Num ambiente de elegância e confraternização, realizou-se a Gala Dinner & Awards alusiva à segunda edição do AmCham Mozambique Golf Day 2025, um evento que destacou o valor do desporto como instrumento de fortalecimento das parcerias estratégicas entre Moçambique e os Estados Unidos da América.
Promovido pela Câmara de Comércio Americana em Moçambique (AmCham Mozambique), o encontro reuniu figuras de destaque do meio empresarial, representantes diplomáticos e parceiros institucionais, num convívio marcado pela partilha, celebração e criação de novas oportunidades de cooperação.
Durante a cerimónia de gala, foram entregues os prémios de reconhecimento aos participantes e patrocinadores que se destacaram nesta edição, sublinhando o contributo de cada um para o sucesso do evento e para o fortalecimento das relações comerciais e institucionais entre os dois países.
A O AmCham Golf Day foi realizado em parceria com Absa Bank Moçambique, Momentum Moçambique, SAL & Caldeira Advogados, Lda., Tongaat Hulett Mozambique, Playground e Radisson Blu Hotel & Residence Maputo, cujo apoio foi determinante para a realização do torneio e da gala.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), responsável pela maior parte da produção de energia eléctrica em Moçambique, reafirmou o seu plano de aumentar a capacidade máxima instalada dos actuais 2.075 megawatts (MW) para 4.000 MW até 2034. O projecto enquadra-se num plano de reabilitação e modernização com duração de 10 anos, destinado a reforçar a eficiência e a sustentabilidade da central.
Pela primeira vez em meio século, a HCB está a implementar, desde 2022, um vasto programa de substituição e modernização de equipamentos, muitos dos quais já obsoletos, com o objectivo de melhorar o desempenho técnico e garantir maior fiabilidade na produção de energia.
Sem avançar o montante do investimento, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da HCB, José Munice, assegurou que, “no final do programa Capex Vital, uma iniciativa de capital destinada à expansão e modernização das infra-estruturas de produção eléctrica, a empresa terá capacidade para duplicar a produção, passando dos actuais 2.075 MW para 4.000 MW”.
Durante cada ano de execução do Capex Vital, uma das turbinas será retirada temporariamente de operação para manutenção e modernização. Como medida de compensação, será instalada uma central fotovoltaica de maior capacidade no distrito de Changara, província de Tete, garantindo o equilíbrio no fornecimento de energia durante o processo.
Desde o início do projecto, em 2022, foram já realizadas intervenções significativas na subestação de Songo, com destaque para a reabilitação de transformadores. Encontra-se igualmente em curso o processo de modernização da estação conversora, considerada essencial para o aumento da capacidade de produção eléctrica.
O programa de reabilitação e modernização da HCB deverá criar mais de 300 novos postos de trabalho ao longo da sua implementação, contribuindo para o desenvolvimento económico e social das comunidades circundantes.
Segundo José Munice, o Capex Vital permitirá à HCB modernizar infra-estruturas envelhecidas, melhorar a eficiência energética e responder à crescente procura de electricidade no país, consolidando a posição da empresa como pilar estratégico do sistema energético nacional.
A iniciativa constitui um marco histórico na trajectória da HCB, reforçando o compromisso da empresa com a sustentabilidade e a segurança energética de Moçambique, e assegurando que, na próxima década, o país disponha de maior capacidade de produção e estabilidade no fornecimento de energia eléctrica.
Moçambique e a ExxonMobil assinaram dois contratos estratégicos para o desenvolvimento moçambicano que totalizam 50 milhões de dólares americanos, anunciou o Presidente da República, Daniel Chapo.
Os memorandos foram rubricados ontem, no Estado do Texas, nos Estados Unidos da América (EUA), no âmbito da visita que efectua aquele país.
Um dos acordos está avaliado em 40 milhões de dólares destinados ao financiamento da construção de um Centro Tecnológico em Moçambique e formação de recursos humanos moçambicanos em matérias de oil and gas.
A infra-estrutura será instalada no bairro do Zimpeto, na cidade de Maputo e sua construção avançar já no próximo ano. Primeiramente, serão formados cem jovens de todas as províncias do país, sendo dez de cada uma.
Os remanescentes 10 milhões de dólares serão para apoiar a massificação de distribuição de gás doméstico.
