Sunday, April 12, 2026
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Empresas isentas ao pagamento de multa

A Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) anunciou um período de seis meses, a partir de 6 de Janeiro de 2025, para que empresas que tenham realizado operações de concentração – incluindo fusões e aquisições – até 31 de Dezembro de 2024, possam regularizar a sua situação sem incorrer em penalizações.

Esta medida visa facilitar a conformidade com a legislação de concorrência em vigor, permitindo às empresas notificarem as suas operações de concentração, previamente não comunicadas à ARC, prática conhecida como gun-jumping. Segundo o regulador, estas operações incluem a aquisição da totalidade ou de parte do capital social, de direitos de propriedade, uso ou fruição sobre activos de uma empresa, ou a celebração de contratos que confiram influência significativa na gestão empresarial.

Requisitos de Notificação e Penalizações

Nos termos da Lei da Concorrência (Lei n.º 10/2013, de 11 de Abril), as notificações destas operações são obrigatórias e devem ser efectuadas antes da sua concretização. Contudo, a ARC decidiu conceder este período excepcional para que as empresas possam corrigir eventuais irregularidades sem consequências legais.

O regulador adverte que, após o prazo estabelecido, serão aplicadas sanções às empresas que não cumprirem a obrigação de notificação. Além disso, reitera que continuará a exercer uma supervisão activa para assegurar o cumprimento das normas de concorrência.

Promoção de concorrência saudável

Com esta iniciativa, a ARC reforça o compromisso de garantir um mercado mais transparente e equitativo, sublinhando que “uma concorrência saudável beneficia toda a economia”. A organização também alerta que futuras operações de concentração deverão cumprir rigorosamente os requisitos de notificação prévia à ARC, sob pena de medidas correctivas e multas.

A ARC enfatiza ainda a importância de seguir os processos estabelecidos, garantindo que as operações de concentração não prejudiquem a competitividade e a justiça no mercado.

Energias limpas representam 10% do crescimento do PIB mundial – revela estudo

As energias limpas têm desempenhado um papel crucial no crescimento económico global. Em 2023, este sector acrescentou 320 mil milhões de dólares à economia mundial, representando 10% do crescimento do PIB. A Allianz Trade destaca que a Europa e a China lideram esta transformação verde, embora com dinâmicas distintas.

China: Líder mundial na produção de energia fotovoltaica

A China consolidou-se como líder na produção de energia fotovoltaica, sendo responsável por cerca de 80% da produção mundial de polisilício, células e módulos solares, e 97% da produção de wafers solares de silicone. Estima-se que, até 2030, a capacidade de fabrico ecológico da China seja 74% superior à do resto do mundo, com dois terços destinados à exportação.

Europa: Medidas de proteccionismo verde

Face ao domínio chinês, a Europa tem implementado medidas de proteccionismo verde para proteger as suas indústrias. As tarifas sobre veículos eléctricos chineses são um exemplo recente. Ademais, a União Europeia está a reforçar a sua política industrial ecológica para estimular a produção nacional e salvaguardar a competitividade estratégica.

Moçambique: Potencial para beneficiar do crescimento das energias limpas

Moçambique possui vastos recursos renováveis, incluindo energia hidroelétrica, solar e eólica, posicionando-se favoravelmente para aproveitar o crescimento global das energias limpas.

O país apresenta uma matriz energética diversificada, com destaque para as seguintes fontes:

  • Energia Hidroelétrica: É a principal fonte de eletricidade no país, representando cerca de 78% da capacidade instalada, com 2.189 MW. Grandes projetos, como a Hidroelétrica de Cahora Bassa, contribuem significativamente para esta capacidade.
  • Gás Natural: Contribui com aproximadamente 16% da capacidade instalada, totalizando 442 MW. Moçambique possui reservas significativas de gás natural, que têm sido exploradas para geração de energia e exportação.
  • Energia Solar: Embora actualmente represente uma pequena parcela da matriz energética, com cerca de 3% e uma capacidade de 75 MW, o país possui um potencial significativo para expansão nesta área. Estima-se que a capacidade instalada possa atingir pelo menos 690 MW até 2030, representando aproximadamente 11% da matriz energética.
  • Energia Eólica: O potencial eólico de Moçambique é considerável, especialmente nas regiões costeiras. Embora ainda subexplorada, há projetos em desenvolvimento para aproveitar esta fonte de energia.
  • Biomassa: O país possui um potencial bioenergético estimado em 2 GW, com projetos prioritários totalizando 128 MW, especialmente nas províncias da Zambézia, Sofala, Niassa e Maputo.

