Friday, April 17, 2026
spot_img
Home Blog Page 51

Relatório da IEA aponta quebra de 30% na produção de grafite em África em 2024, influenciada pela situação em Moçambique

A produção de grafite natural em África registou uma acentuada queda de 30% em 2024, situando-se nas 120.000 toneladas, segundo o Global Critical Minerals Outlook 2025, divulgado recentemente pela Agência Internacional de Energia (IEA). A diminuição da produção deveu-se, sobretudo, a constrangimentos operacionais na mina de Balama, em Moçambique, e a dificuldades no projecto Lindi, na Tanzânia.

De acordo com o relatório, a mina de Balama, considerada a maior operação de grafite em África, declarou force majeure após episódios de instabilidade civil na província de Cabo Delgado. A operadora australiana Syrah Resources não produziu grafite no local desde julho de 2024, situação que impactou significativamente os números do continente. Embora a empresa preveja retomar a produção até ao final de junho de 2025, não avançou novas projecções de produção.

Por sua vez, a mina Lindi, na Tanzânia, enfrentou problemas após a entrada em administração da sua operadora e atrasos logísticos no porto de Dar es Salaam, agravando o cenário de retração no sector.

África representa atualmente cerca de 10% do fornecimento global de grafite natural, num mercado dominado pela China, que controla aproximadamente 80% da oferta mundial. Contudo, analistas apontam para um potencial de crescimento da quota africana nos próximos anos, impulsionado por novos investimentos e projectos em desenvolvimento na região.

O relatório da IEA destaca, entre esses projectos, a expansão da operação da Tirupati Graphite em Madagáscar, que pretende aumentar a sua capacidade anual de 20.000 para 54.000 toneladas até dezembro de 2025. Em simultâneo, o projecto Kasiya, da australiana Sovereign Metals, no Malawi, prevê uma produção de 233.000 toneladas ao longo de uma vida útil estimada em 25 anos. Já na Tanzânia, a Black Rock Mining avança com o projecto Mahenge, que poderá alcançar 340.000 toneladas de concentrado de grafite por ano até 2026.

Apesar destas perspectivas positivas, o mercado enfrenta desafios consideráveis. Desde 2023, os preços do grafite têm sofrido pressão, consequência do excesso de oferta e da redução da procura, especialmente no segmento de veículos elétricos, um dos principais consumidores deste mineral crítico.

Em Madagáscar, a NextSource Minerals tem encontrado dificuldades para iniciar a produção comercial da mina Molo, também atribuídas às atuais condições desfavoráveis do mercado. A própria Syrah Resources justificou a suspensão das operações em Balama com a debilidade do mercado, para além dos problemas de segurança.

Embora o World Energy Outlook 2024, igualmente da IEA, tenha projetado que África poderia duplicar a sua participação no mercado global de grafite para 20% até 2030, os desenvolvimentos recentes mostram que o caminho para este objectivo será condicionado pela estabilidade operacional, segurança regional e dinâmicas de mercado.

Com a retoma prevista em algumas operações e o avanço de novos projectos, o sector africano de grafite poderá, nos próximos anos, recuperar fôlego e posicionar-se como um fornecedor estratégico para as cadeias globais de minerais críticos.

Fonte: ECOFIN AGENCY

Moçambique lidera lista dos países africanos com maiores valores retidos de receitas da aviação

  • IATA alerta para impacto da retenção de fundos no sector aéreo e no cumprimento de acordos internacionais

Moçambique passou a liderar o grupo dos países com maiores volumes de receitas de companhias aéreas internacionais bloqueadas, segundo dados actualizados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), referentes ao período até Abril de 2025. O país mantém retidos cerca de 205 milhões de dólares norte-americanos, valor que o coloca à frente de Argélia (178 milhões USD) e Angola (84 milhões USD), entre os Estados africanos com maiores restrições à repatriação de receitas.

