Friday, April 17, 2026
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Inhambane: Sasol lança novo ciclo de investimento social de mais de 2,7 mil milhões de meticais

  • Programa vai beneficiar cerca de 70 comunidades nos distritos de Govuro, Inhassoro e Vilankulo

A multinacional sul-africana Sasol procedeu, na última sexta-feira, ao lançamento oficial do segundo ciclo dos Acordos Locais de Desenvolvimento (LDA-II), um pacote de investimento social avaliado em cerca de 2,7 mil milhões de meticais (equivalente a 43 milhões de dólares), a ser implementado entre 2025 e 2030 nos distritos de Govuro, Inhassoro e Vilankulo, província de Inhambane.

A cerimónia de assinatura teve lugar na localidade de Maluvane, distrito de Govuro, contando com a presença de representantes comunitários, autoridades governamentais locais e dirigentes da empresa, num gesto que simboliza o reforço do compromisso conjunto com o desenvolvimento das comunidades abrangidas pelas operações da Sasol.

Segundo nota oficial da empresa, o novo pacote de apoio social quase duplica o montante aplicado na fase anterior, que, entre 2020 e 2025, envolveu cerca de 1,2 mil milhões de meticais (20 milhões de dólares), beneficiando 37 comunidades locais. O LDA-II expandirá agora a sua abrangência para 70 comunidades, num modelo assente na inclusão participativa e na corresponsabilidade.

Falando no acto, Arnaldo Tingane, líder comunitário e anfitrião da cerimónia, enalteceu os resultados visíveis do primeiro ciclo, considerando o novo acordo como “um sinal de renovação de esperança para as comunidades”. Sublinhou que “os acordos resultam de um diálogo construtivo e reflectem uma escuta atenta às prioridades reais da população”.

O vice-presidente da Sasol para Moçambique, Ovídio Rodolfo, destacou que a nova fase representa uma reafirmação do compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável. “Este novo ciclo não é apenas uma continuidade. É uma ampliação do raio de acção, com maior cobertura geográfica e um investimento reforçado. Apoiámos áreas cruciais como saúde, educação, água e saneamento, agricultura e geração de rendimentos. Agora estendemos a nossa presença a Vilankulo, com o mesmo espírito de parceria e responsabilidade”, afirmou.

As autoridades governamentais elogiaram a iniciativa. O governador da província de Inhambane, Francisco Pagula, considerou os Acordos de Desenvolvimento como “um exemplo de cooperação transparente entre o Estado, o sector privado e as comunidades”, apontando-os como modelo replicável noutros contextos do país.

Por sua vez, a secretária de Estado da província, Bendita Lopes, salientou a dimensão ética do compromisso: “Estes acordos não se resumem ao investimento financeiro. Representam obrigações sociais e morais para com as comunidades. O Governo provincial acompanhará de forma activa a sua implementação, para garantir que os benefícios cheguem efectivamente às populações visadas.”

O programa LDA-II está estruturado num modelo tripartido que envolve as comunidades locais, as autoridades governamentais e a empresa, estando alinhado com a Política Nacional de Responsabilidade Social Empresarial na Indústria Extractiva, aprovada pela Resolução n.º 21/2014, de 16 de Maio.

UBA Moçambique regista lucros de 969,2 milhões de meticais em 2024, com crescimento de quase 38%

O United Bank for Africa (UBA) obteve em 2024 lucros líquidos de 969,2 milhões de meticais, o equivalente a cerca de 13,7 milhões de euros, representando um crescimento de 37,9% em relação ao ano anterior. Os dados constam do relatório e contas anuais da instituição, consultado esta segunda-feira pela agência Lusa.

De acordo com o documento, este desempenho foi impulsionado pela diversificação dos produtos bancários, reforçada pelo aumento da carteira de títulos, num contexto de crescimento dos depósitos de clientes e aplicação eficiente dos recursos. Em 2023, o banco já havia registado um lucro líquido de 702,8 milhões de meticais (cerca de 9,9 milhões de euros), num crescimento anual de 62%.

Face aos resultados positivos, a administração do UBA Moçambique decidiu distribuir 377 milhões de meticais (5,3 milhões de euros) em dividendos aos seus accionistas, canalizando o remanescente para reservas e resultados acumulados.

