Saturday, April 11, 2026
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PME Moçambicana desafia o Status Quo e destaca sustentabilidade na Agenda Nacional

Em Moçambique, onde os grandes temas da responsabilidade ambiental, social e de governação (ESG) tendem a estar associados a multinacionais e corporações de grande porte, uma Pequena e Média Empresa está a romper o silêncio e a desafiar o statu quo. A Ubuntu Academy, uma marca da Ubuntu Holdings, posiciona-se como pioneira ao mobilizar o ecossistema empresarial moçambicano em torno da Sustentabilidade, um território até agora pouco explorado pelas PMEs.

Com apenas um ano e meio de existência, a Ubuntu Academy está a erguer a bandeira da mudança, não apenas em seu nome, mas em nome de todas as Pequenas e Médias Empresas do país. Em vez de aguardar pela acção das grandes instituições, esta PME decidiu liderar. E fá-lo com estratégia, consistência e sem recorrer a desculpas.

Em parceria com entidades como a AMEEA, MozParks e a Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), a Ubuntu Academy vai realizar o Curso Executivo Introdutório em ESG, orientado pelo Dr. Gustavo Cruz, especialista internacional com mais de 28 anos de carreira em liderança ética e desenvolvimento sustentável. A formação decorrerá de 2 a 26 de Junho de 2025, em formato presencial, na cidade de Maputo.

Mais do que uma simples acção formativa, trata-se de um movimento estratégico para dotar as PMEs de ferramentas práticas que lhes permitam implementar políticas ESG de forma contextualizada e eficaz. A proposta pedagógica privilegia a realidade moçambicana, com enfoque em soluções práticas e adaptadas à dimensão das pequenas empresas, tantas vezes deixadas fora das grandes discussões globais.

Ao contrário de muitas empresas que adoptam a linguagem da Sustentabilidade apenas no discurso, a Ubuntu Holdings dá o exemplo dentro de portas. A empresa já implementou seguro de saúde e de vida para os seus colaboradores, além de promover uma cultura de governação interna baseada na transparência, ética e responsabilidade corporativa.

Este posicionamento, ainda raro entre empresas do seu segmento, desafia a ideia de que responsabilidade social e ambiental é um luxo reservado às grandes corporações. Pelo contrário, a Ubuntu Academy está a demonstrar que é possível, e necessário, construir um modelo de negócio comprometido com o impacto social, ambiental e económico.

“Queremos inverter a lógica. As PMEs não têm de seguir, podem liderar. Com coragem, com visão e com compromisso real com o futuro de Moçambique”, afirma a direcção da Ubuntu Academy.

A iniciativa representa um passo importante para o fortalecimento do ecossistema empresarial nacional, promovendo uma nova geração de líderes conscientes, preparados para actuar com responsabilidade e para posicionar as suas organizações como agentes activos de transformação.

Mozambican SME Challenges the Status Quo and Puts Sustainability on the National Agenda

In Mozambique, where the major themes of Environmental, Social and Governance (ESG) responsibility are often associated with multinational companies and large corporations, a Small and Medium Enterprise is breaking the silence and challenging the status quo.
Ubuntu Academy, a brand of Ubuntu Holdings, positions itself as a pioneer by mobilising the Mozambican business ecosystem around the concept of Sustainability, a domain thus far largely unexplored by SMEs.

With only a year and a half of existence, Ubuntu Academy is raising the flag of change, not just in its own name, but on behalf of all Small and Medium Enterprises in the country. Rather than waiting for action from large institutions, this SME has chosen to lead. And it does so with strategy, consistency, and without resorting to excuses.

In partnership with entities such as AMEEA, MozParks, and the Mozambican Association of Small and Medium Enterprises (APME), Ubuntu Academy will host the Introductory Executive Course on ESG, led by Dr. Gustavo Cruz, an international expert with over 28 years of experience in ethical leadership and sustainable development. The training will take place from 2 to 26 June 2025, in person, in the city of Maputo.

More than just a training activity, this initiative constitutes a strategic movement aimed at equipping SMEs with practical tools to implement ESG policies in a contextualised and effective manner. The course’s pedagogical approach is rooted in the Mozambican reality, with a strong focus on practical solutions adapted to the scale of small businesses, so often left out of global discussions.

