Thursday, May 28, 2026
spot_img
Home Blog Page 37

Técnica Industrial conquista tripla certificação e consolida posição de referência nacional

A Técnica Industrial, empresa automóvel do Grupo JFS, acaba de alcançar um marco histórico com a obtenção da tripla certificação internacional em Qualidade, Ambiente e Segurança. O feito posiciona a companhia como uma das poucas em Moçambique a ostentar este patamar de excelência em gestão, consolidando a sua competitividade e credibilidade junto de clientes e parceiros.

A empresa, que já detinha desde 2015 a ISO 9001:2015 (Gestão da Qualidade), conquistou agora a ISO 14001:2015 (Gestão Ambiental) e a ISO 45001:2018 (Saúde e Segurança no Trabalho). Estas certificações reconhecem o compromisso da organização com a eficiência operacional, a preservação ambiental e a segurança no trabalho, aspectos cruciais para sectores de elevado risco.

“Esta certificação tripla é uma validação externa do nosso modelo de gestão e um motivo de orgulho para toda a nossa equipa. Reflecte a maturidade da organização, a qualidade do serviço que prestamos diariamente e a nossa cultura de rigor e melhoria contínua”, afirmou Frederico Jonet, CEO da Técnica Industrial. Para o gestor, a conquista é também um activo estratégico que fortalece a posição da empresa em áreas altamente competitivas como energia, construção, indústria e mobilidade.

O reconhecimento surge após um processo rigoroso e transversal, envolvendo todas as áreas da empresa. A Técnica Industrial tem apostado na capacitação das suas equipas, na modernização tecnológica e na consolidação de uma cultura organizacional baseada na segurança, eficiência e responsabilidade ambiental.

Com cerca de 200 colaboradores e presença nas principais cidades moçambicanas, Maputo, Beira, Tete, Nampula e Pemba, a empresa assegura ainda representação em Chimoio e Quelimane. Representante oficial de marcas como Jeep, Alfa Romeo, Fiat, Mitsubishi, Fuso, Mercedes-Benz e FAW, a Técnica Industrial reforça o estatuto de player central da indústria automóvel no país.

A conquista da tripla certificação confirma a posição da empresa como referência nacional em engenharia, serviços técnicos e assistência automóvel, reforçando a credibilidade do Grupo JFS, um dos mais prestigiados conglomerados de capital moçambicano, fundado em 1897, com presença em sectores estratégicos como energia, desenvolvimento rural, engenharia e construção.

BCI regista crescimento de 4,4% nos lucros no primeiro semestre e atinge cerca de 60 milhões de dólares

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI), controlado maioritariamente pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) de Portugal, anunciou hoje um aumento de 4,4% nos lucros líquidos no primeiro semestre de 2025, atingindo os 3,7 mil milhões de meticais, equivalentes a 60 milhões de dólares, em comparação com os 3,5 mil milhões de meticais (56 milhões de dólares) no mesmo período do ano anterior.

Segundo o relatório financeiro semestral, o ativo total do banco cresceu para 249,7 mil milhões de meticais (aproximadamente 3,9 mil milhões de dólares), destacando-se os créditos concedidos a clientes que alcançaram os 68,4 mil milhões de meticais (1,1 mil mil dólares).

No lado dos passivos, os depósitos de clientes subiram para 195,7 mil milhões de meticais (3,1 mil milhões de dólares) dentro de um total de 213,8 mil milhões de meticais (3,3 mil milhões de dólares).

O BCI recuperou ainda 350 milhões de meticais (5,5 milhões de dólares) relativos a operações de crédito anteriormente classificadas como problemáticas, fruto de acordos com os devedores.

A estrutura acionista mantém-se liderada pela Caixa Participações (CGD), com 51% do capital, seguida pelo BPI, com 35,67%, e pela CGD em participação direta, com 10,51%. O capital social do banco permanece em 10 mil milhões de meticais (156 milhões de dólares), sustentado por uma força de trabalho de 2.712 colaboradores no final de 2024.

Apesar do resultado semestral positivo, o BCI registou uma queda significativa nos lucros em 2024, que recuaram 26,18%, de um recorde de 8,2 mil milhões de meticais (128 milhões de dólares) em 2023 para 6 mil milhões de meticais (94 milhões de dólares), impacto atribuído a um aumento de 127,1% nos custos com imparidades e provisões.

