Monday, June 15, 2026
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Dinheiro a circular ultrapassa 67 mil milhões de meticais

O dinheiro físico aumentou em outubro, pelo sexto mês consecutivo, 2,2% face a setembro, segundo dados oficiais compilados hoje pela Lusa.

Desde o início do ano, quando estavam em circulação 63.231 milhões de meticais (943,2 milhões de euros) em notas e moedas, esse valor já cresceu 6,6%, sobretudo a partir de maio, antecedendo a entrada em circulação de uma nova série, atingindo em outubro o valor mais alto do ano, acima também dos 63.347 milhões de meticais (945 milhões de euros) no início de 2023.

A retirada de dinheiro de circulação é uma prática habitual da política monetária contracionista, de redução da oferta de moeda, normalmente utilizada pelos bancos centrais para conter a subida de preços, que em Moçambique regista há vários meses uma inflação homóloga abaixo de 3% (2,84% em novembro), depois de ter fechado 2023 no 5,3%, abaixo do pico de quase 13% em julho de 2022.

Moçambique introduziu em 16 de junho uma nova série de notas e moedas de metical, que vão substituir progressivamente as que circulam desde 2006, anunciou o governador do banco central.

“Os bancos centrais tendem a fazer a revisão das suas notas e moedas em circulação a cada cinco anos, por forma a adequá-las às novas tendências de design, segurança e outros elementos contextuais”, explicou anteriormente Rogério Zandamela, justificando que a instituição “decidiu pela revisão das notas e moedas do metical”.

“A temática das notas e moedas do metical da série 2024 conserva presente a tradição do enaltecimento dos valores do nosso património cultural, histórico e faunístico”, afirmou.

A nova série, lançada no dia do metical — moeda moçambicana foi lançada em 16 de junho de 1975 -, manteve as anteriores seis notas bancárias.

“As denominações de 1.000, 500 e 200 meticais em substrato de papel, e as denominações de 100, 50 e 20 meticais em substrato de polímero”, explicou Rogério Zandamela.

Já nas moedas, a nova série retirou as de 20 e cinco centavos, “mantendo-se as denominações de 10, cinco, dois e um metical, e as de 50, dez e um centavo”.

“As novas notas e moedas de metical circularão em simultâneo com as séries de notas e moedas emitidas desde 01 de julho de 2006, que continua igualmente a ter o curso legal obrigatório e poder liberatório pleno e ilimitado dentro do território nacional”, acrescentou o governador.

Exportações de Moma aumentaram 4% em 2024

As exportações da mina de Moma, na costa da província de Nampula, uma das maiores produtoras mundiais de titânio e zircão, cresceram quatro por cento em 2024, para mais de um milhão de toneladas, anunciou hoje a mineradora Kenmare.

De acordo com informação ao mercado prestada pela Kenmare, que opera a mina, em todo o ano passado foram feitos carregamentos de vários minerais acabados no total de 1.088.600 toneladas (areias pesadas, zircão, ilmenite e rutilo), sobretudo no segundo semestre.
“A previsão é que os carregamentos excedam a produção em 2025, apoiadas pelos elevados níveis de stock de produtos acabados”, acrescenta a mesma informação da empresa.

“A procura por todos os tipos de produtos da Kenmare manteve-se robusta em 2024 e prevê-se que as vendas continuem a exceder a produção em 2025”, garante a Kenmare, uma empresa de origem irlandesa e que opera em Moçambique através de subsidiárias das Maurícias.
A empresa é uma das maiores produtoras mundiais de areias minerais, cotada nas bolsas de Londres e Dublin, sendo que a produção em Moçambique representa aproximadamente sete por cento das matérias-primas globais de titânio, com clientes em 15 países, que usam os seus minerais em tintas, plásticos e cerâmica.

De acordo com a Lusa, a Kenmare pagou em 2024 cerca de 48 milhões de dólares em dividendos e investiu 140 milhões de dólares.

