Tuesday, May 19, 2026
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Parcerias público-privadas em matéria de cibercriminalidade: Perspectivas regionais das Américas, África e Ásia

A Unidade da Sociedade Civil do United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) e Aliança de ONGs para Prevenção de Crimes e Justiça Criminal lançou a primeira edição do relatório relativo a parcerias público-privadas sobre o crime cibernético, como parte da Iniciativa de Envolvimento das Partes Interessadas no Crime Cibernético da Unidade da Sociedade Civil do UNODC, no dia 6 de agosto de 2024, na Sala de conferências da UNHQ CR-9.

Em representação a Moçambique, Participou neste evento, uma delegação técnica multi-sectorial, chefiada pelo Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Lourino Chemane.

O evento teve como objectivo reunir representantes dos sectores público e privado, da sociedade civil e de organizações internacionais e regionais para discutirem estratégias colaborativas de prevenção e resposta ao crime cibernético.

Os participantes exploram áreas de cooperação e abordagens que podem contribuir para o desenvolvimento de novas parcerias e para o fortalecimento da colaboração multilateral existente no combate ao crime cibernético, bem como a identificação de necessidades e oportunidades para acções futuras nesta área.

Classificação ‘CCC+’ da Fitch sinaliza vulnerabilidade de Moçambique a choques externos e pressão fiscal

A Fitch Ratings manteve, recentemente, a classificação de crédito de Moçambique em “CCC+”, um sinal claro de que o País continua a enfrentar desafios económicos substanciais. A avaliação coloca Moçambique apenas três níveis acima do incumprimento (default), reflectindo um alto risco de não pagamento de suas obrigações financeiras.

O rating “CCC+” da Fitch está abaixo da categoria de investimento, classificando a dívida moçambicana como especulativa ou “junk”. Esse rótulo é atribuído a títulos que são considerados arriscados pelos investidores, o que geralmente leva a custos de empréstimos mais elevados. Em outras palavras, Moçambique precisará oferecer taxas de juros maiores para atrair investidores, aumentando a pressão sobre suas já frágeis finanças públicas.

Além disso, a classificação sugere que o país enfrenta sérios desafios estruturais, incluindo uma elevada dívida pública, uma fraca gestão das finanças públicas, e finanças externas vulneráveis. Esses factores, combinados com um baixo PIB per capita e indicadores de governança deficitários, tornam a economia moçambicana particularmente suscetível a choques externos e flutuações do mercado.

Um dos impactos mais imediatos de um rating “CCC+” é o aumento dos custos de empréstimos. Com investidores exigindo prémios de risco maiores, o serviço da dívida torna-se mais caro para o governo, consumindo uma parte maior do orçamento público e limitando os recursos disponíveis para investimentos em setores essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.

O baixo rating também dificulta o acesso de Moçambique a mercados de capitais internacionais. Investidores institucionais, como fundos de pensões e seguradoras, costumam evitar títulos classificados abaixo do grau de investimento, o que reduz as opções de financiamento disponíveis para o país.

A percepção de alto risco pode ainda levar à saída de capitais ou limitar a entrada de investimento directo estrangeiro (IDE). Isso, por sua vez, coloca pressão sobre as reservas cambiais do País e pode resultar em uma depreciação da moeda local, aumentando a inflação e reduzindo o poder de compra da população.

Embora o sector de Gás Natural Liquefeito (GNL) ofereça perspectivas robustas de crescimento a médio prazo, os riscos associados ao rating podem desencorajar novos investimentos em outros sectores. Isso pode comprometer a diversificação económica, tornando o crescimento de Moçambique mais dependente de um único sector e mais vulnerável a flutuações nos preços das commodities.