De um total global de 1,3 mil milhões de dólares em fundos bloqueados, 846 milhões estão retidos em 12 países africanos, o que confirma a predominância do continente no quadro das jurisdições onde as companhias aéreas enfrentam dificuldades em aceder às receitas provenientes da venda de bilhetes. Eritreia (76 milhões), Zimbabué (68 milhões) e Etiópia (44 milhões) também figuram entre os maiores devedores, enquanto os restantes seis países, Camarões, República Centro-Africana, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial e Gabão, acumulam em conjunto 191 milhões de dólares em valores por regularizar.

A IATA considera que estas restrições colocam em risco a viabilidade das operações das companhias aéreas e violam os Acordos Bilaterais de Serviços Aéreos (BASA), dificultando o acesso das transportadoras aos fundos necessários para suportar os custos operacionais, sobretudo aqueles denominados em moeda estrangeira.

O Director-Geral da IATA, Willie Walsh, considerou a situação “profundamente preocupante” e referiu que os atrasos ou bloqueios na repatriação dos fundos ameaçam a continuidade dos voos internacionais e o próprio desenvolvimento económico dos países envolvidos.

As companhias aéreas operam com margens extremamente reduzidas e não conseguem sustentar interrupções no acesso às suas receitas”, alertou Walsh, apelando ao respeito pelos compromissos internacionais e à remoção imediata dos entraves cambiais.

Fora do continente africano, países como o Líbano (142 milhões USD), Bangladesh (92 milhões USD) e Paquistão (83 milhões USD) também continuam a reter valores significativos, ainda que em menor dimensão comparativamente aos Estados africanos.

Apesar de o total global ter registado uma descida em relação aos 1,7 mil milhões de dólares registados em Outubro de 2024, devido a esforços diplomáticos e pressão institucional sobre alguns governos, o caso de Moçambique, cuja posição ascendente é classificada pela IATA como sinal negativo para investidores e operadores, revela uma tendência inversa e motivo de alarme.

A título de exemplo, a Nigéria, que em 2023 ocupava o topo da lista com quase 800 milhões USD em fundos retidos, regularizou cerca de 98% do seu passivo até Novembro de 2024, após a suspensão de voos por parte de transportadoras como a Emirates e a Etihad Airways. Por seu lado, Bangladesh e Paquistão, que também integravam o grupo dos cinco maiores devedores, reduziram substancialmente os seus montantes em dívida.

A IATA insiste que o desbloqueio dos fundos é essencial para garantir a conectividade internacional, a estabilidade dos fluxos de passageiros e carga, e o fortalecimento das economias africanas, um apelo que se reveste de particular urgência no caso moçambicano, dada a sua crescente centralidade geográfica e estratégica nas rotas do Sul do continente.

Fonte: TIMES AEROSPACE

Aprovados novos preços mínimos de referência para a comercialização do algodão

O Fórum Nacional dos Produtores de Algodão (FONPA) e a Associação Algodoeira de Moçambique (AAM) aprovaram, na sexta-feira (30), por consenso, os novos preços mínimos de referência para a comercialização do algodão caroço na campanha agrária 2024/2025.

A nova tabela fixa o preço em 22 meticais por quilograma para o algodão de primeira qualidade e 15,5 meticais para a segunda qualidade, com uma taxa de descaroçamento estabelecida em 6,5 meticais.

Falando no final da reunião negocial, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, declarou que o preço daquela cultura de rendimento não contará com subsídios governamentais, porque o Orçamento do Estado não permite apoios directos para a equação do preço final na presente campanha.

“O importante é que houve um acordo possível, sem mortos nem feridos”, afirmou o governante, destacando o consenso alcançado entre os principais intervenientes do sector.

Num outro desenvolvimento, o dirigente garantiu que o Executivo irá disponibilizar uma linha de crédito com taxas de juro ‘extremamente’ bonificadas. A previsão é de uma taxa de zero por cento para os que estiverem agregados na cadeia de valor dos agro-indústrias e pretenderem adquirir equipamentos e insumos agrários, ao passo que para os que estiverem fora será aplicada uma taxa de até cinco por cento.

