O Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) liderará o desenvolvimento do Terminal Logístico de Dondo, numa área inicial de 70 hectares, em resposta à crescente procura de países vizinhos pelo porto da Beira, anunciou o Governo de Moçambique.
Segundo uma resolução recentemente aprovada, consultada hoje pela Lusa, o Executivo autoriza a adjudicação direta do projeto à CFM e cria uma equipa de negociação para elaborar a proposta de contrato de concessão da infraestrutura do futuro terminal logístico na província de Sofala, no centro do país.
O Ministério dos Transportes e Logística destaca que o porto da Beira é “uma infra-estrutura importante na cadeia logística do país e no Corredor da Beira”, que abastece Zimbábue, Zâmbia, Malawi e República Democrática do Congo.
O governo reconhece que “os serviços de armazenagem e as vias de acesso no porto estão congestionados devido à procura crescente, provocando filas na entrada e saída, o que retarda o tráfego e compromete a eficiência e a segurança rodoviária no corredor”.
Por esta razão, o Executivo mandatou a CFM “para liderar o processo de desenvolvimento do Terminal Logístico de Dondo, numa área inicialmente prevista de 70 hectares”, com possibilidade de expansão conforme o crescimento do porto da Beira. O projeto poderá ser desenvolvido em parceria com empresas de capacidade técnica e financeira comprovada.
O Ministério sublinha que a CFM, enquanto empresa pública com experiência acumulada em projetos logísticos, “não apresenta obstáculos para negociação direta do contrato, visando o projecto, construção, operação, manutenção e retorno da infra-estrutura do terminal, sob regime de parceria público-privada”.
A resolução prevê que a concessão seja realizada através de um consórcio envolvendo a CFM EP, a MPDC (Maputo Port Development Company), o Conselho Empresarial de Sofala e o Município de Dondo.
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, deverá submeter a proposta de contrato de concessão e o respetivo decreto para aprovação no prazo de 90 dias a contar da publicação da resolução.
O governo reforça que os instrumentos de planeamento dos próximos anos estabelecem o compromisso de “transformar os corredores logísticos em verdadeiros centros de receitas, tornando-os competitivos a nível regional”.
O Banco Mundial reiterou, ontem, em Maputo, que Moçambique possui um vasto potencial económico e um ambiente propício à expansão do investimento privado, apelando ao empresariado português para reforçar a sua presença no país, de modo a acelerar o crescimento nacional.
Falando durante a apresentação do portfólio de projectos da instituição e dos respectivos procedimentos de contratação pública, realizada na Embaixada de Portugal e promovida em coordenação com a AICEP, Chenjerani Simon Chirwa, gestor de aprovisionamento do Banco Mundial para a África Austral, destacou que a carteira actual da instituição no país ascende a cerca de cinco mil milhões de dólares.
“Moçambique é um país com muitas oportunidades e um enorme potencial de geração de riqueza. Os investimentos vão continuar, porque o país precisa de investimento”, afirmou Chirwa, defendendo um maior engajamento do sector privado como condição essencial para dinamizar a economia.
Segundo o responsável, o Banco Mundial pretende ver uma participação mais activa das empresas portuguesas, não apenas para ampliar o investimento, mas também para aumentar o acesso aos mecanismos de financiamento disponibilizados pela instituição. Para tal, sublinhou a importância de as empresas acompanharem o mercado antes da publicação dos concursos.
“As seis semanas normais para preparar propostas são curtas. As empresas devem estudar o mercado meses antes, de forma a estarem prontas quando as oportunidades forem lançadas”, observou.
Por seu turno, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, reafirmou o compromisso do seu país em apoiar o desenvolvimento nacional, salientando que a presença empresarial portuguesa é histórica, abrangente e estratégica.
“Portugal quer continuar a contribuir para a criação de valor e para a formação de recursos humanos qualificados em Moçambique. O sector privado português acredita no país e tem prestado serviços de qualidade. Queremos que continue a concorrer também a fundos do Banco Mundial”, afirmou o diplomata.