Na sequência do contexto pós-eleitoral adverso e da ameaça de possível reprovação da notação de crédito do país, a administração optou por não distribuir dividendos referentes a 2024, priorizando o fortalecimento do balanço e da resiliência institucional.

Mesmo assim, durante esse exercício, o banco registou um aumento de 15% nos depósitos, alcançando 183,5 mil milhões de meticais (2,9 mil milhões de dólares), e uma subida de 4,3% nos capitais próprios, que atingiram 32,2 mil milhões de meticais (503 milhões de dólares). A carteira de crédito cresceu 6%, situando-se em 78,2 mil milhões de meticais (1,2 mil milhões de dólares), ao realçar o compromisso contínuo com o financiamento dos setores produtivos e de consumo.

CTA e Microbanco Sólido firmam parceria para apoiar Micro e Pequenas Empresas no país

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) reuniu-se esta segunda-feira, 18 de Agosto, com representantes do Microbanco Sólido, uma nova instituição financeira que ingressou recentemente no Conselho Empresarial Nacional (CEN) como membro da agremiação. Segundo um comunicado da confederação, o encontro teve como objectivo discutir estratégias de cooperação para impulsionar o crescimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), com enfoque especial no sector informal, que representa uma fatia significativa da economia nacional.

Durante a reunião, ambas as partes destacaram o potencial de uma parceria estratégica orientada para o alargamento do acesso à banca e ao financiamento, visando fortalecer o empreendedorismo nacional. O Microbanco Sólido, que entrou recentemente no mercado financeiro nacional, manifestou interesse em trabalhar com a CTA na criação de produtos financeiros acessíveis, concebidos especialmente para microempresários e empreendedores informais.

O vice-presidente da CTA, Onório Manuel, sublinhou a importância de reforçar o ecossistema de apoio aos pequenos negócios, afirmando que “a colaboração com o Microbanco Sólido poderá contribuir para a inclusão financeira e para o desenvolvimento sustentável do País.”

Por sua vez, o CEO do Microbanco Sólido, Jerson Tembe, destacou o compromisso da instituição em impulsionar o crescimento económico através de soluções financeiras inovadoras, que garantam maior inclusão sem esquecer o segmento das micro e pequenas empresas. “O encontro assinala o início de uma colaboração institucional que promete ampliar o impacto da CTA na promoção do empreendedorismo e na criação de emprego, consolidando o papel do Microbanco Sólido como parceiro estratégico na missão de dinamizar o sector produtivo em Moçambique”, lê-se no documento.

Trinta países confirmam presença na FACIM-2025

Preparativos da exposição estão em 90 por cento Pelo menos trinta países e 3150 expositores, nacionais e estrangeiros, são esperados na 60.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), evento de grande relevo comercial e de negócios, a decorrer em Ricatla, município de Marracuene, província de Maputo, de 25 a 31 deste mês. Especificamente, está confirmada a presença de 2350 expositores nacionais e 800 estrangeiros.

No certame passado, participaram 2300 nacionais, 750 estrangeiros e 28 países. A edição deste ano marca a história de seis décadas da feira, trazendo como principais inovações a digitalização de serviços de bilhetes de entrada, registo e marcação de reuniões. De acordo com o ministro da Economia, Basílio Muhate, ontem, no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, o objetivo desta edição é expor as potencialidades de produção do país para a exportação e promoção de oportunidades de negócios e investimento.

Por meio desta exposição, disse, pretende-se internacionalizar a economia nacional e garantir a integração de Moçambique no mercado regional, sobretudo, na Zona de Comércio Livre Continental Africana. Referiu ainda que se espera a criação de oportunidades de parcerias entre empresas nacionais e estrangeiras. “Pretende-se estimular novas iniciativas de investimento público e privado e o fomento e divulgação de iniciativas inovadoras”, sublinhou o ministro no lançamento da feira. Por sua vez, o diretor da FACIM, Sérgio Macuácua, explicou que os preparativos da feira encontram-se em 90 por cento, com os expositores a finalizarem a montagem de pavilhões, conforme constatou a reportagem do “Notícias”.

Acrescentou que está a ser feito, igualmente, um exercício para permitir um rápido desembaraço na circulação de pessoas e bens, ação fundamental num contexto em que são esperados 70 mil visitantes. A FACIM é organizada pelo Ministério da Economia através da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações, IP. Entretanto, para além dos preparativos dos pavilhões, as atividades informais que tradicionalmente ocorrem fora do recinto da exposição começam também a ganhar forma, esperando-se que cresçam à medida que se vai aproximando a data do arranque da exposição.

