Saturday, June 20, 2026
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DELPAZ program trains young people in Manica in agro-livestock farming

Programa DELPAZ capacita jovens em Manica com formação em agro-pecuária

The Local Development for the Consolidation of Peace in Mozambique (DELPAZ) program plans to train 400 young people in agro-livestock farming and techniques for processing agricultural products by the end of this year. The training is taking place at the Chimoio Agricultural Institute, in the district of Vanduzi, in the central province of Manica. The information was released by the Mozambican Information Agency on Monday, July 22.

Launched in October 2021, the program has funding of 1.9 billion meticais (31.5 million dollars) and is part of the European Union’s comprehensive support to consolidate the Peace and National Reconciliation Agreement in Mozambique. The aim is to train selected young people in the districts of Macossa, Báruè, Guro and Tambara, around 30% of whom are children or dependents of former Renamo guerrillas as part of the Disarmament, Demobilization and Reintegration (DDR) process. The rest of the beneficiaries are members of the communities in the districts mentioned, most of them in vulnerable situations.

Giulia Zíngaro, DELPAZ’s program coordinator in the provinces of Manica and Tete, explained that the criteria used to select the young people was based on identifying those with a vocation for farming and who already carry out this activity in their communities. “The selection of young people began last year. The training started this year and it is expected that the 400 young people will be trained by the end of September. The training is taking place in phases and is more intensive,” said Zíngaro on the sidelines of the Dialogue for Peace meeting, held in the Vanduzi district.

In the debate, Rogério Sitoe, one of the panelists, highlighted the importance of peace for the country’s development. “Peace is a common good that begins in our hearts, in the family, in our home, place of residence, work and wherever we are. It’s respect for others, knowing how to forgive and do good in order to build a prosperous generation,” said Sitoe.

The training offered by DELPAZ seeks not only to train young people in advanced agricultural techniques, but also to promote peace and stability in a region marked by conflict. By investing in youth, the program hopes to create a solid foundation for sustainable economic and social development, contributing to building a more prosperous and harmonious nation.

In short, the DELPAZ initiative is a significant step towards strengthening agro-livestock farming in Manica, while at the same time promoting reconciliation and peace in Mozambique. With a special focus on young people from vulnerable communities and the children of ex-combatants, the programme symbolizes a joint effort to transform the local reality through education and agricultural development.

Metas de electrificação rural em risco devido ao terrorismo em Cabo Delgado

Metas de electrificação rural em risco devido ao terrorismo em Cabo Delgado

O terrorismo que tem assolado algumas zonas dos distritos da província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, está a dificultar o cumprimento da meta governamental de electrificação rural, que consiste em iluminar todo o território nacional até 2030. A informação foi divulgada nesta Segunda-feira, 22 de Julho, pelo portal de notícias Carta de Moçambique.

Segundo Alexandra Links, directora-geral da Engie Energy Access, empresa envolvida no projecto de electrificação rural com energia solar, a violência na região tem impedido a expansão dos serviços da companhia para Cabo Delgado. “Estamos a operar no País desde 2019 e estamos presentes em mais de 50 distritos e em todas as províncias de Moçambique, com excepção de Cabo Delgado. Prestamos muita atenção às questões de segurança”, afirmou Links.

Além do terrorismo, Alexandra Links destacou outros desafios que dificultam a meta de electrificação rural. Entre esses desafios estão a dispersão da população rural, a incapacidade das comunidades pagarem pelos serviços, a falta de incentivos fiscais e a infra-estrutura de telecomunicações insuficiente para suportar o modelo de pagamento por dinheiro móvel.

Desde 2019, a Engie Energy Access investiu mais de 1,2 mil milhões de meticais (20 milhões de dólares) em todo o País, alcançando mais de 230 mil famílias, o que corresponde a cerca de 1,2 milhão de pessoas, principalmente agricultores e pequenas empresas. A empresa emprega mais de 200 profissionais a tempo inteiro em áreas como vendas, marketing, atendimento ao cliente, diagnóstico de produtos e logística.

