios ou actividades geradoras de renda extra, usar a sua paixão para gerar renda como vender alimentos caseiros, dar explicaçes, baby sitting, entre ourtos para complementar o orçamento.

A nossa abordagem inclui primeiro a formação em gestão financeira pessoal, seguida pela mudança de mentalidade. Muitos aprendem desde cedo que o dinheiro é escasso e não há forma de poupar. Em vez de ensinarem como usar, poupar e investir, somos educados a evitar gastos. Como resultado, ao chegarmos à vida adulta, não sabemos como lidar com essas questões.

Portanto, a Money Savvy Moçambique posiciona-se como um catalisador para a mudança de mentalidade financeira, promovendo uma abordagem prática e orientada para resultados que visa transformar a realidade financeira dos moçambicanos.

PM: A plataforma Money Savvy Mozambique posiciona-se como um catalisador para a mudança de mentalidades financeiras. Quais são as principais estratégias que utilizam para transformar a maneira como os moçambicanos lidam com o dinheiro?

SW: É essencial começar a criar consciencialização e alterar a mentalidade predominante de que ganhar dinheiro é extremamente difícil e que a escassez é inevitável. Devemos promover a ideia de que o dinheiro é uma ferramenta valiosa para alcançar nossos objectivos.

Assim como o telefone serve para comunicar e o carro para deslocar-se, o dinheiro deve ser visto como um meio para atingir as nossas metas. Portanto, é crucial cultivar uma mentalidade positiva e mudar crenças negativas sobre o dinheiro.

Você pode lembrar-se do conceito apresentado no livro “O Segredo”, que aborda a Lei da Atracção e a importância de focar em pensamentos positivos para atrair coisas boas. Em uma mentalidade próspera, é fundamental acreditar que o dinheiro é abundante e acessível, e que ele pode ajudar a melhorar a vida da nossa família, entre outros benefícios.

Ademais, o ambiente ao nosso redor desempenha um papel significativo. Se estivermos cercados por pessoas negativas, que vivem de maneira improdutiva e se envolvem em comportamentos prejudiciais, tendemos a influenciar-nos por essas atitudes e permanecer em um ciclo negativo. Por outro lado, rodear-se de pessoas positivas, com objectivos claros e ambições semelhantes, pode ajudar-nos a avançar e atingir nossos próprios objectivos.

PM: Com base na informação de que 70% dos adultos com rendimentos na África do Sul estão sobreendividados, como essa realidade se compara ao contexto moçambicano? Quais são as principais causas do endividamento excessivo em Moçambique?

SW: É possível que o nível de endividamento na África do Sul seja mais elevado do que no nosso país, com uma estimativa de até 80% da população sul-africana endividada. Embora não tenha dados estatísticos precisos, essa é uma suposição plausível. Vale notar que a realidade económica na África do Sul é um pouco diferente da nossa. Lá, o acesso a serviços bancários e empréstimos é mais facilitado e os salários tendem a ser mais altos.

No nosso caso, as principais causas do endividamento incluem o imediatismo e o consumismo, especialmente entre a classe média. Para a população de baixa renda, o endividamento frequentemente resulta da necessidade de sobrevivência. Muitas pessoas com salários baixos ou até mesmo sem trabalho fixo acabam se endividando para cobrir suas necessidades básicas diárias.

Os vendedores informais enfrentam desafios semelhantes. Embora gerem receita através das suas vendas, muitas vezes o dinheiro obtido é rapidamente gasto em despesas imediatas, como alimentação. Isso dificulta o reinvestimento em novos materiais e perpetua um ciclo de endividamento.

PM: Quais são os principais equívocos ou mal-entendidos sobre finanças que os moçambicanos enfrentam? Como a Money Savvy ajuda a desmistificar essas questões e promover uma gestão financeira mais eficaz?

SW: Um dos principais equívocos é a falta de informação. Em Moçambique, há uma carência significativa de conhecimento financeiro, com muitas oportunidades e produtos financeiros, como empréstimos e serviços bancários, sendo pouco divulgados. Mesmo aqueles que estão em uma situação financeira melhor podem não ter acesso às informações necessárias para expandir suas opções de crédito e investimentos.

A Money Savvy empenha-se em superar esses desafios oferecendo cursos e programas de capacitação. Os nossos cursos abordam uma variedade de produtos e serviços financeiros disponíveis no mercado, como opções de poupança e investimentos no mercado de acções.

Muitas pessoas não sabem, por exemplo, como investir em acções de empresas como a HCB, ENH, Tropigalia, entre outros, e nosso objectivo é fornecer essas informações de forma acessível. Plataformas como o Banco BIG e o BCI, que oferecem serviços de investimento. Assim como, a BVM também é uma opção para investir em acções. Recentemente, na conferência da CTA, foram discutidos os desempenhos positivos de acções de empresas como a CDM e a ENH, evidenciando oportunidades no mercado de acções, e o cidadão moçambicano precisa tirar partido destas oportunidades, começando apenas com 100mts.