O encontro serviu igualmente para esclarecer as novas regras de procurement do Banco Mundial e partilhar informação sobre os projectos disponíveis no mercado moçambicano, num esforço para aproximar investidores e promover maior competitividade na execução das iniciativas financiadas pela instituição.
O Porto de Maputo entrou numa fase decisiva de modernização, impulsionada por investimentos de 500 milhões de dólares previstos para os próximos três anos, e que irão “posicionar o país no mapa logístico da região Austral e do mundo”.
A afirmação é do Presidente da República, Daniel Chapo, que considera os investimentos em curso no Porto de Maputo um passo decisivo na transformação do corredor logístico.
“[A Companhia de Desenvolvimento do Porto de Maputo] MPDC e os seus parceiros estão a realizar um conjunto de obras e investimentos que possuem um impacto verdadeiramente transformador para Moçambique e para os moçambicanos. Estas iniciativas não só reforçam a competitividade do nosso porto, como contribuem para posicionar o país no mapa logístico da região Austral e do mundo” disse.
O governante destacou o aumento da capacidade de manuseamento de contentores para mais de 500 mil TEUs, o reforço dos terminais de carvão (passarão a movimentar até 15 milhões de toneladas) e o aumento da capacidade do Terminal de Carga Geral, que vai ultrapassar 15 milhões de toneladas.
Chapo falava após realizar uma visita às instalações do Porto de Maputo, onde adiantou que nos próximos três anos, “esperamos ver executados investimentos na ordem de 500 milhões de dólares norte-americanos”.
“Estes recursos vão permitir a expansão e modernização de vários terminais, elevando substancialmente a capacidade operacional do porto” avançou.
Por outro lado, o Chefe de Estado referiu que está em curso a preparação projectos estruturantes, prevendo o seu início já no próximo ano. Apontou a construção de uma nova dragagem de aprofundamento, que levará o canal a menos de 16 metros de profundidade, colocando o Porto de Maputo em linha com os maiores portos da região e do mundo; e a reconstrução de mais de 400 metros de cais, reforçando a segurança, a capacidade e a resiliência das nossas infra-estruturas portuárias.
O relançamento dos projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bacia do Rovuma está a reabrir espaço para a participação das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) moçambicanas na cadeia de valor do sector. A revisão do quadro regulatório da Lei dos Petróleos (Lei n.º 21/2014) ao recente Diploma Ministerial 55/2024, do Ministério dos Recursos Minerais e Energia reforça a obrigatoriedade de contratação de bens, serviços e mão-de-obra nacional, colocando o conteúdo local no centro das operações.
Quadro jurídico renovado e atenção ao conteúdo local
A base legal para a participação de empresas nacionais no sector de petróleo e gás remonta à Lei dos Petróleos (Lei n.º 21/2014, de 18 de Agosto), que definia regras gerais para operações petrolíferas.
Mais recentemente, a publicação do Diploma Ministerial 55/2024 (DM 55/2024), pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), clarificou as obrigações das concessionárias em matéria de conteúdo local desde a contratação de bens e serviços nacionais e mão-de-obra moçambicana, à formação e preferência por fornecedores locais.
Ademais, encontra-se em preparação uma proposta de lei específica de conteúdo local para a indústria de Oil & Gas, que prevê a criação de uma agência reguladora, mecanismos de fiscalização e relatórios obrigatórios sobre o grau de participação nacional.
Este conjunto de normas e projectos legislativos representa um esforço do Estado para institucionalizar e tornar vinculativas as exigências de participação nacional nos megaprojectos respondendo a críticas de que, por vezes, o conteúdo local ficava apenas como compromisso voluntário.
Desafios e exigências para as PMEs
Apesar do enquadramento regulatório, a transição de PMEs para fornecedores de bens e serviços no sector exige uma preparação rigorosa. As exigências técnicas das operadoras incluem certificações internacionais de qualidade, segurança e ambiente, requisitos que vão muito além da capacidade de muitas empresas nacionais. Analistas apontam que, sem esse nível de exigência, torna-se difícil garantir contratos de valor elevado e sustentáveis.
