Wednesday, September 2, 2026
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Lucros da seguradora estatal EMOSE caem 94,5% em 2025, apesar do forte crescimento dos prémios

Os lucros da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) registaram uma queda de 94,5% em 2025, fixando-se em 20,2 milhões de meticais (274 mil euros), apesar de a seguradora ter aumentado em 42,8% o volume de prémios emitidos, segundo o relatório e contas anual consultado pela agência Lusa.

De acordo com o documento, a EMOSE alcançou um resultado líquido de apenas 20,2 milhões de meticais, muito abaixo dos 368,1 milhões de meticais (5 milhões de euros) registados em 2024. A administração atribui este desempenho ao fraco resultado técnico da actividade seguradora e à acentuada redução das receitas provenientes dos investimentos financeiros.

Na mensagem que acompanha o relatório, o presidente do Conselho de Administração, Janfar Abdulai, afirma que, apesar dos resultados, a empresa demonstrou uma «notável capacidade de adaptação e resiliência», mantendo o foco na eficiência operacional e na gestão rigorosa dos riscos, num exercício marcado por um «contexto económico extremamente complexo em Moçambique».

Segundo o gestor, o mercado segurador moçambicano cresceu cerca de 4% em 2025, impulsionado pela transformação digital e pela adaptação aos novos riscos climáticos e económicos, mantendo, ao mesmo tempo, capacidade de resposta perante os desafios associados às reformas legislativas, à entrada de novos operadores, às fusões empresariais e à volatilidade dos mercados financeiros.

Os prémios brutos emitidos pela EMOSE aumentaram de 2,42 mil milhões de meticais (32,8 milhões de euros) para 3,456 mil milhões de meticais (46,8 milhões de euros), traduzindo um crescimento anual de 42,8%.

O Conselho de Administração considera que este desempenho reflecte os efeitos positivos das medidas adoptadas nos últimos anos para reforçar a sustentabilidade financeira e operacional da empresa, salientando que a seguradora registou uma recuperação positiva da actividade comercial.

Contudo, este crescimento não se traduziu numa melhoria da rentabilidade. O resultado técnico passou de um saldo positivo de 114,5 milhões de meticais (1,6 milhões de euros), em 2024, para um défice de 67,8 milhões de meticais (918 mil euros) em 2025.

Segundo a empresa, esta deterioração explica-se pelo aumento das provisões técnicas, que cresceram 22%, atingindo 6,7 mil milhões de meticais (90,9 milhões de euros).

Paralelamente, os custos com sinistros aumentaram 55,3%, passando de 800,7 milhões de meticais (10,8 milhões de euros) para 1,243 mil milhões de meticais (16,8 milhões de euros).

Outro factor determinante para a redução dos lucros foi a quebra das receitas financeiras, que diminuíram 54,2%, de 618,8 milhões de meticais (8,4 milhões de euros) para 283,2 milhões de meticais (3,8 milhões de euros).

A empresa recebeu ainda 272,1 milhões de meticais (3,7 milhões de euros) em dividendos, montante que caiu para 20,9 milhões de meticais (283 mil euros), representando uma redução de 92,3%, uma das mais expressivas registadas no exercício.

Apesar da forte redução dos resultados líquidos, a EMOSE reforçou a sua posição no mercado segurador nacional, aumentando a sua quota de mercado de 10% para 13%.

O relatório refere ainda que a seguradora, que emprega 327 trabalhadores, ocupa actualmente o terceiro lugar entre as companhias de seguros que operam em Moçambique, subindo uma posição em relação a 2024.

A administração sustenta igualmente que a solidez financeira da EMOSE permaneceu robusta ao longo do exercício, assegurando que a empresa mantém uma posição satisfatória em termos de garantias financeiras disponíveis.

O activo total da seguradora cresceu 17%, alcançando 22,058 mil milhões de meticais (298,8 milhões de euros).

A EMOSE dispõe de um capital social de 295 milhões de meticais (4 milhões de euros) e continua sob controlo do Estado moçambicano, através de participações directas e indirectas.

A estrutura accionista é composta pelo Estado, com 39% do capital, pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), com 31%, pela GETCOOP, com 20%, e por outros accionistas, que detêm os restantes 10%.

Fundada em 1977, a EMOSE opera nos ramos de seguros de vida, seguros não vida e resseguros, sendo a única seguradora do país em que o Estado moçambicano detém uma participação accionista directa.

Fonte: Lusa.

Gemfields arrecada 23,1 milhões de dólares em leilão de rubis e actualiza situação da MRM em Moçambique.

A Gemfields anuncia os resultados de um leilão de rubis em bruto de qualidade mista, realizado entre 22 e 29 de Junho de 2026. Este foi o primeiro leilão da empresa no formato “Trade Select”, que apresentou uma selecção mais abrangente de diferentes qualidades de rubis, bem como novas categorias de safiras introduzidas pela primeira vez.

Principais resultados do leilão:

  • Receitas totais de 23,1 milhões de dólares norte-americanos;
  • Foram vendidos 82 dos 89 lotes colocados à venda (92,1%);
  • Dos 374.008 quilates disponibilizados, 348.409 quilates foram vendidos (93,2%);
  • Preço médio de venda: 66,30 dólares por quilate.

