O antigo Presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), João Dias Loureiro, assumiu recentemente o cargo de Presidente do Conselho Consultivo do grupo empresarial que inclui Nemaro, PI Consulting & Advisory, Transtrevo, Horizon.
Conhecido pela sua capacidade de modernização e competência administrativa, Loureiro traz ao sector privado um currículo sólido. Como Presidente do INE, foi peça-chave na organização de censos e inquéritos, além de estabelecimento de práticas estatísticas robustas, como o uso de tecnologias como Censo e Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR).
Durante a sua liderança no INE, percurso que durou 15 anos, Loureiro participou activamente de fóruns regionais e internacionais, reforçando a sua rede de cooperação profissional com entidades como a Organização das Nações Unidas.
A sua escolha para liderar o Conselho Consultivo sinaliza a intenção dessas empresas, abrangendo sectores como logística e procurement e consultorias diversas de se apoiarem em governança institucional exemplar e orientação estratégica. A expectativa é que o gestor fomente práticas decisórias orientadas por dados, eficiência operacional e transparência corporativa.
O mandato que inicia neste mês de Agosto tem como foco definir linhas estratégicas para o crescimento sustentável, alavancagem de mercados regionais, gestão de riscos e inovação nos modelos de negócios.
Maurilson Ramos, fundador da PI, uma das instituições que faz parte deste grupo empresarial, referiu que o nome de João Loureiro foi unanimemente apoiado, tendo em conta a experiência vasta e comprovada reputação de gestor comprometido com eficiência e clareza estratégica.
Transtrevo é uma empresa multinacional de logística fundada em 2016, com sede em Moçambique e presença em Angola, Portugal, África do Sul, Dubai, Espanha e Brasil. Actua na e execução de soluções logísticas integradas, incluindo transportes internacionais, despacho aduaneiro, consultoria e soluções comerciais para grandes projectos. Já Nemaro é uma empresa voltada para o desenvolvimento de projectos de comunicação e consultoria e gestão de risco. Enquanto que PI é especializada em consultoria financeira, fiscal, contabilística e de recursos humanos.
João Dias Loureiro nasceu em Montepuez, fez o Ensino Primário e Secundário em Pemba, Médio em Contabilidade e Administração de Empresas em Nampula antes da Independência Nacional, Bacharelato (Matemáticas Aplicadas) e Licenciatura (Informática) em Maputo, Diploma de pós-graduação em Buenos Aires, Argentina (População e Desenvolvimento), MSc Research & Social Statistics, MPhil e PhD candidate Economia (Econometria) em Londres – Reino Unido.
Enquanto aluno do último ano do Bacharelato deu aulas de Matemática aos alunos do propedêutico (alunos da Geração 8 de Março) e do Curso de Ciências da Educação. Mais tarde foi técnico de planificação no Ministério da Indústria e Comércio, Estaticista, Chefe de Departamento de Estatísticas Económicas, Director Nacional de Estatística, Presidente do Instituto Nacional de Estatística. Foi consultor em projectos de Desenvolvimento de Estatísticas Oficiais, no país e no estrangeiro.
Loureiro exerceu cargos de Presidente e membro do Conselho Fiscal da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (1996-2012), de Presidente do Conselho de Administração do NOSSO BANCO (2015) e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Cooperativa de Consumo da Polana, CRL em 4 mandatos.
Um dos fundadores da Prevenção Rodoviária de Moçambique (PREROAD Moçambique) e da Associação Moçambicana de Informática (AMINFO), das quais foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral.
Actualmente, reformado do Sector Público, abraçou iniciativas no Sector Privado, nas áreas de Ensino, dos Transportes Rodoviários de Carga, da Construção Civil e assessoria a conselhos de administração.
Profile Mozambique: A Agility inaugurou o seu Logistics Park em Maputo em 2021, com 290 000 m² de terreno e 32 000 m² de armazéns prontos para arrendamento, oferecendo soluções para armazenamento, distribuição e até fabrico ligeiro. Como descreve o percurso desde o lançamento até à actualidade, em termos de crescimento e resposta ao mercado?