In contrast to many companies that adopt the language of Sustainability only at a discursive level, Ubuntu Holdings leads by example. The company has already implemented life and health insurance for its employees, and promotes a corporate governance culture grounded in transparency, ethics, and accountability.

This positioning, still rare among companies in its segment, challenges the notion that social and environmental responsibility is a luxury exclusive to large corporations. On the contrary, Ubuntu Academy is demonstrating that it is both possible and necessary to build a business model committed to social, environmental, and economic impact.

“We want to reverse the logic. SMEs do not need to follow, they can lead. With courage, with vision, and with a real commitment to Mozambique’s future,” states the management of Ubuntu Academy.

The initiative marks a significant step in strengthening the national business ecosystem, promoting a new generation of conscious leaders, equipped to act responsibly and to position their organisations as active agents of transformation.

TotalEnergies/Cabo Delgado: Suspensão da “Força Maior” depende do Governo de Moçambique, diz CEO

O regresso da TotalEnergies a Moçambique para continuar com o projecto de exploração de gás natural liquefeito está dependente da decisão do Governo, segundo o CEO da petrolífera, Patrick Pouyanné.

Citado pela Reuters, considerou que a situação de segurança na província de Cabo Delgado, onde será desenvolvido o projecto, é melhor do que antes, quando o projecto foi suspenso.

Avaliado em mais de 20 mil milhões de dólares, o projecto que estava a ser desenvolvido na Área 1 offshore da Bacia do Rovuma foi colocado em estado de “Força Maior” na sequência do recrudescimento de ataques terroristas na província.

“A situação de segurança melhorou. Caberá ao governo de Moçambique aprovar o levantamento desta força maior” disse, à margem da Conferência Mundial do Gás, que decorre em Beijing, China, entre 19 e 23 de Maio.

A unidade de processamento terá uma capacidade de 13,12 milhões de toneladas métricas por ano (tmpa).

A Total é o operador com uma participação de 26,5%, seguida pela Mitsui & Co (8031.T) com 20%, enquanto a estatal moçambicana ENH tem 15%. As empresas estatais indianas e a tailandesa PTTEP detêm o restante.

Governo garante haver combustível para os próximos 12 meses

O Governo assegurou o fornecimento de combustíveis para os próximos 12 meses, num esforço para estabilizar o mercado interno e aliviar a actual crise cambial.

A garantia surge após a celebração de um memorando de entendimento com a Vitol, visto pelo Governo como a melhor resposta possível face à escassez de divisas e à crescente pressão sobre as importações energéticas. O acordo é criticado por alguns operadores por alegada falta de transparência.

Segundo uma publicação da Carta de Moçambique, o acordo permite o diferimento do pagamento por até 150 dias após a descarga, e inclui uma linha de crédito no valor de 600 milhões de dólares, equivalente a 37,8 mil milhões de meticais disponibilizada pela Vitol ao longo da vigência do contrato.

O fornecimento acordado compreende 2,3 milhões de toneladas métricas de combustíveis, entre os quais 580 mil toneladas de gasolina, 172 mil toneladas de gasóleo e 100 mil toneladas de Jet A1, além de uma dotação adicional de até 18 mil toneladas métricas de gasóleo por ano.

“O prazo alongado do acordo dará tempo à economia para recuperar liquidez, sobretudo via exportações, e permitirá ao sistema bancário emitir garantias e efectuar pagamentos conforme a disponibilidade de divisas”, lê-se no memorando.

Segundo uma fonte do Executivo, a contratação da Vitol “foi a solução mais viável na conjuntura actual, na qual o País enfrenta uma séria escassez de divisas e um custo elevado das importações de combustível, que absorvem cerca de 100 milhões de dólares por mês (6,3 mil milhões de meticais)”. Esta situação tem afectado também a importação de outros bens essenciais, como medicamentos e trigo.

Operadores do sector alegam que a escolha da Vitol foi feita de forma pouco transparente. No entanto, o Governo refuta tais acusações e sublinha que a selecção decorreu de um concurso público conduzido pela IMOPETRO, no âmbito dos processos regulares realizados semestralmente para a contratação de fornecedores de combustíveis.

