Friday, April 10, 2026
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Access Bank distingue engenheira moçambicana no âmbito do ‘Power of 100 Africa’

No âmbito do ‘Power of 100 Africa’, iniciativa destinada a homenagear mulheres que impulsionam mudanças em diversos sectores no continente africano, o Access Bank Mozambique distinguiu, no dia 9 de Julho, a engenheira moçambicana Jocelyne Machevo, em reconhecimento do seu contributo para o sector de energia e gás no continente africano.

Lançado em Novembro de 2024, o ‘Power of 100 Africa’ visa homenagear mulheres africanas que se destacam como agentes de mudança em áreas como negócios, saúde, tecnologia e educação, entre outras. É inspirado no sucesso da edição de 2015, dedicada a mulheres influentes na Nigéria e está alinhado com a Agenda 2063 da União Africana e com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, em particular o Objectivo 5, sobre igualdade de género.

A escolha de Jocelyne Machevo reflecte o impacto da sua trajectória profissional. Engenheira civil de formação pelo Instituto Superior de Transportes e Comunicações, com mestrado em Economia e Gestão de Energia e Ambiente pela Eni Corporate University (Milão), Jocelyne iniciou a sua carreira em 2013 na Eni, tendo integrado equipas de projectos de grande escala como o Coral South FLNG. Foi a primeira mulher moçambicana a ocupar um cargo executivo na Eni Rovuma Basin.

Em 2020, ingressou na TotalEnergies Moçambique como líder de interface no projecto Mozambique LNG, o maior projecto de gás natural liquefeito do país. Actualmente, actua como consultora nas áreas de desenvolvimento de negócios, estratégia de investimento, envolvimento com stakeholders e desenvolvimento de conteúdo local. O administrador-delegado adjunto do Access Bank Mozambique, Chiwetalu Obikwelu, salienta a importância estratégica da escolha de Jocelyne Machevo. “Esta distinção é também uma mensagem poderosa, as mulheres moçambicanas estão a redefinir os sectores mais estratégicos do continente com visão, competência e coragem. Jocelyne Machevo representa o que há de melhor na nossa juventude e liderança feminina”, destacou.

Segundo o mesmo responsável, “reconhecer líderes como a Jocelyne Machevo é um passo essencial para inspirar as próximas gerações e reforçar o papel transformador das mulheres moçambicanas na construção de um futuro sustentável para o país e para África.” O processo de selecção das mulheres a homenagear teve um painel de júri diversificado, composto por especialistas do sector e figuras de renome, que avaliaram as candidaturas com transparência e imparcialidade.

O Access Bank reafirma o seu compromisso com a igualdade de género, o empoderamento feminino e o reconhecimento de líderes que estão a deixar uma marca positiva no continente africano.

Moçambique investe em refinaria para garantir independência no sector da energia

Moçambique vai construir uma refinaria modular de grande escala que poderá eliminar a necessidade de importação de combustíveis refinados. A infraestrutura será erguida através de uma parceria entre a “Petromoc” e a empresa “Aiteo US Corporation” e terá capacidade para processar 240.000 barris de petróleo por dia, transformando o país num fornecedor de referência na região da SADC.

O projecto foi anunciado oficialmente durante a 11.a edição da Mozambique Mining and Energy Conference, em Maputo, e conta com a assinatura de um contrato de engenharia, aquisição e construção com a empresa norte-americana “Deerfield Energy Services LLC”.

A construção será feita por fases, iniciando com uma linha de produção de 80.000 barris por dia, com expansão garantida até aos 240.000 barris por dia. Esta capacidade permitirá responder à procura interna e exportar para países vizinhos.

Além da produção, a refinaria incluirá infraestruturas de armazenamento com capacidade para 160.000 toneladas de combustíveis líquidos e 24.000 toneladas de gás liquefeito de petróleo. A conclusão da primeira fase está prevista para meados de 2027.

Este avanço está em conformidade com a estratégia nacional de industrialização, segurança energética e criação de empregos, especialmente para os jovens. Segundo o Presidente da República, Daniel Chapo, que presidiu à cerimónia de assinatura, “a refinaria representa um passo fundamental para garantir a autonomia energética e criar valor internamente”.

Paralelamente, o Governo anunciou a assinatura de um memorando de entendimento para a construção de um oleoduto de 1.400 quilómetros, ligando o porto da Beira à cidade de Ndola, na Zâmbia, fortalecendo a posição de Moçambique como corredor energético regional.

