Monday, April 13, 2026
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Pedro Cossa is the new CEO of the Mozambique Stock Exchange

Pedro Frederico Cossa, 41, has been appointed Chairman of the Board of Directors (PCA) of the Mozambique Stock Exchange (BVM) during the General Assembly held on March 12, 2025, in Maputo. Cossa’s career at BVM began in 2009, where he held various leadership positions, including Deputy Director of Operations. In July 2024, he assumed the role of Financial Administrator at the Municipal Mobility and Parking Company of Maputo City. Since 2016, Cossa has also served as a university lecturer and is the current president of the Mozambican Association of Economists (AMECON), contributing significantly to the development of Mozambique’s economic sector.

An expert in Development Economics, Cossa holds a master’s degree in the field from Eduardo Mondlane University and a bachelor’s degree in Management and Finance from the Higher Institute of Transport and Communications. His commitment to continuous education is evidenced by additional certifications in Financial Literacy from the University of Pretoria, Financial Markets from the Banking Training Institute of Portugal, and the First Certificate in English from the University of Cambridge.

Between 2015 and 2020, Cossa served as a deputy in the Assembly of the Republic of Mozambique, integrating the Defense, Security, and Public Order Commission. He was also Secretary-General of the Mozambican Youth Organization (OJM) and held positions as financial and human resources administrator at the Municipal Mobility and Development Company (EMME).

With a solid trajectory in economics, financial markets, and public policies, Cossa has dedicated himself to training professionals, teaching subjects such as Financial Systems and Markets and Business Management. His analytical and strategic approach, combined with practical experience in governance, allows him to add value to initiatives that promote innovation and progress in Mozambique’s economic sector.

Beyond his involvement in the economic sector, Cossa demonstrates a strong passion for promoting a sustainable environment through soft mobility. He believes that adopting sustainable transportation solutions, such as electric bicycles, can play a fundamental role in improving quality of life, reducing environmental impact, and building more inclusive and efficient cities.

ADIN anuncia 6M$ para projectos de desenvolvimento

A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) acaba de alocar mais fundos para a materialização de projectos de desenvolvimento social e económico nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula.

Trata-se de um montante global de seis milhões de dólares, que será canalizado à ActionAid Moçambique, Associação de Apoio e Assistência Jurídica às Comunidades, Fundação Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil, Associação Kuendeleya, Fundação Nunisa e Conselho Cristão de Moçambique.

Falando ontem, terça-feira (11), em Maputo, durante a assinatura dos contratos de financiamento, o presidente da Comissão Executiva da ADIN, Jacinto Loureiro, explicou que cada organização vai receber um milhão de dólares a título de donativo para realizar projectos de geração de emprego, ocupação juvenil, infra-estruturas sociais e meios de subsistência para a população do Norte do País.

“Este projecto, iniciado em 2023, visa mitigar os efeitos do terrorismo no Norte do País, e nesta primeira fase está avaliado em 12 milhões de dólares, dos quais já foram disponibilizados quatro. Hoje desembolsamos mais seis para as instituições implementadoras”, explicou Loureiro.

Citado pelo jornal Notícias, a fonte acrescentou, igualmente, que os resultados dos projectos já financiados são visíveis e traduzem-se na mitigação dos efeitos do terrorismo e integração da juventude em diferentes actividades de geração de renda e recreativas.

“As organizações envolvidas neste processo estão a fazer um bom trabalho; temos visto nos distritos e localidades os efeitos de diferentes iniciativas que se traduzem no empoderamento dos jovens e mulheres”, frisou.

A este propósito, Jacinto Loureiro assegurou que ainda neste trimestre serão inauguradas 67 infra-estruturas, num universo de 200 a serem erguidas este ano, com destaque para escolas, unidades sanitárias, estradas, fontes de água, entre outras, destruídas pelos terroristas.

Grindrod corta dividendos em 55% devido a interrupções na fronteira de Lebombo/Resssano Garcia

A empresa de logística de carga Grindrod cortou os seus dividendos na ordem de 55% devido ao encerramento da fronteira de Lebombo do lado sul-africano, Ressano Garcia do lado moçambicano no período das manifestações pós-eleitorais em Moçambique, no último trimestre de 2024.