“A contratação da Vitol foi transparente e enquadra-se no processo habitual. A empresa apresentou condições que evitam uma maior dependência das reservas cambiais internas e asseguram o abastecimento contínuo do País”, explicou uma fonte do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

O acordo visa também proteger as Reservas Internacionais Líquidas, actualmente pressionadas, num contexto em que a dívida interna já se encontra classificada como ‘lixo’ pelas agências de notação financeira. Segundo o Governo, este modelo permite garantir o abastecimento de combustíveis, enquanto se aguardam novos fluxos de entrada de divisas esperados nos próximos meses.

“Esta solução dá ao País margem de manobra para se recompor da crise cambial e energética. As gasolineiras compreenderam a necessidade da mudança e já estão a assinar os novos contratos de fornecimento”, acrescentou a mesma fonte.

Com este entendimento, o Executivo espera manter estável o fornecimento de combustíveis, proteger a economia nacional de rupturas, e ganhar tempo para a retoma gradual da estabilidade macroeconómica, sem comprometer o acesso a bens essenciais para a população.

BCI reafirma o seu compromisso com a sustentabilidade através do Cartão de Débito Bio

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em parceria com a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), reafirma o seu compromisso com a sustentabilidade através do Cartão de Débito Bio, um produto financeiro inovador que alia conveniência ao impacto ambiental positivo.

Inserido na política de Responsabilidade Social Corporativa do BCI, o Cartão Bio desde a sua introdução em 2017, todo o valor arrecadado com transacções de pagamento em POS, é exclusivamente aplicado no financiamento de projectos de conservação da natureza em Moçambique.

Uma nota nota do BCI refere que o cartão é fabricado com material biodegradável à base de milho, tornando-se no primeiro cartão do género no País.

“Os recursos canalizados por esta iniciativa têm permitido apoiar e expandir projectos de elevada relevância ambiental, incluindo a protecção de espécies ameaçadas como rinocerontes e tartarugas marinhas. Entre os projectos beneficiados destacam-se a conservação da Raphia australis na Reserva Botânica de Bobole, o monitoramento de rotas migratórias de tartarugas na Área de Protecção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas, e a dinamização do Jardim Botânico da Universidade Eduardo Mondlane”, lê-se no documento.

Para o presidente da Comissão Executiva do BCI, Francisco Costa, “estas acções demonstram que o impacto do Cartão Bio vai muito além do uso bancário diário”, pois trata-se de um instrumento de intervenção ambiental e social.

“Cada transacção representa um passo concreto em direcção à preservação da nossa biodiversidade. Esta parceria com a BIOFUND é prova de que iniciativas colaborativas podem gerar resultados duradouros para o bem comum”, realçou Francisco Costa.

Banco de Moçambique e Banco Central de Timor-Leste assinam acordo de cooperação técnica

O Banco de Moçambique e o Banco Central de Timor-Leste rubricaram, no Sábado (17), um acordo de cooperação técnica com o objectivo de reforçar o intercâmbio de experiências e práticas no sector financeiro, com destaque para a supervisão bancária, regulação de fintechs e gestão de fundos soberanos.

O entendimento foi assinado em Maputo, à margem das celebrações do 50.º aniversário do Banco de Moçambique, pelos Governadores Rogério Zandamela e Hélder Lopes, que sublinharam a importância estratégica da parceria no actual contexto económico.

«Com este acordo, criamos igualmente condições para aprofundar a troca de experiências no domínio da supervisão de instituições financeiras e dos mercados de capitais, com ênfase na supervisão conjunta baseada em riscos emergentes, incluindo os serviços financeiros digitais», afirmou Zandamela, citado em comunicado oficial.

De acordo com o Governador do Banco de Moçambique, o acordo prevê ainda a partilha de boas práticas prudenciais e de quadros regulamentares aplicáveis às fintechs, bem como a criação de oportunidades de cooperação noutras áreas, como a gestão de fundos soberanos e o reforço da transparência institucional.