Roberto Mito Albino alertou, no entanto, aos potenciais beneficiários, que todas as transacções e linhas de apoio irão decorrer dentro de uma plataforma digital para evitar informalidade e disciplinar os mecanismos de acesso ao crédito para a mecanização e aquisição de insumos. “Apenas beneficiarão de créditos das novas linhas de financiamento do sector os que estiverem registados no sistema”, concluiu o dirigente. (Nota Informativa)

Sector bancário moçambicano mantém sólida resiliência apesar de maior exposição à dívida pública

  • Rácio de solvabilidade fixou-se em 26,5%, mais do que o dobro do mínimo regulamentar (12%);
  • Rácio de liquidez alcançou 59,5%, bem acima do mínimo exigido (25%);
  • Testes de esforço indicam capacidade do sector para absorver choques e manter capitalização;
  • Risco sistémico é considerado moderado, mas com atenção à crescente exposição à dívida pública;
  • Dívida pública interna aumentou para 445,9 mil milhões de meticais, mais 30,3 mil milhões face a Dezembro de 2024.

O sector bancário moçambicano apresenta-se sólido e resiliente, sustentado por indicadores robustos de solvabilidade e liquidez, mesmo perante um ambiente marcado por pressões fiscais crescentes e ajustamentos na política monetária. Esta foi a principal conclusão do Comité de Política Monetária (CPMO), reunido a 30 de Maio de 2025, que destacou também a existência de riscos sistémicos moderados, com origem na crescente exposição dos bancos à dívida pública interna.

Solvabilidade e liquidez: Pilares de confiança

Segundo o último comunicado do Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (CPMO), o rácio de solvabilidade do sistema bancário atingiu 26,5% em Março de 2025, valor significativamente superior ao mínimo regulamentar de 12%, evidenciando uma forte capacidade de absorção de perdas. Já o rácio de liquidez fixou-se em 59,5%, mais do que o dobro do limiar mínimo de 25%.

Estes resultados reflectem uma gestão prudente por parte dos bancos e confirmam a estabilidade operacional do sector, mesmo num contexto de ajustamento da taxa MIMO e redução das taxas de juro de referência.

Testes de esforço e avaliação do risco sistémico

O Banco de Moçambique realizou também testes de esforço de solvência macroprudencial, simulando choques adversos ao sistema. Os resultados mostram que o sector dispõe de reservas de capital suficientes para absorver perdas inesperadas e manter os níveis de capitalização no médio prazo, consolidando a confiança no sistema financeiro.

Apesar desta robustez, a avaliação do risco sistémico, que analisa o potencial efeito de contágio de falhas bancárias sobre todo o sistema, é classificada como moderada. Esta classificação decorre, em parte, da redução das taxas de juro e da diminuição do volume de crédito em incumprimento, factores que aliviam a pressão sobre o sistema.

Alerta: Exposição a dívida pública interna em aumento

Um dos focos de preocupação apontado pelo CPMO é a subida da exposição do sector bancário ao endividamento público interno. Excluindo os contratos de mútuo, de locação e responsabilidades em mora, a dívida pública interna atingiu 445,9 mil milhões de meticais, representando um acréscimo de 30,3 mil milhões desde Dezembro de 2024.

Este crescimento poderá comprometer a diversificação das carteiras dos bancos e reduzir o espaço de crédito ao sector privado. Além disso, aumenta a correlação entre a saúde das contas públicas e a estabilidade do sistema bancário, uma dinâmica que o Banco Central continuará a monitorizar com atenção.

Depreende-se que o sector bancário moçambicano mantém uma posição sólida e resiliente, com capacidade comprovada para enfrentar choques e sustentar a confiança dos depositantes e investidores. Contudo, os sinais de alerta quanto ao endividamento público e à sua interligação com os balanços dos bancos requerem vigilância e coordenação entre política fiscal e monetária. A contenção do risco sistémico dependerá, cada vez mais, da disciplina macroeconómica e da solidez das instituições financeiras.