Após avançar que no ano passado os seus lucros caíram para mil milhões de randes, a empresa viu as suas acções caírem na ordem de 6%. Mas, segundo o IOL, esse descarrilamento se deve aos preços das commodities e inundações.

O grupo sofreu impactos 4,4 milhões de toneladas anuais em volume e 200 milhões de randes em lucros totais no último trimestre de 2024, por conta do movimento intermitente da fronteira.

Os resultados mais fracos ocorreram apesar do grupo ter se posicionado por meio de uma série de acordos e iniciativas para se tornar um grande operador e parceiro em diversas oportunidades de investimento em infraestrutura logística, incluindo ferrovia na África do Sul.

A Anchor Capital disse em uma nota que, embora a recente agitação civil em Moçambique tenha sido uma preocupação, os resultados da Grindrod foram bem orientados, e sua perspectiva era promissora.

Rui Bispo: “A F3M está a consolidar o caminho para a liderança no sector tecnológico”

Profile Mozambique: A F3M Moçambique faz parte de um grupo com mais de 38 anos de experiência e tem uma presença consolidada no país desde 2012. Pode partilhar um pouco mais sobre a origem da empresa e o significado do nome “F3M”?

Rui Bispo: A F3M Moçambique é uma empresa que opera no país desde 2012, sendo parte do grupo F3M sedeada em Portugal, que conta com mais de 38 anos de existência. A empresa dedica-se ao desenvolvimento de software e à implementação de projectos personalizados, além de manter, desde a sua fundação, uma parceria estratégica com a Cegid Primavera.

A F3M Moçambique especializa-se na comercialização e implementação de ERPs e software de gestão para empresas em Moçambique, contribuindo para a optimização dos seus processos operacionais.

Quanto à origem do nome “F3M”, este remonta à fundação da empresa por quatro jovens universitários, cujas iniciais deram origem à designação. Actualmente, apenas um dos fundadores, Pedro Fraga, continua ligado à instituição.

PM: Quais são os principais sectores de actuação da F3M Moçambique e como as soluções oferecidas têm contribuído para o desenvolvimento desses sectores?

RB: A F3M, através da sua parceria com a Cegid Primavera, disponibiliza o software Primavera, uma solução amplamente reconhecida no mercado. Trata-se de um software horizontal, ou seja, pode ser implementado em diversas áreas de negócio e personalizado de acordo com as necessidades específicas de cada cliente.

Ademais, a F3M é também uma software house, dedicada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas especializadas. Neste âmbito, cria e implementa softwares verticais, concebidos para responder às exigências específicas de sectores de actividade determinados.

PM: Qual é a participação de mercado da F3M Moçambique no sector em que actua?

RB: Nos sectores em que actuamos com os nossos softwares próprios, como é o caso das ópticas e dos jardins de infância, a F3M é, claramente, líder de mercado.

No que diz respeito aos softwares de gestão, no âmbito da nossa parceria com a Cegid Primavera, ocupamos um estatuto elevado, o que nos confere uma participação de mercado significativa e um reconhecimento sólido. Esta posição permite-nos atender a todos os clientes com a máxima atenção, mas, ao mesmo tempo, dispomos da capacidade necessária para responder, de forma eficaz, às exigências das médias e grandes empresas.

Rui Bispo, Managing General da F3M Moçambique

PM: Recentemente, a F3M expandiu a sua oferta de formação online para Moçambique, após um aumento significativo na procura em Portugal. Quais têm sido os resultados dessa iniciativa e como ela tem impactado os profissionais e empresas locais?

RB: A formação é um pilar essencial para os nossos clientes, e a F3M investe continuamente nesse aspecto para garantir que utilizem os nossos ERPs e softwares de forma eficaz e sem dificuldades. O nosso objectivo é mantê-los sempre actualizados, uma vez que os softwares estão em constante evolução, tanto devido aos avanços tecnológicos como às mudanças fiscais e legais nos diferentes países.

Nesse sentido, procuramos estreitar a nossa relação com os clientes, focando-nos na capacitação dos seus profissionais. Com isso, asseguramos que conseguem utilizar e dar continuidade, dentro das suas empresas, às soluções que comercializamos.

