O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), através do Museu Nacional de Geologia, em coordenação com a Unidade de Gestão do Processo Kimberley, Instituto Nacional de Minas, e o Serviço provincial de Infra-estruturas de Nampula, realizam a VII Edição da Feira Anual de Gemas de Nampula (FAGENA).
Neste contexto, o governo moçambicano anunciou, na cidade de Nampula, a criação de uma plataforma estratégica que reunirá diversos intervenientes do sector mineiro, com o objectivo de encontrar soluções para o combate ao contrabando de minérios e à mineração ilegal no país.
Segundo autoridades, o Estado tem perdido elevadas somas anuais devido ao contrabando, tornando urgente a implementação de medidas coordenadas entre empresas, sector privado e entidades governamentais. “Estamos a criar um espaço de diálogo e cooperação para encontrarmos uma saída colectiva, porque o contrabando não prejudica apenas o Estado, mas todo o sector”, afirmou um representante do governo durante o lançamento da VII Feira Anual de Gemas, evento que decorre ao longo de três dias em Nampula.
A feira, considerada uma montra estratégica dos recursos geológicos da província, reúne especialistas nacionais e internacionais, e tem como objectivo promover os minérios, gemas e geociências locais. “O que apresentamos aqui não é apenas uma feira, é uma visão, a visão de um país que aposta no desenvolvimento através do aproveitamento racional e sustentável dos seus recursos”, acrescentou a fonte.
O evento também foi palco de debates sobre os desafios enfrentados pelo sector na província. Entre os problemas apontados estão os altos custos de investimento, o longo período necessário para implantação de indústrias e a necessidade de formalização de operadores locais, garantindo que a exploração mineral gere valor económico e social para as comunidades.
A VII Feira de Gemas promete ainda estimular parcerias e investimentos, reforçando o compromisso de Moçambique com a transparência, sustentabilidade e crescimento do sector mineiro.
Mais de 5.000 empresas foram capacitadas e 15 milhões de dólares disponibilizados em subvenções, através do Projecto Conecta Negócios iniciativa do Governo de Moçambique coordenada pelo Ministério das Finanças e financiada pelo Banco Mundial.
A iniciativa aposta na certificação, profissionalização e financiamento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), preparando-as para integrarem as cadeias de fornecimento de grandes empreendimentos em Moçambique, com enfoque para o Corredor Logístico de Nacala, província de Nampula, zona norte.
Os dados foram partilhados hoje, em Nampula, por Joel Sauane, especialista de desenvolvimento empresarial do Conecta Negócios na região, no quadro de uma missão de supervisão em curso na província de Nampula, destacando que o projecto já alcançou importantes marcos na sua implementação.
“O processo de capacitações tem a sua coordenação a nível das províncias de Nampula, Tete e Cabo Delgado, que são as prioritárias, com o acompanhamento da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) como entidade co-implementadora do projecto”, disse.
Explicando a filosofia das acções em curso, assegurou que, as formações são estruturadas em duas abordagens: ligações à montante, destinadas às PMEs com potencial de fornecer a megaprojectos, e ligações de consumo, voltadas para microempresas com menor estrutura.
“As PMEs são capacitadas numa primeira fase em gestão de negócios, inclusão de género, competitividade verde e competências digitais. Na segunda fase, passam para o processo de certificação ISO 9001, necessária para fornecer bens e serviços aos megaprojectos, e depois podem concorrer às subvenções”, explicou Sauane.
Segundo a fonte, a meta global é capacitar 9.000 MPMEs, das quais já foram formadas 6.000, das quais 2.900 sediadas em Nampula, onde a meta é de atingir 3.000.
Garantiu que, para apoiar financeiramente estas empresas, estão disponíveis 15 milhões de dólares em subvenções, divididos igualmente em 7,5 milhões para microempresas e 7,5 milhões para PMEs.
Empresários da província de Nampula que participam no programa de capacitações já sentem os benefícios e falam de melhoria de actuação.
Hegínio Mussequece, da Prestígio Construções, falou das suas expectativas. “Aprendemos ferramentas com foco em resultados. A nossa expectativa é conseguirmos certificações que nos permitam participar nos grandes projectos em curso na província de Nampula e não só. Pretendemos concorrer para a subvenção para alavancar o nosso negócio com aquisição de equipamentos”, disse.