João Dias Loureiro assume presidência do Conselho Consultivo de um grupo empresarial

O antigo Presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), João Dias Loureiro, assumiu recentemente o cargo de Presidente do Conselho Consultivo do grupo empresarial que inclui Nemaro, PI Consulting & Advisory, Transtrevo, Horizon.

Conhecido pela sua capacidade de modernização e competência administrativa, Loureiro traz ao sector privado um currículo sólido. Como Presidente do INE, foi peça-chave na organização de censos e inquéritos, além de estabelecimento de práticas estatísticas robustas, como o uso de tecnologias como Censo e Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR).

Durante a sua liderança no INE, percurso que durou 15 anos, Loureiro participou activamente de fóruns regionais e internacionais, reforçando a sua rede de cooperação profissional com entidades como a Organização das Nações Unidas.

A sua escolha para liderar o Conselho Consultivo sinaliza a intenção dessas empresas, abrangendo sectores como logística e procurement e consultorias diversas de se apoiarem em governança institucional exemplar e orientação estratégica. A expectativa é que o gestor fomente práticas decisórias orientadas por dados, eficiência operacional e transparência corporativa.

O mandato que inicia neste mês de Agosto tem como foco definir linhas estratégicas para o crescimento sustentável, alavancagem de mercados regionais, gestão de riscos e inovação nos modelos de negócios.

Maurilson Ramos, fundador da PI, uma das instituições que faz parte deste grupo empresarial, referiu que o nome de João Loureiro foi unanimemente apoiado, tendo em conta a experiência vasta e comprovada reputação de gestor comprometido com eficiência e clareza estratégica.

Transtrevo é uma empresa multinacional de logística fundada em 2016, com sede em Moçambique e presença em Angola, Portugal, África do Sul, Dubai, Espanha e Brasil. Actua na e execução de soluções logísticas integradas, incluindo transportes internacionais, despacho aduaneiro, consultoria e soluções comerciais para grandes projectos. Já Nemaro é uma empresa voltada para o desenvolvimento de projectos de comunicação e consultoria e gestão de risco. Enquanto que PI é especializada em consultoria financeira, fiscal, contabilística e de recursos humanos.

João Dias Loureiro nasceu em Montepuez, fez o Ensino Primário e Secundário em Pemba, Médio em Contabilidade e Administração de Empresas em Nampula antes da Independência Nacional, Bacharelato (Matemáticas Aplicadas) e Licenciatura (Informática) em Maputo, Diploma de pós-graduação em Buenos Aires, Argentina (População e Desenvolvimento), MSc Research & Social Statistics, MPhil e PhD candidate Economia (Econometria) em Londres – Reino Unido.

Enquanto aluno do último ano do Bacharelato deu aulas de Matemática aos alunos do propedêutico (alunos da Geração 8 de Março) e do Curso de Ciências da Educação. Mais tarde foi técnico de planificação no Ministério da Indústria e Comércio, Estaticista, Chefe de Departamento de Estatísticas Económicas, Director Nacional de Estatística, Presidente do Instituto Nacional de Estatística. Foi consultor em projectos de Desenvolvimento de Estatísticas Oficiais, no país e no estrangeiro.

Loureiro exerceu cargos de Presidente e membro do Conselho Fiscal da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (1996-2012), de Presidente do Conselho de Administração do NOSSO BANCO (2015) e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Cooperativa de Consumo da Polana, CRL em 4 mandatos.

Um dos fundadores da Prevenção Rodoviária de Moçambique (PREROAD Moçambique) e da Associação Moçambicana de Informática (AMINFO), das quais foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Actualmente, reformado do Sector Público, abraçou iniciativas no Sector Privado, nas áreas de Ensino, dos Transportes Rodoviários de Carga, da Construção Civil e assessoria a conselhos de administração.

Neide Tsenane: “Agility regista 90% de ocupação e expande seu parque logístico”

Profile Mozambique: A Agility inaugurou o seu Logistics Park em Maputo em 2021, com 290 000 m² de terreno e 32 000 m² de armazéns prontos para arrendamento, oferecendo soluções para armazenamento, distribuição e até fabrico ligeiro. Como descreve o percurso desde o lançamento até à actualidade, em termos de crescimento e resposta ao mercado?