Durante o ano em análise, o número de clientes aumentou de 20.296 para 23.006, enquanto o quadro de pessoal cresceu para 131 colaboradores, distribuídos por cinco unidades de negócio no território nacional.

“O desempenho financeiro e os rácios alcançados evidenciam a adopção de critérios operacionais prudentes na gestão da liquidez, na concessão de crédito, na diversificação da carteira de depósitos e no investimento em infraestruturas ao longo do ano”, destaca o relatório.

A nível de balanço, os activos totais do banco cresceram 63,9%, situando-se em 15.062 milhões de meticais (cerca de 132,4 milhões de euros), enquanto os depósitos de clientes registaram uma subida expressiva de 121%, atingindo os 10.451 milhões de meticais (147 milhões de euros). As responsabilidades totais ascenderam a 11.017 milhões de meticais (154,9 milhões de euros).

Apesar do crescimento global, o volume total de crédito concedido a clientes registou uma redução superior a 3%, fixando-se em 1.959 milhões de meticais (aproximadamente 27,5 milhões de euros).

Dados do Banco de Moçambique indicam que actualmente operam no país 15 bancos comerciais, 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito.

Relatório do Banco de Moçambique apresenta inflação controlada, juros em queda mas potenciais riscos fiscais

Em tempos de incerteza económica global, Moçambique apresenta sinais encorajadores de estabilidade de preços e solidez do sistema financeiro, apesar de desafios persistentes a nível interno. A análise mais recente do Banco de Moçambique (BM), publicada no Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação (CEPI) de Maio de 2025, oferece uma leitura clara das dinâmicas que moldam o nosso ambiente económico, com base exclusivamente na informação constante desse documento.

A inflação anual em Moçambique caiu para 3,99% em Abril de 2025, face aos 4,77% registados no mês anterior. Esta trajectória descendente foi impulsionada pela redução dos preços de alimentos, sobretudo frutas e vegetais, e pelo impacto de medidas como a isenção do IVA sobre produtos básicos (açúcar, óleo alimentar e sabão) e a redução das tarifas de água e portagens. A estabilidade do Metical face ao Dólar americano (63,91 MZN/USD) reforça este ambiente de contenção inflacionária.

A inflação subjacente – que exclui frutas, vegetais e bens com preços administrados – também recuou, fixando-se em 4,73%. As expectativas macroeconómicas dos agentes económicos, apuradas pelo inquérito de Maio, indicam uma previsão de inflação anual de 4,90% até Dezembro, ligeiramente abaixo da estimativa anterior.

Como resposta à consolidação da inflação em níveis baixos, o Comité de Política Monetária (CPMO) decidiu reduzir a taxa MIMO de 11,75% para 11,00%. Foram igualmente reduzidas as taxas de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez (para 14,00%) e da Facilidade Permanente de Depósitos (para 8,00%).

Este ajustamento teve reflexos no mercado: as taxas de juro dos bilhetes do Tesouro para prazos de 91, 182 e 364 dias caíram entre 13 e 40 pontos base. As taxas médias praticadas nos empréstimos e depósitos a retalho também diminuíram, sinalizando melhores condições de financiamento. O crédito à economia cresceu 5,12% em Abril de 2025, evidenciando uma resposta positiva ao alívio das condições monetárias.

Excluindo o sector do gás natural liquefeito (GNL), a economia moçambicana mantém um ritmo de recuperação gradual. As perspectivas para o segundo trimestre de 2025 são de crescimento modesto, sustentado pela retoma da agricultura, indústria transformadora e comércio. Esta evolução é atribuída, em parte, ao fim da tensão pós-eleitoral e à melhoria dos indicadores de confiança empresarial, como o Purchasing Managers Index (PMI).

Apesar de progressos em várias frentes, o peso da dívida pública interna continua a ser motivo de atenção. Entre Dezembro de 2024 e Maio de 2025, o stock da dívida interna (excluindo contratos de mútuo, de locação e responsabilidades em mora) aumentou em cerca de 30 mil milhões de meticais, totalizando 445,9 mil milhões – o equivalente a 28,6% do PIB.