A manutenção do rating “CCC+” é um alerta para o Governo moçambicano sobre a necessidade urgente de reformas estruturais. Melhorar a gestão fiscal, fortalecer as instituições e criar um ambiente de negócios mais estável e previsível são medidas essenciais para atrair investimentos e reduzir o risco percebido pelos investidores internacionais.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento contínuo do sector de GNL e o acordo trienal de 456 milhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI) oferecem uma base para o crescimento futuro. No entanto, para que essas oportunidades se traduzam em uma melhora significativa na classificação de crédito, Moçambique precisará demonstrar um compromisso firme com as reformas económicas e a estabilização macroeconómica.

Ou seja, o rating “CCC+” da Fitch para Moçambique destaca tanto os desafios quanto as oportunidades que o país enfrenta. Enquanto o potencial de crescimento impulsionado pelo GNL é promissor, os riscos elevados continuam a limitar as perspectivas económicas de longo prazo. Para superar esses desafios, Moçambique deverá adoptar reformas profundas que possam reverter a trajectória actual e criar as bases para um crescimento sustentável e inclusivo.

Cooperação intersectorial como estratégia para potenciar o crescimento económico em Moçambique

Nos últimos anos, Moçambique tem enfrentado o desafio de diversificar sua economia, tradicionalmente dependente de sectores como a mineração e a agricultura. Em uma análise abrangente realizada entre 2017 e 2023, pela CTA, foram mapeadas as interconexões entre os principais sectores económicos do País. Os resultados dessa análise, conforme destacado no “Índice de Robustez Empresarial” (IRE) referente ao segundo trimestre de 2024, apresentado quarta-feira, 14/08, em Maputo, no evento “Economic Briefing da CTA”, sugerem que a interligação sectorial não apenas é desejável, mas necessária para sustentar o crescimento económico e assegurar a resiliência do País frente a choques externos.

A integração da indústria transformadora como pilar de crescimento

A indústria transformadora, considerada um dos motores do desenvolvimento económico, tem o potencial de impulsionar a economia moçambicana se adequadamente incentivada. A análise da CTA, vertida no relatório do IRE referente ao II trimestre de 2024, destaca a necessidade de uma melhor alocação de incentivos fiscais, subsídios, e a implementação de programas de cooperação intersetorial que possam fortalecer essa indústria. Em um contexto onde a transformação de matérias-primas locais pode agregar valor significativo à economia, a falta de integração sectorial é um gargalo que precisa ser resolvido com urgência.

Reavaliando a indústria extractiva: Mais que um simples fornecedor

Apesar de ser um dos sectores mais robustos, a indústria extractiva de Moçambique enfrenta o desafio de agregar valor localmente. A análise sugere que políticas de conteúdo local, que incentivem o uso de produtos e serviços nacionais, são cruciais para transformar a indústria extractiva em uma verdadeira força motriz para a economia. Isso exigirá não apenas uma revisão das políticas existentes, mas também uma vigilância contínua para garantir que os benefícios do sector sejam amplamente distribuídos.

Diversificação económica: Uma necessidade estratégica

A dependência excessiva de qualquer sector económico aumenta a vulnerabilidade de um País a crises globais, como observado durante a recente pandemia e flutuações nos preços das commodities. Promover a diversificação económica, especialmente através do fortalecimento da indústria transformadora, é essencial para evitar os efeitos adversos da “doença holandesa” — um fenómeno onde a valorização da moeda de um país, devido à exportação de recursos naturais, prejudica outros sectores da economia.

Infraestrutura e cooperação: Bases para o desenvolvimento sustentável

Um dos maiores desafios para a integração sectorial é a deficiência na infraestrutura de transporte e logística. Investir em estradas, pontes, armazéns e energia, como sugerido pela análise, é fundamental para melhorar a interligação entre os sectores económicos e facilitar o comércio. Além disso, a promoção de plataformas de cooperação entre os setores pode identificar sinergias que, até então, têm sido subaproveitadas.