Neide Tsenane: Consideramos 2021 como o verdadeiro relançamento do nosso parque logístico em Maputo. Iniciamos as operações em 2019, ainda na fase de implementação, mas rapidamente fomos condicionados pelo impacto da pandemia da Covid-19, que reduziu o mercado a níveis mínimos, nessa altura, contavamos apenas com um cliente. Foi apenas em 2021, já no processo de retoma económica, que conseguimos dinamizar a operação e avançar com a estratégia de crescimento.

Num primeiro momento, tivemos de investir na educação do mercado, sobretudo junto das grandes empresas, para explicar as vantagens de operar num espaço de armazenagem construído segundo padrões internacionais. A realidade habitual em Moçambique é bastante diferente, muitos operadores limitam-se a disponibilizar um espaço para colocar mercadorias ao nível do chão. Trouxemos uma proposta inovadora, com armazéns de 9 metros de altura, que permitem não apenas armazenar na horizontal, mas também optimizar o espaço na vertical.

Quando chegamos, em 2021, tínhamos apenas 10% de ocupação. Encerramos esse mesmo ano com 47% e, desde então, o crescimento tem sido consistente. Hoje, contamos com cerca de 90% de taxa de ocupação, um reflexo claro da aceitação e confiança do mercado.

PM: Em Outubro de 2023, o grupo DSV, operador global de logística, arrendou 12 000 m² no parque, com opção de expansão. Como avalia o interesse crescente de multinacionais e empresas locais? Quais sectores têm mostrado maior procura?

NT: Desde a inauguração do nosso parque logístico, temos registado um interesse crescente de multinacionais e empresas locais, reflexo da confiança nas soluções que oferecemos. A parceria estabelecida, em Outubro de 2023, com o grupo DSV, cujo cliente final é uma reconhecida empresa holandesa de produção e distribuição de cerveja, demonstrou que o nosso espaço reúne condições ideais para operações de grande escala, sobretudo nos sectores de bebidas e de produtos de grande consumo (FMCG).

Já anteriormente tínhamos conquistado clientes estratégicos, como a distribuidora Oceana, que centralizou a sua logística no nosso parque pela combinação de localização privilegiada e elevados padrões de segurança. Muitos dos nossos parceiros enfrentavam, noutros armazéns, problemas de pragas e más condições de conservação, resultando em perdas significativas de mercadoria. Ao transferirem as operações para as nossas instalações, perceberam que, embora o investimento inicial possa ser superior, a redução de prejuízos e a eficiência na distribuição compensam amplamente. Localizados junto a um dos principais eixos de saída de Maputo, oferecemos uma vantagem competitiva para abastecer de forma célere e segura todo o país.

PM: Qual tem sido o contributo do parque para a economia local, em termos de emprego, cadeia de valor e incremento da competitividade logística do país? Existe retroalimentação positiva para sectores como energia, mineração ou produtos de consumo?

NT: O nosso contributo para a economia local começa pelo facto de termos sido pioneiros numa zona onde, até à nossa instalação, praticamente não existiam projectos estruturados. A nossa presença impulsionou a dinamização da área, atraindo outros investimentos e a construção de mais armazéns no entorno. Desde o início, assumimos o compromisso de devolver valor à comunidade que nos acolheu, e uma das formas mais concretas de o fazer foi através da geração de emprego local. Estabelecemos com os nossos subcontratados a exigência de priorizar a contratação de residentes da região, o que permitiu que muitos dos homens e mulheres que hoje trabalham connosco sejam vizinhos próximos do parque, actualmente inserido no município de Marracuene.

Mantemos também uma relação activa com as autoridades municipais, colaborando em iniciativas que reforçam a sustentabilidade e a capacitação da comunidade. Um exemplo é o nosso projecto com a Fundação Clarísse Machanguana, através do qual apoiamos a literacia informática nas zonas circundantes. Reabilitamos o bloco informático de uma escola local e fornecemos computadores, garantindo que crianças e jovens tenham acesso a ferramentas de aprendizagem essenciais para o seu futuro. Desta forma, não apenas fortalecemos a cadeia de valor logística do país, como criamos um impacto social duradouro, promovendo a inclusão e a competitividade a partir da base.

PM: Considerando a política de construção sustentável e gestão ecológica do parque, como enquadra a Agility a sua estratégia de responsabilidade ambiental num quadro económico nacional e regional?