Investimentos em infra-estruturas energéticas

O país tem atraído investimentos significativos em infraestruturas energéticas. O programa PROLER, por exemplo, visa desenvolver quatro projetos de energias renováveis com uma capacidade total instalada de cerca de 160 MW, incluindo projetos solares em Dondo, Manje e Chimbunila, e um projeto eólico em Jangamo.

Acesso à energia e desenvolvimento socio-económico

A expansão das energias renováveis em Moçambique pode aumentar o acesso à energia para a população, impulsionando o desenvolvimento socioeconómico. Programas como o GET FiT Moçambique foram concebidos para melhorar as condições de investimento privado em energia renovável, contribuindo para um caminho de desenvolvimento ambientalmente sustentável no país.

Criação de emprego e capacitação

O desenvolvimento do sector das energias renováveis tem o potencial de criar empregos e capacitar a força de trabalho local. Por exemplo, iniciativas apoiadas pelo AECF em Moçambique têm como objetivo proporcionar acesso a produtos e serviços de energia limpa e de baixo custo a mais de 600.000 famílias rurais e periurbanas, criando empregos e reduzindo a pobreza.

O crescimento das energias limpas a nível mundial apresenta uma oportunidade significativa para Moçambique. Com recursos renováveis abundantes e investimentos estratégicos, o país está bem posicionado para beneficiar deste crescimento, promovendo o desenvolvimento sustentável, aumentando o acesso à energia e criando oportunidades económicas para a sua população.

Tirupati Graphite nomeia novo responsável para projectos em Moçambique e Madagáscar

A Tirupati Graphite, empresa britânica cotada na Bolsa de Londres e especializada na exploração e processamento de grafite, anunciou a nomeação de Uday Singh como novo director de projectos para Moçambique e Madagáscar. A decisão faz parte de um amplo processo de reestruturação interna, que visa reforçar a governação corporativa e melhorar a eficiência operacional da empresa nos mercados onde actua. A informação foi divulgada pelo portal Engineering News.

A nomeação de Singh ocorre em um momento estratégico, com a Tirupati Graphite consolidando  a sua presença no sector mineiro em África. A empresa tem apostado fortemente em Moçambique como um dos seus principais pontos de expansão, dado o crescente interesse global pela grafite, mineral essencial na produção de baterias de íons de lítio e em diversas outras aplicações industriais.

Além de Singh, a reestruturação da companhia inclui mudanças no conselho de administração. Anthony James Nieuwenhuys foi indicado como Director-Executivo e co-CEO, cargo que será exercido igualmente com Shishir Poddar. A expectativa é que essa divisão de funções prepare a empresa para uma futura transição completa de poder executivo. A empresa acredita que essas mudanças ajudarão a aumentar a transparência nas decisões e fortalecerão a estratégia global de negócios.

Outras nomeações importantes incluem Harshit Poddar, que assumirá a liderança das áreas de vendas e marketing, e Alastair Bath, que ficará responsável por projectos especiais e comunicações corporativas. A empresa também está em negociações avançadas para contratar um novo director financeiro (CFO), que será baseado em Londres, com a missão de garantir maior controlo e supervisão sobre a estrutura financeira da companhia.

Essas mudanças de gestão acontecem em meio a um processo de transformação interna, iniciado após um grupo de accionistas, representando 5,8% do capital da empresa, ter solicitado uma assembleia-geral extraordinária. O objectivo era contestar a administração anterior e exigir alterações significativas na liderança do conselho. A iniciativa resultou na destituição do então presidente e na reformulação da alta direcção, agora focada em adoptar medidas rigorosas para melhorar a governança corporativa e optimizar a tomada de decisões estratégicas.

A reestruturação da Tirupati Graphite tem um impacto directo nos seus projectos em Moçambique, país onde a empresa visa expandir sua exploração mineira de grafite. O mineral, cada vez mais valorizado na indústria tecnológica e energética, está atraindo investimentos significativos em regiões com grande potencial produtivo. Com a nomeação de um responsável dedicado para os projectos no país, a Tirupati Graphite reforça seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a gestão eficiente dos recursos, alinhando-se às expectativas do mercado global.