“A nossa visão é dar prioridade à electrificação rural e cumprir o objectivo de acesso universal à energia. Esta jornada não tem sido fácil, mas tem sido incrivelmente gratificante. Somos um actor líder no mercado solar moçambicano, fornecendo soluções energéticas acessíveis, fiáveis e sustentáveis para casas, empresas e infra-estruturas”, concluiu Alexandra Links.

Com a meta de electrificação rural ameaçada pelo terrorismo em Cabo Delgado, a situação levanta preocupações sobre a capacidade do governo e das empresas envolvidas em alcançar o objectivo de iluminar todo o território moçambicano até 2030. As autoridades e parceiros são desafiados a encontrar soluções para garantir a segurança e viabilizar a expansão dos serviços de electrificação nas áreas afectadas, permitindo assim que mais moçambicanos tenham acesso à energia sustentável.

Rural electrification targets at risk due to terrorism in Cabo Delgado

Metas de electrificação rural em risco devido ao terrorismo em Cabo Delgado

The terrorism that has plagued some areas of the districts of Cabo Delgado province, in northern Mozambique, is making it difficult to meet the government’s rural electrification target, which is to light up the entire national territory by 2030. The information was published on Monday, July 22, by the news portal Carta de Moçambique.

According to Alexandra Links, general manager of Engie Energy Access, the company involved in the solar-powered rural electrification project, violence in the region has prevented the company from expanding its services to Cabo Delgado. “We have been operating in the country since 2019 and are present in more than 50 districts and in all of Mozambique’s provinces, with the exception of Cabo Delgado. We pay a lot of attention to security issues,” said Links.

In addition to terrorism, Alexandra Links highlighted other challenges that hinder the goal of rural electrification. Among these challenges are the dispersion of the rural population, the inability of communities to pay for services, the lack of tax incentives and the insufficient telecommunications infrastructure to support the mobile money payment model.

Since 2019, Engie Energy Access has invested more than 1.2 billion meticais (20 million dollars) across the country, reaching more than 230,000 families, which corresponds to around 1.2 million people, mainly farmers and small businesses. The company employs more than 200 full-time professionals in areas such as sales, marketing, customer service, product diagnostics and logistics.

“Our vision is to prioritize rural electrification and meet the goal of universal access to energy. This journey has not been easy, but it has been incredibly rewarding. We are a leading player in the Mozambican solar market, providing affordable, reliable and sustainable energy solutions for homes, businesses and infrastructure,” concluded Alexandra Links.

With the rural electrification target threatened by terrorism in Cabo Delgado, the situation raises concerns about the ability of the government and the companies involved to achieve the goal of lighting up the whole of Mozambique by 2030. The authorities and partners are challenged to find solutions to guarantee security and enable the expansion of electrification services in the affected areas, thus allowing more Mozambicans to have access to sustainable energy.

ENGIE Energy Access celebra cinco anos de operações em Moçambique

Na passada sexta-feira (19), a ENGIE Energy Access celebrou um marco significativo, o quinto aniversário das suas operações em Moçambique. Desde o início da sua jornada em 2019, a empresa já electrificou mais de 230.000 clientes, impactando positivamente 1.150.000 vidas. Moçambique tem sido uma pedra angular da ENGIE Energy Access em África, e a missão da empresa é levar energia limpa, fiável e acessível a mais de 3 milhões de pessoas até 2030.

Para alcançar esta ambição, a ENGIE está empenhada em lançar novos produtos e serviços para os 230.000 clientes já alcançados, melhorando ainda mais a sua qualidade de vida e aumentando a acessibilidade. Por outro lado, a empresa planeia impulsionar o desenvolvimento económico através da instalação de mais de 1.000 sistemas solares empresariais e da construção de mais de 100 mini-redes em comunidades rurais de Moçambique.