NT: A responsabilidade ambiental é um pilar central da nossa actuação, enquadrando-se tanto na realidade económica nacional como no contexto regional. Levamos este compromisso muito a sério e, actualmente, acreditamos ser o único operador de armazéns em Moçambique com certificação EDGE, reconhecida internacionalmente pelas suas exigências em construção sustentável. Desde o planeamento, incorporamos soluções que reduzem o consumo energético, como o sistema Skylight, que integra aberturas no tecto para permitir a entrada de luz natural, diminuindo a dependência da iluminação eléctrica durante o dia.

Os nossos armazéns foram construídos com painéis “sanduíche”, que garantem melhor isolamento térmico e, simultaneamente, utilizam materiais mais sustentáveis, reduzindo o impacto ambiental. A nossa equipa de engenharia está constantemente a avaliar formas de aperfeiçoar os projectos, assegurando que cada nova infraestrutura seja mais eficiente e amiga do ambiente. Como Grupo Agility, investimos em mercados emergentes com uma perspectiva de longo prazo, não estamos aqui para cinco ou dez anos, mas para permanecer e contribuir de forma duradoura. É nesse sentido que procuramos certificações e adoptamos práticas que não apenas qualificam os nossos empreendimentos actuais, mas também elevam o padrão dos projectos futuros.

PM: Dada a elevada procura por armazéns de referência, há planos de expansão das infra-estruturas ou abertura de novos polos logísticos noutras regiões do país ou na região Austral de África?

NT: Sim, temos planos claros de expansão. Actualmente, a nossa presença em África Austral limita-se a Moçambique, mas estamos activos em outros mercados emergentes do continente, como Gana, Costa do Marfim e regiões do Norte de África. Para Moçambique, especificamente, já definimos um plano de crescimento, que se concentrará na área de Maputo.

Hoje, o nosso parque logístico ocupa apenas um terço da área total que nos foi atribuída. Entre o final deste ano e o início do próximo, planeamos a construção de mais de 20 mil metros quadrados de espaço de armazenagem, elevando a capacidade total do parque para mais de 50 mil metros quadrados. Trata-se de uma marca significativa, rara mesmo na África Austral, em termos de espaço disponível num único local.

Reconhecemos que o mercado está em expansão e que a procura por armazéns de referência cresce a cada dia. Por isso, queremos oferecer uma opção acessível também a pequenas e médias empresas que estão a iniciar as suas operações. Estes novos armazéns terão especificações ligeiramente diferentes, altura menor, adaptação a cargas que não exigem prateleiras elevadas, e plataformas de carregamento ajustadas às realidades locais. Mantemos, no entanto, o padrão de qualidade Agility, garantindo que o produto atenda às necessidades específicas do mercado moçambicano e de diversos setores económicos.

PM: Como potencializa o parque para que empresas nacionais, especialmente PME, acedam a infra-estruturas logísticas de nível internacional? Há programas de apoio ou condições diferenciadas?

NT: Sim, temos plena consciência de que a capacidade financeira de uma multinacional difere da de uma pequena ou média empresa nacional, especialmente aquelas que estão no início do seu percurso. Por isso, procuramos apoiar esses empreendedores de formas adaptadas às suas realidades.

Momentos durante a entrevista

Nem sempre isso se traduz em redução direta do preço do espaço, mas podemos, por exemplo, oferecer períodos de instalação em que a empresa não paga imediatamente a renda, permitindo-lhe organizar a operação e ajustar a sua estrutura de custos antes de assumir plenamente as despesas do parque. Avaliamos cada projecto individualmente, mantendo essa flexibilidade para que o cliente possa “respirar” até atingir um ponto de estabilidade operacional.

Adoptamos esta abordagem porque compreendemos que muitas empresas se intimidam ao comparar os custos com o seu orçamento inicial. Por isso, incentivamos sempre a conversa, conhecer o projecto e o seu potencial é o primeiro passo para encontrar soluções que facilitem o acesso às nossas infra-estruturas de nível internacional, mantendo o padrão de qualidade Agility.

PM: Que desafios regulatórios, cambiais ou infra-estruturais ainda enfrentam e como avalia o quadro de estabilidade e políticas públicas em Moçambique para o desenvolvimento do sector logístico?

NT: No nosso envolvimento com a cadeia logística, enfrentamos desafios ligados principalmente à infra-estrutura e à organização urbana. Por exemplo, estamos num município em fase de aprendizagem, e algumas questões não avançam na velocidade desejada. Um caso concreto é o acesso ao nosso parque, actualmente, quem circula pelo local precisa fazer um desvio de mais de cinco quilómetros para chegar aos armazéns. Desde o início, já sinalizamos às autoridades a necessidade de vias de acesso mais eficientes, que optimizarão significativamente as operações logísticas.