“[A] Exxon tem um conhecimento acima da média. Essa tecnologia que estão a usar para explorar o gás no mar, é uma das poucas empresas a nível do mundo. Então, nós pensamos que é preciso que tenhamos moçambicanos com conhecimento nessa matéria. Já temos alguns que foram formados em várias partes do mundo. A ideia é que esses jovens moçambicanos possam, realmente, fazer parte de formadores neste centro de formação tecnológico que vai ser construído” disse Chapo, após o encontro com ExxonMobil.
O Chefe de Estado considerou que esses memorandos sinalizam a fortificação das relações entre o país e firma.
“É um sinal muito forte desses dois memorandos de que falamos, porque há aqui transferência de conhecimento…. Mas também, achamos que é um legado muito grande que esses projectos, portanto, estão a fazer e a deixar para o país. Porque o país vai ser, sem margem de dúvida, nos próximos anos, uma das referências do gás a nível do mundo” afirmou.
A ExxonMobil já opera em Moçambique com uma participação indirecta no projecto de exploração de gás na Área 4 da bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado. (Fontes: RM e TVM)
Profile Mozambique: Como descreve a missão e a visão do Clube de Petróleo, e por que decidiram lançá-lo em Moçambique neste momento?
Octávia Nobre: O Clube de Petróleo surge como uma plataforma pensada para unir pessoas, empresas e instituições em torno de um mesmo objectivo, fortalecer o nosso sector de petróleo, gás e energia. Decidimos lançá-lo agora porque acreditamos que este é o momento certo para Moçambique dar um salto em frente, temos os recursos, o talento e as condições para assumir um papel de destaque neste mercado.
A nossa visão é clara, queremos criar um espaço dinâmico, onde engenheiros, gestores, decisores e investidores possam dialogar, partilhar ideias e encontrar soluções que tornem o sector mais eficiente, inovador e sustentável. O Clube nasce para ser esse ponto de encontro, onde se pensa o futuro da energia em Moçambique com seriedade, mas também com ambição.
A missão que nos guia é oferecer soluções práticas e inovadoras que ajudem as empresas a melhorar a sua gestão e a tornarem-se mais competitivas, ao mesmo tempo que promovemos uma transição energética justa e responsável. Estamos a introduzir ferramentas modernas, como o nosso Sistema Integrado de Gestão e Análise de Risco (SIGRA), que vai ajudar a alinhar práticas de governação, sustentabilidade e eficiência operacional em todo o sector.
Este lançamento é apenas o primeiro passo. Queremos que o Clube de Petróleo seja um espaço de formação, de debate e de criação de oportunidades, um verdadeiro motor de conhecimento e desenvolvimento.
PM: Em termos de evento de lançamento, quais os principais objectivos comerciais que pretendem atingir, networking, captação de patrocinadores, membros, visibilidade institucional?
ON: O nosso principal objectivo com o evento de lançamento é criar um verdadeiro ponto de encontro entre os diferentes intervenientes do sector do petróleo, gás e energia. Queremos juntar especialistas, investidores, instituições públicas e privadas, e todos os que, de uma forma ou de outra, fazem parte desta cadeia de valor, para debatermos, alinharmos ideias e impulsionarmos novas acções conjuntas.
O Clube de Petróleo surgiu há cerca de dois anos e, nesta fase, queremos afirmar a nossa presença no mercado, mostrando que somos uma plataforma sólida, com visão e propósito. O evento é, portanto, uma oportunidade para reforçarmos a nossa visibilidade institucional, angariar membros, atrair patrocinadores estratégicos e, acima de tudo, promover networking qualificado, que permita gerar parcerias reais e produtivas.
Durante o lançamento, vamos apresentar oficialmente o conceito do Clube, explicar o seu funcionamento e os eixos principais do nosso trabalho. Teremos um espaço onde os participantes poderão escolher áreas de interesse, desde energia e sustentabilidade, inovação tecnológica, políticas públicas até à formação e capacitação profissional. Queremos que cada participante encontre o seu lugar neste ecossistema.
Coordenadora do Clube de Petróleo, Octávia Nobre.
Vamos também ter um debate com convidados que vão abordar os desafios actuais da transição energética justa em Moçambique, explorando temas como energias renováveis, sustentabilidade ambiental e inclusão das comunidades vulneráveis. Outro momento alto será o painel sobre o Método Integrado de Gestão de Risco (SIGRA), onde vamos apresentar o nosso protótipo e explicar como esta ferramenta pode ajudar empresas e instituições a fortalecerem a sua actuação no sector.
