Sunday, June 14, 2026
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A Impulsividade das Massas e os Caminhos para a Paz

“Na massa, o indivíduo adquire, pelo simples facto de fazer parte dela, um sentimento de poder invencível que lhe permite ceder a instintos que, isoladamente, ele teria mantido sob controle. A massa é impulsiva, volúvel, intolerante, e tende a acções que um indivíduo jamais cometeria sozinho.” – Gustave Le Bon (in Psicologia das Massas, 1895). Esta citação reflete exactamente o que vimos acontecer na semana passada (23 a 27 de Dezembro) quase em todo o país, onde as massas foram conduzidas a cometer actos que indivíduos isolados jamais teriam tido a coragem ou a frieza de cometer.

Neste momento, estamos diante da eminência da nova fase das manifestações, previstas para serem anunciadas nesta segunda-feira, 30 de Dezembro. Esta fase, que deverá culminar no dia 15 de janeiro, apresenta um cenário preocupante. À medida que analisamos os acontecimentos recentes, é impossível ignorar os sinais de uma potencial escalada para acções mais violentas e organizadas. Numa das minhas últimas publicações alertei sobre o risco de distribuição de a4mas de fogo a populares. Agora, o risco é o seu uso.

Se me perguntarem qual é a minha previsão, a resposta seria: início de uma nova onda de manifestações a 2 de Janeiro, precedida por acções preparatórias que poderão envolver dois cenários principais:

Cenário 1: O Uso de Armas e Ataques às Instituições do Estado

Com este cenário, prevejo um chamamento popular para bloqueios de vias de acesso e, simultaneamente, acções coordenadas de um grupo mais radical com a missão de atacar instituições centrais do Estado, como a Presidência, o Conselho Constitucional, o Tribunal Supremo e a Assembleia da República.

Há indícios de organização nesse sentido, como o vídeo amador que circulou recentemente mostrando populares de Boane apreendendo um carro com a4mas descaracterizadas. Esta abordagem busca explorar a dificuldade do governo em impor um Estado de Emergência, dadas as limitações legais, podendo levar a consequências devastadoras: uma guerra civil.

Cenário 2: Manipulação de Massas para Pressão Colectiva

Neste cenário, a estratégia giraria em torno da manipulação emocional das massas, com apelos para dias de “paneladas”, hinos e luto nacional – práticas já implementadas com sucesso no passado e às quais as massas não teriam dificuldades de aderir. Isso culminaria numa grande mobilização no dia 14 de janeiro, com marchas direccionadas a instituições como a Presidência e o Conselho Constitucional. As consequências seriam igualmente terríveis, com um provável confronto violento, chacinas e um prolongamento do clima de luto e divisão nacional.

Ainda tem a possibilidade de um terceiro cenário, sobre o qual a minha cabeça de recusa a debruçar-se, que seria a combinação dos dois primeiros cenarios em simultâneo. Este é um cenário que poderia ter aproveitamento de grupos terroristas .

Todos os cenários são alarmantes, não apenas pelos danos imediatos que podem causar, mas também pelas feridas profundas que deixarão em nossa sociedade. Será isto que, enquanto sociedade, queremos para o nosso país?

O Momento de Curar as Feridas

Todo aquele que, como eu, já foi enterrar um ente querido morto no âmbito destas manifestações, coloca-se a seguinte questão: quando chegará o momento de curar as feridas e reaproximar as pessoas que hoje se dividem em alas políticas?

Tenho convicção de que muitos dos que apoiam as manifestações não concordam com a violência, os saques ou a destruição de estabelecimentos públicos e privados. Porém, enquanto sociedade, precisamos traçar um limite claro contra qualquer tipo de agitação à violência ou provocação que levará à violência.

É hora de reflectirmos sobre como queremos que a história lembre este momento: como um período de divisão e destruição ou como um ponto de virada rumo à reconciliação e reconstrução.

Convoco todos, independentemente dos seus pontos de vista, a adoptarem o diálogo como ferramenta principal e a rejeitarem acções que perpetuem a dor e o sofrimento. A paz e a unidade só serão possíveis quando as lideranças – de todos os lados – e a sociedade como um todo priorizarem o respeito, o entendimento e o bem colectivo.

O futuro do nosso país depende das nossas escolhas hoje. Que possamos escolher construir pontes, em vez de cavar abismos.

Por: Vicente Sitoe

Fausia Gonçalves: “Buscava crescimento e encontrei no Be Like a Woman uma comunidade de apoio”

Em um mercado desafiador e dominado por estereótipos de género, Fausia Gonçalves se destaca como exemplo de perseverança no sector de transporte. Empreendedora de sucesso, ela busca constantemente a evolução. Em sua participação no programa Be Like a Woman, Fausia tem encontrado novas formas de expandir os seus horizontes, fortalecer a sua rede de contactos e aplicar práticas inovadoras no seu negócio.

Profile Mozambique: Como define o programa Be Like a Woman?

Fausia Gonçalves: Eu vejo o Be Like a Woman como um programa transformador, voltado para o empoderamento das mulheres em diversas áreas. Ele oferece não apenas capacitação técnica, mas também a mentoria e uma rede de apoio essencial. O programa vai além do aprendizado de habilidades, sendo um espaço que fomenta a criação de uma comunidade  onde as mulheres podem se apoiar mutuamente, se desafiar e crescer juntas.

