Sunday, April 12, 2026
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Conheça a Coral Sul FLNG | Profile

A Coral Sul FLNG representa um marco histórico para a indústria extractiva moçambicana e para o continente africano. Trata-se do primeiro projecto de liquefação flutuante de gás natural em águas profundas do mundo, símbolo da capacidade tecnológica e da crescente relevância de Moçambique no panorama energético internacional.

O empreendimento é operado pela joint venture que integra a Eni, ExxonMobil e China National Petroleum Corporation (CNPC), com uma participação conjunta de 70%, e tem como parceiros a Galp Energia (actualmente detida pela Abu Dhabi National Oil Company – ADNOC), a Korea Gas Corporation (KOGAS) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), cada uma com 10% de participação.

Localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma, ao largo da costa norte de Moçambique, o projecto incide sobre o campo Coral Sul, que detém reservas estimadas em cerca de 500 mil milhões de metros cúbicos de gás natural.

A joia tecnológica deste consórcio é a instalação Coral Sul Floating Liquefied Natural Gas (FLNG), uma estrutura de engenharia de última geração com capacidade para produzir 3,4 milhões de toneladas de Gás Natural Liquefeito (GNL) por ano. Esta unidade flutuante não apenas extrai e processa o gás no local, como o armazena e exporta directamente, eliminando a necessidade de grandes infra-estruturas em terra.

Imagem Coral Sul FLNG – créd. Eni & MarineLink

Coral Norte: o próximo passo da expansão energética

A par do sucesso da Coral Sul, avança o Coral Norte FLNG, novo projecto que reforçará a posição de Moçambique entre os grandes produtores de GNL. Desenvolvido pelos mesmos parceiros, Eni, CNPC, ENH, KOGAS e XRG (subsidiária da ADNOC), o Coral Norte encontra-se igualmente situado na Área 4 da Bacia do Rovuma, em águas ultraprofundas da Província de Cabo Delgado.

Com conclusão prevista para 2028, a unidade terá capacidade anual de produção de 3,55 milhões de toneladas de GNL, consolidando a estratégia de expansão sustentável do país no sector energético.

Quando ambos os projectos Coral Sul e Coral Norte, estiverem plenamente operacionais, Moçambique atingirá uma produção total de cerca de 7 milhões de toneladas de GNL por ano, tornando-se o terceiro maior produtor do continente africano.

Engenharia flutuante ao serviço da economia moçambicana

A Coral Sul FLNG funciona de forma semelhante a uma FPSO (Floating Production, Storage and Offloading), uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência. Este tipo de plataforma é amplamente utilizado em regiões afastadas da costa, onde o transporte por oleodutos ou gasodutos é economicamente inviável.

Trata-se de uma alternativa eficiente e flexível para a produção de petróleo e gás natural, capaz de garantir operações seguras e contínuas em alto-mar, reduzindo os custos logísticos e ambientais.

Com estas iniciativas, Moçambique dá um passo decisivo rumo à monetização dos seus recursos naturais, reforçando o seu papel como hub energético regional e destino estratégico para o investimento internacional.

Afreximbank defende reforço do financiamento do comércio para impulsionar o crescimento sustentável em África

A administradora para o Financiamento do Comércio e Correspondência Bancária do Afreximbank, Gwen Mwaba, apelou ao reforço das capacidades de financiamento do comércio e a uma colaboração mais profunda entre as instituições financeiras africanas, de forma a acelerar o crescimento inclusivo e sustentável do continente.

Mwaba falava na terça-feira (4), durante a abertura do 25.º Seminário de Financiamento do Comércio do Afreximbank (ATFS), que decorre em Abidjan, Costa do Marfim.

“África é rica em recursos naturais, tais como minerais, hidrocarbonetos, produtos agrícolas e um leque crescente de oportunidades de valor acrescentado nas áreas da energia, metais e logística. Estes recursos representam um enorme potencial de desenvolvimento quando financiados de forma responsável, eficiente e com uma gestão de risco rigorosa”, afirmou.

Segundo a responsável, transformar o potencial africano em resultados tangíveis exige instituições financeiras estruturadas, competentes e conscientes dos riscos, capazes de alinhar o financiamento com as prioridades de desenvolvimento local e com as salvaguardas ambientais.

Gwen Mwaba, Administradora para o Financiamento do Comércio e Correspondência Bancária do Afreximbank.

Mwaba sublinhou ainda o papel crucial dos profissionais de finanças qualificados na definição do futuro do comércio africano, defendendo mais capacitação para converter os abundantes recursos naturais e humanos do continente em crescimento económico real.