Em contraste, o sector bancário demonstra resiliência. Em Março de 2025, os rácios de solvabilidade e liquidez situaram-se em 26,5% e 59,5%, respectivamente, bastante acima dos mínimos regulamentares exigidos (12% e 25%). Testes de esforço realizados pelo BM confirmam que os bancos moçambicanos dispõem de capital suficiente para absorver choques e manter-se estáveis no médio prazo.

No plano internacional, o ambiente económico continua marcado por incertezas. O FMI prevê um abrandamento do crescimento mundial para 2,8% em 2025, com impacto das tensões comerciais entre os EUA e os seus parceiros, do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e de fenómenos climáticos extremos. Ainda assim, a redução dos preços internacionais de bens alimentares e combustíveis, combinada com a descida dos preços das importações moçambicanas (arroz, trigo, petróleo), favorece a trajectória de contenção da inflação interna.

A médio prazo, o Banco de Moçambique antevê a manutenção da inflação dentro da meta de um dígito. Este cenário é sustentado por um conjunto de factores: a estabilidade do Metical, o impacto das medidas fiscais pontuais, a tendência para queda dos preços internacionais, e a actuação preventiva do CPMO. Contudo, persistem riscos relevantes, como o agravamento da situação fiscal, a incerteza quanto à reposição da capacidade produtiva e os efeitos dos choques climáticos sobre a produção e as infra-estruturas.

 

Terminal de Carvão da Matola vai aumentar capacidade em 50% com investimento de 80 milhões de dólares

A empresa sul-africana Grindrod anunciou na última sexta-feira, em Matola, um investimento avaliado em 80 milhões de dólares norte-americanos para expandir, nos próximos dois anos, a capacidade operacional do Terminal de Carvão da Matola, integrado no complexo portuário de Maputo.

Com este investimento, a capacidade de manuseamento ferroviário e portuário de carvão aumentará em 50%, passando das actuais oito milhões para 12 milhões de toneladas anuais, reforçando a posição estratégica do Corredor de Maputo como uma rota logística de referência na região.

A cerimónia de inauguração das novas instalações administrativas da Grindrod, nas imediações do Porto da Matola, contou com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, que destacou a aposta governamental na dinamização do transporte ferroviário em detrimento do rodoviário.

“O nosso objectivo é continuar a investir nas ferrovias, para termos menos camiões e mais vagões a transportar carvão e magnetite”, sublinhou o Chefe do Estado.

Chapo considerou urgente acelerar esta transformação estrutural para elevar a eficiência do transporte ferroviário, através de uma maior integração operacional entre a empresa pública moçambicana CFM, a congénere sul-africana Transnet e a gestão do Porto de Maputo.

“Esta integração trará não apenas benefícios técnicos e operacionais, mas também impactos económicos, sociais e ambientais positivos, incluindo a criação de mais empregos ao longo do Corredor”, vincou.

O estadista apelou à melhoria da cadeia logística no Corredor, com particular atenção à eficácia dos serviços aduaneiros e à previsibilidade nas operações logísticas, essenciais para responder às exigências dos mercados regionais e internacionais.

Por sua vez, o Director Executivo da empresa concessionária MPDC (Maputo Port Development Company), Osório Lucas, indicou que a expansão do terminal permitirá a criação de mais de 800 empregos directos até 2027, durante a fase de construção, e outros 60 indirectos na fase de operação.

Lucas defendeu que o desenvolvimento sustentável do Porto de Maputo vai além de infra-estruturas e estatísticas.

“Não basta termos melhores terminais, ferrovias robustas e fronteiras fluidas. É preciso cooperação, inovação e disciplina operacional. O trabalho em equipa é indispensável”, frisou.

Também presente na cerimónia, o Director Executivo da Grindrod, Xolani Mbambo, destacou o legado da empresa e o seu compromisso com Moçambique e a região.

“Este ano celebramos 115 anos de existência, uma história de resistência, inovação e compromisso. Os nossos parceiros podem confiar numa empresa experiente e com boa reputação”, afirmou.

As novas instalações administrativas da Grindrod ocupam uma área de 2.000 metros quadrados, empregam mais de 90 trabalhadores e representam um investimento superior a cinco milhões de dólares, integrando-se no esforço mais amplo de modernização e competitividade do Porto de Maputo.