Com o apoio contínuo dos seus parceiros, clientes e equipa, a ENGIE Energy Access está confiante na sua capacidade de atingir estes objectivos ambiciosos e criar um futuro onde todos os moçambicanos tenham acesso a energia limpa, de qualidade, sustentável e acessível.

A empresa congratula a sua equipa em Moçambique por alcançar este marco significativo e deseja-lhes boa sorte com os desafios futuros, à medida que continuam a trazer sucesso ao negócio nos próximos anos.

M-Pesa e Bacelabet firmam parceria para beneficiar clientes

A carteira digital M-Pesa, da Vodacom Moçambique, líder de mercado no País, e a Bacelabet, uma empresa de entretenimento de apostas em jogos, firmaram um memorando de entendimento esta quinta-feira, 18 de Julho, com o objectivo de trazer vantagens significativas aos seus cliente e tornar os seus negócios flexíveis e atractivos.

Na ocasião, Romero Bey, administrador da Bacelabet, avançou que a sua entidade está entusiasmada com o acordo que vai ajudar a atrair mais clientes, acrescentando que com base no mesmo, os apostadores vão ganhar de oferta 15 voos grátis no âmbito das apostas e 15% de cashback nas perdas semanais.

“O benefício do cashback será creditado na conta do cliente de acordo com o número de apostas que o mesmo tiver feito. Estamos empenhados em melhorar os nossos serviços e vamos continuar a trabalhar com o M-Pesa, no sentido de desenvolvermos mais parcerias e expandir a nossa actuação”, explicou.

Por sua vez, Sérgio Lopes, representante do M-Pesa, expressou gratidão à Bacelabet e destacou a importância de democratizar e simplificar o acesso a soluções de entretenimento e serviços financeiros.

“A parceria com a Bacelabet reflecte o nosso compromisso em oferecer mais valor e conveniência aos nossos clientes. O cashback semanal que a Bacelabet vai oferecer será destinado exclusivamente aos clientes que depositarem através do M-Pesa, incentivando o uso contínuo deste canal de pagamento”, salientou.

Lopes reiterou que para atrair ainda mais a confiança dos clientes, a entidade que representa está empenhada na inovação dos seus conteúdos, com serviços que agreguem valor.

M-pesa anuncia vencedores do Finckathon-2024

A Vodafone M-Pesa anunciou, na tarde de sexta-feira, em Maputo, os vencedores do concurso FINCKATHON realizado em parceria com a Financial Sector Deeping Moçambique (FSDMoç), a FinTech.MZ e a GSMA.

O evento reuniu 6 equipas provenientes de 3 universidades nacionais: Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Instituto Superior de Transportes e Comunicações (ISUTC) e Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM), com 2 equipas de cada instituição. O objectivo era identificar problemas e propor soluções financeiras para melhorar o desempenho, a segurança e promover a inclusão financeira em Moçambique.

A equipa “E-Safe” da UEM foi a primeira classificada e recebeu um prémio de 100 mil Meticais, com a proposta de uma plataforma para combater burlas financeiras em transacções de encomendas. O segundo lugar foi conquistado pela equipa “Bite Wizards”, também da UEM, enquanto a equipa “W Team” do ISUTC ficou em terceiro lugar, ganhando prémios de 50 mil e 25 mil Meticais, respectivamente.

Durante a sua intervenção, o director financeiro do M-pesa, Tawanda Gota, disse que este gesto demonstra o compromisso do M-pesa com as instituições de ensino em Moçambique, bem como a sua confiança nos jovens estudantes na identificação de desafios operacionais do sector financeiro e provisão de soluções que possam melhorar a oferta de produtos e serviços financeiros de forma mais adequada e segura no país.

