O ano de 2025 foi bastante exigente tendo em conta a situação económica, ficou marcado por decisões de gestão muito desafiantes. Neste contexto, a Fidelidade Ímpar manteve um foco claro: cuidar das suas equipas, melhorar as condições de trabalho e fortalecer, de forma contínua, uma cultura interna baseada na confiança, proximidade e responsabilidade.
Depois de um ano atípico e exigente para o tecido empresarial em Moçambique, a Fidelidade Ímpar inicia 2026 com optimismo e um que reforça a confiança, reconhecimento consistência do seu posicionamento enquanto empresa centrada nas pessoas. Em Dezembro de 2025, a Seguradora recebeu a certificação do Selo Great Place to Work (GPTW) pela segunda vez.
O ano de 2025 foi bastante exigente tendo em conta a situação económica, ficou marcado por decisões de gestão muito desafiantes. Neste contexto, a Fidelidade Ímpar manteve um foco claro: cuidar das suas equipas, melhorar as condições de trabalho e fortalecer, de forma contínua, uma cultura interna baseada na confiança, proximidade e responsabilidade.
A certificação Great Place to Work conquistada confirma esse caminho. Mais do que um selo é o reflexo da opinião dos próprios colaboradores e da forma como vivem o dia a dia na organização.
Actualmente, a Fidelidade Ímpar é a única empresa em Moçambique com a certificação Great Place to Work, um reconhecimento internacional que avalia dimensões como credibilidade, respeito, equidade e orgulho no local de trabalho.
Começar 2026 com este reconhecimento é um sinal claro de continuidade e ambição. A par dos resultados positivos alcançados, mostra que é possível crescer de forma sustentável mesmo em contextos adversos, criando valor para as pessoas e para o mercado.
O nosso sucesso não se mede apenas em números. Mede-se na forma como trabalhamos, como cuidamos das nossas equipas e como construímos, ano após ano, um ambiente onde todos se sentem valorizados, seguros e motivados.
Em 2026, a Fidelidade Ímpar mantém o compromisso de continuar a investir nas pessoas, reforçar boas práticas de gestão e contribuir para um mercado de trabalho mais forte e resiliente em Moçambique.
Porque acreditamos que empresas sólidas se constroem com pessoas confiantes e com futuro.
Em 2024, Moçambique exportou 5,47 mil milhões USD em produtos industriais e energéticos, enquanto importou 2,46 mil milhões USD em maquinaria e bens de capital.
Os dados de comércio externo de Moçambique referentes a 2024 revelam uma estrutura assimétrica entre exportações e importações, marcada pela forte concentração das vendas externas em produtos industriais e energéticos e por uma elevada dependência de bens manufacturados e de capital importados.
De acordo com as projecções, os produtos químicos, industriais e combustíveis constituem o principal eixo das exportações nacionais, com um valor estimado em 5,47 mil milhões de dólares, superando largamente as importações da mesma categoria, avaliadas em 3,20 mil milhões de dólares. Este diferencial reflecte o peso crescente do sector extractivo, em particular do gás e do carvão, na balança comercial do país.
As exportações de metais e produtos metálicos ascenderam a 1,48 mil milhões de dólares, igualmente acima das importações, que se situaram em 0,60 mil milhões de dólares, confirmando a relevância dos recursos minerais como fonte de receitas externas.
Em contraste, o país apresenta défices expressivos em categorias associadas à industrialização e à modernização produtiva. As importações de maquinaria e produtos manufacturados complexos atingiram 2,46 mil milhões de dólares, face a exportações residuais de apenas 0,04 mil milhões, evidenciando a forte dependência externa de equipamentos, tecnologia e bens de capital.
Situação semelhante observa-se nos bens de consumo manufacturados, cujas importações totalizaram 1,07 mil milhões de dólares, comparativamente a exportações de 0,18 mil milhões, reflectindo limitações estruturais da indústria transformadora nacional.