PM: O que a motivou a concorrer ao programa como mentorada em 2024?

FG: A minha decisão de participar do programa Be Like a Woman, foi motivada pela necessidade contínua de crescimento e evolução, tanto no aspecto pessoal quanto no profissional. Actuo no sector de transporte, um ramo particularmente desafiador, que ainda é maioritariamente dominado por homens. Este cenário, por si só, exige que eu esteja constantemente me adaptando e buscando formas de me destacar.

O Be Like a Woman oferece exactamente o que preciso: network, aprendizagem, partilha e acesso a mulheres extraordinárias, que podem me ajudar a expandir os meus horizontes, além de me proporcionar uma visão mais ampla. Posso dizer de forma sumária que estava em busca de um espaço de troca genuína, onde a sinergia entre as participantes permita não só a partilha de conhecimentos, mas também o fortalecimento de cada uma de nós em busca de crescimento.

PM: Quais são os principais desafios que tem enfrentado em sua jornada como empreendedora?

FG: Como mulher, um dos principais desafios que enfrento é, muitas vezes, ser exigida a provar que domino o meu trabalho, simplesmente por ser mulher. Em um sector como o meu, que é predominantemente masculino, sou constantemente desafiada a demonstrar minha competência e conhecimento, algo que, frequentemente, não ocorre com os homens.

Esse processo constante de ter que “provar” o meu valor, de passar por testes de aceitação e de lidar com os estereótipos de género, é algo que muitas mulheres enfrentam no mundo dos negócios. Há uma expectativa de que, por sermos mulheres, temos que nos mostrar mais preparadas, mais competentes, ou até mais resilientes para conquistar o mesmo reconhecimento que os homens.

PM: Como a sua participação no programa Be Like a Woman tem impactado o seu negócio?

FG: A minha participação no Be Like a Woman tem gerado um impacto, especialmente em áreas-chave como o fortalecimento da minha força, a abertura para novos mercados e a implementação de práticas mais inovadoras. Ao longo do programa, apesar das limitações impostas pela tensão política que se vive no país, tenho estado a adquirir ferramentas eficazes para a gestão empresarial e alguns elementos essenciais de uma condução estratégica de negócios, como a importância do investimento em capacitação para os colaboradores e a partilha dos valores da empresa com a equipa.

Além disso, a troca de experiências com outras mulheres do programa tem sido uma fonte constante de inspiração. A interacção com mulheres de diferentes áreas tem me permitido adoptar a novas perspectivas, o que me deixa mais confiante.

PM: Que conselho daria para as mulheres que desejam entrar em um ramo de negócios desafiador?

FG: O conselho que eu daria é, sem dúvida, o de nunca desistir, mesmo diante das dificuldades. Vou dar um exemplo: “o eucalipto demora a crescer, mas quando cresce, se torna resistente e sólido”. Assim como essa árvore, o início de uma trajectória no mundo dos negócios é muitas vezes desafiador e exige paciência, mas é importante entender que esse tempo de crescimento é essencial para que, quando chegarmos à maturidade, possamos enfrentar qualquer obstáculo com firmeza. No entanto, não podemos parar quando começamos a ver os resultados.

O sucesso não vem de imediato, e é essencial persistir. A perseverança é o que transforma os desafios em oportunidades e aprendizado. Por fim, é importante entender que o caminho será cheio de altos e baixos, mas cada dificuldade enfrentada traz lições. A chave está na resiliência, na adaptação constante às mudanças do mercado.

Leia mais sobre o Be Like a Woman: Glayds Gande: “O Be Like a Woman empodera mulheres para liderar”

Fausia Gonçalves: “I Was seeking growth and found a supportive community in Be Like a Woman”

In a challenging market dominated by gender stereotypes, Fausia Gonçalves stands out as an example of perseverance in the transportation sector. A successful entrepreneur, she is constantly seeking growth and evolution. Through her participation in the Be Like a Woman program, Fausia has found new ways to expand her horizons, strengthen her network, and apply innovative practices in her business.

Profile Mozambique: How do you define the Be Like a Woman program?

Fausia Gonçalves: I see Be Like a Woman as a transformative program focused on empowering women in various areas. It not only provides technical training but also essential mentorship and a support network. The program goes beyond skill acquisition; it is a space that fosters the creation of a community where women can support one another, challenge themselves, and grow together.

PM: What motivated you to apply for the program as a mentee in 2024?

FG: My decision to participate in the Be Like a Woman program was driven by the continuous need for personal and professional growth. I work in the transportation sector, a particularly challenging field that is still predominantly male-dominated. This environment, by itself, demands that I constantly adapt and find ways to stand out.

The Be Like a Woman program offers exactly what I need: networking, learning, sharing, and access to extraordinary women who can help me broaden my horizons while providing me with a more comprehensive vision. In summary, I was looking for a space of genuine exchange where the synergy among participants enables not only the sharing of knowledge but also the strengthening of each of us as we pursue growth.

PM: What are the main challenges you have faced in your journey as an entrepreneur?

FG: As a woman, one of the main challenges I face is often being required to prove that I master my work simply because I am a woman. In a sector like mine, which is predominantly male, I am constantly challenged to demonstrate my competence and knowledge—something that often does not happen with men.

