Monday, May 18, 2026
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A CFM envia o seu primeiro comboio de combustível para o Malawi

A empresa pública Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) enviou o seu primeiro comboio de combustível para o vizinho Malawi, através do ramal Dona Ana-Vila Nova da Fronteira, na província central de Tete.

Segundo o comunicado dos CFM, “o comboio partiu do Porto central da Beira com 48 tanques de combustível (24 plataformas), tendo como destino final a localidade de Marka, situada no distrito malawiano de Nsanje, que faz fronteira com Vila Nova da Fronteira do lado moçambicano”.

O documento, que cita Adélio Dias, director de Comunicação e Imagem da empresa, explica que a conclusão do primeiro comboio de combustível para o Malawi, a partir da Beira, é uma indicação clara de que o ramal Dona Ana-Vila Nova da Fronteira já está a ser utilizado para fins comerciais.

Em julho passado, a linha recebeu o primeiro comboio comercial de melaço, importado do Malawi, a partir da Beira.

Recentemente reconstruído com fundos próprios da empresa, no valor de 30 milhões de dólares americanos, o Ramal Dona Ana-Vila Nova da Fronteira servia anteriormente apenas para o transporte de materiais de construção que estão a ser utilizados na reconstrução da extensão da via do lado do Malawi.

Antes da reabertura do ramal. As importações de combustível do Malawi a partir da Beira eram feitas por estrada, uma alternativa ineficiente e dispendiosa.

“O investimento realizado pelos CFM na reconstrução da linha Dona Ana-Vila Nova da Fronteira enquadra-se na resposta aos desafios da cadeia logística na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), e surge no cumprimento das orientações emanadas do encontro entre os presidentes de Moçambique e do Malawi, realizado no Songo em finais de 2020”, lê-se na nota.

O Export-Import Bank dos EUA está de olho no investimento em outro projecto de GNL em Moçambique

O Banco de Exportação-Importação dos EUA está a considerar financiar um projecto de gás natural liquefeito liderado pela Eni SpA ao largo da costa de Moçambique, anos depois de ter investido numa instalação em terra para produzir o combustível que tem sido adiada por questões de segurança e a que se opõem grupos ambientalistas.

A fábrica flutuante de GNL Coral Norte, planeada pela Eni, consta da lista da agência oficial de crédito à exportação dos EUA, conhecida como Ex-Im, como um projecto pendente. “O montante do financiamento será divulgado após a aprovação final do conselho de administração”, disse o banco numa resposta por correio eletrónico a perguntas, recusando-se a dar um calendário para a decisão.

A Eni não respondeu imediatamente a um pedido de comentário

À medida que os EUA intensificam os seus esforços para se empenharem no continente africano e competirem com a China na obtenção de minerais essenciais para a transição para fontes de energia mais limpas, o Ex-Im tem enfrentado um maior escrutínio. Uma auditoria realizada em maio pelo inspetor-geral criticou-o por não ter uma estratégia clara de crescimento na região, algo que o banco negou.

O investimento anterior em gás do Ex-Im não correu de acordo com o planeado. Em 2020, o banco ajudou a financiar o que viria a ser o projecto de GNL da TotalEnergies SE em Moçambique, ao longo da costa norte do país, com um empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares que, segundo o banco, na altura, se sobrepôs aos esforços de financiamento da China e da Rússia. A sua própria análise também alertou para os riscos de segurança antes de conceder o empréstimo e, mais tarde, os ataques violentos dos insurrectos interromperam a construção no local.

Desde então, a situação do projecto da TotalEnergies melhorou e é possível que a construção avance até ao final do ano, afirmou em julho o director executivo Patrick Pouyanne. O Ex-Im ainda não dispersou quaisquer fundos para a Mozambique LNG, de acordo com o banco.

Apesar de os projectos flutuantes de GNL estarem localizados a milhas da costa, longe de potenciais ameaças à segurança, os financiadores de Coral North poderão enfrentar o escrutínio de grupos ambientalistas que têm visado empreendimentos de petróleo e gás do Uganda à África do Sul em campanhas para acabar com a utilização de combustíveis fósseis. A Friends of the Earth contestou a aprovação de 1,5 mil milhões de libras (2 mil milhões de dólares) do UK Export Finance para o Mozambique LNG. O Tribunal de Recurso considerou que o governo não violou as regras climáticas.