“Banqueiros bem treinados, com capacidades sofisticadas de estruturação de negócios, podem adaptar o financiamento a cadeias de valor intensivas em capital e alinhar o financiamento de projectos com as necessidades locais e o respeito pelo ambiente”, destacou.

A administradora lembrou que o financiamento do comércio baseado na confiança, avaliação de riscos e liquidez continua a ser a força motriz do comércio, do investimento e da criação de empregos. “A nossa tarefa colectiva é garantir que essa força flua de forma fiável para as empresas que dela necessitam e que os seus benefícios sejam amplamente partilhados”, acrescentou.

25 anos a formar profissionais do sector financeiro africano

A cerimónia de abertura contou com a presença de altos representantes do Governo da Côte d’Ivoire, incluindo Patrick Olivier Daipo, director adjunto do Ministério do Comércio; Chalouho Coulibaly, director nacional do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), em representação do governador Jean-Claude Kassi Brou; e Jérôme Ahua, director-geral adjunto do Banco BNI, que representou a Associação de Bancos.

A edição deste ano do ATFS marca 25 anos de existência do principal programa de reforço de capacidades do Afreximbank, que já formou milhares de banqueiros, credores, financiadores e decisores políticos africanos. O seminário representa um marco simbólico, um quarto de século a fortalecer competências financeiras e a consolidar a experiência africana na estruturação e execução de soluções de financiamento do comércio.

Financiamento transformador e soluções inovadoras

Destacando a liderança do Afreximbank no ecossistema de financiamento africano, Mwaba recordou que, ao longo de mais de três décadas de operação, o banco construiu uma carteira robusta de programas que apoiam a integração regional, a criação de valor acrescentado e a geração de emprego.

Essas iniciativas incluem:

  1. Financiamento em grande escala para sectores orientados à exportação e infra-estruturas que facilitam o comércio;
  2. Ferramentas inovadoras de partilha de riscos e reforço de crédito, capazes de mobilizar capital privado;
  3. Facilidades especializadas para o financiamento de matérias-primas e projectos com salvaguardas ambientais e sociais;
  4. E programas de capacitação voltados para banqueiros e decisores políticos africanos.

O seminário deste ano explora temas como o impacto da digitalização, dos dados e da tecnologia no financiamento do comércio; a gestão de riscos num contexto global instável; e a colaboração entre bancos, instituições multilaterais, empresas fintech, exportadores e governos, para desenvolver soluções escaláveis e sustentáveis.

Mwaba concluiu expressando confiança de que as discussões em Abidjan resultarão em medidas concretas e fortalecerão o ecossistema de financiamento do comércio africano.

O 25.º Seminário de Financiamento do Comércio do Afreximbank decorre de 4 a 6 de Novembro de 2025, subordinado ao tema “Reforço das Capacidades de Financiamento do Comércio para um Crescimento Inclusivo e Sustentável em África”, seguido de um Workshop de Cessão Financeira (Factoring) no dia 7 de Novembro.

Sasol produz o primeiro Gás de Cozinha em Moçambique

A Sasol realizou, na terça-feira, 4 de Novembro de 2025, o carregamento experimental do primeiro lote de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), conhecido como gás de cozinha produzido em Moçambique, no âmbito das actividades de comissionamento da nova infraestrutura.

O feito representa um marco histórico para o sector energético nacional, reafirmando o papel pioneiro da Sasol na indústria de petróleo e gás em Moçambique e a sua contribuição contínua para o desenvolvimento económico do país.

O gás de cozinha é processado na nova Unidade Integrada de Processamento (IPF), construída ao abrigo do Acordo de Partilha de Produção (PSA), localizada no distrito de Inhassoro, província de Inhambane, e será destinado ao abastecimento do mercado interno.

Infraestrutura moderna reforça auto-suficiência energética

A conclusão bem-sucedida desta primeira operação de carregamento de GPL marca um passo decisivo no processo de comissionamento da IPF, cujos preparativos para a inauguração oficial encontram-se numa fase avançada.

Considerada uma das mais modernas instalações do género em África, a IPF possui capacidade para produzir até 30 mil toneladas de gás de cozinha por ano, o que permitirá reduzir as importações em cerca de 70% e garantir um fornecimento mais estável e previsível ao mercado nacional.

