Sunday, June 14, 2026
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Presença ou Produtividade?

“Presença ou Produtividade? O Dilema da eficiência laboral em Moçambique”

Por: Simão Djedje

A expressão “Será que vão me precisar?” ressoa frequentemente nas redes sociais, reflectindo uma realidade comum em muitos ambientes profissionais, a discrepância entre estar fisicamente no local de trabalho e realmente contribuir com resultados. Em Moçambique, como em muitos outros países, esta questão é mais do que linguística, envolvendo aspectos culturais, organizacionais e até jurídicos.

A distinção entre “ir ao trabalho” e “ir trabalhar” é essencial para compreender como as empresas podem equilibrar produtividade e cumprimento de normas laborais. Enquanto o primeiro conceito refere-se à mera presença no local de trabalho, o segundo implica a dedicação às tarefas e à geração de resultados.

Desafios organizacionais e jurídicos

Em Moçambique, como em muitos contextos africanos, a avaliação de desempenho em muitas empresas ainda é pautada pela assiduidade e pontualidade, com menor foco nos resultados efectivos. Esta abordagem pode levar a situações onde a presença física é valorizada, mesmo quando não há contribuição produtiva.

Do ponto de vista legal, está previsto na Lei do Trabalho em vigor no país, especificamente no Artigo 84.º, as obrigações tanto para empregadores quanto para trabalhadores. O cumprimento do horário laboral é uma obrigação, mas a legislação também exige que os trabalhadores executem as suas funções com zelo e eficiência. Por outro lado, os empregadores têm o dever de fornecer condições adequadas para que os colaboradores desempenhem as suas tarefas de forma eficaz.

Reflexão sobre a cultura organizacional

Este problema é, em grande medida, cultural. A falta de metas claras, supervisão eficaz e ferramentas de avaliação contribui para que a presença física seja confundida com produtividade. Ademais, a ausência de um sistema robusto de Key Performance Indicators (KPIs) torna mais difícil para as organizações medir o desempenho de forma objectiva e justa.

Teletrabalho como solução potencial

O regime de teletrabalho, introduzido em muitos países como resposta à pandemia, tem o potencial de resolver parte desta problemática. Esta modalidade desloca o foco da presença física para os resultados entregues, promovendo flexibilidade e autonomia para os trabalhadores.

Em Moçambique, a implementação do teletrabalho enfrenta desafios específicos, como a falta de infraestrutura tecnológica em muitas regiões e limitações no acesso à internet. No entanto, onde for possível aplicá-lo, o teletrabalho pode ajudar as empresas a adoptarem uma cultura mais orientada a resultados, reduzindo custos e melhorando a motivação dos colaboradores.

Como alinhar Presença e Produtividade?

Para equilibrar a presença física com resultados concretos, as organizações devem:

  1. Definir metas e indicadores: Cada colaborador deve ter objectivos claros e metas mensuráveis, alinhados aos resultados esperados pela organização.
  2. Promover diálogo: A comunicação aberta entre empregadores e trabalhadores é fundamental para alinhar expectativas e reforçar a importância da produtividade.
  3. Investir em capacitação: A formação contínua pode melhorar a competência dos trabalhadores e aumentar a sua contribuição efectiva.
  4. Criar um ambiente motivador: A desmotivação muitas vezes deriva de condições de trabalho insatisfatórias. Melhorar o ambiente organizacional pode impulsionar os resultados.

Reflexão final

A diferença entre “ir ao trabalho” e “ir trabalhar” transcende a semântica, é uma questão de mentalidade e práticas organizacionais. O desafio para as empresas moçambicanas está em criar sistemas que valorizem a produtividade sem desconsiderar a importância da presença.

O teletrabalho, aliado a boas práticas de gestão e alinhado à legislação laboral local, pode ser um caminho viável para promover resultados, especialmente em setores onde a mobilidade e a tecnologia já desempenham um papel fundamental. Contudo, é necessário um esforço conjunto entre empregadores, trabalhadores e legisladores para garantir que as mudanças sejam inclusivas, eficazes e sustentáveis no longo prazo.

“Presence or Productivity?”

