Friday, April 10, 2026
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Produção Nacional: Gás de cozinha chega em 2026

Moçambique poderá iniciar, até ao princípio de 2026, a produção nacional de gás de cozinha em Inhassoro, província de Inhambane, num passo decisivo para reduzir a dependência externa e promover o acesso doméstico a energia limpa, segundo anunciou o Governo.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, confirmou que o projecto de produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) em Inhassoro está em fase final de conclusão e deverá entrar em funcionamento entre Dezembro de 2025 e o início de 2026. A implementação sofreu atrasos devido às manifestações pós-eleitorais, que afectaram infra-estruturas e colocaram em risco a segurança das equipas no terreno.

“Contamos que até ao final do ano ou princípio do próximo começará a funcionar”, afirmou Pale na cidade da Maxixe.

Este projecto integra-se no Projecto Integrado de Gás e Energia de Temane, que envolve a instalação de uma central térmica com 450 megawatts e a construção de uma unidade de produção de GPL com capacidade anual de 30 mil toneladas. O investimento inclui ainda uma linha de transporte de energia com 563 quilómetros entre Temane e Maputo.

Redução das Importações e Transição Energética

O GPL produzido internamente será um factor de transformação no acesso à energia doméstica em Moçambique. O Governo estabeleceu a meta de reduzir em 70% as importações de gás de botija, incentivando a utilização de fontes energéticas mais limpas e sustentáveis.

“O objectivo é disponibilizar às famílias uma alternativa acessível e ambientalmente responsável”, frisou o ministro.

Com esta medida, espera-se também contribuir para a mitigação do desmatamento, promovendo a substituição progressiva do uso de lenha e carvão vegetal no consumo doméstico.

Articulação Público-Privada

O projecto resulta de um acordo de partilha de produção entre o Governo de Moçambique, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a Sasol, numa parceria que visa acelerar a industrialização energética nacional.

No mesmo evento, o ministro Pale reiterou que estão a ser criadas as condições para a retoma do Projecto Mozambique LNG, em Afungi, esperando-se que a TotalEnergies levante a cláusula de “força maior” em breve. O Presidente Daniel Chapo reafirmou, nesse contexto, o compromisso do Governo em garantir um ambiente estável e favorável ao investimento.

O início da produção de gás de cozinha em Inhassoro simboliza um passo estratégico para a autonomia energética de Moçambique e uma resposta prática aos desafios da transição para fontes mais limpas. A concretização deste projecto poderá significar uma revolução no consumo doméstico, com impacto social, ambiental e económico profundo.

COTUR recebe certificação internacional de qualidade

A Agência COTUR alcançou um feito inédito no setor de transportes e turismo em Moçambique. A empresa tornou-se a primeira do ramo a receber o Certificado Internacional de Qualidade ISO 9001 atribuído pela entidade Bureau Veritas.

Num marco histórico para o setor dos transportes e turismo em Moçambique, a agência COTUR recebeu esta terça-feira o Certificado Internacional de Qualidade ISO 9001, emitido pela conceituada entidade certificadora Bureau Veritas.

Para a instituição não é apenas o reconhecimento da excelência dos serviços prestados pela COTUR, mas também uma elevação do padrão de qualidade. 

“Este reconhecimento internacional com a certificação ISO 9001 não é apenas uma meta interna alcançada, mas uma ferramenta do nosso setor para servir o futuro do turismo moçambicano. Mais do que um diploma na parede, esta certificação é um compromisso com aquilo que mais nos importa, os nossos clientes e o nosso país. É a garantia de processos sólidos, de qualidade consistente, de um serviço fiável e à altura das expectativas”, disse Muhammad Abdullah, CEO da Agência COTUR. 

Com esta certificação, Segundo Guilherme Drehmer, representante da Bureau Veritas, aCOTUR torna-se a primeira empresa moçambicana do setor de transportes e turismo a obter o ISO 9001 uma norma reconhecida internacionalmente pela gestão da qualidade, emitida por uma entidade de referência global.

“Esta certificação não é só um certificado que vai ser entregue, vai ficar estampado dentro da COTUR, mas sim é uma ótima ferramenta de gestão, onde vai permitir que a COTUR dê continuidade à evolução contínua de procedimentos”, avançou.  