Por outro lado, a F3M distingue-se pela sua equipa multidisciplinar, preparada para responder de forma eficiente às diversas necessidades do mercado.

PM: Quais são os principais desafios que a F3M Moçambique enfrenta no mercado actual e quais estratégias estão a ser implementadas para os superar?

RB: Os desafios que enfrentamos passam, naturalmente, pela concorrência. Para nos diferenciarmos, procuramos sempre oferecer um produto e um serviço distintos, seja através de uma consultoria especializada ou de uma implementação diferenciada.

Apostamos fortemente na comunicação com o cliente e mantemos uma estratégia focada na excelência do trabalho que desenvolvemos desde 2012. O nosso compromisso é continuar a crescer e a evoluir, garantindo, assim, as melhores soluções e um atendimento de qualidade para os nossos clientes.

PM: Quais têm sido os principais reconhecimentos e prémios atribuídos à F3M Moçambique nos últimos anos, e de que forma essas distinções reflectem a vossa aposta na certificação dos consultores e na qualidade dos projectos entregues?

RB: A F3M tem apostado fortemente na certificação dos seus consultores, o que não só reforça a confiança dos nossos clientes, como também leva ao reconhecimento do nosso trabalho e à recomendação dos nossos serviços. Esta abordagem tem-nos permitido realizar projectos de acordo com as expectativas dos clientes e impulsionar o crescimento da nossa base de clientes ao longo dos anos.

No âmbito da nossa parceria com a Cegid Primavera, que distingue anualmente os seus parceiros, temos sido reconhecidos em várias ocasiões. Mais recentemente, em 2023, fomos premiados como o Melhor Parceiro do Ano de 2022, um reflexo do nosso compromisso com a excelência e a qualidade dos serviços que prestamos.

PM: Quais são as expectativas da F3M Moçambique em relação ao desenvolvimento do sector de tecnologias de informação e comunicação no país nos próximos anos?

RB: A transformação digital em Moçambique já deu passos importantes, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Acredito que, nos próximos anos, será fundamental que a economia moçambicana se torne mais digital e adopte mais soluções de software de gestão.

Os pequenos comerciantes, que ainda dependem do papel, terão que se adaptar à evolução das tecnologias, seja por questões fiscais ou pela necessidade de acompanhar as mudanças do mercado. Essa evolução digital será essencial para evitar que Moçambique fique para trás, enquanto outros países, mais rápidos na adaptação, avançam e ganham competitividade.

Sobre F3M

A F3M é uma referência no domínio das tecnologias de informação e comunicação. Com origem em Portugal e mais de 30 anos de existência, iniciou o seu processo de internacionalização no ano de 2006, marcando presença em 8 países.

Rui Bispo: “F3M is consolidating the path to leadership in the technological sector”

Profile Mozambique: F3M Mozambique is part of a group with over 38 years of experience and has had a solid presence in the country since 2012. Could you share a bit more about the origin of the company and the meaning behind the name “F3M”?

Rui Bispo: F3M Mozambique has been operating in the country since 2012, and it is part of the F3M group based in Portugal, which has over 38 years of existence. The company specializes in software development and the implementation of customized projects, as well as maintaining a strategic partnership with Cegid Primavera since its foundation.

F3M Mozambique focuses on the commercialization and implementation of ERPs and management software for companies in Mozambique, helping optimize their operational processes.

As for the origin of the name “F3M,” it dates back to the company’s foundation by four university students, with the initials of their names forming the designation. Currently, only one of the founders, Pedro Fraga, remains with the company.

PM: What are the main sectors of operation for F3M Mozambique, and how have the solutions provided contributed to the development of these sectors?

RB: Through our partnership with Cegid Primavera, F3M offers Primavera software, a widely recognized solution in the market. It is a horizontal software, meaning it can be implemented in various business areas and customized according to the specific needs of each client.

Additionally, F3M is also a software house, dedicated to developing specialized technological solutions. In this scope, we create and implement vertical software tailored to meet the specific requirements of certain industry sectors.

PM: What is F3M Mozambique’s market share in the sector in which it operates?

RB: In the sectors where we operate with our proprietary software, such as opticians and kindergartens, F3M is clearly the market leader.