E, claro, um dos pontos mais esperados será o anúncio da Conferência Internacional de Energia Justa e Sustentabilidade, prevista para Maio de 2026, que será o grande palco de discussão e inovação sobre o futuro energético de Moçambique. Teremos ainda um leilão simbólico de lugares exclusivos para esta conferência, uma forma criativa de garantir o compromisso dos principais stakeholders desde já.
PM: Como será estruturado o modelo de adesão ao clube, categorias de membros, quotas, benefícios exclusivos, participação em comités temáticos?
ON: O Clube foi criado para ser uma plataforma inclusiva e dinâmica que promove o crescimento profissional, o diálogo técnico e a inovação no sector de petróleo, gás e energia em Moçambique.
O modelo de adesão é aberto a empresas privadas, instituições públicas, associações e profissionais individuais, com quotas anuais e pacotes personalizados disponíveis através do site oficial do Clube.
Os membros terão acesso exclusivo a workshops, formações, debates, programas de capacitação e oportunidades de networking com líderes do sector, além da possibilidade de integrar comités temáticos sobre energia sustentável, políticas públicas, inovação e responsabilidade social.
Por outro lado, assumimos como objectivo central formar profissionais qualificados, promover competências técnicas e incentivar projectos científicos e tecnológicos que conciliem desenvolvimento económico com responsabilidade ambiental e social.
Em linhas gerais, mais do que um espaço de encontros, o Clube de Petróleo nasce como uma comunidade estratégica de conhecimento e cooperação, posicionando Moçambique como referência regional em transição energética e sustentabilidade.
Moçambique foi distinguido com o Prémio de Melhor Destino Sustentável nos World Tourism Awards 2025, cuja cerimónia decorreu na cidade de Bruxelas, na Bélgica.
A distinção reconhece o compromisso do país com a promoção de um turismo responsável, inclusivo e ambientalmente equilibrado, reflectindo o impacto positivo das políticas e iniciativas voltadas à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento das comunidades locais.
Segundo a organização do certame, Moçambique destacou-se pela gestão sustentável dos seus recursos naturais, pelo incentivo ao ecoturismo e pela valorização das tradições culturais como elementos centrais da experiência turística.
O galardão reforça a imagem do país como destino de excelência em África, consolidando a sua posição no panorama internacional do turismo sustentável e abrindo novas oportunidades para atrair investimentos e visitantes conscientes.
Com esta distinção, Moçambique reafirma o seu compromisso com um modelo de crescimento turístico que harmoniza o desenvolvimento económico com a preservação ambiental e o bem-estar das populações.
A empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM) lançou, nesta quarta-feira, na cidade de Maputo, o aplicativo móvel e-EDM e o canal oficial no WhatsApp.
De acordo com uma nota da empresa, as duas plataformas vão permitir que mais de três milhões de clientes possam comprar energia eléctrica e aceder a informações sobre a empresa de forma rápida e segura.
Com uma base de 3,8 milhões de clientes, dos quais 90% usam o sistema pré-pago Credelec, a EDM marca mais um passo importante na modernização dos seus serviços, como resposta às tendências globais de digitalização e aproximando-se ainda mais dos consumidores.
“O aplicativo de tecnologia avançada vai permitir ao cliente adquirir energia através da carteira móvel, visualizar os seus dados, reduzir custos de deslocação e facilitar o atendimento”, disse Joaquim Ou-Chim, presidente do conselho de administração (PCA) da EDM.
Segundo a fonte, o canal oficial no WhatsApp surge como uma nova via de comunicação e interacção com os clientes e parceiros, garantindo respostas mais rápidas e uma maior conectividade.
Através do canal oficial da EDM no WhatsApp, “pretendemos fortalecer a ligação com os nossos clientes e parceiros, promovendo uma comunicação mais próxima e eficiente”, referiu o PCA.
A empresa, que em média faz 1.500 novas ligações por dia, acredita que estas inovações vão melhorar significativamente a experiência do consumidor, tornando o processo de aquisição de energia mais ágil e acessível.
“Com o e-EDM e o canal do WhatsApp, reforçamos o nosso compromisso de oferecer um serviço moderno, eficiente e centrado no cliente, acompanhando o ritmo da transformação digital que o país vive”, concluiu Joaquim Ou-Chim.