No sector de alimentos e produtos agrícolas, as importações, avaliadas em 1,86 mil milhões de dólares, continuam a superar as exportações, que se fixaram em 1,01 mil milhões, sublinhando os desafios persistentes na substituição de importações e na agregação de valor à produção agrícola interna.
Moçambique continua a afirmar-se como um destino aberto ao investimento estrangeiro, sustentado por melhorias graduais no quadro regulatório e fiscal, bem como por reformas em curso nas áreas tributária, laboral e de vistos, orientadas para o reforço da competitividade e para a atracção de maior participação do sector privado.
No âmbito do reforço do tecido empresarial nacional, o Governo lançou, em Outubro de 2025, um Fundo de Garantia Mútua no valor de 40 milhões de dólares norte-americanos, com o objectivo de ampliar o acesso ao crédito para as pequenas e médias empresas (PMEs). A iniciativa visa fortalecer a capacidade do sector privado doméstico e promover a sua integração em grandes projectos de energia e infra-estruturas.
As perspectivas comerciais do país registam sinais de melhoria, impulsionadas pela evolução dos investimentos em gás natural liquefeito (GNL) e pelo aprofundamento da integração regional no quadro da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA). A modernização das infra-estruturas portuárias de Maputo, Beira e Nacala tem facilitado os fluxos comerciais com os mercados vizinhos, enquanto as zonas económicas especiais continuam a oferecer incentivos fiscais para investimentos nos sectores da energia, agro-indústria e logística.
Em termos de exportações, o gás natural e o carvão representaram cerca de metade das receitas de exportação de Moçambique em 2024. Com a entrada em funcionamento de todos os projectos de GNL actualmente planificados, prevê-se um aumento significativo dos volumes de exportação deste recurso. O crescimento do investimento no sector exportador tem sido acompanhado por uma maior procura de importações de bens intermédios e de capital.
Em 2024, os produtos químicos, industriais e combustíveis constituíram a principal categoria de importações do país, avaliada em 3,2 mil milhões de dólares, reflectindo a expansão das indústrias de infra-estruturas, construção e processamento.
A Vodacom foi distinguida como Top Employer número 1 em Moçambique, pelo terceiro ano consecutivo, reforçando o seu compromisso em oferecer um ambiente de trabalho moderno, inclusivo e orientado para o desenvolvimento das suas pessoas. O reconhecimento, atribuído pelo Top Employers Institute, destaca as práticas da empresa que impulsionam o desempenho, o envolvimento e o crescimento dos colaboradores.
Katia Meggy, Directora de Recursos Humanos da Vodacom, afirmou: “Esta certificação reforça o nosso compromisso em criar um ambiente ético, inclusivo e focado no desenvolvimento das nossas pessoas. Na Vodacom, acreditamos que equipas motivadas são essenciais para a inovação, excelência operacional e para o contributo que damos ao desenvolvimento de Moçambique. Recebemos este reconhecimento com orgulho e com a responsabilidade de continuar a elevar os padrões de bem-estar, liderança e cultura organizacional no país.”
O CEO do Top Employers Institute, Adrian Seligman, comentou: “Temos orgulho em reconhecer a Vodacom pelo seu contributo significativo para um melhor contexto laboral em Moçambique.”
A Certificação Top Employer oferece à Vodacom dados fiáveis, insights estratégicos e validação independente das suas práticas, fortalecendo a estratégia de pessoas e a capacidade de demonstrar impacto aos líderes e ao mercado de talento.
Presente em 131 países/regiões, o Top Employers Institute é a autoridade global em certificação, benchmarking e consultoria em RH. O seu Programa avalia organizações através do HR Best Practices Survey, que abrange seis domínios essenciais: Estratégia de Pessoas, Ambiente de Trabalho, Aquisição de Talento, Aprendizagem, Diversidade, Equidade & Inclusão e Bem-Estar.
Em 2025, o Programa certificou quase 2.500 Top Employers em 131 países/regiões, impactando positivamente mais de 14 milhões de colaboradores em todo o mundo.
