Friday, April 17, 2026
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Tânia Saranga: “The purpose is to create an influential network of women with high growth potential”

Profile Mozambique: What does the Be Like a Woman project mean?

Tânia Saranga: Be Like a Woman is an initiative focused on women, especially those in intermediate leadership positions or those who are entrepreneurs in various sectors. The main goal of the initiative is to provide tools that help these women prepare to further boost their careers and expand their businesses.

Through the program, participants have access to a range of resources, such as training, one-on-one mentoring, and the opportunity to interact with national and international experts from various fields. The central purpose is to create an influential network of women with high growth potential, helping them scale their projects to the maximum. In this way, they become not only leaders in their sectors but also sources of inspiration for other women.

PM: Why focus on a program aimed at women?

TS: New Faces New Voices (NFNV), part of the Graça Machel Trust, is a pan-African network focused on women. One of our main objectives is to increase the financial inclusion of women, both as entrepreneurs and professionals, as well as individually. We also seek to promote the growth of these women in terms of leadership, so they become more visible and take on prominent positions.

The Be Like a Woman program, for us, represents the practical application of everything we stand for and would like to see, both in Mozambique and in the region. We believe it is essential to empower women, making them more capable of growing and reaching leadership positions in any field. This program, therefore, is an important step to help them achieve that goal.

PM: With the expansion of Be Like a Woman, what are the main challenges of the project?

TS: The first challenge is in the skills and competencies of women, but also in the opportunities available to them. In Mozambique, the system often prioritizes men, both in the job market and in business environments. Culturally, men are seen as those who should have more growth opportunities, creating an obstacle for women, who are often not encouraged to assume leadership positions. In many cases, women lack the confidence to hold certain roles, and often, they are not even considered for such positions.

Economically, women are present in business, but mostly in the informal sector. Despite their contribution to the economy, especially in the education of children and the development of the country, they are still marginalized. This history of marginalization generates a lack of self-confidence, causing many women not to see themselves as entrepreneurs or to aspire to have larger or formalized businesses.

Another significant challenge is related to knowledge and management tools. Many women, although they have valuable skills, acquire knowledge in an empirical way, “on the streets,” without the opportunity to learn proven tools to manage their businesses more effectively. Additionally, many lack access to professional development plans that help them chart a clear path to ascend in their careers and reach higher management positions. Therefore, the main challenges are: the marginalization of women in terms of opportunities, cultural discrimination that still exists both in the family and professional spheres, and the lack of formal knowledge and appropriate tools to help them grow, both as entrepreneurs and professionals.

PM: What tools and skills do you consider important for empowering women in leadership and entrepreneurship roles?

TS: The Be Like a Woman program offers a range of tools and skills to empower women. Topics covered include corporate leadership, where participants learn to stand out as leaders, and the power of negotiation, so they can effectively defend their positions. The program also focuses on transformative leadership, ethics, and integrity, and includes topics like artificial intelligence, which help women improve processes and systems in their businesses. In addition, masterclasses are offered to enhance business management and career planning.

Another important aspect of the program is mentorship. At the beginning, participants define their personal and professional development goals and are mentored by experienced mentors, both national and international. These mentors help participants structure their plans and reach their goals, with monthly meetings to monitor progress and adjust strategies. In this way, the program provides a combination of practical training and strategic support, with the aim of helping women grow and achieve leadership positions, whether in the corporate world or entrepreneurship.

PM: The Be Like a Woman program is in its second edition. What innovations have been introduced in this edition?

TS: In this second edition, the program introduced some innovations. The first is related to the target group. We opened the program to include members of associations and civil society organizations that have a significant social impact. Another important innovation is the creation of a mentorship network. The program’s mentees, at the end, will be responsible for mentoring younger women, passing on the knowledge and experience acquired.

Lastly, we can mention the nature of the topics covered. In 2024, the program incorporated themes related to ethics and integrity, artificial intelligence, and investments. The latter is particularly relevant to our focus on entrepreneurship and wealth generation, encouraging participants to think beyond their immediate needs and begin to envision long-term goals, such as building a successful business that can lead to prosperity and even wealth.

PM: What are the next plans? Can we expect a third edition of the Be Like a Woman program?