Neide Tsenane: Consideramos 2021 como o verdadeiro relançamento do nosso parque logístico em Maputo. Iniciamos as operações em 2019, ainda na fase de implementação, mas rapidamente fomos condicionados pelo impacto da pandemia da Covid-19, que reduziu o mercado a níveis mínimos, nessa altura, contavamos apenas com um cliente. Foi apenas em 2021, já no processo de retoma económica, que conseguimos dinamizar a operação e avançar com a estratégia de crescimento.
Num primeiro momento, tivemos de investir na educação do mercado, sobretudo junto das grandes empresas, para explicar as vantagens de operar num espaço de armazenagem construído segundo padrões internacionais. A realidade habitual em Moçambique é bastante diferente, muitos operadores limitam-se a disponibilizar um espaço para colocar mercadorias ao nível do chão. Trouxemos uma proposta inovadora, com armazéns de 9 metros de altura, que permitem não apenas armazenar na horizontal, mas também optimizar o espaço na vertical.
Quando chegamos, em 2021, tínhamos apenas 10% de ocupação. Encerramos esse mesmo ano com 47% e, desde então, o crescimento tem sido consistente. Hoje, contamos com cerca de 90% de taxa de ocupação, um reflexo claro da aceitação e confiança do mercado.
PM: Em Outubro de 2023, o grupo DSV, operador global de logística, arrendou 12 000 m² no parque, com opção de expansão. Como avalia o interesse crescente de multinacionais e empresas locais? Quais sectores têm mostrado maior procura?
NT: Desde a inauguração do nosso parque logístico, temos registado um interesse crescente de multinacionais e empresas locais, reflexo da confiança nas soluções que oferecemos. A parceria estabelecida, em Outubro de 2023, com o grupo DSV, cujo cliente final é uma reconhecida empresa holandesa de produção e distribuição de cerveja, demonstrou que o nosso espaço reúne condições ideais para operações de grande escala, sobretudo nos sectores de bebidas e de produtos de grande consumo (FMCG).
Já anteriormente tínhamos conquistado clientes estratégicos, como a distribuidora Oceana, que centralizou a sua logística no nosso parque pela combinação de localização privilegiada e elevados padrões de segurança. Muitos dos nossos parceiros enfrentavam, noutros armazéns, problemas de pragas e más condições de conservação, resultando em perdas significativas de mercadoria. Ao transferirem as operações para as nossas instalações, perceberam que, embora o investimento inicial possa ser superior, a redução de prejuízos e a eficiência na distribuição compensam amplamente. Localizados junto a um dos principais eixos de saída de Maputo, oferecemos uma vantagem competitiva para abastecer de forma célere e segura todo o país.
PM: Qual tem sido o contributo do parque para a economia local, em termos de emprego, cadeia de valor e incremento da competitividade logística do país? Existe retroalimentação positiva para sectores como energia, mineração ou produtos de consumo?
NT: O nosso contributo para a economia local começa pelo facto de termos sido pioneiros numa zona onde, até à nossa instalação, praticamente não existiam projectos estruturados. A nossa presença impulsionou a dinamização da área, atraindo outros investimentos e a construção de mais armazéns no entorno. Desde o início, assumimos o compromisso de devolver valor à comunidade que nos acolheu, e uma das formas mais concretas de o fazer foi através da geração de emprego local. Estabelecemos com os nossos subcontratados a exigência de priorizar a contratação de residentes da região, o que permitiu que muitos dos homens e mulheres que hoje trabalham connosco sejam vizinhos próximos do parque, actualmente inserido no município de Marracuene.
Mantemos também uma relação activa com as autoridades municipais, colaborando em iniciativas que reforçam a sustentabilidade e a capacitação da comunidade. Um exemplo é o nosso projecto com a Fundação Clarísse Machanguana, através do qual apoiamos a literacia informática nas zonas circundantes. Reabilitamos o bloco informático de uma escola local e fornecemos computadores, garantindo que crianças e jovens tenham acesso a ferramentas de aprendizagem essenciais para o seu futuro. Desta forma, não apenas fortalecemos a cadeia de valor logística do país, como criamos um impacto social duradouro, promovendo a inclusão e a competitividade a partir da base.
PM: Considerando a política de construção sustentável e gestão ecológica do parque, como enquadra a Agility a sua estratégia de responsabilidade ambiental num quadro económico nacional e regional?