Nelson Melo: “Estamos preparados para crescer apesar dos desafios do sector automóvel”

Profile Mozambique; A Caetano Moçambique é uma referência no sector automóvel nacional, integrando o prestigiado Grupo Salvador Caetano. Para iniciar, poderia partilhar connosco um breve resumo da trajectória da empresa em Moçambique e os principais marcos desde a sua implantação?

 

Nelson Melo, CEO da Caetano Moçambique

PM: A Caetano Moçambique estabeleceu parcerias com instituições financeiras, como o Millennium bim, para facilitar o acesso a viaturas através de leasing automóvel. Como estas parcerias têm contribuído para a expansão do mercado automóvel no país?

NM: A empresa mantém parcerias activas com vários bancos comerciais para dinamizar o acesso ao leasing automóvel, sem exclusividade com qualquer instituição. Campanhas específicas, como a prevista com um parceiro bancário para o último trimestre de 2025, são preparadas com bastante antecedência e adaptadas às condições do mercado.

Contudo, o desenvolvimento do produto de leasing enfrenta limitações estruturais, nomeadamente o elevado custo do crédito. Apesar de a taxa de juro média ter descido de 25% para cerca de 18% nos últimos 12 meses, só agora o produto começa a mostrar viabilidade para a aquisição de viatura nova. A empresa reconhece que, com taxas acima dos 20%, o leasing torna-se impraticável, não apenas em Moçambique, mas em qualquer mercado, levando os consumidores a procurar soluções de financiamento alternativas e menos onerosas, e se calhar optando pela importação de uma viatura usada, comprada virtualmente e com todos os riscos associados a esta decisão de compra.

Ademais, destaca-se que o segmento de veículos novos continua a posicionar-se como um produto de luxo no contexto económico moçambicano, onde infelizmente, continua a ser impossivel de ser alcançado pela grande maioria das familias Moçambicanas.

PM: Quais são as principais metas e projectos da empresa para os próximos anos em Moçambique? Há planos para introduzir novas marcas ou expandir para outras regiões do país?

NM: Relativamente a projectos de expansão, vamos inaugurar até Julho, um novo centro no Tchumene dedicado à venda e assistência de viaturas pesadas e maquinaria industrial. Está igualmente em curso o projecto da futura sede do grupo no país, com conclusão prevista a médio prazo.

Fora da capital, a empresa actua através de agentes certificados nas principais cidades capitais como a Beira, Chimoio, Tete, Pemba e Quelimane, uma solução adaptada à dimensão reduzida da economia, que não comporta estruturas próprias isoladas. Adicionalmente, disponibiliza oficinas móveis e apoio técnico remoto para clientes em zonas remotas, garantindo assistência contínua e eficaz.

PM: Como é que a actual crise cambial e a escassez de divisas têm afectado o desempenho da Caetano Moçambique e, de forma mais ampla, o sector automóvel no país?

A Caetano Moçambique detém actualmente uma quota de mercado estimada entre 7% e 8%, considerando a comercialização de viaturas novas, usadas, maquinaria e geradores. Contudo, o desempenho recente tem sido afectado pelo agravamento da crise cambial e pela escassez de divisas, o que reduziu drasticamente as importações.

Nos primeiros quatro meses de 2025, o sector automóvel registou uma quebra de cerca de 25% face ao período homólogo, reflectindo uma contracção generalizada do consumo em Moçambique. Este abrandamento abrange não apenas bens duráveis, mas também produtos alimentares e de grande consumo, como bebidas, açúcar e alimentos básicos.

A crise de divisas tem provocado atrasos significativos nos ciclos de importação, que anteriormente levavam uma semana e agora podem demorar até sete (7), afectando directamente a disponibilidade de produtos no mercado e limitando o funcionamento da economia.

A empresa manifesta preocupação com a persistência desta conjuntura, alertando para o risco de agravamento económico caso não sejam adoptadas medidas urgentes para estabilizar o mercado cambial e normalizar a economia. Situação que esperamos estar sanada num futuro próximo tendo em conta o compromisso demonstrado pelo novo Governo em encontrar soluções imediatas.

Nelson Melo: “We Are Prepared to Grow Despite the Challenges Facing the Automotive Sector”

Profile Mozambique: Caetano Mozambique is a benchmark in the national automotive sector and is part of the prestigious Salvador Caetano Group. To begin, could you give us a brief overview of the company’s history in Mozambique and its main milestones?