Presence or Productivity? The Dilemma of Labor Efficiency in Mozambique

 

By: Simão Djedje

The phrase, “Will they need me?” frequently resonates on social media, reflecting a common reality in many professional environments—the discrepancy between being physically present at work and truly contributing to results. In Mozambique, as in many other countries, this issue goes beyond semantics, touching on cultural, organizational, and even legal aspects.

The distinction between “Going to Work” and “Working”

Understanding the difference between “going to work” and “working” is key to grasping how companies can balance productivity with compliance to labor standards. While the former refers to merely being physically present in the workplace, the latter involves dedication to tasks and the delivery of results.

Organizational and legal challenges

In Mozambique, as in many African contexts, performance evaluation in many organizations still hinges on attendance and punctuality, with less emphasis on actual results. This approach can lead to situations where physical presence is valued, even when there is no productive contribution.

From a legal perspective, the Labor Law in force in the country, specifically Article 84, outlines obligations for both employers and employees. While adherence to working hours is mandatory, the law also requires employees to perform their duties with diligence and efficiency. On the other hand, employers are obliged to provide adequate conditions for employees to effectively carry out their tasks.

Reflecting on organizational culture

This issue is largely cultural. The lack of clear goals, effective supervision, and evaluation tools contributes to the confusion between physical presence and productivity. Moreover, the absence of a robust Key Performance Indicator (KPI) system makes it harder for organizations to objectively and fairly measure performance.

Teleworking as a potential solution

The telework model, introduced in many countries in response to the pandemic, holds potential to address part of this problem. This approach shifts the focus from physical presence to delivered results, promoting flexibility and autonomy for workers.

In Mozambique, the implementation of teleworking faces specific challenges, such as inadequate technological infrastructure in many regions and limited internet access. However, where applicable, teleworking could help companies adopt a more results-oriented culture, reduce costs, and improve employee motivation.

Aligning Presence and Productivity

To strike a balance between physical presence and tangible results, organizations should:

  1. Define Goals and Indicators: Each employee should have clear objectives and measurable targets aligned with the organization’s expected outcomes.
  2. Promote Dialogue: Open communication between employers and employees is crucial to aligning expectations and emphasizing the importance of productivity.
  3. Invest in Training: Continuous training can improve employee competence and increase their effective contribution.
  4. Create a Motivating Environment: Demotivation often stems from unsatisfactory working conditions. Improving the organizational environment can boost results.

Final reflection

The difference between “going to work” and “working” goes beyond semantics—it’s a matter of mindset and organizational practices. The challenge for Mozambican companies lies in creating systems that value productivity without disregarding the importance of presence.

Teleworking, combined with good management practices and aligned with local labor laws, could be a viable path to promoting results, particularly in sectors where mobility and technology already play a key role. However, it will require a concerted effort by employers, employees, and lawmakers to ensure that changes are inclusive, effective, and sustainable in the long term.

ENI Pressiona Moçambique a ceder benefícios cruciais em novo contrato de gás

– O Estado pode perder acima de 92 milhões de dólares por ano

O Centro de Integridade Pública (CIP) tomou conhecimento de que a ENI está a pressionar o Governo de Moçambique para a assinatura de um contrato referente ao projecto Coral Norte, localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma1. Este projecto, com um investimento estimado de 7 biliões de dólares – semelhante ao valor investido no Coral Sul – representa mais um marco significativo na exploração de gás natural no país.

Este processo de negociação ocorre em um contexto delicado, dado que o actual Governo, liderado por Filipe Nyusi, está a menos de um mês de concluir o seu mandato. A negociação de um contrato dessa magnitude, com impactos de longo prazo na economia nacional, deveria ser postergada para o próximo Governo, em respeito ao princípio da prudência e à necessidade de garantir maior transparência e estabilidade nas decisões que afectam o futuro do país.

Assinar um contrato desta natureza em um período de transição política levanta sérias questões sobre a legitimidade e os interesses subjacentes a essa decisão, principalmente quando o país atravessa uma crise de confiança generalizada, com amplas manifestações de descontentamento popular contra políticas públicas que se revelaram ineficientes ao longo dos últimos dez anos.