This constant process of having to “prove” my worth, passing tests of acceptance, and dealing with gender stereotypes is something many women face in the business world. There is an expectation that, because we are women, we must show ourselves to be more prepared, more competent, or even more resilient to achieve the same recognition as men.

PM: How has your participation in the Be Like a Woman program impacted your business?

FG: My participation in Be Like a Woman has had an impact, particularly in key areas such as strengthening my resilience, opening up new markets, and implementing more innovative practices. Throughout the program, despite the limitations imposed by the political tension in the country, I have been acquiring effective tools for business management and some essential elements for the strategic conduct of business, such as the importance of investing in employee training and sharing the company’s values with the team.

Furthermore, the exchange of experiences with other women in the program has been a constant source of inspiration. Interaction with women from different areas has allowed me to adopt new perspectives, which has made me more confident.

PM: What advice would you give to women who wish to enter a challenging business field?

FG: The advice I would give is, undoubtedly, to never give up, even in the face of difficulties. Let me give you an example: “The eucalyptus takes time to grow, but when it does, it becomes strong and solid.” Just like this tree, the beginning of a journey in the business world is often challenging and requires patience, but it is important to understand that this growth period is essential so that, when we reach maturity, we can face any obstacle with firmness. However, we cannot stop when we begin to see results.

Success does not come immediately, and persistence is essential. Perseverance is what transforms challenges into opportunities and learning. Finally, it is important to understand that the path will be full of ups and downs, but each difficulty faced brings lessons. The key lies in resilience and in constantly adapting to market changes.

Megaprojectos ressentem-se

Nos últimos dias, Moçambique assistiu a uma intensificação de protestos que atingiram níveis preocupantes para a economia nacional, afectando directamente os megaprojectos que desempenham um papel significativo no Produto Interno Bruto (PIB).

As multinacionais são responsáveis por mais de 70% das exportações de Moçambique. Empresas como a fundição de alumínio MOZAL, a petroquímica Sasol e a Kenmare, que explora areias pesadas, são exemplos proeminentes.

Recentemente, na localidade de Topuito, distrito de Larde, província de Nampula, manifestantes invadiram o estaleiro da mineradora irlandesa Kenmare, que opera em Moma. Os protestantes impediram a aterragem da avioneta que transportava trabalhadores e executivos da empresa no aeródromo local. Relatos indicam que as principais vias de acesso à mina e ao acampamento da empresa foram bloqueadas por apoiantes do candidato presidencial Venâncio Mondlane. Exigiram que o administrador e o director-geral da Kenmare assinassem um acordo comprometendo-se a acelerar a construção da ponte sobre o rio Larde, infraestrutura considerada crucial para a população local.

A Kenmare é uma das multinacionais que regista lucros significativos em Moçambique, dados indicam que, em 2023, a empresa faturou 27,5 mil milhões de meticais com as suas operações.

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No início desta semana, manifestantes invadiram e ocuparam o centro de processamento de gás natural da Sasol em Temane, distrito de Inhassoro, província de Inhambane.

Interrupção do fornecimento de Gás para a África do Sul

Os manifestantes, provenientes das comunidades locais, expressaram descontentamento com a alegada falta de oportunidades de emprego e benefícios sociais proporcionados pela Sasol, empresa sul-africana que opera na região há vários anos. As reivindicações incluem maior inclusão nos postos de trabalho gerados pelo projecto e investimentos em infra-estruturas comunitárias.

Durante a ocupação, os manifestantes forçaram os funcionários a desligar o gasoduto que abastece a África do Sul, interrompendo temporariamente o fornecimento de gás natural ao país vizinho. Esta acção visa pressionar a Sasol e as autoridades moçambicanas a atenderem às demandas da comunidade local.

Bloqueio à principal via de exportação afecta operações da MOZAL

No município da Matola, um grupo de residentes bloqueou totalmente a estrada de acesso ao Parque Industrial de Beluluane, onde está situada a MOZAL, produtora de alumínio responsável por uma parte significativa das exportações moçambicanas. Os manifestantes ergueram barricadas e queimaram pneus na via que se conecta à Estrada Nacional Número 4 (EN4), principal rota utilizada pela MOZAL para transportar alumínio da fábrica ao Porto de Maputo e para os mercados de exportação. Consequentemente, os trabalhadores foram forçados a utilizar vias alternativas, enfrentando longas caminhadas.

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A MOZAL é um empreendimento conjunto de fundição de alumínio no Parque Industrial de Beluluane e integra os “megaprojetos” em Moçambique. A empresa dedica-se exclusivamente à produção de alumínio para exportação, tendo já sido responsável por mais de 50% das exportações totais do país.

Economista alerta para consequências graves da interrupção das exportações estratégicas

Para ilustrar o risco que esta nova vaga de protestos representa para o país, o economista Egas Daniel esclareceu que, embora os megaprojetos contribuam pouco para o desenvolvimento das comunidades locais, a sua paralisação pode desacelerar o crescimento do PIB, o que seria catastrófico para a economia.

Daniel alertou que as exportações estão concentradas nos megaprojetos, que são fundamentais para a obtenção de divisas necessárias para cobrir as importações. “No dia em que a MOZAL, Vulcan, Eni, Kenmare, Sasol e outras empresas não exportarem devido a um contexto político adverso, certamente teremos pressões no nosso câmbio, que neste momento é artificial”, afirmou.