O projecto Coral South LNG da Eni, no valor de 7 mil milhões de dólares, que começou a exportar combustível a partir da sua unidade de liquefação flutuante em 2022, situa-se na concessão da Área 4, cujos parceiros incluem a Exxon Mobil Corp, a China National Petroleum Corp, a Abu Dhabi National Oil Co, a Korea Gas Corp e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos E.P., produtora estatal de Moçambique.

Relativamente ao benefício de investir na Coral North, o Ex-Im afirmou que o banco “tem a missão distinta de apoiar o emprego nos EUA através de ferramentas de financiamento que apoiam os exportadores americanos”.

Holger Hey: “A nossa missão é promover um intercâmbio empresarial e inclusivo entre a Alemanha e Moçambique”

Holger Hey, representante da Câmara de Comércio e Indústria da África Austral-Alemanha em Moçambique, destacou em entrevista ao Profile, realizada à margem da Conferência Bilateral entre os dois países em Maputo, a importância das pequenas e médias empresas (PMEs) e das oportunidades estratégicas nos sectores de infra-estrutura portuária e energia.

Holger sublinhou como essas áreas podem desempenhar um papel crucial no crescimento sustentável tanto de Moçambique quanto da Alemanha.

Profile Mozambique: Como a Câmara de Comércio e Indústria da África Austral-Alemanha pretende assegurar que essas parcerias com empresas alemãs beneficiem directamente o desenvolvimento económico de Moçambique?

Holger Hey: O nosso objectivo é fomentar o intercâmbio económico entre a Alemanha e Moçambique, promovendo tanto a entrada de investimentos alemães em Moçambique quanto a expansão de negócios moçambicanos na Alemanha.

Com esse propósito, organizamos uma Conferência de Alto-Nível apoiada pelo governo alemão, através do Ministério da Economia, que trouxe ao país sete empresas alemãs especializadas em infra-estrutura portuária, tecnologias associadas, sistemas energéticos e logística. Essas empresas vieram a Moçambique pela primeira vez para explorar as oportunidades que o mercado local oferece. Sabemos que o Porto de Maputo, por exemplo, registou um crescimento entre 20% e 30% nos últimos dois anos, e outros portos no país também desempenham papéis estratégicos no contexto do continente africano oriental, especialmente considerando a localização geoestratégica de Moçambique.

É importante sublinhar que Moçambique está adoptar uma abordagem inovadora para o desenvolvimento, e nós, com as nossas tecnologias e facilidades alemãs, estamos ansiosos para colaborar, buscando parcerias que nos permitam integrar e contribuir para esse progresso. A nossa pretensão é trabalhar em conjunto, alinhando esforços para promover o desenvolvimento sustentável de ambos os paíse

PM: Quantas empresas, incluindo PMEs, participam da Conferência Bilateral de Infra-estrutura Portuária Alemanha-Moçambique e de que forma este fórum pode fortalecer as relações económicas entre os dois países e impulsionar investimentos estratégicos no sector?

HH: Neste contexto específico, estamos a realizar uma viagem técnica que envolve sete empresas alemãs de médio porte, todas elas marcas com repercussão internacional. Essas empresas estão em Moçambique para uma visita de uma semana, durante a qual já visitamos os portos de Maputo, incluindo o porto de contentores gerido pela DP World. Ainda nesta senda, visitaremos o MozParks, uma iniciativa significativa que conta com a participação do governo moçambicano. Trata-se de zonas de desenvolvimento económico e free zones, que apresentam oportunidades atractivas para potenciais investimentos alemães.

Durante esta visita, exploraremos sistemas logísticos e instalações de energia descentralizada, como uma planta fotovoltaica instalada num dos centros comerciais da Matola, um projecto implementado por uma pequena empresa alemã. Ademais, visitaremos o Estádio Nacional do Zimpeto, especialmente relevante dado o recente triunfo da selecção nacional de Moçambique sobre a Guiné-Bissau.

Esta iniciativa combina elementos de uma viagem técnica com a realização de uma conferência de grande envergadura, como a que ocorre hoje, a primeira Conferência Bilateral de Infraestrutura Portuária entre Alemanha e Moçambique. Este evento conta com a participação do governo moçambicano, da APIEX, de entidades portuárias, de associações relevantes, e de uma parceria sólida com a Câmara de Comércio de Moçambique. Portanto, o fórum também atraiu consultores e potenciais parceiros de joint venture, incluindo empresas alemãs já estabelecidas no país, totalizando cerca de 100 participantes.