Queremos ajudar os jovens estudantes a desenvolverem o seu potencial através da resolução de problemas com impacto positivo na sociedade, por isso, as propostas apresentadas hoje vão ser aperfeiçoadas para serem introduzidas no mercado, com a integração dos proponentes nas nossas equipas de trabalho”, disse.

Por sua vez, a directora executiva da Fundação Vodacom, Cristina de Azevedo, disse que a inclusão financeira anda de mãos dadas com a inclusão digital, um dos pilares operativos da Vodacom Moçambique pelo que, “apoiar o M-pesa numa iniciativa como essa, cruza os nossos objectivos de empoderamento económico”, comentou.

De acordo com a Presidente do Conselho de Administração do FSD, Esselina Macome, os níveis de inclusão financeira em Moçambique ainda não são satisfatórios, mas é preciso reconhecer a evolução e os esforços que estão a ser empreendidos por várias instituições como a Vodacom para que o país alcance os níveis mais apropriados.

 “Queremos, não apenas elevar os índices de inclusão financeira, como também acelerar a inclusão digital, com a massificação de alternativas tecnológicas e apostamos nas universidades porque acreditamos que é nelas onde está a inovação e o futuro”, concluiu João Gaspar, presidente da associação moçambicana das Fintechs.

Com esse concurso a Vodafone M-pesa pretende produzir propostas de soluções financeiras para melhorar o desempenho do sector financeiro em Moçambique, promover a Inclusão Financeira em preparação à realização da Conferência Fintalks.

Vulcan inicia construção da Central Térmica de 300 MW na mina de carvão moatize

A Vulcan realizou, na última quarta-feira, 17 de julho, a cerimónia de arranque das obras de construção da Central Térmica de 300 megawatts (MW), parte integrante do inovador Projecto de Transformação de Resíduos de Carvão em Energia, conhecido como “Waste To Energy”, na Mina de Carvão Moatize.

Este evento marca um momento histórico para a Vulcan e para a região, pois o projecto visa transformar mais de 20 milhões de toneladas de resíduos de carvão gerados anualmente na mina em energia eléctrica. Esta energia será utilizada tanto para alimentar as operações da mina quanto para beneficiar as comunidades locais.

O projecto está totalmente comprometido com o crescimento inclusivo, destacando-se pelos seus impactos social, económico e ambiental. A transformação de rejeitos de carvão em energia eléctrica não só promove a sustentabilidade ambiental ao reduzir a quantidade de resíduos, mas também impulsiona o desenvolvimento econômico local através da criação de emprego e fornecimento de energia sustentável para as comunidades circunvizinhas.

A central térmica de 300 MW é um passo significativo rumo a um futuro mais sustentável e próspero, reflectindo o compromisso da Vulcan com soluções inovadoras e sustentáveis que beneficiem a economia e o meio ambiente.

João Gaspar: “Antevê-se um crescimento significativo de Fintechs em 2024 e 2025”

Com mais de 30 anos de experiência nas áreas de IT e Telecomunicações bem como na definição implementação e suporte de serviços e negócios na área de sistemas de pagamentos, João Gaspar, cedeu uma entrevista exclusiva ao Profile, na qualidade de Presidente da Associação das Fintechs de Moçambique.

Durante a entrevista, Gaspar fala sobre o mercado das fintechs e faz uma apreciação a volta do ambiente regulatório no contexto moçambicano e destaca as mudanças regulatórias que acredita que são necessárias para fomentar o desenvolvimento do sector.

Profile Mozambique: Poderia nos contar sobre a história e a missão da Associação das Fintechs de Moçambique, destacando os principais marcos e objectivos da organização desde a sua criação?

João Gaspar: A Fintech MZ é uma associação legal criada em 2019 por 12 empresas e pessoas, que são os fundadores da associação. A missão da Fintech MZ é ser uma voz única que represente o sector das fintechs em Moçambique. Estas entidades não são bancos comerciais nem carteiras móveis, mas utilizam a tecnologia para prestar serviços financeiros, e esse é o foco principal da Fintech MZ.