Um relatório recente do Centro de Integridade Pública (CIP) estima que dez dias de manifestações podem resultar em perdas de 24,5 mil milhões de meticais, equivalentes a 2% do PIB previsto para 2024.

Contribuição dos megaprojectos para a economia

Apesar do seu peso nas exportações, a contribuição dos megaprojectos para as receitas do Estado e para o PIB tem sido considerada insignificante. Estudos indicam que, em determinados períodos, os megaprojetos contribuíram com apenas 0,004% para as receitas globais do Estado, equivalente a 83 milhões de meticais, e 0,01% para o PIB, cerca de 207 milhões de meticais.

Esta discrepância entre os lucros gerados e a contribuição fiscal tem sido alvo de críticas, com especialistas a defenderem a necessidade de políticas que assegurem uma distribuição mais equitativa dos benefícios provenientes dos recursos naturais.

Perspectivas

A continuidade dos protestos e a instabilidade política podem comprometer a operação dos megaprojectos, afectando negativamente a economia moçambicana. É imperativo que o governo e as empresas envolvidas adotem medidas que promovam o desenvolvimento das comunidades locais e assegurem uma distribuição justa dos benefícios económicos, de modo a mitigar tensões sociais e garantir a sustentabilidade económica do país.

Megaprojects under pressure

In recent days, Mozambique has witnessed an escalation of protests reaching levels of concern for the national economy, directly impacting megaprojects that play a significant role in the country’s Gross Domestic Product (GDP).

Multinationals Dominate Exports

Multinational corporations account for more than 70% of Mozambique’s exports. Prominent examples include the MOZAL aluminum smelter, the petrochemical company Sasol, and Kenmare, which mines heavy sands.

Recently, in the locality of Topuito, Larde district, Nampula province, protestors invaded the construction site of the Irish mining company Kenmare, which operates in Moma. Demonstrators prevented the landing of a plane carrying workers and executives at the company’s local airstrip. Reports indicate that key access routes to the mine and company camp were blocked by supporters of presidential candidate Venâncio Mondlane. They demanded that the Kenmare administrator and general manager sign an agreement to expedite the construction of a bridge over the Larde River, a critical infrastructure for the local population.

Kenmare is one of the multinational companies reporting significant profits in Mozambique. In 2023 alone, the company reportedly generated 27.5 billion meticais from its operations.

Protestors Disrupt Natural Gas Supply

Earlier this week, demonstrators invaded and occupied Sasol’s natural gas processing center in Temane, Inhassoro district, Inhambane province.

The protestors, hailing from local communities, expressed dissatisfaction with the alleged lack of employment opportunities and social benefits provided by Sasol, a South African company operating in the region for several years. Their demands include greater inclusion in project-related jobs and investment in community infrastructure.

During the occupation, protestors forced workers to shut down the gas pipeline supplying South Africa, temporarily disrupting the flow of natural gas to the neighboring country. This action aimed to pressure Sasol and Mozambican authorities to address the community’s demands.

Key Export Routes Blocked, Affecting MOZAL’s Operations

In the municipality of Matola, residents completely blocked the road leading to the Beluluane Industrial Park, home to MOZAL, an aluminum producer responsible for a significant portion of Mozambique’s exports. Protestors erected barricades and burned tires on the road connecting to National Road 4 (EN4), the main route used by MOZAL to transport aluminum from its factory to the Port of Maputo and export markets. Workers were forced to use alternative routes, enduring long walks.

MOZAL is a joint aluminum smelting enterprise within the Beluluane Industrial Park and is part of Mozambique’s “megaprojects.” The company exclusively produces aluminum for export, having once accounted for more than 50% of the country’s total exports.

Economic Risks of Export Disruptions

To underscore the risks posed by this new wave of protests, economist Egas Daniel explained that while megaprojects contribute little to local community development, their paralysis could slow GDP growth, a potentially catastrophic outcome for the economy.

Daniel highlighted that Mozambique’s exports are heavily concentrated in megaprojects, which are essential for earning foreign exchange needed to cover imports. “The day MOZAL, Vulcan, Eni, Kenmare, Sasol, and other companies stop exporting due to adverse political conditions, we will undoubtedly face pressures on our exchange rate, which is currently artificial,” he warned.

A recent report by the Centre for Public Integrity (CIP) estimates that ten days of protests could result in losses of 24.5 billion meticais, equivalent to 2% of the GDP projected for 2024.

Contribution of Megaprojects to the Economy

Despite their weight in exports, megaprojects’ contributions to state revenues and GDP have been minimal. Studies show that at certain times, megaprojects contributed only 0.004% to state revenues, equivalent to 83 million meticais, and 0.01% to GDP, approximately 207 million meticais.

This disparity between generated profits and fiscal contributions has drawn criticism, with experts advocating for policies that ensure a more equitable distribution of benefits from natural resources.

Future Outlook

Ongoing protests and political instability could jeopardize the operation of megaprojects, negatively affecting Mozambique’s economy. It is imperative for the government and involved companies to adopt measures that promote local community development and ensure fair economic benefits distribution. Such actions are crucial for mitigating social tensions and ensuring the country’s economic sustainability.

Mapeamento de cargas pode viabilizar navegação costeira

A realização de estudos pormenorizados sobre a origem dos produtos e respectivos pontos de consumo pode ser determinante para a sustentabilidade de investimentos na cabotagem, conforme defende o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala.