BM reduz taxa mimo para 11% com inflação em queda e sistema financeiro estável

  • Taxa de juro de política monetária (MIMO) reduzida em 75 pontos base, fixando-se em 11%;
  • Juros das Facilidades Permanentes de Cedência e Depósito ajustados para 14% e 8%, respectivamente;
  • Coeficientes de reservas obrigatórias mantêm-se inalterados: 29% (moeda nacional) e 29,5% (moeda estrangeira);
  • Sistema financeiro mantém-se resiliente, com solvabilidade e liquidez acima dos níveis prudenciais;
  • Inflação anual desacelerou para 4,0% em Abril de 2025;
  • Riscos fiscais, exposição à dívida interna e choques climáticos continuam a pesar nas projecções.

O Banco de Moçambique (BdM) anunciou, a 30 de Maio, uma nova redução da sua taxa directora de política monetária (MIMO), que passou de 11,75% para 11,00%. A decisão, tomada em sessão ordinária do Comitê de Política Monetária (CPMO), foi fundamentada pela consolidação das projecções de inflação em um dígito no médio prazo e pela robustez demonstrada pelo sistema financeiro nacional.

Medidas Decididas

O Comunicado n.º 3/2025 do CPMO e a circular operacional n.º 016/MMI-MCI/2025 confirmam as seguintes medidas:

  • Redução da taxa MIMO para 11,00%;
  • Redução da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) para 14,00%;
  • Redução da Facilidade Permanente de Depósito (FPD) para 8,00%;
  • Manutenção do coeficiente de reservas obrigatórias:
    • 29,00% para passivos em moeda nacional;
    • 29,50% para passivos em moeda estrangeira.

Comparativo das Taxas de Política Monetária

Comparativo das Taxas de Política Monetária e Reservas Obrigatórias – Maio 2025

Indicador Valor Anterior Valor Actual Variação (pb)
Taxa MIMO 11.75 11.0 -75
Facilidade Permanente de Cedência (FPC) 14.75 14.0 -75
Facilidade Permanente de Depósito (FPD) 8.75 8.0 -75
Reservas Obrigatórias (Moeda Nacional) 29.0 29.0 0
Reservas Obrigatórias (Moeda Estrangeira) 29.5 29.5 0

Trata-se de decisões vistas como sustentadoras de uma trajetória de flexibilização monetária em curso desde o início de 2025, com o objectivo de estimular a actividade económica sem comprometer a estabilidade macroeconómica.

Inflação em queda e Metical estável

A inflação anual desacelerou para 4,0% em Abril de 2025, após registar 4,8% em Março, mantendo-se em patamares historicamente baixos. A inflação subjacente também recuou, reflectindo o impacto positivo das anteriores decisões do CPMO, a estabilidade do Metical e a redução dos preços internacionais de bens e serviços.

Evolução da Inflação Anual

As perspectivas de inflação mantêm-se firmemente ancoradas abaixo dos 10%, o que permite maior espaço de manobra para uma política monetária mais acomodatícia.

Sistema bancário sólido, mas cautelas persistem

De acordo com o Banco de Moçambique, o sistema financeiro nacional permanece robusto, tendo, em Março de 2025, registados os seguintes indicadores que corroboram a qualificação da solidez do sector bancário nacional

  • Rácio de solvabilidade situou-se em 26,5% (mínimo regulamentar: 12%);
  • Rácio de liquidez foi de 59,5% (mínimo regulamentar: 25%).

Indicadores do Sistema Bancário

O BdM refere que submeteu o sector bancário a “testes de esforços” que permitiram confirmar que o sector bancário tem capacidade para absorver choques severos e manter a capitalização no médio prazo.