Factura com a importação de combustíveis dispara em 2024

De acordo com um relatório estatístico do Banco de Moçambique, com dados de janeiro até ao final de setembro de 2024, o custo com a importação de combustíveis pelo país ascendeu a 301 milhões de dólares no primeiro trimestre, subiu para 621,1 milhões de dólares (604 milhões de euros) no segundo, e para 935,9 milhões de dólares (910 milhões de euros) no terceiro.

Em apenas nove meses, o custo com a importação de todo o tipo de combustíveis ascendeu a 1.858 milhões de dólares (1.808 milhões de euros), mais do que o registado em todo o ano de 2023, 1.417 milhões de dólares (1.378 milhões de euros), e quase tanto como no ano de 2022: 1.966 milhões de dólares (1.912 milhões de euros).

Num período afetado pelas consequências económicas da pandemia de covid-19, Moçambique importou 947 milhões de dólares (921 milhões de euros) em combustíveis em todo o ano de 2021 e 542 milhões de dólares (527 milhões de euros) em 2020.

O Banco de Moçambique anunciou em junho de 2023 que iria deixar de comparticipar as faturas de importação de combustíveis do país ao exterior, considerando que os valores já podem ser suportados pelos bancos comerciais.

A comparticipação remonta a 2005 e chegou a ser de 100% depois de 2010, porque havia “grandes montantes, que variavam entre a 10 a 20 milhões de dólares numa só fatura”, tornando-as incomportáveis para um banco ou conjunto de bancos suportá-la, explicou na altura Silvina de Abreu, administradora do banco central.

Nos últimos anos, “as faturas são bastante fragmentadas”, às vezes da ordem de “um milhão de dólares ou menos” o que permite que bancos de menor dimensão possam entrar “neste mercado de financiamento para combustíveis”, acrescentou.

Ludovina Bernardo: Primeira mulher a liderar a ENH

Aos 51 anos, Ludovina Bernardo torna-se a primeira mulher a liderar a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), assumindo o cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA) em 19 de agosto de 2024. Com uma carreira marcada por mais de 25 anos de experiência no sector público, Ludovina traz para a ENH uma vasta bagagem em gestão estratégica, planificação e desenvolvimento de políticas públicas.

Trajectória e experiência

Natural de Moçambique, Ludovina Bernardo possui uma Licenciatura em Gestão de Empresas pela Universidade Politécnica e um Mestrado em Administração Pública pelo Instituto Superior de Administração Pública (ISAP). Ademais, completou formações em Planificação Estratégica e Operacional, Administração e Governação Local.

Antes de assumir a liderança da ENH, Ludovina ocupava o cargo de Vice-Ministra da Indústria e Comércio, desde fevereiro de 2020. Durante sua trajectória, desempenhou diversas funções de destaque, como Directora Nacional de Administração e Recursos Humanos no Ministério de Planificação e Desenvolvimento, Directora Nacional de Comunicações no Ministério dos Transportes e Comunicações, e Assessora no Gabinete do Primeiro-Ministro.

Ludovina Bernardo coordenou ainda importantes projectos de impacto nacional, como os Planos Estratégicos de Desenvolvimento do Niassa (2007-2017) e de Maputo (2015-2022), focados na mobilização de investimentos para projectos estruturantes. Também liderou programas como o Industrializar Moçambique, que visa aumentar a competitividade económica do país.

Desafios e perspectivas

No comando da ENH, Ludovina Bernardo enfrentará o desafio de consolidar Moçambique como um actor relevante na indústria de hidrocarbonetos. Com reservas estimadas em mais de 180 triliões de pés cúbicos de gás natural, o país está posicionado entre os maiores produtores mundiais, sendo fundamental gerir esses recursos de forma estratégica e sustentável.

Sob sua liderança, a ENH deverá reforçar o compromisso com a transição energética, a diversificação económica e o fortalecimento das capacidades locais, assegurando que os benefícios do sector sejam amplamente distribuídos para a população moçambicana.

