Friday, April 3, 2026
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Kenmare corta 15% dos postos de trabalho na mina de Moma e suspende dividendo

A Kenmare Resources anunciou o despedimento de 15% dos trabalhadores da mina de Moma, em Moçambique, e a suspensão do dividendo final de 2025, após um ano marcado por uma forte deterioração dos resultados financeiros. O lucro bruto da empresa colapsou 79%, para 18,4 milhões de dólares, face aos 95,4 milhões registados no ano anterior, penalizado pela queda simultânea dos volumes de expedição e dos preços dos minerais de titânio.

A empresa dubliniense registou ainda um prejuízo líquido de 325 milhões de dólares (280 milhões de euros), impulsionado por uma imparidade de 301,3 milhões de dólares reconhecida sobre os activos de Moma, após a revisão em baixa das suas estimativas de receitas de longo prazo num contexto de incerteza persistente sobre os preços.

As receitas caíram 20%, para 312 milhões de dólares, reflexo de uma redução de 13% nas expedições e de uma descida de 6% no preço médio de venda, que se fixou nos 338 dólares por tonelada. O EBITDA ajustado recuou 63%, para 58 milhões de dólares.

A Kenmare já dispensou 200 trabalhadores em Moma nos últimos meses e prevê eliminar mais 20 postos de trabalho no âmbito do plano de redução de custos, confirmou o presidente executivo Tom Hickey. É a primeira vez que a empresa não propõe um dividendo final desde que iniciou os pagamentos aos accionistas em 2019.

“Face às difíceis condições de mercado, tivemos de tomar decisões difíceis mas responsáveis, incluindo a redução de 15% dos trabalhadores em Moma e a suspensão do dividendo final de 2025”, afirmou Hickey, sublinhando o compromisso de retomar os pagamentos “logo que seja prudente fazê-lo”.

A mina de Moma, principal activo do grupo, é responsável por cerca de 6% da produção mundial de titânio. O seu produto principal, a ilmenite, é utilizado no fabrico de tintas, plásticos e têxteis. Embora o preço da ilmenite tenha caído nos últimos três anos consecutivos, Hickey assinalou sinais de estabilização no mercado do zircão que representa cerca de um quarto das receitas e é utilizado na produção de azulejos cerâmicos manifestando cautela quanto ao momento de uma eventual recuperação da ilmenite.

No plano financeiro, os credores africanos da Kenmare Absa Bank, Nedbank, Rand Merchant Bank e Standard Bank já haviam flexibilizado o rácio dívida/EBITDA no ano passado, podendo ser necessário um novo ajustamento em 2026. A dívida líquida situava-se nos 158,8 milhões de dólares em Dezembro, sem vencimentos até 2029. A empresa conta ainda com mais de 150 milhões de dólares em inventários, créditos comerciais e outros activos correntes passíveis de conversão em liquidez nos próximos 12 meses.

A tensão com as autoridades fiscais moçambicanas mantém-se como um factor de risco relevante. Em meses recentes, a administração tributária procurou impor unilateralmente novos encargos de IVA e alfandegários sobre as importações da Kenmare, bem como aumentar a taxa de royalties sobre a produção e exportação de Moma mesmo antes de ser alcançado um novo acordo de implementação que substitua o anterior, expirado no final de 2024. A empresa tinha admitido o recurso à arbitragem internacional, mas o comunicado de resultados adoptou um tom mais conciliatório, referindo que “após reuniões recentes, continuamos a acreditar que existe margem para um resultado negociado mutuamente aceitável”. Hickey confirmou que as negociações decorrem de forma “construtiva”, com ambas as partes a reconhecerem a importância de uma resolução a curto prazo.

As acções da Kenmare caíram mais de 9% na Bolsa de Londres na sequência do anúncio.

Fonte: The Irish Times

Desequilíbrios fiscais ameaçam 50 mil milhões de dólares em projectos de gás, alerta Banco Mundial

O Banco Mundial emitiu um dos alertas mais severos de sempre sobre a situação económica de Moçambique, advertindo que a trajectória actual das finanças públicas coloca em risco a viabilidade de um conjunto de projectos de gás natural avaliado em 50 mil milhões de dólares a maior aposta do país para sair da pobreza.

A instituição de Washington publicou a 25 de Março um relatório que traça um diagnóstico preocupante: a massa salarial pública e o serviço da dívida consumiram 87% das receitas fiscais no ano passado, deixando margem mínima para qualquer outra despesa.