TS: The Be Like a Woman program was not designed to be limited to just two editions. From the beginning, the goal was always to create a continuous impact on the development of women leaders, entrepreneurs, and professionals. Therefore, there are indeed plans for a third edition, which will include new innovations.

Meet Be Like a Woman: Glayds Gande: “EY empowers women to lead”

Glayds Gande: “O Be Like a Woman empodera mulheres para liderar”

Profile Mozambique: A Ernst & Young Global Limited., é a entidade por detrás da implementação deste programa. O que motivou a empresa a desenvolver esta iniciativa?

Glayds Gande: A motivação da EY para implementar o programa Be Like a Woman está profundamente alinhada com os valores da empresa. Um dos principais lemas que orienta a EY é o compromisso de ajudar a “construir um mundo melhor de negócios”. Para a EY, isso significa promover um ambiente de negócios mais inclusivo, onde todos, independentemente de género ou outras variáveis, tenham as mesmas oportunidades para crescer e desenvolver.

Por outro lado, percebemos que, no caso de Moçambique, apesar de já existirem programas de capacitação para mulheres, muitos deles são voltados para aquelas que estão no início da carreira ou na fase inicial de seus negócios. Porém, quando essas mulheres atingem um estágio mais avançado, onde precisam doutro tipo de ferramentas para o próximo nível, percebemos uma quase inexistência de programas para efeito. Adicionalmente, percebemos existirem poucas mulheres no país que ocupam posições de liderança de topo, quer como, como PCAs, PCEs de grandes empresas, ou até mesmo mulheres que sejam donas de grandes empresas.

O programa Be Like a Woman foi criado neste domínio. Nosso objectivo é oferecer ferramentas e recursos para mulheres que já estão no mercado, seja em posições de liderança intermédia nas corporações ou empresárias de média dimensão, para que elas possam avançar para o próximo nível, oferecendo-lhes ferramentas para que facilmente possam ascender aos Conselhos de Administração de grandes corporações ou liderar grandes empresas. A proposta é desenvolver um ecossistema, tanto local quanto internacional, que capacite e facilite a participação das mulheres no universo corporativo, e, para que a sociedade veja como algo comum uma mulher alcançar esses níveis.

PM: Qual é a visão da EY sobre o impacto do programa?

GG: Considero ser prematuro avançar números ou resultados específicos sobre o impacto do programa, especialmente porque a primeira edição do programa terminou recentemente e a segunda edição está ainda em curso e também porque pela natureza do programa, consideramos que o seu impacto será visível a médio e longo prazo. Entretanto, já existem alguns exemplos que podem demonstrar o início desse impacto na vida das beneficiárias.

Por exemplo, temos relatos de participantes que ascenderam em suas carreiras, como o caso da Winnie Makande que, após participar do programa, passou de Consultora Sénior para a posição de Directora-Geral da instituição em que trabalha, que segundo ela, as ferramentas oferecidas no programa, como liderança, negociação, imagem pessoal, tiveram um papel importante nesta realização.

Além disso, o programa também foi construído para ajudar as empreendedoras e as profissionais a expandirem para novos mercados fora de Moçambique e pensem globalmente. Um exemplo disso é uma empresária, a Anna Sousa que, depois do programa o seu negócio passou a operar não só em Moçambique, mas também em Portugal.

Outro impacto relevante é o fortalecimento do Networking entre as participantes. Muitas estão a estabelecer parcerias e realizar negócios entre si ou com nossos parceiros. Na segunda edição, uma das participantes, Euritz Uamusse, conseguiu assinar um Memorando de Entendimento com a instituição onde outra participante trabalha. Assim, os colaboradores dessa instituição poderão adquirir os produtos da empresa dela com desconto.

PM: Quais são os principais desafios da implementação do Be Like a Woman?

GG: A jornada tem sido bastante interessante e recompensadora. No entanto, o principal desafio actualmente reside no nível de aceitação e aderência ao programa, o que limita o nível de cobertura face a procura.

Na primeira edição, a meta inicial era ter 25 participantes, mas acabamos com um total de 38. Na segunda edição, estabelecemos um limite máximo de 35 participantes, mas acabamos aceitando 57 e mesmo assim, algumas mulheres com grande potencial não puderam ser incluídas. Este é um desafio pois o número de mulheres qualificadas excede o número de vagas disponíveis e devido ao caráter dedicado e personalizado do programa, que inclui mentoria e acompanhamento individual.