Outros investimentos no sector da energia também seguem em curso, como a segunda fase do projecto “Coral Norte FLNG” e a retomada do megaprojecto de gás natural liquefeito em Afungi, em parceria com a “TotalE-nergies” e a “ExxonMobil”.

Ao garantir capacidade de refinação própria, Moçambique poderá poupar milhões em importações, reduzir a exposição a choques internacionais de preços e tornar-se um agente essencial no fornecimento de energia para toda a África Austral.

Com este projecto, o país aproxima-se da auto-suficiência energética e redefine o seu papel no mapa económico e geopolítico da região.

ENH regista queda de 50% nos lucros

Os lucros da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), operadora petrolífera estatal, caíram para metade em 2024, somando 1,7 mil milhões de meticais, segundo dados oficiais consultados nesta Segunda-feira, dia 21 de Julho.

Segundo o órgão, este desempenho contrasta com os resultados líquidos positivos de 3,5 mil milhões de meticais registados em 2023, os quais representaram então um crescimento de sete vezes em relação ao ano anterior, justificado, à época, segundo a administração, com o “aumento considerável das receitas de vendas de gás natural.”

De acordo com o documento que apresenta as demonstrações financeiras até 31 de Dezembro de 2024, além da quebra nos lucros, a ENH encerrou o ano com um activo total de 28,7 mil milhões de meticais e um passivo que subiu ligeiramente para 8,9 mil milhões de meticais.

A empresa, que possui um capital social de 749 milhões de meticais, totalmente subscrito pelo Estado, exerce a sua actividade subordinada ao Ministério dos Recursos Naturais e Energia.

O mesmo relatório indica que a ENH distribuiu dividendos ao Estado no valor de 1,2 mil milhões de meticais em 2024, relativos ao exercício do ano anterior, e de 877,6 milhões de meticais em 2023.

Grupo petrolífero multinacional interessado no sector energético

O presidente do Grupo petrolífero HASS, Abdinasir Ali Hassan, manifesta interesse em criar parcerias com o governo moçambicano, nos sectores energético e de gás natural.

Falando hoje em Maputo, num briefing à imprensa, minutos após o término de uma audiência que lhe foi concedida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, Hassan disse que foi uma oportunidade para apresentar uma solução ideal para apostar num negócio de energia e gás natural com Moçambique.

“Estamos aqui para discutir com o Presidente [Chapo] e apresentar uma solução para o negócio do petróleo e do sector energético. Tivemos uma discussão muito frutífera com ele, para ver como podemos criar parcerias com o governo do Omã e de Moçambique, em relação ao negócio do sector energético e do petróleo”, disse.

Segundo Hassan, o Executivo moçambicano manifestou interesse em encetar uma cooperação com a petrolífera e avançar para o segundo nível da busca de parceria, reconhecendo que Moçambique é um país “muito bom para fazer negócio”.

“Ele [Chapo] recebeu-nos muito bem e também nos abençoou muito bem. O governo está pronto para trabalharmos juntos e estamos procurando ir para o segundo nível”, afirmou.

Hassan, que é somali, descreveu Moçambique como um país de diversas oportunidades, e como Hub por ter uma costa de mais de dois mil quilómetros de extensão, e com portos principais que ajudam aos países do interland.

O país está numa posição privilegiada na África austral e oriental.

“Moçambique”, vincou, “tem cerca de quatro portos, Beira [província central de Sofala] Maputo [cidade de Maputo] Nacala [província nortenha de Nampula] e outros portos que podem servir todos os países do interland que estão isolados, Malawi, Zâmbia, DRC [República Democrática do Congo] Congo, Zimbabwe. Então, é uma posição central e um Hub onde podemos fazer negócios e trabalhar juntos”.

Hassan deslocou-se a Moçambique, em representação de uma parceria com a OQ Trading Lda, o braço comercial internacional do governo de Omã, para discutir propostas de cooperação no domínio da energia.

Baseado em Nairobi, a Hass Petroleum opera em mais de 11 países na África oriental e mantém escritórios em Londres e Dubai.

Moçambique busca revisão do quadro jurídico do sector extractivo

Estão a decorrer em todo o País seminários de apresentação, incentivo ao debate e recolha de contribuições relativamente aos principais instrumentos legais para a revisão do quadro jurídico-legal do sector extractivo. A auscultação tem como objectivo obter mais subsídios que resultem em instrumentos legais robustos, inclusivos e representativos dos anseios do povo moçambicano.

O ponto de partida foi a província de Inhambane, numa cerimónia dirigida pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale.