O défice fiscal, financiado sobretudo através dos mercados de dívida doméstica, deverá alargar-se para cerca de 6% do PIB este ano e no próximo, face a 4.1% no ano anterior. Sem medidas concretas de consolidação, os futuros recursos provenientes do GNL poderão acabar por cobrir os custos do actual modelo de despesa ineficiente, em vez de financiarem investimentos de desenvolvimento.

O quadro social agrava a urgência do aviso. A economia moçambicana ainda ressente as consequências dos protestos pós-eleitorais de 2024, que provocaram uma contracção de 0.5% no ano passado. O Banco Mundial projecta um crescimento de apenas 1.1% este ano e 1.8% em 2027, ritmo que ficará abaixo do crescimento populacional até 2028 prolongando o que a instituição designa como uma “década perdida” até 2025. A cada ano, 500 000 moçambicanos entram no mercado de trabalho, mas apenas 30 000 empregos formais são criados.

O relatório identifica ainda a pressão cambial como um risco crescente para a actividade económica. O Banco Mundial alerta que as dificuldades no acesso a divisas se intensificaram, com crescentes atrasos no processamento de transacções em moeda estrangeira através do sistema bancário, estimando-se uma fila de espera acumulada de cerca de 800 milhões de dólares em Novembro passado.

O aviso surge num momento crítico para os megaprojectos de GNL. O projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies e avaliado em 20 mil milhões de dólares, retomou formalmente as operações em Janeiro de 2026, após quatro anos de suspensão. O projecto Rovuma LNG, da ExxonMobil, aguarda decisão final de investimento, e a Eni avança com o Coral Norte. O panorama de financiamento internacional permanece dividido: o banco de exportação dos Estados Unidos aprovou um empréstimo de quase 5 mil milhões de dólares para apoiar o Mozambique LNG, enquanto o Reino Unido retirou o seu compromisso de 1.15 mil milhões de dólares, citando preocupações de segurança e orientações de política climática.

O FMI, em consulta paralela, partilha da preocupação do Banco Mundial. A instituição salienta que as actuais políticas macroeconómicas, nomeadamente os elevados défices fiscais e a necessidade de maior flexibilidade cambial, tendem a agravar as vulnerabilidades da dívida, com défices primários projectados em cerca de 2% do PIB até 2029.

O potencial do GNL permanece intacto com produção antecipada a partir de 2030, o sector oferece um potencial substancial a médio prazo mas a janela para preparar as condições necessárias está a estreitar-se. Para o Banco Mundial, a mensagem é inequívoca: sem consolidação fiscal, Moçambique arrisca que a riqueza do subsolo sirva para tapar défices do presente, em vez de financiar o desenvolvimento do futuro.

Fonte: Bloomberg

Gapi lança Plataforma de Microfinanças para financiar MPMEs

A Gapi lançou recentemente a Plataforma Nacional de Microfinanças para o Financiamento a Micro, Pequenas Empresas e Startups, uma iniciativa que visa reforçar a mobilização de recursos e melhorar a articulação entre instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento e o ecossistema empreendedor.

O lançamento, que foi testemunhado por diversas personalidades, dentre jovens líderes, especialistas, decisores públicos e parceiros institucionais, oorreu durante a realização do seminário nacional de liderança, subordinado ao lema “Acelerando o Desenvolvimento e Inovação”, numa iniciativa conjunta da Gapi e da AIESEC em Moçambique.

A nova plataforma surge como resposta aos desafios persistentes de acesso ao financiamento enfrentados pelas micro, pequenas empresas e startups no país, propondo-se a criar mecanismos mais eficazes, inclusivos e sustentáveis para apoiar o crescimento destes segmentos, considerados fundamentais para a dinamização da economia nacional.

“Queremos usar a proximidade geográfica e cultural que a rede de microfinanceiras membros da AMOMIF (Associação Moçambicana dos Operadores de Microfinanças) tem, para abranger os negócios em todo o país, sobretudo nas zonas rurais”, disse Edwina Ferro, da Unidade de Género e Juventude da Gapi, durante a apresentação da plataforma.

Ferro destacou ainda que “Com a Plataforma, prevemos apoiar e capitalizar dentre oito a doze microfinanceiras, que deverão financiar cerca de 7.000 negócios que se espera que criem 30.000 empregos de forma directa e 100.000 de forma indirecta. Para tal, temos como meta mobilizar cerca de USD 10 milhões junto de diversos parceiros, dentre os quais a cooperação portuguesa, através do FECOP, que já se juntou à iniciativa.”

