Saturday, April 11, 2026
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G20 discute incertezas económicas globais em Durban sob tensão geopolítica e pressão sobre economias emergentes

A reunião de ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 em Durban, África do Sul, decorreu num ambiente dominado por crescentes tensões geoeconómicas e financeiras. A ausência do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pelo segundo encontro consecutivo, e as ameaças de tarifas aduaneiras dos EUA a países do BRICS complicaram a coordenação do grupo.

O diretor-geral do Tesouro sul-africano, Dr. Duncan Pieterse, advertiu que estes desafios intensificam a fragilidade dos sistemas multilaterais e podem atrasar a recuperação económica global. Ele destacou a urgência de reforçar a arquitectura financeira internacional, promover a sustentabilidade da dívida, resolver problemas de liquidez e fortalecer bancos multilaterais de desenvolvimento.

O encontro abordou ainda a dívida externa da África subsaariana, estimada em 800 mil milhões de dólares, a necessidade de transparência em empréstimos chineses e a redução do apoio financeiro dos EUA e Europa, que acentuaram a pressão sobre economias em desenvolvimento .

O Presidente do Banco de Inglaterra e actual líder do Conselho de Estabilidade Financeira, Andrew Bailey, reforçou a importância da cooperação global, salientando que a incerteza política e económica continua a prejudicar as perspetivas de crescimento.

Com a presidência sul-africana a destacar a “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, está prevista a publicação de um comunicado ao final da semana, cujo sucesso depende da capacidade de encontrar consenso num momento internacional marcado por isolamento e proteccionismo crescente

Airlink projecta dois voos semanais na rota Nacala–Joanesburgo

O aeroporto internacional de Nacala poderá, em breve, contar com dois voos semanais para Joanesburgo, na África do Sul, operados pela companhia aérea Airlink. A informação resulta de um encontro entre o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, e representantes da transportadora sul-africana, realizado à margem da Feira Económica de Nampula (FENA 2025).

Durante a reunião, a companhia aérea sul-africana Airlink manifestou interesse em explorar a rota Nacala–Joanesburgo e comprometeu-se a enviar, nos próximos dias, uma equipa técnica para avaliar o potencial do mercado.

Na ocasião, o governador Eduardo Abdula assegurou total apoio institucional à iniciativa, sublinhando que a abertura desta ligação internacional poderá impulsionar o turismo, o comércio e o investimento, contribuindo para o desenvolvimento económico da província e do Corredor de Nacala.

Recorde-se que o aeroporto de Nacala tem operado muito abaixo da sua capacidade instalada apesar de possuir infra-estruturas modernas. A entrada da Airlink é vista como uma oportunidade para a sua dinamização e internacionalização.

Sul-africana Eskom comprou 66% da eletricidade da barragem moçambicana de Cahora Bassa

HCB

“Neste ano de 2025, além de implementar projetos de reabilitação, a HCB, olhando para a reversão energética prevista para 2030, Moçambique passa a controlar a fonte de geração de energia com o fim do contrato com a Eskom, deve consolidar o seu papel no desenvolvimento energético de Moçambique“, disse o chefe de Estado, no seu discurso, confirmando assim a intenção já sinalizada no Governo anterior.

A Lusa noticiou em fevereiro de 2024 que o Governo moçambicano, então liderado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, pretendia “repatriar” a partir de 2030, para uso doméstico, a eletricidade que exporta da HCB para África do Sul desde 1979.

A posição consta da Estratégia para Transição Energética em Moçambique até 2050, aprovada pelo Governo anterior, em que se assume esse objetivo para 2030: “A principal prioridade hídrica de curto prazo é a repatriamento da eletricidade da HCB, atualmente exportada para a África do Sul (8-10 TWh) [TeraWatt-hora], bem como a adição de 2 GW [GigaWatt] de nova capacidade hidroelétrica nacional até 2031”.

No documento recorda-se igualmente que a central hidroelétrica de Cahora Bassa é a “mais importante de Moçambique”, com uma capacidade total instalada de 2.075 MW (Megawatt), sendo detida maioritariamente pelo Estado moçambicano.