Tirupati Graphite appoints new project manager for Mozambique and Madagascar

Tirupati Graphite nomeia novo responsável para projectos em Moçambique e Madagáscar

Tirupati Graphite, a British company listed on the London Stock Exchange and specializing in graphite exploration and processing, has announced the appointment of Uday Singh as its new project manager for Mozambique and Madagascar. The decision is part of a wide-ranging internal restructuring process aimed at strengthening corporate governance and improving the company’s operational efficiency in the markets where it operates. The information was published by Engineering News.

Singh’s appointment comes at a strategic time, with Tirupati Graphite consolidating its presence in the mining sector in Africa. The company has bet heavily on Mozambique as one of its main points of expansion, given the growing global interest in graphite, an essential mineral in the production of lithium-ion batteries and various other industrial applications.

In addition to Singh, the company’s restructuring includes significant changes to the board of directors. Anthony James Nieuwenhuys has been appointed executive director and co-CEO, a position he will share with Shishir Poddar. The expectation is that this division of roles will prepare the company for a future complete transition of executive power. The company believes that these changes will help increase transparency in decision-making and strengthen the global business strategy.

Other important appointments include Harshit Poddar, who will take over leadership of the sales and marketing areas, and Alastair Bath, who will be responsible for special projects and corporate communications. The company is also in advanced negotiations to hire a new chief financial officer (CFO), who will be based in London, with the mission of ensuring greater control and supervision over the company’s financial structure.

These management changes come amid a process of internal transformation, which began after a group of shareholders, representing 5.8% of the company’s capital, requested an extraordinary general meeting. The aim was to challenge the previous administration and demand significant changes in the board’s leadership. The initiative resulted in the dismissal of the then chairman and the reformulation of senior management, now focused on adopting strict measures to improve corporate governance and optimize strategic decision-making.

Tirupati Graphite’s restructuring has a direct impact on its projects in Mozambique, a country where the company aims to expand its graphite mining operations. The mineral, which is increasingly valued in the technology and energy industries, is attracting significant investment in regions with great production potential. With the appointment of a dedicated project manager in the country, Tirupati Graphite is reinforcing its commitment to sustainable development and efficient resource management, in line with global market expectations.

Syrah Resources da Austrália garante perdão de empréstimo em meio à agitação no país

A Syrah Resources da Austrália disse na terça-feira que garantiu uma isenção para eventos de inadimplência sob seu empréstimo da United States International Development Finance Corporation (DFC) de US$ 150 milhões, concedendo-lhe alívio após interrupções operacionais em sua operação de grafite de Balama em Moçambique devido aos protestos em andamento em todo o país.

A empresa suspendeu as operações em sua principal mina de grafite em dezembro, após interrupções causadas por protestos liderados por fazendeiros desde setembro de 2024. Apesar da suspensão, a Syrah não deixou de pagar nenhuma obrigação de empréstimo.

A mineradora sediada em Melbourne recebeu uma parcela de US$ 53 milhões em novembro de 2024, que agora está disponível para o capital de giro da Balama.

Embora o saldo restante esteja comprometido, “mais desembolsos de empréstimos do DFC não estão disponíveis enquanto as operações de Balama estiverem bloqueadas pelas acções de protesto”, disse Syrah em um comunicado.

“As condições operacionais em Moçambique são desafiadoras, com protestos nacionais em andamento associados às eleições gerais causando perturbações generalizadas em todo o país”, acrescentou.

A Syrah disse que está colaborando activamente com a DFC e o Departamento de Energia dos EUA em relação a esses eventos de inadimplência, já que os protestos nacionais continuam a interromper as operações em Moçambique.

As acções da mineradora subiram 2,3%, para A$ 0,22 no início do pregão.

Importação de GNL é uma necessidade essencial para a África do Sul

A África do Sul importa cerca de 90% da sua procura de gás natural de Moçambique, mas prevê-se que o fornecimento de gás cesse no primeiro trimestre de 2028, na sequência do rápido declínio da produção das instalações de processamento de Pande-Temane, operadas pela Sasol.