Apesar deste momento de celebração, o setor manifesta crescente preocupação com a escassez de divisas no mercado nacional.

“Temos estado a alertar a quem de direito que é preciso tomar uma ação concreta para a resolução ou a amenização, pelo menos, desta situação. Devo também dizer que alguma melhoria ainda não muito significativa já fez-se sentir, mas infelizmente temos várias companhias aéreas com os seus acessos cortados para o nosso mercado. Há muita limitação. Temos recebido avisos todos os dias de possíveis novos cortes, o que faz com que o mercado das viagens ressinta-se diretamente”, revelou.

A COTUR reforça o seu compromisso com a qualidade, inovação e resiliência, apelando à continuação de esforços conjuntos entre o setor público e privado para assegurar um ambiente econômico mais estável e favorável ao investimento.

FonteO País

Organizações ambientais tentam travar o financiamento do projecto LNG em Cabo Delgado

Organizações ambientais internacionais interpuseram terça-feira (15) uma acção civil no Tribunal do Distrito de Colúmbia, nos Estados Unidos, para impedir o desembolso de 4,7 mil milhões de dólares em financiamento do projecto de Gás Natural Liquefeito de Moçambique (GNL) ao largo da costa da província de Cabo Delgado, operado pela empresa francesa TotalEnergies.

De acordo com uma notícia publicada na edição de quarta-feira da publicação online “Mozambique Times”, o caso está a ser liderado pela Friends of the Earth U.S. e pela Justiça Ambiental/Friends of the Earth Mozambique, representadas pelo grupo de advocacia EarthRights International, sediado nos Estados Unidos.

As ONGs alegam que a aprovação do financiamento pelo Banco de Exportação-Importação dos Estados Unidos (Exim Bank) foi ilegal e que o projecto “deslocou milhares de residentes locais, foi palco de alegadas violações dos direitos humanos, está rodeado de conflitos violentos e causará uma destruição ambiental significativa”.

Segundo a mesma publicação, as organizações acusam o Exim Bank de ter apressado o processo de aprovação “sem realizar as avaliações ambientais e económicas necessárias e sem permitir a participação do público e do Congresso, tal como previsto”.

“O Exim não cumpriu os seus próprios estatutos e a lei federal, criando um precedente perigoso para futuras decisões”, lê-se na declaração das ONG.

A acção judicial acusa ainda o Presidente dos EUA, Donald Trump, de ter nomeado ilegalmente membros do conselho de administração do Exim Bank sem confirmação do Senado, violando os procedimentos oficiais de nomeação.

“Poucas semanas depois, em Março, esse conselho ‘interino’ indevidamente constituído aprovou um empréstimo maciço para apoiar um projecto controverso liderado pelo gigante petrolífero TotalEnergies”, afirmam as ONG. “A decisão foi tomada apesar do conflito armado em curso e da crise humanitária na região, bem como da própria declaração de força maior da TotalEnergies”.

A directora-adjunta de Política Económica da Friends of the Earth U.S., Kate DeAngelis, é citada no comunicado como tendo dito, “existem procedimentos legais e salvaguardas para garantir que o Banco de Exportação-Importação dos EUA não desperdice o dinheiro dos contribuintes em projectos arriscados em áreas afectadas por insurgências violentas”.

A mesma publicação refere ainda que as organizações ambientais contrataram especialistas em insurgência jihadista para argumentar em tribunal que o financiamento do projecto de exploração de gás em Cabo Delgado contribui para alimentar o conflito. Alegam que o projecto é uma das causas estruturais da insurreição, exacerbando as desigualdades locais entre as comunidades afectadas e os trabalhadores trazidos pelo projecto.

“O GNL de Moçambique só beneficiaria as empresas de combustíveis fósseis e uma pequena elite política. Continuar a financiar projectos de gás em Cabo Delgado seria uma traição a Moçambique e à humanidade. Seria um desrespeito pela justiça devida àqueles que sofreram violações dos direitos humanos. Seria ignorar as vozes das famílias que carregam os fardos mais pesados, aquelas que perderam as suas terras, o acesso ao mar e os seus meios de subsistência”, afirmam as ONG.