A nomeação de Ludovina Bernardo assinala um marco histórico na liderança feminina em Moçambique, reafirmando o compromisso do país com a promoção da igualdade de género em posições de decisão estratégica. (Simão Djedje)

Ludovina Bernardo: First Woman to Lead ENH

At 51 years old, Ludovina Bernardo becomes the first woman to lead the National Hydrocarbons Company (ENH), assuming the position of Chairperson of the Board of Directors (PCA) on August 19, 2024. With a career spanning more than 25 years in the public sector, Ludovina brings extensive experience in strategic management, planning, and public policy development to ENH.

Career and Experience

Born in Mozambique, Ludovina Bernardo holds a Bachelor’s degree in Business Management from Universidade Politécnica and a Master’s degree in Public Administration from the Higher Institute of Public Administration (ISAP). Additionally, she has completed training in Strategic and Operational Planning, Administration, and Local Governance.

Before assuming leadership of ENH, Ludovina served as Deputy Minister of Industry and Commerce since February 2020. Throughout her career, she held various prominent roles, including National Director of Administration and Human Resources at the Ministry of Planning and Development, National Director of Communications at the Ministry of Transport and Communications, and Advisor to the Prime Minister’s Office.

Ludovina Bernardo also coordinated major national impact projects, such as the Niassa Strategic Development Plan (2007–2017) and the Maputo Strategic Development Plan (2015–2022), focusing on mobilizing investments for structural projects. She also led programs such as “Industrializing Mozambique,” aimed at increasing the country’s economic competitiveness.

Challenges and Prospects

At the helm of ENH, Ludovina Bernardo will face the challenge of consolidating Mozambique’s position as a key player in the hydrocarbons industry. With estimated reserves exceeding 180 trillion cubic feet of natural gas, the country is positioned among the world’s largest producers, making it crucial to manage these resources strategically and sustainably.

Under her leadership, ENH is expected to strengthen its commitment to energy transition, economic diversification, and the development of local capacities, ensuring that the benefits of the sector are widely distributed among the Mozambican population.

The appointment of Ludovina Bernardo marks a historic milestone in female leadership in Mozambique, reaffirming the country’s commitment to promoting gender equality in strategic decision-making roles.

Evolução da Prime Rate e o seu impacto no acesso ao crédito empresarial

A Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano é uma taxa de referência crucial que influencia diretamente o custo do crédito no país. As suas variações afetam tanto os consumidores individuais quanto as empresas, moldando o ambiente económico e financeiro de Moçambique. Este artigo analisa a evolução da Prime Rate desde 2024 até janeiro de 2025 e avalia o seu impacto no acesso ao crédito para negócios e na expansão das empresas.

Evolução da Prime Rate (2024 – Janeiro de 2025)

De acordo com o Banco de Moçambique (Relatório do Mercado Monetário), em 2024, a Prime Rate apresentou uma trajetória de redução contínua, refletindo os esforços das autoridades monetárias para estimular a economia e tornar o crédito mais acessível. Em agosto de 2024, a Prime Rate situava-se em 21,20%. Esta tendência de descida prosseguiu nos meses subsequentes, com a taxa a ser fixada em 20,50% em outubro de 2024. Em novembro de 2024, registou-se uma nova redução para 19,80% (Integrity Magazine). No início de 2025, especificamente em janeiro, a Prime Rate foi atualizada para 19,00% (Acess Bank Mozambique).

Impacto no acesso ao crédito para negócios

A redução da Prime Rate tem implicações significativas para o sector empresarial em Moçambique. Taxas de juro mais baixas traduzem-se em custos de financiamento reduzidos, incentivando as empresas a contrair empréstimos para capital de giro, investimento em infra-estrutura e expansão das operações. Este ambiente de crédito mais favorável pode estimular o empreendedorismo e fomentar o crescimento das pequenas e médias empresas (PMEs), que constituem uma parte substancial da economia moçambicana.