Por um lado, a associação tem como objectivo atrair investimentos para o sector, por outro, divulgar o conceito de fintechs, e promover o conhecimento sobre o assunto através de participações em painéis, seminários, e outras iniciativas. Desde a sua criação, há cinco anos, a Fintech MZ organiza  anualmente a Fintech Week, uma semana dedicada às fintechs, tendo já realizado cinco edições até agora.

Ao longo do ano, a associação participa em diversos painéis, webinars, e eventos como o M-Pesa FINCKATHON e o FinTalk, apoiando a realização e organização desses encontros. Outro aspecto importante do trabalho da Fintech MZ é a proximidade com o regulador dos serviços financeiros, o Banco de Moçambique, representando os interesses das fintechs junto à entidade reguladora.

PM: Como vê o crescimento e o desenvolvimento do sector de fintechs em Moçambique nos últimos anos?

JG: Tem sido um processo lento que começou com a 5ª edição da Sandbox. Já passaram pela Sandbox mais de 35 empresas, tanto nacionais quanto estrangeiras, e agora começa-se a perceber e a ver a entrada dessas empresas no mercado moçambicano.

O processo de licenciamento tem sido demorado, pois as empresas precisam ser licenciadas como transferências internacionais de dinheiro ou como agregadores e prestadores de serviços de pagamento. Esse licenciamento não é rápido e leva tempo, o que tem condicionado o surgimento de mais soluções no mercado.

No entanto, acredito que em 2024 e 2025 começaremos a ver mais empresas com o selo de fintech a aparecer no mercado. É importante lembrar que uma empresa fintech não necessariamente atende apenas clientes finais; pode ser uma solução tecnológica utilizada por outras empresas.

Já temos empresas que, por exemplo, oferecem sistemas de KYC eletrónico, de gestão de identificação de pessoas, e que não têm clientes finais directamente. Essas soluções são licenciadas para bancos e outras companhias que as utilizam. Essas empresas também são consideradas fintechs.

PM: Quais são as principais áreas de inovação financeira que as fintechs locais têm estado a explorar?

JG: A grande maioria das fintechs tem-se centrado em pagamentos digitais e agregação de pagamentos. Temos algumas na área dos seguros digitais e uma empresa internacional, a Mukuru, especializada em transferências internacionais, do estrangeiro para Moçambique. Estas são as poucas áreas licenciadas pelo Banco Central e, portanto, representam as principais áreas de actuação das fintechs no país.

Existem também algumas fintechs que desenvolvem produtos para a gestão de grupos de poupança, os chamados “saving groups”, com sistemas de gestão das reuniões e que podem estar ou não ligadas a bancos para concessão de créditos. Estas são basicamente as áreas representadas na associação.

Há muitas oportunidades para expansão, especialmente se compararmos com outros países africanos que têm mais experiência no setor das fintechs. Em Moçambique, ainda há muito a ser feito. No entanto, a regulação deve acompanhar a inovação. Por exemplo, plataformas de crédito digital em tempo real ou sistemas de “Buy Now, Pay Later” precisam estar de acordo com a legislação vigente para serem implementados.

O nosso papel junto ao regulador tem sido apoiar fortemente as iniciativas da Sandbox e promover novas soluções. Vejo também um crescente interesse em tecnologias como o blockchain, que pode ser usada para além das criptomoedas, como em bases de dados distribuídas, oferecendo maior redundância, segurança e imutabilidade dos dados. Já temos pelo menos duas iniciativas em desenvolvimento com blockchain: uma delas está sendo desenvolvida por dois jovens na Sandbox, e a outra é a Avion, que utiliza tecnologia blockchain em seus produtos, embora não seja uma empresa moçambicana, já está presente no mercado.