O seminário serviu igualmente como espaço de debate sobre temas centrais como o empreendedorismo, a digitalização dos negócios e o papel da juventude no desenvolvimento económico. Mais de uma centena de participantes partilharam experiências e discutiram soluções inovadoras para acelerar o progresso social e económico de Moçambique.

A ocasião foi ainda marcada pela celebração dos 36 anos da Gapi, que apresentou a sua Visão Estratégica 2030, focada no reforço do empreendedorismo, da inclusão financeira e do desenvolvimento sustentável.

Com esta iniciativa, a Gapi e a AIESEC em Moçambique reafirmam o seu compromisso em promover uma nova geração de líderes e impulsionar soluções concretas para o crescimento inclusivo e sustentável do país.

Sasol distinguida como terceiro maior contribuinte de IRPC em Moçambique

A Autoridade Tributária de Moçambique (AT) distinguiu a Sasol Petroleum Temane (SPT) como o terceiro maior contribuinte na categoria de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC), durante as comemorações do Dia Nacional do Contribuinte, realizadas a 25 de Março, em Maputo.

A cerimónia coincidiu com o 20.º aniversário da AT, assinalado sob o lema “20 anos da Autoridade Tributária: consolidando o papel do contribuinte na sustentabilidade orçamental”.

O reconhecimento não é inédito, a Sasol mantém-se há vários anos entre os três primeiros lugares desta categoria, afirmando-se como um dos maiores contribuintes do imposto sobre lucros das empresas no país. No exercício financeiro de 2025 correspondente ao período entre Julho de 2024 e Junho de 2025 a empresa registou contribuições de 4,4 mil milhões de meticais em sede de IRPC.

A directora-geral da Sasol em Moçambique, Sónia Matsinhe Chembeze, considerou que a distinção reforça o posicionamento da empresa na economia nacional. “Este reconhecimento, mais uma vez atribuído pela Autoridade Tributária de Moçambique, é uma reafirmação da nossa relevância no mosaico económico nacional, através dos nossos cinco pilares, com enfoque, neste caso, para as contribuições fiscais”, afirmou.

O Dia Nacional do Contribuinte, celebrado a 22 de Março, visa reconhecer o papel das empresas e cidadãos no financiamento das despesas públicas e na sustentabilidade do desenvolvimento económico do país.

Fonte: Lusa

International Conference on African Energy Sovereignty (CISSEA)

Time and date: April 24th

Location: HCTA – Hotel de Convenções Talatona, Via AL 1, Luanda, Angola

Description: International Conference on African Energy Sovereignty (CISSEA)

The International Conference on African Energy Sovereignty (CISSEA) is happening in Luanda, Angola, this April! As the premier oil and gas forum on the continent, this event gathers top-tier decision-makers, strategic consultants, and energy CEOs to map out a sustainable and sovereign future for African energy. Mozambique will be represented on the panel with prominent figures in the field.

Expect a day of high-level networking, insightful panel discussions on local content and renewable energy, and unparalleled connection opportunities within the sector. With limited spots available at the prestigious Talatona Convention Hotel, ensure your seat at the table where the future of African energy is being decided.

Featured Panelists: Alves Lampeão, Nair de Sousa, Florival Mucave, Veronica Choconesa, Estanislau Baptista, and Lopes Pereira(From Mozambique)

MCs: Moisés Antunes, Amelia Conceição, and Benvindo Magalhães.

Cost: $550 USD per person (Limited availability).

For more info:

Phone: +258 84 80 94 750

Email: geral@clubedepetroleo.co.mz

Website: www.cissea.co.mz

Economic & Business Outlook 2026 – Joint CCIFM and AmCham Event

Date and time: April 15th, from 16:30 / 18:45

Location: BCI Headquarters – Avenida 25 de Setembro, Nº 254. Maputo, Mozambique

Description: Economic & Business Outlook 2026 – Joint CCIFM and AmCham Event

Are you ready to navigate the financial landscape of 2026? Join in at the BCI Headquarters on April 15th for an exclusive joint event hosted by CCIFM and AmCham Mozambique.