Adrian Banks, Director-Geral de Produto e Vendas da Gemfields, afirmou:

“Estamos satisfeitos com o resultado do nosso leilão inaugural de rubis no formato Trade Select. Este formato foi desenvolvido para se posicionar entre os tradicionais leilões de rubis de qualidade mista da MRM e os leilões de menor dimensão introduzidos durante 2025. Ao reunir categorias e classes seleccionadas numa oferta mais direccionada, este modelo proporciona maior flexibilidade para alinhar a produção disponível com a procura do mercado, ao mesmo tempo que amplia a participação dos clientes.

Foi encorajador receber comentários positivos dos clientes, tanto em relação ao formato do leilão como à composição da oferta. Embora as condições de mercado continuem desafiantes em alguns segmentos do mercado das pedras preciosas de cor, a participação dos clientes foi robusta e as licitações demonstraram que continua a existir procura nas diversas categorias disponibilizadas.

Gostaria de agradecer à equipa da MRM, em Moçambique, pelo extraordinário empenho na preparação e realização deste leilão, apesar dos inúmeros desafios que enfrenta. Esperamos agora consolidar estes resultados, numa altura em que se iniciam os preparativos para o próximo leilão de rubis de qualidade mista da MRM, actualmente previsto para Outubro de 2026.”

As pedras preciosas foram extraídas em Moçambique pela Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM), empresa detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela Mwiriti Limitada. A totalidade das receitas obtidas neste leilão será repatriada para a MRM, em Moçambique, sendo igualmente pagas ao Governo da República de Moçambique todas as royalties devidas, calculadas sobre o valor integral das vendas alcançadas no leilão.

Os lotes foram disponibilizados em Banguecoque, na Tailândia, para sessões privadas de observação presencial pelos clientes. Concluídas estas visualizações, o leilão decorreu através de uma plataforma electrónica desenvolvida especificamente para a Gemfields, permitindo a participação de compradores provenientes de várias jurisdições, através de um processo de licitação em envelope fechado (sealed bid).

Actualização da MRM

Conforme referido no comunicado de 22 de Maio de 2026, a Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM) registou uma produção de rubis inferior ao esperado, devido sobretudo ao declínio dos teores de recuperação. Os rubis de qualidade premium representam, normalmente, mais de 70% das receitas da MRM, embora correspondam a menos de 5% do peso total dos rubis produzidos e comercializados.

No exercício findo em 31 de Dezembro de 2025, o teor médio de rubis premium recuperados na MRM foi de 0,06 quilates por tonelada. Nos cinco meses terminados em 31 de Maio de 2026, esse indicador reduziu-se para 0,03 quilates por tonelada.

No domínio de Mugloto, responsável pela maior parte das receitas da MRM e que representa 78% do minério processado até à data, o teor de rubis premium foi de 0,03 quilates por tonelada no ano findo em 31 de Dezembro de 2025. Nos cinco meses terminados em 31 de Maio de 2026, este indicador diminuiu para 0,02 quilates por tonelada.

Além da redução dos teores, a MRM não conseguiu explorar e processar as zonas mais favoráveis da concessão devido às fortes chuvas registadas durante o primeiro trimestre de 2026 e aos problemas verificados durante a fase de comissionamento da Segunda Unidade de Processamento da MRM (PP2), descritos mais adiante. Como consequência, prevê-se um impacto materialmente negativo nas reservas de rubis disponíveis para os leilões da MRM durante, pelo menos, o restante ano de 2026.

No plano operacional, a empresa está a realizar campanhas adicionais de amostragem em massa direccionada em áreas consideradas promissoras para minério de maior teor, com o objectivo de melhorar os níveis de recuperação. Paralelamente, a Gemfields e a MRM mantêm diversas medidas de gestão e controlo de custos implementadas desde o final de 2024.

A empresa divulgará uma nova actualização sobre a produção de rubis e os teores de recuperação no relatório operacional relativo aos seis meses findos em 30 de Junho de 2026, cuja publicação está prevista até 31 de Julho de 2026.

PP2 – Segunda Unidade de Processamento

A PP2 encontra-se em funcionamento desde Setembro de 2025, embora a conclusão definitiva do seu processo de comissionamento, ao abrigo do contrato de construção a preço fixo, esteja actualmente prevista para o terceiro trimestre de 2026. Apesar de a unidade já ter demonstrado capacidade para atingir e até ultrapassar a capacidade de processamento prevista no projecto, o processo de entrada definitiva em operação continua dependente da conclusão de diversas actividades de estabilização, correcção e optimização.

Entre os principais problemas identificados destacam-se o desgaste superior ao previsto de alguns componentes (incluindo os revestimentos do lavador primário), defeitos de fabrico no lavador secundário atribuídos ao fabricante do equipamento original (OEM), situação que exige a reconstrução integral deste equipamento e a entrega de uma unidade de substituição, cuja chegada ao local está prevista para Agosto de 2026.

Foram igualmente registados entupimentos em diversos componentes do circuito de processamento, obrigando, entre outras intervenções, à alteração da orientação e do revestimento das calhas e alimentadores, bem como ao reforço da disponibilidade de peças sobressalentes críticas.

Estes constrangimentos tiveram um impacto significativo na disponibilidade operacional da unidade e na consistência do seu desempenho, estando, contudo, a ser activamente resolvidos no âmbito do processo final de comissionamento e estabilização da instalação.

Situação de Segurança da MRM

A partir de 30 de Abril de 2026, diversas aldeias situadas entre 15 e 35 quilómetros da MRM foram alvo de ataques atribuídos a grupos insurgentes. Os ataques provocaram o incêndio de igrejas e habitações e apresentaram características semelhantes às acções registadas noutras zonas da província de Cabo Delgado. Foram igualmente reportados confrontos entre as forças locais e os atacantes na aldeia de Mesa, localizada a 29 quilómetros a leste da aldeia da MRM.

