A Associação Industrial de Moçambique (AIMO) anunciou a realização da 3.ª edição da TWF Continental Welding Competition (TWF CWC), um evento de dimensão continental que visa valorizar, testar e elevar as competências técnicas dos soldadores africanos, promovendo a excelência na formação profissional e na prática industrial.
A competição decorrerá de 22 a 25 de Março de 2026, na cidade de Maputo, e integra a 4.ª Assembleia Anual da The Welding Federation (TWF), reunindo soldadores, centros de formação técnica, especialistas internacionais e empresas do sector industrial, num espaço de aprendizagem, partilha de conhecimento e reforço das redes profissionais a nível africano.
Segundo a AIMO, esta terceira edição permitirá igualmente destacar a qualidade dos sistemas de formação técnica existentes no continente, ao mesmo tempo que promove o aprofundamento das metodologias de treino prático, através da troca de experiências, observações técnicas e contributos directos de profissionais da área da soldadura.
A competição será disputada em três categorias técnicas, nomeadamente GTAW + SMAW, SMAW e GMAW, reflectindo os principais processos utilizados na indústria moderna.
A AIMO convida empresas industriais, centros de formação profissional e especialistas em soldadura a participarem neste evento continental, reafirmando o compromisso com a qualificação técnica, a empregabilidade e o desenvolvimento industrial sustentável em Moçambique e em África.
Mais informações sobre o evento e o processo de inscrição estão disponíveis no portal oficial: www.twfassembly2026.org.
Memorando entre M-Pesa e GIZ reforça a inclusão digital e desenvolvimento económico em Moçambique
A Vodafone M-Pesa Moçambique e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit-GIZ formalizaram recentemente, um memorando de entendimento que marca um passo significativo no fortalecimento da inclusão financeira e do desenvolvimento económico no país.
A assinatura do documento reuniu representantes das organizações e parceiros do sector financeiro e tecnológico, consolidando um esforço conjunto em prol da inovação e do impacto social. O Memorando estabelece uma parceria de longo prazo voltada para o desenvolvimento de soluções financeiras digitais adaptadas às necessidades das comunidades rurais, pequenos agricultores, micro e pequenas empresas, mulheres e jovens.
Entre os objectivos principais, destaca-se a criação de produtos e serviços financeiros inovadores, a implementação de iniciativas de educação financeira e a ampliação do acesso a serviços digitais, utilizando a extensa rede de agentes e comerciantes do M-Pesa para alcançar áreas tradicionalmente pouco atendidas.
“A assinatura deste Memorando representa um marco importante na nossa missão de expandir o acesso a serviços financeiros digitais em todo o país. Nosso compromisso é criar soluções que promovam a inclusão, a capacitação e oportunidades para as comunidades que historicamente enfrentam barreiras ao desenvolvimento económico.” Sérgio Gomes, Director-Geral da Vodafone M-Pesa Moçambique, destacou.
O acordo incorpora também o conceito de Aldeia Digital, que servirá como quadro unificador para as iniciativas, oferecendo uma abordagem integrada que conecta tecnologia, educação e serviços financeiros. Essa visão pretende empoderar as comunidades, promovendo a autonomia económica e estimulando o crescimento sustentável em regiões rurais do país.
“A cooperação com o M-Pesa demonstra como a parceria entre o sector privado e a cooperação internacional pode gerar impacto. Estamos confiantes de que esta iniciativa irá transformar o acesso a serviços financeiros, fortalecendo as micro e pequenas empresas, contribuindo para o desenvolvimento económico e social do país.”
Silke Hansen- Directora de Programas de Desenvolvimento do Sector Privado e Financeiro da GIZ. A parceria também prevê fases de teste-piloto para avaliar a relevância e escalabilidade dos novos produtos financeiros, assegurando que cada solução seja adaptada às necessidades locais. Além do impacto económico, o Memorando reforça o compromisso das organizações com a inovação social e a construção de capacidades.
Espera-se que os projectos resultantes desta parceria sirvam de referência para futuras iniciativas de inclusão financeira e digital, criando um efeito multiplicador que alcance comunidades em diferentes regiões do país.