Segundo o director-geral da Sasol em Moçambique, Ovídio Rodolfo, “este primeiro carregamento de gás de cozinha representa a concretização de mais um passo no processo de valorização interna do gás natural, criando maior valor para o mercado doméstico.”

Produção a partir dos campos de Inhassoro e Govuro

O GPL é produzido a partir do gás natural extraído dos reservatórios de Inhassoro e Govuro, através de um processo industrial de separação e tratamento que resulta num combustível limpo, seguro e eficiente.

O Projecto PSA, operado pela Sasol Petroleum Mozambique, Limitada, inclui ainda a produção de cerca de 4 mil barris diários de petróleo leve e 23 petajoules de gás natural, destinado à geração de 450 megawatts de energia eléctrica na Central Térmica de Temane (CTT).

Moçambique junta-se ao grupo de países que processam os seus hidrocarbonetos

Com este avanço, Moçambique passa a integrar o grupo restrito de países africanos que processam localmente os seus próprios hidrocarbonetos, fortalecendo a segurança energética e promovendo o crescimento económico sustentável.

A Sasol, em parceria com o Governo de Moçambique e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), reafirma assim o seu compromisso de longo prazo com o crescimento industrial, a geração de valor local e o desenvolvimento contínuo do sector energético nacional.

Fonte: Sasol

A Airlink inicia voos regulares Joanesburgo-Nacala em Fevereiro de 2026

A companhia aérea sul-africana Airlink anunciou o lançamento da nova rota Joanesburgo–Nacala, com início previsto para Fevereiro de 2026, reforçando a conectividade aérea, o investimento e o turismo no corredor norte de Moçambique.

Com esta expansão, Nacala passa a ser o sétimo destino moçambicano servido pela transportadora, com dois voos semanais, às segundas e sextas-feiras, operados por aeronaves Embraer Jet, reconhecidas pela eficiência e conforto.

Segundo o CEO da Airlink, De Villiers Engelbrecht, a nova rota responde “à crescente procura por mobilidade aérea no país, particularmente na região nordeste, que desempenha um papel vital na economia nacional”.

Nacala consolida-se como plataforma logística e económica

A escolha de Nacala reflete o reconhecimento da cidade portuária como porta de entrada estratégica para o comércio, a indústria e os investimentos logísticos. O crescimento da actividade portuária e os projectos de infraestrutura associados ao Corredor de Desenvolvimento do Norte tornam o destino um ponto-chave para a integração económica regional.

“Esta ligação não é apenas uma rota aérea é uma ponte entre economias, culturas e oportunidades. Ao conectar Joanesburgo a Nacala, reforçamos o papel de Moçambique como destino emergente de negócios e turismo”, acrescentou Engelbrecht.

Conectividade regional como motor de crescimento

A nova operação surge num contexto de expansão económica e diversificação das rotas regionais, reforçando o papel de Moçambique como elo de ligação entre os mercados do sul e do leste de África.

A aposta da Airlink vai facilitar a mobilidade de empresários, investidores e turistas, ampliando o acesso a destinos costeiros como Pemba e o Arquipélago das Quirimbas, reconhecidos pelo elevado potencial turístico e económico.

Serviço diferenciado e ligações internacionais

A companhia promete uma experiência de viagem superior, com ligações mais rápidas à Europa, Médio Oriente e América do Norte, através da sua rede internacional e de parceiros globais.

Os passageiros beneficiarão de assentos espaçosos, refeições ligeiras e bebidas incluídas, além de franquias de bagagem alargadas, 20 kg nas tarifas standard, 30 kg nas tarifas plenas e mais 15 kg para equipamento desportivo.

Com 64 voos semanais já operados entre Moçambique e a África do Sul, a Airlink reforça a sua presença no mercado moçambicano e o seu compromisso com o desenvolvimento económico regional.

“Com a entrada em Nacala, reafirmamos o nosso compromisso com Moçambique e com a conectividade da África Austral. O transporte aéreo é um catalisador essencial para o investimento e o turismo”, sublinhou o CEO.

A expansão consolida a colaboração entre a Airlink e o sector público e privado moçambicano, apoiando o crescimento do turismo, a atração de investimento estrangeiro e o fortalecimento das cadeias logísticas regionais.

Mais do que uma simples rota comercial, a operação Joanesburgo–Nacala simboliza a integração crescente da África Austral e o reposicionamento de Moçambique como actor estratégico na conectividade aérea continental.

Com esta aposta, a Airlink estimula o comércio, dinamiza o turismo e reduz os custos logísticos, contribuindo para a competitividade e coesão económica da região.