O objectivo é que este evento tenha uma repercussão considerável, e, paralelamente, queremos mostrar aos alemães a cultura e a mentalidade moçambicanas, destacando que o país possui um espírito empreendedor dinâmico, com uma juventude ágil e competente, pronta para colaborar no desenvolvimento de infraestrutura, inovação e transferência de conhecimento. Este é um diálogo abrangente, sem receio das barreiras linguísticas, incluindo o Português, o Xichangana e as outras línguas nacionais.

PM: Considerando a sua experiência, de que forma os eventos bilaterais podem ajudar a mudar a percepção sobre Moçambique na Alemanha e atrair mais investimentos para o país?

HH: Há um enorme potencial que muitas vezes nem é reconhecido em Moçambique. Já existe uma presença significativa de empresas alemãs no país, actuando em diversos mercados, como a DHL, uma das maiores empresas de logística do mundo, que é alemã e tem uma actuação forte em Moçambique, tanto nos portos quanto no interior do país. Portanto, os portos de Moçambique são estratégicos porque movimentam produtos agrícolas, tecnológicos e outros bens dos países vizinhos que dependem dessas infra-estruturas para exportar seus produtos.

Essa logística já possui um toque de “Made in Germany”. Além da DHL, a DB Schenker também está presente no mercado moçambicano, e há outras iniciativas alemãs em curso, como soluções de energia solar e uma forte cooperação com a GIZ, que trabalha em sistemas de energia descentralizada, especialmente para a agricultura.

Embora haja actividade significativa, ainda é insuficiente diante do enorme potencial de crescimento que Moçambique apresenta. Nesse caso, nosso intuito é intensificar essa cooperação bilateral, promovendo uma maior participação alemã neste caminho de sucesso. No entanto, pouco se sabe na Alemanha sobre as oportunidades que Moçambique oferece.

Daí que, eventos como este são fundamentais para mudar a narrativa sobre Moçambique na Alemanha e na Europa, onde, infelizmente, a percepção é muitas vezes negativa ou inexistente. Se contarmos a verdadeira história de Moçambique, surgirão inúmeras oportunidades. Problemas existem em todos os lugares, não apenas aqui.

PM: PM: Como a parceria entre empresas moçambicanas e alemãs pode promover o desenvolvimento do conteúdo local, permitindo que as PMEs beneficie-se das várias oportunidades apresentadas?

HH: A propósito, contamos com a presença do Presidente da Associação de Conteúdo Local de Mocambique (ACLM) numa das sessões desta conferência, Elthon Chemane.

E de facto, o conteúdo local é muito importante para o país, para o desenvolvimento da industrialização no país, mais uma vez para levar a juventude moçambicana para participar dessa onda que espero que sejam muitas de desenvolvimento e de sucesso e crescimento econômico. Então o conteúdo local é uma componente que a gente não pode esquecer, que nós queremos nesse evento desde já também transportar para os possíveis e para os investidores alemães que pensem também em soluções nesse conteúdo.

Treinando-se as pessoas, pode-se envolvê-las, pode-se conquistá-las para participarem nas atividades aqui reais de economia e de trabalho, o que a gente chama de fazer, quem faz é aqui. Mas tem muita solução já existente no Moçambique que pode ser inclusa num perfil de desenvolvimento tecnológico ou do trazer de novas tecnologias alemãs. Elas não vêm por si só.

Falamos muito nesse evento já de uma palavra que é muito importante, que é a parceria. Não viemos aqui para fazer, viemos para fazer em parceria com as entidades, com as empresas, também as pequenas e médias moçambicanas, porque tem a ver. O DNA de pequenas e médias moçambicanas é o mesmo que o DNA alemão.

A economia alemã não é só Mercedes e Siemens, temos muito orgulho de tê-las, mas o DNA alemão também é de pequenas e médias. Então, vamos interagir, vamos conversar a esse respeito, olho a olho, na mesma altura e tentar crescer em conjunto.

PM: Como a Alemanha pretende se posicionar para participar de futuros desenvolvimentos portuários em Moçambique, como a possível criação de um PORTOCEL em Maputo?

HH: Durante a nossa recente visita ao Porto de Maputo, tivemos a oportunidade de conhecer profundamente as operações e os planos em curso, que são realmente impressionantes.