Como medida de precaução, a MRM suspendeu temporariamente as suas operações durante cerca de 20 horas, retomando a actividade em 1 de Maio de 2026. Posteriormente, em 13 de Maio de 2026, a aldeia de Naniviji, situada a cerca de 25 quilómetros a sudeste da MRM, foi igualmente atacada, tendo várias habitações sido incendiadas.

Também em 13 de Maio de 2026, as autoridades governamentais anunciaram a detenção de vários indivíduos classificados como “falsos terroristas” no distrito de Ancuabe. Segundo as informações disponíveis, estes indivíduos terão explorado o clima de insegurança existente, simulando a presença de grupos insurgentes para provocar a fuga das populações, saqueando posteriormente os seus bens e incendiando as respectivas residências.

Para além da ameaça representada por grupos insurgentes organizados, a empresa destaca igualmente riscos decorrentes da criminalidade local, da actuação de redes ilegais de exploração de rubis e de outros factores de instabilidade regional, incluindo dificuldades na aplicação efectiva do Estado de Direito.

Desde então, as condições de segurança registaram uma melhoria moderada e as operações regressaram a um nível de normalidade relativa, embora a evolução da situação continue a ser acompanhada de forma permanente.

A MRM continua, contudo, a enfrentar elevados níveis de intrusão de garimpeiros ilegais, estimando-se que cerca de 700 pessoas entrem diariamente na área da concessão. Estas incursões representam um risco significativo para a segurança dos trabalhadores, prestadores de serviços e comunidades vizinhas, além de contribuírem para a degradação dos recursos de rubis e para a redução dos teores de recuperação da mina.

IVA

A Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM) tem por receber 28,3 milhões de dólares norte-americanos em reembolsos do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), valor contabilizado até 30 de Junho de 2026. Este montante, conjugado com o aumento da carga fiscal resultante da nova legislação do IVA, teve um impacto materialmente negativo sobre o fluxo de caixa da empresa.

A MRM tem mantido um diálogo contínuo com as autoridades competentes para obter o reembolso do IVA. No entanto, a empresa não recebe qualquer reembolso desde Outubro de 2024, estando actualmente a avaliar todas as opções disponíveis para acelerar a recuperação dos créditos acumulados.

Moçambique introduziu uma nova legislação do IVA em 1 de Janeiro de 2026, que, entre outros aspectos, aumentou significativamente a carga fiscal suportada pela MRM. Em contrapartida, foi igualmente criado um regime especial para empresas do sector extractivo que cumpram determinados requisitos.

A MRM enquadra-se neste regime especial, concebido para garantir que as empresas elegíveis da indústria extractiva recebam os respectivos reembolsos de IVA de forma previsível e de acordo com um calendário previamente definido.

O primeiro reembolso devido à MRM ao abrigo das novas regras corresponde ao crédito de IVA referente a Janeiro de 2026, no valor de 370 mil dólares norte-americanos, cujo pagamento deverá ocorrer em 7 de Agosto de 2026.

A empresa sublinha que um sistema fiável e atempado de reembolso do IVA suportado nas suas aquisições constitui um factor de importância crítica para a sustentabilidade do seu fluxo de caixa e para a continuidade das operações.

Perspectivas de curto prazo e monitorização

A Gemfields considera que a conjugação de vários factores, nomeadamente a redução dos teores de rubis recuperados, os desafios associados ao comissionamento da Segunda Unidade de Processamento (PP2), as perturbações provocadas pela situação de segurança, a intensificação da mineração ilegal e os atrasos no reembolso do IVA, deverá afectar negativamente a produção, a composição qualitativa dos rubis produzidos e a posição de tesouraria da MRM.

Perante este cenário, a Gemfields e a MRM afirmam que continuam a acompanhar de perto a evolução da situação, mantendo um diálogo permanente com as autoridades governamentais e implementando planos de contingência destinados a mitigar os riscos operacionais e financeiros.

Sobre a Gemfields Group Limited

A Gemfields é uma das principais empresas mundiais dedicadas à exploração e comercialização de pedras preciosas de cor, encontrando-se cotada simultaneamente na Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE) e no mercado AIM da Bolsa de Londres.

A empresa é operadora e detém 75% do capital da Kagem Mining, na Zâmbia — considerada uma das mais importantes minas de esmeraldas do mundo — e da Montepuez Ruby Mining (MRM), em Moçambique, localizada num dos mais significativos depósitos de rubis descobertos nas últimas décadas.

Além destas operações, a Gemfields possui participações maioritárias em diversas outras licenças de exploração mineira e prospecção de pedras preciosas na Zâmbia, Moçambique e Madagáscar.

A empresa desenvolveu igualmente um sistema próprio de classificação de pedras preciosas e uma plataforma pioneira de leilões, concebidos para assegurar um fornecimento consistente de gemas de cor aos mercados internacionais. Este modelo de negócio tem desempenhado um papel determinante no crescimento e desenvolvimento do sector global das pedras preciosas de cor.

Fonte: Gemfields

MSC lança Afungi Shuttle para reforçar a logística do projecto de GNL

Moçambique beneficia de novo serviço marítimo da MSC para apoiar projecto de GNL em Afungi

Moçambique passará a beneficiar do Afungi Shuttle, um novo serviço marítimo lançado pela Mediterranean Shipping Company (MSC), um dos maiores grupos mundiais de transporte marítimo de contentores e logística. A nova ligação foi criada para apoiar o desenvolvimento do projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Afungi, na província de Cabo Delgado, através de ligações costeiras (feeder services) a partir dos portos de Nacala e de Maputo.