Nelson Melo: Caetano Mozambique is part of the international Salvador Caetano Group, which operates across three continents and in 38 African countries. In Mozambique, the business started decades ago with the assembly of Caetano-Mercedes buses, a project that was discontinued in 2007 due to economic reasons. Since then, the company has focused on automotive retail, parts sales, and technical assistance, representing brands such as Peugeot, Citroën, Volkswagen, Renault, and JMC.

More recently, we launched Caetano Moztruck, a local partnership dedicated to the distribution of trucks, buses, forklifts, tractors, generators, and industrial machinery, specifically from brands such as UD Trucks, CAMC Trucks, TATRA Trucks, Baoli forklifts, Landini tractors, and Grupel generators. In parallel, we have developed anchor projects such as the MDS insurance brokerage and Caetsu Two, a creative and marketing company, both of which operate independently in the national market. The company is also strengthening its presence through technological solutions and specialized support services for both the group and third parties.

PM: Caetano represents renowned brands such as Renault, Volkswagen, JMC, Citroën, and Peugeot. What have been the main challenges and opportunities in managing these brands simultaneously in the Mozambican context?

NM: Being an official importer and representative of automotive brands today requires strict compliance with international standards. To operate legally, a company must have a qualified core team, from commercial managers to mechatronics technicians, warranty experts, and parts specialists, which implies significant structural costs and ongoing investment.

Fortunately, the Salvador Caetano Group offers regional synergies that allow us to share technical and managerial resources across countries, ensuring specialized support without compromising operational efficiency, even in smaller markets like Mozambique.

Nelson Melo, CEO of Caetano Mozambique’s

PM: Sustainability is a growing concern in the automotive industry. What initiatives has the company adopted to promote sustainable practices and more efficient vehicles in Mozambique?

NM: Sustainability and electric mobility are integral parts of Caetano Mozambique’s strategy. However, investment in this new technology is constrained by the lack of a regulatory framework that can guarantee investor confidence and allow the development of a charging infrastructure for electric vehicles. The absence of clear public policies makes private investment difficult, though it is essential for driving technological advancement in the country.

At the group level, Salvador Caetano is already implementing initiatives such as the Go-Charge project, focused on electric mobility in Africa, with active programs in countries like Kenya, Cape Verde, and Uganda. Mozambique is part of the group’s expansion vision, but progress is still dependent on sectoral legislation and a revision of customs tariffs. As it stands, electric vehicles are subject to some of the highest import duties and taxes, making them the most expensive type of vehicle to bring into the country.

PM: Caetano Mozambique has partnered with financial institutions such as Millennium bim to facilitate vehicle access through auto leasing. How have these partnerships contributed to expanding the automotive market in the country?

NM: The company maintains active partnerships with several commercial banks to promote auto leasing, without exclusivity to any specific institution. Specific campaigns, like the one planned with a banking partner for the last quarter of 2025, are carefully prepared in advance and tailored to market conditions.

However, the development of the leasing product still faces structural challenges, notably the high cost of credit. Although the average interest rate has dropped from 25% to around 18% over the past 12 months, only now is the product beginning to show viability for financing new vehicle purchases. The company acknowledges that with rates above 20%, leasing becomes unfeasible, not only in Mozambique, but in any market, forcing consumers to seek alternative, less costly financing solutions. Many even turn to importing used cars online, despite the significant risks associated with such purchases.

Furthermore, new vehicles remain positioned as luxury products in the Mozambican economic context, still unattainable for the vast majority of Mozambican families.

PM: What are the company’s main goals and projects for the coming years in Mozambique? Are there plans to introduce new brands or expand to other regions of the country?

NM: In terms of expansion, we plan to inaugurate a new center in Tchumene by July, dedicated to the sales and servicing of heavy-duty vehicles and industrial machinery. In addition, we are working on a new headquarters for the group in Mozambique, with completion expected in the medium term.

Outside of the capital, the company operates through certified agents in key provincial capitals such as Beira, Chimoio, Tete, Pemba, and Quelimane, an approach adapted to the scale of the economy, which does not justify standalone facilities in each region. We also offer mobile workshops and remote technical support to clients in remote areas, ensuring continuous and effective assistance.