A comunidade de directores financeiros em Moçambique dá um passo decisivo no fortalecimento das redes de liderança corporativa, ao integrar-se formalmente à plataforma Executive Communities. A iniciativa, liderada pela moçambicana Huruda de Castro, torna-se a primeira comunidade não anglófona do grupo, marcando um avanço significativo na expansão para países lusófonos.
A partir de janeiro de 2026, a Executive Communities passa a operar uma comunidade dedicada aos líderes financeiros nacionais, combinando a visão estratégica da equipa internacional com a experiência e conhecimento local de Huruda de Castro, que assume a gestão da plataforma no país. Pela primeira vez, o portal, a revista e os debates promovidos nos eventos serão realizados em língua portuguesa, ampliando o alcance e a inclusão dos executivos moçambicanos.
“Estamos extremamente entusiasmados com o lançamento desta nova comunidade no belo país que é Moçambique, num momento em que a Executive Communities reforça a sua presença no continente africano”, afirmou Joël Roerig, director-geral da organização. Para Roerig, o dinamismo demonstrado pelos executivos de finanças, recursos humanos e tecnologia na África Austral e Oriental tem estimulado novas iniciativas. “Encontrar a Huruda como parceira, com profundo conhecimento do contexto local, é uma enorme mais-valia.”
A preparação desta nova fase contou com um impulso adicional, desde agosto de 2024, Huruda vinha reunindo CFOs em Maputo sob a designação CFO Forum Moçambique, inspirada na bem-sucedida experiência sul-africana. O trabalho desenvolvido naquele período criou as bases ideais para o lançamento oficial da comunidade no próximo ano.
“Pelas inúmeras conversas que tenho tido com CFOs do país, fica claro que uma comunidade bem estruturada trará benefícios significativos aos profissionais, às empresas e à economia nacional”, sublinhou Huruda de Castro, destacando o valor da parceria com especialistas da Executive Communities. “Estamos a criar algo que realmente fará diferença, e estou ansiosa por contribuir para que a CFO Moçambique seja um sucesso.”
O portal oficial da CFO Moçambique será disponibilizado ao público em fevereiro, antecedendo o CFO Summit, marcado para 12 de março, em Maputo. Estão igualmente previstos outros encontros em maio e agosto, além da publicação de uma revista especializada. Georgina Guedes, responsável pelo crescimento e governance da Executive Communities e que participou no primeiro CFO Forum Moçambique irá desempenhar um papel chave na implementação do programa no país.
“Na Executive Communities acreditamos no poder transformador das comunidades profissionais”, afirmou Georgina, destacando o compromisso do grupo em impulsionar conhecimento, redes de contacto e carreiras de executivos através de eventos, conteúdos e interações de elevado rigor. “Com presença na África do Sul, Quénia, Tanzânia, Uganda e Ruanda, a chegada a Moçambique reforça o nosso compromisso inabalável com a construção de comunidades executivas.”
Os executivos financeiros moçambicanos interessados em integrar esta nova plataforma podem contactar Huruda de Castro através do endereço hcastro@exco.org.
O Governo, a União Europeia, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua acabam de lançar a segunda fase do projecto “+Emprego II”, uma iniciativa destinada a reforçar a formação profissional, o empreendedorismo juvenil e a criação de oportunidades de emprego digno nas províncias de Cabo Delgado e Nampula.
Com um investimento de 8,5 milhões de euros (637,5 milhões de meticais), sendo 6,5 milhões financiados pela União Europeia e dois milhões co-financiados pelo “Camões”, que também assegura a gestão do “+Emprego II”, o projecto duplica o orçamento da primeira etapa.
Na cerimónia em Nampula, Ilaria Vanzin, representante da Delegação da União Europeia em Moçambique, destacou o projecto como sendo “um dos pilares da abordagem Team Europe, alinhado com a Estratégia Global Gateway, que privilegia o investimento em infra-estruturas, conectividade e capacitação de jovens para responder às exigências das transições verde e digital”.
Jorge Monteiro, embaixador de Portugal em Moçambique, salientou a importância estratégica da intervenção em Nampula: “Portugal está muito atento à realidade moçambicana e aos desafios que o país enfrenta. Nampula é, hoje, a província com maior crescimento populacional em termos nacionais, o que cria uma enorme pressão sobre o emprego, a educação e a saúde.”