Regarding management software, within our partnership with Cegid Primavera, we hold a high status, which gives us a significant market share and solid recognition. This position allows us to serve all clients with the utmost attention, while also having the capacity to effectively meet the needs of medium and large enterprises.

PM: Recently, F3M expanded its online training offering to Mozambique after a significant increase in demand in Portugal. What have been the results of this initiative, and how has it impacted local professionals and businesses?

RB: Training is an essential pillar for our clients, and F3M continuously invests in this area to ensure they use our ERPs and software effectively and without difficulties. Our goal is to keep them always up to date, as software is constantly evolving, not only due to technological advancements but also because of fiscal and legal changes in different countries.

In this sense, we focus on strengthening our relationship with clients, concentrating on training their professionals. This ensures they can use and continue with the solutions we sell and market within their companies.

On the other hand, F3M stands out for its multidisciplinary team, which is prepared to respond efficiently to the various needs of the market.

PM: What are the main challenges F3M Mozambique faces in the current market, and what strategies are being implemented to overcome them?

RB: The challenges we face naturally stem from competition. To differentiate ourselves, we always aim to offer a distinct product and service, whether through specialized consulting or differentiated implementation.

We invest heavily in communication with our clients and maintain a strategy focused on the excellence of the work we have been developing since 2012. Our commitment is to continue growing and evolving, ensuring the best solutions and quality service for our clients.

PM: What have been the main recognitions and awards given to F3M Mozambique in recent years, and how do these distinctions reflect your commitment to certifying consultants and the quality of the projects delivered?

RB: F3M has strongly invested in certifying its consultants, which not only enhances client trust but also leads to recognition of our work and the recommendation of our services. This approach has allowed us to carry out projects according to client expectations and boost the growth of our client base over the years.

Within our partnership with Cegid Primavera, which annually recognizes its partners, we have been acknowledged on several occasions. Most recently, in 2023, we were awarded the Best Partner of the Year for 2022, reflecting our commitment to excellence and the quality of the services we provide.

PM: What are F3M Mozambique’s expectations regarding the development of the Information and Communication Technology sector in the country in the coming years?

RB: Digital transformation in Mozambique has already taken important steps, but there is still a long way to go. I believe that, in the coming years, it will be essential for the Mozambican economy to become more digital and adopt more management software solutions.

Small traders, who still rely on paper, will need to adapt to the evolution of technology, whether for fiscal reasons or to keep up with market changes. This digital evolution will be essential to prevent Mozambique from falling behind, as other countries, faster to adapt, will move ahead and gain competitiveness.

About F3M

F3M is a reference in the field of Information and Communication Technologies. With origins in Portugal and over 30 years of existence, the company began its international expansion in 2006 and is now present in 8 countries.

Kenmare: Ex-CEO disputa Mina de Moma com proposta acima de 600 milhões de dólares

O ex-presidente executivo da Kenmare Resources, Michael Carvill, está a liderar uma tentativa de aquisição da empresa, em parceria com o fundo de investimento Oryx Global Partners, sediado em Abu Dhabi. A proposta apresentada para a compra da mina moçambicana de Moma ascende a 615 milhões de dólares (39 mil milhões de meticais).

De acordo com informações divulgadas pela própria Kenmare, a oferta inicial, equivalente a 615 milhões de dólares (39 mil milhões de meticais), representava um prémio de 92% sobre o valor de mercado da empresa antes do anúncio.

No entanto, a administração da Kenmare rejeitou a proposta, considerando que subestima o verdadeiro valor da empresa. Apesar disso, foi concedida à Oryx e a Carvill a possibilidade de analisar as contas da companhia, abrindo caminho para uma eventual revisão da oferta.

A mina de Moma, localizada em Moçambique, é uma das principais fontes mundiais de minerais de titânio e zircão, amplamente utilizados nas indústrias de tintas, plásticos, cerâmica e têxteis. A Kenmare detém 7% do mercado global de ilmenite, um dos principais produtos extraídos na mina.

Apesar da sua importância estratégica, a empresa tem enfrentado desafios relacionados com a queda dos preços dos minerais de titânio, a instabilidade política no País e atrasos nas negociações de um novo regime de royalties com as autoridades locais. A empresa encontra-se ainda a meio de um grande programa de investimento, avaliado em centenas de milhões de dólares, que inclui a modernização e relocalização da sua principal instalação de extracção dentro do complexo de Moma.