A formação de clusters económicos que integrem actividades complementares — como agropecuária, indústria transformadora e comércio — pode ser uma solução eficaz para impulsionar a competitividade e a resiliência da economia moçambicana. A implementação dessas recomendações exigirá um compromisso sério por parte do governo, sector privado, e parceiros internacionais, mas os benefícios de uma economia mais integrada e diversificada farão com que o esforço valha a pena.

MultiChoice Talent Factory lança nova edição de formação em Cinema e Televisão com oportunidades internacionais

A MultiChoice Talent Factory (MTF) tem o prazer de anunciar que as inscrições para o estágio pré-profissional em técnicas de produção e audiovisual estão abertas. As candidaturas são válidas para jovens aspirantes a cineastas, argumentistas, produtores e contadores de históriase que pretendem desenvolver a carreira na indústria de televisão e cinema.

Se és um jovem profissional à procura de mudar de carreira e expandir os seus horizontes ou recém-graduado que almeja deixar a sua marca na indústria televisiva e cinematográfica, a MTF está a recrutar candidatos de todas as origens em 13 países de África: Nigéria, Gana, Uganda, Quénia, Etiópia, Tanzânia, Zâmbia, Botswana, Namíbia, Angola, Moçambique, Zimbabué e Malawi.

Desde a sua criação em 2018, a MTF acolheu 60 estudantes todos os anos, dando-lhes a oportunidade de alcançar os seus sonhos e libertar o seu potencial, proporcionando uma plataforma que nutre e desenvolve talentos em todo o continente, oferecendo oportunidades de crescimento, networking e sucesso na indústria do entretenimento.

Através de uma série de programas de formação rigorosos, a MTF acredita na utilização de uma abordagem prática orientadas por especialistas do sector. Os participantes não só têm a oportunidade de melhorar as suas competências, como também de obter informações valiosas sobre o negócio do cinema. Imagina ser escolhido como um dos participantes para aprender com alguns dos melhores especialistas da indústria e ganhar experiência em áreas como: cinematografia, design de som,  edição e muito mais. A MTF oferece todas estas oportunidades e não se fica por aqui.

No final do programa, os graduados com melhor desempenho de cada academia receberão formação adicional, orientação e oportunidades de estágio com parceiros mundiais da MTF, como a: New York Film Academy (NYFA), plataforma indiana Zee World e terão ainda a oportunidade de trabalhar com produções na África do Sul. Após a conclusão, os alunos vão receber uma qualificação certificada e reconhecida.  Vão ter ainda a oportunidade de produzir e realizar curtas-metragens exibidas nas plataformas da MultiChoice.

Todas estas iniciativas são indicativas do compromisso da MTF em apoiar a selecção de conteúdos da MultiChoice na entrega de conteúdos locais interessantes, ricos em cultura. África tem muitas histórias por contar e, ao investir em talentos africanos, a MultiChoice consegue descobrir e apresentar essas histórias, apoiando os estudantes de MTFs, dando-lhes as competências necessárias e a plataforma para produzirem conteúdos que se repercutam nos africanos e no mercado mundial. Através deste apoio, os antigos alunos da MTF alcançaram um sucesso fenomenal nas suas produções.

No ano passado, cinco antigos alunos garantiram nomeações em três categorias nos Africa Magic Viewers’ Choice Awards (AMVCA) 2023. Além disso, muitos antigos alunos da MTF ocupam cargos significativos na indústria em todo o continente, trabalhando como realizadores, produtores, designers de som, operadores de câmara, directores de arte, argumentistas e editores em grandes produções africanas que incluem Salem, Tempted, Engaito, Mvamizi, Mum vs Wife, Makofi, County 49 e muitos outros.

Habtamu S. Mekonen, aluno MTF da Academia de África Oriental em Nairobi, Quénia, ganhou recentemente um Prémio Emmy Internacional por uma curta-metragem que produziu e realizou. O sucesso da MTF é melhor ilustrado pelas longas-metragens produzidas pelos seus alunos. Os filmes destacam o talento e a criatividade dos participantes e demonstram o profundo impacto do programa.