PM: How have the current foreign exchange crisis and shortage of foreign currency affected Caetano Mozambique’s performance and, more broadly, the automotive sector in the country?

NM: Caetano Mozambique currently holds an estimated market share of 7% to 8%, considering the sale of new and used vehicles, machinery, and generators. However, recent performance has been significantly impacted by the worsening foreign exchange crisis and limited access to foreign currency, which have drastically reduced imports.

In the first four months of 2025, the automotive sector contracted by around 25% compared to the same period last year, reflecting a widespread decline in consumer spending in Mozambique. This slowdown affects not only durable goods but also fast-moving consumer goods, including beverages, sugar, and staple foods.

The foreign exchange crisis has caused severe delays in import cycles, which used to take a week but can now take up to seven weeks, directly impacting product availability in the market and restricting economic activity.

The company is deeply concerned about the persistence of this situation, warning of the risk of further economic deterioration unless urgent measures are adopted to stabilize the exchange market and normalize the economy. We are hopeful, however, that this situation will be resolved soon, given the new government’s demonstrated commitment to finding immediate solutions.

Nonetheless, the Salvador Caetano Group remains hopeful in the resilience of Mozambique and its people. It is with this sense of optimism that we believe the economy will soon regain its strength, and better days will come for the entire society.

Vilankulo acolhe projecto nacional de cidade petroquímica avaliado em 2 mil milhões de dólares

O Presidente da República, Daniel Chapo, lançou oficialmente, em Abril do corrente ano, o projecto de construção da Cidade Petroquímica Nacional, a ser erguida na localidade de Mavanza, no distrito de Vilankulo, província de Inhambane. A iniciativa, avaliada em cerca de 2 mil milhões de dólares norte-americanos, será executada pela empresa Phoenix International Group, com sede em Hong Kong, prevendo-se a sua conclusão até ao ano de 2028.

O empreendimento, considerado estratégico para a industrialização e diversificação da economia nacional, compreende a implantação de centrais térmicas, refinarias, terminais marítimos, unidades de produção de polímeros e fertilizantes, bem como zonas residenciais, dotadas de infra-estruturas sociais básicas, incluindo escolas e hospitais.

Ao intervir no acto de lançamento, o Chefe de Estado destacou que a futura cidade petroquímica visa posicionar Moçambique como plataforma regional de transformação de recursos energéticos e petroquímicos, contribuindo significativamente para o reforço da capacidade produtiva, criação de emprego qualificado e promoção do desenvolvimento local e regional.

“Este investimento constitui um marco importante para a industrialização de Moçambique. Acreditamos que a sua materialização terá impactos directos na geração de postos de trabalho, na dinamização da economia local e na atracção de mais investimentos para a província de Inhambane”, declarou o Presidente Chapo.

De acordo com informações fornecidas na cerimónia, o projecto prevê a criação de infra-estruturas logísticas e industriais integradas, com enfoque na valorização dos hidrocarbonetos explorados no país, reforçando a cadeia de valor energética e promovendo a substituição de importações de derivados do petróleo.

A Phoenix International Group comprometeu-se a observar padrões internacionais de engenharia, segurança e protecção ambiental, estando previstas auditorias técnicas e avaliações regulares em coordenação com as autoridades moçambicanas.

Entretanto, o anúncio do projecto ocorre num contexto em que organizações internacionais têm manifestado preocupações quanto à sustentabilidade ambiental da zona costeira de Inhambane, sobretudo devido à existência de áreas marinhas protegidas e de espécies ameaçadas. Em reacção, o Governo reiterou que o projecto será implementado com respeito pelas normas ambientais vigentes e com consulta permanente às comunidades locais, assegurando a inclusão social e o desenvolvimento territorial equilibrado.

Com este projecto, o Executivo dá mais um passo no sentido de transformar Moçambique num actor relevante na indústria petroquímica regional, promovendo a diversificação económica, criação de infra-estruturas estruturantes e elevação da qualidade de vida das populações.

MOZIX inaugura novo ponto de presença no centro de dados MPM1 da Digital Realty em Maputo

A Digital Realty, fornecedora global de soluções de centros de dados, colocation e interconexão independentes de operadoras e plataformas de nuvem, anunciou a abertura de um novo ponto de presença do Mozambique Internet Exchange (MOZIX) no centro de dados Maputo One (MPM1). Este avanço estratégico reforça a infra-estrutura digital nacional, permitindo uma troca de tráfego mais eficiente e económica entre operadores de redes.