“Desde o início das operações em 1979, a HCB exportou a maior parte da sua produção de eletricidade para a estatal sul-africana Eskom, com uma parte menor fornecida à Eletricidade de Moçambique. A eletricidade da HCB é barata e limpa”, lê-se no documento.

Da produção total, apenas 300 MW de “energia firme” e 380 MW de “energia variável” são fornecidas pela HCB à elétrica estatal moçambicana.

“Em 2030 o Contrato de Aquisição de Energia entre a HCB e a Eskom chegará ao fim e decisões importantes terão de ser tomadas relativamente à comercialização e destino final de energia limpa da HCB”, acrescenta-se.

Nos arredores de Maputo, sul do país, funciona a fábrica de alumínio da Mozal, sul-africana e alimentada pela eletricidade precisamente fornecida pela Eskom, contrato de fornecimento que por sua vez termina em 2026, devido às dificuldades de cobertura da rede elétrica moçambicana, sendo aquela uma das maiores consumidoras de eletricidade do país, com necessidades de 900 MW.

Já o aumento da capacidade da produção hidroelétrica, segundo o documento, será garantido pela nova hidroelétrica de Mphanda Nkuwa e pela construção da estação norte da HCB.

“Os recursos hidroelétricos únicos de Moçambique formarão a espinha dorsal estratégica para a produção de energia de baixo carbono e as ambições de industrialização verde do país, que é uma prioridade nacional”, assumiu o Governo no mesmo documento.

Fonte: Observador

Empresariado moçambicano defende a criação de um banco agrícola para dinamizar a produção

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a maior entidade patronal no País, defendeu esta quinta-feira (10), em Nampula, norte de Moçambique, a criação urgente de um banco agrícola robusto, com um quadro legal adequado para financiar, de forma estratégica e sustentável, os sectores produtivos, com enfoque absoluto no agronegócio.

A proposta foi apresentada pelo presidente da CTA, Álvaro Massingue, durante a primeira Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio (CINA), que decorre na cidade de Nampula.

Citado numa publicação do Jornal Rigor, Massingue explicou que a solução passa por uma abordagem económica centrada no financiamento produtivo. “O Governo deve impulsionar o crédito comercial e reconhecer a banca de desenvolvimento como motor do progresso nacional, é urgente criar um banco agrícola robusto que responda às necessidades do sector produtivo”, sublinhou.

O presidente da agremiação acrescentou ainda que o Governo deve assumir o seu papel de facilitador, criando incentivos ao investimento, eliminando burocracias e acelerando processos. “A nutrição não é apenas um problema social — é uma gigantesca oportunidade económica. O momento de agir é agora.”

A CTA elogiou a visão estratégica do governo provincial de Nampula e saudou o compromisso do Governo de Moçambique com a agenda nutricional, através da promoção de cadeias de valor alimentares mais inclusivas, resilientes e sustentáveis. Destacou que a conferência deve gerar acções concretas para inverter os alarmantes indicadores de desnutrição, sobretudo em Nampula, a província mais populosa do país.

“Moçambique dispõe de 36,5 milhões de hectares de terras aráveis. Paradoxalmente, apenas 15% dessa terra está efectivamente em produção. Este dado não apenas revela um desafio, é um grito de alerta para uma transformação urgente”, advertiu.

Segundo dados do SETSAN citados por Massingue, 37% das crianças moçambicanas com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. Em Nampula, a situação é ainda mais preocupante: 47,6% das crianças são afectadas, 2,5% nascem com baixo peso e 9,1% enfrentam desnutrição aguda.

“Estamos perante um drama nacional que compromete o desenvolvimento cognitivo, a aprendizagem e, no futuro, a inserção no mercado de trabalho de uma geração inteira. Uma geração em risco de exclusão das oportunidades do século XXI”, alertou.

Massingue descreveu a conferência como um apelo à consciência nacional. “Ou continuamos a importar alimentos e, com isso, importar pobreza. Ou produzimos localmente, alimentamos melhor o nosso povo e criamos riqueza dentro da nossa casa.”