A cabotagem é o transporte marítimo de cargas entre portos do mesmo país, através de rotas ao longo da costa, contribuindo para a sustentabilidade do comércio interno.

Intervindo num evento organizado pelo sector privado, o ministro elucidou que em Moçambique existe ambiente favorável para o crescimento da cabotagem, considerando que muitos pontos do país são praticamente inacessíveis por comboio ou carro.

Caso a actividade assuma a posição que se pretende, o seu único concorrente seria o transporte aéreo, que consegue ser o meio que liga o país sem muitos constrangimentos.

“O grande problema da cabotagem é que um navio sai cheio de Maputo para Beira e volta para o ponto inicial sem mercadoria alguma. O preço vai ser, naturalmente, muito alto e a actividade não vai ser competitiva. Mas, se mapearmos todas as cargas que existem em Moçambique e sabermos a origem e destino, isso será um grande incentivo para o sector privado investir neste segmento de transporte”, disse.

O titular da pasta dos Transportes e Comunicações elucidou ainda que o desenvolvimento da cabotagem não deve ser visto como tarefa exclusiva do Governo, mas, sobretudo, do sector privado, considerando que se trata de uma actividade comercial.

“Existem algumas empresas que estão a investir na área. Há uma que está em Mocímboa da Praia (Cabo Delgado), mas ainda não opera na dimensão que nós queremos”, lamentou.

Entretanto, numa outra perspectiva, o ministro Magala reconheceu que, para além do mapeamento da origem e destino dos produtos, há necessidade de, igualmente, apostar-se na construção de mais infra-estruturas, incluindo armazéns.

116 Milhões de Meticais disponíveis para projectos ambientais

Dívida pública

Moçambique tem acesso a um fundo de 116 milhões de meticais, disponibilizado pela agência belga de desenvolvimento Enabel Moçambique, para financiar projectos destinados à proteção e salvaguarda do meio ambiente. O montante será atribuído entre 2024 e 2027, especificamente para iniciativas de combate às alterações climáticas ou de aceleração da transição energética.

De acordo com o gestor do projecto, Vicente Matsinhe, que recentemente discursou numa reunião de divulgação do Manual de Operações e Procedimentos do mecanismo de financiamento, espera-se que os fundos apoiem actividades que promovam um maior conhecimento sobre temas relacionados com as alterações climáticas e soluções inovadoras para enfrentar os desafios associados.

“Este projeto concentra-se em questões que afectam as comunidades mais vulneráveis e reconhece que muitos aspectos das alterações climáticas ainda são desconhecidos. Pretendemos fomentar mais conhecimento e colaboração entre os setores público e privado”, afirmou Matsinhe. As áreas prioritárias incluem o acesso à água, perdas e danos, energia e gestão de resíduos — sectores que enfrentam desafios significativos e necessitam de uma maior mobilização de financiamento climático para mitigar os seus impactos.

Samuel Buvane, Coordenador Adjunto para o Financiamento Climático da Enabel, afirmou que os fundos poderão também ser utilizados para actividades como estudos, pesquisas, seminários, consultorias e formação.

“Os estudos e informações resultantes serão disseminados para benefício de todos, encorajando uma colaboração mais eficaz entre as partes interessadas e o público em geral”, garantiu Buvane.

Anacleta Chiangua, representante do Gabinete de Financiamento Climático do Ministério da Economia e Finanças, sublinhou a importância destas iniciativas para o aprofundamento dos mecanismos de implementação de projectos.

“Esperamos que este seja o primeiro passo de uma interação contínua que conduza a outras fases de divulgação de diferentes iniciativas. Estamos optimistas de que estas reuniões culminarão na submissão de propostas relevantes e de alta qualidade para a salvaguarda do meio ambiente”, afirmou Chiangua.

A agência está empenhada em apoiar comunidades em todo o país, especialmente nas províncias que enfrentam os maiores desafios decorrentes das alterações climáticas.

Com este projecto, a Enabel visa lançar as bases para atrair recursos adicionais e garantir impactos sustentáveis, utilizando os recursos limitados de forma eficiente e racional.

Tânia Saranga: “O propósito é criar uma rede influente de mulheres com alto potencial de crescimento”

Profile Mozambique: O que significa o projecto Be Like a Woman?

Tânia Saranga: Be Like a Woman é uma iniciativa voltada para mulheres, especialmente aquelas que ocupam posições de liderança intermediária ou que são empreendedoras de negócios em diferentes áreas. O objectivo principal da iniciativa é fornecer ferramentas que ajudem essas mulheres a se prepararem cada vez mais para alavancar as suas carreiras e expandir os seus negócios.

Por meio do programa, as participantes têm acesso a uma série de recursos, como: formações, mentorias individuais, e a oportunidade de interagir com especialistas nacionais e internacionais de diversas áreas e de diferentes partes do mundo. O propósito central é criar uma rede influente de mulheres com alto potencial de crescimento, ajudando-as a escalar os seus projectos ao máximo. Dessa forma, elas se tornam não apenas referências no seu sector, mas também uma fonte de inspiração para outras mulheres.

PM: Por que o interesse em um programa voltado para as mulheres?

TS: A New Face New Voices (NFNV), parte da Graça Machel Trust, é uma rede pan-africana com foco na mulher, e um dos nossos principais objectivos é aumentar a inclusão financeira da mulher, tanto como empresárias, profissionais e de forma individual. Também buscamos promover o crescimento dessas mulheres em termos de liderança, para que se tornem mais visíveis e assumam posições de destaque.