A MTF promove também o espírito empreendedor, dando aos jovens a confiança necessária para iniciarem os seus próprios projectos e negócios. Até à data, trinta dos seus antigos alunos registaram produtoras de conteúdo, criando oportunidades de emprego e contribuindo para a economia. O conhecimento e as competências transmitidas pela MTF capacitam os formandos para serem catalisadores do crescimento económico e do enriquecimento cultural nas suas comunidades.

As candidaturas já estão abertas e serão encerradas no dia 15 de Setembro de 2024. Os candidatos interessados podem visitar https://applications.multichoicetalentfactory.com para submeter as suas candidaturas e saber mais sobre os requisitos do programa.

Estás pronto para libertar o teu talento e destacar-te como um dos cineastas da próxima geração? Não percas esta incrível oportunidade de iniciar a tua carreira no cinema e na televisão com a MTF.

Dê o primeiro passo para realizar os teus sonhos e candidata-te já.

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ExxonMobil vai retomar projectos até 2026

O presidente da petrolífera americana ExxonMobil em Moçambique, Liam Mallon, anunciou que a empresa vai retomar os seus projectos na província nortenha de Cabo Delgado até ao final de 2026.

Em maio, a empresa tinha anunciado que as decisões sobre o reinício dos projectos seriam tomadas até ao final de 2025.

De acordo com Mallon, que falava aos jornalistas, na quarta-feira, em Maputo, minutos depois de uma audiência que lhe foi concedida pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, “neste momento, chegámos a uma fase daquilo a que chamamos Front End Engineering and Design. Portanto, é o processo de engenharia e design para este projeto”.

A ExxonMobil está a liderar a construção e operação de todas as futuras instalações de liquefação de gás natural e instalações relacionadas para o bloco de águas profundas da Área 4 ao largo da costa de Cabo Delgado, operado pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma joint venture detida pela ExxonMobil, a empresa de energia italiana ENI e a CNPC da China.

O projecto sofreu vários adiamentos devido à violência extrema exercida pelos terroristas islâmicos em partes de Cabo Delgado.

“Estamos muito entusiasmados com este projecto”, afirmou Mallon. “Obviamente, ao longo do caminho, houve alguns obstáculos e coisas que tivemos de parar e começar de novo. Mas estamos satisfeitos por estarmos no ponto em que estamos prontos para recomeçar e estamos apenas à espera de algumas aprovações finais”.

Disse também que se trata de um projeto de vários milhares de milhões de dólares que irá gerar muito dinheiro ao longo de várias décadas, pelo que há muitos aspectos a ter em conta.

“Precisamos de tratar de questões de desenvolvimento económico para aquela província e, portanto, de segurança, estabilidade, desenvolvimento económico, para as receitas que vão surgir. O projecto de gás natural na Bacia do Rovuma é um dos maiores investimentos em Gás Natural Liquefeito (GNL) no mundo”, disse.

O projeto, acrescentou, inclui uma grande fábrica de GNL em terra, que produzirá 18 a 19 milhões de toneladas de GNL por ano, grandes poços de perfuração submarinos para abastecer a fábrica e duas grandes plataformas flutuantes de exportação de GNL ao largo da costa de Cabo Delgado.

“Garanto-vos que este vai ser o projeto com menor emissão de gases com efeito de estufa do mundo. É muito importante saber isso”, afirmou.

Mozambique and Malawi strengthen energy cooperation with the signing of strategic agreements

cooperação energética

In a strategic move to consolidate energy integration in southern Africa, Mozambique and Malawi signed two important agreements on Wednesday, August 14, that strengthen cooperation between the countries in the energy sector. The agreements include a specific pact on oil and related products, as well as a memorandum of understanding (MoU) focused on expanding collaboration in the energy area. These understandings are key milestones in the advancement of the Mozambique-Malawi Regional Interconnection Project (MOMA), which aims to transform the energy infrastructure and electricity trade in the region.