Expansão das empresas e investimento

Com a diminuição dos encargos financeiros decorrentes de taxas de juro mais baixas, as empresas estão em melhor posição para planear e executar estratégias de expansão. Projetos que anteriormente poderiam ter sido considerados inviáveis devido aos elevados custos de financiamento tornam-se agora mais acessíveis. Além disso, a confiança dos investidores tende a aumentar num cenário de estabilidade e previsibilidade das taxas de juro, potenciando investimentos tanto nacionais quanto estrangeiros.

Desafios persistentes

Apesar das reduções na Prime Rate, as empresas podem ainda enfrentar desafios no acesso ao crédito. Fatores como garantias exigidas pelos bancos, historial de crédito e a perceção de risco associada a determinados setores económicos continuam a influenciar as decisões de concessão de empréstimos. Adicionalmente, a conjuntura económica global e local, incluindo questões como a inflação e a estabilidade política, desempenham um papel crucial no ambiente de negócios.

Nota conclusiva

A trajectória descendente da Prime Rate entre 2024 e janeiro de 2025 representa uma oportunidade para as empresas moçambicanas acederem a crédito em condições mais favoráveis, promovendo o crescimento e a expansão dos negócios. No entanto, é essencial que as empresas mantenham uma gestão financeira prudente e que as instituições financeiras continuem a avaliar criteriosamente os riscos, assegurando a sustentabilidade do sistema financeiro e o desenvolvimento económico equilibrado do país.

Nota: Este artigo baseia-se em dados disponíveis até janeiro de 2025 e está sujeito a alterações conforme a evolução económica e financeira subsequente.

Moçambique- Entre incertezas e o crescimento económico

Moçambique- Entre incertezas e o crescimento económico
É comum entre os analistas económicos, sempre referenciarem as “incertezas” derivadas de épocas de eleições, isto porque em certa medida a mudança ou manutenção de regimes de governação tem efeitos directos sobre o curso da economia de um país. Moçambique é um recente exemplo dos efeitos das referidas incertezas. Antes das eleições, já se falava de possíveis impactos adversos dado o histórico do processo eleitoral no seu todo. Sectores como turismo prevendo alguma redução na actividade, o mercado financeiro que prevendo um aumento exponencial do nível de inadimplências, redução de apetite para novos financiamentos, entre outros. Os efeitos económicos são profundos e variados, impactando a economia do país de diferentes formas, o que pode se esperar tanto no curto quanto no longo prazo. Esses eventos geram instabilidade sociopolítica, o que afecta directa e negativamente a confiança dos investidores, o funcionamento das empresas, o consumo das famílias entre outros.
• Os conflitos eleitorais e manifestações geram incerteza política e sociais, o que retrai e não estimula os investimentos, tanto internos quanto externos. Os investidores buscam ambientes estáveis para aplicar seus recursos, e a incerteza causada por disputas políticas e sociais pode resultar em fuga de capitais, redução de investimentos e fluxo de capital.
• Pode-se esperar a desvalorização da moeda dado o aumento da aversão ao risco. Isso pode causar um aumento nas taxas de juros e afectar o mercado financeiro, prejudicando o acesso ao crédito e tornando o financiamento mais caro. Embora o banco central esteja empenhado em manter o nível de redução da taxa de referência com o objetivo de incentivar o investimento, esta realidade pode mudar.
• A interrupção das actividades comerciais, especialmente em áreas urbanas, encerramento de fronteiras, lojas, mercados, empresas, bloqueios de vias de acesso, sobretudo a destruição de propriedades e meios de produção, gera uma queda drástica na produção e no consumo. Isto pode resultar na escassez de produtos e um aumento nos custos de transporte que por sua vez exercem pressão para elevação de preços no mercado. Os danos à propriedade e meios de produção podem causar grandes prejuízos às empresas. O custo de reparação e/ou substituição pode ser significativo e difícil, especialmente para pequenas e medias empresas.
  • Pode se esperar por uma redução da actividade económica e aumento do desemprego dado encerramento forçado ou redução das operações das empresas dada insegurança, ou danos causados. O desemprego pode aumentar, afectando directamente a economia local e a qualidade de vida das famílias que já se vê precária.
• Ambientes de incertezas geram mudanças no comportamento do consumidor, levando-os a Adoptar comportamentos mais conservadores no consumo de bens não essenciais e
adiamento de compras.
NOTA CONCLUSIVA
As incertezas resultantes dos conflitos eleitorais, manifestações, geram uma série de efeitos económicos directos e indirectos que afectam o clima de negócios, a estabilidade sociopolítico e o crescimento económico. Isto, desencoraja os investimentos, prejudica o comércio internacional e local, afecta o emprego da mão-de-obra e a confiança do consumidor, além de desviar recursos públicos necessários para outras áreas do desenvolvimento. Estes efeitos podem ser registados não só no curto prazo, mas também com consequências a longo prazo, dependendo da intensidade e duração do conflito.