O programa Be Like a Woman, para nós, representa a aplicação prática de tudo o que defendemos e gostaríamos de ver, tanto em Moçambique quanto na região em geral. Acreditamos que é fundamental capacitar as mulheres, tornando-as mais capazes de crescer e alcançar posições de liderança em qualquer área de actuação. Esse programa, portanto, é um passo importante para ajudá-las a alcançar esse objectivo.

PM: Com a expansão do Be Like a Woman, quais são os principais desafios do projecto?

TS: O primeiro desafio está nas capacidades e competências das mulheres, mas também nas oportunidades disponíveis para elas. Em Moçambique, o sistema frequentemente prioriza os homens, seja no mercado de trabalho, seja no ambiente de negócios. Culturalmente, o homem é visto como aquele que deve ter mais oportunidades de crescimento, o que cria um obstáculo para a mulher, que muitas vezes não é incentivada a assumir posições de liderança. Em muitos casos, as mulheres não têm a confiança necessária para ocupar certos cargos, e, muitas vezes, nem sequer são consideradas para essas posições.

Em termos de realidade económica, vemos que as mulheres estão presentes no sector empresarial, mas em sua maioria no sector informal. Apesar de sua contribuição para a economia, especialmente na educação dos filhos e no desenvolvimento do país, elas ainda são marginalizadas. Esse histórico de marginalização gera uma falta de autoconfiança, fazendo com que muitas mulheres não se vejam como empresárias ou não aspirem a ter negócios maiores ou formalizados.

Outro desafio importante está relacionado ao conhecimento e às ferramentas de gestão. Muitas mulheres, embora possuam valências importantes, acabam adquirindo conhecimento de forma empírica, “na rua”, sem a oportunidade de aprender ferramentas comprovadas para gerenciar seus negócios de maneira mais eficaz. Além disso, muitas não têm acesso a planos de desenvolvimento profissional que as ajudem a traçar um caminho claro para ascender em suas carreiras e alcançar cargos de gestão elevados. Portanto, os principais desafios são: a marginalização das mulheres em termos de oportunidades, a discriminação cultural que ainda existe, tanto no âmbito familiar quanto no profissional, e a falta de conhecimento formal e ferramentas adequadas para ajudá-las a crescer, tanto como empresárias quanto como profissionais.

PM: Quais ferramentas e habilidades consideram importantes para a capacitação das mulheres em cargos de liderança e empreendedorismo?

TS: O programa Be Like a Woman oferece uma série de ferramentas e habilidades para as capacitar mulheres.  Entre os temas abordados estão a liderança corporativa, onde as participantes aprendem a se destacar como líderes, e o poder da negociação, para que possam defender as  suas posições e negociar de forma eficaz. O programa também foca em liderança transformativa, ética e integridade, e inclui temas como inteligência artificial, que ajudam as mulheres a melhorarem os processos e os sistemas em seus negócios. Além disso, são oferecidas masterclasses que aprimoram a gestão de negócios e a construção de planos de carreira.

Outro aspecto importante do programa é a mentoria. No início, as participantes definem seus os objectivos de desenvolvimento pessoal e profissional, e são acompanhadas por mentores experientes, tanto nacionais quanto internacionais. Esses mentores ajudam as participantes a estruturar os seus planos e a alcançar as suas metas, com reuniões mensais para monitorar o progresso e ajustar as estratégias. Dessa forma, o programa oferece uma combinação de capacitação prática e apoio estratégico, com o objectivo de ajudar as mulheres a crescerem e a conquistarem posições de liderança, seja no mundo corporativo ou no empreendedorismo.

PM: O programa Be Like a Woman, está na sua segunda edição. Quais inovações foram introduzidas nesta edição?

TS: Nesta segunda edição, o programa trouxe algumas inovações. A primeira está relacionada ao grupo alvo. Abrimos as portas do programa para incluir membros de associações e organizações da sociedade civil que têm um grande impacto social. Outra inovação importante é a criação de uma rede de mentoria. As mentoradas do programa, ao final, terão a responsabilidade de mentorar mulheres mais jovens, passando adiante o conhecimento e a experiência adquirida.

Por fim, podemos mencionar a natureza dos temas abordados. Em 2024, o programa integrou temas virados para a ética e integridade, inteligência artificial e investimentos. Este último tema é particularmente relevante para o nosso foco em empreendedorismo e geração de riqueza, incentivando as participantes a pensarem além de suas necessidades imediatas e começarem a visualizar objectivos de longo prazo, como construir um negócio de sucesso que possa levar à prosperidade e até mesmo à riqueza.

PM: Quais são os próximos planos, podemos agaurdar por uma terceira edição do programa Be Like a Woman?

TS: O programa Be Like a Woman não foi idealizado para ser limitado a apenas duas edições. Desde o início, o objectivo sempre foi criar um impacto contínuo no desenvolvimento de mulheres líderes, empreendedoras e profissionais. Por isso, existem, sim, planos para a terceira edição que será integrada de inovações.

Leia mais sobre o Be Like a Woman: Glayds Gande: “O Be Like a Woman empodera mulheres para liderar”

Tânia Saranga: “The purpose is to create an influential network of women with high growth potential”

Profile Mozambique: What does the Be Like a Woman project mean?