No entanto, o CPMO alerta para a crescente exposição dos bancos à dívida pública interna, que atingiu os 445,9 mil milhões de meticais, mais 30,3 mil milhões face a Dezembro de 2024. Essa dependência representa uma vulnerabilidade estrutural que poderá limitar a eficácia do canal de crédito ao sector privado.

Exposição à dívida pública interna

Riscos e incertezas

Apesar do ambiente macroeconómico mais favorável, permanecem riscos relevantes:

  • Deterioração fiscal e dificuldades na mobilização de recursos para o Orçamento do Estado;
  • Incógnitas quanto à velocidade de recuperação da capacidade produtiva e oferta interna;
  • Riscos climáticos e sazonais que podem impactar preços e acessibilidade de bens.

Perspectiva de Política Monetária

O CPMO confirmou que continuará o processo de normalização da política monetária, com os próximos passos dependentes da evolução da inflação e da avaliação contínua dos riscos. A próxima reunião ordinária do Comité está marcada para o dia 30 de Julho de 2025.

O corte da taxa MIMO para 11% confirma a confiança do Banco de Moçambique na estabilidade de preços e na resiliência do sistema financeiro, ao mesmo tempo que sinaliza uma abordagem pragmática para estimular a actividade económica interna. A manutenção dos coeficientes de reservas obrigatórias mostra, porém, que a autoridade monetária permanece vigilante face aos riscos estruturais — sobretudo no plano fiscal e climático.

Banca e Seguros: Empresários angolanos procuram parcerias em Moçambique

A CTA recebeu, recentemente, empresários angolanos ligados aos sectores de banca e seguros, que se encontra em Moçambique à procura de oportunidades de negócios e de parcerias com empresários moçambicanos.

As partes discutiram possibilidades de parcerias, visando explorar as oportunidades existentes em Moçambique nestes sectores, aumentando os investimentos e as trocas comerciais entre os dois países.

O Administrador Executivo do BancoYETU, Paulo Fontes, apresentou linhas de financiamento disponíveis para apoiar a internacionalização de empresas angolanas e em Moçambique procura parceiros para expansão das suas actividades para o mercado moçambicano.

Por seu turno, a Presidente do Conselho Executivo da angolana PREFIRASEGUROS, Sofia Chival, apresentou soluções de seguros adequados a diversos sectores de actividade e pretende investir em Moçambique.

Visita estratégica para o reforço das relações económicas

O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, considera estratégica a visita dos empresários angolanos para o reforço das relações económicas entre Moçambique e Angola.
“Partilhamos uma base cultural comum, laços históricos profundos e, sobretudo, a língua portuguesa, vantagens únicas que devem ser aproveitadas para promover a internacionalização das nossas empresas nos mercados dos PALOP, com soluções financeiras e seguradoras inovadoras, sustentáveis e inclusivas”, frisou Álvaro Massingue.

Em termos de desafios para o sector privado moçambicano, especialmente para as PME´s, o Presidente da CTA destacou algumas dificuldades persistentes, ligadas ao acesso a financiamento e seguros, nomeadamente: Taxas de juro elevadas; Exigência de garantias difíceis de mobilizar; Escassez de produtos ajustados à realidade local; e Baixa penetração de seguros, agravando a exposição ao risco.

“Projectos economicamente viáveis deixam de avançar por falta de capital e protecção adequadas, sobretudo nos sectores agrícola, industrial e informal”, frisou Álvaro Massingue.

Cooperação e Internacionalização regional

Sendo o BancoYETU e PREFIRASEGUROS, empresas que se destacam em Angola na inovação, automação e apoio ao sector produtivo, o Presidente da CTA convidou estas instituições a estruturarem linhas de crédito com garantias híbridas adaptadas ao risco local; a desenvolverem seguros para PME´s agrícolas, comerciais, multirriscos e inclusivos; a firmarem parcerias com bancos e fintechs moçambicanos, promovendo soluções digitais em áreas remotas; a apoiarem programas conjuntos de educação financeira e seguradora; e a estimularem mecanismos de financiamento por desempenho, com foco em sustentabilidade.