No seu discurso a propósito, o ministro disse que “é do conhecimento geral que a dinâmica da indústria extractiva, aliada às transformações do mercado global e à crescente procura por recursos naturais, impõe ao Governo a responsabilidade de reforçar o seu papel na gestão, regulação e controlo do sector, assegurando que este gere mais ganhos e benefícios concretos para os moçambicanos”.

Entretanto, o País iniciou em Março de 2025 uma intensa caminhada de reformas estruturadas, sendo a primeira que visa o trabalho técnico interno, envolvendo técnicos do MIREME no activo e na reforma, iniciada a 29 de Março de 2025, a segunda de harmonização e aprovação dos instrumentos no Conselho Técnico e, posteriormente, no Conselho Consultivo do MIREME, concluído a 28 de Maio de 2025.

O terceiro trabalho consiste no lançamento da auscultação pública e harmonização interinstitucional, iniciada a 6 de Junho de 2025, com o envio dos ante-projectos de Lei a todos os ministérios e entidades públicas para apreciação e emissão de pareceres.

Paralelamente, os documentos foram partilhados com todas as direcções provinciais, associações e operadores, tendo também sido criadas plataformas electrónicas de acesso e submissão de comentários ao MIREME.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia disse ainda que “constatou-se a criação de grupos de análise e debate em diversas instituições, o que demonstra o envolvimento activo dos moçambicanos neste processo. Ainda assim, consideramos fundamental elevar o nível de participação, através de debates provinciais mais amplos e inclusivos”. Segundo Estêvão Pale, “é neste contexto que promovemos os seminários provinciais que vão culminar num grande seminário nacional, a ter lugar na cidade de Maputo, antes da submissão das propostas ao Governo para aprovação. Hoje, em simultâneo com esta cerimónia, equipas técnicas do MIREME estão presentes em todas as capitais provinciais, com a missão de apresentar as propostas de Lei, estimular o debate e recolher contribuições”.

Estêvão Pale, Ministro dos Recursos Minerais e Energia

O MIREME conta com o envolvimento activo dos Secretários de Estado provinciais, que estarão a dirigir os seminários locais, bem como com os Serviços Provinciais de Infra-estruturas, onde os documentos estão disponíveis para consulta desde o lançamento do debate público, a 6 de Julho de 2025.

A auscultação é um momento de escuta activa, um momento em que o Governo quer ouvir a voz das províncias, das comunidades locais, das empresas, das organizações da Sociedade Civil, dos líderes tradicionais, dos jovens e das mulheres. É uma fase decisiva para a actualização e modernização do quadro jurídico-legal que irá reger as áreas de minas, energia e petróleos em Moçambique nos próximos anos.

De acordo com o ministro, trata-se de um exercício de cidadania, transparência e inclusão. É nas províncias onde os recursos são explorados, os projectos se materializam e os impactos desta exploração se fazem sentir, desde negativos a positivos. É por isso que a participação pública é essencial para a constituição de um sector mais transparente, eficiente e inclusivo. “O vosso papel neste processo é determinante. São os vossos contributos que permitirão construir um quadro legal mais ajustado à realidade nacional, que promova a justiça social, a protecção ambiental, a inclusão económica e o desenvolvimento sustentável”, disse o ministro.

BAD Aprova 17 milhões de dólares para reconstrução e emprego no norte do país

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um financiamento de 17 milhões de dólares norte-americanos para apoiar a recuperação e o desenvolvimento socioeconómico no norte de Moçambique, com enfoque na província de Cabo Delgado, afectada pela insurgência armada desde 2017. O projecto prevê a criação de 24 mil empregos e deverá beneficiar mais de 100 mil pessoas, com prioridade para jovens e mulheres.

Segundo uma nota da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), o apoio será canalizado através do Projecto de Investimento Resiliente para o Empoderamento Socioeconómico, Paz e Segurança (RISE-PS), a ser implementado entre Setembro de 2025 e Agosto de 2029. A iniciativa será liderada pelo Governo moçambicano, com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O projecto prevê a reabilitação de 150 infra-estruturas comunitárias, incluindo escolas, centros juvenis, postos de saúde, mercados e sistemas de abastecimento de água. Está igualmente previsto o emprego imediato de 4.500 jovens e mulheres nas obras públicas, bem como a formação profissional de 9.200 pessoas. Cerca de 2.000 mulheres e jovens empresários terão acesso a subsídios para relançar pequenos negócios destruídos pela violência.