Informações indicam que o contrato proposto pela ENI inclui a exclusão de duas cláusulas cruciais para o interesse nacional: (i) a possibilidade de pagamento do imposto de produção em espécie; e (ii) a exigência de conteúdo local. Estasalterações suscitam preocupações significativas sobre os benefícios que o país pode efectivamente obter da exploração dos seus recursos naturais.

A legislação sobre o conteúdo local em Moçambique ainda é dispersa, abrangendo normas presentes na Lei de Minas, Lei de Petróleos e na Lei dos Megaprojectos, sem, contudo, existir uma lei específica que centralize as directrizes sobre o tema. Essa lacuna regulatória amplifica o risco de que Moçambique não capitalize plenamente os benefícios económicos e sociais decorrentes da exploração de recursos naturais.

Adicionalmente, a posição assumida pelo actual Presidente da República, Filipe Nyusi, contra a criação de uma lei específica sobre conteúdo local, com o argumento de que poderia prejudicar a competitividade, reforça a controvérsia. A ausência de um marco regulatório robusto expõe o país a negociações potencialmente desfavoráveis, especialmente em projectos de grande escala como o Coral Norte.

Propostas da ENI Ameaçam o Potencial de Desenvolvimento Local e o Controlo dos Recursos

Apesar da relevância estratégica do projecto Coral Norte para Moçambique, as propostas da ENI levantam preocupações legítimas e o timing (momento) em que se pretende discuti-las reforça a convicção de que as multinacionais que actuam em Moçambique, e os consórcios em particular, tudo farão para viabilizar os seus interesses, cabendo aos moçambicanos a responsabilidade de aceitarem ou não termos contratuais perniciosos para o país. A provável exclusão das cláusulas de pagamento do imposto em espécie e de conteúdo local contraria os esforços do país para maximizar os benefícios da exploração de recursos naturais.

Pagamento do Imposto em Espécie

O pagamento do Imposto em Espécie é um mecanismo que permite que o imposto de produção seja pago na forma de recursos naturais, como gás, em vez de dinheiro. Isso pode ampliar a capacidade de Moçambique de utilizar directamente o gás natural para consumo interno, geração de energia ou comercialização no mercado internacional. A sua exclusão limitaria o poder do país de gerir estrategicamente os seus recursos, reduzindo o controlo sobre os benefícios económicos gerados.

Actualmente, a implementação do pagamento do imposto de produção em espécie enfrenta obstáculos práticos. Embora este mecanismo permita que o Governo receba uma parcela do gás extraído para consumo interno ou comercialização, a sua operacionalização exige uma infra-estrutura adequada para armazenar, processar e distribuir o gás natural. Moçambique ainda carece de capacidade técnica e logística para gerir esses recursos directamente, o que levou à opção de receber o pagamento em numerário. Essa abordagem, no entanto, limita a flexibilidade estratégica do país e pode ser interpretada como uma venda directa do recurso, reduzindo a oportunidade de maximizar os seus benefícios.

Como alternativa para superar essas limitações, seria necessário um investimento robusto em infra-estrutura e capacitação técnica, permitindo ao Governo gerir o gás recebido como pagamento em espécie de forma eficiente. Parcerias estratégicas, tanto nacionais quanto internacionais, podem desempenhar um papel crucial na criação de capacidades locais para o armazenamento e utilização do gás, garantindo que esse mecanismo se torne uma ferramenta viável para o desenvolvimento económico sustentável.

Conteúdo Local

A exigência do conteúdo local assegura que uma parcela significativa dos bens, serviços e mão-de-obra empregados nos projectos seja proveniente de Moçambique. Sem essa cláusula, o país corre o risco de ver as oportunidades de emprego e desenvolvimento económico serem transferidas para empresas estrangeiras, agravando a dependência externa e limitando o impacto positivo para a economia local.