Tânia Saranga: Be Like a Woman is an initiative focused on women, especially those in intermediate leadership positions or those who are entrepreneurs in various sectors. The main goal of the initiative is to provide tools that help these women prepare to further boost their careers and expand their businesses.

Through the program, participants have access to a range of resources, such as training, one-on-one mentoring, and the opportunity to interact with national and international experts from various fields. The central purpose is to create an influential network of women with high growth potential, helping them scale their projects to the maximum. In this way, they become not only leaders in their sectors but also sources of inspiration for other women.

PM: Why focus on a program aimed at women?

TS: New Faces New Voices (NFNV), part of the Graça Machel Trust, is a pan-African network focused on women. One of our main objectives is to increase the financial inclusion of women, both as entrepreneurs and professionals, as well as individually. We also seek to promote the growth of these women in terms of leadership, so they become more visible and take on prominent positions.

The Be Like a Woman program, for us, represents the practical application of everything we stand for and would like to see, both in Mozambique and in the region. We believe it is essential to empower women, making them more capable of growing and reaching leadership positions in any field. This program, therefore, is an important step to help them achieve that goal.

PM: With the expansion of Be Like a Woman, what are the main challenges of the project?

TS: The first challenge is in the skills and competencies of women, but also in the opportunities available to them. In Mozambique, the system often prioritizes men, both in the job market and in business environments. Culturally, men are seen as those who should have more growth opportunities, creating an obstacle for women, who are often not encouraged to assume leadership positions. In many cases, women lack the confidence to hold certain roles, and often, they are not even considered for such positions.

Economically, women are present in business, but mostly in the informal sector. Despite their contribution to the economy, especially in the education of children and the development of the country, they are still marginalized. This history of marginalization generates a lack of self-confidence, causing many women not to see themselves as entrepreneurs or to aspire to have larger or formalized businesses.

Another significant challenge is related to knowledge and management tools. Many women, although they have valuable skills, acquire knowledge in an empirical way, “on the streets,” without the opportunity to learn proven tools to manage their businesses more effectively. Additionally, many lack access to professional development plans that help them chart a clear path to ascend in their careers and reach higher management positions. Therefore, the main challenges are: the marginalization of women in terms of opportunities, cultural discrimination that still exists both in the family and professional spheres, and the lack of formal knowledge and appropriate tools to help them grow, both as entrepreneurs and professionals.

PM: What tools and skills do you consider important for empowering women in leadership and entrepreneurship roles?

TS: The Be Like a Woman program offers a range of tools and skills to empower women. Topics covered include corporate leadership, where participants learn to stand out as leaders, and the power of negotiation, so they can effectively defend their positions. The program also focuses on transformative leadership, ethics, and integrity, and includes topics like artificial intelligence, which help women improve processes and systems in their businesses. In addition, masterclasses are offered to enhance business management and career planning.

Another important aspect of the program is mentorship. At the beginning, participants define their personal and professional development goals and are mentored by experienced mentors, both national and international. These mentors help participants structure their plans and reach their goals, with monthly meetings to monitor progress and adjust strategies. In this way, the program provides a combination of practical training and strategic support, with the aim of helping women grow and achieve leadership positions, whether in the corporate world or entrepreneurship.

PM: The Be Like a Woman program is in its second edition. What innovations have been introduced in this edition?

TS: In this second edition, the program introduced some innovations. The first is related to the target group. We opened the program to include members of associations and civil society organizations that have a significant social impact. Another important innovation is the creation of a mentorship network. The program’s mentees, at the end, will be responsible for mentoring younger women, passing on the knowledge and experience acquired.

Lastly, we can mention the nature of the topics covered. In 2024, the program incorporated themes related to ethics and integrity, artificial intelligence, and investments. The latter is particularly relevant to our focus on entrepreneurship and wealth generation, encouraging participants to think beyond their immediate needs and begin to envision long-term goals, such as building a successful business that can lead to prosperity and even wealth.

PM: What are the next plans? Can we expect a third edition of the Be Like a Woman program?

TS: The Be Like a Woman program was not designed to be limited to just two editions. From the beginning, the goal was always to create a continuous impact on the development of women leaders, entrepreneurs, and professionals. Therefore, there are indeed plans for a third edition, which will include new innovations.

Meet Be Like a Woman: Glayds Gande: “EY empowers women to lead”

Glayds Gande: “O Be Like a Woman empodera mulheres para liderar”

Profile Mozambique: A Ernst & Young Global Limited., é a entidade por detrás da implementação deste programa. O que motivou a empresa a desenvolver esta iniciativa?

Glayds Gande: A motivação da EY para implementar o programa Be Like a Woman está profundamente alinhada com os valores da empresa. Um dos principais lemas que orienta a EY é o compromisso de ajudar a “construir um mundo melhor de negócios”. Para a EY, isso significa promover um ambiente de negócios mais inclusivo, onde todos, independentemente de género ou outras variáveis, tenham as mesmas oportunidades para crescer e desenvolver.