A inflação em Moçambique deverá abandonar a trajectória de abrandamento registada em 2025 e retomar uma dinâmica ascendente a partir de 2026, pressionada por factores cambiais, fiscais e estruturais. De acordo com a consultora britânica Oxford Economics, a inflação média poderá situar-se em 4,8% este ano, antes de acelerar para 8,4% em 2027, num cenário marcado pela retoma dos projectos de gás natural liquefeito, pela escassez de divisas e por ajustamentos esperados no valor do metical.
Da desinflação à pressão gradual sobre os preços
Após um período de moderação, em que a inflação anual caiu para 3,23% em 2025, praticamente metade da previsão inicial do Governo, os analistas da Oxford Economics consideram que os fundamentos macroeconómicos apontam para uma inversão gradual desta tendência. No curto prazo, a inflação deverá manter-se relativamente contida no primeiro trimestre de 2026, beneficiando da estabilidade cambial recente e da manutenção de taxas de juro reais elevadas por parte do Banco de Moçambique.
Contudo, este equilíbrio é visto como frágil. A consultora sublinha que a actual trajectória não incorpora ainda choques adicionais associados às cheias e perdas agrícolas recentemente registadas no país, factores que poderão exercer pressão adicional sobre os preços dos alimentos ao longo do ano.
Metical sobrevalorizado e reservas limitadas
Um dos principais motores da inflação projectada prende-se com o comportamento esperado da taxa de câmbio. Segundo a Oxford Economics, o metical permanece sobrevalorizado, num contexto de reservas internacionais limitadas e de crescente pressão externa, incluindo as exigências do Fundo Monetário Internacional em matéria de ajustamento macroeconómico.
Este enquadramento deverá conduzir o Governo e o banco central a promoverem uma desvalorização gradual da moeda em 2026, com impactos directos sobre os preços dos bens importados e sobre a inflação subjacente. À medida que os efeitos cambiais se tornem mais pronunciados, a consultora antecipa uma aceleração inflacionista mais forte em 2027.
Gás natural e política orçamental como factores de pressão
Outro elemento central da análise é o reinício dos grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL), que, embora positivos para o crescimento económico e para as exportações no médio prazo, tendem a gerar pressões inflacionistas no curto prazo, sobretudo através do aumento da procura interna, da circulação monetária e da pressão sobre serviços e bens não transaccionáveis.
A isto acresce a possibilidade de financiamento monetário do défice orçamental, num contexto de restrições fiscais e necessidades crescentes de despesa pública, cenário que, segundo os analistas, poderá contribuir para um aumento adicional da liquidez e, consequentemente, dos preços.
Comparação histórica e enquadramento regional
Apesar da trajectória ascendente prevista, a Oxford Economics sublinha que os níveis projectados permanecem, para já, abaixo dos picos históricos recentes. Em 2024, a inflação acumulada situou-se em 4,15%, após ter atingido máximos próximos de 13% em Julho de 2022, enquanto em 2023 rondou os 5,3%.
Ainda assim, a aceleração prevista para 2027 coloca Moçambique novamente numa posição de maior vulnerabilidade face a choques externos, sobretudo num contexto regional marcado por volatilidade cambial, pressões nos preços dos alimentos e custos energéticos incertos.
Implicações para a política monetária
A trajectória inflacionista antecipada reforça o dilema da política monetária em Moçambique. Por um lado, o Banco de Moçambique tem procurado manter uma postura restritiva para ancorar expectativas e conter a inflação; por outro, a necessidade de apoiar a recuperação económica e acomodar choques fiscais e externos limita a margem de manobra.
Neste contexto, a previsão da Oxford Economics sugere que a estabilidade de preços em 2026 será mais difícil de preservar, exigindo um delicado equilíbrio entre controlo da liquidez, gestão cambial e coordenação com a política orçamental.
O Governo de Moçambique e o consórcio liderado pela Eni Rovuma Basin (ERB) assinalaram, esta sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026, um marco determinante no desenvolvimento do Projecto Coral Norte FLNG, com a realização da cerimónia de lançamento do casco da unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito (GNL). O acto teve lugar no estaleiro naval da Samsung Heavy Industries, em Geoje, na República da Coreia.