Por conseguinte, os responsáveis políticos do país devem tomar decisões essenciais para evitar a escassez de abastecimento de gás num futuro próximo.

Na semana passada, a Sasol confirmou que está a reduzir a produção de gás natural nas suas instalações de Pande para garantir a segurança do seu pessoal e dos seus bens, no meio da agitação generalizada que se seguiu às eleições de outubro em Moçambique. “Informámos vários utilizadores de gás e os nossos clientes de que não somos capazes de fornecer gás a taxas de produção totais para manter a estabilidade da infraestrutura da cadeia de valor do gás e da rede de gasodutos”.

De acordo com a Global LNG Database®, dois projectos de importação de LNG foram propostos para serem construídos dentro e fora da África do Sul, com o objectivo de fornecer GNL regaseificado ao país.

O projecto mais avançado é o projecto de importação de GNL flutuante da Matola, proposto pela TotalEnergies, com uma capacidade de 2,5 MMT/ano, em Moçambique, que exportaria o GNL regaseificado através do actual gasoduto da Rompco para as maiores cidades da África do Sul, Joanesburgo e Pretória.

O operador francês espera tomar uma decisão final de investimento sobre o projecto em 2025, com um arranque em 2027.

Uma vez que a infra-estrutura de transporte de gás necessária para este projecto está disponível, este poderia ser iniciado num curto espaço de tempo; no entanto, a instável situação política em Moçambique pode prejudicar o seu desenvolvimento.

O segundo projeto proposto é o projeto de importação de GNL flutuante de Richards Bay, com uma capacidade de 2 MMT/ano, que deverá fornecer GNL regaseificado a Durban a partir de 2028.

Informações perfeitas sobre os projectos mundiais de importação/exportação de GNL, como os “projectos de importação de GNL da Matola e da Baía de Richards”, estão disponíveis na Global LNG Database®. Saiba mais em: https://lnkd.in/dSG73cW

Huruda D’Castro: “O CFO é que deve garantir que configurações de ESG sejam integradas na estratégia corporativa da empresa”

Huruda D’Castro Malungane, é profissional em finanças cujo maior objectivo é moldar  o futuro das finanças em Moçambique como Directora de Finanças, Risco e Compliance. Como fundadora da primeira comunidade de CFOs do país e apaixonada por sustentabilidade, busca liderar a integração de princípios ESG nas práticas financeiras.

Profile Mozambique: Quais são os principais desafios que as empresas em Moçambique enfrentam na implementação de práticas ESG?

Huruda D’Castro: A introdução das práticas ESG em Moçambique ainda está num processo de evolução, como ocorre em grande parte do mundo, especialmente nos países em desenvolvimento. No entanto, Moçambique enfrenta desafios específicos devido à relevância destas práticas num país rico em recursos naturais e com elevado potencial de atracção de investimentos, especialmente nos sectores da mineração, energia e agricultura. Um dos principais obstáculos reside na fraca consideração das práticas sustentáveis por parte dos investidores internos, o que limita o impacto e a adopção destas iniciativas.

Os desafios podem ser divididos em duas grandes áreas. O primeiro refere-se à consciencialização e capacitação. Muitas organizações em Moçambique interpretam o ESG apenas como responsabilidade social corporativa (RSC), o que é uma visão limitada, pois a RSC é apenas uma parte do ESG. Ademais, poucas empresas reconhecem o ESG como uma oportunidade estratégica que, quando bem implementada, pode colocá-las em vantagem competitiva perante os seus concorrentes. Existe também uma lacuna significativa na capacitação de agentes locais, o que dificulta a adopção efectiva destas práticas.

O segundo desafio está relacionado com a falta de regulamentação clara e incentivos específicos. Apesar da existência de políticas como a Estratégia Nacional de Desenvolvimento e a Política Nacional do Ambiente, estas apresentam directrizes gerais e carecem de mecanismos robustos de monitorização e avaliação. A falta de coordenação integrada entre as entidades reguladoras agrava a situação, resultando numa actuação desarticulada e pouco eficaz.

Adicionalmente, a ausência de incentivos concretos, como benefícios fiscais ou aduaneiros, desmotiva as empresas a investir em práticas sustentáveis. Sem garantias de retorno tangível sobre o investimento requerido para implementar estas práticas, muitas empresas não as percebem como vantajosas ou estratégicas.