Michael Carvill, de 65 anos, liderou a Kenmare desde a sua fundação e desempenhou um papel central no desenvolvimento da mina de Moma. A empresa iniciou a exploração do depósito mineral em 1987, e a produção arrancou em 2007. Carvill deixou a administração da empresa em 2024, num contexto de pressões para uma possível venda da mineradora.

O analista Richard Hatch, do banco de investimento Berenberg, afirmou que Carvill parece reconhecer um valor maior na Kenmare do que o mercado lhe atribui actualmente. Segundo Hatch, um aumento da oferta para cerca de 7,50 dólares (480 meticais) poderia ser considerado justo e benéfico para os accionistas.

Carvill, que actualmente detém cerca de 0,6% da empresa, poderá beneficiar de um plano de incentivos baseado em acções, caso a aquisição pela Oryx seja bem-sucedida. A Kenmare tem sido alvo de interesse por parte de outros investidores.

Em 2023, a Rio Tinto e a International Resources Holding, outro fundo de Abu Dhabi, analisaram a empresa, incentivados por pressões do accionista Jo Hambro, que detém 6% das acções. No entanto, nenhuma dessas abordagens resultou numa venda.

Nos últimos anos, a Kenmare apresentou resultados financeiros voláteis. Em 2022, a empresa registou um EBITDA de 298 milhões de dólares (18,9 mil milhões de meticais), impulsionado pela valorização dos preços do titânio. No entanto, em 2023, esse valor caiu para 220 milhões de dólares (14 mil milhões de meticais), reflectindo a descida da procura e dos preços do sector.

Desde 2019, a empresa distribuiu 280 milhões de dólares (17,8 mil milhões de meticais) aos seus accionistas através de dividendos e recompra de acções, reduzindo a participação do fundo soberano de Omã para cerca de 17%.

Entre os investidores, há um consenso crescente de que a Kenmare poderá ser vendida em breve, dependendo do valor final da oferta. Um dos principais accionistas afirmou: “Acredito que há um consenso geral de que a empresa será vendida. A questão é apenas o valor final da oferta.”

Com a possibilidade de uma revisão da proposta por parte de Carvill e da Oryx, o futuro da mina de Moma permanece incerto, enquanto o mercado aguarda os próximos desenvolvimentos.

Fonte: Irish Times

NO SECTOR EXTRACTIVO: Apenas 1% das receitas beneficia comunidades

  • Estatística é referente ao período entre 2010 e 2024

O pesquisador Rui Mate manifestou, recentemente, a preocupação com as desigualdades alarmantes na distribuição das receitas geradas pelo sector extractivo em Moçambique. De acordo com os seus dados, entre 2010 e 2024, o Estado moçambicano arrecadou cerca de 4 biliões de dólares provenientes da exploração de recursos naturais. No entanto, apenas 1% desse montante — aproximadamente 26 milhões de dólares — foi directamente destinado às comunidades locais.

Este dado, segundo Mate, expõe uma discrepância gritante entre o discurso oficial e a realidade no terreno.

“Ouvimos frequentemente o Governo afirmar que as comunidades beneficiam das receitas, através da transferência de parte desses valores. As empresas também destacam as suas políticas de responsabilidade social. No entanto, os números mostram uma realidade bem diferente”, afirmou.

A questão foi debatida num evento promovido pelo Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), com o objectivo de discutir as prioridades de governação na partilha de benefícios da exploração dos recursos naturais com as comunidades moçambicanas.

Comunidades continuam a receber uma fatia mínima

De acordo com Rui Mate, o imposto de produção deveria ser uma das principais fontes de receita para as comunidades, mas contribui com apenas 10% do valor total arrecadado. Actualmente, as comunidades recebem apenas 2,75% do imposto de produção, um montante que considera insuficiente para melhorar significativamente a qualidade de vida da população.

“Será que os 2,75% são suficientes para mudar a vida das comunidades? Ou estamos apenas a criar uma ilusão de partilha de benefícios?”, questionou.