O lançamento do casco constitui um dos primeiros grandes marcos industriais do Projecto Coral Norte FLNG em 2026, confirmando o cumprimento do cronograma aprovado e o firme compromisso dos investidores com a implementação do segundo projecto de GNL de Moçambique.
Aprovado pelo Conselho de Ministros em Abril de 2025, o Projecto Coral Norte FLNG é uma réplica do Coral Sul FLNG, em produção desde 2022, sendo este o primeiro projecto a nível mundial a operar em águas ultra-profundas. O empreendimento integra uma infraestrutura flutuante para a liquefacção de gás natural, com capacidade de produção anual de 3,55 milhões de toneladas de GNL, suportada por seis poços de produção e respectivas infra-estruturas submarinas.
Até Novembro de 2025, o projecto registava um progresso global superior a 43%, tendo já sido assinados diversos contratos para a aquisição e instalação de equipamentos críticos. Para 2026, estão previstos marcos relevantes, entre os quais a perfuração dos seis poços de produção e a aprovação dos Contratos de Compra e Venda de GNL.
Com um investimento de 7,2 mil milhões de dólares norte-americanos, anunciado a 2 de Outubro de 2025, aquando da Decisão Final de Investimento (FID), o Projecto Coral Norte FLNG deverá gerar receitas estimadas em cerca de 23 mil milhões de dólares ao longo da sua vida útil. O projecto prevê igualmente a criação de emprego, com destaque para a contratação de trabalhadores nacionais e a implementação de um plano de nacionalização e sucessão, visando o reforço da qualificação da mão-de-obra moçambicana no sector, bem como a promoção da transferência de tecnologia e do conteúdo local.
O gás natural liquefeito produzido destina-se tanto ao mercado doméstico como à exportação, através de navios especializados. A infraestrutura flutuante será ancorada na Área 4 da Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, a mais de 50 quilómetros da costa do distrito de Palma e a cerca de 10 quilómetros a norte da unidade Coral Sul FLNG. Com este projecto, Moçambique consolida-se como um dos principais polos mundiais de produção de GNL offshore.
Empresários e líderes empresariais devem estar atentos a uma nova oportunidade de financiamento lançada pela Comissão Europeia, no quadro do mecanismo Global Gateway Early-Stage – Call for Proposals, uma chamada de propostas destinada a apoiar empresas da União Europeia nas fases iniciais de desenvolvimento de projectos em países parceiros.
De acordo com informação do European External Action Service, o instrumento visa transformar ideias promissoras em projectos estruturados e financeiramente viáveis, reforçando a presença europeia em sectores estratégicos e promovendo soluções sustentáveis à escala global.
O mecanismo prevê financiamento competitivo, com contribuições financeiras que variam entre 500 mil e 2 milhões de euros por projecto, conforme detalhado no portal oficial de financiamento da União Europeia. O apoio destina-se a cobrir etapas críticas de preparação, estruturação e amadurecimento de iniciativas com potencial de impacto económico e social.
Sectores estratégicos em destaque
A chamada de propostas incide sobre áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento sustentável e a transição digital, com destaque para:
Transportes;
Energia;
Inteligência Artificial;
Desenvolvimento urbano sustentável.
Estes sectores enquadram-se na estratégia Global Gateway, que procura mobilizar investimento europeu para infra-estruturas, inovação e soluções tecnológicas nos países parceiros da UE.
Quem pode candidatar-se
Podem submeter candidaturas empresas de diferentes dimensões, incluindo startups, pequenas e médias empresas e grandes grupos empresariais, bem como consórcios, parcerias público-privadas e outras entidades com projectos inovadores. O foco está em iniciativas com ambição de crescimento internacional e capacidade de contribuir para o desenvolvimento sustentável nos mercados-alvo.