Linda Nhalate, que actua no ramo de mariscos em Nampula e Mongicual, elogia a componente de gestão aprendida nas formações. “Vai-nos ajudar a implementar procedimentos administrativos mais profissionais, e isso fará a empresa crescer. Esperamos continuar a expandir e recrutar mais jovens”. A sua empresa conta com 12 trabalhadores fixos e 40 sazonais.
Com execução prevista até 2027, o Conecta Negócios é um projecto estruturante, que visa preparar as MPMEs moçambicanas para concorrerem em mercados mais exigentes, posicionando-as como parceiras estratégicas do desenvolvimento económico nacional.
Kenmare Resources distinguida com o Prémio Padrão-Ouro de Excelência em Transparência
A Sasol Petroleum Temane foi consagrada vencedora da 5ª edição do Índice de Transparência no Sector Extractivo (ITSE), com uma pontuação de 73,68%, classificando-se com desempenho “Bom” e destacando-se pela sua transparência quase perfeita nas componentes Social e Ambiental.
A cerimónia de premiação, realizada em Maputo, reuniu representantes de empresas mineiras e petrolíferas, autoridades reguladoras, parceiros de desenvolvimento e organizações da sociedade civil, num evento que reafirmou o compromisso do sector com a boa governação, a ética corporativa e a sustentabilidade ambiental.
O ITSE, iniciativa que avalia anualmente o grau de transparência e responsabilidade das empresas que operam no sector extractivo moçambicano, reconheceu ainda a Kenmare Resources plc. com o Prémio Padrão-Ouro de Excelência em Transparência 2025, a mais alta distinção atribuída pelo índice. Esta categoria é reservada à empresa que, ao longo do tempo, demonstra um desempenho consistentemente superior, tornando-se referência e benchmark para todo o sector.
Em segundo lugar, com 73,24%, ficou a Montepuez Ruby Mining (MRM), cujo desempenho foi descrito como “extremamente sólido e equilibrado”. O reconhecimento reforça a capacidade da empresa em implementar práticas de transparência e responsabilidade social num dos segmentos mais sensíveis e complexos da indústria mineira, o das gemas preciosas.
O terceiro lugar foi atribuído à Twigg Exploration & Mining, Lda, que obteve 62,40%, também com classificação “Bom”. A empresa destacou-se pelo seu forte desempenho em Governação Corporativa e Responsabilidade Social, consolidando a sua presença entre as mais comprometidas com as boas práticas de gestão e comunicação no sector extractivo.
Prémios Especiais e Menções
O Prémio Especial de Transparência Ambiental 2025 foi igualmente conquistado pela Sasol Petroleum Temane, em reconhecimento pelo seu esforço na divulgação clara e detalhada dos seus impactos e práticas ambientais, uma dimensão que, segundo os avaliadores, continua a apresentar um dos piores desempenhos médios do sector.
Por outro lado, o Prémio Fóssil da Opacidade 2025, uma distinção irónica que expõe as empresas mais resistentes à transparência e que registam retrocessos significativos, foi atribuído à Vulcan Resources. A entidade foi considerada o caso mais grave de estagnação, tendo, segundo o ITSE, regredido em transparência e compromisso institucional, apesar da sua relevância económica e operacional no país.
A Menção Honrosa “Salto Quântico em Transparência 2025” foi igualmente para a Sasol Petroleum Temane, pela sua evolução qualitativa e mudança de postura, traduzida em melhorias expressivas nos indicadores de comunicação pública, sustentabilidade e governação.
Compromisso com a transparência e o desenvolvimento sustentável
O ITSE reafirma-se, assim, como uma ferramenta de monitoria e incentivo à boa governação corporativa, ao promover um ambiente empresarial baseado na confiança, na prestação de contas e na partilha pública de informação.
A edição de 2025 reflecte um avanço progressivo na cultura de transparência no sector extractivo moçambicano, ainda que persistam desafios estruturais, sobretudo na divulgação de dados ambientais e na responsabilização pública das empresas.
Com esta premiação, Moçambique reafirma a importância da transparência como pilar do desenvolvimento sustentável, da atracção de investimento responsável e da consolidação da confiança entre empresas, Estado e comunidades locais.
O Absa Bank Moçambique foi distinguido com o prémio de “Melhor Banco em Experiência do Cliente” pela revista internacional Euromoney, no âmbito da edição de 2025 dos Awards for Excellence.
A distinção reconhece instituições financeiras que se destacam pela excelência, inovação e consistência no relacionamento com os seus clientes, reforçando o posicionamento do banco como referência no panorama bancário nacional e regional.