«Acreditamos que esta parceria trará resultados concretos e benefícios mútuos, contribuindo para que possamos enfrentar os desafios impostos às nossas economias, assim como assegurar o desenvolvimento e fortalecimento dos nossos sistemas financeiros», acrescentou.

O reforço da cooperação ocorre num momento em que Moçambique se encontra em fase de operacionalização do seu Fundo Soberano, criado em 2024 e financiado pelas receitas do gás natural, tendo como uma das referências o modelo timorense, cujo Fundo Petrolífero foi instituído há vinte anos.

Para o Governador do Banco Central de Timor-Leste, Hélder Lopes, o acordo representa um marco nas relações entre os dois países. «Estamos abertos à cooperação com o Banco de Moçambique, tanto na partilha de experiências sobre a gestão do Fundo Soberano, visando o fortalecimento da economia nacional, como noutras áreas de interesse comum», afirmou.

O acordo dá seguimento ao compromisso assumido em Setembro de 2024, durante a 2.ª Conferência dos Governadores de Bancos Centrais e Responsáveis do Sector Financeiro da China e dos Países de Língua Portuguesa, realizada em Macau.

Moçambique regista estabilidade monetária apesar de enormes desafios

Moçambique regista uma estabilidade monetária e cambial apesar dos desafios impostos pela conjuntura actual, afirma o Presidente da República, Daniel Chapo.

O Chefe de Estado anunciou o facto durante a Gala do 50º aniversário Banco de Moçambique que teve lugar sábado em Maputo. O Banco foi criado a 17 de Maio de 1975.

“Ao longo destas cinco décadas, o Banco de Moçambique mostrou que, mesmo em meio a turbulências globais, a estabilidade monetária é possível. Hoje, o País regista inflação controlada e reservas internacionais robustas, apesar de todas as adversidades, cheias, inundações, ciclones e Covid – o Banco de Moçambique continua robusto”, disse Chapo citado numa publicação da AIM.

Referiu que a inclusão financeira deixou de ser meta para ser realidade. O testemunho disso são os milhões de moçambicanos em todo o país que acedem aos serviços bancários, microcrédito e pagamentos móveis que transformam vidas e fortalecem comunidades.

Esta situação é reflexo de decisões corajosas e de um compromisso sólido com o bem-estar colectivo dos moçambicanos.

Chapo fez questão de frisar que desde a sua fundação o Banco passou por muitas provações citando como exemplo crises regionais, oscilação de preços de matérias-primas e dívidas assustadoras.

“No entanto, cada desafio revelou-se professor de cada um de nós: aprendeu-se sobre a importância da supervisão prudencial, da transparência e da literacia financeira, sustentáculos de um sistema resiliente e capaz de proteger o cidadão”, disse.

Para o presente ciclo governativo, Chapo aponta a transformação estrutural da economia como um dos pilares para o alcance da Independência Económica por meio de intervenções que concorram para a auto-suficiência, autonomia financeira, controlo dos recursos naturais, melhoria da balança comercial e diversificação da economia.

Adverte, contudo, que a materialização destes desideratos depende, em parte, da preservação da estabilidade de preços e da promoção de um sistema financeiro robusto e inclusivo, combinado com um crescimento económico sustentável como povo e para o povo.

Disse ser compromisso do governo para com as gerações futuras: um metical forte para um Moçambique forte; um Banco de Moçambique visionário para um país em ascensão.

Como desafios, para os próximos 50 anos, Chapo aponta um Metical cada vez mais forte, cada vez mais digital, um Metical que pulsa nas carteiras electrónicas dos jovens empreendedores em cada canto do país e nas transacções dos exportadores.

Outro desafio é a materialização de um sonho de ver o Banco de Moçambique na vanguarda da inovação, com pagamentos instantâneos, plataformas inteligentes e algoritmos que alertem antes mesmo de os riscos surgirem.

O sonho de viver num Moçambique onde cada cidadão, no centro urbano ou na aldeia mais remota de Moçambique, use o telemóvel como porta de entrada para serviços financeiros seguros e inclusivos é outro desafio arrolado por Chapo e, por fim, um sonho de ver um sistema económico resiliente, verde, que financia energia limpa, infra-estruturas sustentáveis e projectos que conciliam lucro com responsabilidade social no seio da população.