Prazo e submissão
O prazo para a submissão das propostas termina a 16 de Março de 2026, às 12h00 (hora de Bruxelas). Os interessados devem consultar atentamente as regras, critérios de elegibilidade e documentação exigida antes da submissão.
Mais informações e acesso ao formulário de candidatura estão disponíveis através do link oficial: https://lnkd.in/gvzuXq8h
Com este instrumento, a União Europeia reforça o apoio à inovação empresarial e cria uma janela de oportunidade para empresas que pretendam transformar ideias em projectos concretos, com escala internacional e impacto sustentável.
O CEO Clubs Network , um dos maiores clubes de presidentes executivos do mundo, anunciou um investimento estimado em mais de 300 milhões de dólares nos sectores de energia e aviação em Moçambique, com o objectivo de reforçar a indústria aérea nacional e desenvolver projectos energéticos considerados estratégicos para o País.
O anúncio foi feito esta terça-feira, 13 de Janeiro, nos Emirados Árabes Unidos, após um encontro com o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, que se encontra em visita oficial àquele país no âmbito da mobilização de Investimento Directo Estrangeiro, de acordo com a Lusa.
Segundo o fundador e presidente executivo do CEO Clubs Network, Tariq Ahmed Nizami, o volume global dos investimentos actualmente em negociação ultrapassa os 300 milhões de dólares e abrange vários sectores da economia, com especial incidência nas áreas da energia e da aviação.
“Se fizermos um cálculo aproximado dos investimentos que estão a ser discutidos neste momento, estamos a falar de um montante superior a 300 milhões de dólares, aplicados em diferentes sectores, mas sobretudo na energia e na aviação, com a meta de melhorar a indústria aérea de Moçambique”, explicou Tariq Ahmed Nizami.
De acordo com o responsável, o grupo é composto por investidores provenientes de várias regiões do mundo, interessados em apostar em sectores considerados determinantes para o desenvolvimento económico sustentável de Moçambique. Tariq Ahmed Nizami acrescentou que o diálogo com o Presidente da República permitiu, igualmente, analisar oportunidades de investimento noutros domínios, nomeadamente na agricultura, no petróleo e gás, bem como em soluções tecnológicas associadas a projectos de cidades inteligentes.
O encontro entre o chefe do Estado moçambicano e o grupo de investidores insere-se na estratégia do Governo de intensificar o diálogo com parceiros internacionais, com vista à captação de capital estrangeiro para sectores prioritários da economia nacional.
Sobre o CEO Clubs Network O CEO Clubs Network é uma organização global de networking empresarial, fundada por Tariq Ahmed Nizami, com sede nos Estados Unidos da América e escritório regional no Dubai.
Criada há cerca de 18 anos, a rede liga CEO e executivos de alto nível em mais de 50 países, promovendo eventos exclusivos que geram oportunidades de negócio nacionais e internacionais. Com capítulos em diversos continentes, o CEO Clubs Network realiza mais de 24 eventos anuais, entre webinars e encontros presenciais, e mantém os membros conectados através de uma aplicação móvel. Nos Emirados Árabes Unidos, a organização regional funciona há mais de 14 anos, congregando cerca de 600 membros de alto nível e mais de 3000 afiliações.
Desde a sua criação, a organização já investiu em projectos e iniciativas empresariais em diferentes sectores, reforçando o desenvolvimento económico e a expansão de negócios entre os seus membros.
Angola e Moçambique continuam a afirmar-se como os principais destinos de investimento no espaço africano de língua portuguesa, concentrando a maior fatia do trabalho das sociedades de advocacia e consultoria com presença internacional. A leitura é transversal entre responsáveis da VdA, EY, Pérez-Llorca e Abreu Advogados, ouvidos pelo JE, perspectivam para 2026 um ano de oportunidades relevantes, ainda que marcado por exigências acrescidas ao nível da estabilidade, execução e enquadramento regulatório.
De acordo com José Miguel Oliveira, sócio da área de Oil & Gas da VdA, Angola deverá manter-se como o principal mercado africano para as empresas portuguesas, a par do Brasil, beneficiando do dinamismo do sector petrolífero e de um pipeline consistente de grandes projectos estruturantes.