PM: A questão da limitação de participantes foi observada tanto na primeira quanto na segunda edição do programa, e provavelmente se repetirá na terceira edição. Existe algum plano para reverter esse cenário?

GG: Infelizmente, esta limitação poderá persistir na terceira edição do programa devido à natureza do Be Like a Woman, que confere acompanhamento personalizado às participantes. Alargar mais do que fizemos nesta segunda edição, não é viável pois comprometeria a qualidade do programa e não pretendemos abrir mão da qualidade. No entanto, para mitigar esta limitação, implementamos a iniciativa Be Like a Woman Gives Back, direccionada às comunidades.

Nesta iniciativa, as participantes do programa a partilham o conhecimento adquirido com as pessoas ao seu redor, quer na esfera profissional quer social, criando um impacto maior em suas redes através de desafios que são criados pelo programa, para garantir a replicação de conhecimento.

Além disso, temos parcerias estratégicas, como a colaboração com a rádio Indico, onde as participantes passam de forma regular pela rádio para partilhar as diferentes temáticas que são abordadas no programa. Desta forma, deixam de ser apenas a EY e a New Faces New Voices, mas também as próprias participantes ajudam a construir um mundo melhor de negócios e mais inclusivo.

Outra parceria é com a Girl Move, onde as participantes têm a oportunidade de se tornarem mentoras das participantes das iniciativas deste programa que apoia mulheres em início de carreira. Portanto, o desafio da 3ª edição vai ser continuar a arranjar alternativas para que a comunidade seja envolvida e já nesta edição temos também parcerias com a UNWomen e algumas ONGs locais para ajudar neste domínio.

Outro aspecto que estamos a considerar para as futuras edições é a criação de uma rede de ex-participantes, onde todas as participantes das edições anteriores possam continuar a interagir, colaborar e crescer juntas. Esta rede permitirá um suporte contínuo e a troca de experiências e conhecimentos adquiridos, fortalecendo ainda mais os laços e a comunidade criada pelo programa.

Estamos optimistas de que, com essas estratégias e parcerias, conseguiremos continuar a proporcionar um impacto positivo e duradouro na vida das mulheres que passam pelo Be Like a Woman.

Glayds Gande: “Be Like a Woman empowers women to lead”

Profile Mozambique: EY Behind the Implementation of the ‘Be Like a Woman’ Program. What Motivated the Company to Develop This Initiative?

Glayds Gande: EY’s motivation to implement the Be Like a Woman program is deeply aligned with the company’s values. One of the key principles guiding EY is its commitment to helping “build a better working world.” For EY, this means promoting a more inclusive business environment where everyone, regardless of gender or other variables, has equal opportunities to grow and develop.

On the other hand, we realized that, in the case of Mozambique, despite existing training programs for women, many of them focus on those at the beginning of their careers or in the early stages of their businesses. However, when these women reach a more advanced stage, where they need different tools to go to the next level, we found that there are almost no programs addressing this need. Additionally, we observed that there are very few women in the country occupying top leadership positions, such as Chairpersons or CEOs of large companies, or even women who own large businesses.

The Be Like a Woman program was created with this gap in mind. Our goal is to provide tools and resources to women already in the market, whether in middle-management positions within corporations or as owners of medium-sized businesses, so that they can advance to the next level. We offer tools to help them easily ascend to corporate boards or lead large companies. The aim is to develop a local and international ecosystem that empowers and facilitates women’s participation in the corporate world, so that society sees it as normal for women to reach these levels.

PM: What is EY’s vision regarding the impact of the program?

GG: I think it’s too early to provide specific numbers or results about the program’s impact, especially since the first edition has only recently ended and the second edition is still underway. Also, due to the nature of the program, we believe its impact will become evident in the medium and long term. However, there are already some examples that show the early impact on the beneficiaries’ lives.

For example, we have reports of participants advancing in their careers, such as Winnie Makande, who, after participating in the program, was promoted from Senior Consultant to General Director at the institution she works for. According to her, the tools offered in the program, such as leadership, negotiation, and personal branding, played a key role in this achievement.

Additionally, the program was also designed to help entrepreneurs and professionals expand into new markets outside of Mozambique and think globally. A good example of this is Anna Sousa, a businesswoman whose company, after the program, started operating not only in Mozambique but also in Portugal.