The event will be featuring Hugo Costa, Head of Financial Markets and Treasury, who will provide an in-depth analysis of the current economic trends and business outlook for the year ahead. This is a premier networking and knowledge-sharing opportunity for business leaders, investors, and professionals looking to stay ahead in the Mozambican market.

Don’t miss this chance to gain a competitive edge through expert financial perspectives.

Organizers: This event is a joint initiative between the France-Mozambique Chamber of Commerce (CCIFM) and the American Chamber of Commerce (AmCham) in partnership with BCI, providing high-level financial insights for the year.

Mozambique-EU Business Forum 2026 | Maputo

Time and date: June 9th, 9:00 AM to June 10th, 5:00 PM.

Location: Maputo, Mozambique.

Description: 2nd Mozambique–EU Business Forum

“Partnering for Green Growth: Unlocking Sustainable Investment Between Mozambique and the European Union”

Prepare yourself for two days of high-level dialogue, partnerships and concrete business opportunities between Mozambique and the European Union.

Please note that the Forum will take place back to back with RENMOZ (Mozambique Renewable Energy Conference).

Please refer to our event section for more information on RENMOZ event.

Why Mozambique?

Mozambique is a strategic investment destination, offering a unique combination of assets and ambitions:

  • Vast natural resources, including critical raw materials
  • Strong commitment to the green energy transition
  • A key maritime gateway to the Indian Ocean and regional economic corridors
  • Ambition to become an energy and logistics hub for Southern Africa

At the same time, the country is accelerating reforms to improve transparency, governance and the investment climate, with a clear objective: unlock private-sector-led, diversified and job-rich growth.

The EU & global gateway: A long-term partnership

The European Union is a reliable and long-standing partner of Mozambique. Through the Global Gateway strategy, the EU and its Member States are scaling up sustainable, high-quality investments that support:

  • Green industrialisation and clean energy
  • Connectivity, transport and digital infrastructure
  • Value-added agribusiness
  • Sustainable tourism

What is this forum about

Building on the outcomes of the first Mozambique–EU Global Gateway Investment Forum, this edition brings together:

  • Businesses and investors
  • Policymakers and public institutions
  • Financial institutions and development partners

With a clear focus on matchmaking and concrete investment opportunities in priority sectors aligned with Mozambique’s development agenda and Global Gateway priorities.

Interacting platform: https://www.eeas.europa.eu/delegations/mozambique/2nd-mozambique-eu-business-forum-2026_en

Use this platform to:

  • Explore the programme and key sessions
  • Connect with relevant participants (once registered and confirmed)
  • Schedule B2B and B2G meetings
  • Identify concrete investment and partnership opportunities

Registration and more information: https://community.eu-africabusinessforum.eu/event/mozambique-eu-business-forum

II FÓRUM DE INVESTIMENTO DO NIASSA

Time and date: April 26–27

Location: Bendiack Village, Nomba – Lichinga, Mozambique

Description: II Niassa Investment Forum

Unlock the untapped potential of Northern Mozambique! The II Niassa Investment Forum will be taking place this April in Lichinga. This year’s event centers on Agriculture and Agro-processing, serving as a premier platform for investors, agribusiness leaders, and innovators to explore sustainable growth and agronomic advancement in the region.

Join in at Bendiack Village to gain exclusive insights into the lucrative opportunities Niassa has to offer. Whether you are looking to scale production or invest in new value chains, this is where the future of Mozambican agriculture takes root.

Register at: www.forumdeinvestimentoniassa.co.mz.

Moçambique ajusta o seu modelo económico: sinais de pressão, mas com oportunidades estruturais em formação

Moçambique entra numa fase de reajuste económico que, embora marcada por desafios evidentes, também abre espaço para uma redefinição estratégica do seu modelo de crescimento.

Mais do que um ciclo negativo, o país atravessa um momento de transição, onde reformas, investimento e reposicionamento institucional poderão determinar a próxima fase de desenvolvimento.

Esta leitura baseia-se no mais recente Mozambique Economic Update 2026, publicado pelo Banco Mundial em conjunto com o Fundo Monetário Internacional, que traça um diagnóstico claro sobre a economia do país e os desafios que se colocam no curto e médio prazo.

Os sinais mais recentes mostram uma economia sob pressão, mas também em processo de reequilíbrio, com oportunidades relevantes a emergir para empresas e investidores com visão de longo prazo.