O lançamento destas plataformas digitais ee mais uma demostração clara da EDM em continuar a investir em soluções tecnológicas que promovam a inclusão e acesso à energia.
O conceituado Festival Internacional de Música e Artes MTN Bushfire já abriu inscrições para artistas que queiram integrar a 19.ª edição do evento, a decorrer de 29 a 31 de Maio de 2026, no espaço House On Fire, em Eswatini.
Reconhecido pela BBC como um dos “principais festivais africanos” e destacado pela CNN entre os “sete festivais de música africanos que tens mesmo de ver”, o MTN Bushfire volta a afirmar-se como um dos maiores palcos de celebração da arte e da diversidade no continente.
Com o lema “Unir África através da Música”, o festival traz de volta o CollaboNation, um projecto anual de colaboração musical que junta artistas de diferentes países e estilos para criar obras originais. A iniciativa culmina com a apresentação das colaborações no palco do festival, reflectindo o espírito de unidade e inovação que caracteriza o evento.
O MTN Bushfire convida artistas visionários e socialmente conscientes a submeterem as suas candidaturas, abrangendo um vasto leque de expressões, música, dança, teatro, poesia falada, comédia, marionetas, cinema, artes visuais e performances itinerantes.
Os seleccionados terão oportunidade de actuar em cinco palcos oficiais, cada um com um conceito próprio, o Palco Principal, vibrante e icónico, o Anfiteatro House On Fire, de imersão artística, o Palco Firefly, de energia intensa, a Bring Your Fire Zone, espaço dedicado à arte e à ação social, e o KidZone, um ambiente familiar e inclusivo.
Inspirado no lema “Bring Your Fire”, o festival procura artistas que usem a arte como instrumento de transformação social e ambiental. Mais do que um espetáculo, o evento é um movimento cultural de impacto positivo, que celebra a diversidade e promove o diálogo criativo entre povos e gerações.
As candidaturas para o MTN Bushfire & CollaboNation 2026 decorrem até 7 de Novembro de 2025, através do formulário disponível no site oficial www.bush-fire.com.
Nos últimos anos, o festival tem contado com forte representação moçambicana, destacando-se nomes como Assa Matusse, Lena Baule e 340ML (2025), Stewart Sukuma e Banda Nkhuvu (2024), e Hood Brodz e Ghorwane (2023), prova da crescente presença e reconhecimento da música nacional no panorama cultural africano.
O MTN Bushfire é hoje um símbolo de criatividade e sustentabilidade, reunindo anualmente mais de 23 mil participantes de 55 países. Para Eswatini e para o continente, continua a ser um espaço de encontro, partilha e inspiração, onde a arte acende o fogo da mudança.
A mineradora irlandesa, Kenmare Resources, queixa-se da fraca participação de empresas moçambicanas nos concursos públicos para o fornecimento de bens e serviços.
“A participação das empresas moçambicanas não é muito boa. Apesar de nós convidarmos muitas empresas moçambicanas para participar em concursos, estamos ainda num processo de aprendizado em conjunto para sabermos quais são as dificuldades. Temos baixa participação no concurso de empresas moçambicanas” disse fonte da firma citada pela STV cujo nome não apuramos.
Actualmente, o volume de aquisições locais está na a média de 73 milhões de dólares anuais, apesar de haver ainda oportunidades para empresas nacionais colaborarem com a mineradora.
“Maioritariamente, nós compramos fora equipamentos directos dos fabricantes. Isto é que não permite a nossa margem ir além dos 60%, mas ainda existe alguma janela de oportunidade para adicionar mais fornecedores moçambicanos à nossa base de dados e ao nosso volume de compras” disse uma fonte da empresa citada pela STV cujo nome não apuramos.
Em 2023, a Kenmare conseguiu adquirir bens e serviços avaliados em 79 milhões de dólares, e em 2024 foram 77 milhões de dólares, uma variação que se deve às flutuações nas necessidades de equipamentos à medida que os trabalhos decorrem.
A TotalEnergies propôs ao Governo moçambicano a extensão por 10 anos da concessão do megaprojecto de gás natural liquefeito (GNL) na Área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. A empresa francesa alega prejuízos de US$ 4,5 mil milhões devido à suspensão das operações durante quatro anos sob cláusula de força maior, decretada após os ataques terroristas de 2021.