Another significant impact is the strengthening of networking among the participants. Many are establishing partnerships and doing business with each other or with our partners. In the second edition, one of the participants, Euritz Uamusse, was able to sign a Memorandum of Understanding with an institution where another participant works. As a result, employees at that institution can now purchase products from her company at a discount.

PM: What are the main challenges in implementing Be Like a Woman?

GG: The journey has been very interesting and rewarding. However, the main challenge currently lies in the level of acceptance and adherence to the program, which limits the coverage in relation to the demand.

In the first edition, the initial goal was to have 25 participants, but we ended up with a total of 38. In the second edition, we set a maximum limit of 35 participants, but we accepted 57, and even then, some highly qualified women could not be included. This is a challenge because the number of qualified women exceeds the number of available spots, and due to the program’s dedicated and personalized nature, which includes mentorship and individual follow-up.

PM: The limitation of participants was observed in both the first and second editions of the program, and it will likely be repeated in the third edition. Is there any plan to address this issue?

GG: Unfortunately, this limitation may persist in the third edition of the program due to the personalized support offered to participants. Expanding beyond what we did in the second edition is not feasible, as it would compromise the quality of the program, and we do not want to sacrifice quality. However, to mitigate this limitation, we implemented the Be Like a Woman Gives Back initiative, aimed at the communities.

In this initiative, program participants share the knowledge they’ve gained with those around them, both in their professional and social spheres, creating a greater impact within their networks through challenges created by the program to ensure knowledge replication.

Additionally, we have strategic partnerships, such as collaboration with Indico Radio, where participants regularly share various topics covered by the program. This way, it’s no longer just EY and New Faces New Voices, but also the participants themselves who help build a better, more inclusive business world.

Another partnership is with Girl Move, where participants have the opportunity to become mentors for participants in initiatives that support women at the start of their careers. Therefore, the challenge in the third edition will be to continue finding ways to engage the community. In this edition, we also have partnerships with UNWomen and some local NGOs to assist in this area.

Another aspect we are considering for future editions is the creation of a network of former participants, where all past participants can continue to interact, collaborate, and grow together. This network will provide continuous support and the exchange of experiences and knowledge gained, further strengthening the bonds and community built by the program.

We are optimistic that, with these strategies and partnerships, we will continue to provide a positive and lasting impact on the lives of the women who go through Be Like a Woman.

Balama alcança o nível IRMA 50 de desempenho

  • A operação de grafite Balama da Syrah foi avaliada independentemente em conformidade com o padrão da Initiative for Responsible Mining Assurance (IRMA) para mineração responsável, alcançando o nível IRMA 50 de desempenho.
  • O Padrão IRMA para Mineração Responsável é um dos mais rigorosos padrões globais da indústria mineira.
  • A Syrah é a primeira empresa de grafite a completar uma auditoria IRMA e a divulgar publicamente os seus resultados.

A Syrah Resources Limited (ASX: SYR) (“Syrah” ou “Empresa”) anuncia que a sua operação de grafite em Balama (“Balama”), em Moçambique, foi avaliada de forma independente com base no Padrão para Mineração Responsável da Initiative for Responsible Mining Assurance (IRMA), alcançando o nível IRMA 50 de desempenho. Este marco reflecte o compromisso da Syrah com práticas de mineração responsável, reforçando a sua posição crítica na cadeia de abastecimento de grafite natural e material activo de ânodo. A auditoria independente foi conduzida pela SCS Global Services, um organismo de verificação treinado e aprovado pela IRMA.

Alcançar o nível IRMA 50 oferece uma verificação externa dos robustos padrões operacionais da Syrah em uma ampla gama de critérios de avaliação. Este feito fortalece o compromisso da empresa com operações seguras, éticas e eficientes, criando valor para os seus colaboradores e stakeholders e apoiando os requisitos de abastecimento responsável dos seus clientes para grafite natural. Balama é a primeira operação de grafite no mundo a concluir uma avaliação de acordo com o padrão IRMA e a atingir um nível de desempenho certificado.