Acreditamos que a melhoria das infra-estruturas, como acessos viários, terá um impacto directo na eficiência do setor. Com a criação recente de um ministério dedicado, esperamos que estas questões recebam atenção prioritária. Ademais, defendemos uma abordagem colaborativa na logística, em que empresas como a Agility oferecem suporte a agentes que não possuem infraestrutura própria. Dessa forma, podemos juntos criar soluções completas para o mercado, permitindo que clientes e operadores logísticos utilizem nossos espaços para armazenagem, manutenção de cargas e serviços complementares. Este tipo de parceria contribui para fortalecer toda a cadeia logística nacional.

Neide Tsenane: “Agility records 90% occupancy and expands its logistics park”

Profile Mozambique: Agility inaugurated its Logistics Park in Maputo in 2021, with a 290,000 m² site and 32,000 m² of ready-to-lease warehouses, offering solutions for storage, distribution, and even light manufacturing. How would you describe the journey since its launch to the present, in terms of growth and market response?

Neide Tsenane: We consider 2021 as the true relaunch of our logistics park in Maputo. We began operations in 2019, still during the implementation phase, but were quickly constrained by the impact of the Covid-19 pandemic, which shrank the market to minimal levels. At that time, we had only one client. It was only in 2021, during the economic recovery, that we managed to energize the operation and push forward with our growth strategy.

Initially, we had to invest in market education, especially among large corporations, to explain the advantages of operating in a warehouse space built to international standards. The usual reality in Mozambique is quite different—many operators merely provide a space where goods are placed directly on the ground. We brought an innovative proposal, with warehouses 9 meters high, allowing not only horizontal storage but also vertical optimization of space.

When we started in 2021, we had only 10% occupancy. We closed that same year at 47% and, since then, growth has been consistent. Today, we stand at about 90% occupancy, a clear reflection of market acceptance and confidence.

PM: In October 2023, the global logistics operator DSV leased 12,000 m² in the park, with an option for expansion. How do you assess the growing interest of multinationals and local companies? Which sectors are showing the highest demand?

NT: Since the inauguration of our logistics park, we have seen growing interest from both multinationals and local firms, a reflection of confidence in the solutions we provide. The partnership established in October 2023 with the DSV group, whose end client is a well-known Dutch brewer, demonstrated that our facilities meet the ideal conditions for large-scale operations, particularly in the beverage and fast-moving consumer goods (FMCG) sectors.

We had already secured strategic clients such as distributor Oceana, which centralized its logistics in our park thanks to the combination of prime location and high safety standards. Many of our partners had previously faced pest problems and poor storage conditions in other facilities, leading to significant merchandise losses. By transferring their operations to our warehouses, they realized that, while the initial investment may be higher, the reduction of losses and improved distribution efficiency more than compensate. Located near one of Maputo’s main exit corridors, we offer a competitive advantage for supplying the entire country quickly and securely.

PM: What has been the park’s contribution to the local economy in terms of employment, value chain development, and strengthening the country’s logistics competitiveness? Is there a positive spillover effect on sectors such as energy, mining, or consumer goods?

NT: Our contribution to the local economy starts with the fact that we were pioneers in an area where, before our arrival, there were practically no structured projects. Our presence spurred the revitalization of the zone, attracting other investments and leading to the construction of additional warehouses in the vicinity. From the beginning, we committed to giving back to the host community, and one of the most concrete ways was through local job creation. We required our subcontractors to prioritize hiring residents from the region, which enabled many men and women, neighbors of the park, now integrated into the Marracuene municipality, to work with us.

We also maintain an active relationship with municipal authorities, collaborating on initiatives that reinforce sustainability and community capacity-building. One example is our project with the Clarísse Machanguana Foundation, through which we support digital literacy in surrounding areas. We rehabilitated the IT block of a local school and provided computers, ensuring that children and young people have access to essential learning tools. In this way, we not only strengthen the country’s logistics value chain but also create lasting social impact, promoting inclusion and competitiveness from the ground up.

PM: Considering the park’s sustainable construction and ecological management policy, how does Agility frame its environmental responsibility strategy within the national and regional economic context?

NT: Environmental responsibility is a central pillar of our operations, aligned both with the national economic reality and the regional context. We take this commitment very seriously and believe we are currently the only warehouse operator in Mozambique with EDGE certification, internationally recognized for sustainable building practices. From the planning stage, we incorporated solutions that reduce energy consumption, such as the Skylight system, which integrates roof openings to allow natural light, thereby reducing reliance on electric lighting during the day.