Em comunicado, o Absa afirma que a distinção “reforça o compromisso do Banco com a excelência no atendimento e a sua estratégia de colocar o Cliente no centro de todas as decisões.” “A distinção reflecte ainda os esforços contínuos da instituição na aposta em soluções que aliam tecnologia, personalização e acessibilidade, com vista a melhorar a experiência do utilizador”, assinala o documento.
Citada na mesma nota, a directora de Banca de Retalho do Absa Bank Moçambique, ressalvou que: “esta distinção é um orgulho para toda a família Absa”. “Estamos profundamente honrados por este reconhecimento atribuído pela revista Euromoney. Ela reflecte o empenho, a dedicação e a paixão das nossas equipas em proporcionar experiências marcantes aos nossos Clientes. No Absa, acreditamos que cada interacção é uma oportunidade para surpreender e fortalecer relações de confiança”, afirmou Denise Cruz.
De acordo com a fonte, com uma estratégia centrada na inovação e na digitalização dos serviços, o banco tem vindo a investir em plataformas digitais intuitivas, no reforço dos canais de atendimento e em programas de capacitação orientados para a melhoria contínua da experiência do cliente. “Estes investimentos visam consolidar uma cultura de empatia, escuta activa e excelência operacional.”
Moçambique e South32 mantêm negociações sobre o futuro da MOZAL, mas incerteza energética ameaça continuidade da operação Maior indústria transformadora do país poderá suspender actividades em Março de 2026, caso não se garanta fornecimento eléctrico estável e acessível.
A multinacional australiana South32, detentora da Mozal, confirmou que continua em negociações com o Governo de Moçambique, no sentido de assegurar a continuidade das operações da fundição de alumínio, considerada o maior empregador industrial do país. Contudo, a empresa admite que, caso não se chegue a um entendimento até Março de 2026, a actividade será suspensa temporariamente.
“Apesar dos nossos esforços, as negociações não evoluíram ao ponto de garantir um fornecimento suficiente e a preços acessíveis de energia eléctrica para além de Março de 2026”, lê-se no relatório trimestral divulgado esta terça-feira (21 de Outubro) pela South32. O documento acrescenta que, sem o fornecimento necessário, a Mozal “será colocada em regime de manutenção e conservação no final do actual contrato”.
A companhia indica que mantém contactos “activos e permanentes” com o Governo de Moçambique, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a empresa sul-africana Eskom, responsável pela compra de energia à HCB e venda à Mozal. O objectivo, segundo a mineradora, é “garantir um acordo de fornecimento suficiente e financeiramente viável”, capaz de assegurar a sustentabilidade da operação.
Produção em alta, mas futuro incerto
O relatório revela que a produção vendável da Mozal aumentou 3% no terceiro trimestre de 2025, totalizando 93 mil toneladas de alumínio, operando “próxima da sua capacidade técnica máxima”. No entanto, a empresa interrompeu em Agosto o processo de revestimento das cubas de fundição, devido à incerteza quanto ao fornecimento eléctrico após Março de 2026.
Para o exercício fiscal de 2026, a previsão de produção mantém-se em 240 mil toneladas, baseada na continuidade das operações até ao termo do contrato de fornecimento de energia.
Governo garante empenho e diálogo
O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, assegurou em conferência de imprensa, no final de Agosto, que o Governo “continuará a valorizar a Mozal e a negociar condições que garantam a sua permanência no país, salvaguardando os interesses de ambas as partes”.
Impissa confirmou que o Executivo está ciente dos riscos associados à situação, incluindo o cancelamento de contratos com fornecedores e as implicações para o emprego, mas sublinhou que “esses constrangimentos não resultam directamente das negociações em curso”.
A Mozal anunciou em Agosto a redução de investimentos e o despedimento de empreiteiros contratados, mantendo apenas as operações essenciais até Março. Dias depois, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) denunciou o cancelamento súbito de contratos com cerca de 20 empresas nacionais, afectando pelo menos mil trabalhadores.
Importância económica e desafios energéticos
A Mozal representa quase metade do consumo de energia produzida em Moçambique e contribui com cerca de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do seu peso económico, o Governo considerou recentemente “extremamente baixa” a contribuição fiscal da empresa, manifestando intenção de rever os acordos vigentes.