The memorandum of understanding signed solidifies the Intergovernmental Agreement signed in 2013 between Mozambique and Malawi, whose main objective is the construction of a power transmission line. This line is designed to supply the growing demand for electricity in Malawi, while at the same time promoting new business opportunities in the southern African energy market. With this, both countries seek to foster greater integration and guarantee regional energy security.

During the signing ceremony, the President of Mozambique, Filipe Nyusi, highlighted the significant progress in the MOMA project, which has already reached 72% completion. “We are committed to completing this project, which will not only meet the energy demands of our neighbors, but will also strengthen our position as an energy hub in the region,” said Nyusi in an interview with Diário Notícias.

The President of Malawi, Lazarus Chakwera, expressed great enthusiasm for the agreements, stressing that improved access to energy will be vital for his country’s economic development. “These agreements will allow us to substantially improve Malawi’s energy infrastructure, which is crucial for sustainable growth and improving the quality of life of our population,” Chakwera said. He also expressed interest in expanding cooperation with Mozambique to other areas, such as air transportation, with a view to facilitating mobility and strengthening ties between the two nations.

These agreements represent an important step towards a more integrated and resilient energy future for southern Africa, reflecting Mozambique and Malawi’s commitment to working together to achieve common goals of development and sustainable progress.

Moçambique e Malawi fortalecem cooperação energética com assinatura de acordos estratégicos

cooperação energética

Em um movimento estratégico para consolidar a integração energética na África Austral, Moçambique e Malawi assinaram, nesta Quarta-feira, 14 de Agosto, dois importantes acordos que reforçam a cooperação entre os países no sector de energia. Os acordos incluem um pacto específico sobre petróleos e produtos relacionados, além de um memorando de entendimento (MoU) focado na expansão da colaboração na área energética. Esses entendimentos são marcos fundamentais no avanço do Projecto de Interligação Regional Moçambique-Malawi (MOMA), que visa transformar a infra-estrutura energética e o comércio de electricidade na região.

O memorando de entendimento assinado solidifica o Acordo Intergovernamental firmado em 2013 entre Moçambique e Malawi, cujo principal objectivo é a construção de uma linha de transmissão de energia. Esta linha é projectada para suprir a crescente demanda por electricidade no Malawi, ao mesmo tempo, em que promove novas oportunidades de negócios no mercado energético da África Austral. Com isso, ambos os países buscam fomentar uma maior integração e garantir a segurança energética regional.

Durante a cerimónia de assinatura, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, destacou os significativos progressos no projecto MOMA, que já alcançou 72% de execução. “Estamos comprometidos com a conclusão deste projecto, que não só atenderá à demanda energética de nossos vizinhos, mas também fortalecerá nossa posição como um hub energético na região,” afirmou Nyusi em entrevista ao Diário Notícias.

O Presidente do Malawi, Lazarus Chakwera, expressou grande entusiasmo com os acordos, sublinhando que a melhoria no acesso à energia será vital para o desenvolvimento económico de seu país. “Esses acordos vão nos permitir melhorar substancialmente a infra-estrutura energética do Malawi, o que é crucial para o crescimento sustentável e para a melhoria da qualidade de vida de nossa população,” declarou Chakwera. Ele ainda manifestou interesse em expandir a cooperação com Moçambique para outras áreas, como o transporte aéreo, visando facilitar a mobilidade e fortalecer os laços entre as duas nações.

Esses acordos representam um passo importante na concretização de um futuro energético mais integrado e resiliente para a África Austral, reflectindo o compromisso de Moçambique e Malawi em trabalhar juntos para alcançar metas comuns de desenvolvimento e progresso sustentável.