A necessidade de capacidade financeira robusta é outro obstáculo. Os projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) envolvem cronogramas longos, garantias financeiras, requisitos de capital de giro e riscos elevados. Para que muitas PMEs possam competir, será necessário o acesso a linhas de crédito dedicadas, factoring, garantias de performance e instrumentos de mitigação de risco. Até agora, estes mecanismos continuam pouco acessíveis a negócios de menor escala.
Também se destaca a urgência de fortalecer a qualificação técnica da mão-de-obra nacional. O sucesso de uma integração efectiva depende da existência de quadros formados em segurança industrial, manutenção, logística, gestão de projectos e sistemas de qualidade, áreas nas quais o país ainda carece de oferta formativa adequada e em escala.
O papel das operadoras, do Estado e da sociedade empresarial
Para garantir que o conteúdo local deixe de ser mero discurso e se transforme em participação real das PMEs, é fundamental uma actuação coordenada dos diversos actores, Estado, concessionárias, instituições financeiras e associações empresariais. A proposta de lei de conteúdo local prevê a criação de um órgão regulador com poderes para monitorar contratos, aferir cumprimento e aplicar sanções.
Igualmente importante será a implementação de plataformas digitais de registo de fornecedores nacionais, para aumentar transparência, reduzir barreiras de entrada e facilitar processos de adjudicação. Estudos de casos anteriores mostram que a fragmentação de informação e a falta de visibilidade das PMEs são barreiras estruturais ao desenvolvimento do conteúdo local.
Por outro lado, as operadoras de GNL como as que actuam na Bacia do Rovuma têm manifestado compromisso público com a política de conteúdo local, envolvendo contratação e formação de mão-de-obra moçambicana e aquisição de bens e serviços nacionais. A efectividade destes compromissos depende, todavia, da capacidade técnica e administrativa das PMEs a serem contratadas.
Uma oportunidade que pode redefinir a economia nacional
O relançamento dos projectos de gás natural, somado à consolidação de um quadro legal mais robusto, coloca Moçambique diante de uma oportunidade histórica de industrialização e diversificação económica. Se as PMEs nacionais conseguirem superar os desafios, com apoio técnico, financeiro e institucional, poderão tornar-se núcleos de desenvolvimento regional, gerando emprego, valor acrescentado e dinamizando sectores além do energético, como logística, engenharia, construção, serviços técnicos e formação profissional.
Mas este cenário depende de acções concretas, adesão à lei, acesso a financiamento, qualificação de quadros e compromisso das grandes concessionárias com a transferência de tecnologia. Só assim o conteúdo local poderá cumprir seu papel de catalisador de crescimento sustentável. (PROFILEMOZAMBQUE)
A Incubadora de Negócios do Standard Bank realizou, recentemente, o seu primeiro workshop de acesso a mercados dedicado à exploração de oportunidades no sector de Petróleo e Gás, sob o tema “Integração no Ecossistema de Petróleo & Gás”.
A iniciativa reuniu grandes operadoras, pequenas e médias empresas (PME), representantes do sector público e privado, agências de desenvolvimento, parceiros multinacionais e empreendedores. O encontro constituiu uma plataforma estratégica para promover a aproximação entre os principais intervenientes da cadeia de valor do Gás Natural Liquefeito (GNL), reforçando a partilha de informação, a eliminação de barreiras e a criação de oportunidades concretas para as PME moçambicanas.
O evento reafirmou o compromisso do Standard Bank com o desenvolvimento de ecossistemas estratégicos e com a capacitação de PME e empreendedores, sublinhando, conforme destacou o Administrador-Delegado, Bernardo Aparício, a determinação do Banco em promover iniciativas que facilitem o acesso a mercados, reforcem a competitividade empresarial e assegurem uma participação sustentável no crescimento económico do País.