Entretanto, caso o tribunal dos EUA decida suspender o desembolso dos fundos, o reinício do projecto da TotalEnergies em Cabo Delgado, previsto para o terceiro trimestre de 2025, poderá sofrer mais um atraso,  pois a contribuição do Exim Bank representa cerca de 25% do investimento total necessário para o projecto de 20 mil milhões de dólares.

Absa Bank eleito melhor banco para empresas no Global Banking And Finance Awards

O Absa Bank Moçambique foi reconhecido como o “Melhor Banco Para Empresas” pela conceituada revista internacional Global Banking & Finance Review, sediada no Reino Unido, no âmbito dos prestigiados Global Banking and Finance Awards 2025.

De acordo com um comunicado partilhado pelo banco, este prémio “reflecte o contínuo investimento da instituição em inovação e na oferta de produtos e serviços bancários alinhados às necessidades do mundo empresarial. Como parte de um dos maiores grupos financeiros de África, o Absa Bank Moçambique contribui activamente para o crescimento da economia nacional, apoiando as necessidades de financiamento das empresas locais e internacionais que operam no País.”

A directora da Banca Corporativa e de Investimentos no Absa Bank Moçambique, Patrícia Darsam, afirmou que o prémio evidencia a “excelência em toda a cadeia de valor do banco, incluindo a qualidade dos serviços, a satisfação dos clientes e a capacidade do organismo se manter relevante num mercado dinâmico e competitivo.”

“O nosso compromisso é criar impacto na economia e na comunidade apoiando o crescimento sustentável dos nossos clientes e ajudando-os a escrever a história de sucesso dos seus negócios. Somos um banco que apoia aspirações sob medida para cada negócio, projecto e sector através de soluções diferenciadas e inovadoras. Este reconhecimento não é apenas do Absa – é também de todas as empresas que confiam nos nossos serviços”, destacou Patrícia Darsam, reforçando o compromisso do banco com o crescimento empresarial.

Para assegurar uma relação sólida com as empresas, o Absa tem investido em inovação tecnológica, eficiência operacional e resiliência da sua infra-estrutura, garantindo protecção contra riscos emergentes e prestação de serviços contínuos e fiáveis, aponta o comunicado.

Esse compromisso estende-se à oferta de soluções digitais avançadas, como ferramentas de gestão financeira online, plataformas de pagamento e sistemas de análise e protecção de dados, que facilitam as operações diárias dos seus clientes empresariais.

Gulamhussen: “Queremos levar o turismo moçambicano a novas fronteiras”

Profile Mozambique: Conte-nos um pouco sobre o seu percurso profissional, o que o trouxe ao sector hoteleiro em Moçambique e, em particular, ao VIP Hotels?

Gulamhussen: Chamo-me Gulamhussen, embora seja mais conhecido por Dado. Nasci em Pemba há 41 anos. A minha infância foivivida entre Maputo e Pemba e desde cedo tive interesse pela área do turismo. Em Moçambique, o grupo está presente desde 2002, ano em que foi inaugurado o VIP Grand Maputo. Passados 23 anos, contamos actualmente com quatro unidades hoteleiras no país, somando cerca de 660 quartos, o que faz do VIP Hotels um dos maiores grupos hoteleiros nacionais em termos de capacidade instalada. Temos ainda um plano de expansão ambicioso para levar a marca a outras províncias e cidades do país.

A maior parte da minha carreira profissional está directamente ligada à história do Grupo VIP Hotels, que nasceu em Portugal em 1978 fruto da migração de muitas famílias, incluindo a minha.

Sendo um negócio de cariz familiar, escolhi formar-me em Administração de Empresas e Turismo para dar continuidade a este projecto, que abracei desde cedo.

PM: Quais foram os principais desafios que o Grupo VIP tem enfrentado no mercado moçambicano?

Gulamhussen: Os desafios têm sido constantes, especialmente num mercado como o moçambicano, onde tudo exige maior esforço no arranque. Nos últimos 23 anos, o percurso do VIP Hotels teve momentos de franco crescimento, seguidos de fases mais difíceis, marcadas por adversidades socioeconómicas.

Entre os principais obstáculos enfrentados, destaco o período de instabilidade em 2011-2012, os impactos das dívidas ocultas, a pandemia de COVID-19 e, mais recentemente, as manifestações que afectaram o país.