Embora o projecto Coral Sul tenha investido milhões de dólares na capacitação de moçambicanos em diversas áreas , as capacidades técnicas necessárias para atender às necessidades específicas de projectos como o Coral Norte ainda não foram plenamente desenvolvidas. Esse cenário levanta preocupações sobre o impacto de eliminar a cláusula de conteúdo local no novo contrato, pois tal medida pode reduzir os incentivos para a continuidade de investimentos na formação técnica e na inclusão de fornecedores nacionais. Sem essa exigência, o risco de Moçambique depender exclusivamente de mão-de-obra e serviços estrangeiros aumenta, agravando a exclusão de trabalhadores locais de funções especializadas e limitando o desenvolvimento de uma cadeia de valor nacional robusta. O projecto Coral Sul está localizado em alto mar, a cerca de 50 km da costa de Cabo Delgado, o que apresenta desafios únicos para a implementação de conteúdo local. A exploração em águas ultra profundas exige um nível elevado de especialização técnica e equipamentos avançados, que muitas vezes não estão disponíveis localmente. Esta realidade limita a capacidade de Moçambique de empregar trabalhadores locais e utilizar fornecedores nacionais para várias funções, incluindo a segurança, manutenção e operações técnicas.

A remoção destas cláusulas representa uma clara ameaça ao potencial de desenvolvimento económico e social de Moçambique. Além disso, a pressão para a assinatura do contrato em um momento de transição política, com o final do mandato do actual governo, levanta preocupações sobre a transparência e a prudência dessas decisões.

Leia o documento na íntegra: Aqui

Economia moçambicana sofre retracção após sete meses de crescimento

A actividade económica no sector privado moçambicano sofreu uma retracção significativa em Novembro de 2024, de acordo com o último relatório do Purchasing Managers’ Index (PMI) do Standard Bank. O índice desceu para 48,4, abaixo do limiar neutro de 50,0, marcando a primeira contração em sete meses e destacando os impactos das tensões pós-eleitorais, protestos violentos e greves.

Tensões políticas afetam a economia

A deterioração nas condições económicas foi amplamente atribuída à instabilidade política, que prejudicou a produção, as encomendas e as cadeias de abastecimento. Protestos após as eleições gerais e o encerramento temporário das fronteiras com a África do Sul contribuíram para um cenário de menor procura e restrições logísticas.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique, descreveu a situação como “uma combinação de factores internos e externos que exacerbaram os desafios económicos do País”. Segundo Mussá, a previsão de crescimento do PIB para 2025 foi revista para 3,3%, enquanto a inflação poderá atingir 5,8%, pressionada por desequilíbrios fiscais e cambiais.

Produção e novas encomendas em queda

O relatório destaca que a produção caiu ao ritmo mais acelerado desde Janeiro de 2022. Todos os cinco sectores analisados registaram declínios, com destaque para a construção, que enfrentou as maiores dificuldades.

Novas encomendas, que vinham crescendo há nove meses consecutivos, também recuaram, afectadas pela redução na procura de clientes. A queda nas vendas foi consistente em todos os sectores, reflectindo um ambiente de negócios enfraquecido.

Emprego e custos laborais

De Acordo com o PMI de Novembro de 2024, as empresas reduziram ligeiramente os seus quadros de pessoal, marcando o declínio mais rápido no emprego desde Março de 2021. Os custos salariais também apresentaram a primeira redução em mais de três anos, uma medida associada à contenção de despesas.

Apesar dessas medidas, a confiança empresarial foi abalada. Reconhece o relatório do PMI, que acrescenta que, o índice de expectativas para os próximos 12 meses atingiu o nível mais baixo em quatro anos, embora um terço das empresas tenha relatado optimismo baseado em possíveis aumentos de vendas e maior publicidade.

Cadeias de abastecimento e custos

Nesta perspectiva, o PMI do Standard Bank, revela que os atrasos nas cadeias de abastecimento intensificaram-se, com prazos de entrega a registarem a maior deterioração mensal na história do índice. A redução das aquisições e inventários foi exacerbada pela falta de materiais e pelos desafios logísticos nas fronteiras com a África do Sul.

Paradoxalmente, o relatório registou uma redução nos custos de aquisição pela primeira vez em um ano. A menor procura por insumos e a estabilização do Metical contribuíram para aliviar as pressões inflacionárias.

Impactos e perspectivas

A tensão política e os protestos pós-eleitorais não apenas enfraqueceram a actividade económica, como também colocaram em risco a estabilidade futura. Fáusio Mussá advertiu que as condições de financiamento permanecerão restritivas devido aos elevados coeficientes de reservas obrigatórias e aos atrasos nos pagamentos do Estado e no reembolso do IVA.