NT: A responsabilidade ambiental é um pilar central da nossa actuação, enquadrando-se tanto na realidade económica nacional como no contexto regional. Levamos este compromisso muito a sério e, actualmente, acreditamos ser o único operador de armazéns em Moçambique com certificação EDGE, reconhecida internacionalmente pelas suas exigências em construção sustentável. Desde o planeamento, incorporamos soluções que reduzem o consumo energético, como o sistema Skylight, que integra aberturas no tecto para permitir a entrada de luz natural, diminuindo a dependência da iluminação eléctrica durante o dia.
Os nossos armazéns foram construídos com painéis “sanduíche”, que garantem melhor isolamento térmico e, simultaneamente, utilizam materiais mais sustentáveis, reduzindo o impacto ambiental. A nossa equipa de engenharia está constantemente a avaliar formas de aperfeiçoar os projectos, assegurando que cada nova infraestrutura seja mais eficiente e amiga do ambiente. Como Grupo Agility, investimos em mercados emergentes com uma perspectiva de longo prazo, não estamos aqui para cinco ou dez anos, mas para permanecer e contribuir de forma duradoura. É nesse sentido que procuramos certificações e adoptamos práticas que não apenas qualificam os nossos empreendimentos actuais, mas também elevam o padrão dos projectos futuros.
PM: Dada a elevada procura por armazéns de referência, há planos de expansão das infra-estruturas ou abertura de novos polos logísticos noutras regiões do país ou na região Austral de África?
NT: Sim, temos planos claros de expansão. Actualmente, a nossa presença em África Austral limita-se a Moçambique, mas estamos activos em outros mercados emergentes do continente, como Gana, Costa do Marfim e regiões do Norte de África. Para Moçambique, especificamente, já definimos um plano de crescimento, que se concentrará na área de Maputo.
Hoje, o nosso parque logístico ocupa apenas um terço da área total que nos foi atribuída. Entre o final deste ano e o início do próximo, planeamos a construção de mais de 20 mil metros quadrados de espaço de armazenagem, elevando a capacidade total do parque para mais de 50 mil metros quadrados. Trata-se de uma marca significativa, rara mesmo na África Austral, em termos de espaço disponível num único local.
Reconhecemos que o mercado está em expansão e que a procura por armazéns de referência cresce a cada dia. Por isso, queremos oferecer uma opção acessível também a pequenas e médias empresas que estão a iniciar as suas operações. Estes novos armazéns terão especificações ligeiramente diferentes, altura menor, adaptação a cargas que não exigem prateleiras elevadas, e plataformas de carregamento ajustadas às realidades locais. Mantemos, no entanto, o padrão de qualidade Agility, garantindo que o produto atenda às necessidades específicas do mercado moçambicano e de diversos setores económicos.
PM: Como potencializa o parque para que empresas nacionais, especialmente PME, acedam a infra-estruturas logísticas de nível internacional? Há programas de apoio ou condições diferenciadas?
NT: Sim, temos plena consciência de que a capacidade financeira de uma multinacional difere da de uma pequena ou média empresa nacional, especialmente aquelas que estão no início do seu percurso. Por isso, procuramos apoiar esses empreendedores de formas adaptadas às suas realidades.
Momentos durante a entrevista
Nem sempre isso se traduz em redução direta do preço do espaço, mas podemos, por exemplo, oferecer períodos de instalação em que a empresa não paga imediatamente a renda, permitindo-lhe organizar a operação e ajustar a sua estrutura de custos antes de assumir plenamente as despesas do parque. Avaliamos cada projecto individualmente, mantendo essa flexibilidade para que o cliente possa “respirar” até atingir um ponto de estabilidade operacional.
Adoptamos esta abordagem porque compreendemos que muitas empresas se intimidam ao comparar os custos com o seu orçamento inicial. Por isso, incentivamos sempre a conversa, conhecer o projecto e o seu potencial é o primeiro passo para encontrar soluções que facilitem o acesso às nossas infra-estruturas de nível internacional, mantendo o padrão de qualidade Agility.
PM: Que desafios regulatórios, cambiais ou infra-estruturais ainda enfrentam e como avalia o quadro de estabilidade e políticas públicas em Moçambique para o desenvolvimento do sector logístico?