Apesar do crescimento exponencial do sector extractivo, o impacto para as comunidades continua a ser reduzido. Entre 2015 e 2022, o sector representou 30% das exportações do País, subindo para 55% no terceiro trimestre de 2024. Mate alerta, porém, que esse crescimento não se traduz em melhorias concretas para a população local.

“Estamos apenas a falar de transferências financeiras ou de algo mais estrutural? Questões como emprego, infra-estruturas e acesso a serviços essenciais precisam de ser consideradas quando falamos em beneficiar as comunidades.”

Três desafios para uma partilha justa das receitas

Rui Mate identificou três desafios principais que dificultam uma distribuição mais equitativa das receitas do sector extractivo. O primeiro é a falta de transparência, uma vez que muitas das negociações entre o Governo e as empresas ocorrem sem debate público, excluindo as comunidades do processo de decisão. “As comunidades não são consultadas sobre quais seriam os benefícios que consideram adequados para si”, criticou Mate.

O segundo desafio é a desigualdade na alocação de fundos. Actualmente, 7,25% das receitas são destinadas ao Governo provincial. No entanto, mesmo com esse aumento, os distritos continuam a receber valores muito baixos em termos proporcionais. Além disso, há falta de clareza sobre quem recebe esses fundos e com que critérios são distribuídos. O terceiro desafio é a fraqueza institucional. Muitas das instituições responsáveis pela gestão dos recursos naturais carecem de capacidade técnica e financeira, o que favorece práticas de corrupção e má gestão. “Isto mina completamente os benefícios que as comunidades poderiam receber, tanto de forma directa como indirecta”, alertou o pesquisador.

“Estamos perante um modelo de extracção predatória?”

Diante deste cenário, Rui Mate questiona se Moçambique não estará a seguir um modelo de desenvolvimento exclusivo e de extracção predatória.

“Se as comunidades não estão a receber os benefícios prometidos, quem está a usufruir dessas receitas?”

Entre as propostas para melhorar a governação dos recursos naturais e garantir uma distribuição mais justa das receitas, Mate destaca: Revisão do modelo de partilha de receitas; Maior transparência e participação pública nas decisões; Consultas efectivas com as comunidades sobre as suas reais necessidades; e Fortalecimento das instituições fiscalizadoras para evitar desvio de fundos.

Outros especialistas reforçam críticas

O consultor na área de exploração de recursos naturais, Issufo Tankar, concorda com Mate sobre os problemas de falta de transparência e de acesso à informação. Para ele, há muitos recursos que não geram benefícios para as comunidades, como é o caso dos recursos costeiros.

Tankar defende ainda que os ganhos provenientes do sector devem ser canalizados directamente para as comunidades, de modo a garantir que o impacto positivo seja sentido de forma efectiva.

Por sua vez, Fátima Mimbire destaca a necessidade de uma abordagem mais ampla nos estudos sobre os impactos da exploração de recursos.

“Precisamos de analisar não apenas os impactos ambientais, mas também os sociais e económicos que afectam as comunidades reassentadas.”

Mimbire sublinha que o reassentamento das populações devido aos projectos extractivos tem frequentemente custos elevados, agravando ainda mais o custo de vida.

A activista defende a criação de um conselho consultivo e fiscalizador, com participação activa das comunidades, para que possam definir as prioridades de investimento.

“Precisamos de um modelo de reassentamento moderno, que tenha em conta as realidades actuais, considerando não apenas os lucros das empresas, mas também os prejuízos causados às populações deslocadas.”

Suécia e SNV lançam projecto para levar energia renovável a 2,5 milhões de moçambicanos até 2030

  • Projecto pretende impulsionar a electrificação rural e beneficiar cerca de 2,5 milhões de moçambicanos até 2030

Parceria estratégica para a expansão da energia renovável

A Suécia e a organização SNV – Netherlands Development Organisation anunciaram o lançamento da iniciativa +SOL Mini-Grid, um projecto inovador que visa expandir o acesso à electricidade em áreas rurais de Moçambique através de soluções de energia renovável. O programa, financiado pela Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (Sida), surge como uma resposta ao défice de acesso à energia no país, onde cerca de 70% da população ainda não tem ligação à rede eléctrica nacional.