A presença do MOZIX no MPM1 constitui um marco significativo na trajectória de transformação digital do País. Sendo o único Ponto de Troca de Tráfego de Internet (IXP) em Moçambique, o MOZIX desempenha um papel crucial na retenção do tráfego nacional dentro das fronteiras, reduzindo a latência, melhorando a experiência dos utilizadores e diminuindo a dependência de largura de banda internacional dispendiosa.

“O MOZIX tem sido determinante para o fortalecimento do ecossistema da Internet em Moçambique,” afirmou Luís Neves Cabral Domingos, Director do Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM). “Com picos de tráfego superiores a 150 Gbps e 19 membros activos em peering, a nossa expansão para o centro de dados MPM1 da Digital Realty permite-nos reforçar ainda mais a eficiência e a resiliência das redes.”

Localizado no coração da cidade de Maputo, o MPM1 oferece um ambiente altamente interligado para operadoras nacionais e internacionais, fornecedores de conteúdos e empresas. Com mais de 15 redes já conectadas, a instalação assume-se como um ponto nevrálgico para a troca de tráfego e inovação digital na região.

“A integração do MOZIX na nossa infra-estrutura de Maputo representa um avanço significativo para a conectividade em Moçambique,” declarou José Almeida, Director-Geral da iColo – Uma Empresa Digital Realty em Moçambique. “Enquanto instalação neutra em termos de operadoras, o MPM1 disponibiliza uma plataforma robusta para peering e interconexão, e orgulhamo-nos de apoiar o crescimento da economia digital local com infra-estruturas modernas.”

Segundo dados da Internet Society Pulse, mais de 35% do tráfego nacional é actualmente encaminhado através de IXPs situados em território moçambicano. Com uma taxa de penetração da Internet de 19,8% e mais de 6,9 milhões de utilizadores em linha no início de 2025, a necessidade de infra-estruturas digitais escaláveis e de alto desempenho torna-se cada vez mais premente.

A Digital Realty mantém o seu compromisso com o desenvolvimento de um ecossistema pan-africano de interconexão. Para além de Moçambique, a empresa opera centros de dados neutros no Quénia, onde acolhe IXPs como o Kenya Internet Exchange Point (KIXP), o London Internet Exchange (LINX) e o Asteroid IX, em instalações localizadas em Nairobi e Mombaça.

No seu conjunto, estas plataformas processam volumes médios de tráfego na ordem dos 100 Gbps, sustentando a visão da empresa de proporcionar conectividade digital sem fronteiras em todo o continente africano.

Este anúncio consolida o papel da Digital Realty como impulsionadora da transformação digital em África. Com operações activas em Moçambique, Quénia, Nigéria e África do Sul, a empresa está a construir uma plataforma de interconexão pan-africana que favorece o crescimento regional e a integração global. A Digital Realty foi recentemente classificada em primeiro lugar no continente africano no Cloudscene’s Data Centre Ecosystem Leaderboard, o que reforça a sua posição como facilitadora de infra-estruturas digitais no continente.

A Digital Realty conecta empresas e dados, oferecendo um leque completo de soluções de centros de dados, colocation e interconexão. Através da PlatformDIGITAL, a sua plataforma global, disponibiliza um espaço seguro para interacção de dados, com uma arquitectura comprovada – a PDx (Pervasive Datacentre Architecture) – que impulsiona a inovação, desde a transformação digital e computação em nuvem, até tecnologias emergentes como a inteligência artificial (IA) e a gestão eficiente de fenómenos como a Gravidade de Dados.

A empresa oferece acesso a comunidades de dados interligadas em mais de 300 centros de dados, distribuídos por mais de 50 grandes cidades em mais de 25 países, cobrindo seis continentes.

Fonte: Inteligetcio

Novas locomotivas diesel da CRRC entram ao serviço em Moçambique

As locomotivas diesel da fabricante chinesa CRRC foram oficialmente integradas ao serviço ferroviário nacional, após cerimónia realizada na estação central de Maputo, com a presença do Ministro dos Transportes e Comunicações, João Matlombe. A informação foi avançada pelo portal especializado Railway Supply.