No evento de lançamento do projecto foram assinados acordos de parceria entre o “Camões” e três dos onze parceiros moçambicanos do projecto, designadamente com o Instituto Nacional de Emprego (INEP), Instituto Industrial e Comercial de Pemba (IICP) e Instituto Médio Politécnico da Ilha de Moçambique (IMPIM).
A directora dos Serviços Centrais de Emprego do INEP, Sandra Alfeu Menete, afirmou que a segunda fase nasce das lições aprendidas num contexto desafiante: “O +Emprego I exigiu que o INEP se reinventasse, mantendo os resultados, apesar da saída dos megaprojectos em Cabo Delgado.”
A mais recente pesquisa da KPMG sobre o desempenho do sector bancário moçambicano, referente ao exercício de 2024, revela um cenário marcado por crescimento dos depósitos, reforço da solvabilidade e melhoria gradual da rentabilidade, apesar de desafios persistentes relacionados ao crédito malparado e à eficiência operacional. À semelhança de relatórios anteriores, o estudo detalha a evolução individual das principais instituições financeiras do país, apresentando rankings sobre depósitos, lucros, retorno sobre fundos próprios, eficiência, rácio de crédito vencido e duvidoso, bem como rácio de solvabilidade.
O setor bancário registou um aumento significativo no volume total de depósitos, passando de 634,4 mil milhões de meticais em 2023 para 715,4 mil milhões de meticais em 2024. O BCI — Banco Comercial e de Investimentos, SA, e o BIM — Banco Internacional de Moçambique, SA mantêm a liderança, com depósitos acima de 180 mil milhões de meticais cada, reforçando a sua posição dominante no mercado, enquanto o Standard Bank Moçambique segue na terceira posição, também com crescimento expressivo. Este aumento global evidencia a recuperação da confiança dos depositantes e um ambiente económico relativamente estável, apesar das pressões inflacionárias e do abrandamento da economia global.
No que toca a lucros, as instituições bancárias apresentaram um resultado agregado de 20,6 mil milhões de meticais em 2024, superando os 19,9 mil milhões registados em 2023. O Standard Bank lidera o ranking com mais de 6,1 mil milhões de meticais, seguido pelo BCI e pelo BIM, refletindo maior eficiência na gestão de ativos, expansão do crédito e controlo rigoroso dos custos operacionais.
No indicador de retorno sobre o capital próprio (ROAE), o destaque vai para o First Capital Bank, que alcançou uma rentabilidade de 45,19%, superando largamente a média do setor, situada em 13,91%. Outras instituições que se destacam incluem o United Bank for Africa (UBA) com 22,72%, Nedbank Moçambique com 19,78% e o BCI com 19,14%, mostrando capacidade de gerar lucros consistentes a partir dos seus recursos próprios, num ambiente ainda desafiante.
Apesar dos resultados positivos em rentabilidade, a eficiência operacional continua a representar um desafio. O rácio de eficiência, que compara custos com rendimentos, situou-se em 57,65%, ligeiramente melhor que em 2023. O Banco Letshego apresentou o melhor desempenho, com 18,76%, seguido do First Capital Bank, demonstrando elevada capacidade de gestão de custos. No entanto, algumas instituições registraram rácios acima de 80% e até 100%, evidenciando a necessidade de reestruturação e digitalização para reforçar a competitividade.
O crédito malparado permanece como uma preocupação para o setor, com o rácio de crédito vencido e duvidoso a subir para 9,70%, acima dos 8,66% registados no ano anterior. Este aumento reflete pressão sobre a capacidade de pagamento dos clientes, sobretudo empresas. Microbanco Confiança (1,24%), Standard Bank (2,33%) e FNB Moçambique (2,34%) apresentaram os melhores indicadores, enquanto algumas instituições ultrapassaram os 12% a 22%, representando riscos para a estabilidade financeira e exigindo maior rigor na concessão de crédito.
Quanto à solvabilidade, que mede a capacidade dos bancos de suportar perdas e honrar compromissos, os resultados mostram robustez do setor. A média ponderada subiu para 26,11%, muito acima dos mínimos exigidos pelo Banco de Moçambique. O BIG — Banco de Investimento Global apresentou a solvabilidade mais elevada, com 355%, refletindo baixa exposição ao risco e uma carteira de investimentos conservadora, seguido do Banco Mais (193%), Bayport Financial Services (149%) e UBA (137%).