Taxa de Juro de Referência desce para 16% em Novembro

A Associação Moçambicana de Bancos (AMB) anunciou, na sexta-feira (31), a redução da taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique para 16% em Novembro, o que representa uma descida de 0,50 pontos percentuais. A medida dá continuidade ao ciclo de descidas graduais iniciado no início do ano.

Desde Janeiro de 2024, a taxa conhecida como prime rate tem vindo a registar uma tendência de queda, após ter permanecido por seis meses consecutivos no nível de 24,1%. As variações desta taxa estão diretamente ligadas à Taxa de Política Monetária (MIMO), definida pelo Banco de Moçambique (BdM), que influencia o cálculo da taxa de referência aplicada pelos bancos comerciais.

Em Agosto, a prime rate situava-se em 17,20%, tendo baixado para 16,5% em Setembro. Durante o mês de Outubro, manteve-se inalterada, apesar de o Comité de Política Monetária (CPMO) do BdM ter decidido, a 29 de Setembro, reduzir a taxa MIMO em 0,50 pontos percentuais, para 9,75%.

Na altura, o governador do BdM, Rogério Zandamela, explicou que a decisão “resulta essencialmente da manutenção das previsões de inflação em um dígito no médio prazo, reflexo, em parte, da estabilidade cambial e da evolução favorável dos preços internacionais das commodities”, advertindo, no entanto, que “persistem riscos e incertezas internas que podem influenciar as projeções.”

A taxa diretora de juro em Moçambique manteve-se em 17,25% desde Setembro de 2022 até à intervenção do banco central. O processo de cortes sucessivos teve início a 31 de Janeiro de 2024, quando a taxa foi reduzida para 16,5%, marcando o início de um ciclo de ajustamentos com o duplo objetivo de estimular a economia e controlar a inflação.

“O CPMO continuará o processo de normalização da taxa mínima no médio prazo, mas de forma modesta e progressivamente menor”, sublinhou o governador, acrescentando que o ritmo das reduções dependerá das perspetivas de inflação e da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projeções de médio prazo.

Rogério Zandamela adiantou ainda que o processo de normalização monetária iniciado em 2024 deverá estender-se por 24 a 36 meses, período durante o qual já se registaram reduções acumuladas de 700 pontos base. “Tem sido um ganho significativo para o sistema”, destacou.

Apesar deste progresso, o governador reconheceu que a taxa de juro de referência aplicada pelos bancos aos clientes caiu apenas cerca de 600 pontos base no mesmo período, não refletindo integralmente a descida da taxa do banco central, devido às diferenças nos perfis de risco dos clientes. Ainda assim, enfatizou que a tendência tem beneficiado famílias, empresas e o Estado, ao proporcionar condições de financiamento mais acessíveis e sustentáveis.

Tourism Summit: Turismo atrai 1,1 mil milhões de dólares em investimentos nos últimos cinco anos

O sector do turismo em Moçambique captou mais de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 954 milhões de euros) em investimentos nos últimos cinco anos, anunciou ontem o vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Onório Manuel.

“De 2018 a 2022, o sector atraiu mais de 1,1 mil milhões de dólares, posicionando-se como o terceiro maior receptor de investimentos no país”, afirmou o dirigente, durante a abertura da primeira edição do Mozambique Tourism Summit, realizada em Vilankulo, província de Inhambane.

Segundo Onório Manuel, estes números demonstram que o turismo “é muito mais do que lazer”, constitui uma alavanca para o desenvolvimento económico e para a criação de emprego digno nas comunidades.

De acordo com dados da CTA, entre 2016 e 2019, Moçambique recebeu, em média, dois milhões de turistas por ano, o que permitiu que o turismo representasse 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e 32% das exportações de serviços.

Para o sector privado, as parcerias público-privadas são o motor ideal para transformar e dinamizar o turismo moçambicano, mobilizando recursos destinados à melhoria das infraestruturas, formação profissional de qualidade e reforço da conectividade aérea e rodoviária.

“O sector privado está pronto para fazer a sua parte: investir, inovar e colaborar. O essencial é que as políticas públicas e os instrumentos financeiros estejam alinhados com esta ambição comum”, defendeu Onório Manuel.

O dirigente sublinhou ainda a importância da digitalização da experiência turística, abrangendo a promoção online, reservas electrónicas, marketing inteligente e gestão integrada de destinos turísticos.