O Director-Geral e CEO da Syrah, Shaun Verner, afirmou:

“Alcançar o nível IRMA 50 é um marco significativo para a Syrah em seu compromisso de operar em conformidade com as melhores práticas internacionais de mineração responsável. Este é um feito pioneiro na indústria global de grafite e destaca quase uma década de aprimoramento do nosso desempenho ESG diferenciado. O forte histórico de segurança de Balama, o investimento em formação e desenvolvimento de uma força de trabalho altamente qualificada, o contínuo desenvolvimento comunitário, a diligência no respeito pelos direitos humanos, a governança legal e o compromisso demonstrado com a sustentabilidade ambiental foram cruciais no processo com a IRMA.”

A Directora Executiva da IRMA, Aimee Boulanger, declarou:

“Aplaudimos a Syrah e a equipa de Balama por voluntariamente submeterem a primeira mina de grafite a uma auditoria de acordo com o Padrão IRMA para Mineração Responsável. Isto demonstra o compromisso da Syrah com a transparência e o envolvimento comunitário, bem como a sua intenção de continuar a melhorar o desempenho social e ambiental na operação de Balama.”

Como parte da auditoria independente, Balama foi avaliada em 26 capítulos e mais de 400 requisitos individuais. O nível IRMA 50 exige que as operações cumpram todos os requisitos críticos do Padrão IRMA, bem como pelo menos 50% dos critérios em cada um dos quatro princípios: integridade empresarial, legados positivos, responsabilidade social e responsabilidade ambiental.

A IRMA é:

  1. Um dos padrões voluntários globais mais abrangentes para a mineração, que descreve as melhores práticas para proteger pessoas e o ambiente.
  2. Um processo de garantia para avaliar minas em relação a este padrão.
  3. Uma organização governada igualmente por representantes de seis sectores afetados – comunidades, sindicatos, ONGs, instituições financeiras, compradores e empresas mineiras – que supervisiona o padrão e o processo de garantia.

Os membros da IRMA incluem os principais fabricantes de automóveis da América do Norte e da Europa.

Detalhes sobre a avaliação independente de Balama e o relatório completo da auditoria estão disponíveis no site da IRMA: Balama Graphite Operation.

Estudo de viabilidade destaca oportunidades e desafios para o mercado dos biocombustíveis

Um estudo de viabilidade sobre o mercado de biocombustíveis em Moçambique, conduzido pela Corporação Financeira Internacional (IFC), indica que as “regulações actuais são percebidas como restritivas para empresas que desejam expandir além do mercado local”. O estudo recomenda ainda orientações mais claras sobre preços, incentivos sectoriais e padrões.

O documento, com 223 páginas e ao qual a agência Lusa teve acesso, destaca o potencial de Moçambique para se tornar o maior produtor de energia na África Austral. Contudo, a actual matriz energética do país reflete as características de uma “nação rural”. De acordo com o estudo, “cerca de 92% dos agregados familiares dependem de combustíveis tradicionais para cozinhar, aquecer e outras necessidades domésticas, o que exerce uma pressão significativa sobre os recursos florestais e contribui para o desmatamento, a degradação florestal, as emissões de gases com efeito de estufa e os efeitos adversos para a saúde devido à poluição do ar”.

O estudo sublinha a necessidade de um programa nacional de combustíveis multifacetado que combine apoio político, avanços tecnológicos, parcerias industriais e práticas sustentáveis.

Entre os elementos essenciais para o desenvolvimento da infraestrutura de biocombustíveis, o relatório aponta:

  • Sistemas agrícolas avançados para optimizar a produção e a colheita de matérias-primas.
  • Instalações de processamento bem equipadas para converter biomassa em biocombustíveis de forma eficiente.
  • Soluções robustas de armazenamento para matérias-primas e produtos acabados.

Além disso, o estudo destaca a importância de investimentos na infraestrutura de armazenamento, transporte e distribuição de biocombustíveis, bem como a necessidade de “estruturação de empréstimos” com taxas de juro mais baixas para os desenvolvedores, especialmente os que atuam nas áreas agrícola e de processamento.

“Mozambique é aconselhado a implementar critérios robustos de sustentabilidade, padrões e esquemas de certificação para garantir que os biocombustíveis sejam tecnicamente viáveis e ambientalmente sustentáveis”, acrescenta o estudo.