O fornecimento eléctrico à Mozal é assegurado pela Eskom da África do Sul, que compra 66% da produção da HCB. No entanto, o Executivo moçambicano pretende reverter esta dependência e repatriar parte da energia actualmente exportada, no âmbito da Estratégia de Transição Energética até 2050, que prevê que, a partir de 2030, a energia de Cahora Bassa seja prioritariamente destinada ao consumo interno.
Contexto e impacto nacional
O possível encerramento da Mozal teria fortes repercussões económicas e sociais, afectando milhares de empregos directos e indirectos e reduzindo a arrecadação fiscal. Localizada nos arredores de Maputo, a fundição é considerada um pilar da indústria transformadora nacional e símbolo da cooperação económica entre Moçambique e a Austrália.
Apesar da incerteza, a South32 reafirmou a sua “vontade de permanecer em Moçambique” e de “trabalhar com todas as partes interessadas para encontrar uma solução sustentável que garanta o futuro da Mozal”.
Fontes: South32 / Lusa / Conselho de Ministros / CTA
Negócio cria o segundo maior engarrafador da Coca-Cola no mundo e reforça presença em 14 países africanos, incluindo Moçambique
A multinacional Coca-Cola Hellenic Bottling Company (HBC), com sede na Suíça, anunciou esta terça-feira a aquisição de 75% do capital da Coca-Cola Beverages Africa (CCBA), num negócio avaliado em 2,6 mil milhões de dólares, consolidando-se como o segundo maior parceiro engarrafador da Coca-Cola no mundo em volume de bebidas.
O acordo inclui a compra da participação de cerca de 42% detida pela The Coca-Cola Company (EUA) e da totalidade das ações da Gutsche Family Investments (GFI), valorizando a CCBA em cerca de 3,4 mil milhões de dólares, de acordo com informações divulgadas pelas empresas.
Com esta transação, a Coca-Cola HBC passa a deter controlo sobre as operações da CCBA, que atua em 14 países africanos, incluindo Moçambique, África do Sul, Quénia, Etiópia, Uganda, Namíbia, Tanzânia, Botswana, Zâmbia, Eswatini, Lesoto, Malawi e as ilhas Comores e Mayotte.
Segundo o banco de investimento J.P. Morgan, o grupo resultante da fusão representará dois terços do volume total de bebidas da Coca-Cola em África, cobrindo mais de metade da população do continente e engarrafando marcas de grande consumo como Fanta, Sprite, Coca-Cola e Monster.
Expansão e crescimento sustentável
De acordo com o Director Executivo da Coca-Cola HBC, Zoran Bogdanovic, a aquisição “é sobre crescimento e compromisso com África”, sublinhando que o continente representa uma das regiões com maior potencial de expansão, impulsionado por uma população jovem e crescente urbanização.
Por sua vez, o Director de Operações da The Coca-Cola Company, Henrique Braun, afirmou que a Coca-Cola HBC “é um parceiro sólido e valorizado que irá conduzir o próximo capítulo de crescimento da CCBA”.
A transação, considerada uma das maiores no sector de bens de consumo em África, visa fortalecer a posição estratégica da Coca-Cola HBC nos mercados emergentes, enquanto o grupo procura compensar a perda de volume resultante da sua saída da Rússia em 2022.
Reforço de presença em África e novos investimentos
A Coca-Cola HBC pretende realizar uma listagem secundária na Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE), reforçando o seu compromisso com a região e assegurando uma maior integração com os mercados locais. O grupo também dispõe de uma opção de compra dos 25% restantes da CCBA detidos pela The Coca-Cola Company, num prazo de até seis anos.
A CCBA, fundada em 2014, é atualmente o maior engarrafador autorizado da Coca-Cola em África e o oitavo maior do mundo em receitas. Emprega mais de 14 mil trabalhadores e abastece cerca de 800 mil clientes no continente, sendo responsável por mais de 40% das bebidas prontas para consumo da Coca-Cola em África.
Contexto económico e perspectivas
A Coca-Cola HBC mantém-se como um dos principais engarrafadores nos mercados emergentes da Europa e África, onde nenhuma operação individual representa mais de 20% do volume de vendas. O grupo pretende aproveitar o crescimento económico africano e o aumento do consumo de bebidas não alcoólicas para expandir o seu portefólio e diversificar as suas fontes de receita.
De acordo com o comunicado oficial, o negócio reafirma o papel estratégico de África no futuro do sistema Coca-Cola, ao promover a industrialização, criação de emprego e transferência de conhecimento em vários países do continente, entre os quais Moçambique, onde a Coca-Cola Beverages Mozambique desempenha um papel central na cadeia de valor e na dinamização da economia local.