Afirmou ainda que a nutrição deve ser encarada como vector de crescimento económico. “Garantir a nutrição é garantir dignidade, saúde e desenvolvimento humano. Num País com rápido crescimento populacional, a única via sustentável é produzir mais, melhor e localmente.”

Bruno Dias: “EY aposta na inovação e talento para liderar o ponto de viragem económico do país”

Profile Mozambique: Como descreve a evolução e o posicionamento da EY Moçambique ao longo destes mais de 30 anos de actividade no país?

Bruno Dias: A EY é uma das quatro maiores firmas de serviços profissionais a nível mundial, presente em mais de 150 países, e em Moçambique conta já com uma história de mais de três décadas.

Durante este percurso, construímos uma presença sólida e sustentável, marcada por um crescimento constante e pelo reforço contínuo da qualidade dos nossos serviços de auditoria, consultoria, assessoria fiscal e transacional.

Orgulhamo-nos de ter acompanhado e apoiado o país e o sector privado em momentos decisivos de transformação e modernização da economia nacional, contribuindo para a adopção de melhores práticas de governação, transparência e eficiência empresarial.

Hoje, mantemos o compromisso de permanecer ao lado das empresas moçambicanas, como parceiro estratégico para enfrentar novos desafios e potenciar oportunidades de desenvolvimento económico e social.

PM: Que prioridades estratégicas orientam este novo ciclo de liderança da Ernst & Young Moçambique?

BD: Na EY Moçambique, iniciamos este novo ciclo de liderança com uma estratégia assente em três grandes prioridades: inovação, talento e proximidade ao mercado.

Em primeiro lugar, reforçamos o compromisso com a inovação tecnológica, procurando integrar soluções digitais que tornem os nossos serviços mais ágeis, seguros e alinhados com os desafios de transformação digital que também os nossos clientes enfrentam.

Country Managing Partner da EY Moçambique

Em segundo lugar, colocamos um foco renovado no desenvolvimento e retenção de talento moçambicano, investindo fortemente em formação contínua, certificações internacionais e programas de mobilidade que permitem expor as nossas equipas às melhores práticas globais.

Por fim, mantemos como prioridade estratégica a proximidade ao tecido empresarial e institucional, apoiando empresas e sectores-chave da economia nacional em processos de crescimento sustentável, governação corporativa e adaptação a novas exigências regulatórias e de mercado.

PM: Como a sua experiência pessoal e trajectória profissional influenciam a abordagem que pretende imprimir à EY Moçambique?

BD: A minha experiência de mais de 25 anos, repartida entre grandes firmas como a EY e projectos próprios em ambientes empreendedores, permite-me conjugar solidez e agilidade na gestão. Aliada ao conhecimento adquirido em mercados emergentes, essa trajectória reforça a visão de liderar a EY Moçambique com proximidade, flexibilidade e elevado rigor técnico, contando com uma equipa preparada para responder aos desafios do mercado nacional.

PM: Como avalia o actual ambiente de negócios em Moçambique e quais são, na sua visão, os principais desafios e oportunidades para o sector privado?

BD: O ambiente de negócios em Moçambique tem atravessado momentos complexos, marcados recentemente por alguma instabilidade social e por uma contracção económica no primeiro trimestre deste ano, que registou uma redução do PIB em cerca de 3,9%.

Entre os principais desafios imediatos destaco a questão cambial e da disponibilidade de divisas, que carece de uma abordagem estruturada, bem como a necessidade de um maior controlo da dívida pública por parte do Estado.

Apesar deste contexto, considero que estamos a chegar a um ponto de viragem, com sinais que permitem encarar o futuro com optimismo. O reinício dos grandes projectos de gás natural representa um catalisador importante para dinamizar a economia no curto prazo, embora devamos evitar depender excessivamente deste sector, preservando capacidade de crescimento sustentável noutras áreas estratégicas.

De forma geral, mantenho uma visão optimista sobre o potencial do país, acreditando que existirão novas oportunidades para os investidores privados e para o fortalecimento do tecido empresarial moçambicano.

PM: Que sectores da economia moçambicana a EY identifica como prioritários para impulsionar o crescimento nos próximos anos?