Em 27 de Novembro de 2022, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique anunciou um investimento total de 80 mil milhões de dólares (77 mil milhões de euros) na Estratégia de Transição Energética do país, com implementação prevista até 2050.

A estratégia está estruturada em torno de quatro pilares principais:

  1. Expansão significativa da capacidade de energia renovável.
  2. Promoção da industrialização verde.
  3. Promoção do acesso universal à energia.
  4. Descarbonização dos transportes através de biocombustíveis, veículos elétricos e transporte ferroviário.

O plano foi aprovado durante uma reunião do Conselho de Ministros na mesma data.

Plataformas digitais passam a pagar impostos

Plataformas digitais internacionais de serviços turísticos poderão ser obrigadas a pagar impostos ao Estado moçambicano pelas transacções relacionadas com estâncias turísticas que operam no país, das quais obtêm comissões sem que estas sejam tributadas.

Trata-se de empresas especializadas em reservas de viagens, que ganham dinheiro por intermediarem serviços no sector do turismo. No entanto, até agora, não existem mecanismos que permitam ao fisco cobrar impostos sobre a receita neste segmento.

Neste contexto, foi elaborada uma proposta de lei que será submetida à aprovação na próxima legislatura, num esforço para legalizar esta tributação e integrar tais operações na esfera de actuação da administração fiscal moçambicana.

A informação foi partilhada com o “Notícias” pelo director da Unidade de Tributação da Economia Digital na Autoridade Tributária de Moçambique (AT), Amorim Ambasse, numa entrevista na qual abordou a iniciativa de controlo das transacções online no turismo.

Esta medida abrange ganhos obtidos por plataformas digitais estrangeiras, como BookingTrivago e outras que intermedeiam a hospedagem em Moçambique.

“Quando efectuamos uma reserva e pagamos o valor correspondente fora do país, estas plataformas recebem comissões. Apesar de não estarem fisicamente em Moçambique, prevê-se que os rendimentos obtidos em território nacional sejam sujeitos a impostos, conforme as comissões auferidas”, sublinhou Ambasse.

Esta iniciativa insere-se no âmbito da tributação da economia digital, segmento que está a ganhar cada vez mais relevância no mundo, incluindo Moçambique.

A AT tem vindo a identificar formas para controlar e tributar actividades comerciais baseadas na internet, acompanhando a evolução tecnológica e económica.

Adicionalmente, alguns estabelecimentos e serviços turísticos em Moçambique continuam a processar as suas receitas no estrangeiro. Contudo, a proposta de lei não elimina a obrigação de repatriamento das receitas geradas fora do país, que deve ocorrer até 15 dias após a saída do turista.

Em paralelo, decorre o cadastro das estâncias no Sistema de Gestão de Turismo, sob responsabilidade do Instituto Nacional de Turismo (INATUR), no âmbito do Decreto n.° 74/2022, de 30 de Dezembro.

O dinheiro em circulação em Moçambique ultrapassa os 67 mil milhões de meticais

Dívida pública

O montante de dinheiro físico em circulação em Moçambique aumentou 2,2% em Outubro, comparativamente a Setembro, marcando o sexto mês consecutivo de crescimento, segundo dados oficiais compilados pela agência Lusa.

Desde o início do ano, o volume de notas e moedas em circulação cresceu 6,6%, passando de 63,231 mil milhões de meticais (943,2 milhões de euros) em Janeiro para o nível mais alto do ano em Outubro, superando os 63,347 mil milhões de meticais (945 milhões de euros) registados no início de 2023. Este aumento foi especialmente notório a partir de Maio, antecedendo a introdução de uma nova série de meticais.

A retirada de dinheiro da circulação é uma prática comum em políticas monetárias contracionistas, utilizada pelos bancos centrais para reduzir a oferta de moeda e conter a subida dos preços. Em Moçambique, a inflação homóloga manteve-se abaixo de 3% durante vários meses, situando-se em 2,84% em Novembro, após encerrar 2023 nos 5,3%, bem abaixo do pico de quase 13% registado em Julho de 2022.

No dia 16 de Junho, Moçambique lançou uma nova série de notas e moedas de metical, que substituirá gradualmente a série em circulação desde 2006, conforme anunciado pelo governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.

“Os bancos centrais tendem a actualizar as suas notas e moedas a cada cinco anos para se alinharem às novas tendências de design, características de segurança e outros elementos contextuais,” explicou Zandamela.