NT: No nosso envolvimento com a cadeia logística, enfrentamos desafios ligados principalmente à infra-estrutura e à organização urbana. Por exemplo, estamos num município em fase de aprendizagem, e algumas questões não avançam na velocidade desejada. Um caso concreto é o acesso ao nosso parque, actualmente, quem circula pelo local precisa fazer um desvio de mais de cinco quilómetros para chegar aos armazéns. Desde o início, já sinalizamos às autoridades a necessidade de vias de acesso mais eficientes, que optimizarão significativamente as operações logísticas.
Acreditamos que a melhoria das infra-estruturas, como acessos viários, terá um impacto directo na eficiência do setor. Com a criação recente de um ministério dedicado, esperamos que estas questões recebam atenção prioritária. Ademais, defendemos uma abordagem colaborativa na logística, em que empresas como a Agility oferecem suporte a agentes que não possuem infraestrutura própria. Dessa forma, podemos juntos criar soluções completas para o mercado, permitindo que clientes e operadores logísticos utilizem nossos espaços para armazenagem, manutenção de cargas e serviços complementares. Este tipo de parceria contribui para fortalecer toda a cadeia logística nacional.
O Ministro da Economia, Basílio Muhate, anunciou recentemente, a criação de uma central de compras públicas com o objectivo de reduzir custos, combater a corrupção e restaurar a dignidade no Estado.
Intervindo durante a abertura do primeiro congresso de Governação Corporativa, que aconteceu na cidade de Maputo, o governante explicou que a plataforma “será o coração de todas as compras públicas”, ajudando também a planificar, coordenar, supervisionar e fiscalizar o processo de aquisição, garantindo que “cada metical seja investido de maneira justa e eficiente.”
“Esta medida vai reduzir os custos, combater a corrupção e, acima de tudo, restaurar a dignidade do nosso sistema de compras públicas, dirigido por pessoas íntegras e de merecido mérito. Haverá uma supervisão mais forte e rigorosa, com comités independentes para monitorizar os investimentos e as acções estratégicas do Estado”, acrescentou.
Recentemente, o Executivo fez saber que o Estado arrecadou 171,8 mil milhões de meticais (2,3 mil milhões de dólares) em receitas até Junho de 2025, valor que representa menos de metade do previsto para o ano.
Os Projectos de Grande Dimensão (PGD) e Concessões Empresariais canalizaram cerca de 1,6 mil milhões de dólares para os cofres do Estado entre 2015 e 2024, segundo dados da Conta Geral do Estado (CGE). A análise, baseada na tabela “Informação Sobre Desempenho Económico-Financeiro dos PGD”, revela o peso destes empreendimentos na economia nacional, apesar da exclusão dos dados referentes a 2018, ano em que essa informação não foi publicada.
No ranking, a Sasol Petroleum Temane Lda. ocupa a liderança destacada, com contribuições robustas resultantes, sobretudo, da exploração de gás natural. O projecto da Vale Moçambique (actual Vulcan) surge em segundo lugar, seguido da Kenmare em terceiro, enquanto a Mozal ocupa a quarta posição.
No período em análise, além de aproximadamente 551 milhões de dólares em impostos, o gás de Pande e Temane acrescentou 710 milhões de dólares provenientes da participação de 25% do Estado na concessão PPA. O peso fiscal e económico da Sasol deverá crescer nos próximos anos, com a entrada em operação da concessão PSA, da Sasol Petroleum Mozambique Lda., que prevê a produção anual de 30 mil toneladas de gás de cozinha (GPL) e o fornecimento de gás à CTT, destinado à geração de 450 MW de energia elétrica.
Os dados demonstram ainda que, em 2024, os PGD empregavam cerca de 6 500 trabalhadores directos, para além de gerarem impacto indireto através das cadeias de fornecimento e do contributo para a balança de pagamentos.
A divulgação pública destes números constitui um marco de transparência e reforça a necessidade de um debate informado sobre políticas fiscais, partilha de benefícios e o papel estratégico dos grandes projectos no desenvolvimento nacional.
Dados do Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento de Estado (PESOE) do primeiro semestre de 2025, divulgado na última sexta-feira, revelam que o Estado arrecadou mais 45.24 milhões de USD, provenientes das receitas de exploração do gás natural da bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.