PM: Como a falta de regulamentação e incentivos governamentais impacta a adopção de ESG pelas empresas locais?

HDC: Os incentivos governamentais têm como objectivo fundamental levar as empresas a adoptarem determinadas práticas. É sabido que grande parte dos custos empresariais são, muitas vezes, tributáveis, e que uma redução desses custos se traduz directamente em maiores lucros.

Em Moçambique, especificamente neste contexto, existe uma plataforma denominada Sistema de Incentivos ao Investimento, criada para apoiar e atrair investimentos. Este sistema engloba quatro componentes principais: incentivos fiscais, incentivos aduaneiros, medidas relacionadas com a repatriação do capital investido localmente e dos lucros obtidos, e, por último, uma garantia de segurança e protecção por parte do Estado moçambicano para esses investimentos.

Ao incorporar critérios ESG neste sistema, todas as empresas que adoptarem estas práticas podem beneficiar, sobretudo, de vantagens fiscais, que fazem parte desta plataforma, bem como de incentivos aduaneiros. Por exemplo, uma empresa que opera no sector agrícola pode beneficiar de uma redução substancial na taxa de imposto sobre o rendimento corporativo. Em vez de pagar a taxa habitual de 32%, pode pagar uma percentagem significativamente inferior.

Este sistema cria condições que incentivam as empresas a adoptar práticas ESG, tornando-as mais inclinadas a fazê-lo, seja pelos benefícios fiscais, pelos incentivos ao investimento ou pelas facilidades na repatriação de lucros, um aspecto particularmente relevante para as empresas que investem em Moçambique.

Papel dos CFOs na implementação de ESG

PM: Qual é o papel dos CFOs na integração de práticas ESG nas estratégias corporativas?

HDC: O CFO desempenha um papel crucial na integração de práticas ESG nas estratégias corporativas. Cabe-lhe assegurar que essas práticas sejam incorporadas na estratégia de longo prazo da empresa, seja ela de 3, 5, 10 ou 20 anos. Essa integração significa que as decisões empresariais, financeiras ou não, devem considerar não apenas o retorno financeiro, mas também o impacto ambiental e social. Por exemplo, na avaliação de novos investimentos, o CFO deve identificar e comunicar os riscos e oportunidades associados às práticas ESG.

Um exemplo notável é o caso da PepsiCo, uma das pioneiras em iniciativas ESG. A empresa deixou de produzir itens prejudiciais à saúde, contando com médicos nas suas fábricas para garantir que todos os produtos sejam seguros para os consumidores e para o meio ambiente. Este exemplo demonstra a importância de alinhar as práticas corporativas aos princípios ESG.

Outro papel relevante do CFO nesta área é garantir a transparência nas operações e nos relatórios empresariais. O CFO é o principal responsável pela apresentação dos relatórios financeiros e não financeiros da empresa, e, cada vez mais, é essencial que estes incluam informações detalhadas sobre as actividades relacionadas com ESG. Por exemplo, na África do Sul, a iniciativa “Just-In-Time Transition” avalia o impacto ambiental das empresas de carvão, medindo as emissões de dióxido de carbono e os efeitos na saúde das comunidades. Este tipo de monitorização permite responsabilizar as empresas por possíveis danos, como os causados por emissões nocivas.

Adicionalmente, o CFO tem um papel fundamental na gestão e mitigação de riscos, sejam eles financeiros ou não. Riscos regulamentares associados à não conformidade com normas ambientais podem ter consequências significativas, tanto qualitativas como quantitativas. Empresas que não seguem práticas ESG podem receber classificações de risco negativas, dificultando o acesso a investimentos ou financiamento. A presença de um CFO comprometido com a integração das práticas ESG garante que as análises de risco sejam realizadas e que a empresa esteja preparada para enfrentar esses desafios.

Por fim, o CFO deve assegurar a alocação de recursos financeiros para implementar práticas ESG. Apesar de algumas empresas não reconhecerem de imediato o valor de tal investimento, o CFO pode demonstrar como essa alocação estratégica protege a empresa e aumenta a sua competitividade no mercado.