As receitas provenientes de turistas estrangeiros ultrapassaram 200 milhões de euros em 2024, mas o Governo prevê alcançar 360 milhões de euros até 2029, elevando a contribuição do turismo para 6% do PIB, segundo informações oficiais anteriores.

Entre as prioridades definidas pelo Executivo para o período 2025–2029, destacam-se a atração de grandes eventos internacionais, o posicionamento do país como destino preferencial para o turismo de negócios e de eventos, bem como o reforço dos mecanismos de marketing turístico, com forte aposta na componente digital.

Tendências de Recrutamento em Moçambique: O Papel do Sector Privado

O mercado de trabalho moçambicano atravessa uma fase de transição que redefine o papel das instituições públicas e privadas na geração de emprego e no desenvolvimento de competências. A limitação de vagas na função pública e as exigências crescentes da economia moderna estão a posicionar o sector privado como o principal motor da criação de oportunidades profissionais no país.

De acordo com dados oficiais, o Governo autorizou recentemente 4.142 novas contratações para a função pública, um número modesto face à crescente procura por emprego, sobretudo entre os jovens. Este cenário reforça a importância de o sector privado assumir um papel mais activo na absorção de mão-de-obra e no fomento do empreendedorismo.

Mudança de paradigma laboral

Durante décadas, o emprego público foi visto como sinónimo de estabilidade e segurança. Contudo, o contexto económico actual, marcado por restrições orçamentais e pela necessidade de eficiência, revela uma nova realidade. As empresas privadas surgem como alternativa estratégica, oferecendo carreiras dinâmicas, maior mobilidade e contacto com práticas de inovação e gestão moderna.

Em sectores como energia, construção, telecomunicações, banca e serviços empresariais, observa-se uma procura crescente por profissionais qualificados, tecnicamente preparados e com competências em liderança e adaptação tecnológica. O mercado está, assim, a valorizar mais o mérito, a produtividade e a capacidade de aprendizagem contínua.

Desafios estruturais

Apesar do dinamismo do sector privado, o país enfrenta desafios persistentes no mercado laboral. Entre os principais destacam-se:

  1. O déficit de mão-de-obra qualificada, sobretudo em áreas técnicas e de gestão;
  2. A elevada informalidade do emprego, que limita o acesso à segurança social e a oportunidades formais de crescimento;
  3. A falta de alinhamento entre a formação académica e as necessidades do mercado.

Estes desafios exigem políticas integradas que envolvam o Estado, o sector privado e as instituições de ensino, com foco no desenvolvimento de competências práticas, estágios profissionais e programas de capacitação técnica.

Oportunidades emergentes

A reconfiguração do mercado de trabalho representa também uma oportunidade para transformar o modo como se pensa o emprego em Moçambique. O sector privado, ao investir em formação contínua, inovação tecnológica e valorização de talentos locais, pode impulsionar uma nova geração de profissionais competitivos e preparados para o mercado regional e internacional.

As empresas que adoptam políticas de recrutamento inclusivas, promovem a diversidade e investem em ambientes de trabalho colaborativos tendem a atrair e reter os melhores talentos.

O futuro do emprego em Moçambique depende da capacidade do país de articular políticas públicas eficazes com estratégias empresariais inovadoras. O sector privado não é apenas um empregador, é um parceiro estratégico no desenvolvimento económico e social.

À medida que o país avança para uma economia mais diversificada e tecnológica, o investimento nas pessoas torna-se o principal motor da produtividade e da competitividade nacional.

O emprego do futuro será aquele que valoriza o talento, a qualificação e a capacidade de adaptação, pilares de um mercado de trabalho moderno e sustentável.

Economia vai crescer uma média de 4,4% de 2026 a 2028 | Profile

Projecções da ministra das Finanças – Carla Louveira

A ministra das Finanças, Carla Loveira, disse que os indicadores de desempenho mostram um caminho sólido de retomada do crescimento económico no país. Ao intervir na abertura do Conselho Coordenador do Ministério das Finanças, Carla Louveira disse que, segundo os dados mais recentes da execução orçamental do terceiro trimestre, há ligeira subida nas receitas e descida nas despesas, em termos homólogos.

 A ministra das Finanças disse também que, embora os dados referentes ao primeiro semestre de 2025 apontem para uma contracção económica acumulada de 2,4%, as projecções orçamentais apontam para um crescimento económico de 2025 em 2,9%, uma aceleração económica em 3,2% em 2026 e uma média de 4,4% para o período de 2026 a 2028. “Estes indicadores mostram a existência de um caminho sólido para a retomada do crescimento económico.