De acordo com o documento aprovado, semana finda, pelo Governo, dos 45.24 milhões de USD cobrados no primeiro semestre, 16,68 milhões de USD vêm do Imposto de Produção; 17,08 do Petróleo-Lucro; e 11,49 resultam de bónus de produção.
No total, desde finais de 2022, o gás natural da bacia do Rovuma já produziu 209,93 milhões de USD, de acordo com o Balanço do PESOE. O Governo diz, no documento, que o montante foi depositado na Conta Transitória, sediada no Banco de Moçambique.
Lembre-se que o Tribunal Administrativo revelou, em seu Relatório e Parecer sobre a Conta Geral de Estado de 2023, a ausência de 33.65 milhões de USD na Conta Transitória, uma sub-conta do Fundo Soberano, destinada ao depósito das receitas do gás do Rovuma, antes da sua divisão pelo Orçamento de Estado (60%) e pelo Fundo Soberano (40%). O valor era correspondente às receitas do Imposto de Produção.
Em defesa do Executivo, a Ministra das Finanças, Carla Louveira, revelou, no Parlamento, que o Governo nunca depositou as receitas do Imposto do Produção Mineira, domiciliada no Banco de Moçambique, embora os relatórios trimestrais do Governo indicassem que o valor estava depositado na Conta Transitória.
“No tocante ao reporte das receitas do gás, na Conta Geral do Estado de 2023, essas receitas são provenientes de três fontes: o imposto de produção mineira, petróleo-lucro e bónus de produção. De Dezembro de 2022 a Fevereiro de 2024, o Imposto de Produção Mineira foi pago à Autoridade Tributária e recolhido para a Conta Única do Tesouro e executado no Plano Económico e Social e Orçamento de Estado de 2022, 2023 e 2024”, disse Louveira, na altura.
O fortalecimento da governação corporativa voltou a dominar a agenda empresarial em Moçambique, desta vez no âmbito do Primeiro Congresso Nacional de Governação Corporativa, realizado no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo. O encontro, promovido pelo Instituto de Governação Corporativa de Moçambique (IGCmz) com apoio do Standard Bank e da Universidade Politécnica, reuniu cerca de 300 participantes, entre gestores, académicos, políticos e especialistas nacionais e internacionais.
Na ocasião, a presidente do Conselho de Administração do Standard Bank, Esselina Macome, defendeu o investimento contínuo em novas tecnologias como elemento central para garantir boas práticas de governação, sublinhando que o país ainda se encontra numa fase incipiente nesse domínio. Para a dirigente, a transformação digital, impulsionada pela inteligência artificial, deve ser vista como uma aliada das instituições, ajudando a melhorar a tomada de decisões e a eficiência organizacional. “Hoje já não é possível uma organização operar sem tecnologia, e se pretende ser eficiente, precisa integrá-la nos seus processos”, afirmou, acrescentando que cabe aos conselhos de administração não apenas promover, mas também capacitar-se para acompanhar os desafios desta era digital.
Macome reforçou ainda a necessidade de avançar para modelos de conselhos de administração com maioria independente, em linha com padrões internacionais, alertando para a falta de uniformidade no país quanto à estrutura de governação entre diferentes sectores e instituições.
Por seu turno, o presidente do IGCmz, Daniel Tembe, reconheceu que a prática da boa governação continua a ser limitada na maioria das empresas nacionais, com exceção dos sectores bancário, segurador e multinacionais. Sublinhou, contudo, que questões de ética e integridade vão além da legislação e dependem do compromisso das organizações. O instituto, disse, tem vindo a apoiar as empresas com cursos de capacitação, palestras e apoio na formulação de códigos de conduta, de modo a estimular a transição gradual de mais companhias do sector informal para o formal.
A mineradora australiana South32 anunciou, esta quinta-feira, que poderá encerrar temporariamente as operações da fundição de alumínio Mozal, em Moçambique, devido à indefinição nas negociações para garantir um fornecimento de energia a preços competitivos após o fim do actual contrato, previsto para Março de 2026.