No curto prazo, veremos outras inovações, como cartões bancários virtuais que funcionam em telemóveis, entre outras soluções que estão por surgir. Acreditamos que o setor de fintechs em Moçambique tem um enorme potencial de crescimento e inovação, desde que apoiado por uma regulação adequada e um ecossistema favorável.

PM: Que apreciação faz a volta do ambiente regulatório para as fintechs em Mocambique e quais são as mudanças regulatórias que acredita que são necessárias para fomentar o desenvolvimento do sector?

JG: A regulação precisa acompanhar a inovação. Além disso, não se pode regular ou licenciar modelos de negócio, uma vez que fintech é um conceito, um modelo de negócio. O que se licencia são empresas que precisam se enquadrar na legislação existente. Ainda há muito a ser feito. Por exemplo, a regulação do chamado “Tiered KYC” (Know Your Customer por níveis), que envolve diferentes níveis de exigência de conhecimento do cliente. Já existem algumas regulamentações para comerciantes e contas empresariais, mas a maioria da economia é composta por comerciantes informais que queremos trazer para o mercado formal. São pequenos comerciantes, portanto, as exigências de KYC e documentação precisam ser proporcionais ao tamanho desses comerciantes.

A regulação das fintechs deve ser proporcional ao risco que representam no mercado. Por exemplo, o M-Pesa é uma fintech e faz parte da nossa associação. Não podemos exigir o mesmo nível de compromisso e conformidade de uma empresa iniciante, como uma que desenvolve um produto para pagamentos em “chapas”, que exigimos do M-Pesa. As empresas iniciantes não têm a estrutura nem a capacidade financeira para suportar esse nível de conformidade.

A abordagem deve ser equilibrada, permitindo que as startups cresçam e inovem sem serem sobrecarregadas por regulamentos excessivamente rigorosos desde o início. É essencial criar um ambiente regulatório que incentive a inovação, ao mesmo tempo em que protege os consumidores e a estabilidade do mercado.

PM: E Associação tem colaborado com o governo ou outras entidades na criação de políticas favoráveis às fintechs?

JG: Temos colaborado estreitamente com o Banco Central, principalmente nesse sentido. Participamos na análise e parecer de leis e projectos de leis em elaboração pelo Banco Central. Ademais, fazemos parte de três grupos de trabalho que discutem temas importantes, como inclusão financeira, pontos de presença de sistemas financeiros e interoperabilidade.

Nossa contribuição é essencial para a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira. Esses grupos de trabalho são fundamentais para garantir que as políticas e regulamentações atendam às necessidades do setor e promovam um ambiente propício para o crescimento e inovação das fintechs em Moçambique.

PM: Como é que estas fintechs podem se beneficiar de colaborações com as instituições financeiras tradicionais?

JG: Eu sou defensor de um processo colaborativo e não competitivo, no sentido verdadeiro da palavra. Vejo, de facto, cada vez mais a necessidade de haver colaboração entre as fintechs. Algumas focam-se em seguros, outras em vendas ou pagamentos digitais, outras em KYC. Não faz sentido que cada uma tente reinventar a roda sozinha. A colaboração é fundamental.

Essa colaboração não deve ocorrer apenas entre fintechs, mas também com a banca tradicional. As fintechs não vêm substituir os bancos; elas vêm para melhorar processos bancários ou transformar modelos de negócio, tornando-os mais ágeis e rápidos de implementar. No entanto, a banca tradicional continuará a desempenhar um papel fundamental.

Portanto, é essencial promover processos colaborativos entre fintechs e bancos tradicionais, para que juntos possam inovar e oferecer melhores soluções aos clientes.

PM: Qual conselho daria para empreendedores em fase inicial neste sector?

JG: Com o licenciamento ou com a capacidade de lançar autonomamente essas soluções no mercado, é fundamental que as fintechs inovem e se aproximem das empresas, bancos e outras fintechs já estabelecidas. Mostrem essas soluções e busquem parcerias para acelerar a sua implementação no mercado.