Perante este contexto, tornou-se essencial cultivar resiliência e capacidade de adaptação para garantir que o grupo continua a servir com qualidade e a manter-se competitivo no mercado.

PM: Como define a estratégia de crescimento do VIP Hotels em Moçambique? Há planos de expansão para outras regiões como Beira, Tete ou Nampula?

Gulamhussen: Actualmente, o VIP Hotels conta com quatro unidades em Moçambique: duas em Maputo, incluindo o VIP Suites, um apart-hotel localizado na Machava, e ainda hotéis nas cidades da Beira e de Tete.

Relativamente à estratégia de crescimento, temos projectos de expansão previstos para novas localizações como Pemba, Nacala, Nampula, Lichinga e Quelimane, além de uma unidade na Zona Sul, em Inhambane, focada no segmento de resorts. Também equacionamos reforçar a presença na Beira..

Gulamhussen, CEO do Grupo VIP Hotels

No entanto, sublinho que o avanço destes investimentos está directamente condicionado pela evolução do contexto político, social e económico do país, assim como pelos reflexos de fenómenos internacionais que acabam por impactar o mercado interno. Por isso, acompanhamos de perto os indicadores e realizamos análises de viabilidade para determinar o momento mais adequado para retomar e concretizar estes projectos de expansão.

PM: Como equilibra o investimento em inovação com a manutenção de qualidade de serviço e conforto para o hóspede?

Gulamhussen: A indústria do turismo, e em particular a hotelaria, está em constante reinvenção, acompanhando tendências que privilegiam cada vez mais o digital e a automatização de processos, como por exemplo o self check-in, que já é prática em várias partes do mundo.

No contexto de Moçambique, reconhecemos que existem limitações legislativas, regulamentares e estruturais que condicionam a adopção imediata dessas soluções. Ainda assim, temos procurado adaptar-nos progressivamente, introduzindo melhorias que reforcem a interacção do hóspede com os nossos serviços e assegurem padrões consistentes de qualidade e conforto.

Com mais de duas décadas de actividade no sector, acreditamos que o futuro da hotelaria nacional passará inevitavelmente por integrar essas novas tecnologias, ajustando-as à realidade local, de forma a manter o compromisso de bem-servir e posicionar Moçambique como destino competitivo no panorama internacional.

PM: Como avalia a evolução do turismo de negócios no país, e que impacto tiveram factores como o surgimento de novas plataformas digitais e a escassez de divisas no desempenho do sector hoteleiro?

Gulamhussen: Durante muitos anos, o turismo de negócios foi o motor do sector hoteleiro nas principais cidades moçambicanas, sustentado por grandes infraestruturas com capacidade para acolher conferências, reuniões e eventos corporativos.

Contudo, este cenário começou a mudar com a sucessão de adversidades, desde a pandemia da Covid-19, que popularizou plataformas de reuniões online como Zoom ou Teams, até ao surgimento de novas tendências globais, como o Airbnb, alojamento local e guesthouses, que passaram a concorrer directamente com as grandes cadeias.

Apesar destes desafios, acredito que há espaço para todos, desde que haja maior diversificação da oferta, regulamentação e fiscalização adequadas para o sector. Por outro lado, a insuficiência de divisas representa hoje um problema transversal, afecta as companhias aéreas, encarece bilhetes e reduz a vinda de turistas e investidores.

Este efeito em cadeia acaba por atingir toda a cadeia de valor, hotéis, restaurantes, transportes e guias turísticos.

PM: Na sua perspectiva, qual deve ser o papel do empresariado nacional na promoção do desenvolvimento sustentável e na afirmação do país como destino económico e turístico?

Gulamhussen: Participo activamente em várias estruturas ligadas ao sector, como a CTA e a Associação dos Hotéis, porque acredito que cabe a todos nós trabalhar para valorizar e divulgar as potencialidades que Moçambique oferece, seja nos recursos naturais, minerais, agrícolas, na logística, nas infraestruturas ou no turismo, sectores que têm um enorme peso no nosso potencial de exportação.