Our warehouses were built with sandwich panels, which provide better thermal insulation while using more sustainable materials, thus reducing environmental impact. Our engineering team is constantly evaluating ways to improve projects, ensuring that each new facility is more efficient and environmentally friendly. As the Agility Group, we invest in emerging markets with a long-term perspective, we are not here for just five or ten years, but to stay and contribute sustainably. That is why we seek certifications and adopt practices that not only qualify our current facilities but also raise the standard for future projects.

PM: Given the high demand for grade-A warehouses, are there plans to expand infra-structure or open new logistics hubs in other parts of the country or the Southern African region?

NT: Yes, we have clear expansion plans. Currently, our presence in Southern Africa is limited to Mozambique, but we are active in other emerging markets on the continent, such as Ghana, Côte d’Ivoire, and regions of North Africa. In Mozambique specifically, we have already defined a growth plan focused on the Maputo area.

Today, our logistics park occupies only one-third of the total area allocated to us. Between the end of this year and early next year, we plan to build more than 20,000 m² of warehouse space, raising the park’s total capacity to over 50,000 m². This is a significant milestone, rare even in Southern Africa, in terms of available space concentrated in a single location.

We recognize that the market is expanding and that demand for grade-A warehouses grows daily. That is why we also want to offer accessible options for small and medium-sized enterprises starting their operations. These new warehouses will have slightly different specifications, lower height, adapted for loads that do not require high racking, and loading platforms tailored to local realities. However, we maintain Agility’s quality standards, ensuring that the product meets the specific needs of the Mozambican market and various economic sectors.

PM: How does the park enable national companies, especially SMEs, to access international-grade logistics infrastructure? Are there support programs or differentiated conditions?

NT: Yes, we are fully aware that the financial capacity of a multinational differs from that of a small or medium-sized national company, especially those just starting out. That is why we seek to support these entrepreneurs in ways adapted to their circumstances.

This does not always mean a direct reduction in rental prices, but we can, for example, offer grace periods during which the company does not pay rent immediately, allowing it to organize operations and adjust its cost structure before fully assuming expenses. We assess each project individually, maintaining this flexibility so the client can “breathe” until reaching operational stability.

We adopt this approach because we understand that many companies are intimidated when comparing costs with their initial budget. Therefore, we always encourage dialogue, knowing the project and its potential is the first step toward finding solutions that facilitate access to our international-standard infrastructure while maintaining Agility’s quality benchmark.

PM: What regulatory, exchange rate, or infrastructure challenges do you still face, and how do you assess the framework of stability and public policies in Mozambique for the development of the logistics sector?

NT: In our involvement with the logistics chain, we mainly face challenges related to infrastructure and urban organization. For example, we are in a municipality that is still in a learning phase, and some issues do not advance at the desired pace. A concrete case is access to our park—currently, those traveling to the site must take a detour of more than five kilometers to reach the warehouses. From the beginning, we flagged to the authorities the need for more efficient access roads, which would significantly optimize logistics operations.

We believe that improving infrastructure, such as road access, will have a direct impact on sector efficiency. With the recent creation of a dedicated ministry, we hope these issues will receive priority attention. Furthermore, we advocate for a collaborative approach to logistics, in which companies like Agility provide support to operators without their own infrastructure. In this way, we can jointly create comprehensive market solutions, enabling clients and logistics providers to use our facilities for storage, cargo handling, and complementary services. This type of partnership helps strengthen the entire national logistics chain.

Executivo cria central de compras públicas para combater corrupção no Estado

O Ministro da Economia, Basílio Muhate, anunciou recentemente, a criação de uma central de compras públicas com o objectivo de reduzir custos, combater a corrupção e restaurar a dignidade no Estado.

Intervindo durante a abertura do primeiro congresso de Governação Corporativa, que aconteceu na cidade de Maputo, o governante explicou que a plataforma “será o coração de todas as compras públicas”, ajudando também a planificar, coordenar, supervisionar e fiscalizar o processo de aquisição, garantindo que “cada metical seja investido de maneira justa e eficiente.”

“Esta medida vai reduzir os custos, combater a corrupção e, acima de tudo, restaurar a dignidade do nosso sistema de compras públicas, dirigido por pessoas íntegras e de merecido mérito. Haverá uma supervisão mais forte e rigorosa, com comités independentes para monitorizar os investimentos e as acções estratégicas do Estado”, acrescentou.