O BAD destaca ainda a construção de um Centro de Pequenas e Médias Empresas (PME) no Pólo Industrial de Afungi, com capacidade para acolher até 100 empresas em infra-estruturas modernas e sustentáveis. A responsabilidade pela construção caberá à empresa moçambicana MozParks. O projecto contará também com a participação de empresas privadas como a TotalEnergies e a ExxonMobil, que oferecerão estágios a 1.055 jovens, dos quais 70% deverão ser integrados em empregos permanentes.

O investimento total no projecto RISE-PS é de 28 milhões de dólares, dos quais 17 milhões provêm do BAD. Os restantes fundos serão assegurados pelo PNUD (4,2 milhões), Governo da Alemanha (2,4 milhões), parceiros privados (3,1 milhões) e Governo moçambicano (1,3 milhão).

PIB contrai no 1.º semestre, enquanto inflação anual se mantém em torno de 4,7%

Por: Simão Djedje

No arranque deste ano, a economia moçambicana viveu um primeiro trimestre particularmente difícil, marcado por uma contração inesperada do Produto Interno Bruto (PIB) e por incertezas que afetaram vários sectores produtivos.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o PIB registou uma variação homóloga negativa de –4,87% no quarto trimestre de 2024, contrastando com um crescimento de +3,68% verificado no trimestre anterior. O impacto prolongou-se para o início de 2025, levando mesmo o Banco de Moçambique a admitir que o “primeiro trimestre está praticamente perdido” no que toca ao crescimento económico.

Fonte: INE

Contudo, as previsões para o segundo trimestre são mais animadoras, com o próprio Banco Central a antecipar uma recuperação gradual, suportada pela política monetária mais acomodatícia. Recorde-se que, em Março, o Banco de Moçambique reduziu a taxa MIMO de 12,75% para 12,25%, ao mesmo tempo que baixou os coeficientes de reservas obrigatórias de 39% para 29%. O objectivo é claro: aliviar a pressão sobre os bancos comerciais e permitir que o crédito volte a chegar a empresas e famílias, dinamizando a economia.

Inflação contida, mas ainda com riscos

No que toca à inflação, o panorama é relativamente estável. Em Fevereiro, a taxa situava-se nos 4,74%, mantendo-se dentro do intervalo de um dígito que o Banco Central considera aceitável. Ainda assim, persistem riscos que poderão pressionar os preços ao longo do ano, nomeadamente factores climáticos e questões fiscais.

                         Fonte: Banco de Moçambique

Importa sublinhar que o maior contributo para a inflação continua a vir dos preços da alimentação, que registaram aumentos superiores a 11,9%, e dos serviços, com uma variação de +6,2%.

Sistema bancário sólido, mas com lucros em queda

O sistema financeiro mantém-se sólido e com indicadores robustos. Os dados do Banco de Moçambique revelam um rácio de solvabilidade confortável, na ordem dos 26,5%, bem acima do mínimo regulamentar de 12%, e um rácio de liquidez de 59,5%, face ao mínimo exigido de 25%.

Apesar desta resiliência, a rentabilidade dos bancos registou um recuo no ano passado: os lucros caíram cerca de 21,9%, fixando-se em cerca de 319 milhões de euros, devido a maiores custos operacionais e imparidades. Além disso, o rácio de crédito malparado subiu para 9,32%, um sinal que merece acompanhamento atento.

Dívida pública continua a crescer

No capítulo das finanças públicas, a dívida pública interna (excluindo mútuos e mora) aumentou para 445,9 mil milhões de meticais em Março de 2025, mais 30,3 mil milhões de meticais em relação a Dezembro de 2024.

 Fonte: BM e BVM

Os refinanciamentos realizados no primeiro trimestre totalizaram cerca de 19,2 mil milhões de meticais, o que contribuiu para o aumento do stock da dívida. O Banco de Moçambique reconhece que estas operações são necessárias para mitigar riscos imediatos, mas alerta para o impacto na sustentabilidade das contas públicas a médio e longo prazo.

Entre riscos fiscais e inflação controlada, segundo trimestre será teste à retoma económica

Tudo indica que o segundo trimestre de 2025 será marcado por uma recuperação moderada do crescimento económico, num contexto de inflação que se mantém sob controlo, embora persistam alguns riscos. Prevê-se ainda um aumento da disponibilidade de crédito para empresas e consumidores, impulsionado pelas medidas mais acomodatícias da política monetária.

Paralelamente, deverá continuar o debate em torno da sustentabilidade da dívida pública, que permanece como um dos principais desafios macroeconómicos do país. São sinais positivos que, apesar de encorajadores, exigem acompanhamento atento, dada a vulnerabilidade da economia moçambicana a choques externos e internos.