Em conclusão, a pesquisa da KPMG confirma que o setor bancário moçambicano continua resiliente e em trajetória de crescimento, apesar das pressões económicas externas e internas. Entre os pontos fortes destacam-se o aumento expressivo dos depósitos, lucros consistentes, elevada solvabilidade e boa rentabilidade em instituições chave. Já os desafios persistentes incluem o crescimento do crédito malparado, eficiência operacional ainda baixa em vários bancos e forte concentração nos maiores players do mercado. O estudo indica que a modernização tecnológica, melhoria da gestão de risco e diversificação dos serviços serão determinantes para consolidar a sustentabilidade do setor nos próximos anos.
O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) voltou a liderar, em 2024, o ranking das instituições financeiras que operam em Moçambique, tanto em activos totais como em empréstimos e adiantamentos, segundo dados consolidados do sector bancário nacional.
De acordo com o relatório de desempenho das instituições financeiras divulgado pela KPMG, o BCI encerrou o ano com 231,6 mil milhões de meticais em activos, seguido do Banco Internacional de Moçambique (Millennium bim), com 207,9 mil milhões de meticais, e do Standard Bank, que ocupa a terceira posição, com 78,5 mil milhões de meticais.
No total, o sector bancário registou 988,4 mil milhões de meticais em activos, cifra que representa uma ligeira variação em relação aos 983,2 mil milhões registados em 2023, indicando estabilidade na estrutura de activos das principais instituições financeiras.
Crédito à economia cresce, com BCI, Millennium bim e Standard Bank na dianteira
No segmento de empréstimos e adiantamentos, o BCI mantém igualmente a liderança, com um volume de 78,2 mil milhões de meticais, seguido pelo Millennium bim, que movimentou 45,3 mil milhões, e pelo Standard Bank, com 32,6 mil milhões de meticais.
O total de crédito concedido pelo sector bancário atingiu 291,9 mil milhões de meticais, comparativamente aos 289 mil milhões registados em 2023, reflectindo um ligeiro crescimento, apesar do ambiente económico desafiante e dos riscos associados ao financiamento empresarial.
Instituições de média dimensão reforçam presença
O relatório evidencia ainda o desempenho de bancos de média dimensão, como o Moza Banco, Nedbank Moçambique, First Capital Bank e Access Bank, que apresentaram níveis de activos acima de 20 mil milhões de meticais, consolidando a sua presença no mercado e contribuindo para maior diversidade na oferta de serviços financeiros.
No domínio do crédito, o Bayport Financial Services, o Banco Letshego, o United Bank for Africa (UBA) e o Vista Bank mantiveram posições relevantes no apoio ao consumo e ao financiamento de actividades produtivas, reflectindo um sector cada vez mais dinâmico e competitivo.
Estabilidade e resiliência dominam o comportamento do sector
Apesar dos desafios macroeconómicos, marcada por volatilidades externas e constrangimentos de liquidez em alguns segmentos, o sector bancário moçambicano manteve sinais de resiliência, com estabilidade no volume de activos, expansão moderada das carteiras de crédito e reforço dos sistemas de gestão de risco.
Analistas apontam que a ligeira expansão observada tanto em activos quanto em empréstimos indica a continuidade de uma estratégia prudente por parte das instituições financeiras, alinhada às recomendações do regulador e às perspectivas de recuperação económica gradual.
O encontro realizado ontem, em Maputo, entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente do Afreximbank, George Elombi, marcou o início de uma nova etapa de cooperação financeira, orientada para projectos estruturantes nos sectores de energia, infra-estruturas, turismo, minerais, petróleo, gás e processamento industrial.
Na audiência, o Afreximbank manifestou disponibilidade para mobilizar entre três e quatro mil milhões de dólares destinados a apoiar iniciativas prioritárias do Governo moçambicano, inseridas nos pilares estratégicos definidos para acelerar o crescimento económico.
Banco reafirma confiança no potencial moçambicano
Falando à imprensa após o encontro, George Elombi descreveu a reunião como “extremamente útil” e referiu que as discussões incidiram exclusivamente sobre matérias económicas. O dirigente destacou que Moçambique é considerado um parceiro prioritário e que o banco está empenhado em financiar projectos com impacto directo na modernização do país.