Se tentarem cumprir toda a legislação de forma independente, o processo será mais moroso, não apenas em termos de tempo, mas também devido à complexidade envolvida. A colaboração pode facilitar a conformidade regulatória e agilizar o lançamento das soluções, permitindo que as fintechs se concentrem na inovação e no desenvolvimento de novos produtos.

Visita da ExxonMobil ao Parque Industrial de Beluluane sinaliza novas oportunidades de crescimento económico

A MozParks teve a honra de receber uma delegação de executivos seniores da ExxonMobil Moçambique no Parque Industrial de Beluluane (BIP). Recebida pelo Director Geral da MozParks, Onório Manuel, a visita sublinhou o papel crucial da empresa na economia local e no desenvolvimento sustentável.

O Parque Industrial de Beluluane recebeu Suleimane Meguegy, Assessor Socioeconómico Sénior da ExxonMobil Moçambique, Armando Afonso, Gestor de Assuntos Públicos e Governamentais, e Adel Abumasser, Gestor Socioeconómico. Esta visita seguiu-se à mesa redonda de investimento realizada em maio, que se centrou no potencial de desenvolvimento da província de Cabo Delgado e representa uma continuação das discussões sobre as suas oportunidades de crescimento.

A delegação visitou sete empresas proeminentes do BIP, incluindo a ETG Steel Solution, Sunshine Nuts, Bosch Rexroth, Raxio Data Centre, Dendustri Technical, Laresh International e Duys Moçambique. Estas empresas exemplificam o modelo de industrialização avançada da MozParks, impulsionando o desenvolvimento, a criação de emprego e promovendo economias circulares na comunidade.

Adel Abunasser, da ExxonMobil, expressou a sua admiração pela interconexão das empresas dentro do parque. Ele observou que esta sinergia permite que as empresas acedam a recursos internamente, destacando o apoio vital da MozParks para o sucesso do parque.

Marco Correia, Director da Duys Moçambique, destacou a importância estratégica de parques industriais como Beluluane. Ele observou, “A Duys está em Topuito para o projecto âncora Kenmare, Beluluane para a Mozal, e considerando Cabo Delgado para petróleo e gás.” Isto reflecte a estratégia da MozParks, permitindo que as empresas prosperem em vários locais com base nas exigências da indústria.

Iniciativa dos Parques de Cabo Delgado

Na Mesa Redonda de Investimento organizada pela província de Cabo Delgado recentemente, Onorio Manuel apresentou o modelo e as vantagens dos Parques de Cabo Delgado. Esta rede de parques industriais nos distritos de Montepuez, Balama, Ancuabe e Palma, tem uma base logística em Pemba. Operada pela MozParks, esta iniciativa visa acelerar o desenvolvimento económico, promover o emprego dos jovens e desenvolver a economia verde.

O evento contou com a participação de representantes de empresas multinacionais que operam em Cabo Delgado, incluindo a Twigg Exploration and Mining, a ExxonMobil, a TotalEnergies Mozambique e a ENI Rovuma Basin. Todas elas expressaram o seu apoio à formação da economia moçambicana, proporcionando emprego e formação às comunidades locais para impulsionar o crescimento no norte do país.

Fórum de Negócios — 07 a 08 de Agosto de 2024

Fórum de negócios

Nos dias 7 e 8 de Agosto, a cidade da Matola será o centro de discussões sobre oportunidades de negócios, durante um fórum que promete reunir empresários, investidores e profissionais de diversas áreas. Com início às 07h, o evento será uma plataforma essencial para aqueles que buscam expandir suas redes de contactos e explorar novas possibilidades de crescimento.

O fórum de negócios oferecerá uma série de palestras, painéis de discussão e workshops, todos focados em temas actuais e relevantes para o cenário económicos e empresarial. Especialistas e líderes do sector compartilharão suas experiências e insights, abordando questões como inovação, sustentabilidade, estratégias de mercado e muito mais.