Por outro lado, percebemos que, no caso de Moçambique, apesar de já existirem programas de capacitação para mulheres, muitos deles são voltados para aquelas que estão no início da carreira ou na fase inicial de seus negócios. Porém, quando essas mulheres atingem um estágio mais avançado, onde precisam doutro tipo de ferramentas para o próximo nível, percebemos uma quase inexistência de programas para efeito. Adicionalmente, percebemos existirem poucas mulheres no país que ocupam posições de liderança de topo, quer como, como PCAs, PCEs de grandes empresas, ou até mesmo mulheres que sejam donas de grandes empresas.

O programa Be Like a Woman foi criado neste domínio. Nosso objectivo é oferecer ferramentas e recursos para mulheres que já estão no mercado, seja em posições de liderança intermédia nas corporações ou empresárias de média dimensão, para que elas possam avançar para o próximo nível, oferecendo-lhes ferramentas para que facilmente possam ascender aos Conselhos de Administração de grandes corporações ou liderar grandes empresas. A proposta é desenvolver um ecossistema, tanto local quanto internacional, que capacite e facilite a participação das mulheres no universo corporativo, e, para que a sociedade veja como algo comum uma mulher alcançar esses níveis.

PM: Qual é a visão da EY sobre o impacto do programa?

GG: Considero ser prematuro avançar números ou resultados específicos sobre o impacto do programa, especialmente porque a primeira edição do programa terminou recentemente e a segunda edição está ainda em curso e também porque pela natureza do programa, consideramos que o seu impacto será visível a médio e longo prazo. Entretanto, já existem alguns exemplos que podem demonstrar o início desse impacto na vida das beneficiárias.

Por exemplo, temos relatos de participantes que ascenderam em suas carreiras, como o caso da Winnie Makande que, após participar do programa, passou de Consultora Sénior para a posição de Directora-Geral da instituição em que trabalha, que segundo ela, as ferramentas oferecidas no programa, como liderança, negociação, imagem pessoal, tiveram um papel importante nesta realização.

Além disso, o programa também foi construído para ajudar as empreendedoras e as profissionais a expandirem para novos mercados fora de Moçambique e pensem globalmente. Um exemplo disso é uma empresária, a Anna Sousa que, depois do programa o seu negócio passou a operar não só em Moçambique, mas também em Portugal.

Outro impacto relevante é o fortalecimento do Networking entre as participantes. Muitas estão a estabelecer parcerias e realizar negócios entre si ou com nossos parceiros. Na segunda edição, uma das participantes, Euritz Uamusse, conseguiu assinar um Memorando de Entendimento com a instituição onde outra participante trabalha. Assim, os colaboradores dessa instituição poderão adquirir os produtos da empresa dela com desconto.

PM: Quais são os principais desafios da implementação do Be Like a Woman?

GG: A jornada tem sido bastante interessante e recompensadora. No entanto, o principal desafio actualmente reside no nível de aceitação e aderência ao programa, o que limita o nível de cobertura face a procura.

Na primeira edição, a meta inicial era ter 25 participantes, mas acabamos com um total de 38. Na segunda edição, estabelecemos um limite máximo de 35 participantes, mas acabamos aceitando 57 e mesmo assim, algumas mulheres com grande potencial não puderam ser incluídas. Este é um desafio pois o número de mulheres qualificadas excede o número de vagas disponíveis e devido ao caráter dedicado e personalizado do programa, que inclui mentoria e acompanhamento individual.

PM: A questão da limitação de participantes foi observada tanto na primeira quanto na segunda edição do programa, e provavelmente se repetirá na terceira edição. Existe algum plano para reverter esse cenário?

GG: Infelizmente, esta limitação poderá persistir na terceira edição do programa devido à natureza do Be Like a Woman, que confere acompanhamento personalizado às participantes. Alargar mais do que fizemos nesta segunda edição, não é viável pois comprometeria a qualidade do programa e não pretendemos abrir mão da qualidade. No entanto, para mitigar esta limitação, implementamos a iniciativa Be Like a Woman Gives Back, direccionada às comunidades.

Nesta iniciativa, as participantes do programa a partilham o conhecimento adquirido com as pessoas ao seu redor, quer na esfera profissional quer social, criando um impacto maior em suas redes através de desafios que são criados pelo programa, para garantir a replicação de conhecimento.

Além disso, temos parcerias estratégicas, como a colaboração com a rádio Indico, onde as participantes passam de forma regular pela rádio para partilhar as diferentes temáticas que são abordadas no programa. Desta forma, deixam de ser apenas a EY e a New Faces New Voices, mas também as próprias participantes ajudam a construir um mundo melhor de negócios e mais inclusivo.

Outra parceria é com a Girl Move, onde as participantes têm a oportunidade de se tornarem mentoras das participantes das iniciativas deste programa que apoia mulheres em início de carreira. Portanto, o desafio da 3ª edição vai ser continuar a arranjar alternativas para que a comunidade seja envolvida e já nesta edição temos também parcerias com a UNWomen e algumas ONGs locais para ajudar neste domínio.

Outro aspecto que estamos a considerar para as futuras edições é a criação de uma rede de ex-participantes, onde todas as participantes das edições anteriores possam continuar a interagir, colaborar e crescer juntas. Esta rede permitirá um suporte contínuo e a troca de experiências e conhecimentos adquiridos, fortalecendo ainda mais os laços e a comunidade criada pelo programa.

Estamos optimistas de que, com essas estratégias e parcerias, conseguiremos continuar a proporcionar um impacto positivo e duradouro na vida das mulheres que passam pelo Be Like a Woman.