“O nosso interesse em posicionarmo-nos nos ecossistemas visa apoiar o desenvolvimento nacional, que, nos próximos cinco a dez anos, será marcado por alguns sectores específicos, incluindo o de Petróleo e Gás. Este é um ecossistema em que temos liderado em quota de mercado, conhecimento e talento, e acreditamos que será um motor da economia nos próximos anos. Se o País captar 10% do investimento destinado aos projectos de GNL em serviços locais, isso já representará um ganho muito significativo”, afirmou.
Para os intervenientes do sector, que integraram os diversos painéis, o foco recai sobre o aproveitamento das oportunidades existentes e sobre o reforço do conteúdo local.
Segundo Florival Mucave, presidente da Câmara de Energia de Moçambique, cerca de 60% das necessidades de bens e serviços do LNG correspondem a serviços não essenciais, como catering, construção, logística e transportes, representando oportunidades relevantes para as PME, sobretudo nos primeiros anos de construção.
“O desafio é transformar essas oportunidades em valor para a economia. O conteúdo local é um instrumento essencial para a diversificação e industrialização, e esse processo exige aprendizagem genuína e efectiva transferência de capacidades”, referiu.
Para os participantes, o workshop proporcionou esclarecimento, aproximação com grandes operadores e acesso directo a ferramentas essenciais para integrar o ecossistema do GNL.
“Este evento foi um divisor de águas, principalmente para percebermos os próximos passos e como definir melhor o ano de 2026. O Standard Bank está de parabéns por organizar um evento inclusivo que permite aos pequenos empreendedores compreender como crescer”, afirmou a empreendedora Mirza Jamal.
Por seu turno, o empresário Inácio Guambe considerou que a sessão permitiu aproximar os principais actores do sector e compreender ferramentas disponíveis para alavancar os negócios das PME. “Pudemos perceber o que é necessário para obter certificações e aceder ao mercado financeiro, aspectos fundamentais, mas ainda limitantes para vários intervenientes”, concluiu.
A 2.ª Edição do Beach Polo Mozambique consolidou-se este sábado, 22 de Novembro, como um dos eventos mais elegantes e emblemáticos do calendário cultural e desportivo da capital. A demonstração da modalidade, realizada na baía de Maputo, evidenciou a capacidade do país para acolher eventos de padrão internacional, reforçando simultaneamente o turismo, o desporto equestre e a projecção da imagem de Moçambique no exterior.
O evento contou com o patrocínio principal do First Capital Bank Moçambique, que este ano assumiu um papel determinante na dinamização do chamado Game of Kings no país. Num ambiente que reuniu desporto, arte, lifestyle e o cenário natural do Oceano Índico, o Beach Polo Mozambique voltou a ser palco de uma experiência única, onde cultura e turismo se cruzam com a tradição equestre.
Num campo adaptado de 50 por 20 metros, instalado directamente sobre a areia, três equipas defrontaram-se em partidas intensas: First Capital Bank, Johnnie Walker Blonde e Corona. O formato todos-contra-todos ofereceu jogos equilibrados e muito disputados. A Johnnie Walker Blonde empatou a três bolas com a Corona no jogo de abertura. Seguiu-se uma vitória expressiva do First Capital Bank sobre a Johnnie Walker Blonde por 4–0. Na partida final, e perante a vibração do público, o First Capital Bank confirmou o título ao vencer a Corona por 3–0.
O plantel reuniu cavaleiros de Angola, África do Sul e Egipto, reforçando o carácter continental do evento. Comentadores internacionais acompanharam os jogos ao vivo, garantindo ritmo, envolvimento e uma experiência próxima dos grandes torneios internacionais.
Mais de 1500 pessoas passaram pelo evento ao longo do dia, incluindo convidados, parceiros institucionais, figuras públicas, artistas, equipas técnicas, fornecedores e público geral, que testemunharam a segunda afirmação desta modalidade na cidade de Maputo.