O governador detalhou que “o tema da série de 2024 de notas e moedas de metical destaca os valores do património cultural, histórico e faunístico do país.”

A nova série, lançada no Dia do Metical — celebrado a 16 de Junho, em alusão à introdução da moeda em 1975 — manteve as mesmas seis denominações de notas:

  • As denominações de 1.000, 500 e 200 meticais são impressas em substrato de papel.
  • As de 100, 50 e 20 meticais utilizam substrato de polímero.

Quanto às moedas, a nova série descontinuou as de 20 e cinco centavos, mas manteve as de 10, cinco, dois e um metical, além de 50, 10 e um centavo.

“As novas notas e moedas de metical circularão em simultâneo com a série emitida desde 1 de Julho de 2006, que continuará a ter curso legal pleno e valor ilimitado no território nacional”, acrescentou Zandamela.

Incêndio de grandes proporções atinge central da mineradora Vulcan em Tete

Firemen using water from hose for fire fighting at firefight training of insurance group. Firefighter wearing a fire suit for safety under the danger case.

A central II de processamento de carvão da mineradora Vulcan Moçambique, em Moatize, na província de Tete, incendiou-se há dias, segundo um comunicado de imprensa emitido pela empresa. A nota explica que o incidente foi provocado pela queda acidental de faíscas de soldagem sobre um produto químico.

A equipa interna de “bombeiros” fez o trabalho necessário para debelar o fogo, evitando o alastramento para mais áreas. Em comunicado, a Vulcan Moçambique reconheceu que “foi registado um incêndio, numa das áreas operacionais, durante a realização de trabalhos de soldagem. Graças à rápida intervenção das nossas equipas de emergência, o fogo foi prontamente controlado, sem registo de feridos ou danos materiais”. No comunicado, a Vulcan garante que as operações continuam normalmente.

A Vulcan é a empresa responsável pela exploração da Mina Carvão Moatize, uma filial 100% da Vulcan International. Com ligações accionistas a um dos maiores produtores de aço do Médio Oriente, a Vulcan International tem uma carteira diversificada de produtos e um alcance de mercado global, abrangendo mais de 25 países e seis continentes.

A Concessão da Mina Carvão Moatize situa-se a 17 km a noroeste da cidade de Tete ao longo do rio Zambeze, 180 km a sudoeste da barragem de Cahora Bassa e 80 km ao sul da fronteira com o Malawi.

A mina é um dos principais activos da Vulcan na área do carvão e apresenta diferenciais que a colocam em evidência no mercado mundial, com reservas estimadas em 1,9 mil milhões de toneladas e um grande potencial para gerar carvão metalúrgico e térmico. A concessão mineira de Moatize tem uma área de cerca de 25.000 hectares.

Large-Scale Fire Hits Vulcan Mining Facility in Tete

Firemen using water from hose for fire fighting at firefight training of insurance group. Firefighter wearing a fire suit for safety under the danger case.

The Coal Processing Plant II of Vulcan Mozambique, located in Moatize, Tete province, caught fire a few days ago, according to a press release issued by the company. The statement explained that the incident was caused by accidental sparks from welding igniting a chemical substance.

The internal firefighting team took swift action to extinguish the blaze, preventing it from spreading to other areas. In the statement, Vulcan Mozambique acknowledged, “A fire was reported in one of the operational areas during welding activities. Thanks to the quick intervention of our emergency teams, the fire was promptly brought under control, with no injuries or material damage recorded.” Vulcan further assured that operations are continuing as usual.

Vulcan is the company responsible for operating the Moatize Coal Mine, a wholly-owned subsidiary of Vulcan International. With shareholder ties to one of the largest steel producers in the Middle East, Vulcan International boasts a diversified product portfolio and a global market reach spanning more than 25 countries across six continents.

The Moatize Coal Mine concession is located 17 km northwest of Tete city along the Zambezi River, 180 km southwest of the Cahora Bassa Dam, and 80 km south of the Malawi border.

The mine is one of Vulcan’s key assets in the coal sector and holds a prominent position in the global market, with estimated reserves of 1.9 billion tonnes and significant potential to produce both metallurgical and thermal coal. The Moatize mining concession covers an area of approximately 25,000 hectares.