Sabemos que existe um master plan para o desenvolvimento do Porto de Maputo, incluindo parcerias público-privadas (PPP) e a expansão das operações de contêineres pela DP World. Entretanto, é possível que planos para um projecto como o PORTOCEL estejam sendo considerados.

Embora eu não possa fornecer uma resposta definitiva sobre a criação de um PORTOCEL em Maputo, o que posso afirmar é que estamos aqui para fortalecer a presença alemã no mercado moçambicano. E o nosso grande compromisso é assegurar que, quando surgir a oportunidade de um empreendimento dessa magnitude, o diálogo com a Alemanha já esteja estabelecido, permitindo nossa participação desde o início em um desenvolvimento desse porte.

Holger Hey: “Our mission is to promote an inclusive business exchange between Germany and Mozambique”

Holger Hey, representative of the German-Southern African Chamber of Commerce and Industry in Mozambique, highlighted in an interview with Profile, held on the sidelines of the Bilateral Conference between the two countries in Maputo, the importance of small and medium-sized enterprises (SMEs) and the strategic opportunities in the port infrastructure and energy sectors.

Holger stressed how these areas can play a crucial role in the sustainable growth of both Mozambique and Germany.

Profile Mozambique: How does the German-Southern African Chamber of Commerce and Industry intend to ensure that these partnerships with German companies directly benefit Mozambique’s economic development?

Holger Hey: Our aim is to foster economic exchange between Germany and Mozambique, promoting both the entry of German investments into Mozambique and the expansion of Mozambican businesses in Germany.

To this end, we organized a High-Level Conference supported by the German government, through the Ministry of Economy, which brought to the country seven German companies specializing in port infrastructure, associated technologies, energy systems and logistics. These companies came to Mozambique for the first time to explore the opportunities offered by the local market. We know that the Port of Maputo, for example, has seen growth of between 20% and 30% in the last two years, and other ports in the country also play strategic roles in the context of the East African continent, especially considering Mozambique’s geostrategic location.

It is important to stress that Mozambique is taking an innovative approach to development, and we, with our German technologies and facilities, are eager to collaborate, seeking partnerships that will allow us to integrate and contribute to this progress. Our aim is to work together, aligning efforts to promote the sustainable development of both countries.

PM: How many companies, including SMEs, are taking part in the Germany-Mozambique Bilateral Port Infrastructure Conference and how can this forum strengthen economic relations between the two countries and boost strategic investments in the sector?

HH: In this specific context, we are carrying out a technical trip involving seven medium-sized German companies, all of them brands with international repercussions. These companies are in Mozambique for a week-long visit, during which we have already visited the ports of Maputo, including the container port managed by DP World. We will also be visiting MozParks, a significant initiative with the participation of the Mozambican government. These are economic development zones and free zones, which present attractive opportunities for potential German investments.

During this visit, we will explore logistics systems and decentralized energy installations, such as a photovoltaic plant installed in one of Matola’s shopping centers, a project implemented by a small German company. In addition, we will visit the Zimpeto National Stadium, especially relevant given the recent triumph of Mozambique’s national team over Guinea-Bissau.

This initiative combines elements of a technical trip with a major conference, such as the one taking place today, the first Bilateral Port Infrastructure Conference between Germany and Mozambique. This event has the participation of the Mozambican government, APIEX, port entities, relevant associations, and a solid partnership with the Mozambican Chamber of Commerce. Therefore, the forum also attracted consultants and potential joint venture partners, including German companies already established in the country, totaling around 100 participants.

The aim is for this event to have considerable repercussions, and at the same time we want to show the Germans the Mozambican culture and mentality, highlighting that the country has a dynamic entrepreneurial spirit, with an agile and competent youth, ready to collaborate in the development of infrastructure, innovation and knowledge transfer. This is a comprehensive dialog, without fear of language barriers, including Portuguese, Xichangana and the other national languages.

PM: Considering your experience, how can bilateral events help to change the perception of Mozambique in Germany and attract more investment to the country?

HH: There is a huge potential that is often not even recognized in Mozambique. There is already a significant presence of German companies in the country, operating in various markets, such as DHL, one of the largest logistics companies in the world, which is German and has a strong presence in Mozambique, both in the ports and in the interior of the country. Mozambique’s ports are therefore strategic because they handle agricultural products, technology and other goods from neighboring countries that depend on these infrastructures to export their products.