Tem havido um esforço conjunto, tanto do governo como do sector privado, para mostrar estas oportunidades ao mundo, nomeadamente através de feiras e conferências internacionais. É um processo que requer compromisso, planeamento e visão estratégica de longo prazo para produzir resultados sustentáveis.

Gulamhussen: “We want to take Mozambican tourism to new frontiers”

Profile Mozambique: Tell us a little about your professional journey, what brought you to the hotel sector in Mozambique and, in particular, to VIP Hotels?

Gulamhussen: My name is Gulamhussen, although I’m better known as Dado. I was born in Beira 41 years ago, studied in Maputo, and completed my higher education in India, always focused on the tourism sector. In Mozambique, the group has been present since 2002, the year the VIP Grande Maputo opened. Twenty-three years later, we currently have four hotel units in the country, totaling around 600 rooms, which makes VIP Hotels one of the largest hotel groups nationally in terms of installed capacity. We also have an ambitious expansion plan aimed at taking our brand to other provinces and cities across the country.

My professional path is closely linked to the history of VIP Hotels, which was founded in Portugal in 1978 during the Civil War, as a result of the migration of many families, including mine. As it is a family business, I chose to study Business Administration and Tourism to continue this project, which I embraced from an early age.”*

PM: What were the main challenges you faced when you took on the leadership of VIP Hotels?

Gh: The challenges have been constant, especially in a market like Mozambique, where everything requires more effort at the outset. Over the past 23 years, VIP Hotels has experienced periods of solid growth, followed by more difficult phases marked by socio-economic and political adversities. Among the main obstacles we faced, I highlight the period of instability in 2011–2012, the impacts of the hidden debts, the COVID-19 pandemic, and more recently, the protests that affected the sector’s normal operations. Faced with this context, it has been essential to cultivate resilience and adaptability to ensure the group continues to deliver quality service and remains competitive in the market.

PM: How do you define VIP Hotels’ growth strategy in Mozambique? Are there plans to expand to other regions such as Beira, Tete, or Nampula?

IG: Currently, VIP Hotels has four units in Mozambique: two in Maputo, including VIP Suites, an apart-hotel located in Machava, and hotels in the cities of Beira and Tete, all built over the past 23 years. Regarding our growth strategy, we have expansion projects planned for new locations like Pemba, Nacala, Nampula, Lichinga, and Quelimane, as well as a unit in the southern region, in Inhambane, focused on the resort segment. We are also considering strengthening our presence in Beira.

Gulamhussen, CEO of VIP Hotels Group

However, I must emphasize that the advancement of these investments is directly dependent on the evolution of the country’s political, social, and economic context, as well as the effects of international factors that inevitably impact the domestic market. For this reason, we closely monitor indicators and carry out feasibility analyses to determine the right moment to resume and implement these expansion projects.

PM: How do you balance investment in innovation with maintaining service quality and guest comfort?

Gulamhussen: The tourism industry, and hospitality in particular, is constantly reinventing itself, following trends that increasingly prioritize digital solutions and process automation, such as self check-in, which is already common in many parts of the world.

In the Mozambican context, we recognize that there are legislative, regulatory, and structural limitations that constrain the immediate adoption of these solutions. Even so, we have been working to progressively adapt, introducing improvements that strengthen guest interaction with our services and ensure consistent standards of quality and comfort.

With over two decades of experience in the sector, we believe the future of the national hospitality industry will inevitably involve integrating these new technologies, adapting them to local realities, so we can maintain our commitment to excellent service and position Mozambique as a competitive destination on the international stage.

PM: How do you assess the evolution of business tourism in the country, and what impact have factors like the rise of new digital platforms and the shortage of foreign currency had on the hotel sector’s performance?

Gulamhussen: For many years, business tourism was the driving force behind the hotel sector in Mozambique’s main cities, supported by large infrastructures capable of hosting conferences, meetings, and corporate events.

However, this scenario began to shift following a series of adversities, from the Covid-19 pandemic, which popularized online meeting platforms such as Zoom and Teams, to the emergence of new global trends like Airbnb, local accommodation, and guesthouses, which began to compete directly with large chains.

Despite these challenges, I believe there is room for everyone, as long as there is greater diversification of offerings, proper regulation, and effective oversight of the sector. On the other hand, the shortage of foreign currency today is a cross-cutting problem: it affects airlines, increases ticket prices, and reduces the arrival of tourists and investors.