Em linhas gerais, o CFO é um agente fundamental para a incorporação das práticas ESG nas estratégias corporativas, promovendo transparência, mitigação de riscos e sustentabilidade financeira.

Benefícios e desafios da implementação de ESG

PM: Quais são os benefícios tangíveis e intangíveis para as empresas que adoptam práticas ESG em Moçambique?

HDC: HDC: No nosso contexto, o primeiro benefício das práticas ESG é a atracção de investimentos. Actualmente, investidores e clientes estão cada vez mais preocupados em aplicar o seu capital em empresas que promovem práticas sustentáveis. Uma empresa que gere boas receitas, mas que causa danos significativos à população local ou às comunidades vizinhas, dificilmente conseguirá captar investidores. Caso não exista controlo sobre o impacto da produção, é pouco provável que o negócio atraia capital. Por outro lado, a implementação de práticas ESG pode abrir portas a novos fluxos de capital e investimentos, fortalecendo a posição da empresa.

Em Moçambique, a maioria das empresas que contribuem substancialmente para o desenvolvimento económico do país são multinacionais. Trabalhar com estas organizações exige que os fornecedores adoptem práticas alinhadas aos seus padrões e valores. Empresas como a ENI, MOZAL, SASOL e Rovuma Basin requerem que os seus parceiros apresentem uma postura e cultura organizacional que reflictam um compromisso com a sustentabilidade. Ao adoptar práticas ESG, as empresas locais demonstram um nível de reputação e de valorização da sua marca que lhes confere maior credibilidade. Isto cria uma ligação mais forte com os seus investidores e consumidores, que se sentem atraídos pela preocupação com a sustentabilidade.

Ademais, a implementação de práticas sustentáveis pode ajudar as empresas a reduzir custos operacionais. Ainda que a sustentabilidade não seja o foco inicial, a adopção dessas práticas tende a optimizar a estrutura de custos da organização, tornando-a mais eficiente no longo prazo.

Acompanhe o percurso profissional da Huruda DˈCastro aqui.

Huruda D’Castro: “The CFO must ensure that ESG configurations are integrated into the corporate strategy of the company”

Huruda D’Castro Malungane is a finance professional whose main goal is to shape the future of finance in Mozambique as the Director of Finance, Risk, and Compliance. As the founder of the country’s first CFO community and passionate about sustainability, she seeks to lead the integration of ESG principles into financial practices.

Profile Mozambique: What are the main challenges companies in Mozambique face in implementing ESG practices?

Huruda D’Castro: The introduction of ESG practices in Mozambique is still in an evolutionary process, as is the case in much of the world, especially in developing countries. However, Mozambique faces specific challenges due to the relevance of these practices in a country rich in natural resources with a high potential for attracting investments, particularly in the mining, energy, and agriculture sectors. One of the main obstacles is the weak consideration of sustainable practices by internal investors, which limits the impact and adoption of these initiatives.

The challenges can be divided into two main areas. The first refers to awareness and capacity building. Many organizations in Mozambique interpret ESG solely as corporate social responsibility (CSR), which is a limited view, as CSR is just a part of ESG. Moreover, few companies recognize ESG as a strategic opportunity that, when well implemented, can give them a competitive advantage over their competitors. There is also a significant gap in the capacity building of local agents, which hinders the effective adoption of these practices.

The second challenge relates to the lack of clear regulation and specific incentives. Despite the existence of policies such as the National Development Strategy and the National Environmental Policy, these provide general guidelines and lack robust mechanisms for monitoring and evaluation. The lack of integrated coordination among regulatory bodies exacerbates the situation, resulting in a disjointed and ineffective operation.

Additionally, the absence of concrete incentives, such as tax or customs benefits, discourages companies from investing in sustainable practices. Without guarantees of tangible returns on the investment required to implement these practices, many companies do not see them as advantageous or strategic.

PM: How does the lack of regulation and government incentives impact the adoption of ESG by local companies?

HDC: Government incentives aim fundamentally to lead companies to adopt certain practices. It is known that a large part of business costs is often taxable, and a reduction in these costs translates directly into greater profits.

In Mozambique, specifically in this context, there is a platform called the Investment Incentive System, created to support and attract investments. This system encompasses four main components: tax incentives, customs incentives, measures related to the repatriation of locally invested capital and profits, and finally, a guarantee of security and protection from the Mozambican state for those investments.