Actualmente, a Money Savvy está a preparar vários programas voltados para o impacto social.  Temos realizado sessões online e colaborações com parceiros como a  Fundaçåo Salimo Abdula, Mozyouth, e a ICEF focando principalmente na capacitação financeira de mulheres.

Vamos  trabalhar estreitamente com a Tecnoserve em vários projectos com impacto social no norte do país. Por outro lado, assinamos um memorando de parceria com o apresentador de televisão, Hugo Diogo (Dygo Boy) para uma conferência sobre educação financeira que será realizada em novembro próximo.

PM: Com a crescente digitalização dos serviços financeiros, como a Money Savvy está a adaptar seus programas para garantir que os moçambicanos estejam preparados para navegar no mundo das finanças digitais?

SW: Embora a digitalização esteja sendo promovida através de serviços como M-Pesa e mKesh, e outras carteiras digitais, a questão da gestão financeira ainda precisa de mais atenção.

A inclusão digital não se resume apenas ao acesso a tecnologias, é fundamental que também haja uma inclusão na gestão financeira efectiva. Saber primeiro fazer a gestão do nosso dinheiro, para depois conseguirmos geri-lo nas carteiras moveis.

Na Money Savvy, buscamos promover a inclusão digital de forma prática e eficaz. Por exemplo, a acção que realizamos com a GIZ foi um modelo híbrido, combinando aulas presenciais com sessões online onde conseguimos tender participantes em locais como Beira, Inhambane e Pemba. Essa abordagem híbrida foi necessária para garantir a participação de todos, mas destaca a importância da interação face a face para um aprendizado mais abrangente e eficaz.

Temos uma plataforma que visa criar conteúdos educativos, como o LMS da Money Savvy, para disponibilizar aulas online. No entanto, observamos que o ensino presencial é muito mais envolvente e interativo do que as aulas online, onde os participantes frequentemente se distraem. Tentamos oferecer uma experiência de aprendizado mais rica através de interações directas, e estamos a colaborar com ONGs, embaixadas e empresas com responsabilidade social para realizar essas actividades presencialmente e para conseguirmos ter um impacto maior

Sany Weng: “I realized the lack of financial education in Mozambique and decided to act”

In this interview, we talk to Sany Weng, entrepreneur and national representative of Money Savvy, about her professional career and her commitment to financial education in Mozambique. With a degree in Business Management, Sany found her true calling when she founded Money Savvy Mozambique, a platform whose mission is to transform the financial reality of Mozambicans.

Profile Mozambique: Tell us briefly about your professional career, highlighting your education and main experiences?

Sany Weng: I have a degree in Business Management, but my career took a different turn when I became Facilities Manager at a pioneering Serviced Offices company in 2013. I evolved, and am currently General Manager.
In 2018, I founded a Facilities Management company (MMO Facilities) as an extension of Mozambique Managed Offices (MMO), consolidating my role as an entrepreneur.

During this period, I realized the great lack of financial education in Mozambique, something that became evident through my own life experiences, especially as a single mother who faced financial difficulties and managed to overcome them. Initially, I wanted to help people by sharing my experiences, but I first decided to invest in my own financial education. I attended courses with Money Savvy Humans in South Africa (2022) and with the International Labor Organization (ILO) in 2024, combining experience, theory and methodologies to be able to help more people effectively.
With this base of knowledge and experience, I created Money Savvy Mozambique to help overcome financial challenges and transform lives through financial education, with the main focus on combating the lack of information, which is often the root cause of financial problems.

PM: How did MoneySavvy Mozambique come about? Is it a genuinely Mozambican platform?

SW: Yes, the platform is genuinely Mozambican. Although it is a franchise from South Africa, under the MoneySavvy brand, the partners are entirely Mozambican and the company is 100% led by Mozambican women. Although the materials are created in South Africa, they are adjusted and adapted to our reality. This includes modifying the content to make it more accessible and understandable, avoiding complex terms and using a more direct, practical and inclusive approach.

Regarding the level of financial literacy among Mozambicans, there is currently great concern. The main challenge is the difficulty in managing the monthly budget. For example, the minimum wage has increased from 8,600 to 9,600 meticais, while basic costs, such as transportation, consume around 2,000 meticais, leaving only 6,000 meticais to cover all other expenses. For a family of five, this is not enough to guarantee a dignified survival.
The solution is to change mentality and create additional sources of income. Therefore, we encourage you to start small businesses or extra income-generating activities, use your passion to generate income such as selling homemade food, tutoring, baby sitting, among others to supplement the budget.