This domino effect ultimately impacts the entire value chain, hotels, restaurants, transport providers, and tour guides.

PM: In your view, what should be the role of national entrepreneurs in promoting sustainable development and positioning the country as an economic and tourism destination?

Gulamhussen: I actively participate in various sector-related bodies, such as the CTA and the Hotel Association, because I believe it is up to all of us to promote and highlight the potential that Mozambique offers, whether in natural, mineral, and agricultural resources, logistics, infrastructure, or tourism, sectors that carry significant weight in our export potential.

There has been a joint effort from both the government and the private sector to showcase these opportunities to the world, especially through international fairs and conferences. It is a process that requires commitment, planning, and a long-term strategic vision to deliver sustainable results..

Moçambique avança para se tornar hub energético regional com refinaria de 240 000 bpd

Moçambique dá um passo decisivo na sua estratégia de autonomia energética e industrialização ao assinar, em Maputo, um contrato EPC para a construção de uma refinaria modular com capacidade de processamento de 240 000 barris por dia (bpd). A iniciativa, resultado de uma parceria entre a empresa nigeriana Aiteo US Corporation e a petrolífera estatal Petromoc, representa uma ambição clara de reduzir a importação de combustíveis refinados e posicionar o país como um fornecedor de referência na região da SADC.

O anúncio oficial foi feito durante a 11.ª edição da Mozambique Mining and Energy Conference (MMEC), presidida pelo Presidente Daniel Chapo, que sancionou o início das obras. O contrato com a empresa norte-americana Deerfield Energy Services LLC visa uma abordagem modular, iniciando com uma linha de fabrico de 80 000 bpd, com expansão programada para atingir os 240 000 bpd em fase seguinte.

Impacto económico e posicionamento estratégico

O novo empreendimento está alinhado com o plano nacional para reforço da capacidade energética interna, industrialização e geração de emprego, especialmente para jovens.

O projecto deverá incluir infraestruturas de armazenamento para 160 000 toneladas de combustíveis líquidos e 24 000 toneladas de gás liquefeito de petróleo (GPL), com conclusão da primeira fase prevista em 24 meses, ou seja, até meados de 2027.

Vê-se além das refinarias

A iniciativa integra um pacote mais vasto de investimentos no sector energético: um memorando de entendimento paralelo antecipa a construção de um oleoduto de 1.400 km ligando o Porto da Beira a Ndola, na Zâmbia, e projecta o sector do gás natural, com destaque à segunda fase do Coral Norte FLNG e à retoma do projecto de LNG em Afungi, em parceria com a TotalEnergies e a ExxonMobil.

  • Criação de uma refinaria modular de 240 000 bpd, em parceria Aiteo–Petromoc, com o apoio da EPC Deerfield.
  • Estratégia faseada: 80 000 bpd na primeira fase, expansão até 240 000 bpd.
  • Ampliação de armazenamento para combustíveis e GPL.
  • Reforço industrial, económico e laboral para Moçambique e região SADC.
  • Integração a um ecossistema energético mais amplo, incluindo oleoduto regional e projetos de LNG.

Este projecto simboliza uma viragem estratégica para Moçambique, que busca não apenas garantir segurança energética nacional, mas também afirmar-se como hub regional no mercado de combustíveis refinados e gás natural.

Preços de bens e serviços sobem 4,15% em Junho, pressionando custo de vida

O nível geral de preços em Moçambique registou um aumento significativo de 4,15% emJunho, comparativamente ao mesmo mês de 2024, após uma relativa estabilidade em Maio, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O comportamento inflacionário foi impulsionado principalmente por três categorias de consumo:

Geograficamente, as províncias mais afetadas foram Tete (+6,31%), Xai-Xai (+5,67%) e Inhambane (+5,53%), índices superiores à média nacional.

No acumulado do primeiro semestre, todos os distritos registaram subida dos preços, com Tete a liderar, com uma inflação acumulada de 3%, seguida de Inhambane e Xai-Xai.

O governo manteve a previsão de que a inflação deverá fechar 2025 em torno dos 7%, cumprindo a meta do Banco de Moçambique de manter a taxa abaixo dos 10% anuais.