BD: Na nossa visão, o sector energético, incluindo os grandes projectos de gás natural e iniciativas em energias renováveis, representa um importante catalisador para a economia moçambicana no curto prazo.

Contudo, para sustentar um crescimento equilibrado e de longo prazo, identificamos como prioritário o investimento em infraestruturas, nomeadamente a criação de um corredor estruturante norte-sul, que permita melhor integrar as diferentes regiões do país e potenciar a circulação de bens e serviços, especialmente considerando que a capital está localizada no extremo sul.

Destacamos igualmente a importância estratégica do sector primário, com enfoque na agricultura, que é a base económica de Moçambique, e cuja modernização e dinamização poderão ter efeitos directos na redução da pobreza e na criação de emprego.

Por outro lado, defendemos que a industrialização deve ser uma prioridade clara, alicerçada em planos diretores robustos, capazes de promover a transformação local e o aumento do valor acrescentado nacional.

PM: Que contributo a EY pretende dar no apoio às empresas moçambicanas na sua preparação para desafios como ESG (Ambiental, Social e Governança), digitalização e integração em cadeias de valor globais?

BD: A EY pretende apoiar as empresas moçambicanas a preparar-se para os desafios de ESG, digitalização e integração em cadeias de valor globais, alinhando-se à estratégia internacional All In, que coloca estes vectores no centro do nosso crescimento.

Em Moçambique, já desenvolvemos projectos de modernização no sector privado e no Estado, incluindo iniciativas apoiadas pelo Banco Mundial para digitalizar a função pública. Queremos ser parceiros estratégicos neste processo, trazendo conhecimento global adaptado à realidade local.

Paralelamente, apostamos na formação de jovens moçambicanos em áreas como inteligência artificial e cibersegurança, integrando-os em equipas internacionais para desenvolver projectos de referência, contribuindo assim para o fortalecimento de competências técnicas no país.

PM: Que visão de longo prazo projecta para a EY Moçambique no seu mandato? Há intenção de expandir áreas de actuação ou desenvolver novos serviços?

BD: A visão de longo prazo para a EY Moçambique passa por reforçar os serviços tradicionais, como auditoria e consultoria fiscal, mas sobretudo por expandir para áreas estratégicas como a digitalização, consultoria tecnológica e serviços de BPO.

Com esta aposta, pretendemos não só modernizar a nossa oferta, mas também tornar-nos um parceiro ainda mais próximo do crescimento e eficiência operacional dos nossos clientes no país.

PM: Quais são as principais iniciativas de responsabilidade social que a EY Moçambique tem implementado, especialmente no apoio ao empreendedorismo feminino e às organizações locais?

BD: A EY desenvolve várias acções de responsabilidade social através do programa global Ripples, apoiando de forma discreta instituições e pequenas associações locais. Destacamos ainda a iniciativa Be Like a Woman, que entra agora numa nova edição e visa apoiar e capacitar jovens empresárias moçambicanas, contribuindo para o seu crescimento profissional e para o fortalecimento do empreendedorismo feminino no país.

Saiba mais aqui: EY Moçambique

Bruno Dias: “EY is betting on innovation and talent to lead the country’s economic turning point”

Profile Mozambique: How would you describe EY Mozambique’s evolution and positioning over more than 30 years of operations in the country?

Bruno Dias: EY is one of the world’s Big Four professional services firms, present in over 150 countries, and has already built a history of over three decades in Mozambique.

Throughout this journey, we have built a solid and sustainable presence, marked by consistent growth and a continuous enhancement in the quality of our services in audit, consulting, tax and transaction advisory.

We are proud to have supported the country and the private sector during crucial moments of transformation and modernisation of the national economy, contributing to the adoption of best practices in governance, transparency, and business efficiency.

Today, we maintain our commitment to stand alongside Mozambican companies as a strategic partner in facing new challenges and harnessing opportunities for economic and social development.

PM: What strategic priorities guide this new leadership cycle at Ernst & Young Mozambique?

BD: At EY Mozambique, we are beginning this new leadership cycle with a strategy based on three main priorities: innovation, talent, and market proximity.