O novo serviço liga Afungi à rede marítima internacional da MSC, reforçando o fluxo de cargas destinadas ao projecto de GNL. A iniciativa visa responder ao crescente dinamismo económico no norte de Moçambique, facilitando o transporte de bens essenciais para o local do empreendimento.

Segundo a empresa, o Afungi Shuttle foi concebido para transportar materiais de construção, maquinaria, equipamentos industriais, peças sobressalentes e outras mercadorias necessárias às operações em Afungi, tornando mais eficiente a cadeia logística de abastecimento do projecto.

Além da ligação costeira, o serviço permite que as cargas cheguem a Afungi através das principais rotas comerciais da MSC, que ligam a Europa, o Mediterrâneo, as Américas, a Ásia, o Médio Oriente e a África Austral. A operação beneficia igualmente da presença consolidada da MSC em Moçambique e da sua extensa rede logística internacional.

A MSC refere que os clientes poderão agora gerir toda a operação de transporte através de uma única reserva (booking) e de um único ponto de contacto comercial durante todo o percurso da carga. Esta solução integrada pretende simplificar a gestão do transporte e melhorar a coordenação das remessas destinadas a Afungi.

Ao integrar o segmento costeiro directamente na reserva da MSC, o serviço foi desenvolvido para facilitar o planeamento das cargas e reduzir a complexidade das operações logísticas em várias etapas. A empresa considera que esta abordagem diminui os encargos administrativos para os clientes que gerem mercadorias ao longo de diferentes fases da cadeia logística na região.

O lançamento do Afungi Shuttle reflecte o contínuo investimento em infra-estruturas e soluções logísticas associadas ao desenvolvimento do projecto de GNL em Moçambique, reforçando a capacidade de transporte de cargas para as operações em Afungi.

Neste contexto, as ligações marítimas através dos portos de Nacala e de Maputo consolidam o papel destas infra-estruturas como principais pontos de entrada de mercadorias destinadas ao projecto. Simultaneamente, o novo serviço contribui para uma maior integração logística entre o sul, o centro e o norte do país.

Em Março, a MSC anunciou a aplicação de uma sobretaxa de risco de guerra (war surcharge) sobre cargas destinadas a vários países africanos e ilhas do Oceano Índico, incluindo Moçambique, na sequência do agravamento da situação de segurança no Médio Oriente, que provocou perturbações no tráfego marítimo nos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb.

Fonte: Diário Económico.

ENH e Câmara Africana de Energia reforçam cooperação

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a Câmara Africana de Energia (African Energy Chamber) reuniram-se recentemente, em Maputo, para reforçar a sua parceria, com enfoque na promoção da segurança energética nacional e regional e no fortalecimento do conteúdo local ao longo da cadeia de valor do gás natural.

O encontro, realizado na sede da ENH, em Maputo, reuniu delegações lideradas pelo Presidente do Conselho de Administração da ENH, Rudêncio Morais, e pelo Presidente Executivo da Câmara Africana de Energia, NJ Ayuk, que se encontrava de visita a Moçambique.

Rudêncio Morais afirmou que a reunião permitiu discutir as melhores formas de promover a visão da ENH e divulgar as oportunidades existentes ao longo da cadeia de valor da indústria de hidrocarbonetos de Moçambique durante as edições da Africa Energy Week, um dos mais reconhecidos eventos regionais e internacionais do sector, organizado anualmente pela Câmara Africana de Energia, na Cidade do Cabo, África do Sul.

“A Câmara Africana de Energia é uma plataforma que deve ser tida em consideração e com a qual podemos trabalhar, em sintonia com a visão da necessidade de explorar os recursos energéticos em benefício dos países africanos”, afirmou Morais.

Por sua vez, o Presidente Executivo da Câmara Africana de Energia destacou que o reforço da parceria ocorre numa fase em que a ENH se prepara para participar em novos projectos de maior dimensão, procurando atrair investidores para o país e consolidar-se como uma empresa petrolífera nacional mais robusta.

“Foi muito inspirador ouvir a visão da ENH de se tornar um operador. É isso que realmente nos motiva, porque permitirá à empresa operar campos de petróleo e gás, empregar moçambicanos e produzir a energia de que Moçambique e a região necessitam”, afirmou NJ Ayuk.

“Queremos que os moçambicanos sejam os primeiros a beneficiar destas oportunidades, para que se tornem verdadeiros agentes de mudança”, acrescentou.

NJ Ayuk revelou ainda que, no âmbito de um fundo que a Câmara Africana de Energia está a criar, a cooperação com a ENH representará uma excelente oportunidade para financiar pequenas empresas moçambicanas interessadas em participar no sector petrolífero, que frequentemente enfrentam constrangimentos no acesso ao financiamento.

Carlos Jerónimo: “Os dados tornaram-se uma infra-estrutura económica”

Profile Mozambique: Qual é hoje o papel da PwC Moçambique dentro da rede global da PwC e que enfoque a firma tem dado aos projectos de transformação empresarial no país?

Carlos Jerónimo: A PwC é uma network global de firmas, organizada em clusters regionais. No nosso caso, integramos a estrutura que agrega PwC Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Em cada geografia contamos com escritórios e equipas dedicadas a apoiar os clientes localmente. Em Moçambique, apesar da presença de longa data, durante muitos anos a operação esteve ligada à PwC África do Sul. Há cerca de dois anos, este quadro mudou e hoje estamos integrados neste cluster de países sob coordenação da PwC Portugal, reforçando a nossa capacidade de actuação no mercado nacional.