Documentos consultados:

            •  Banco de Moçambique (2025). Comunicado do Comité de Política Monetária – Março de 2025.

            • BM – Relatório de Conjuntura Económica e Perspetivas de Inflação – Junho de 2025.

            • INE – Dados do PIB trimestral e IPC – Fevereiro e Março de 2025.

            • Ministério das Finanças (MF). Boletim trimestral da dívida pública interna – Maio de 2025.

            • Banco Mundial (2025). Actualização Económica sobre Moçambique – Abril de 2025.

Gaspar Buque: “A Field Ready surge para maximizar a empregabilidade juvenil”

Nesta entrevista concedida à PROFILE Mozambique, Gaspar Buque, Director-Geral da Field Ready em Moçambique, fala sobre os princípios que orientam a actuação da organização, os resultados alcançados, a parceria com empresas como a ExxonMobil, CFM e ROMPCO, e os planos de expansão para as diferentes províncias.

Numa conversa pautada pela visão estratégica e realismo, Buque defende que o sucesso na transição para uma economia de empregabilidade baseada em competências passa por um esforço conjunto entre governo, sector privado e instituições de ensino.

Profile Mozambique: Poderia começar por explicar, ao público moçambicano, como opera o vosso modelo, combinando inovação, design digital e resposta local, e quais as regiões-alvo em Moçambique?

Gaspar Buque: Assumimos a liderança da Field Ready desde a sua implementação em Moçambique, onde operamos há já sete anos. A origem do grupo empresarial está no Reino Unido, com sede em Londres, e temos operações também no Ghana e na Nigéria. Enquanto grupo empresarial, temos uma presença global consolidada, com mais de 30 anos de experiência em diversos sectores com foco, no sector da energia e projectos desenvolvidos em todos os continentes.

O que constatamos, nos diversos mercados onde actuamos, é que os jovens enfrentam dificuldades semelhantes para aceder ao emprego, independentemente do grau académico, seja ensino básico, técnico-médio, licenciatura ou mestrado.

As empresas sinalizam que os recém-graduados não reúnem, muitas vezes, as competências exigidas para o emprego. Quando confrontamos as instituições de ensino com esta realidade, percebemos que existe uma grande distância entre estas e o sector industrial. As escolas formam com base em suposições, sem uma ligação real com as necessidades do mercado.

É precisamente essa desconexão que procuramos reduzir, criando uma ponte entre a formação e o mercado, para que os jovens moçambicanos tenham acesso a oportunidades reais e sustentáveis de trabalho, em sectores estratégicos para o desenvolvimento económico do país.

PM: A Field Ready estabeleceu recentemente presença em Moçambique voltada ao desenvolvimento de capacidades técnicas e empregabilidade juvenil. Poderiam partilhar de quando data a vossa operação nacional e como foi o processo de adaptação ao contexto local?

GB: Esta parceria tem como principal objectivo maximizar as oportunidades de empregabilidade para os jovens, promovendo acções de sensibilização e capacitação através da nossa plataforma digital. A ExxonMobil financiou o acesso gratuito à plataforma Field Ready, onde os módulos de empregabilidade estão disponíveis, incluindo um módulo específico de HST desenvolvido de raiz em colaboração com a própria ExxonMobil e com o contributo de especialistas nacionais.

Trata-se de uma ferramenta de preparação para a futura empregabilidade no âmbito do projecto liderado pela ExxonMobil e parceiros da Área 4, e permitirá que 10 mil jovens moçambicanos tenham acesso gratuito a este módulo ainda este ano, a nível nacional. A ideia é garantir que, quando for alcançada a fase decisão final de investimento, o país tenha uma base de jovens com competências sólidas em matéria de segurança no trabalho, num sector reconhecidamente de alto risco.

Gaspar Buque, Director-Geral da Field Ready em Moçambique

É uma abordagem preventiva e estratégica, que assegura maior eficiência e segurança nos processos de mobilização de mão de obra.

Desde o lançamento do programa de HST, a plataforma da Field Ready já registou cerca de 4 mil novos utilizadores em apenas dois meses. Actualmente, a plataforma conta com mais de 14 mil jovens registados a nível nacional, o que demonstra o elevado interesse dos jovens e a relevância da iniciativa.

PM: Celebraram MoU com a UP-Maputo e parceria com a CFM para a empregabilidade juvenil. Como estas iniciativas fortalecem o vosso alcance e contribuem para a profissionalização de jovens moçambicanos?