Esta crescente pressão inflacionária, especialmente nos produtos essenciais, está directamente a impactar o nível de vida dos moçambicanos e poderá exigir reacções de política monetária para controlar a escalada de preços e atenuar as consequências sociais no trimestre em curso.

Exportações de algodão resgistam queda acentuada, mas sector preserva potencial de recuperação

As exportações de algodão moçambicano registaram, em 2024, uma redução significativa nas receitas, apesar do ligeiro aumento da produção nacional, apontando para um cenário misto que conjuga desafios imediatos e sinais de resiliência do sector a médio prazo.

De acordo com dados recentemente divulgados, o país exportou cerca de 24 mil toneladas, valor que representa um crescimento de 2% face ao ano anterior. Ainda assim, as receitas totais provenientes destas exportações caíram para aproximadamente 14,2 milhões de dólares, menos de metade do registado em anos anteriores, atingindo assim o valor mais baixo dos últimos cinco anos.

Entre as principais causas desta redução, destacam-se a descida dos preços internacionais do algodão, agravada por factores internos como secas sazonais associadas ao fenómeno El Niño e desafios logísticos em algumas regiões produtoras. A combinação destes elementos comprometeu o rendimento dos exportadores, mesmo com o aumento do volume exportado.

O Governo, através do Ministério da Agricultura, tinha lançado no último ano agrícola um subsídio de cinco meticais por quilograma, medida que beneficiou directamente mais de 600 mil produtores e procurou mitigar o impacto da descida dos preços no mercado internacional. Apesar de ter sido descontinuado por limitações orçamentais, o subsídio permitiu garantir maior estabilidade durante a campanha passada.

Os dados oficiais indicam ainda que, nos últimos cinco anos, o sector do algodão gerou cerca de 120,9 milhões de dólares em receitas de exportação, mantendo-se como uma das fileiras agrícolas com maior potencial para contribuir para o crescimento económico, redução da pobreza e criação de emprego nas zonas rurais.

Analistas consideram que, para consolidar a retoma do sector, será fundamental garantir maior modernização da produção, melhorar a competitividade externa e reforçar a transparência no mercado internacional, de forma a proteger os produtores das flutuações dos preços globais. Ainda assim, a manutenção da área cultivada e a recuperação parcial da produção são sinais de que, mesmo perante adversidades, o algodão moçambicano continua a ter margem para retoma e crescimento sustentado

Money Savvy Mozambique lança programa de educação financeira para cadeia de valor do agronegócio em Marracuene

A Money Savvy Mozambique, representada pela sócia-gerente Dra. Sany Weng, lançou oficialmente o Programa de Educação Financeira para a Cadeia de Valor do Agronegócio, uma iniciativa que visa apoiar produtores, empreendedores e agentes económicos de diferentes segmentos do sector.

A formação, que contará com 150 beneficiários, foi desenvolvida com base em conteúdos práticos e acessíveis da International Labour Organization (ILO), reforçando o compromisso da entidade em promover maior literacia financeira junto de quem dinamiza o agronegócio local.

O Município de Marracuene, por intermédio do seu Presidente, Shafee Sidat, acolheu e apoiou a iniciativa desde o primeiro contacto, tendo cedido salas para a realização das sessões de formação, um gesto concreto que reflecte o compromisso da autarquia com o desenvolvimento económico local.

No acto de lançamento, o Vereador de Urbanização e Infra-Estruturas, Aníbal Bechel, destacou a importância da parceria entre entidades públicas e privadas para o fortalecimento da cadeia de valor agrícola no distrito.

A iniciativa conta ainda com o apoio da Fundação Salimo Abdula, representada pelo Presidente, Paulo Oliveira, e pela São Abdula, que disponibilizaram apoio financeiro para cobrir parte dos custos logísticos associados ao programa.

Antes do arranque oficial, equipas de extensionistas realizaram trabalho de campo junto às comunidades, mobilizando beneficiários, apresentando os objectivos da formação e recolhendo as principais preocupações e expectativas dos participantes. Este contacto directo foi apontado como essencial para garantir que os conteúdos da formação estejam alinhados com as reais necessidades identificadas no terreno.