Firstly, we are reinforcing our commitment to technological innovation, aiming to integrate digital solutions that make our services more agile, secure, and aligned with the digital transformation challenges faced by our clients.

Secondly, we are placing renewed focus on the development and retention of Mozambican talent, heavily investing in continuous training, international certifications, and mobility programmes that expose our teams to global best practices.

Country Managing Partner at EY Mozambique

Lastly, we continue to prioritise close proximity to the business and institutional ecosystem, supporting companies and key sectors of the national economy in processes of sustainable growth, corporate governance, and adaptation to new regulatory and market demands.

PM: How does your personal experience and professional background influence the approach you intend to bring to EY Mozambique?

BD: With more than 25 years of experience, split between major firms like EY and personal entrepreneurial ventures, I bring a blend of solid foundations and agility in management. Combined with knowledge acquired in emerging markets, this background reinforces my vision of leading EY Mozambique with proximity, flexibility, and strong technical rigour, alongside a team fully equipped to meet the challenges of the local market.

PM: How do you assess the current business environment in Mozambique, and what, in your view, are the main challenges and opportunities for the private sector?

BD: The business environment in Mozambique has gone through complex times, recently marked by some social instability and an economic contraction in the first quarter of this year, with GDP shrinking by around 3.9%.
Among the main immediate challenges, I highlight exchange rate issues and foreign currency availability, which require a structured approach, as well as the need for greater control of public debt by the State.

Despite this context, I believe we are approaching a turning point, with signs that allow us to look to the future with optimism. The resumption of major natural gas projects is an important catalyst to stimulate the economy in the short term, though we must avoid overdependence on this sector and maintain the capacity for sustainable growth in other strategic areas.

Overall, I maintain an optimistic view of the country’s potential, believing that new opportunities will emerge for private investors and for strengthening the Mozambican business fabric.

PM: Which sectors of the Mozambican economy does EY identify as priorities for driving growth in the coming years?

BD: In our view, the energy sector, including major natural gas projects and renewable energy initiatives, is a key short-term catalyst for the Mozambican economy.

However, to sustain balanced and long-term growth, we identify infrastructure investment as a priority, namely the creation of a structured north-south corridor to better integrate the country’s regions and boost the movement of goods and services, especially considering that the capital is located at the southernmost tip.

We also highlight the strategic importance of the primary sector, particularly agriculture, which is the backbone of Mozambique’s economy. Its modernisation and revitalisation could have direct effects on poverty reduction and job creation.

Moreover, we believe that industrialisation should be a clear priority, supported by robust master plans capable of promoting local transformation and increasing national added value.

PM: What support does EY intend to offer Mozambican companies in preparing for challenges such as ESG (Environmental, Social and Governance), digitalisation, and integration into global value chains?

BD: EY aims to support Mozambican companies in preparing for ESG, digitalisation, and global value chain integration challenges, aligning with our international “All In” strategy, which places these areas at the core of our growth.

In Mozambique, we have already developed modernisation projects in both the private sector and government, including World Bank-supported initiatives to digitalise public administration. We want to be strategic partners in this journey, bringing global knowledge adapted to the local context.

At the same time, we are investing in training young Mozambicans in areas such as artificial intelligence and cybersecurity, integrating them into international teams to work on flagship projects and thus contributing to the strengthening of technical competencies in the country.

PM: What long-term vision do you project for EY Mozambique during your mandate? Are there plans to expand areas of operation or develop new services?

BD: The long-term vision for EY Mozambique includes strengthening our traditional services such as audit and tax advisory, but above all expanding into strategic areas such as digitalisation, technology consulting, and BPO (Business Process Outsourcing) services.

With this approach, we aim not only to modernise our service offering but also to become an even closer partner in our clients’ growth and operational efficiency across the country.

PM: What are the main social responsibility initiatives currently implemented by EY Mozambique, especially in supporting women’s entrepreneurship and local organisations?

BD: EY implements various social responsibility actions through its global Ripples programme, discreetly supporting local institutions and small associations.