“Numa altura em que o país aposta na intensificação da exploração petrolífera e na estabilização da produção acima de um milhão de barris por dia, projectos como o Kaminho e Clov Fase 3, da TotalEnergies, Agogo e Ndungu, da Azule Energy, ou N’Dola Sul, da Chevron, deixam sinais claros de que esta meta é alcançável”, sublinha o advogado, acrescentando que estes desenvolvimentos poderão contribuir para a consolidação fiscal angolana.
O responsável destaca ainda o potencial das empresas portuguesas, sobretudo nas áreas da engenharia, manutenção, hidráulica e metalomecânica, que poderão alavancar a sua experiência e presença local para apoiar estes investimentos.
Com as eleições gerais marcadas para 2027, José Miguel Oliveira antecipa que o investimento em infra-estruturas, logística e mobilidade continue a ganhar tracção ao longo de 2026. Entre os projectos com maior potencial de atracção de capital privado figuram o Corredor do Lobito, o novo aeroporto de Luanda, a cidade aeroportuária, a concessão dos terminais de passageiros e cabotagem do Soyo e Cabinda, os corredores ferroviários norte e sul e a expansão do terminal de contentores do Porto do Namibe.
No sector da energia, o fim do monopólio estatal na comercialização e transporte, na sequência das recentes alterações à Lei Geral da Electricidade, abre um novo ciclo de oportunidades para o investimento privado, num mercado que procura responder às necessidades de crescimento económico e industrial.
Já na agro-indústria, o advogado reconhece um crescimento sustentado, ainda que sublinha o reduzido interesse das empresas portuguesas face à presença mais activa de operadores franceses e italianos. Para 2026, as previsões apontam para um crescimento económico moderado, entre 2% e 3%, com a descida da inflação e a dimensão dos projectos em curso a poderem impulsionar o investimento directo estrangeiro.
Angola com proposta de valor mais clara
Do lado da EY, Miguel Farinha, country managing partner, considera que Angola entra em 2026 com uma proposta de valor mais definida para o investimento internacional, ainda que continue a exigir reformas e estabilidade.
“A diversificação da economia começa a traduzir-se em oportunidades concretas, nomeadamente na mineração, agricultura e energia”, observa, destacando o papel do Corredor do Lobito enquanto plataforma logística regional capaz de ligar a produção aos mercados globais.
Moçambique num “momento de viragem”
No que respeita a Moçambique, José Miguel Oliveira fala num verdadeiro “momento de viragem”, impulsionado pela retoma dos grandes projectos de gás natural na Bacia do Rovuma e pelo desempenho positivo da indústria extractiva, em particular do ouro, cujo preço atingiu máximos históricos.
Ainda assim, o advogado alerta para pressões de curto prazo, relacionadas com a consolidação orçamental exigida pelos parceiros internacionais e com a paragem programada da plataforma FLNG do projecto Coral Sul, bem como com o declínio da produção nos campos de Pande e Temane, factores que poderão ter impacto temporário nas receitas do Estado.
No médio e longo prazo, contudo, os projectos Coral Norte FLNG (ENI), Mozambique LNG (TotalEnergies) e o antecipado avanço do Rovuma LNG (ExxonMobil) deverão garantir ganhos estruturais para o sector energético e para a economia no seu conjunto.
Após um ano de 2025 marcado por instabilidade pós-eleitoral e pela persistência da insegurança em Cabo Delgado, as previsões apontam para uma recuperação do crescimento real do PIB moçambicano entre 2,5% e 2,8% em 2026, com destaque para os sectores extractivos, construção, serviços, agricultura e pescas.
Miguel Farinha reforça que o recomeço dos grandes projectos de gás deverá estimular o investimento directo estrangeiro e o surgimento de cadeias de valor associadas, aumentando a procura por serviços profissionais especializados, desde compliance fiscal e operacional ao desenho de modelos de entrada e expansão no mercado.