Lucros da Kenmare decresceram 69% no primeiro semestre de 2024, impactados por quebra nas exportações

Lucros da Kenmare

A Kenmare, operadora da mina de Moma no Norte de Moçambique, uma das maiores produtoras mundiais de titânio e zircão, registou uma queda acentuada de 69% nos seus lucros no primeiro semestre de 2024. Os lucros após impostos caíram para 1,32 mil milhões de meticais (20,9 milhões de dólares), comparados aos 4,28 mil milhões de meticais (67,8 milhões de dólares) obtidos no mesmo período do ano passado, segundo informou a agência Lusa nesta Quinta-feira, 15 de Agosto.

De acordo com a Kenmare, a diminuição dos lucros foi em grande parte resultado da quebra nos carregamentos de minerais, que afectou significativamente o desempenho financeiro da empresa. No entanto, Andrew Webb, presidente da Kenmare, manifestou optimismo para o segundo semestre de 2024, citando uma “forte visibilidade dos pedidos dos clientes, altos stocks de produtos acabados e melhoria das condições climáticas sazonais” como factores que devem impulsionar o crescimento das receitas nos próximos meses.

As receitas provenientes da exportação de produtos minerais da mina de Moma totalizaram 9,76 mil milhões de meticais (154,5 milhões de dólares), uma queda de 33% em comparação com o primeiro trimestre de 2023, resultado da diminuição do número de remessas e da queda nos preços.

Apesar dos desafios enfrentados no primeiro semestre, a Kenmare encerrou o período com activos avaliados em quase 12,6 mil milhões de meticais (200 milhões de dólares), incluindo um caixa líquido recorde de 3,72 mil milhões de meticais (58,9 milhões de dólares). A empresa destacou estar “bem posicionada para financiar” os seus compromissos de capital e de retorno aos accionistas.

A queda nos carregamentos, que recuaram 18% no segundo trimestre em comparação com o ano anterior, foi atribuída a condições climáticas adversas e à necessidade de manutenção operacional, que reduziram o tempo de embarque. No entanto, a Kenmare informou que as condições de mercado se mostraram encorajadoras no segundo trimestre, com uma procura particularmente robusta para a ilmenite da empresa. A mineradora revelou ainda que possui uma forte carteira de encomendas para o terceiro trimestre de 2024.

A Kenmare, empresa de origem irlandesa e cotada nas bolsas de Londres e Dublin, continua a desempenhar um papel fundamental no mercado global de areias minerais, com a sua operação em Moçambique representando cerca de 7% das matérias-primas globais de titânio. A empresa fornece a clientes em mais de 15 países, que utilizam minerais pesados como titânio, ilmenite, rutilo e zircão na produção de tintas, plásticos e cerâmica.

Em 2023, a Kenmare pagou 1,92 mil milhões de meticais (30,5 milhões de dólares) ao Estado moçambicano em taxas e impostos, consolidando a sua contribuição para a economia nacional. Em Abril do mesmo ano, a mineradora anunciou planos para explorar um novo filão dentro de dois anos, sinalizando a longevidade e a potencial rentabilidade contínua da mina de Moma.

Kenmare’s profits fell 69% in the first half of 2024, impacted by a drop in exports

Lucros da Kenmare

Kenmare, operator of the Moma mine in northern Mozambique, one of the world’s largest producers of titanium and zircon, recorded a sharp 69% drop in its profits in the first half of 2024. Profits after tax fell to 1.32 billion meticais (20.9 million dollars), compared to 4.28 billion meticais (67.8 million dollars) in the same period last year, according to the Lusa news agency on Thursday, August 15.

According to Kenmare, the fall in profits was largely the result of a drop in mineral shipments, which significantly affected the company’s financial performance. However, Andrew Webb, Kenmare’s chairman, expressed optimism for the second half of 2024, citing “strong visibility of customer orders, high stocks of finished products and improved seasonal weather conditions” as factors that should drive revenue growth in the coming months.

Revenues from the export of mineral products from the Moma mine totaled 9.76 billion meticais (154.5 million dollars), down 33% compared to the first quarter of 2023, as a result of the decrease in the number of shipments and the fall in prices.