Por seu turno, Richman Dzene, Director do Gabinete do Presidente do Afreximbank para Pesquisa e Políticas, sublinhou que o pacote financeiro poderá contemplar investimentos em geração e transmissão de energia, infra-estruturas turísticas, apoio directo ao Governo e iniciativas voltadas ao comércio intra e extra-africano.
Segundo Dzene, a nova fase de cooperação está orientada para “garantir avanços concretos em projectos estruturantes que podem transformar a economia moçambicana”, reforçando sectores essenciais da actividade produtiva.
Governo reafirma abertura total à cooperação
Durante o encontro, o Presidente Daniel Chapo garantiu a total disponibilidade do Executivo para trabalhar com o Afreximbank na implementação de programas económicos de elevado impacto, afirmando que o Governo está disposto a cooperar com o banco “em tudo o que for necessário” para acelerar o desenvolvimento nacional.
O Chefe do Estado destacou ainda a importância de reforçar parcerias africanas de financiamento, sobretudo num contexto em que o continente procura soluções endógenas para dinamizar o comércio, reduzir vulnerabilidades externas e promover industrialização.
Instituição reforça solidez financeira
Criado em 1993, sob os auspícios do Banco Africano de Desenvolvimento, o Afreximbank desempenha um papel determinante no financiamento de projectos de grande escala e no suporte ao comércio africano. Em 2024, a instituição registou um lucro de 973,5 milhões de dólares, equivalente a um crescimento de 29% face ao ano anterior, consolidando a sua capacidade de intervenção no continente.
Perspectivas de impacto para Moçambique
A nova dinâmica de cooperação poderá acelerar investimentos essenciais em sectores-chave, desde a energia e industrialização, passando pela mecanização agrícola, até infra-estruturas de suporte ao crescimento produtivo. O alinhamento entre as prioridades do Governo e a disponibilidade financeira do Afreximbank cria condições para uma intervenção coordenada, capaz de gerar benefícios duradouros para a economia moçambicana.
Moçambique deu, esta semana, um passo decisivo na transformação do seu sector energético com a inauguração, em Inhassoro, da Infra-estrutura Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos, um investimento que marca a transição para a produção doméstica de gás natural, GPL e condensado, reduzindo a dependência de importações e reforçando a competitividade económica do país.
O acto contou com a presença do Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, simbolizando o fortalecimento da cooperação económica e energética entre os dois países, num momento em que a região procura alternativas sustentáveis e integradas para responder às suas necessidades industriais.
Marco industrial que reposiciona o sector de gás
A nova infra-estrutura constitui a mais relevante adição industrial ao sector energético nacional desde o arranque do Coral Sul FLNG. O complexo combina, no mesmo espaço, produção, refinação, processamento e distribuição de gás natural, gás doméstico (GPL) e condensado, permitindo a Moçambique capturar maior valor dos seus recursos naturais.
No seu discurso, o Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que a instalação “representa um salto qualitativo na diversificação da economia, no estímulo à inovação tecnológica e no aproveitamento sustentável dos recursos nacionais”, sublinhando que o projecto reforça a autonomia e estabilidade energética do país.
Com esta capacidade integrada, Moçambique reduz significativamente os encargos anuais com importações de derivados, estabiliza o mercado interno e reforça a sua posição como produtor emergente de gás na África Austral.
Impacto económico e nova competitividade regional
A produção de GPL e condensado a partir de capacidade doméstica coloca Moçambique entre os poucos países africanos com um modelo industrial completo de transformação de gás natural. A redução das importações de combustíveis, estimadas em centenas de milhões de dólares anuais, traduz-se numa melhoria do balanço comercial e no aumento da resiliência económica.
Segundo Daniel Chapo, trata-se de um “empreendimento que posiciona Moçambique num novo patamar de competitividade regional”, capaz de atrair investimentos adicionais, gerar empregos e estimular cadeias de valor locais, particularmente nos sectores de transporte, logística, serviços industriais, metalomecânica e petroquímica.
Presença de Ramaphosa reforça cooperação estratégica
A participação do Presidente Cyril Ramaphosa conferiu ao evento uma dimensão política e económica adicional. A África do Sul enfrenta constrangimentos energéticos que afectam a sua indústria, tornando natural o reforço da interconexão com Moçambique, país que é, segundo Ramaphosa, “o maior parceiro comercial africano e o quarto maior parceiro comercial mundial da África do Sul”.