Apesar do cenário adverso, há sinais de recuperação moderada. As empresas que mantêm optimismo apostam no reforço de vendas e campanhas publicitárias para retomar a trajectória de crescimento.

Caminho a seguir

Colocando em evidencia os dados e as perspectivas avançadas pelo relatório do PMI, do Standard Bank, de Novembro de 2024, infere-se que a recuperação económica exigirá esforços coordenados para estabilizar o ambiente político e reduzir as barreiras logísticas. Além disso, incentivos fiscais e financeiros podem ajudar a mitigar os impactos das recentes turbulências. A aposta em infraestruturas e na integração económica regional será crucial para impulsionar o comércio e fortalecer o sector privado.

Com a queda do PMI para níveis de contracção, a economia moçambicana enfrenta desafios significativos, mas também oportunidades de reestruturação e inovação para assegurar um crescimento sustentável nos próximos anos.

 

UBA Expande operações bancárias para França

O United Bank for Africa (UBA), instituição financeira líder em África, anunciou oficialmente o início das suas operações bancárias completas em França, marcando um novo ciclo no seu compromisso com a promoção do comércio e da conectividade entre África e o mundo.

A expansão para França representa um passo estratégico para consolidar a posição global do UBA. Paris será o centro das operações do UBA na União Europeia, juntando-se a Londres, Nova Iorque e Dubai como localizações estratégicas dentro da estrutura operacional global do banco. Com esta expansão, o UBA reforça a sua missão de aproximar África do resto do mundo através de soluções financeiras inovadoras.

Na última semana, durante a visita de Estado do Presidente da Nigéria, Sua Excelência Bola Ahmed Tinubu, a França, Tony Elumelu, Presidente do Grupo UBA, assinou um acordo histórico de cooperação empresarial com o Ministro das Finanças francês, Antoine Armand.

A cerimónia, realizada na presença dos Presidentes Emmanuel Macron e Bola Ahmed Tinubu, simboliza o apoio significativo do Governo francês ao estabelecimento das operações do UBA no país.

Sobre esta parceria, Tony Elumelu, Presidente do Grupo UBA, declarou:“Esta expansão reforça o nosso compromisso de fornecer serviços bancários internacionais sem descontinuidades aos nossos clientes nos 11 países africanos francófonos onde operamos, em toda a África e para clientes europeus e franceses com interesses no continente. París será fundamental para o fortalecimento das relações comerciais entre África e a Europa.”

A participação do UBA nesta iniciativa sublinha o seu papel na promoção do crescimento sustentável, através de alianças estratégicas e investimentos em infraestruturas.

Este compromisso, também, se reflete na colaboração contínua do Grupo com organizações globais, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a União Europeia e a Cruz Vermelha, reforçando a missão de impulsionar o “Africapitalismo” e a prosperidade compartilhada.

Durante a visita de Estado, Tony Elumelu também participou de fóruns empresariais de alto nível, incluindo o Fórum Empresarial Internacional do Mouvement des Entreprises de France (MEDEF), que tem sido uma plataforma importante para a promoção de parcerias globais. Este evento proporcionou novas oportunidades para fortalecer laços comerciais entre a França e a África.

Durante a visita, o Presidente Emmanuel Macron reforçou o seu apreço especial pelo UBA, onde destacou um momento marcante de sua relação com o banco: em 2018, ele participou de um encontro histórico com 1.000 jovens empreendedores da Fundação Tony Elumelu (TEF) em Lagos. Macron descreveu o evento como um exemplo poderoso de como política e empreendedorismo podem se unir para impulsionar a transformação econômica e social. A ocasião simbolizou o compromisso mútuo entre França e o Grupo UBA em fomentar o crescimento empresarial e fortalecer os laços.

Com mais de 25.000 colaboradores e uma base de clientes de mais de 45 milhões em todo o mundo, o UBA continua a liderar no setor financeiro, operando em 20 países africanos e em mercados globais estratégicos. Esta expansão, em França, reflete a visão do banco em transformar as fronteiras do comércio global e estabelecer parcerias de impacto que promovam o crescimento e a inclusão financeira.