Em comunicado à bolsa, a empresa indicou que registará uma imparidade de 372 milhões de dólares nos activos da Mozal e que irá reduzir investimentos, incluindo a suspensão de actividades como o revestimento de cubas de produção. A decisão surge após longas negociações com o Governo moçambicano, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), principal fornecedora de energia, e a sul-africana Eskom, que actualmente complementa o abastecimento quando necessário.
O director executivo da South32, Graham Kerr, sublinhou que a proposta actualmente em discussão “tornaria o projecto financeiramente inviável, resultando em fluxos de caixa negativos todos os meses”. Kerr acrescentou que a empresa mantém esperança numa solução que assegure a continuidade da operação para além de 2026, dada a “substantial contribuição da Mozal para a economia moçambicana”.
A empresa prevê que a sua quota de produção anual caia de 355 mil toneladas em 2025 para cerca de 240 mil toneladas em 2026, caso o fornecimento de energia não seja garantido em condições competitivas. Esta é a segunda vez, em menos de um ano, que a South32 alerta para potenciais perdas no projecto, depois de protestos nacionais, em Dezembro passado, terem afectado a produção.
O FNB Moçambique reabriu esta terça-feira, dia 12, a sua agência no Interfranca Shopping Center, em Maputo, agora totalmente reabilitada para reforçar conforto, modernidade e eficiência tecnológica.
A reinauguração contou com a presença de representantes do Conselho Municipal de Maputo, do Banco de Moçambique, do director de retalho do FNB Moçambique, da gerente da agência, além de clientes e parceiros da instituição.
Nasser Meggi, director de retalho, sublinhou que a intervenção insere-se na estratégia de transformação do banco, visando melhorar o atendimento ao público e proporcionar ambientes mais acolhedores tanto para colaboradores quanto para clientes, sejam pessoas singulares ou colectivas.
Adilson Martins, CEO do FNB, destacou as inovações tecnológicas introduzidas: “Além do conforto e conveniência, trazemos inovação, multibanco com funcionalidade de depósito, rede interna de internet sem fios, gabinetes gerenciais e sala de reuniões. O espaço está completamente renovado e diferente”.
Para Alexandre Muianga, conselheiro para Atividades Económicas e Turismo na Câmara Municipal de Maputo, esta modernização fortalece a infraestrutura financeira da capital e aproxima os serviços bancários das necessidades da população. Ele ressaltou que “esta agência é uma ponte entre a visão de crescimento da cidade e os recursos necessários para a concretizar.”
Gabriel Domingos, director de Serviços Bancários e Sistemas de Pagamento do Banco de Moçambique, considerou que a reforma está alinhada com as políticas nacionais, promovendo um ambiente financeiro mais competitivo, estável e inclusivo.
A satisfação dos clientes foi igualmente expressiva. Luís Manuel Dias de Carvalho, cliente do FNB há 16 anos, referiu que “o novo banco representa maior facilidade e melhor qualidade na minha ligação com ele. Alegro-me em ver que o FNB está a melhorar e crescer, fazendo com que os clientes se sintam mais próximos e confortáveis ao visitar a agência quando necessário”.
Originalmente inaugurada em 2007, a agência Interfranca ocupa uma área de 140 m² e oferece uma vasta gama de serviços bancários, incluindo operações básicas, soluções personalizadas para empresas e particulares, automação através de multibancos e terminais de depósito automático.
O Banco de Moçambique (BdM) está a acelerar a definição de critérios para retirar de circulação as moedas metálicas impróprias, no âmbito de um conjunto de medidas destinadas a reforçar a eficiência e a integridade nas operações da instituição.
O anúncio foi feito no último sábado (9), pelo governador Rogério Zandamela, durante a abertura da 6.ª Reunião Anual de Directores de Delegações, realizada em Quelimane, dedicada à gestão de tesouraria e ao reforço dos recursos humanos, considerados activos estratégicos do banco central.
Criadas em 2018, estas reuniões anuais realizam-se de forma rotativa nas regiões Norte, Centro e Sul do País, constituindo uma plataforma de consulta directa e de coordenação entre a direcção central e as delegações provinciais.
Citado pela AIM, Zandamela recordou que, ao longo das edições anteriores, foram alcançados avanços significativos, como a revisão do quadro-padrão e dos manuais de funções, a melhoria dos processos de recrutamento, a contratação de serviços externos, a automatização da truncagem de cheques e a integração das delegações nas bases de dados do Registo Central de Emitentes de Cheques sem Provisão e do Registo de Crédito.