Exportação de gás impulsiona a redução do défice externo A EXPORTAÇÃO do Gás Natural Liquefeito (GNL) do Rovuma, em Cabo Delgado, continua a catalisar a redução do défice externo de Moçambique, que no primeiro trimestre de 2025 caiu em 15 por cento. Dados mais recentes do relatório do Banco de Moçambique (BdM) sobre a balança de pagamentos mostram uma evolução positiva das contas externas do país, embora a importação continue a suplementar as vendas no exterior.
Nos primeiros três meses do ano, as transações correntes com o resto do mundo resultaram num défice de cerca de 580 milhões de dólares, o que corresponde a uma melhoria de pouco mais de 100 milhões em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o banco central, essa evolução deve-se, sobretudo, ao aumento das receitas de exportação, que cresceram quase cinco por cento, para um total próximo de 1,9 mil milhões de dólares, e à redução dos custos com importações, que caíram em torno de sete por cento. Outro factor que contribuiu para a melhoria foi a diminuição da saída de capitais sob a forma de lucros e dividendos das grandes empresas. No primeiro trimestre registou-se uma queda de quase 25 por cento nas transferências ao exterior.
O BdM explica que mesmo quando se excluem os grandes projectos, o desempenho continua a melhorar. O défice da conta corrente, sem estas operações, caiu em cerca de 45 por cento, reflexo do crescimento de algumas exportações do sector não extractivo e da contenção nas importações. As exportações totais foram de 1852 milhões de dólares, um aumento de 86 milhões em relação a 2024.
Esta variação das receitas tem como destaque, também, a venda do alumínio, que subiu 73 por cento. Por seu turno, os produtos tradicionais, segundo o BdM, registaram um decréscimo de 14 milhões, com ênfase para a agricultura, que teve uma queda de 29 por cento.
Ainda em queda está o Carvão mineral, que rendeu menos 35 por cento, explicada pela paralisação de algumas minas e à queda do preço médio desta mercadoria no mercado internacional. Anota ainda as restrições na disponibilidade de água no rio Zambeze, que, também, influenciou para a pouca exportação de energia eléctrica aos países receptores, fixando-se numa redução de 34 por cento.
Os reguladores de energia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) defenderam, esta segunda-feira, em Maputo, a necessidade de reforçar a cooperação e o planeamento energético entre os Estados-membros, com vista a mitigar os cortes de energia resultantes da insegurança no abastecimento.
Falando na abertura da Semana da Energia e Clima da CPLP, que decorre até sexta-feira na capital moçambicana, o director executivo da Associação dos Reguladores de Energia de Língua Portuguesa (RELOP), Artur Trindade, sublinhou que a segurança do fornecimento deve ser uma prioridade comum.
“Todos nós, de diferentes países, estamos preocupados com a segurança do abastecimento de energia. É fundamental garantir não apenas preços justos, mas também que a energia chegue em quantidade suficiente, a todas as horas, para as empresas e famílias”, afirmou.
O encontro reúne representantes governamentais, reguladores, financiadores, empresas e especialistas em energia e clima, contando com a participação de 29 oradores, delegações de nove países lusófonos e cerca de 120 participantes.
Segundo Trindade, os recentes episódios de apagões em alguns países da CPLP demonstram a urgência de reforçar o planeamento conjunto e os mecanismos de segurança no fornecimento. “Quando há cortes de energia, isso significa que a segurança do abastecimento não foi garantida. Devemos cooperar para que os critérios de planeamento incluam esta dimensão essencial”, destacou.
O responsável apelou ainda ao aumento do investimento privado como via para acelerar a transição energética, num contexto em que o investimento público continua a dominar o sector.
A Semana da Energia e Clima da CPLP é organizada pela Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER) e pela RELOP, entidades que defendem um maior protagonismo da comunidade no debate global sobre energia e clima.
A presidente da ALER, Mayra Pereira, reforçou que a CPLP deve “afirmar-se como um bloco estratégico, dinâmico e coeso, com uma narrativa própria e uma voz activa nas agendas internacionais de financiamento climático”. Segundo a dirigente, a CPLP “tem tudo o que é necessário para se fazer ouvir, representa mais de 300 milhões de pessoas e partilha uma identidade comum”.
