João das Neves: “O turista distribui a sua receita em vários sectores da economia”

Na visão do Secretário-geral da AVITUM, João Das Neves, a oferta de serviços turísticos em Moçambique aumentou exponencialmente, nos últimos 20 anos,  para um número de turistas que, por diversas razões, reduziu.

“As oportunidades no sector de turismo foram diluídas, remetendo aos que apostaram neste sector numa situação muito difícil”, lamentou, acrescentando que há cada vez mais operadores turísticos a abandonarem os seus empreendimentos por insustentabilidade e a tentar procurar uma reforma compulsiva nos seus países de origem.

Das Neves é da opinião que o sector do turismo consegue mexer com tudo, principalmente com uma boa parte do sector informal. Sucede que as estatísticas acabam não refletindo na contabilidade fiscal e macroeconómica do país pela sua natureza.

Contudo, Das Neves refere ainda que a chegada de um turista implica, pelo menos, a actividade de 10 trabalhadores ou mais, directamente envolvidos ou beneficiados no processo, desde os serviços de táxi, o artesanato, o comerciante de pequenas refeições, entre outros.

A nossa fonte considerou ainda que Moçambique tem cerca de 60% da economia focada no sector informal, o que a seu ver também reflecte-se no turismo, portanto assumiu não ter uma indicação efectiva, mas sabe que turismo contribui em cerca de 5% do PIB.

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“Há aspectos que ultrapassam os números, pois não é só a questão do valor que o turista gastou, mas é o impacto a quem gastou e como gastou. O turista, mal sai do aeroporto, começa a comprar amendoim, depois uma peça de artesanato, ou seja, o turista distribui permanentemente a sua receita em vários sectores da economia”, disse.

Eclosão da Covid-19 e o papel da AVITUM

No entendimento de João Das Neves, em Moçambique, muito antes da eclosão da Covid-19, o turismo já estava a atravessar momentos difíceis e revelou ainda que neste momento  mais de 90% dos complexos, desde a Ponta do Ouro até às Quirimbas estão “literalmente às moscas”.

“Para mim, o maior problema não é o facto de as estâncias turísticas estarem de rastos, mas sim a falta de rumo, este é o maior desafio”, disse, avançando que a sua conclusão é resultado das interações que mantém com os empresários do sector.

“A decisão de um turista visitar um certo país é um processo muito lento e essa decisão é tomada é detrimento de 1001 opções que tem, por isso é importante que haja algo apelativo que consigamos oferecer e que seja melhor que outros destinos”, afirmou.

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“O nosso posicionamento como AVITUM é de fazer uma constante troca de informações e acompanhamento dos colegas para encontrar um rumo”, garantiu.

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