This logistics already has a touch of “Made in Germany” about it. In addition to DHL, DB Schenker is also present in the Mozambican market, and there are other German initiatives underway, such as solar energy solutions and strong cooperation with GIZ, which works on decentralized energy systems, especially for agriculture.

Although there is significant activity, it is still insufficient given the enormous growth potential that Mozambique has. In this case, our intention is to intensify this bilateral cooperation, promoting greater German participation in this successful path. However, little is known in Germany about the opportunities that Mozambique offers.

That’s why events like this are fundamental to changing the narrative about Mozambique in Germany and Europe, where, unfortunately, the perception is often negative or non-existent. If we tell the true story of Mozambique, countless opportunities will arise. Problems exist everywhere, not just here.

PM: How can the partnership between Mozambican and German companies promote the development of local content, allowing SMEs to benefit from the various opportunities presented?

HH: By the way, we had the President of the Local Content Association of Mozambique (ACLM) present at one of the sessions of this conference, Elthon Chemane.

And in fact, local content is very important for the country, for the development of industrialization in the country, once again to bring Mozambican youth to participate in this wave that I hope will be many of development and success and economic growth. So local content is a component that we can’t forget, and that we want to convey at this event to potential German investors, so that they can also think about solutions in this area.

By training people, you can get them involved, you can win them over to participate in the real economic and work activities here, which we call doing, who does it here. But there are many solutions that already exist in Mozambique that can be included in a profile of technological development or the bringing in of new German technologies. They don’t come on their own.

We talked a lot at this event about a word that is very important, which is partnership. We didn’t come here to do things, we came here to work in partnership with organizations, with companies, including small and medium-sized Mozambican companies, because it’s related. The DNA of small and medium-sized Mozambican companies is the same as the German DNA.

The German economy isn’t just Mercedes and Siemens, we’re very proud to have them, but the German DNA is also small and medium-sized businesses. So let’s interact, let’s talk about it, eye to eye, at the same time and try to grow together.

PM: How does Germany intend to position itself to participate in future port developments in Mozambique, such as the possible creation of a PORTOCEL in Maputo?

HH: During our recent visit to the Port of Maputo, we had the opportunity to learn in depth about the operations and plans underway, which are really impressive.

We know that there is a master plan for the development of the Port of Maputo, including public-private partnerships (PPP) and the expansion of container operations by DP World. However, it is possible that plans for a project like PORTOCEL are being considered.

Although I can’t give a definitive answer on the creation of a PORTOCEL in Maputo, what I can say is that we are here to strengthen the German presence in the Mozambican market. And our great commitment is to ensure that, when the opportunity arises for a venture of this magnitude, the dialogue with Germany is already established, allowing our participation from the outset in a development of this size.

Mozambique and Vietnam strengthen cooperation with increased coal exports

Moçambique e Vietname reforçam cooperação com aumento de exportações de carvão

The Mozambican government has announced that Vietnam has expressed interest in increasing the volume of Mozambican coal imports, with the aim of strengthening its industry and boosting electricity production. The intention was presented during a meeting in Hanoi between the management of Vietnam National Coal & Mineral Industries (Vinacomin) and the President of the Republic of Mozambique, Filipe Nyusi, as part of a three-day official visit to Vietnam.

The Deputy Minister of Mineral Resources and Energy, António Saíde, highlighted the importance of this initiative, explaining that 65% of electricity in Vietnam is generated from fossil fuels, with coal playing a crucial role. “We are available to receive investments and promote economic cooperation between the two nations,” said Saíde.

Increased exports of Mozambican coal to Vietnam will bring significant benefits to both countries, including reduced costs and increased revenues. Mozambique has one of the largest coal reserves in the world, with the Moatize mine in Tete province holding proven reserves of 1.9 billion tons.

In 2022, bilateral trade between Mozambique and Vietnam reached more than 177 million dollars, representing an increase of 16% over the previous year. Vietnam exports rice, textiles, machinery and equipment to Mozambique, while it imports cashew nuts, wood and coal.

Moçambique e Vietname reforçam cooperação com aumento de exportações de carvão

Moçambique e Vietname reforçam cooperação com aumento de exportações de carvão

O Governo de Moçambique anunciou que o Vietname manifestou interesse em aumentar o volume de importação de carvão mineral moçambicano, visando fortalecer sua indústria e impulsionar a produção de energia eléctrica. A intenção foi apresentada durante um encontro em Hanói entre a direcção da Vietnam National Coal & Mineral Industries (Vinacomin) e o Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, no âmbito de uma visita oficial de três dias ao Vietname.