Na área que lidero, de transformação de negócio, apoiamos clientes de diversos sectores, energia, financeiro, industrial, serviços públicos, entre outros, em projectos estruturantes de transformação, que vão desde a redefinição de processos até à transformação digital. Com mais de 25 anos de experiência nesta área, posso afirmar que a tecnologia é uma peça central, mas não a única, neste processo.

O nosso modelo de intervenção cobre todo o percurso da transformação empresarial, planeamento estratégico, gestão de programas de transformação e implementação tecnológica. Fazemo-lo através de uma equipa multidisciplinar que integra especialistas em consultoria de gestão, finanças, recursos humanos, experiência do cliente, gestão de programas e tecnologia.

Alguns clientes optam por contar connosco em todas as fases, outros recorrem à PwC apenas em etapas específicas do processo.

É nesta lógica que actuamos, apoiar os clientes a tornarem-se mais ágeis, eficientes, competitivos e, no limite, contribuir para o crescimento da economia nacional.

PM: A PwC tem vindo a expandir a sua oferta formativa em Moçambique com foco em Digital & Analytics, IA, cibersegurança e transformação digital.

– Que papel desempenha essa crescente oferta formativa na democratização do acesso a dados de qualidade? A PwC vê os dados como uma commodity acessível apenas às grandes organizações ou como um recurso possível de ser agregado de forma ética e inclusiva, incluindo PME e sector público?

CJ: Quando falamos em transformação de negócios, há um factor central que se destaca, os dados. O crescimento exponencial do volume de dados, fenómeno global que também se verifica em Moçambique, coloca hoje às empresas o grande desafio de os transformar em informação útil e, mais do que isso, em valor económico. Todos os dias, em diversos sectores, da energia à indústria, das finanças ao consumo, são gerados milhões de dados. A questão é como extrair deles informação relevante para a tomada de decisão e como transformar essa informação em activos de negócio.

O conceito de dados como ‘commodity’ é relativamente recente, mas cada vez mais decisivo. Tal como outros recursos naturais, os dados estão a ser reconhecidos como activos económicos transacionáveis, com potencial para gerar novas fontes de receita e impulsionar a economia. Estudos internacionais estimam que a monetização de dados atinja taxas de crescimento anuais acima de 25% até 2034.

Neste contexto, há três dimensões fundamentais, em primeiro lugar, as empresas precisam definir modelos de negócio que lhes permitam rentabilizar os dados de forma estruturada. Em segundo, é essencial investir na literacia de dados, dotando colaboradores da capacidade de interpretar e utilizar informação de forma estratégica. Em terceiro, é necessário investir em tecnologia que permita não apenas armazenar, mas também analisar, visualizar e aplicar dados em tempo real.

Na PwC temos seguido essa lógica, começando internamente, com forte investimento na formação das nossas equipas em ferramentas de business intelligence, análise avançada e inteligência artificial. Hoje, grande parte do nosso trabalho, tanto dentro da organização como em projectos para clientes, assenta na utilização de dados e de tecnologia de ponta.

Em Moçambique, já estamos a levar esta experiência diretamente aos clientes, integrando a capacitação em projectos de transformação digital. Um exemplo é o sector público, onde apoiamos a implementação de novos sistemas de ERP ligados à energia. Mais do que substituir tecnologia, trabalhamos em paralelo na formação de quadros, garantindo que os colaboradores não apenas utilizam as novas ferramentas, mas também conseguem extrair delas informação relevante para decisões mais rápidas e eficazes.

PM: A PwC Moçambique presta apoio estratégico às funções financeiras e fiscais, ajudando a transformar dados em activos que permitem uma contabilidade e fiscalidade mais transparente e em tempo real.

– Num ambiente onde os dados contábeis são cada vez mais exigidos em tempo real e com maior transparência, como vê a PwC o papel dos dados como commodity estratégica para a integridade institucional? E que desafios tecnológicos ou regulatórios persistem nesse campo?

CJ: Na PwC Moçambique, entendemos que o desenvolvimento positivo que se verifica em Moçambique na adopção de legislação e normas contabilísticas e fiscais cada vez mais exigentes tem vindo a alinhar-se com padrões internacionais, comparáveis aos de países economicamente mais avançados. Observamos uma acção visível por parte do Governo e das autoridades competentes para garantir que o mercado cresça de forma sustentada, com regras claras, verificáveis e dentro de um âmbito de concorrência justa e regulada.

Reconhecemos que este contexto representa desafios significativos para as empresas, que precisam adaptar rapidamente os seus processos internos para cumprir eficazmente essas obrigações legais e fiscais. Na PwC, apoiamos as empresas neste percurso através de várias especialidades que harmonizamos dentro dos projectos que construímos.

Na vertente fiscal, contamos com uma tradição consolidada e liderança de mercado, garantindo que as obrigações legais e fiscais das empresas sejam cumpridas, contemplando aspetos financeiros e de recursos humanos. Paralelamente, a nossa área de auditoria assegura a revisão rigorosa destes processos. Ademais, na consultoria, ajudamos as empresas a criar estruturas e processos internos que facilitem a conformidade com estas regras fundamentais.

Destacamos ainda a importância da tecnologia na optimização destes processos. O que as empresas procuram cada vez mais é agilizar a gestão de informação e dados de forma íntegra, rastreável e centralizada. Assim, garantimos que os dados possam ser auditados e reconhecidos de forma confiável.