A iniciativa foi apresentada oficialmente em Maputo, num evento que contou com a presença de representantes do governo moçambicano, do sector privado e de parceiros internacionais. O projecto aposta em sistemas descentralizados de energia limpa, conhecidos como mini-redes solares, para alcançar comunidades que tradicionalmente não são contempladas pelas infra-estruturas convencionais de electrificação.

Meta de beneficiar 2,5 milhões de pessoas até 2030

A +SOL Mini-Grid pretende impulsionar o sector de energia renovável e viabilizar o investimento privado na electrificação rural. A meta é ambiciosa: até 2030, o projecto espera fornecer energia a 2,5 milhões de moçambicanos, contribuindo para o desenvolvimento social e económico das comunidades beneficiadas.

A iniciativa irá trabalhar com parceiros do sector privado, incentivando a implementação de modelos sustentáveis de geração e distribuição de electricidade através de mini-redes solares. O financiamento da Sida permitirá criar condições favoráveis para investidores, oferecendo incentivos financeiros e assistência técnica para garantir a viabilidade dos projectos.

Electrificação como catalisador para o desenvolvimento

O acesso à electricidade tem sido apontado como um dos principais desafios para o crescimento económico inclusivo em Moçambique. A falta de energia limita o desenvolvimento de actividades comerciais, serviços essenciais e indústrias locais, afectando negativamente a qualidade de vida nas zonas rurais.

Segundo a SNV, a electrificação por meio de mini-redes solares poderá estimular sectores-chave como agricultura, saúde, educação e empreendedorismo local, facilitando o armazenamento de produtos agrícolas, melhorando as condições de ensino e possibilitando o funcionamento de clínicas com equipamentos modernos.

“O impacto social será profundo. Ao fornecer energia fiável a comunidades remotas, estamos a criar oportunidades para negócios locais, promovendo a inclusão económica e garantindo que serviços básicos como escolas e centros de saúde funcionem de forma eficiente”, afirmou um dos representantes da SNV durante o lançamento do projecto.

O papel do sector privado na implementação do projecto

Uma das principais abordagens da +SOL Mini-Grid será a criação de parcerias público-privadas, garantindo que o sector privado tenha um papel activo na expansão da electrificação rural. O modelo prevê que empresas de energia renovável possam investir na instalação e operação das mini-redes solares, com apoio técnico e financeiro dos doadores internacionais.

Este incentivo ao investimento privado é visto como um passo fundamental para garantir a sustentabilidade do projecto a longo prazo. A experiência de outros países africanos tem demonstrado que as mini-redes solares são uma solução viável para fornecer energia a comunidades remotas, especialmente quando há um ambiente regulatório favorável e um modelo de financiamento bem estruturado.

Desafios e perspectivas para a electrificação rural

Apesar do potencial do projecto, há desafios a serem enfrentados, incluindo o alto custo inicial de instalação das mini-redes, a necessidade de capacitação técnica para manutenção dos sistemas e a criação de modelos de tarifação acessíveis para a população beneficiada.

A SNV reconhece esses desafios e aposta num modelo de implementação faseado, que inclui programas de formação para técnicos locais, bem como mecanismos de financiamento flexíveis para tornar os custos de electrificação mais acessíveis.

Um passo decisivo para um Moçambique mais electrificado

A iniciativa +SOL Mini-Grid representa um avanço significativo para a expansão da energia limpa em Moçambique. Com um modelo inovador de parceria entre o sector público e privado, o projecto poderá transformar a realidade de milhões de moçambicanos que ainda vivem sem acesso à electricidade.

Se bem-sucedida, a iniciativa poderá servir como referência para outras soluções de electrificação descentralizada no país, consolidando as mini-redes solares como um instrumento viável para reduzir o défice energético e acelerar o desenvolvimento sustentável nas zonas rurais.

Dinheiro a circular no país aumenta há dez meses consecutivos

Dívida pública

De acordo com um relatório do Banco de Moçambique, o dinheiro em circulação em novembro no país ascendia a 1.001 milhões de euros, após novo aumento de 3% face a Outubro.

O dinheiro físico a circular em Moçambique voltou a aumentar em Dezembro, pelo décimo mês consecutivo e 3% face a Novembro, ultrapassando os 71.512 milhões de meticais (1.032 milhões de euros), segundo dados do banco central.