Uma compensação pela paragem forçada
A proposta consta de uma carta assinada pelo presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, endereçada ao Presidente da República, na qual a empresa formaliza o pedido de prorrogação do período de desenvolvimento e produção do campo Golfinho-Atum por uma década.
“A concessionária exige respeitosamente que o Governo conceda uma prorrogação (…) por uma duração de 10 anos”, lê-se na carta, justificando que a medida visa “compensar parcialmente o impacto económico” da suspensão prolongada.
A correspondência confirma também o levantamento da cláusula de força maior, permitindo a remobilização de pessoal e equipamentos em Afungi. Segundo a petrolífera, as condições de segurança estão restabelecidas, criando o ambiente necessário para o relançamento integral do projecto.
Orçamento e cronograma revistos
O documento indica que a TotalEnergies submeteu ao Ministério da Energia o novo orçamento e cronograma, aguardando aprovação do Conselho de Ministros.
“A aprovação deste orçamento revisto cobrirá os custos incrementais incorridos pelo projecto devido a eventos de força maior, que totalizam US$ 4,5 mil milhões”, refere a carta.
A petrolífera recorda que o Governo realizou uma auditoria ao período 2021–2024, cujo relatório ainda é aguardado. A proposta contempla igualmente a optimização das obrigações financeiras da ENH, a empresa estatal moçambicana integrante do consórcio.
Impacto sobre o cronograma e receitas futuras
O período de paralisação alterou substancialmente o calendário de execução: a primeira entrega de GNL, antes prevista para Julho de 2024, foi reagendada para o primeiro semestre de 2029.
Este atraso empurra para o fim da década o início das exportações de gás e o consequente fluxo de receitas fiscais para o Estado moçambicano, um factor que poderá ter implicações significativas nas projecções macroeconómicas do país.
Mercado global de GNL em transformação
A proposta surge num contexto de profunda reconfiguração do mercado internacional de gás natural liquefeito. Segundo o director executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, o mundo assiste a uma “mudança estrutural” no sector, com a rápida expansão da oferta global a transformar o mercado de vendedores num mercado de compradores, provocando queda dos preços e revisões de estratégias comerciais.
Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies.
Para a TotalEnergies, o prolongamento da concessão em Moçambique é também uma forma de ajustar o horizonte financeiro do projecto às novas condições do mercado, preservando a rentabilidade num cenário de pressão competitiva crescente.
Relevância estratégica e desafios de governação
Para Moçambique, o relançamento do Mozambique LNG representa simultaneamente um sinal de confiança internacional e um desafio de governação económica. O Governo terá de equilibrar a necessidade de atrair investimento estrangeiro directo com a protecção do interesse nacional, assegurando condições justas para a ENH, conteúdo local efectivo e distribuição equitativa das receitas futuras.
Especialistas alertam que qualquer extensão deverá incluir cláusulas de desempenho, metas de investimento e compromissos sociais claros, de modo a garantir que os benefícios do gás se traduzam em crescimento inclusivo, industrialização e criação de emprego.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a maior entidade patronal no País, prevêm discutir projectos de quase 1,5 mil milhões de dólares na 20.ª edição da Conferência Anual do Sector Privado (CASP), que deverá decorrer em Maputo, de 12 a 14 de Novembro próximo.
Segundo a CTA, tratam-se de projectos voltados para investimentos nas áreas de construção, habitação e urbanização sustentável, sendo que a presente edição deverá reunir mais de dois mil participantes, 10 sessões de alto nível e mais de 50 expositores, nacionais e estrangeiros.
Falando esta sexta-feira (24), durante a cerimónia de apresentação da CASP, o vice-presidente da CTA, Onório Manuel, desafiou o Governo para a plataforma com vista a reforçar a aproximação entre o sector público, o sector privado e os cidadãos.
“Usem esta plataforma para apresentarem soluções, comunicarem reformas, demonstrarem inovação e construírem sinergias que tornem Moçambique mais competitivo, mais produtivo e mais sustentável. Queremos que o sector público utilize esta feira para aproximar-se aproximar do sector privado e dos cidadãos, para apresentar os seus programas, recolher contribuições e acelerar a execução de políticas públicas”, Onório Manuel.
Por sua vez, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, reiterou que o Governo está aberto ao diálogo e à colaboração com o sector privado, com vista a promover parcerias público-privadas no financiamento e construção de habitação a preços acessíveis, particularmente para jovens e famílias de baixa renda.