Por fim, enfatizamos a transformação dos dados de negócio em informação estratégica para a tomada de decisão. Para além de responder às obrigações legais, ajudamos as empresas a utilizar esta informação para definir estratégias de crescimento, decidir sobre financiamento, avaliar novos mercados e estruturar campanhas de marketing. Plataformas tecnológicas, como sistemas ERP, e modelos avançados de análise preditiva e inteligência artificial são essenciais para que os gestores possam projectar cenários e tomar decisões mais assertivas.

PM: Vai integrar o painel que abordará o tema “Monetização de dados e modelos de negócio”, na 7ª edição das Conferências Índico. Que contributos espera trazer para as empresas moçambicanas, para o sector público e, de forma abrangente, para toda a comunidade que irá acompanhar esta sessão?

Para nós, trata-se de um debate de enorme actualidade, sobretudo no contexto moçambicano, onde a gestão estratégica de dados pode ser um verdadeiro catalisador de eficiência e crescimento económico.

Acreditamos que a transformação digital deve assentar em três dimensões centrais. Em primeiro lugar, na capacidade de transformar dados em valor útil. Já não enfrentamos a escassez de informação, mas sim o excesso dela, por isso, torna-se essencial estruturar e organizar os dados de forma a gerar conhecimento com impacto real. Em segundo lugar, entendemos que a utilização dos dados deve tornar as organizações mais ágeis, competitivas e orientadas para resultados.

É fundamental irmos além do mero cumprimento de requisitos de reporte ou auditoria, usando os dados para reduzir custos, melhorar a experiência do cliente e criar novos modelos de negócio. Em terceiro lugar, defendemos que os dados são também uma alavanca para a inovação, permitindo desenvolver produtos, serviços e modelos de monetização já validados noutros mercados e que podem ser adaptados à nossa realidade.

Reconhecemos, contudo, que esta transformação exige três condições fundamentais, maior consciencialização executiva, definição de modelos de negócio sustentáveis baseados em dados e actualização dos quadros regulatórios, para assegurar confiança, rastreabilidade e transparência.

Acrescentamos ainda que tecnologias como computação em nuvem, inteligência artificial, blockchain e internet das coisas deixaram de ser opcionais e tornaram-se inevitáveis. Cabe, portanto, a cada organização definir o seu próprio roteiro de maturidade digital.

Bubble passa a disponibilizar duas Zonas de Disponibilidade em Moçambique

Duas Zonas de Disponibilidade permitem às organizações implementar estratégias de elevada disponibilidade para os seus sistemas informáticos, incluindo continuidade operacional e recuperação de desastre, mantendo aplicações e dados em Moçambique.

A Bubble passa a disponibilizar duas Zonas de Disponibilidade em Moçambique, permitindo às organizações implementar arquitecturas de elevada disponibilidade e recuperação de desastre, mantendo aplicações e dados alojados no País.

O anúncio foi feito no âmbito do BFSI Summit Mozambique 2026, onde a Bubble apresentou esta nova capacidade. Com duas Zonas de Disponibilidade, as organizações passam a dispor de mais opções para desenhar arquitecturas de acordo com os seus requisitos de disponibilidade, continuidade operacional e recuperação de desastre.

“As necessidades de disponibilidade variam de organização para organização. Com duas Zonas de Disponibilidade, os nossos clientes passam a poder desenhar infra-estruturas cloud adequadas aos requisitos operacionais de cada organização”, afirma Cameron Smith, Director de Desenvolvimento de Negócios da Bubble.

Cada Zona de Disponibilidade assenta numa infra-estrutura independente, instalada em dois locais geográficos separados por aproximadamente 20 quilómetros, permitindo às organizações desenhar arquitecturas distribuídas de acordo com os níveis de disponibilidade pretendidos para cada serviço.

A disponibilização desta capacidade reforça a proposta da Bubble de manter aplicações e dados em Moçambique, permitindo às organizações responder simultaneamente aos seus requisitos técnicos, operacionais e de residência de dados.

Sobre a Bubble

A Bubble é um provedor de serviços de computação em nuvem com infra-estrutura localizada em Moçambique. É o primeiro provedor licenciado pelo Instituto Nacional das Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) na Categoria Avançada e disponibiliza serviços de Infra-estrutura como Serviço (IaaS), Backup como Serviço (BaaS), Disaster Recovery e outras soluções cloud para organizações que procuram alojar aplicações e dados no País.

Integrando o Grupo Triana, a Bubble desenvolve e opera infra-estrutura cloud concebida para responder aos requisitos de disponibilidade, segurança, continuidade operacional e residência de dados de organizações dos sectores público e privado.

Empresas açucareiras moçambicanas liberalizam venda de açúcar após decisão regulatória

As empresas açucareiras moçambicanas associadas à Tongaat Hulett passaram a cumprir a decisão regulatória que determina a liberalização da venda de açúcar no mercado nacional, abrindo uma nova fase na comercialização do produto em Moçambique.

A medida surge na sequência de orientações das autoridades de concorrência e regulação, com o objectivo de promover maior transparência no mercado, aumentar a competitividade e garantir melhores condições para consumidores e operadores económicos.

Com a liberalização das vendas, as empresas do sector poderão comercializar a sua produção de forma mais directa, permitindo uma maior dinâmica na cadeia de fornecimento e distribuição do açúcar no país.