UBA Expands banking operations to France

United Bank for Africa (UBA), a leading financial institution in Africa, has officially announced the commencement of its full banking operations in France, marking a new chapter in its commitment to fostering trade and connectivity between Africa and the rest of the world.

The expansion into France represents a strategic step toward consolidating UBA’s global presence. Paris will serve as the hub of UBA’s operations within the European Union, joining London, New York, and Dubai as strategic locations in the bank’s global operational framework. Through this expansion, UBA strengthens its mission to bring Africa closer to the world with innovative financial solutions.

Last week, during Nigerian President His Excellency Bola Ahmed Tinubu’s state visit to France, Tony Elumelu, UBA Group Chairman, signed a historic business cooperation agreement with French Finance Minister Antoine Armand.

The ceremony, held in the presence of Presidents Emmanuel Macron and Bola Ahmed Tinubu, symbolizes the significant support of the French government for UBA’s establishment in the country.

Commenting on this partnership, Tony Elumelu stated:

“This expansion reinforces our commitment to providing seamless international banking services to our customers across the 11 Francophone African countries where we operate, throughout Africa, and to European and French clients with interests on the continent. Paris will play a key role in strengthening trade relations between Africa and Europe.”

UBA’s participation in this initiative underscores its role in promoting sustainable growth through strategic alliances and investments in infrastructure. This commitment is also reflected in the Group’s ongoing collaboration with global organizations such as the United Nations Development Programme (UNDP), the European Union, and the Red Cross, aligning with its mission to advance “Africapitalism” and shared prosperity.

During the state visit, Tony Elumelu also participated in high-level business forums, including the International Business Forum of the Mouvement des Entreprises de France (MEDEF), which has been an important platform for promoting global partnerships. This event provided new opportunities to strengthen commercial ties between France and Africa.

President Emmanuel Macron, during the visit, expressed his special appreciation for UBA. He highlighted a memorable moment in his relationship with the bank: in 2018, he participated in a historic meeting with 1,000 young entrepreneurs of the Tony Elumelu Foundation (TEF) in Lagos. Macron described the event as a powerful example of how politics and entrepreneurship can unite to drive economic and social transformation. The occasion symbolized the mutual commitment between France and UBA Group to fostering business growth and strengthening ties.

With over 25,000 employees and a customer base exceeding 45 million worldwide, UBA continues to lead the financial sector, operating in 20 African countries and key global markets. This expansion into France reflects the bank’s vision of reshaping global trade boundaries and establishing impactful partnerships that drive growth and financial inclusion.

Produção de energia solar cresceu 28.9%

A produção de eletricidade através de parques solares em Moçambique registou um crescimento significativo de 28,9% entre janeiro e setembro de 2024, atingindo 71.264 MegaWatts-hora (MWh), face aos 55.301 MWh produzidos no mesmo período do ano anterior. No entanto, esta fonte de energia ainda representa apenas 0,5% da produção total do país, segundo dados oficiais divulgados pela Lusa.

O panorama energético de Moçambique continua amplamente dominado pelos aproveitamentos hidroelétricos, responsáveis por 84,5% da eletricidade gerada, com destaque para a Hidroelétrica de Cahora-Bassa, que sozinha contribui com 82,3% do total.

Plano estratégico até 2030

Apesar da modesta participação actual, o Governo moçambicano aposta numa transformação significativa do sector energético através de uma “revolução solar”. A Estratégia de Transição Energética (ETS) prevê a construção de novas centrais solares com capacidade de 1.000 MW até 2030, em locais como Dondo, Lichinga, Cuamba, Zitundo, e outros ainda por identificar.

O objectivo é reforçar a presença da energia solar e eólica na matriz energética, com a meta de instalar pelo menos 7,5 GW de capacidade solar fotovoltaica e até 2,5 GW de capacidade eólica até 2050.

Incentivos ao investimento

A ETS sublinha a importância de atrair investidores industriais que necessitam de grandes quantidades de eletricidade verde. Para tal, o Governo propõe criar um ambiente empresarial e regulatório favorável ao desenvolvimento de projectos de energia renovável em larga escala.

O Programa de Leilões de Energias Renováveis é apontado como uma ferramenta estratégica para garantir a competitividade e optimização dos preços, seguindo exemplos regionais como o rápido crescimento solar na África do Sul após a implementação de iniciativas semelhantes.