Durante o evento, Moçambique apelou ao reforço da cooperação técnica e à promoção da investigação no seio da CPLP, de modo a enfrentar os desafios impostos pela transição energética e pelas alterações climáticas.
O país é considerado um dos mais vulneráveis do mundo aos impactos climáticos, enfrentando inundações e ciclones tropicais recorrentes durante a época chuvosa.
Entre 2000 e 2023, Moçambique registou mais de 75 eventos climáticos extremos, que resultaram em perdas económicas superiores a 3,8 mil milhões de euros, segundo dados do Governo. Recentemente, as autoridades aprovaram o plano de contingência para a época chuvosa 2025/2026, que poderá afectar até 1,2 milhão de pessoas, embora os recursos disponíveis cubram menos de metade dos 14 mil milhões de meticais (cerca de 190 milhões de euros) necessários.
Em Setembro, o Governo moçambicano alertou para o risco de cheias em larga escala e a inundação de cerca de quatro milhões de hectares de terras agrícolas, num cenário que reforça a urgência da cooperação energética e ambiental no espaço lusófono.
A economia moçambicana apresenta sinais de estabilização no primeiro semestre de 2025, após um período de ajustamento marcado pela redução do crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB), que caiu de -3,9% para -0,9%, segundo os mais recentes indicadores macroeconómicos divulgados pelas autoridades nacionais.
De acordo com os dados do INE, o PIB total atingiu 22,42 mil milhões de dólares norte-americanos até Dezembro de 2024, representando um ligeiro aumento face aos 20,95 mil milhões registados no período anterior. A preços constantes, a economia movimentou 297,7 mil milhões de meticais, o que reflecte uma recuperação moderada em alguns sectores estratégicos.
Entre os ramos de actividade com melhor desempenho destacam-se as indústrias extractivas, que cresceram para 44,8 mil milhões de meticais, impulsionadas pela produção de gás e carvão mineral. O sector agrícola, principal fonte de sustento para a maioria da população, manteve uma trajectória positiva, atingindo 91,4 mil milhões de meticais no segundo trimestre de 2025.
Já os serviços e transportes registaram uma retoma significativa, movimentando 22,2 mil milhões e 24,4 mil milhões de meticais, respectivamente, fruto da expansão das actividades logísticas e do aumento das ligações comerciais regionais.
Contudo, outros sectores, como a construção e a energia, continuam sob pressão, com ligeiras retrações atribuídas à redução dos investimentos públicos e à desaceleração dos grandes projectos de infra-estrutura.
O PIB per capita fixou-se em 604 dólares, ligeiramente abaixo dos 610 registados em 2023, enquanto o PIB per capita ajustado pela paridade do poder de compra (PPP) atingiu 1.495 dólares.
Apesar do crescimento modesto, analistas consideram que a economia moçambicana demonstra resiliência, sustentada pela estabilidade dos preços e pelo reforço das exportações. As previsões apontam para uma recuperação gradual até ao final de 2025, impulsionada pela retoma dos investimentos na indústria transformadora, energia e agricultura comercial. Com a confiança dos investidores em processo de reconstrução e o reforço das políticas de estabilidade macroeconómica, Moçambique procura consolidar as bases para um crescimento mais sustentável e inclusivo nos próximos anos.
Executivos seniores do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) reuniram-se recentemente, em Washington, D.C., com a Ministra das Finanças, Carla Alexandra Oreste do Rosário Fernandes Loveira, à margem das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2025.
O encontro, liderado pelo Vice-Presidente Executivo Sénior, Denys Denya, e pelo Vice-Presidente Executivo e Presidente nomeado, Dr. George Elombi, visou explorar novas oportunidades para acelerar a transformação económica de Moçambique, com enfoque nos sectores da energia, agronegócio, zonas de exportação e turismo.
Durante a reunião, o Afreximbank reafirmou o seu compromisso em mobilizar capital e prestar assistência técnica a projetos nacionais estratégicos, considerados essenciais para o crescimento sustentável do país.
Como sinal do reforço da parceria, o Banco anunciou a realização de uma missão de alto nível a Maputo, em novembro próximo, destinada a alinhar um portfólio de projectos avaliado em mais de 40 mil milhões de dólares norte-americanos.
A iniciativa insere-se no esforço contínuo do Afreximbank em impulsionar o investimento, a industrialização e o desenvolvimento inclusivo em Moçambique, consolidando o papel da instituição como parceiro estratégico no progresso económico do continente africano.