A decisão representa uma mudança importante para a indústria açucareira nacional, um sector com forte impacto económico e social, responsável pela geração de emprego, apoio às comunidades rurais e desenvolvimento de cadeias agrícolas locais.

As empresas destacam que continuarão a assegurar o cumprimento das normas aplicáveis ao sector, mantendo o foco na eficiência produtiva, sustentabilidade das operações e contribuição para o desenvolvimento da agricultura nacional.

A liberalização ocorre num contexto em que Moçambique procura fortalecer a produção interna, reduzir dependências externas e criar mercados mais competitivos, capazes de estimular o investimento privado e beneficiar diferentes intervenientes da cadeia de valor.

Com esta nova dinâmica, o sector açucareiro poderá ganhar maior flexibilidade comercial e contribuir para o crescimento da agro-indústria moçambicana.

Fonte: Lusa Via Club of Mozambique

Imagem: rosgwen24

TotalEnergies Graphite reforça aposta em Moçambique após suspensão temporária de operações em Madagáscar

A empresa britânica TotalEnergies Graphite suspendeu temporariamente as operações no projecto de grafite em Madagáscar e pretende concentrar esforços no desenvolvimento do seu investimento em Moçambique, reforçando o interesse internacional no potencial mineral do país.

A decisão surge num contexto de reavaliação estratégica das operações da companhia, que procura direccionar recursos para activos considerados prioritários, incluindo o projecto de grafite em Moçambique, um dos recursos minerais com maior potencial de crescimento no sector extractivo nacional.

A aposta na grafite moçambicana acompanha a crescente procura global por minerais estratégicos, especialmente devido ao papel deste recurso na transição energética, produção de baterias, veículos eléctricos e tecnologias de armazenamento de energia.

Moçambique possui algumas das maiores reservas de grafite do mundo, particularmente na província de Cabo Delgado, onde projectos mineiros têm atraído investidores internacionais interessados em integrar o país nas cadeias globais de minerais críticos.

O reforço do investimento neste sector poderá criar novas oportunidades para empresas nacionais através do fornecimento de bens e serviços, desenvolvimento de competências locais, criação de emprego e dinamização das cadeias de valor associadas à mineração.

A expansão da indústria de grafite enquadra-se na estratégia nacional de valorização dos recursos minerais, procurando aumentar o processamento local, promover maior retenção de valor económico e fortalecer a participação de Moçambique no mercado internacional de minerais estratégicos.

Com o crescimento da procura por matérias-primas essenciais à transição energética, a grafite poderá tornar-se um dos sectores-chave para a diversificação económica e industrialização de Moçambique.

Executivo aprova programa de investimentos e medidas para expandir o Porto de Maputo

O Governo de Moçambique aprovou hoje o Programa Integrado de Investimentos 2026–2030 e um conjunto de medidas destinadas a expandir a capacidade do Porto de Maputo, com o objectivo de impulsionar a industrialização e o crescimento económico do país.

Falando no final da 21.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, realizada esta terça-feira em Maputo, o porta-voz do Governo, Salim Valá, explicou que o Programa Integrado de Investimentos 2026–2030 constitui um dos principais instrumentos para a implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 e do Programa Quinquenal do Governo 2025–2029.

“O seu propósito é transformar o investimento num motor de desenvolvimento e criar as bases para a independência económica de Moçambique”, afirmou.

Segundo o Executivo, o programa visa assegurar que os projectos de investimento contribuam para a industrialização nacional, a criação de emprego, o desenvolvimento do capital humano, a redução das desigualdades regionais e a melhoria das condições de vida da população.

Na mesma sessão, o Conselho de Ministros aprovou uma resolução que autoriza o ministro responsável pela área dos portos a constituir uma equipa técnica para negociar os termos da quinta adenda ao contrato de concessão, celebrado em Setembro de 2020, com a Maputo Port Development Company (MPDC), concessionária do maior porto do país.

O Governo aprovou igualmente uma resolução destinada a criar a base legal para a incorporação de uma nova área do Terminal Multipropósito 9 – Fase B na concessão do Porto de Maputo, medida que permitirá aumentar a capacidade de movimentação de carga desta infra-estrutura estratégica.

A agência Lusa noticiou, em Junho, que um novo parque de armazenamento de minério no Porto de Maputo terá capacidade para movimentar um milhão de toneladas por ano, reforçando a capacidade da infra-estrutura portuária, na sequência de um investimento de 9,9 milhões de dólares (cerca de 8,5 milhões de euros).

De acordo com informações do Porto de Maputo, a infra-estrutura Slab 9A, inaugurada há cerca de um mês, integra o Terminal de Granéis Sólidos e permitirá ao porto responder ao crescimento da procura dos clientes, reforçar a sua competitividade regional e gerar benefícios económicos significativos para o país, incluindo a criação de 51 postos de trabalho directos e indirectos.

A administração do porto acrescentou que a Slab 9B encontra-se actualmente em desenvolvimento, representando um investimento adicional estimado em 8,7 milhões de dólares (aproximadamente 7,5 milhões de euros), o que permitirá continuar a expandir a capacidade operacional para responder ao crescimento sustentado da procura.

O Porto de Maputo está igualmente a executar obras de expansão do Terminal de Contentores da DP World Maputo, num investimento de 164 milhões de dólares (cerca de 141,7 milhões de euros), que elevará a capacidade anual de movimentação de 225 mil TEU (unidades equivalentes a contentores de 20 pés) para 530 mil TEU. As obras encontram-se concluídas em cerca de 45%, estando o início das operações previsto para o primeiro trimestre de 2027.