Mais do que investimento, Álvaro Massingue propôs cooperação estratégica para internacionalizar os serviços financeiros e seguradores moçambicanos nos PALOP, consolidando a presença de empresas nacionais em mercados cultural e linguisticamente alinhados.

A CTA mostrou-se disponível para actuar como facilitadora, conectando estas iniciativas às reais necessidades do sector empresarial moçambicano.

Convite para FACIM e CASP

O Presidente da CTA aproveitou o ensejo para convidar os empresários angolanos a participarem na 60ª edição da FACIM – Feira Internacional de Maputo, a ter lugar de 25 a 31 de Agosto de 2025, e na 20ª edição da CASP – Conferência Anual do Sector, prevista para Outubro próximo.
Durante o encontro, a CTA propôs a realização de um Fórum de Negócios Moçambique – Angola, que servirá de plataforma de intercâmbio para o fortalecimento das relações empresariais entre os dois países.

 

Syrah Resources retoma produção de grafite em Balama após longos meses de paralisação

A mineradora australiana Syrah Resources, que explora uma mina de grafite no distrito de Balama, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, retomou as actividades depois de um impasse com as comunidades locais, que têm vindo a exigir o que consideram ser uma compensação justa para os desalojados pelo projecto em Setembro passado.

A mineradora retomou as actividades graças à intervenção das Forças de Defesa e Segurança (FDS), que culminou com a expulsão das comunidades das oito aldeias que ainda exigiam indemnizações.

De acordo com uma fonte, citada pela Carta de Moçambique, as actividades foram retomadas há duas semanas. No entanto, estão a decorrer com metade da capacidade normal, em resultado dos trabalhos de limpeza e reparação de equipamentos que estavam inoperacionais desde Outubro passado. Ainda assim, parte da empresa continua sob fortes medidas de segurança, embora os manifestantes tenham deixado de actuar.

“Os trabalhos na mina já tinham começado, mas, por motivos de força maior, os manifestantes foram expulsos. A Unidade de Intervenção Rápida (UIR) teve de intervir, recorrendo a veículos blindados, gás lacrimogéneo e outras formas de perseguição”, disse a mesma fonte, sublinhando ainda que os 12 membros da comunidade que tinham sido detidos foram libertados, mas sob vigilância das autoridades locais.

“Com as medidas de segurança impostas à volta da mina, a deslocação descontrolada das famílias é considerada perigosa, mesmo quando se trata de procurar estacas ou lenha”, acrescentou.

Com resultado líquido de MZN 6,04 mil milhões, BCI reforça robustez com rácios de solvabilidade e liquidez em 23,33% e 41,03%

Em 2024, o BCI manteve a trajectória de crescimento do Balanço, preservando a forte robustez em termos de liquidez, solvabilidade e rentabilidade, apesar do contexto adverso, particularmente no IV Trimestre. Esta robustez é evidenciada pelos rácios de Solvabilidade e de Liquidez que atingiram, no final do ano, 23,33% e 41,03%, respectivamente, valores significativamente superiores aos mínimos regulamentares, demonstrando o rigor e a prudência da gestão do BCI, e a sua resiliência, assim como capacidade de adaptação face a contextos adversos.

A nível da actividade comercial, registou-se um crescimento assinalável do Volume de Negócios, assente no aumento dos Depósitos em MZN 23.952 milhões (+15%) e da carteira de Crédito em MZN 4.469 milhões (+6%), facto que propiciou um crescimento dos Activos em quase 11%. Deste modo, o BCI manteve a sua posição de liderança no sector bancário moçambicano, alcançando, em Dezembro, quotas de mercado de 26,94% no Crédito, 25,78% nos Depósitos e 22,73% nos Activos.