Despite the challenges faced in the first half of the year, Kenmare ended the period with assets valued at almost 12.6 billion meticais (200 million dollars), including record net cash of 3.72 billion meticais (58.9 million dollars). The company said it was “well positioned to finance” its capital commitments and return to shareholders.

The drop in shipments, which fell 18% in the second quarter compared to the previous year, was attributed to adverse weather conditions and the need for operational maintenance, which reduced shipping times. However, Kenmare reported that market conditions proved encouraging in the second quarter, with particularly robust demand for the company’s ilmenite. The mining company also revealed that it has a strong order book for the third quarter of 2024.

Kenmare, an Irish company listed on the London and Dublin stock exchanges, continues to play a key role in the global mineral sands market, with its operation in Mozambique accounting for around 7% of global titanium raw materials. The company supplies customers in more than 15 countries, who use heavy minerals such as titanium, ilmenite, rutile and zircon in the production of paints, plastics and ceramics.

In 2023, Kenmare paid 1.92 billion meticais (30.5 million dollars) to the Mozambican state in fees and taxes, consolidating its contribution to the national economy. In April of the same year, the mining company announced plans to explore a new lode within two years, signaling the longevity and potential continued profitability of the Moma mine.

Governo concede concessão da primeira central eólica de Moçambique a Globeleq e Source energia

Governo concede concessão da primeira central Eólica de Moçambique a Globeleq e Source energia

O Governo de Moçambique concedeu oficialmente a gestão da primeira central eólica do país, localizada em Namaacha, província de Maputo, ao consórcio formado pelas empresas Globeleq e Source Energia. A concessão, que tem a duração de 28 anos, foi aprovada através de um decreto do Conselho de Ministros, emitido no dia 9 de Agosto. O projecto, avaliado em 270 milhões de dólares (aproximadamente 17 mil milhões de meticais), marca um passo importante na diversificação das fontes de energia do país.

De acordo com o decreto, esta parceria público-privada tem como objectivo aumentar a capacidade de produção de energia eléctrica instalada em Moçambique, melhorando a segurança no fornecimento e diversificando as fontes energéticas. A central eólica de Namaacha vai gerar energia para ser vendida à rede eléctrica nacional, contribuindo para o fortalecimento do sector energético nacional.

O projecto inclui a participação da estatal Electricidade de Moçambique (EDM), que terá uma quota de 5% na estrutura accionista da concessionária, representando o Estado moçambicano.

“A construção desta central eólica deverá arrancar no segundo semestre deste ano e vai permitir, durante o período de concessão, o aumento da capacidade de produção de energia eléctrica instalada em Moçambique e da segurança de fornecimento”, destaca o decreto. Além disso, o projecto pretende criar empregos e oferecer formação para as comunidades locais, impulsionando o desenvolvimento económico da região.

Especificamente, 230 milhões de dólares (14,5 mil milhões de meticais) serão alocados para a construção da central, enquanto os restantes 40 milhões de dólares (2,5 mil milhões de meticais) financiarão a construção de uma linha de transporte de electricidade de 40 quilómetros, ligando Namaacha a Boane.

O projecto, com previsão de conclusão em dois anos, é visto como um marco para o sector energético moçambicano, sublinhando o potencial do país no aproveitamento de energias renováveis e contribuindo para a sustentabilidade e resiliência da rede eléctrica nacional.

A Globeleq, que lidera o consórcio, foi fundada em 2002 e possui vasta experiência no desenvolvimento de projectos energéticos em África. A empresa opera actualmente em vários países do continente, incluindo Tanzânia, Costa do Marfim, África do Sul, Camarões e Quénia. A Source Energia, parceira no consórcio, é uma plataforma diversificada de energias renováveis focada no desenvolvimento de projectos de grande e pequena escala na África Lusófona, com ênfase na sustentabilidade e inovação.

Este projecto reflecte o compromisso de Moçambique em diversificar suas fontes de energia, assegurando o crescimento sustentável e o desenvolvimento económico do país.