Eni compromete-se a projectar Moçambique na indústria global de GNL

A petrolífera italiana Eni reafirmou o seu compromisso em posicionar Moçambique como um actor global na indústria de Gás Natural Liquefeito (GNL), com foco na implementação do projecto Coral Norte. Este será o segundo projecto de Plataforma Flutuante de Gás Natural Liquefeito (FLNG) na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

A confirmação surge na carta enviada por Claudio Descalzi, Director-executivo da Eni, ao Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, felicitando-o pela sua eleição e investidura. Na mensagem, Descalzi assegurou o apoio da empresa à estratégia de desenvolvimento de longo prazo de Moçambique, através de iniciativas de conteúdo local e promoção da transição energética com projectos inovadores, como a produção de óleo vegetal e iniciativas florestais.

“Esteja certo [Senhor Presidente] de que o nosso objectivo é apoiar a estratégia de desenvolvimento a longo prazo de Moçambique, através de iniciativas de conteúdo local e aceleração da transição energética do país”, declarou Descalzi.

Projecto Coral Norte

A Directora-Geral da Eni Rovuma Basin, Marica Calabrese, reforçou em entrevista à Energy Connect que o sucesso do projecto Coral Sul FLNG, já operacional, prepara o caminho para o Coral Norte. “Depois do sucesso do Coral Sul, estamos prontos para lançar o projecto Coral Norte. A Eni tem muita fé neste país e este será o início de mais um sucesso”, afirmou.

Desde Novembro de 2022 até Junho de 2024, o projecto Coral Sul registou 63 carregamentos de GNL, totalizando 4,48 milhões de toneladas. Com uma capacidade de produção de 3,4 milhões de toneladas anuais, a plataforma FLNG consolidou a posição de Moçambique no mercado global de energia.

Potencial Energético de Moçambique

Estima-se que a Área 4, na Bacia do Rovuma, onde os projectos Coral Sul e Coral Norte estão localizados, contenha mais de 77 triliões de pés cúbicos de gás natural. Globalmente, Moçambique possui reservas superiores a 180 triliões de pés cúbicos de gás, posicionando-se entre os maiores produtores do mundo.

Com um contrato de longo prazo firmado entre a Eni e a BP Poseidon, os volumes produzidos pela Coral Sul FLNG estão já assegurados, demonstrando a confiança das partes envolvidas no potencial do país.

Perspectivas Futuras

O compromisso da Eni com Moçambique não se limita à exploração de recursos naturais. A empresa reafirma o seu papel no apoio à transição energética e ao desenvolvimento sustentável, promovendo um modelo de crescimento que beneficia tanto o país como os seus parceiros internacionais.

Economia de Moçambique em Perspectiva: Crescimento de 4% em 2025, desafios e oportunidades à vista

O Banco Mundial (BM) projecta que a economia de Moçambique cresça 4% este ano e mantenha o mesmo ritmo em 2025. Embora estas previsões estejam alinhadas com o desempenho esperado para outras economias da África Subsaariana, representam um ligeiro recuo em relação às projeções anteriores do Fundo Monetário Internacional (FMI), que previa um crescimento de 4,3% para 2025.