Recentemente, o Executivo fez saber que o Estado arrecadou 171,8 mil milhões de meticais (2,3 mil milhões de dólares) em receitas até Junho de 2025, valor que representa menos de metade do previsto para o ano.

Ranking dos Projectos de Grande Dimensão revela liderança da Sasol e forte contribuição fiscal

Os Projectos de Grande Dimensão (PGD) e Concessões Empresariais canalizaram cerca de 1,6 mil milhões de dólares para os cofres do Estado entre 2015 e 2024, segundo dados da Conta Geral do Estado (CGE). A análise, baseada na tabela “Informação Sobre Desempenho Económico-Financeiro dos PGD”, revela o peso destes empreendimentos na economia nacional, apesar da exclusão dos dados referentes a 2018, ano em que essa informação não foi publicada.

No ranking, a Sasol Petroleum Temane Lda. ocupa a liderança destacada, com contribuições robustas resultantes, sobretudo, da exploração de gás natural. O projecto da Vale Moçambique (actual Vulcan) surge em segundo lugar, seguido da Kenmare em terceiro, enquanto a Mozal ocupa a quarta posição.

No período em análise, além de aproximadamente 551 milhões de dólares em impostos, o gás de Pande e Temane acrescentou 710 milhões de dólares provenientes da participação de 25% do Estado na concessão PPA. O peso fiscal e económico da Sasol deverá crescer nos próximos anos, com a entrada em operação da concessão PSA, da Sasol Petroleum Mozambique Lda., que prevê a produção anual de 30 mil toneladas de gás de cozinha (GPL) e o fornecimento de gás à CTT, destinado à geração de 450 MW de energia elétrica.

Os dados demonstram ainda que, em 2024, os PGD empregavam cerca de 6 500 trabalhadores directos, para além de gerarem impacto indireto através das cadeias de fornecimento e do contributo para a balança de pagamentos.

A divulgação pública destes números constitui um marco de transparência e reforça a necessidade de um debate informado sobre políticas fiscais, partilha de benefícios e o papel estratégico dos grandes projectos no desenvolvimento nacional.

Fontes:
Ministério das Finanças – Conta Geral do Estado: https://lnkd.in/dvHGrJjP
Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH): https://cmh.co.mz/

Gás do Rovuma produziu 45.24 milhões de USD no primeiro semestre

Dados do Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento de Estado (PESOE) do primeiro semestre de 2025, divulgado na última sexta-feira, revelam que o Estado arrecadou mais 45.24 milhões de USD, provenientes das receitas de exploração do gás natural da bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

De acordo com o documento aprovado, semana finda, pelo Governo, dos 45.24 milhões de USD cobrados no primeiro semestre, 16,68 milhões de USD vêm do Imposto de Produção; 17,08 do Petróleo-Lucro; e 11,49 resultam de bónus de produção.

No total, desde finais de 2022, o gás natural da bacia do Rovuma já produziu 209,93 milhões de USD, de acordo com o Balanço do PESOE. O Governo diz, no documento, que o montante foi depositado na Conta Transitória, sediada no Banco de Moçambique.

Lembre-se que o Tribunal Administrativo revelou, em seu Relatório e Parecer sobre a Conta Geral de Estado de 2023, a ausência de 33.65 milhões de USD na Conta Transitória, uma sub-conta do Fundo Soberano, destinada ao depósito das receitas do gás do Rovuma, antes da sua divisão pelo Orçamento de Estado (60%) e pelo Fundo Soberano (40%). O valor era correspondente às receitas do Imposto de Produção.

Em defesa do Executivo, a Ministra das Finanças, Carla Louveira, revelou, no Parlamento, que o Governo nunca depositou as receitas do Imposto do Produção Mineira, domiciliada no Banco de Moçambique, embora os relatórios trimestrais do Governo indicassem que o valor estava depositado na Conta Transitória.

“No tocante ao reporte das receitas do gás, na Conta Geral do Estado de 2023, essas receitas são provenientes de três fontes: o imposto de produção mineira, petróleo-lucro e bónus de produção. De Dezembro de 2022 a Fevereiro de 2024, o Imposto de Produção Mineira foi pago à Autoridade Tributária e recolhido para a Conta Única do Tesouro e executado no Plano Económico e Social e Orçamento de Estado de 2022, 2023 e 2024”, disse Louveira, na altura.