Infra-estruturas, finanças e digital no centro das atenções
Para Sébastien Coquard, sócio da Pérez-Llorca nas áreas de Direito Societário, M&A e Infra-estruturas, África vive uma transição estrutural, passando de modelos extractivos para estratégias de industrialização, diversificação económica e integração regional.
Projectos como corredores logísticos, portos integrados, caminhos-de-ferro transfronteiriços e plataformas industriais assumem-se como activos estratégicos, a par do crescimento do sector dos serviços, impulsionado pelas finanças, digitalização e suporte à indústria.
Entre os exemplos concretos, destaca o projecto de interconexão eléctrica HVDC em Angola, com capacidade de 2.000 MW, e o projecto híbrido solar-bateria-diesel de Balama, em Moçambique, associado à mina de grafite, como casos de inovação e autossuficiência energética.
No plano financeiro, o Corredor do Lobito tornou-se um caso emblemático de mobilização de financiamento internacional, com crescente protagonismo de bancos regionais africanos, como o Afreximbank e a Africa Finance Corporation.
Paralelamente, o ecossistema fintech mantém-se em forte expansão, com um número crescente de startups africanas a captar financiamento e a desenvolver soluções financeiras de alcance regional, beneficiando também de iniciativas como o programa “Digital Trade for Africa”, promovido pela OMC e pelo Banco Mundial.
Perspectivas da Abreu Advogados
A Abreu Advogados antecipa, para Angola, uma alteração no perfil dos investidores, com maior protagonismo do Médio Oriente e da África Subsariana, num ano marcado por grandes projectos de infra-estruturas e crescimento nos sectores da construção, energia, logística, mineração e oil & gas.
Em Moçambique, a sociedade destaca a consolidação do crescimento económico impulsionado pelo investimento estrangeiro, com impacto na procura por assessoria jurídica em contratos, concessões, PPPs, arbitragem internacional, direito bancário, seguros, microfinanças, tecnologia e combate ao branqueamento de capitais. No conjunto, as análises convergem numa ideia central, Angola e Moçambique entram em 2026 com oportunidades relevantes, mas exigem dos investidores e operadores uma abordagem estratégica, capacidade de execução e alinhamento com os desafios regulatórios, sociais e económicos de longo prazo.
O Fundo Soberano de Moçambique registou um crescimento significativo desde o início da sua operacionalização, alcançando um valor de mercado superior a 116 milhões de dólares. A informação foi tornada pública pelo Banco de Moçambique, nesta quarta-feira, que aponta uma valorização de cerca de seis por cento, impulsionada por novas transferências financeiras do Estado.
De acordo com os dados divulgados, a capitalização inicial do fundo teve início a 10 de Dezembro de 2025, quando o Governo transferiu para o banco central um montante de 109,9 milhões de dólares. Estes recursos resultam das receitas provenientes da exploração de gás natural, marcando oficialmente o arranque do instrumento financeiro criado para gerir parte da riqueza gerada pelos recursos naturais do país.
No fim de Dezembro, o Fundo Soberano apresentava um saldo de 110,1 milhões de dólares. Até o dia 6 de Janeiro, uma nova injecção de capital no valor de 6,1 milhões de dólares permitiu elevar o total acumulado para 116,41 milhões de dólares, consolidando a trajectória de crescimento do fundo.
O Banco de Moçambique, responsável pela administração operacional, esclarece que o Fundo Soberano constitui uma carteira de activos financeiros sujeita a critérios rigorosos de investimento, definidos por lei.
O objectivo, segundo a entidade, é assegurar que os rendimentos provenientes dos recursos extractivos sejam utilizados de forma sustentável e estratégica, em benefício do desenvolvimento económico e social do país.
Nesta altura, o Banco de Moçambique executa a gestão financeira no mercado internacional, sob um sistema de controlo que inclui auditorias internas e externas. As autoridades defendem que este modelo reforça a transparência e a credibilidade do instrumento, considerado fundamental para a sustentabilidade das finanças públicas a longo prazo.