A Administração Portuária e Ferroviária de Moçambique (CFM) investiu 6,6 milhões de dólares norte-americanos na aquisição destas modernas locomotivas, produzidas pela CRRC num prazo recorde de 100 dias, incluindo as fases de concepção, fabrico e entrega.

As novas locomotivas do modelo SDD1 possuem seis eixos e estão adaptadas à bitola de 1067 mm, comum nas infra-estruturas ferroviárias moçambicanas. Cada unidade oferece uma potência de 1620 kW, estando especificamente projectada para responder às exigências climáticas do continente africano.

Para garantir maior fiabilidade operacional, a CRRC equipou os equipamentos com sistemas avançados de controlo, destinados a reforçar os níveis de segurança e automatização durante o seu funcionamento.

De acordo com o Ministro João Matlombe, o CFM prevê adquirir, no total, 15 locomotivas diesel, além de 30 carruagens de passageiros e 250 vagões de carga, com o objectivo de renovar e reforçar a frota nacional.

CRRC adapta tecnologia às condições africanas

O modelo SDD1 foi concebido tendo em conta as especificidades locais, apresentando elevada durabilidade e resistência em ambientes de altas temperaturas, sem comprometer a eficiência energética.

Anteriormente, Moçambique recorria à China para o fornecimento de vagões de carga e à Índia para carruagens de passageiros. A estratégia actual visa consolidar as relações com a CRRC e simplificar o processo de aquisição de material circulante.

Investimento sustenta modernização ferroviária

A decisão do CFM de alargar a sua frota de locomotivas integra-se num esforço mais amplo de modernização das infra-estruturas logísticas nacionais, procurando aumentar a capacidade de transporte de passageiros e mercadorias nas principais ligações ferroviárias regionais.

Com este investimento, Moçambique reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento do sector dos transportes e com a integração efectiva nos corredores comerciais da região.

Fonte: Trasnformers MAGAZINE

Moçambique beneficia de apoio de 43,6 milhões de dólares para reforço da energia verde

  • AfDB financia nova linha de transporte para escoar energia eólica, alargar o acesso e reduzir emissões em Moçambique e na África Austral

Moçambique acaba de alcançar um marco significativo na transição para fontes de energia limpa, com a aprovação, pelo Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), de um financiamento no valor de 43,6 milhões de dólares norte-americanos. O montante destina-se à construção da linha de transporte de energia Namaacha-Boane e de infra-estruturas associadas.

O projecto permitirá a transmissão de até 332 GWh de energia eólica renovável, proveniente do futuro parque eólico de Namaacha, com capacidade de 120 MW, situado no sudoeste do país. Esta energia será distribuída para agregados familiares e unidades produtivas em todo o território nacional, bem como para a região da África Austral.

Do valor total, 33,2 milhões de dólares são disponibilizados pelo Fundo Africano de Desenvolvimento, e 10,4 milhões provêm da “Janela de Acção Climática” do Banco, mecanismo que apoia 37 países africanos de baixo rendimento a desenvolver-se de forma resiliente às mudanças climáticas. O Governo moçambicano também assegurará uma comparticipação.

“Este é um passo determinante na transição de Moçambique para um modelo de baixo carbono”, afirmou Kevin Kariuki, Vice-Presidente do AfDB para Energia, Clima e Crescimento Verde. “A iniciativa irá ampliar o acesso à electricidade a preços acessíveis, dinamizar a indústria local e melhorar as condições de vida.”

A execução do projecto ficará a cargo da Electricidade de Moçambique (EDM) e da Central Eléctrica da Namaacha (CEN), estando prevista a instalação de duas novas linhas de transporte de 66 kV com 43 quilómetros cada, para além de actualizações essenciais na rede eléctrica existente.

Com esta intervenção, espera-se criar milhares de novas ligações em zonas rurais e subatendidas, reduzir anualmente mais de 71 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO₂) e reforçar o comércio regional de energia através do Mercado Energético da África Austral (SAPP, na sigla em inglês).

O projecto está alinhado com a estratégia “Iluminar e Fornecer Energia à África”, do AfDB, e com a “Missão 300” de Moçambique, que visa alcançar a electrificação universal até 2030.

Fonte: Transformers MAGAZINE