Expansão e sustentabilidade

Além dos investimentos previstos em energia solar, Moçambique planeia desenvolver entre 200 MW e 500 MW de capacidade eólica ‘onshore’, principalmente na província de Inhambane, com foco na Lagoa Pathi.

A estratégia inclui um investimento total de 80 mil milhões de dólares até 2050, reforçando o compromisso do país em satisfazer a crescente procura de eletricidade de forma sustentável e ambientalmente responsável.

Com a aposta no crescimento do sector solar, Moçambique procura equilibrar a produção para exportação e o fornecimento interno, preparando-se para um futuro energético mais limpo e diversificado.

Veja como vão se comportar os preços de alimentos em dezembro

A economia moçambicana enfrenta um cenário de pressão sobre os preços, influenciado por fatores internos e externos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou para 103,31 pontos em outubro de 2024, contra 102,73 pontos em setembro. Este aumento reflecte uma tendência inflacionária, particularmente em alimentos e energia, que são essenciais para os consumidores.

A taxa de inflação mensal alcançou 0,56% em outubro, comparada a 0,16% no mês anterior, enquanto a inflação anual dos alimentos subiu para 6,25%, contra 5,29% em setembro. Esta situação é agravada pela escassez de produtos nacionais nos mercados, especialmente na capital Maputo, devido às manifestações pós-eleitorais.

Escassez e alta de preços nos mercados de Maputo

Os efeitos das manifestações têm provocado interrupções no abastecimento de produtos básicos, levando a aumentos expressivos nos preços de alimentos amplamente consumidos, como batata, cebola e tomate. No mercado informal do Fajardo, as vendedoras relatam que os preços dispararam: um saco de batatas, por exemplo, já custa quase 600 meticais no mercado grossista.

“Para termos algum lucro, precisamos vender a preços muito acima do habitual,” lamenta uma vendedora.

Energia e transporte também sentem o impacto

Além dos alimentos, os custos de energia e transporte continuam altos, com o IPC do sector de habitação, água, eletricidade e gás estagnado em 102 pontos e o de transporte em 101 pontos. Este contexto reflecte desafios estruturais que limitam o acesso a serviços essenciais a preços acessíveis.

Perspectivas e medidas

O Ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, alertou para o impacto prolongado das manifestações nos estabelecimentos comerciais e no fluxo de mercadorias na fronteira de Ressano Garcia. “Essas interrupções podem gerar uma escassez acentuada de produtos durante a quadra festiva e fomentar a especulação de preços”, afirmou o ministro.

O governo e a Confederação das Associações Económicas (CTA) discutem medidas para mitigar os impactos, incluindo o fortalecimento da Janela Única Eletrónica para facilitar o comércio. Ao mesmo tempo, novos acordos comerciais, como o firmado com o Malawi, abrem oportunidades para maior fluxo de bens e serviços entre os países.

Embora o cenário seja desafiador, o sector privado mantém uma visão positiva e busca colaborar com o governo para estabilizar os mercados e preparar estratégias de curto e longo prazo para enfrentar as adversidades económicas.

CCMUSA Amplia rede com 20 novas empresas focando em oportunidades comerciais

A Câmara de Comércio Moçambique-EUA (CCMUSA) reforça a sua posição como um catalisador de parcerias estratégicas ao anunciar, no dia 2 de Dezembro, a integração de 20 novas empresas à sua rede. Este movimento visa potenciar relações comerciais, promover oportunidades de negócio e fortalecer as sinergias entre os mercados moçambicano e norte-americano.

Durante o anúncio, Onório Manuel, Presidente da CCMUSA, sublinhou o compromisso da instituição em fomentar um ambiente de negócios dinâmico, mesmo perante os desafios de instabilidade no país. “Estamos confiantes na capacidade de superar obstáculos e em continuar a promover parcerias que beneficiem os nossos membros e a economia moçambicana”, destacou.