GB: Nós somos um elemento aglutinador das diversas entidades que intervêm no domínio da empregabilidade. Esta colaboração não é nova. Já temos acordos assinados com várias instituições, incluindo a extinta Secretaria de Estado do Ensino Técnico Profissional, o IFPELAC, bem como organizações empresariais e industriais, com o propósito de garantir que os jovens formados tenham acesso efectivo ao mercado de trabalho.

O que fizemos agora foi consolidar e expandir relações que existiam há sete anos. Trazemos agora a Universidade Eduardo Mondlane, a Universidade Pedagógica, o ISCTEM e outras instituições, bem como empresas públicas e privadas que figuram entre os principais empregadores do país.

Entre as entidades com as quais a Field Ready mantém parcerias activas destacam-se: ExxonMobil, CFM – Caminhos de Ferro de Moçambique, Sasol, Van Oord, Grindrod, MPDC – concessionária do Porto de Maputo, entre outras. Ao todo, são cerca de 65 instituições parceiras em todo o território nacional.

Todos nós já passámos pela ansiedade do pós-formação: ‘e agora?’, ‘para onde vou?’, ‘o que faço para encontrar um emprego?’. Muitos jovens saem da universidade sem saber quais ferramentas usar, como preparar um CV, como se apresentar a uma entrevista, ou como interagir com o mercado.

Através da plataforma Field Ready, os jovens podem aceder gratuitamente a conteúdos e módulos que abordam lacunas frequentemente não cobertas pelos currículos tradicionais. As instituições de ensino parceiras, passaram a integrar o esforço de difusão da plataforma nas suas comunidades estudantis.

As empresas que fazem parte da nossa aliança, sabem que os jovens inscritos na nossa plataforma já foram expostos a conteúdos de empregabilidade, o que facilita a integração nas empresas e reduz os desafios relacionados com retenção ou adaptação no início das suas carreiras profissionais.

PM: Parcerias com ExxonMobil, ROMPCO, CFM e U.P. Maputo mostram uma estratégia integrada. Que critérios utilizam na selecção de parceiros e como garantem o alinhamento entre conteúdos e mercado de trabalho?

GB: Como faço sempre questão de sublinhar, a Field Ready não existe sem o valor da sua aliança. As empresas e instituições que integram essa rede são o principal ingrediente do nosso sucesso. Todos os nossos conteúdos são produzidos por esta aliança, são essas empresas e instituições, que definem as prioridades, que desenvolvem os currículos, e que ajudam a moldar as soluções que oferecemos aos jovens.

Antes de desenvolvermos um novo programa ou solução de empregabilidade, realizamos uma reunião da aliança. Ali procuramos perceber quais são as áreas prioritárias, quais são os principais desafios que as empresas enfrentam na contratação de jovens, e quais competências precisam de ser reforçadas.

É este modelo de co-criação com os empregadores que constitui um dos grandes diferenciadores da Field Ready. Ao integrarmos os empregadores desde o desenho dos conteúdos até à entrega da formação, estamos efectivamente a ajudar as empresas a encontrarem jovens altamente empregáveis, preparados para responder às exigências do mercado actual.

PM: Que indicadores quantitativos usam para medir impacto: número de formandos certificados, colocação em estágios/empregos, projectos concluídos? Podem partilhar dados recentes sobre colocações efectivas?

GB: Actualmente, a plataforma conta com cerca de 14 mil jovens registados, distribuídos por várias províncias do país, desde Zumbo ao Índico. Apesar de ainda representar uma pequena fração dos mais de 14 milhões de jovens moçambicanos, o nosso objectivo é atingir os 100 mil jovens até ao final de 2030, expandindo assim o alcance e o impacto da plataforma.

A nossa métrica de sucesso está na acessibilidade e utilização efectiva da plataforma independentemente das restrições de cobertura de rede digital. O objectivo seria assegurar que os utilizadores possam aceder a plataforma, mesmo sem acesso a internet, e sempre que o jovem tiver contacto com a internet, os dados são sincronizados, o que nos permite acompanhar a evolução de cada utilizador.

A estratégia de expansão territorial já contempla províncias como Nampula e Cabo Delgado, onde foram implementados programas-piloto. Para os próximos tempos, o foco estará na assinatura de novos memorandos de entendimento com instituições de ensino técnico-profissional e superior, permitindo que os jovens em final de formação tenham acesso directo à plataforma.