O vice-ministro dos Recursos Minerais e Energia, António Saíde, destacou a importância desta iniciativa, explicando que 65% da electricidade no Vietname é gerada a partir de combustíveis fósseis, com o carvão desempenhando um papel crucial. “Estamos disponíveis para receber investimentos e promover a cooperação económica entre as duas nações”, afirmou Saíde.

O aumento das exportações de carvão moçambicano para o Vietname trará benefícios significativos para ambos os países, incluindo a redução de custos e o aumento das receitas. Moçambique possui uma das maiores reservas de carvão do mundo, com a mina de Moatize, na província de Tete, detendo reservas provadas de 1,9 mil milhões de toneladas.

Em 2022, o comércio bilateral entre Moçambique e Vietname atingiu mais de 177 milhões de dólares, representando um aumento de 16% em relação ao ano anterior. O Vietname exporta para Moçambique arroz, produtos têxteis, máquinas e equipamentos, enquanto importa castanha de caju, madeira e carvão mineral.

Venda de participação na área 4: Galp redefine estratégia de investimento

Venda de participação na área 4: Galp redefine estratégia de investimento

A Galp anunciou a venda da sua participação de 10% no consórcio que explora a Área 4 da Bacia do Rovuma, localizada na província de Cabo Delgado, Moçambique. A decisão, revelada em Maio passado, faz parte da estratégia da Galp de concentrar os seus investimentos em projectos de alto rendimento, baixo custo e baixa intensidade de carbono.

A venda dos activos de exploração e produção da Galp em Moçambique foi feita para a Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) por 650 milhões de dólares, o equivalente a 41 mil milhões de meticais, de acordo com o câmbio actual. O CEO da Galp, Filipe Silva, justificou a decisão em entrevista à Energy Connects, explicando que a empresa busca cristalizar valor, reduzir riscos e focar em iniciativas de maior retorno, alinhadas com sua estratégia de crescimento sustentável.

“Estamos empenhados em reduzir o risco e crescer a partir de projectos de baixo custo e baixa intensidade de carbono, ao mesmo tempo em que transformamos as nossas posições integradas”, afirmou Silva. Ele também destacou que essas decisões estratégicas resultaram em um aumento homólogo de 16% no lucro líquido da Galp no segundo trimestre de 2024, totalizando 299 milhões de euros, apesar do ambiente volátil de preços das matérias-primas.

A Galp iniciou suas actividades em Moçambique em 2007, ao firmar um acordo com a italiana Eni e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) para a exploração da Área 4, conhecida por sua profundidade de água que chega a 2600 metros e por ser um dos projectos mais promissores do mundo na produção de gás natural.

A participação de 10% da Galp, agora vendida, fazia parte de um consórcio onde a ENH e a sul-coreana Kogas detêm participações semelhantes, enquanto os restantes 70% pertencem à Mozambique Rovuma Venture, uma joint venture composta pela Eni, ExxonMobil e China National Petroleum Corporation.

Em Agosto, a Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) aprovou a transacção, afirmando que a venda não terá impacto negativo nos mercados de extracção e liquefacção de gás natural, nem na venda em larga escala de GNL. Nazário Bangalane, presidente do Instituto Nacional de Petróleo (INP), considerou a saída da Galp como um movimento esperado e comum em projectos dessa magnitude, ressaltando que as concessionárias têm a liberdade de negociar suas participações.

Sale of stake in area 4: Galp redefines investment strategy

Venda de participação na área 4: Galp redefine estratégia de investimento

Portuguese energy multinational Galp has announced the sale of its 10% stake in the consortium exploring Area 4 of the Rovuma Basin, located in Cabo Delgado province, Mozambique. The decision, revealed last May, is part of Galp’s strategy to focus its investments on high-yield, low-cost and low-carbon projects.

The sale of Galp’s exploration and production assets in Mozambique was made to the Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) for 650 million dollars, the equivalent of 41 billion meticais, according to the current exchange rate. Galp’s CEO, Filipe Silva, justified the decision in an interview with Energy Connects, explaining that the company seeks to crystallize value, reduce risks and focus on higher return initiatives, in line with its sustainable growth strategy.