Empresas em destaque na nova rede da CCMUSA

As novas empresas abrangem uma ampla gama de sectores estratégicos, reforçando a diversidade e a capacidade de resposta da Câmara às necessidades do mercado. Entre os novos membros, destacam-se:

  1. Ecolog Mozambique: Líder em gestão de activos, oferecendo soluções inovadoras nos sectores industrial e de infra-estruturas.
  2. International Facilities Services Mozambique: Especialista em restauração e gestão de instalações, com foco na optimização de espaços corporativos.
  3. Civitas Partner Group: Investe em energia, infraestruturas e logística, promovendo o desenvolvimento económico na África Subsaariana.
  4. Tempos Correctores de Seguros: Referência em benefícios para funcionários e soluções acessíveis no mercado africano de seguros.
  5. Moz Coating Construction: Especialista em inspecção e aplicação na construção civil, com uma equipa de profissionais qualificados.
  6. Mozambique Broadcasting Company (MBC): Canal de televisão nacional comprometido com conteúdos informativos, educativos e de entretenimento que destacam a economia do país.
  7. Continental Cleaners: Fornecedora de soluções sustentáveis de limpeza e paisagismo para espaços corporativos e residenciais.
  8. Gás e Petróleo, Consultores e Serviços: Consultora de referência no sector energético, com foco em projectos de petróleo, gás e mineração.

Um futuro promissor para o comércio bilateral

A adesão destas empresas não só amplia a representatividade da CCMUSA, mas também reforça o papel da instituição como plataforma de ligação entre Moçambique e os Estados Unidos. Com sectores como energia, infra-estruturas, comunicação e serviços no centro das atenções, a Câmara espera continuar a alavancar novas oportunidades que contribuam para o crescimento sustentável e para a internacionalização das empresas moçambicanas.

Este movimento estratégico reflecte o compromisso da CCMUSA em actuar como um pilar de desenvolvimento, promovendo um futuro mais próspero para os seus membros e para o panorama económico do país.

MISAU lança projecto de digitalização de hospitais para reduzir custos

O ministro da Saúde moçambicano lançou recentemente, em Maputo, o projecto de digitalização das unidades hospitalares de Moçambique que visa reduzir custos com a impressão de processos clínicos e melhorar o atendimento ao paciente.

“O uso de um sistema digital permitirá reduzir os custos com a impressão de processos clínicos, blocos de receita, instrumentos de recolha de dados, entre outros. Permite reduzir a duplicação de exames médicos que, para além de criar custos desnecessários, aumenta a morosidade na assistência médica”, disse Armindo Tiago, durante o lançamento do projecto no Hospital Geral de Mavalane, em Maputo, onde já está a ser implementado em fase piloto.

O “Projecto de Digitalização das Unidades Sanitárias” visa reduzir as limitações impostas pelo uso do papel nos registos médicos, minimizando, assim, os riscos de perda de informações, duplicação de procedimentos e atrasos nos serviços, indica o Ministério da Saúde.

Além da redução de custos, Armindo Tiago apontou ainda a melhoria no atendimento ao paciente, gestão baseada em informação, eficiência nos serviços e na gestão de ‘stocks’ como os principais benefícios do projeto de digitalização, que deverá também permitir o acesso à informação em tempo real.

“Queremos eliminar as limitações físicas dos arquivos em papel, promovendo uma gestão integrada e mais segura. Assim sendo, o risco de perda de processos e a duplicação de tratamentos comuns nos registos manuais serão drasticamente reduzidos, permitindo que os profissionais de saúde se concentrem no que realmente importa: prestar um atendimento médico de qualidade à população”,

Para o ministro da Saúde moçambicano, o lançamento do projeto representa ainda um “passo significativo” para o futuro da saúde em Moçambique, no qual a tecnologia e a humanidade se unem para “proporcionar um cuidado mais eficiente, acessível e de alta qualidade”.

“A digitalização do sistema de informação em saúde vai muito mais além do que a simples recolha de dados. Trata-se de uma transformação que torna as informações em saúde acessíveis, seguras e úteis para os diferentes níveis de atendimento em saúde”, destacou Tiago.

O país tem um total de 1.778 unidades de saúde, 107 das quais são postos de saúde, três são hospitais especializados, quatro hospitais centrais, sete são gerais, sete provinciais, 22 rurais e 47 distritais, segundo dados do Ministério da Saúde consultados pela Lusa.