O líder sul-africano reafirmou o compromisso de aprofundar a cooperação em áreas como gás natural, energia, agro-indústria e mineração, destacando que o projecto de Inhassoro fortalece a estabilidade energética sul-africana e a sustentabilidade das cadeias industriais da região.
Inhassoro e Inhambane ganham nova centralidade económica
A infra-estrutura projecta o distrito de Inhassoro como um novo polo energético e industrial, com capacidade para atrair operadores logísticos, fornecedores industriais e investimentos complementares. A longo prazo, a região poderá acolher novas indústrias transformadoras, incluindo petroquímica, fertilizantes e metalurgia de suporte.
Este reposicionamento confere à província de Inhambane um papel central na matriz energética nacional e na integração económica regional.
Estabilidade e segurança como pilares da cooperação
Daniel Chapo destacou que o reforço da capacidade produtiva energética deve caminhar a par de esforços na estabilização da região, afirmando que apenas com cooperação e respeito mútuo será possível enfrentar desafios como o terrorismo, o crime organizado e outras ameaças transnacionais que afectam a África Austral.
Fórum Empresarial reforça dinamismo do sector privado
A inauguração da infra-estrutura coincidiu com o Fórum Empresarial Moçambique–África do Sul, realizado em Vilankulo, que reuniu operadores económicos dos dois países. Chapo apelou a um ambiente de negócios “mais dinâmico, seguro e previsível”, capaz de acelerar investimentos produtivos e garantir que o sector privado seja motor da transformação económica.
Estimativas indicam que o volume de negócios entre os dois países ronda actualmente os 2 mil milhões de dólares anuais, com tendência de crescimento impulsionada pela nova infra-estrutura e pelo reforço das relações diplomáticas.
Com a entrada em operação do complexo de Inhassoro, Moçambique afirma-se como um dos protagonistas da transformação energética da África Austral, consolidando uma economia mais industrial, mais integrada e mais competitiva.
O Fórum Bilateral de Negócios Moçambique–África do Sul, recentemente realizado na cidade de Vilankulo, assinalou um marco importante na cooperação económica entre os dois países, com o lançamento oficial da South African Chamber of Business in Mozambique (SACBM).
A criação da nova entidade empresarial vai além de um ato protocolar: representa o início de uma plataforma estruturada destinada a fortalecer o comércio, o investimento e a cooperação comercial entre as duas economias vizinhas, historicamente ligadas por relações de complementaridade e interdependência.
No seu discurso de abertura, o Presidente do Conselho Autárquico de Vilankulo, Daniel Chapo, sublinhou a responsabilidade conjunta de promover o crescimento económico, reiterando a abertura de Moçambique ao investimento estrangeiro. Destacou ainda o papel relevante das empresas sul-africanas no país, que já totalizam mais de 160 mil milhões de rands investidos e 43 mil postos de trabalho criados.
Com a entrada em funcionamento da SACBM, pretende-se:
Acelerar a implementação de iniciativas empresariais de elevado impacto;
Diversificar investimentos para sectores de valor acrescentado, como agroprocessamento, embalagens, têxteis, madeira, metais e materiais de construção;
Superar barreiras regulatórias e de infraestrutura para melhorar o ambiente de negócios;
Explorar o potencial do Acordo de Livre Comércio Continental Africano (AfCFTA), visando dinamizar o comércio regional.
Enquanto organização recém-criada, a SACBM assume-se como uma ponte de confiança entre o sector privado, o Governo e outros intervenientes, com o propósito de impulsionar o crescimento económico, gerar emprego e promover maior resiliência nas duas economias.
Mais do que fomentar negócios, a iniciativa pretende contribuir para a construção de um futuro mais inclusivo, competitivo e interligado entre Moçambique e a África do Sul, reforçando o papel da região como um polo dinâmico de desenvolvimento continental.
Vasco Rocha fala do impacto cultural e social do maior evento de moda do país
O Mozambique Fashion Week (MFW) celebra este ano duas décadas de existência, afirmando-se como o maior e mais duradouro evento de moda do país. Criado e organizado pela DDB Moçambique, o MFW tornou-se, ao longo dos anos, uma plataforma decisiva para o surgimento de novos talentos epara a afirmação da identidade estética moçambicana.