Suspensão da mina de grafite de Balama afecta Estados Unidos e Austrália

A suspensão das operações da empresa australiana Syrah Resources, em Balama, província de Cabo Delgado, devido à tensão pós-eleitoral, está a ter efeitos negativos para os Estados Unidos da América (EUA) e para a Austrália. A suspensão acontece numa altura em que as comunidades circunvizinhas não se beneficiam das mais-valias da exploração da empresa, vivendo numa pobreza extrema.

Há dias, o Australian Financial Review noticiou que a Syrah Resources está em conversações de emergência com o governo americano sobre empréstimos de cerca de 250 milhões de USD que a companhia não pode pagar agora devido à suspensão das suas actividades na mina de Balama, onde extrai grafite, um produto usado no fabrico de baterias de automóveis eléctricos e outros fins.

“A Syrah Resources, produtora australiana de grafite, está em conversações de crise com agências governamentais dos EUA depois de distúrbios civis perto da sua mina em Moçambique terem interrompido a produção e desencadeadas cláusulas de incumprimento em empréstimos cruciais do governo dos EUA”, escreve o Australian Financial Review.

O periódico australiano lembra que a Syrah não tem conseguido lucrar com a mineração de grafite nas suas instalações de Balama, em Moçambique, desde 2017 e, por isso, dependeu da Australian Super e de agências governamentais dos EUA para subscrever acções ou conseguir empréstimo de dinheiro para permanecer no negócio.

A interrupção de operações da Syrah está a comprometer o anseio dos EUA de evitar dependência da China no fornecimento de produtos feitos à base de grafite. Dados da GlobalData indicam que Moçambique é dos cinco maiores produtores de grafite do mundo, sendo a China líder global. De acordo com GlobalData, Moçambique foi o segundo maior produtor mundial de grafite em 2022, com um incremento de produção em 126%, acima de 2021. Até 2021, a produção de Moçambique aumentou em 294% e espera-se que aumente até 13% até 2026.

Para não depender dos produtos chineses, os EUA aprovaram o referido empréstimo no valor de 220 milhões de USD para a Syrah Resources construir a fábrica de ânodo em Louisiana, um dos estados mais pobres dos EUA, para criar 221 empregos nos EUA com grafite de Moçambique. A fábrica produz material de ânodo activo (AAM) para baterias de íon de lítio. Com a instalação, será a única produtora de AAM de grafite natural verticalmente integrada e em larga escala fora da China, reduzindo a dependência dos EUA em relação à China.

Tal como “Carta” tem vindo a reportar sobre o empréstimo, a referida fábrica poderia ter sido construída em Cabo Delgado, onde a grafite poderia ser processada, principalmente para obter o tamanho e a pureza correctos das partículas, bastando a infra-estrutura certa. Com essa fábrica, os aludidos 221 empregos seriam absorvidos por moçambicanos.

Contudo, no mundo contemporâneo, os EUA têm permissão para dar ao sector privado 220 milhões de USD para criar empregos, desenvolver fornecedores locais e vencer a China, enquanto um país em desenvolvimento como Moçambique não tem permissão de envolvimento estatal semelhante numa indústria-chave.

“Ao contrário de todas as estatísticas acima apresentadas, nos locais onde a grafite é extraída ainda prevalecem grandes problemas que não têm merecido atenção da empresa e do governo, de forma profunda. A existência de diferenças salariais abismais entre os trabalhadores locais e outros fez emergir uma greve que paralisou as operações por um período de um mês (de Setembro a Outubro), sendo que 23 trabalhadores foram expulsos em Novembro de 2023”, criticou o Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), num boletim informativo de Junho de 2023.

O Boletim refere ainda que as empresas têm contribuído para a rápida degradação da estrada que liga as minas de grafite em Balama e Ancuabe ao Porto de Pemba por onde é escoado o produto, ao mesmo tempo que as comunidades locais vivem numa pobreza extrema, pois não beneficiam das mais-valias da exploração da empresa. Citando dados do Conselho Executivo Provincial de Cabo Delgado, o Boletim do CDD refere que no terceiro Observatório de Desenvolvimento da Província, a 24 de Abril de 2023, a indústria de grafite, apesar de todos esses rendimentos, contribui com 7.9% para a receita pública de Cabo Delgado.