We also highlight the Be Like a Woman initiative, now entering a new edition, which aims to support and empower young Mozambican women entrepreneurs, contributing to their professional development and the strengthening of female entrepreneurship in the country.

Learn more here: EY Mozambique

Eni garante: “Coral Sul vai gerar 16 mil milhões de dólares para o Estado em 30 anos”

A plataforma flutuante Coral Sul, dedicada à produção de gás natural liquefeito (GNL), deverá pagar cerca de 16 mil milhões de dólares em impostos e taxas ao Estado moçambicano ao longo dos seus 30 anos de vida útil, avançou esta quarta-feira, 9 de Julho, a Agência de Informação de Moçambique (AIM).

O anúncio foi feito durante uma visita guiada à unidade offshore, organizada pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, com o objectivo de apresentar os progressos do projecto à comunicação social.

Operada pela multinacional italiana Eni, a Coral Sul está ancorada a 50 quilómetros da costa do distrito de Palma, província de Cabo Delgado, e a cerca de 200 quilómetros a norte da cidade de Pemba. Inaugurada a 23 de Novembro de 2022 pelo então Presidente Filipe Nyusi, é actualmente o único projecto de GNL em produção no país.

Segundo Marica Calabrese, directora-geral da Eni Rovuma Basin, “até Junho de 2025, a plataforma já processou 501,6 milhões de pés cúbicos de gás, exportando 128 carregamentos, dos quais 112 de GNL e 16 de condensados”. No mesmo período, a empresa declarou ter pago ao Estado 210 milhões de dólares (cerca de 13,44 mil milhões de meticais) em impostos.

O gás é extraído das águas ultraprofundas da Bacia do Rovuma e liquefeito directamente na unidade flutuante, construída nos estaleiros da Samsung, na Coreia do Sul, e posteriormente rebocada até ao Canal de Moçambique. A plataforma tem capacidade para produzir 3,4 milhões de toneladas de GNL por ano.

Todo o gás produzido pela Coral Sul é adquirido pela BP, multinacional britânica com sede em Londres, ao abrigo de um contrato exclusivo de 20 anos, com possibilidade de extensão por mais 10 anos. Ao contrário dos projectos em terra, a localização offshore da Coral Sul coloca-a fora do alcance directo dos ataques armados perpetrados por grupos extremistas activos em algumas zonas da província de Cabo Delgado, sobretudo nas proximidades da península de Afungi.

Governo autoriza EDM e HCB a subscreverem 30 % das acções da Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa

Em reunião realizada na 24.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, foi aprovada uma resolução que autoriza a Electricidade de Moçambique (EDM) e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) a subscreverem, cada uma, até 15 % das participações sociais da Central Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa (CHMN), perfazendo uma participação conjunta de 30 %.

O decreto define que a EDM e a HCB atuarão em representação do Estado moçambicano, assumindo tal compromisso financeiro, com a HCB sendo uma sociedade anónima de direito privado (85 % detida pela Companhia Eléctrica do Zambeze, 7,5 % pela REN de Portugal, 4 % por entidades moçambicanas, e 3,5 % de ações próprias).

A decisão oficializa uma estrutura accionista que vinha a ser moldada desde 2018, quando o Presidente Filipe Nyusi incumbiu EDM e HCB de liderar o desenvolvimento do empreendimento, e pela primeira vez estabelece legalmente os termos da participação estatal.

A CHMN terá capacidade instalada de 1 500 MW, valor estimado entre 4 500 e 5 000 milhões de dólares, e incluirá uma linha de transporte de alta tensão de cerca de 1 300–1 400 km, ligando Tete a Maputo.

A empresa de propósito específico, MNK GenCo, será gerida por um parceiro privado maioritário que deverá investir entre 500 e 700 milhões de dólares, enquanto EDM e HCB — em nome do Estado — deverão mobilizar, em conjunto, 250 a 350 milhões de dólares.

Desde a criação do Gabinete do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa (GMNK), o processo tem beneficiado de apoio técnico de entidades como Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e Southern African Power Pool, havendo já concurso internacional para seleção do parceiro estratégico.