Participaram no evento antigos Chefes de Estado, Antigos primeiros ministros, antigos governadores do Banco Central, deputados da Assembleia da Republica e outros convidados. (AIM)

Preço da água vai baixar a partir de Junho no Grande Maputo

A Autoridade Reguladora de Águas, Instituto Público (AURA, IP), ajustou em baixa as tarifas de água potável. O anúncio foi feito pela entidade, referindo que os novos preços entram em vigor a partir do dia 02 de Junho próximo. A redução é de cerca de trinta e cinco por cento até cinco metros cúbicos de consumo mensal.

A reguladora indica que os novos preços de água potável serão aplicados na Região Metropolitana de Maputo. Com a actualização, o preço será ajustado em baixa em Maputo, Matola e Boane, dos actuais 222,88 Meticais para 143, uma redução de menos de 36 por cento, o equivalente a 79,88 Meticais para os consumidores domésticos de até 5m3.

Para as entidades públicas de carácter social, designadamente, Escolas Públicas, Hospitais Públicos, Esquadras, Quartéis, Estabelecimentos penitenciários, Serviços de Salvação Pública e Instalações municipais, a redução é menos de 38 por cento, o que corresponde a uma baixa em 464,96 Meticais para consumos de até 15m3/Mês. No ano passado, as entidades públicas de carácter social das cidades de Maputo, Matola e Boane pagavam 1215,86 Meticais, passando agora para 750,90.

De acordo com o comunicado da AURA, a redução dos preços tem a ver com a melhoria da qualidade e a ampliação da cobertura dos serviços de abastecimento de água, o que impõe a implementação de tarifas equilibradas.

“Essas tarifas devem cobrir não apenas os custos operacionais e de investimento, mas também garantir a acessibilidade da água potável para as populações mais vulneráveis. Essa abordagem assegura a sustentabilidade económica do sistema e avança na direcção da universalização do acesso, promovendo equidade social”, diz o comunicado.

Em rigor, as tarifas foram ajustadas obedecendo a factores macroeconómicos conjugados com a situação actual do desempenho do serviço e a operacionalização dos incentivos previstos na Lei n.º 9/2024, de 7 de Junho, que impactam na redução de custos operacionais de produção de água, favorecendo a redução média de 26%, no escalão de consumo mínimo.

Por outro lado, a redução enquadra-se no preconizado no artigo 53 da Lei 9/2024, que prevê a isenção do IVA para o consumidor da tarifa social, bem como para as Entidades Públicas de carácter social.

FNB Moçambique enfrenta ano difícil com prejuízo de 801 milhões de meticais

Destaques

  • Resultado antes de impostos de -516,6 milhões MZN e prejuízo líquido de -801,1 milhões MZN;
  • Imparidades e perdas operacionais atingiram mais de 550 milhões MZN;
  • Banco aposta na app FNB ON como pilar da sua transição digital;
  • Instituição mantém rácios de capital dentro dos limites regulatórios;
  • Estratégia assente em eficiência operacional e inovação centrada no cliente.

Banco reporta perdas operacionais e imparidades ligadas a perturbações sociais e tecnológicas em 2024, mas aposta na transformação digital e foco no cliente para relançar o crescimento.
O FNB Moçambique registou um prejuízo líquido de 801,1 milhões de meticais no exercício de 2024, revertendo lucros obtidos no ano anterior. O resultado reflecte o impacto de perdas operacionais significativas, imparidades de crédito associadas às manifestações pós-eleitorais e um esforço contínuo de investimento em infraestruturas críticas e transformação digital.

Ano de perdas operacionais e reestruturação estratégica

Segundo o comunicado emitido em 12 de Maio de 2025, o FNB Moçambique enfrentou um ano de enormes desafios operacionais e financeiros. As perdas antes de impostos totalizaram 516,6 milhões de meticais, contrastando com lucros de 361,7 milhões registados em 2023. O prejuízo líquido fixou-se em 801,1 milhões de meticais.