Entre as medidas em curso, destacou a capacitação das unidades de gestão de numerário, a delegação de competências para a aquisição de bens e serviços e a utilização de inteligência artificial para monitorizar as tesourarias.
No domínio tecnológico, salientou a implementação do sistema de liquidação bruta em tempo real, a compensação electrónica e o Número Único de Identificação Bancária, ferramentas que também contribuem para o combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo.
Na mesma ocasião, a administradora Gertrudes Tovela classificou o encontro como fundamental para reforçar a comunicação estratégica, sublinhando que decorre num ano em que se assinalam os 50 anos do Banco de Moçambique e os 45 anos da criação do metical. Já o director da delegação de Quelimane, Jorge Namurás, agradeceu a escolha da cidade para acolher a reunião.
Paralelamente ao evento, Zandamela inaugurou, na sexta-feira (8), o Largo do Metical em Quelimane, o oitavo do género no País, construído em parceria com o Conselho Municipal local. O espaço, concebido como ponto de encontro comunitário, dispõe de zonas verdes, área de ginástica, sala comunitária e acessibilidade universal, integrando o programa de responsabilidade social do banco central.
O presidente do Conselho Municipal, Manuel de Araújo, considerou o projecto uma homenagem à soberania e à moeda nacional, apelando à sua preservação. Para Zandamela, o largo simboliza a identidade e a autonomia económica do País e deverá tornar-se uma montra para a cidade.
A nossa visão é de construir um Moçambique industrializado, competitivo e inclusivo, onde o sector privado é o parceiro essencial na geração de riqueza, emprego e inovação.
O Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, foi palco na manhã desta Quarta-feira, da realização da Assembleia Geral Anual de Accionistas do Africa50.
No seu discurso de abertura do evento, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, disse que Assembleia Geral do Africa50, reveste-se de grande signifacado para Moçambique e para o continente africano.
O Africa50 é para Moçambique, um parceiro central na concretização da visão que nós temos para os próximos anos. Desde a nossa adesão em 2024, temos agido rapidamente para aprofundar a cooperação e transformar ideias em projectos estruturantes que permitem desenvolver Moçambique, criar emprego para a nossa juventude, gerar renda para a nossa população, prover mais recursos para o Cofre de Estado e investirmos no desenvolvimento económico, social, ambiental, cultural e sustentável deste nosso Moçambique, sublinhou.
A Ministra das Finanças, Carla Loveira intervindo na cerimónia, disse que ao nível do Ministério das Finanças, uma das áreas de foco é a forma como é financiado o desenvolvimento de infraestruturas e todas as demais necessidades do país para impulsionar um crescimento económico inclusivo e sustentável.
É neste contexto que a nossa adesão à Africa50 como accionista baseia-se no pressuposto de vantagens mútuas, isto é, subscrevemos a esta organização para que, nos apoie em diversos segmentos de actuação, com destaque para, Desenvolvimento de Projectos, para torna-los bancáveis; aceleração do financiamento de infraestruturas e injecção de capital para dinamizar o crescimento económico, frisou a dirigente.
Por seu turno, o PCA do Africa50, Alain Ebobissé, garantiu que a sua instituição financeira vai apoiar o desenvolvimento do país priorizando os sectores de energia, transporte e comunicação digital.
Com efeito, estamos em Mocambique para partilhar ideias sobre o que queremos para África e para o nosso continente, vamos igualmente testemunhar neste evento a assinatura de memorandos de entendimento para a emissão de Licenças de Fibra numa base Acelerada, Desenvolvimento de um Novo Centro de Dados, denominado Projecto East2West, e Memorando de Entendimeno de três linhas de transporte e subestações associadas, em regime de Transmissão Independente de Energia (IPT), em parceria com a PowerGrid Corporation of India e a Electricidade de Moçambique (EDM) .
Refira-se que o Africa50 é uma organização Pan-africana criada pelos Governos africanos para impulsionar a aceleração de desenvolvimento e investimento em infrastruturas. Moçambique aderiu ao Africa50 no dia 09 de Fevereiro de 2024, tornando-se membro accionista com plenos direitos.