By incorporating ESG criteria into this system, all companies that adopt these practices can benefit, particularly from tax advantages included in this platform, as well as customs incentives. For example, a company operating in the agricultural sector may benefit from a substantial reduction in the corporate income tax rate. Instead of paying the usual rate of 32%, it could pay a significantly lower percentage.

This system creates conditions that encourage companies to adopt ESG practices, making them more inclined to do so, whether due to tax benefits, investment incentives, or facilities in the repatriation of profits, a particularly relevant aspect for companies investing in Mozambique.

Role of CFOs in ESG implementation

PM: What is the role of CFOs in integrating ESG practices into corporate strategies?

HDC: The CFO plays a crucial role in integrating ESG practices into corporate strategies. It is their responsibility to ensure that these practices are incorporated into the company’s long-term strategy, whether it be 3, 5, 10, or 20 years. This integration means that business decisions, whether financial or not, must consider not only the financial return but also the environmental and social impact. For example, when evaluating new investments, the CFO should identify and communicate the risks and opportunities associated with ESG practices.

A notable example is the case of PepsiCo, one of the pioneers in ESG initiatives. The company stopped producing harmful items, employing doctors in its factories to ensure that all products are safe for consumers and the environment. This example demonstrates the importance of aligning corporate practices with ESG principles.

Another relevant role of the CFO in this area is to ensure transparency in operations and corporate reporting. The CFO is primarily responsible for presenting the company’s financial and non-financial reports, and it is increasingly essential that these include detailed information about ESG-related activities. For example, in South Africa, the “Just-In-Time Transition” initiative assesses the environmental impact of coal companies by measuring carbon dioxide emissions and effects on local community health. This type of monitoring allows for holding companies accountable for possible damages, such as those caused by harmful emissions.

Additionally, the CFO plays a fundamental role in risk management and mitigation, whether these risks are financial or not. Regulatory risks associated with non-compliance with environmental standards can have significant qualitative and quantitative consequences. Companies that do not follow ESG practices may receive negative risk ratings, making it difficult to access investments or financing. The presence of a CFO committed to integrating ESG practices ensures that risk analyses are conducted and that the company is prepared to face these challenges.

Finally, the CFO must ensure the allocation of financial resources to implement ESG practices. Although some companies may not immediately recognize the value of such an investment, the CFO can demonstrate how this strategic allocation protects the company and increases its competitiveness in the market.

In general, the CFO is a fundamental agent for incorporating ESG practices into corporate strategies, promoting transparency, risk mitigation, and financial sustainability.

Benefits and challenges of ESG implementation

PM: What are the tangible and intangible benefits for companies that adopt ESG practices in Mozambique?

HDC: In our context, the first benefit of ESG practices is the attraction of investments. Currently, investors and customers are increasingly concerned with allocating their capital to companies that promote sustainable practices. A company that generates good revenue but causes significant harm to the local population or neighboring communities is unlikely to attract investors. If there is no control over the production’s impact, it is improbable that the business will attract capital. On the other hand, the implementation of ESG practices can open doors to new capital flows and investments, strengthening the company’s position.

In Mozambique, most companies that substantially contribute to the economic development of the country are multinationals. Working with these organizations requires suppliers to adopt practices aligned with their standards and values. Companies like ENI, MOZAL, SASOL, and Rovuma Basin require their partners to present a level of organizational culture that reflects a commitment to sustainability. By adopting ESG practices, local companies demonstrate a level of reputation and brand valuation that grants them greater credibility. This creates a stronger connection with investors and consumers, who are attracted to the concern for sustainability.

Moreover, implementing sustainable practices can help companies reduce operational costs. Although sustainability may not be the initial focus, adopting these practices tends to optimize the organization’s cost structure, making it more efficient in the long run.