De acordo com um relatório do Banco de Moçambique, o dinheiro em circulação em novembro no país ascendia a 69.359 milhões de meticais (1.001 milhões de euros), após novo aumento de 3% face a Outubro.

Desde o início do ano de 2024, quando estavam em circulação 63.231 milhões de meticais (913,1 milhões de euros) em notas e moedas, esse valor já cresceu 13%, sobretudo a partir de Maio, antecedendo a entrada em circulação de uma nova série, renovando em Dezembro valores máximos.

A retirada de dinheiro de circulação é uma prática habitual da política monetária contracionista, de redução da oferta de moeda, normalmente utilizada pelos bancos centrais para conter a subida de preços.

Moçambique registou em dezembro um aumento mensal de 1,6%, fechando o ano de 2024 com uma inflação de 4,15%, indicam dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano.

Moçambique, diz a Lusa, introduziu em 16 de Junho do ano passado uma nova série de notas e moedas de metical, que vão substituir progressivamente as que circulam desde 2006, anunciou o governador do banco central.

“Os bancos centrais tendem a fazer a revisão das suas notas e moedas em circulação a cada cinco anos, por forma a adequá-las às novas tendências de design, segurança e outros elementos contextuais”, explicou na altura Rogério Zandamela, justificando que a instituição “decidiu pela revisão das notas e moedas do metical”.

GNL: ExxonMobil organiza fóruns de negócios para fornecedores do projecto

A ExxonMobil Moçambique, Limitada (EMML), em nome dos parceiros da Área 4, organizou dois fóruns de networking para fornecedores do projecto Rovuma LNG, reunindo representantes da comunidade empresarial local e internacional, bem como outras partes interessadas, anunciou a empresa em comunicado.

Os eventos decorreram em Maputo, a 4 de Março, e em Pemba, a 6 de Março, com o objectivo de criar oportunidades para os empresários se aproximarem do projecto.

De acordo com a ExxonMobil, estes fóruns representam “uma oportunidade única para conhecer directamente o projecto Rovuma LNG, estabelecer contactos com profissionais do sector, explorar potenciais oportunidades e preparar-se para os desenvolvimentos actuais e futuros do projecto”.

Arne Gibbs, director-geral da ExxonMobil Moçambique, destacou que a iniciativa reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento da indústria local.

“Os parceiros da Área 4 organizaram estas sessões para apresentar as actividades do projecto Rovuma LNG e disponibilizar informações e oportunidades para que as empresas moçambicanas se posicionem de forma competitiva, reforçando o nosso compromisso com o desenvolvimento do conteúdo local em Moçambique”, afirmou.

Os fóruns de networking foram organizados pelo MozUp Enterprise Development Centre (EDC), uma iniciativa financiada pelo projecto Rovuma LNG desde 2019. O MozUp tem sido um elemento central da estratégia da ExxonMobil e dos seus parceiros para promover o crescimento das empresas moçambicanas e aumentar a participação das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) na cadeia de fornecimento do Rovuma LNG e em sectores associados.Segundo a empresa, “com mais de 4.000 perfis registados, o Portal de Gestão de Relacionamento com Fornecedores (SRMP) é a principal base de dados para fornecedores do sector de petróleo e gás, bem como para outras empresas que procuram contratar, estabelecer parcerias e adquirir bens e serviços de fornecedores locais em Moçambique”.

A ExxonMobil lidera a construção e operação das futuras instalações de liquefação de gás natural na Área 4 da bacia do Rovuma, onde detém uma participação indirecta de 25%.

O projecto Rovuma LNG é operado pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma joint venture composta pela ExxonMobil, Eni e CNPC, que detém 70% da concessão da Área 4. Os restantes 30% são partilhados pela Galp, KOGAS e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), com 10% cada.

O Rovuma LNG é um dos maiores investimentos no sector dos hidrocarbonetos em Moçambique e pretende transformar o país num dos principais produtores de gás natural liquefeito. A ExxonMobil reafirma o seu compromisso em continuar a fortalecer a participação das empresas moçambicanas na cadeia de fornecimento, promovendo oportunidades para o crescimento sustentável do sector privado nacional.