Our approach includes training in personal financial management first, followed by a change in mentality. Many people are taught from an early age that money is scarce and there is no way to save it. Instead of being taught how to use, save and invest, we are taught to avoid spending. As a result, when we reach adulthood, we don’t know how to deal with these issues.
Therefore, Money Savvy Mozambique positions itself as a catalyst for changing financial mentality, promoting a practical and results-oriented approach that aims to transform the financial reality of Mozambicans.

PM: The Money Savvy Mozambique platform positions itself as a catalyst for changing financial mentalities. What are the main strategies you use to transform the way Mozambicans deal with money?

SW: It is essential to start creating awareness and changing the prevailing mentality that earning money is extremely difficult and that scarcity is inevitable. We must promote the idea that money is a valuable tool for achieving our goals.
Just as the telephone serves to communicate and the car to get around, money should be seen as a means to achieve our goals. It is therefore crucial to cultivate a positive mindset and change negative beliefs about money.

You may remember the concept presented in the book “The Secret”, which deals with the Law of Attraction and the importance of focusing on positive thoughts to attract good things. In a prosperous mindset, it is fundamental to believe that money is abundant and accessible, and that it can help improve our family’s life, among other benefits.
In addition, our surroundings play a significant role. If we are surrounded by negative people, who live unproductively and engage in harmful behavior, we tend to be influenced by these attitudes and remain in a negative cycle. On the other hand, surrounding ourselves with positive people, with clear goals and similar ambitions, can help us move forward and achieve our own goals.

PM: Based on the information that 70% of adults with an income in South Africa are over-indebted, how does this reality compare to the Mozambican context? What are the main causes of over-indebtedness in Mozambique?

SW: It is possible that the level of indebtedness in South Africa is higher than in our country, with an estimate of up to 80% of the South African population in debt. Although I don’t have precise statistical data, this is a plausible assumption. It’s worth noting that the economic reality in South Africa is somewhat different from ours. There, access to banking services and loans is easier and salaries tend to be higher.

In our case, the main causes of indebtedness include immediacy and consumerism, especially among the middle class. For the low-income population, debt often results from the need to survive. Many people on low wages or even without steady work end up in debt to cover their basic daily needs.
Informal vendors face similar challenges. Although they generate income through their sales, the money they earn is often quickly spent on immediate expenses, such as food. This makes it difficult to reinvest in new materials and perpetuates a cycle of debt.

PM: What are the main misconceptions or misunderstandings about finance that Mozambicans face? How does Money Savvy help to demystify these issues and promote more effective financial management?

SW: One of the main misconceptions is the lack of information. In Mozambique, there is a significant lack of financial knowledge, with many financial opportunities and products, such as loans and banking services, being poorly publicized. Even those who are in a better financial situation may not have access to the information they need to expand their credit and investment options.

Money Savvy strives to overcome these challenges by offering courses and training programs. Our courses cover a variety of financial products and services available on the market, such as savings options and stock market investments.

Many people don’t know, for example, how to invest in shares in companies such as HCB, ENH, Tropigalia, among others, and our aim is to provide this information in an accessible way. Platforms such as Banco BIG and BCI offer investment services. BVM is also an option for investing in shares. Recently, at the CTA conference, the positive performance of shares in companies such as CDM and ENH were discussed, highlighting opportunities in the stock market, and Mozambican citizens need to take advantage of these opportunities, starting with just 100mts.

Money Savvy is currently preparing several programs focused on social impact. We have held online sessions and collaborations with partners such as the Salimo Abdula Foundation, Mozyouth, and ICEF, focusing mainly on women’s financial empowerment.
We will be working closely with Tecnoserve on various projects with a social impact in the north of the country. On the other hand, we have signed a memorandum of partnership with television presenter Hugo Diogo (Dygo Boy) for a conference on financial education to be held next November.

MP: With the increasing digitalization of financial services, how is Money Savvy adapting its programs to ensure that Mozambicans are prepared to navigate the world of digital finance?

SW: Although digitalization is being promoted through services such as M-Pesa and mKesh, and other digital wallets, the issue of financial management still needs more attention.
Digital inclusion isn’t just about access to technology, it’s essential that there is also inclusion in effective financial management. We must first know how to manage our money so that we can then manage it in our mobile wallets.

At Money Savvy, we seek to promote digital inclusion in a practical and effective way. For example, the action we carried out with GIZ was a hybrid model, combining face-to-face classes with online sessions where we managed to attract participants in places like Beira, Inhambane and Pemba. This hybrid approach was necessary to ensure everyone’s participation, but it highlights the importance of face-to-face interaction for more comprehensive and effective learning.

We have a platform that aims to create educational content, such as Money Savvy’s LMS, to make online classes available. However, we’ve observed that face-to-face teaching is much more engaging and interactive than online classes, where participants often get distracted. We try to offer a richer learning experience through direct interactions, and we are collaborating with NGOs, embassies and companies with social responsibility to carry out these activities face-to-face and to be able to have a greater impact