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Petróleo estabiliza após quatro dias consecutivos de alta e mantém-se próximo aos maiores níveis em dois meses

Petróleo estabiliza após quatro dias consecutivos de alta e mantém-se próximo aos maiores níveis em dois meses

Os preços do petróleo estabilizaram nesta Sexta-feira (3), após uma série de quatro sessões consecutivas de alta, que impulsionaram os valores do barril para os maiores níveis observados nos últimos dois meses. Actualmente, o West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, regista uma leve queda de 0,01%, sendo negociado a 73,12 dólares por barril. Já o Brent, que serve como referência para o mercado europeu, apresenta uma queda de 0,04%, com o preço do barril marcando 75,90 dólares. Ambos os índices continuam próximos dos patamares mais elevados desde o início de Novembro, reflectindo uma recuperação significativa após um período de volatilidade no mercado global de energia.

Esse movimento de alta foi impulsionado, em parte, pelo optimismo em relação à recuperação da demanda por petróleo, especialmente em mercados chave como a Ásia e os Estados Unidos. No entanto, o contexto económico global está longe de ser unânime, com dados que indicam desaceleração na actividade industrial em várias regiões. A Ásia e os Estados Unidos encerraram o ano de 2024 com uma desaceleração industrial, enquanto a Europa fechou o período com contracção, o que gera preocupações sobre o ritmo de recuperação económica e sua relação com o consumo de energia.

Além disso, as tensões políticas nos Estados Unidos continuam a pesar sobre o mercado de petróleo. O crescimento da incerteza em torno da candidatura de Donald Trump nas próximas eleições, combinado com o uso de tarifas como uma ferramenta de negociação, tem gerado receios entre empresas e investidores. O impacto dessas políticas pode afectar a demanda por energia, especialmente em um cenário de custos elevados e incertezas comerciais.

Por outro lado, no mercado americano, os estoques de petróleo continuam a diminuir, embora a queda tenha sido menos acentuada do que o esperado. De acordo com dados mais recentes, os estoques de petróleo recuaram em 1,2 milhões de barris na última semana, um valor inferior à previsão de uma redução de 2,8 milhões de barris. Esse declínio mais moderado nos estoques reflete uma desaceleração na produção ou uma leve melhoria na oferta, o que pode ter contribuído para a estabilidade nos preços, apesar das pressões externas.

Embora o mercado de petróleo tenha mostrado resiliência nas últimas semanas, as incertezas económicas e políticas continuam a afectar os preços de forma significativa. Analistas aguardam mais dados sobre a recuperação económica global e os impactos das políticas energéticas antes de preverem uma tendência mais clara para o mercado de energia nos próximos meses.

Oil stabilizes after four consecutive days of rises and remains close to the highest levels in two months

Petróleo estabiliza após quatro dias consecutivos de alta e mantém-se próximo aos maiores níveis em dois meses

Oil prices stabilized on Friday (3), after a series of four consecutive upward sessions, which pushed the value of the barrel to the highest levels seen in the last two months.

Currently, West Texas Intermediate (WTI), the benchmark for the United States, is down slightly by 0.01%, trading at 73.12 dollars per barrel. Brent, which serves as a benchmark for the European market, is down 0.04%, at 75.90 dollars per barrel. Both indices remain close to their highest levels since the beginning of November, reflecting a significant recovery after a period of volatility in the global energy market.

This upward movement was driven in part by optimism regarding the recovery in demand for oil, especially in key markets such as Asia and the United States. However, the global economic context is far from unanimous, with data indicating a slowdown in industrial activity in various regions. Asia and the United States ended 2024 with an industrial slowdown, while Europe closed the period with a contraction, which raises concerns about the pace of economic recovery and its relationship with energy consumption.

In addition, political tensions in the United States continue to weigh on the oil market. The growing uncertainty surrounding Donald Trump’s candidacy in the upcoming elections, combined with the use of tariffs as a negotiating tool, has generated fears among companies and investors. The impact of these policies could affect demand for energy, especially against a backdrop of high costs and trade uncertainties.

On the other hand, in the American market, oil stocks continue to fall, although the drop has been less pronounced than expected. According to the latest data, oil inventories fell by 1.2 million barrels last week, lower than the forecast of a 2.8 million barrel reduction. This more moderate decline in inventories reflects a slowdown in production or a slight improvement in supply, which may have contributed to the stability in prices, despite external pressures.

Although the oil market has shown resilience in recent weeks, economic and political uncertainties continue to affect prices significantly. Analysts are waiting for more data on the global economic recovery and the impacts of energy policies before predicting a clearer trend for the energy market in the coming months.