O bom desempenho da actividade comercial permitiu um crescimento do Produto Bancário em 2,5% face ao período homólogo, com destaque para a evolução positiva da Margem Financeira (+4,73%), impulsionada pelo crescimento da carteira de Crédito em Moeda Nacional e dos Activos Financeiros, mesmo num contexto de redução de taxas de juro e elevados coeficientes de Reservas Obrigatórias, demonstrando a eficácia da estratégia operacional do Banco.

Não obstante a boa performance dos proveitos operacionais, a evolução do Resultado Líquido foi condicionada por reforços de imparidades decorrentes de factores exógenos, com destaque para as imparidades constituídas para a cobertura do agravamento do risco soberano, o qual se evidenciou através das revisões em baixa do rating do país pelas agências Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s (S&P), nos meses de Fevereiro e Março de 2025, com esta última a atribuir ao país a classificação de “Selective Default”, para a dívida soberana em moeda nacional

Neste contexto, o Resultado Líquido atingiu os MZN 6.040 milhões, que apesar de constituir uma queda de 26% face a 2023, permitiu manter níveis consideráveis de Rentabilidade dos Capitais Próprios (ROE) e de Rentabilidade do Activo (ROA), a situarem-se em 19,26% e 2,64%, respectivamente.

Ao longo ano, o BCI manteve o foco contínuo na qualidade de serviço, inovação e proximidade ao cliente, e reforçou o seu posicionamento de referência no mercado através da disponibilização dos melhores produtos e serviços, priorizando a satisfação do cliente, e procurando incrementar a rentabilidade, de forma sustentada, em todas as áreas de negócio.

Num contexto de incerteza e desafios múltiplos, o BCI mostra-se financeiramente robusto e estrategicamente prudente, e continuará a desempenhar um papel activo e responsável na recuperação económica do país, mantendo o seu compromisso com uma banca ética, prudente e orientada para o desenvolvimento inclusivo e sustentável.

Moçambique lança sétima edição da feira anual de gemas

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), através do Museu Nacional de Geologia, em coordenação com a Unidade de Gestão do Processo Kimberley, Instituto Nacional de Minas, e o Serviço provincial de Infra-estruturas de Nampula, lança, esta sexta-feira (30), na cidade de Maputo, a VII Edição da Feira Anual de Gemas de Nampula (FAGENA).

O evento a ter lugar de 23 a 25 de Outubro do ano em curso, na cidade de Nampula, vai decorrer sob o lema: “FAGENA, em prol da mineração sustentável e promoção do desenvolvimento sócio-económico em Moçambique”.

A FAGENA é uma plataforma de promoção de comércio interno de metais preciosos e gemas resultantes da mineração corporativa e de pequena escala, o que representa uma oportunidade para a comercialização legal dos produtos mineiros nas comunidades.

A feira constitui igualmente um espaço de interacção entre produtores, comerciantes, compradores, geocientistas e demais interessados nesta classe dos minerais.

ARC avalia aquisição da Olam Agri pela gigante saudita SALIC

A Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) está a analisar uma notificação de operação de concentração que prevê o controlo exclusivo da Olam Agri Holdings Limited pela Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (SALIC).

Segundo informou hoje a entidade reguladora, a operação, notificada a 14 de Maio e com efeitos a partir de 20 de Maio, envolve a aquisição, por parte da SALIC, de uma participação entre 44,48% e 64,57% no capital social da Olam Agri, numa transacção que dará à empresa saudita o controlo exclusivo da multinacional com sede em Singapura.

Citada pela Revista Terra, a ARC refere que os interessados têm um prazo de 15 dias, a contar da data de publicação do aviso, para submeter observações sobre a operação.

A SALIC é uma sociedade anónima do Reino da Arábia Saudita, com investimentos no sector agroalimentar a nível global, incluindo Moçambique, onde detém actualmente uma participação minoritária de controlo conjunto na Olam Agri.

Por sua vez, a Olam Agri opera em toda a cadeia de valor agrícola e está presente em Moçambique através das subsidiárias Olam Moçambique, Limitada, e Fasorel S.A.R.L.