“We are committed to reducing risk and growing from low-cost, low-carbon intensity projects, while transforming our integrated positions,” said Silva. He also pointed out that these strategic decisions resulted in a year-on-year increase of 16% in Galp’s net profit in the second quarter of 2024, totaling 299 million euros, despite the volatile commodity price environment.

Galp began its activities in Mozambique in 2007, when it signed an agreement with Italy’s Eni and Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) to explore Area 4, known for its water depth of up to 2,600 meters and for being one of the world’s most promising natural gas production projects.

Galp’s 10% stake, now sold, was part of a consortium in which ENH and South Korean company Kogas hold similar stakes, while the remaining 70% belongs to Mozambique Rovuma Venture, a joint venture made up of Eni, ExxonMobil and China National Petroleum Corporation.

In August, the Competition Regulatory Authority (ARC) approved the transaction, stating that the sale will not have a negative impact on the natural gas extraction and liquefaction markets, nor on the large-scale sale of LNG. Nazário Bangalane, president of the National Petroleum Institute (INP), considered Galp’s exit to be an expected and common move in projects of this magnitude, stressing that the concessionaires are free to negotiate their stakes.

Syrah Resources regista prejuízo de 44,7 milhões de dólares no primeiro semestre

Syrah Resources regista prejuízo de 44,7 milhões de dólares no primeiro semestre

A mineradora australiana Syrah Resources, que opera no distrito de Balama, em Cabo Delgado, registou um prejuízo de 44,7 milhões de dólares americanos (67,1 milhões de dólares australianos) no primeiro semestre de 2023. Os resultados foram divulgados nesta Terça-feira, 10 de Setembro, e revelam uma queda significativa nas receitas, que desceram 33%, atingindo 12,6 milhões de dólares americanos (19 milhões de dólares australianos).

O declínio no desempenho da empresa é atribuído à redução da produção e das vendas de grafite, causada principalmente pelo excesso de oferta na China, um dos principais mercados globais deste material.

A grafite, essencial para a produção de baterias utilizadas em veículos eléctricos, tem na China o maior produtor e consumidor mundial. Segundo a Syrah Resources, a produção chinesa de grafite natural e sintético cresceu de 700 mil toneladas métricas em 2020 para cerca de 1,2 milhão de toneladas métricas em 2023. Este aumento na oferta levou a uma diminuição significativa na exportação para o país asiático.

No mesmo período, a produção da mina de Balama, operada pela Syrah, caiu 38%, para 34,9 mil toneladas, enquanto as vendas recuaram para 29,8 mil toneladas, contra as 44,7 mil toneladas vendidas no mesmo período do ano anterior. Como resultado, a empresa não exportou grafite para a China no primeiro semestre, focando suas vendas em clientes terceirizados, principalmente na Indonésia.

Além disso, a Syrah enviou 500 toneladas de grafite para sua unidade de Material de Ânodo Activo (AAM – Active Anode Material) em Vidalia, nos Estados Unidos, que começou a produção em Fevereiro deste ano.

Syrah Resources makes a loss of 44.7 million dollars in the first half of the year

Syrah Resources regista prejuízo de 44,7 milhões de dólares no primeiro semestre

Australian mining company Syrah Resources, which operates in the Balama district of Cabo Delgado, recorded a loss of 44.7 million US dollars (67.1 million Australian dollars) in the first half of 2023. The results were released on Tuesday, September 10, and reveal a significant drop in revenues, which fell 33% to 12.6 million US dollars (19 million Australian dollars).

The decline in the company’s performance is attributed to the reduction in graphite production and sales, caused mainly by oversupply in China, one of the main global markets for this material.

China is the world’s largest producer and consumer of graphite, which is essential for the production of batteries used in electric vehicles. According to Syrah Resources, Chinese production of natural and synthetic graphite grew from 700,000 metric tons in 2020 to around 1.2 million metric tons in 2023. This increase in supply has led to a significant decrease in exports to the Asian country.

In the same period, production at the Balama mine, operated by Syrah, fell 38% to 34,900 tons, while sales fell to 29,800 tons, compared to 44,700 tons sold in the same period last year. As a result, the company did not export graphite to China in the first half of the year, focusing its sales on third-party customers, mainly in Indonesia. In addition, Syrah shipped 500 tons of graphite to its Active Anode Material (AAM) plant in Vidalia, in the United States, which began production in February this year.