As causas identificadas foram múltiplas: perdas operacionais pontuais no último trimestre, no valor de 382,8 milhões MZN, relacionadas com um incidente num produto transaccional, imparidades adicionais de crédito na ordem dos 104 milhões MZN devido aos impactos das manifestações pós-eleitorais, e custos de investimento em infraestruturas críticas e na transformação digital.

O recém-nomeado Administrador-Delegado, Dennis Mbingo, reconheceu as dificuldades mas destacou que “o ano que passou foi de transição e investimento”, sendo agora o foco “a construção de um banco digitalmente capacitado, centrado no cliente e preparado para crescer”.

Transformação digital e foco no futuro

Apesar do cenário adverso, o FNB Moçambique sublinha ter acelerado uma reestruturação ampla do seu modelo operacional. Após o lançamento da App FNB ON em finais de 2023, a instituição intensificou os investimentos na presença digital e pretende consolidar a app como principal plataforma de transacções para particulares e empresas.

“A nossa intenção estratégica é alinhar o FNB Moçambique com os modelos de sucesso de outros mercados africanos onde o grupo opera”, afirmou Mbingo. O objectivo é alcançar eficiência interna e retorno sustentável a médio prazo.

Governança sólida e sustentabilidade prudencial

De acordo com as demonstrações financeiras auditadas, o banco encerrou o exercício com um activo total de 24,5 mil milhões MZN e manteve os seus rácios prudenciais e de capital dentro dos limites regulamentares definidos pelo Banco de Moçambique. O capital próprio situou-se em 2,79 mil milhões MZN, ainda que inferior aos 3,58 mil milhões registados em 2023.

O banco confirma que está a executar medidas correctivas relacionadas com o incidente operacional, algumas das quais já resultaram em recuperação de valores. O Conselho de Administração reitera a confiança na gestão e afirma que as projecções de continuidade da actividade se mantêm firmes.

Moçambique espera poupar divisas através do uso de biocombustíveis

Refueling the car with biofuel

O Governo moçambicano pretende reduzir os níveis de importação de produtos petrolíferos através da mistura de etanol com gasolina e diesel, no âmbito do programa de biocombustíveis.

Para o efeito, o Executivo moçambicano actualizou a legislação em 2023, que preconiza a necessidade de potenciar os agricultores nacionais, reduzir ou poupar as divisas.

Falando nesta quinta-feira (15), em Maputo, à margem do seminário sobre biocombustíveis com foco na indústria de etanol em Moçambique, o director nacional adjunto de Hidrocarbonetos e Combustíveis, no Ministério dos Recursos Minerais e Energia, José Muhai, referiu que “o que se pretende com este programa de biocombustíveis é garantir a mistura, numa primeira fase, de 10% de etanol, com a gasolina, e depois, numa primeira fase, também 3% de diesel, tanto com o biodiesel”.

 

Citado pela AIM, Muhai avançou que o Governo espera, com a introdução do programa de biocombustíveis, reduzir em média cerca de 50 mil metros cúbicos de gasolina e uma redução de quase 45 mil metros cúbicos de diesel.

O dirigente fez saber que há projectos que já estão na fase de estudo de viabilidade, alguns dos quais já estão em projectos pilotos para a produção destes combustíveis e que outros vão apostar no uso da copra, outros no uso da jatrofa e outros no uso do melaço.

Já o director adjunto do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ), Arlindo Mucone, disse que o evento visa fortalecer o compromisso da instituição com o desenvolvimento sustentável através da promoção de biocombustíveis em Moçambique,  criando condições mais favoráveis para a utilização do etanol,  quer em soluções para cozinhas limpas, quer em misturas com combustíveis fósseis.

A fonte lembrou ainda que o País dispõe de condições agro-geológicas favoráveis para a produção de biocombustíveis em larga escala, com destaque para o biodiesel com origem nas matérias-primas como o coco.

“Penso que também temos terrenos férteis para nós produzirmos a jatrofa e o etanol que podem ser obtidos a partir da carne de açúcar, a mandioca,  temos cana-de-açúcar, temos mandioca e outros produtos agrícolas amplamente disponíveis no nosso País”, assinalou.