A Sunset Party prolongou o ambiente festivo e multicultural, reforçando a baía de Maputo como palco privilegiado para iniciativas que unem turismo, entretenimento e cultura. Durante a celebração decorreu um leilão solidário de duas obras do artista plástico Sebastião Coana, que arrecadou 50 mil Meticais, dos quais 75% foram doados à Fundação Esperança Viva, instituição que apoia crianças vulneráveis na província de Nampula. Um gesto que sublinhou a dimensão social e humana do evento.
Para Miguel Proença, representante da Playground, entidade organizadora, “o Beach Polo Mozambique é mais do que uma demonstração desportiva. É uma celebração que junta criatividade, desporto, turismo e a elegância natural da nossa costa. Este evento mostra o que Maputo pode oferecer ao mundo: um ambiente único, seguro e capaz de receber iniciativas de grande impacto”.
O vereador de Educação, Cultura e Desporto do Conselho Autárquico da Cidade de Maputo, Osvaldo Faquir, sublinhou o orgulho da autarquia ao acolher o evento. “O Beach Polo coloca a cidade de Maputo numa rota internacional de desporto e turismo, atrai visitantes e cria oportunidades de dinamização económica”.
Por sua vez, Ana Russo, representante do First Capital Bank, destacou a importância da parceria: “Acreditamos no poder do desporto e da cultura como plataformas de união e desenvolvimento. O Beach Polo Mozambique reflecte os nossos valores e reforça a proximidade do banco com os seus clientes e com o país”.
A edição de 2025 representa um novo passo no posicionamento internacional de Moçambique no universo do Beach Polo, juntando-se a destinos como Dubai, Miami e Cidade do Cabo. A modalidade, tradicionalmente jogada em relvado, reinventa-se na areia e cria um espectáculo de grande impacto visual, onde a velocidade dos cavalos, a técnica dos cavaleiros e a proximidade ao público tornam cada jogo memorável.
O Governo de Macau disse ontem que a edição de 2026 do Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa vai decorrer em Moçambique. “O encontro será realizado em Moçambique no próximo ano”, disse o presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), Che Weng Keong.
Este ano, o encontro empresarial da China e dos países de língua portuguesa decorreu pela primeira vez em Malabo, capital da Guiné Equatorial, durante três dias, no final de Julho. A Guiné Equatorial aderiu oficialmente em Abril de 2022 ao Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau).
Em Julho passado, o IPIM disse num comunicado que o evento tinha reunido “mais de 500 representantes dos Governos e do sector empresarial” da China e dos países de língua portuguesa. De acordo com o IPIM, o encontro contou com “cerca de 40 empresários e representantes económicos e comerciais” da China continental, de Macau e da vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha da Montanha). O evento anual tem sido realizado de forma rotativa nos países de língua portuguesa desde 2005, tendo, no entanto, sido suspenso durante quatro anos, durante a pandemia de Covid-19.
O encontro regressou em 2024, tendo decorrido em Macau e coincidindo com a sexta conferência ministerial do Fórum de Macau, que incluiu a assinatura do plano de acção do organismo até 2027. Num debate no Parlamento local sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) na área da Economia e Finanças para 2026, Che Weng Keong falou ontem também sobre o programa para atrair empresas internacionais para a região.
O Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau foi lançado em 01 de Novembro e a primeira fase de candidatura decorre até ao final de Janeiro de 2026. Na sessão, Che disse que “mais de 500 empresas (…), incluindo marcas de Portugal” já contactaram o IPIM para saber mais sobre o programa, que fornece um apoio de até um milhão de patacas (mais de 100 mil dólares).
A iniciativa foi apresentada em Lisboa e no Porto, no início de Outubro, por responsáveis do IPIM, que realizaram depois apresentações em Madrid e Barcelona. O relatório das LAG aponta como objectivo para 2026 “criar pontos de demonstração que reúnam marcas características dos países lusófonos e hispânicos”. Che Weng Keong defendeu a actuação do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa, dizendo que “tem encorajado empresas [chinesas] a desenvolver operações nesses países”.