Em 2025, o Porto de Maputo movimentou um volume recorde de 32 milhões de toneladas de carga, o que representa um crescimento de 3,4% face ao ano anterior, anunciou anteriormente a concessionária.

A MPDC é uma empresa privada moçambicana resultante de uma parceria entre a estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Portus Indico, sociedade na qual a multinacional DP World detém uma participação. A actual concessão do Porto de Maputo à MPDC é válida até 13 de Abril de 2058, nos termos da adenda contratual aprovada em Abril de 2024. Durante os primeiros três anos da extensão da concessão, a empresa prevê investir 600 milhões de dólares (cerca de 514,2 milhões de euros) na expansão das infra-estruturas portuárias.

Yango, FDC e autoridades locais apoiam famílias afectadas pelas Cheias em Chókwè a reconstruir os seus meios de subsistência

Parceria ajuda 210 famílias a retomar a produção alimentar, reforçar a resiliência e recuperar após as cheias devastadoras

Meses depois de cheias severas terem devastado comunidades em todo o sul de Moçambique, 210 famílias do povoado de Nhangal estão a dar um importante passo para reconstruir as suas vidas. Através de uma parceria entre a Yango Moçambique, a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) e o Governo Distrital de Chókwè, agregados familiares afectados pelas cheias receberam apoio destinado a restaurar a produção alimentar, reforçar a resiliência familiar e ajudá-los a recuperar a capacidade de sustentar as suas próprias famílias.

Para muitas famílias de Nhangal, as chuvas destruíram culturas agrícolas, esgotaram reservas alimentares e comprometeram meios de subsistência que dependem fortemente da agricultura. Num distrito onde a atividade agrícola continua a ser a principal fonte de rendimento e subsistência para a maioria dos agregados familiares, restaurar a capacidade produtiva é essencial para acelerar a recuperação e reduzir a dependência prolongada de assistência externa.

Como parte da iniciativa, 210 agregados familiares beneficiários receberam kits de sementes agrícolas, permitindo às famílias retomar o cultivo e reforçar a segurança alimentar da comunidade. Cada kit de sementes tem o potencial de apoiar o cultivo de aproximadamente 1,5 hectares em condições ideais. Reconhecendo a realidade enfrentada pelos pequenos agricultores moçambicanos, espera-se que cada agregado familiar beneficiário cultive entre 0,30 e 0,50 hectares por época agrícola, produzindo entre 10 e 12 toneladas métricas de hortícolas diversificadas.

Este apoio contribuirá para reforçar a segurança alimentar e nutricional das famílias, ao mesmo tempo que criará oportunidades de geração de rendimento através da comercialização do excedente da produção, ajudando as famílias agricultoras a reconstruírem os seus meios de subsistência e a acelerarem a sua recuperação.

Segundo Noé Vasco Sitoe, Chefe do Posto Administrativo de Chilembene, Nhangal esteve entre as comunidades mais afectadas pelas cheias, que destruíram a produção agrícola e deixaram muitas famílias a enfrentar desafios significativos.

“Apelamos para que as famílias utilizem estas sementes nas suas machambas para que, quando os nossos parceiros regressarem, encontrem uma variedade de produtos e possam continuar a ajudar-nos a crescer”, afirmou Noé Vasco Sitoe.

De acordo com as Nações Unidas, Moçambique continua a ser um dos países africanos mais vulneráveis aos desastres relacionados com as alterações climáticas, com cheias e ciclones recorrentes a exercerem uma pressão significativa sobre as comunidades, infra-estruturas e sistemas alimentares. Em distritos como Chókwè, apoiar as famílias na recuperação dos seus meios de subsistência é fundamental para construir resiliência a longo prazo e promover uma recuperação sustentável.

A iniciativa vai além do apoio humanitário imediato e concentra-se em ajudar as famílias a recuperar a sua independência através de actividades económicas produtivas. Ao restaurar o acesso à produção agrícola, o programa procura reforçar a segurança alimentar, promover a autossuficiência e apoiar a recuperação sustentável das comunidades afectadas.

“A verdadeira recuperação começa quando as famílias recuperam a capacidade de sustentar-se a si próprias. Embora a assistência de emergência seja essencial após uma catástrofe, a resiliência de longo prazo constrói-se criando oportunidades para que as pessoas reconstruam os seus meios de subsistência, recuperem a sua dignidade e possam olhar para o futuro com confiança. Temos orgulho em trabalhar com a FDC e com as autoridades locais para apoiar a população de Nhangal neste importante passo rumo à recuperação”, afirmou Mahomed Zameer Adam, Country Manager da Yango Moçambique.

A Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) destacou a importância de parcerias que ajudam as comunidades a recuperar com dignidade e a fortalecer a sua capacidade de enfrentar desafios futuros.

“Agradecemos à Yango por acreditar nesta iniciativa e por se juntar à FDC na promoção da resiliência das comunidades afectadas pelas cheias. Este apoio demonstra que, quando unimos esforços, conseguimos criar oportunidades para que as famílias recuperem com dignidade, ao mesmo tempo que construímos um futuro mais resiliente e sustentável”, afirmou Fauna Ibramogy, Directora de Desenvolvimento Comunitário da FDC.

A iniciativa faz parte do compromisso mais amplo da Yango em apoiar as comunidades para além dos seus serviços principais e contribuir para o desenvolvimento social e económico de longo prazo em Moçambique. Através de parcerias com stakeholders locais, a Yango continua a apoiar projectos que criam impacto significativo e respondem às necessidades das comunidades onde opera.