À frente deste percurso está Vasco Rocha, CEO da DDB, que recorda o início do projecto com emoção e pragmatismo: “O que nós fizemos, desde o primeiro dia, foi criar um espaço onde os moçambicanos pudessem ver e mostrar o seu talento. Não imaginávamos a dimensão que o MFW teria hoje”, afirma.
Das origens a Inhambane ao reconhecimento nacional
A primeira edição, realizada em Inhambane, marcou o arranque de um movimento que, à época, parecia improvável. Com poucos recursos, mas com forte convicção, a equipa inicial da DDB estabeleceu as bases de um evento que procurava valorizar acriatividade local.
“Começamos com quase nada. Mas havia muita vontade e uma certeza: Moçambique merecia ter um palco para a sua moda”, relembra Vasco Rocha.
A mudança para Maputo, alguns anos depois, consolidou o crescimento do MFW e permitiu ampliar a visibilidade dos criadores emergentes.
Desfiles que se tornaram ícones culturais
Ao longo desses 20 anos, o MFW destacou-se não apenas pela moda, mas pela criatividade dos seus cenários.
Foram particularmente marcantes os desfiles realizados na Estação dos Caminhos de Ferro, no Aeroporto de Mavalane, nochamado “desfile do avião”, e no Armazém do Porto de Maputo, espaços emblemáticos que deram ao evento uma dimensão cultural e artística ímpar.
“Sempre quisemos levar a moda para lugares onde as pessoas não a esperam. Quando fazemos isso, criamos experiências que ficam na memória colectiva”, explica Vasco.
Moda com consciência social
Para além do glamour, o MFW incorporou, ao longo dos anos, temas sociais relevantes, como a prevenção do cancro da mamae da pele, a violência doméstica e os casamentos prematuros.
Mais recentemente, abriu espaço para debates sobre inclusão e diversidade, incluindo a visibilidade da comunidade LGBTQ+.
Segundo o CEO, esta dimensão é parte essencial do posicionamento do evento: “A moda comunica. Quando a moda aborda causas sociais, conseguimos tocar vidas de outra forma.”
Talentos que cresceram na passarela
Um dos impactos mais visíveis do MFW é a descoberta e profissionalização de novos talentos. Designers, modelos, fotógrafos, stylists e criativos de várias áreas tiveram no evento a sua primeira grande oportunidade.
“É gratificante ver jovens que começaram connosco e hoje trabalham para marcas internacionais ou criaram as suas próprias empresas”, destaca Vasco Rocha.
Influência no quotidiano e na cultura urbana
A moda moçambicana, impulsionada pelo MFW, entrou na vida quotidiana. A capulana ganhou novas linguagens, o artesanato nacional foi revalorizado e o design local passou a ser presença constante nas ruas, nos escritórios e nas celebrações.
O evento também abriu portas para o crescimento da economia criativa, gerando emprego, valorização cultural e oportunidades de empreendedorismo entre os jovens.
O público como parte activa
O público tem desempenhado um papel crescente na consolidação do evento, não apenas como espectador, mas como participante activo nas conversas sobre moda e cultura. As redes sociais reforçaram essa ligação, permitindo maior visibilidade para designers e modelos e estimulando o consumo de produtos nacionais.
O futuro da moda moçambicana
Vasco Rocha acredita que os próximos anos serão decisivos paraa consolidação da indústria da moda no país. Entre as prioridades estão a sustentabilidade, a valorização do algodão moçambicano, a formação de novos profissionais e a expansão internacional demarcas locais.
“Temos talento, criatividade e identidade. O que precisamos agora é fortalecer o ecossistema para que a moda moçambicana avance para outros mercados”, conclui.
Vinte anos depois, um legado consolidado
Com um percurso marcado por inovação, coragem e impacto social, o Mozambique Fashion Week tornou-se um símbolo da capacidade criativa do país e um dos eventos culturais mais aguardados do calendário nacional.
Vinte anos depois, o MFW continua a ser mais do que um evento de moda é um movimento que molda tendências, inspira gerações e contribui activamente para a construção da identidade moçambicana. Por Milton Muthisse