A concretização financeira por parte da EDM e HCB dependerá da capacidade destas em mobilizar fundos, num contexto marcado por restrições fiscais e elevado nível de endividamento público.

Resumo simplificado:

Fonte: Jornal Noticias

Projecto de Central Eléctrica a Gás Natural em Nacala entra em Consulta Pública

O distrito de Nacala-Porto, na província de Nampula, prevê construir uma central eléctrica a gás natural com capacidade de 200 megawatts, com o objectivo de responder à crescente procura de energia na região.

A iniciativa é liderada pelas empresas NOR Energy e Azura Power, que submeteram ao Governo moçambicano uma proposta para a implementação da infra-estrutura.

No âmbito deste processo, realizou-se na semana passada a primeira de várias sessões de consulta pública, coordenadas pela empresa IMPACTO. O encontro contou com a participação de representantes do Governo, técnicos do Conselho Municipal de Nacala, líderes comunitários e outras entidades relevantes.

De acordo com informações obtidas pelo Wamphula Fax, estas consultas públicas destinam-se a subsidiar a elaboração do estudo de impacto ambiental, que servirá de base para a decisão final sobre o projecto.

Segundo Luciana Santos, representante da IMPACTO, o principal objectivo da construção da central passa por melhorar o acesso a energia limpa, reduzir as emissões de gases poluentes, minimizar os custos de transmissão através de rotas mais eficientes e mitigar o risco de interrupções no fornecimento.

Santos sublinhou que, apesar de Moçambique dispor de vastos recursos energéticos e exportar electricidade para países como a África do Sul, Zimbabwe e Zâmbia, apenas cerca de 40% da sua população tem actualmente acesso à energia eléctrica.

Entre os factores que contribuem para as frequentes falhas no fornecimento destacam-se a degradação das infra-estruturas de transmissão, o aumento do consumo interno, a produção instável e fenómenos naturais extremos.

“Este projecto de central a gás natural está plenamente alinhado com os objectivos do Governo moçambicano de reforçar a capacidade de produção energética assente em fontes mais sustentáveis”, frisou Santos.

Por seu turno, o administrador do distrito de Nacala-Porto, Morchido Daúdo Momade, garantiu que o Executivo vai criar condições para viabilizar o projecto, sem descurar a necessidade de proteger o meio ambiente e de respeitar as normas legais aplicáveis.

FastJet retoma voos domésticos, reacendendo concorrência à LAM

O grupo sul-africano Solenta, operador da marca FastJet em Moçambique, acaba de obter o Certificado de Operador Aéreo (AOC), último requisito regulatório para iniciar voos comerciais internos. A certificação, aprovada em maio de 2025, foi alvo de “demora anormal” acusa a empresa, que afirma ter cumprido todo o processo exigido .

Apesar de já contar com aeronaves no país e equipas recrutadas, a Solenta/FastJet ainda aguarda autorização final das autoridades para começar a operar, num movimento que reintroduz concorrência no mercado nacional, até aqui dominado pela transportadora estatal LAM.

A reentrada da FastJet ocorre após um hiato de quase seis anos. A companhia esteve ativa entre 2017 e 2019, suspendendo atividades em outubro de 2019 devido a entraves administrativos e operacionais.

Segundo nota oficial, o plano de negócios e o AOC foram entregues e aprovados em maio. No entanto, mesmo com esses documentos validados, as autoridades ainda não emitiram a luz verde para o início imediato das operações.

Contexto e impacto

  • Retorno de modelo low-cost: O ingresso de FastJet reacende a competição no mercado interno, potencialmente beneficiando consumidores por meio de tarifas mais baixas e maior oferta de voos.
  • Presença anterior: Em 2017, a empresa estreia com ligações entre Maputo, Beira, Nampula e Tete, suspende voos em 2019, e agora se prepara para retomar essas rotas.

A FastJet, operada pela Solenta, conquistou finalmente o AOC em maio de 2025. Apesar dos atrasos e das acusações de obstrução por parte das autoridades, a companhia está pronta para reabertura de voos no mercado doméstico, quebrando o monopólio da LAM e trazendo maior competitividade ao setor de aviação interna em Moçambique.