Queremos que todas as instituições de ensino do último ciclo de formação académica, em todas as províncias, estejam conectadas à Field Ready. Só assim podemos assegurar que os jovens chegam ao mercado, munidos das ferramentas certas para competir e contribuir activamente para o crescimento do país.

PM: Como veem o papel da Field Ready no contributo para a empregabilidade juvenil, industrialização e transição para uma economia baseada em competências técnicas em Moçambique?

GB: Quando falamos da Field Ready, falamos de um caso de sucesso empresarial, capaz de congregar mais de 65 empresas com um único propósito, preparar e integrar jovens moçambicanos no mercado de trabalho.

O modelo adoptado, que junta sector industrial, instituições de formação técnica e superior e empresas empregadoras, num esforço colaborativo para criar, testar e implementar currículos ajustados às reais exigências do mercado, foi reconhecido pela União Africana, em 2021, como uma das maiores inovações de formação profissional para a juventude no continente africano.

Este reconhecimento foi atribuído à abordagem sistémica e partilhada da Field Ready, que garante que os empregadores participem activamente não apenas no recrutamento, mas em todo o processo formativo dos jovens.

Saiba mais aqui: Field Ready

Gaspar Buque: “Field Ready was created to maximise youth employability”

Profile Mozambique: Could you begin by explaining to the Mozambican public how your model works, combining innovation, digital design, and local response, and which regions in Mozambique are your primary targets?

Gaspar Buque: We’ve led Field Ready since its establishment in Mozambique, where we have been operating for seven years. The group’s origins are in the United Kingdom, with headquarters in London, and we also operate in Ghana and Nigeria. As a business group, we have a consolidated global presence with over 30 years of experience across several sectors, particularly in the energy sector, with projects developed on every continent.

What we’ve observed in the various markets where we operate is that young people face similar challenges when trying to enter the workforce, regardless of their level of education, whether they hold basic, technical, undergraduate, or even master’s degrees.

Employers frequently report that recent graduates often lack the practical skills required for employment. When we share these findings with educational institutions, we discover a significant gap between them and the industrial sector. Schools tend to design curricula based on assumptions, without real alignment with the needs of the labour market.

It is precisely this disconnect that we aim to address, by building a bridge between education and employment, so that Mozambican youth can gain real and sustainable job opportunities in sectors that are strategic for the country’s economic development.

PM: Field Ready recently established a presence in Mozambique focused on technical skills development and youth employability. When did your operations begin and how did you adapt to the local context?

GB: Our main objective is to maximise youth employability opportunities through awareness and training actions delivered via our digital platform. ExxonMobil funded free access to the Field Ready platform, where our employability modules are available, including a dedicated Health, Safety and Environment (HSE) module, which was developed from scratch in partnership with ExxonMobil and with input from national experts.

This tool is designed to prepare youth for future employment within the ExxonMobil-led Area 4 project and will allow 10,000 Mozambican youth to access this module free of charge by the end of this year. The goal is to ensure that, by the time a final investment decision is made, the country has a pool of young professionals with strong safety competencies, essential in this high-risk sector.

Gaspar Buque, Country Director of Field Ready in Mozambique

It is a proactive and strategic approach that aims to ensure greater efficiency and safety during workforce mobilisation.

Since the launch of the HSE programme, the Field Ready platform has registered about 4,000 new users in just two months. Currently, the platform hosts more than 14,000 registered youthnationwide, showing high levels of interest and the importance of this initiative.

PM: You recently signed a MoU with UP Maputo and established a partnership with CFM to promote youth employability. How do these initiatives strengthen your reach and contribute to the professionalisation of Mozambican youth?

GB: We act as a unifying platform for various stakeholders involved in the employability ecosystem. This is not new for us. We already have agreements with multiple institutions, including the former Secretariat of State for Technical and Vocational Education, IFPELAC, and other business and industrial organisations, all aimed at ensuring young graduates have effective access to the labour market.

What we have now done is consolidate and expand relationships that have existed for the past seven years. We’ve recently brought on board Eduardo Mondlane University, Pedagogical University, ISCTEM, and other institutions, as well as public and private companies that rank among the country’s main employers.

Our current network includes active partnerships with ExxonMobil, CFM – Mozambique Ports and Railways, Sasol, Van Oord, Grindrod, MPDC – Maputo Port Development Company, and many others, around 65 institutions across the country.

We all know the anxiety of finishing school and asking ourselves, “What’s next?” or “Where do I look for a job?” Many young people graduate without knowing how to write a CV, how to behave in an interview, or how to approach the job market.