Segundo o relatório das Perspectivas Económicas Mundiais, divulgado na quinta-feira, o crescimento na região subsaariana deverá aumentar de 3,2% em 2024 para 4,1% em 2025, apoiado por condições financeiras mais estáveis e pela redução gradual da inflação. A  Guiné-Bissau lidera o crescimento entre os países lusófonos da região, com uma expansão económica prevista de 5%.

Contribuições regionais e desafios

O relatório do BM destaca o impacto positivo da melhoria no fornecimento de energia em alguns países da África Austral e do aumento da produção de petróleo na Nigéria, mas aponta também para desafios significativos. A inflação, que registou níveis historicamente altos durante a pandemia de Covid-19, começa a dar sinais de abrandamento em grande parte da região, embora a pressão sobre os preços dos alimentos continue elevada.

“Fortes aumentos de preços e depreciações cambiais marcaram o desempenho de várias economias da região em 2024, como Nigéria e Angola, onde a inflação atingiu picos de 30%”, refere o documento.

Para Moçambique, o crescimento projectado reflecte os esforços do governo em consolidar a estabilidade macroeconómica, mas enfrenta obstáculos relacionados à recuperação das atividades económicas pós-pandemia e aos conflitos internos, que continuam a afectar a dinâmica produtiva e o investimento.

Ritmo global e impacto local

O BM alerta que, apesar do crescimento moderado, as economias da região continuarão a enfrentar desafios estruturais, incluindo elevados níveis de endividamento e fragilidades nos sistemas de saúde e educação. Para Moçambique, a sustentabilidade do crescimento dependerá de uma gestão eficaz dos recursos naturais e de políticas que promovam a diversificação económica e atraiam investimento estrangeiro.

O relatório enfatiza que a recuperação económica na região, incluindo Moçambique, está condicionada a factores externos, como a volatilidade dos mercados globais e as incertezas geopolíticas, além de variáveis internas, como a implementação de reformas estruturais e o fortalecimento da governação.

Com a previsão de um crescimento económico de 4%, Moçambique terá pela frente um ano de desafios e oportunidades. A manutenção de políticas macroeconómicas consistentes e o foco no fortalecimento do sector privado serão cruciais para garantir um crescimento sustentável e inclusivo que beneficie a maioria dos moçambicanos.

TotalEnergies substitui gestor do projecto Mozambique LNG

A TotalEnergies, multinacional francesa do sector de petróleo e gás, nomeou Nicolas Cambefort como novo gestor do projecto Mozambique LNG, em substituição de Stéphane Le Galles. Cambefort chegou recentemente a Maputo para assumir o cargo, num momento em que a empresa se prepara para uma possível retoma da construção das unidades de liquefacção na província de Cabo Delgado ainda este ano.

O projecto, que prevê a construção de duas unidades de liquefacção com capacidade total de 13 milhões de toneladas por ano, está suspenso desde Dezembro de 2020, tendo sido declarado força maior em Abril de 2021 devido à insegurança na região. Cambefort, engenheiro formado na École Nationale Supérieure d’Arts et Métiers, tem vasta experiência, incluindo funções em parques eólicos offshore e passagens por países como Noruega, Estados Unidos e Indonésia, embora esta seja a sua primeira missão em África.

Ele trabalhará em colaboração com Maxime Rabilloud, líder da subsidiária da TotalEnergies em Moçambique desde 2021, que aguarda ansiosamente a retoma do projecto.

A TotalEnergies monitora de perto a gestão do novo Presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, diante da crise política e da violência após as eleições de Outubro de 2024. A empresa também observa o impacto da colaboração com as forças ruandesas destacadas desde 2021 para estabilizar a província rica em gás.

Outro factor determinante é a decisão do Exim Bank dos EUA sobre garantias financeiras para o Mozambique LNG, adiada devido à transição administrativa nos Estados Unidos. Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, espera que a nova administração republicana, assumida por Donald Trump, facilite o processo. ExxonMobil, que também opera na península de Afungi, apoia a TotalEnergies na obtenção dessas garantias, essenciais para assegurar investimentos adicionais.