Realidade macroeconómica

De acordo com o relatório do Banco Mundial e do FMI, o crescimento económico desacelerou nos últimos anos, reflectindo tanto factores internos como externos. A economia chegou a contrair em 2025, evidenciando a necessidade de ajustamentos estruturais.

No entanto, esta desaceleração deve ser lida no contexto de uma economia que está a reorganizar os seus fundamentos. O crescimento projectado mantém-se positivo, ainda que moderado, indicando uma trajectória de recuperação gradual.

Do lado fiscal, o país enfrenta pressões relevantes, sobretudo associadas à estrutura da despesa pública. Uma parte significativa da receita está comprometida com despesas fixas, o que limita o investimento público. Ainda assim, este cenário está a impulsionar uma agenda clara de reformas fiscais e de gestão da dívida, também destacada no relatório.

A inflação, embora pressionada por factores como o aumento dos preços alimentares, tem sido relativamente controlada, sinalizando alguma eficácia na política monetária. Em paralelo, persistem desafios no acesso a divisas, uma das principais limitações apontadas pelo Banco Mundial para a dinâmica do sector privado.

Principais riscos identificados

O relatório identifica riscos relevantes, mas enquadra-os como áreas prioritárias de intervenção. A questão fiscal surge como central. Segundo o Banco Mundial e o FMI, a necessidade de consolidar as contas públicas não é apenas um desafio, é também uma oportunidade para melhorar a eficiência do Estado e a alocação de recursos.

As restrições cambiais continuam a exigir atenção, sobretudo pela sua influência directa na actividade empresarial, sendo apontadas como um dos principais constrangimentos ao crescimento. A dimensão político-social mantém-se como um factor de monitorização, com impacto na previsibilidade do ambiente de negócios.

Por fim, as limitações estruturais, como a baixa produtividade agrícola, são destacadas no relatório como um dos principais entraves ao crescimento inclusivo, mas também como uma das maiores oportunidades de transformação económica.

Implicações para as empresas em Moçambique

Para as empresas, este contexto exige adaptação, mas também cria espaço para posicionamento estratégico. O acesso a financiamento pode tornar-se mais selectivo, num contexto em que o Estado absorve uma parte significativa dos recursos disponíveis no sistema financeiro.

Os custos operacionais, especialmente em sectores dependentes de importações, exigem maior planeamento e gestão cambial, uma realidade amplamente reconhecida no diagnóstico das instituições internacionais.

Ao mesmo tempo, este contexto abre oportunidades para substituição de importações e desenvolvimento de produção local. A necessidade de operar num ambiente mais exigente tende a favorecer empresas mais estruturadas, com capacidade de execução e visão estratégica.

Implicações para investidores

Para investidores, Moçambique mantém-se como um mercado relevante no contexto regional, mas que exige uma abordagem informada e estruturada.

O relatório destaca que o potencial de entrada de investimento estrangeiro continua presente, sobretudo com o avanço de grandes projectos energéticos, como o LNG, e melhorias no enquadramento internacional do país.

A leitura do risco torna-se mais sofisticada. Não se trata apenas de risco elevado, mas de um contexto onde o risco pode ser gerido com o parceiro certo, o sector adequado e uma estratégia bem definida. Investidores com horizonte de médio e longo prazo poderão encontrar oportunidades relevantes, desde que bem posicionados.

Onde ainda existem oportunidades

O potencial económico de Moçambique continua assente em fundamentos claros, também reforçados pelo relatório. O sector de energia, com destaque para o LNG, mantém-se como o principal motor de crescimento futuro. A urbanização crescente cria oportunidades em infraestruturas, habitação e serviços.

O sector agrícola, apesar das suas limitações actuais, é identificado como uma das maiores alavancas de desenvolvimento, sobretudo com ganhos de produtividade. As reformas estruturais em curso poderão, progressivamente, melhorar o ambiente de investimento e criar condições mais estáveis para o sector privado.

O próximo ciclo começa agora

Moçambique atravessa um momento de ajustamento, não de retração definitiva. Como sublinham o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, os desafios são reais, mas também representam uma oportunidade para reposicionar a economia numa trajectória mais sustentável.

Para empresas e investidores, o posicionamento certo passa por compreender o contexto, seleccionar sectores estratégicos e apostar numa visão de longo prazo. Num mercado em transformação, as oportunidades não desaparecem. Tornam-se mais selectivas e, para quem estiver preparado, potencialmente mais valiosas.