As reformas em curso no sector das Finanças Públicas, aliadas à retomada gradual da produção e ao crescimento de sectores estratégicos, como a energia, a agricultura, o gás natural e as infraestruturas, projectam um horizonte de crescimento económico promissor, sustentável e inclusivo”, afirmou Carla Loveira. Disse também que a prioridade do Governo é assegurar que o crescimento se traduza em estabilidade macro-económica, controlo da inflação, consolidação fiscal e melhoria das condições de vida dos moçambicanos.

A ministra das Finaças referiu a celebração dos acordos de garantias entre o gestor do novo Fundo de Garantias Mutuárias e instituições financeiras moçambicanas, marcando o início da contraprestação de garantias bancárias no montante de 120 milhões de dólares para apoiar o financiamento das micro-, pequenas e médias empresas e promover uma economia mais inclusiva e participativa. “Esta medida reforça o nosso compromisso com uma gestão moderna, digitalizada e eficiente das finanças públicas, assegurando que o crescimento económico beneficie todas as regiões e grupos sociais do país”, afirmou Carla Loveira.

A ministra das Finanças disse também: “O contexto macroeconómico nacional tem-se revelado desafiante, marcado por choques internos e externos, resultantes de factores adversos”. Despesa do Estado O porta-voz do Conselho de Ministros disse que o balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado aponta que, dos 283 indicadores deste Plano para 2025 avaliados no presente trimestre no terceiro trimestre, 77%, cerca de 219, tiveram um desempenho positivo e 23%, correspondendo a 64 indicadores, registaram um desempenho negativo.

“Apesar de factores adversos vividos em Moçambique, registou-se uma estabilidade dos indicadores macro-económicos, caracterizada pelo aumento das reservas internacionais líquidas para cinco meses de cobertura, contra 4,7% previstas para o período, e a estabilidade da inflação ao situar-se em 4,1%, abaixo dos 7% previstos para o ano em curso”, afirmou Inocêncio Impissa.

Disse também que a cobrança da Receita do Estado foi de 263.872 milhões de meticais, correspondentes a 68,4% da meta anual, tendo sido 262.366 milhões de meticais, correspondentes a 68,5%, cobrados em 2024, representando um crescimento nominal de 0,6%.

A despesa realizada foi de 314.264 milhões de meticais, correspondente a uma realização de 61,3% do Plano Económico e Social de 2025, tendo sido 360.713 milhões de meticais, que correspondeu a 63,5% do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado do ano de 2024, no período homólogo, representando um decréscimo real de 15,8%. O balanço referente ao terceiro trimestre de 2025 mostrou que as acções levadas a cabo pelo Governo estavam orientadas para a promoção da coesão social, recuperação económica e consolidação fiscal, visando melhorar o bem-estar da população moçambicana.

Summit Tourism 2025: Turismo Sustentável e Oportunidades de Negócio em Destaque

Basilio Muhate, Ministro da Economia, declarou oficialmente aberta, esta segunda-feira, a Conferência Internacional do Turismo – Mozambique Summit Tourism 2025, em Vilanculos, Província de Inhambane.

Na ocasião, o governante destacou o compromisso de Moçambique com um turismo sustentável, inclusivo e transformador, capaz de consolidar a Marca Moçambique como destino de excelência e de gerar novas oportunidades de investimento e emprego.

O evento reúne operadores do sector, investidores, instituições públicas e empreendedores, proporcionando um ambiente propício para networking, inovação e negócios, enquanto reforça a estratégia do país de promover Moçambique no mercado turístico global.

ENH e ExxonMobil reforçam parceria para desenvolvimento da indústria de hidrocarbonetos em Moçambique

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a ExxonMobil Moçambique, Limitada (EMML) assinaram, na semana finda, na cidade de Spring, Texas, Estados Unidos da América, dois Memorandos de Entendimento (MdE) que visam impulsionar o desenvolvimento da indústria de gás e fortalecer a capacitação técnica no país.

Os acordos preveem, por um lado, a cooperação na avaliação de projectos industriais à base do gás doméstico, e, por outro, o estabelecimento do Centro Tecnológico de Moçambique (CTM), uma instituição voltada para a formação, capacitação e treino de quadros nacionais para o sector energético.

A assinatura dos memorandos decorre num contexto em que o país aposta no aproveitamento do gás natural como motor de desenvolvimento económico e na diversificação da sua base produtiva, tendo em vista a criação de valor acrescentado e o fortalecimento das cadeias de valor locais.