Through the Field Ready platform, young people can access free content and modules that address common skill gaps often left out of traditional academic curricula. Partner institutions are also helping disseminate the platform among their student communities.

Employers within our alliance know that youths enrolled in our platform have already been exposed to employability content, which facilitates smoother integration into the workplace and reduces challenges related to retention or initial adaptation.

PM: Your partnerships with ExxonMobil, ROMPCO, CFM, and UP Maputo suggest an integrated strategy. What criteria do you use to select partners, and how do you ensure alignment between content and labour market needs?

GB: As I always stress, Field Ready does not exist without the value of its alliance. The companies and institutions in this network are the key ingredient in our success. All our content is co-created with them, they help define priorities, develop curricula, and shape the solutions we offer to young people.

Before developing a new programme or employability solution, we host an alliance meeting. There, we identify priority areas, discuss challenges companies face when hiring young people, and determine which skills need strengthening.

This model of co-creation with employers is one of Field Ready’s major differentiators. By involving employers in everything from curriculum design to delivery, we are truly helping companies find highly employable young talent who are ready to meet the demands of the modern labour market.

PM: What quantitative indicators do you use to measure impact, number of certified graduates, job/stage placements, completed projects? Could you share recent data on effective placements?

GB: The platform currently has about 14,000 registered youth, distributed across several provinces, from Zumbo to the Indian Ocean. Although this still represents a small fraction of the more than 14 million young people in Mozambique, our goal is to reach 100,000 users by the end of 2030, significantly increasing the platform’s reach and impact.

Our key success metric is accessibility and effective use of the platform, regardless of digital connectivity constraints. The platform allows for offline access, and once users reconnect to the internet, their data is synchronized, allowing us to monitor their progress.

Territorial expansion already includes provinces such as Nampula and Cabo Delgado, where pilot programmes have been implemented. Looking ahead, the focus will be on signing new MoUs with technical and higher education institutions, ensuring final-year students gain direct access to the platform.

We want all institutions delivering final academic cycles in every province to be connected to Field Ready. Only then can we ensure that young people enter the market equipped with the right tools to compete and actively contribute to the country’s growth.

PM: How do you see Field Ready’s role in promoting youth employability, industrialisation, and the transition to a skills-based economy in Mozambique?

GB: Field Ready is a business success story, bringing together more than 65 companies with a shared goal: to train and integrate young Mozambicans into the labour market.

Our model, uniting the industrial sector, training institutions, and employers in a collaborative effort to create, test, and implement demand-driven curricula, was recognised by the African Union in 2021 as one of Africa’s leading innovations in youth vocational training.

This recognition was awarded in acknowledgment of Field Ready’s systemic and inclusive approach, where employers actively participate not only in recruitment but throughout the entire training process, ensuring that new professionals are equipped with the skills that today’s economy demands.

Learn more here: Field Ready

Moçambicanos com ativos financeiros no exterior devem declará-los ao Banco Central

O Banco de Moçambique passou a exigir que todos os cidadãos nacionais e residentes, singulares ou colectivos, que detenham activos financeiros ou patrimoniais fora do país, procedam à sua declaração formal junto da instituição. A medida enquadra-se na nova regulamentação cambial, aprovada ao abrigo da Lei n.º 11/2009, que visa reforçar a monitoria dos fluxos financeiros internacionais, promover a transparência e alinhar o país com as melhores práticas internacionais em matéria de controlo cambial e prevenção de branqueamento de capitais.

De acordo com as orientações do banco central, a obrigatoriedade de declaração incide sobre activos como contas bancárias no estrangeiro, participações em empresas, títulos mobiliários, aplicações em plataformas digitais de investimento, fundos e outros instrumentos financeiros mantidos fora do território nacional. A informação deve ser submetida ao Banco de Moçambique através de canais apropriados e actualizada, no mínimo, uma vez por ano ou sempre que houver alterações relevantes no valor ou natureza dos bens detidos.

A instituição alerta que o incumprimento desta disposição poderá resultar em sanções administrativas, incluindo multas e restrições em operações cambiais. Esta iniciativa surge no contexto de um esforço mais amplo de consolidação da governação económica, combate à evasão fiscal, protecção do sistema financeiro nacional e melhoria dos mecanismos de supervisão macroeconómica.

O Banco de Moçambique reitera que o reforço da cultura de reporte financeiro, por parte dos residentes com interesses no exterior, é fundamental para garantir uma gestão mais eficaz da política cambial, mitigar riscos sistémicos e assegurar um ambiente de negócios estável e competitivo.