O fundo foi criado em 2013 pelo Banco de Desenvolvimento da China e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com mil milhões de dólares. Num comunicado divulgado no domingo pelo Governo de Macau, o fundo assinou em Outubro o primeiro acordo para financiar uma empresa local, neste caso para expand ercado de Timor-Leste.
O anúncio da inauguração da primeira fábrica nacional de processamento de gás de cozinha, previsto para a primeira semana de Dezembro, marca um momento histórico para o sector energético de Moçambique. A unidade, localizada em Inhambane, representa uma aposta estratégica do Estado para reduzir drasticamente a dependência de importações e assegurar o abastecimento interno de gás doméstico.
Produção nacional e menor dependência externa
Com esta nova infraestrutura construída no âmbito de projectos de processamento liderados pela Sasol Petroleum Mozambique o país passará a processar localmente o gás de cozinha (GLP). Isso permitirá uma queda estimada em 75% das importações do produto, oferecendo uma alternativa doméstica mais estável e acessível.
Em recente carregamento experimental, a Sasol já entregou o primeiro lote de gás de cozinha produzido em Moçambique, um marco que comprova a operacionalização da unidade de processamento e antecipa a inauguração oficial.
Impacto económico e industrial: emprego, refinaria e energia
A nova fábrica representa também uma viragem estrutural para a indústria nacional de energia. Estima-se que a unidade produzirá anualmente cerca de 30 mil toneladas de GLP, número que poderá contribuir para estabilizar o mercado interno e evitar rupturas de oferta.
Além do GLP, o projecto integra a produção de gás natural e petróleo leve, com potencial de abastecer a futura central energética prevista no projecto com capacidade para gerar 450 megawatts e ainda permitir exportação de energia e combustíveis, abrindo caminho à industrialização e reduzindo a vulnerabilidade externa do país.
Oportunidades e desafios para o mercado nacional
Para os consumidores domésticos, a produção local de gás poderá significar acesso a preços mais estáveis, menos dependência de importações e maior segurança de abastecimento. Para o Estado e sector privado, abre-se espaço para desenvolvimento de cadeias de valor ligadas à energia, logística, transporte e distribuição com impacto positivo em emprego, receitas fiscais e crescimento económico.
Contudo, este novo paradigma exigirá gestão eficiente, regulação rigorosa e investimento em infraestrutura de distribuição sobretudo para garantir que o gás produzido chegue em tempo útil às áreas urbanas e rurais de Moçambique.
Perspectivas de longo prazo: Moçambique no mapa energético global
A operação da fábrica nacional de gás configura um passo decisivo na estratégia de soberania energética do país. Com o relevante potencial do sector, Moçambique poderá afirmar-se como um actor de peso no panorama africano de energia, transformando reservas em valor real e reduzindo vulnerabilidades estruturais associadas à importação de combustíveis.
Por ocasião da visita oficial do Presidente da República Federativa do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, a convite de Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República de Moçambique, a Cidade de Maputo acolheu o Encontro Empresarial Brasil–Moçambique, uma iniciativa destinada a aprofundar as relações económicas e a promover novas oportunidades de cooperação entre os dois países.
A presença do Presidente Lula da Silva em Moçambique enquadrou-se no reforço da parceria bilateral e na concertação de esforços para impulsionar o desenvolvimento económico de Moçambique, através de acções conjuntas, transferência de conhecimento e dinamização de investimentos estratégicos.
O encontro teve como objectivo central estimular parcerias estratégicas entre empresas moçambicanas e brasileiras, impulsionar o comércio bilateral, identificar oportunidades de investimento e reforçar a colaboração em sectores prioritários para o desenvolvimento económico nacional, tais como agricultura, energia, infra-estruturas, indústria transformadora, formação profissional e tecnologias.
Num dos momentos de maior destaque do evento, procedeu-se à assinatura da Declaração Conjunta entre o IPEME, IP (Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas), o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e a ABC (Agência Brasileira de Cooperação).