Fonte: Mozambique Economic Update 2026, World Bank & International Monetary Fund
https://openknowledge.worldbank.org/entities/publication/c52634d3-1a5a-4c0f-ae0b-5a1bcd915d6d

Moçambique aposta $2 mil milhões no Porto de Maputo como porta regional

A construção da primeira fase do plano de expansão de 2 mil milhões de dólares do porto foi lançada em Janeiro de 2025. Esta fase inicial, orçada em 164 milhões de dólares, tem como objectivo mais do que duplicar a capacidade do terminal de contentores, passando de 255 mil TEUs (unidades equivalentes a vinte pés) por ano para 530 mil TEUs. As obras de infra-estrutura incluem a extensão do cais em 400 metros, para um total de 650 metros, e o aprofundamento do calado do berço para 16 metros, de modo a acolher navios de maior dimensão.

A dimensão estratégica deste projecto vai além da capacidade portuária. O acordo aprovado pelo governo concede à Maputo Port Development Company (MPDC) uma extensão de concessão de 25 anos, até 2058, com investimentos próximos de 1,1 mil milhões de dólares previstos até 2033. A MPDC é um consórcio que reúne a DP World, a Grindrod sul-africana e a empresa pública ferroviária moçambicana Caminhos de Ferro de Moçambique.

Um modelo assente em corredores, não apenas em cais

A aposta moçambicana não se limita à modernização do porto. O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, sublinhou que o desenvolvimento dos corredores envolve a expansão da capacidade portuária, a modernização das linhas ferroviárias, a melhoria das redes rodoviárias e o investimento em sistemas digitais para facilitar o comércio, reduzir a burocracia e acelerar os processos aduaneiros.

No corredor de Maputo, os progressos são já visíveis. A modernização do posto fronteiriço de Ressano Garcia que deverá tornar-se um posto de passagem único é um dos pilares desta estratégia. A digitalização de processos e as melhorias de infra-estrutura já reduziram significativamente os tempos de espera dos camiões, e o corredor tem emergido como uma das alternativas mais eficientes aos portos sul-africanos congestionados.

A isso somam-se novos investimentos logísticos ao longo do corredor. O Corredor Logístico de Maputo (CLM) anunciou um terminal logístico de 50 milhões de dólares, já operacional, com capacidade de armazenagem superior a 50 mil toneladas, destinado a aliviar a pressão nos postos fronteiriços e a reduzir os custos logísticos para a carga em trânsito pela Província de Maputo.

Os resultados recentes reforçam a solidez desta estratégia. Em 2025, o Porto de Maputo atingiu um máximo histórico de 32 milhões de toneladas métricas de carga, um aumento de 3,4% face às 30,9 milhões de toneladas registadas no ano anterior e isto apesar de perturbações operacionais significativas no final de 2024, causadas por agitação pós-eleitoral. O tráfego ferroviário de mercadorias cresceu de forma acentuada, aumentando 17% em termos homólogos, de 9,7 para 11,7 milhões de toneladas em 2025.

Uma visão multi-corredor para a África Central e Austral

A ambição moçambicana não se confina ao corredor de Maputo. O Ministro dos Transportes delineou planos para modernizar os corredores de Maputo, Beira e Nacala, que servem não apenas Moçambique, mas também países sem litoral como o Malawi, o Zimbabwe, a Zâmbia e a República Democrática do Congo.

A estratégia posiciona Maputo como complemento, e não como concorrente de Durban que movimenta anualmente 3,6 milhões de contentores, muito acima do que Maputo projecta atingir. Mais de 95% do tráfego do porto de Maputo é constituído por mercadorias em trânsito de ou para a África do Sul.

É precisamente esta lógica que torna o modelo moçambicano singular: em vez de competir quay a quay com os grandes portos regionais, Moçambique aposta na eficiência de toda a cadeia logística do produtor no interior ao carregamento no navio. O Banco Africano de Desenvolvimento, um dos parceiros estratégicos, tem salientado que a infra-estrutura física por si só não basta, são necessárias medidas de facilitação do comércio, harmonização aduaneira e reforço institucional para concretizar os benefícios dos corredores.

A competição logística na África Austral pode estar a deixar de ser porto contra porto para se tornar corredor contra corredor. E Moçambique parece ter percebido isso antes de muitos. (Simão Djedje)

Fontes: Reuters, Bloomberg, African Business, FurtherAfrica, Serrari Group, Ecofin Agency, portmaputo.com