Este instrumento tem como finalidade modernizar o IPEME, IP no âmbito da assistência às MPMEs moçambicanas, reforçando a capacidade institucional, promovendo o intercâmbio de boas práticas e consolidando um ecossistema mais robusto e competitivo para o empreendedorismo.
A visita do Presidente Lula da Silva representa um novo impulso na cooperação bilateral, reforçando o diálogo político e económico, a diversificação do investimento directo brasileiro em Moçambique e a dinamização de projectos de interesse mútuo.
O Encontro Empresarial Brasil–Moçambique reafirma, assim, o compromisso de aproximar o sector privado de ambos os países, fomentar um ambiente favorável a novos negócios e consolidar Moçambique como um destino atractivo para o investimento brasileiro.
Os empresários indianos mostram-se dispostos a investir em Moçambique nas áreas de energia, indústria farmacêutica e exploração de gás, com um volume de negócios estimado em cerca de 10 mil milhões de dólares. A intenção foi manifestada nesta terça-feira, durante o Fórum de Negócios entre os dois países, que teve lugar em Maputo.
Com uma relação de cooperação bilateral que remonta à conquista da Independência Nacional, Moçambique e a Índia continuam a evidenciar fortes ambições enquanto parceiros económicos. A indústria farmacêutica, a agricultura e o fornecimento de serviços em projectos de exploração de gás são, segundo o secretário de Estado do Comércio, áreas apetecíveis que podem unir empresários indianos e moçambicanos.
“Moçambique tem cerca de 35 milhões de hectares férteis, sendo um dos poucos países em África e no mundo com esta quantidade de terras cultiváveis. Os nossos índices de produção ainda são extremamente baixos. Moçambique é, como disse o senhor embaixador, um dos grandes exportadores de pó de dhal para a Índia, mas tem capacidade para triplicar esse volume. Também exporta muita castanha, muito gergelim e alguns feijões, mas o potencial é enormíssimo. Convidamos as empresas indianas a virem, de preferência em parceria com os moçambicanos, que é o que também pretendemos, para podermos explorar esse potencial agrícola não só para transformar Moçambique num dos maiores exportadores de produtos, mas também para alcançarmos a auto-suficiência alimentar”, afirmou António do Rosário Grispos, secretário de Estado do Comércio.
O Fórum de Negócios Índia–Moçambique, realizado nesta terça-feira, em Maputo, abriu espaço para a apresentação de oportunidades de investimento entre as partes. A CTA considera que o volume de negócios entre os dois países pode ser significativamente alargado.
Segundo Álvaro Massingue, presidente da CTA, “é hora de elevar esta parceria para um novo patamar. Existe uma complementaridade natural entre duas economias dinâmicas. Moçambique dispõe de 36 milhões de hectares de terras aráveis, recursos hídricos abundantes e uma das costas mais extensas da África Austral. A Índia traz tecnologia agrícola acessível, sistemas modernos de irrigação e experiência consolidada em agro-processamento.”
O Conselho Empresarial da Índia aponta para as indústrias de energia, farmacêutica, exploração mineira e agricultura como as áreas que despertam maior interesse.
“Acredito que existem oportunidades imediatas, a médio e longo prazo em Moçambique, especialmente no sector da saúde. E a saúde é um tema muito amplo: inclui hospitalidade, diagnósticos e indústria farmacêutica há muito por desenvolver. Depois, há a agricultura, começando pela pesca, que envolve toda a cadeia agrícola e a rede de fornecimento: sementes, tecnologia de sementes resistentes a doenças e que requerem menos água. Há muito desenvolvimento técnico a acontecer nesse domínio”, explicou Shivank Goael, presidente do Conselho Empresarial da Índia.
Em 2024, o comércio bilateral entre Moçambique e a Índia ultrapassou os 800 milhões de dólares, impulsionado, sobretudo, pela exportação de produtos agrícolas e de bens de capital.