Thursday, May 28, 2026
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BAD Aprova 17 milhões de dólares para reconstrução e emprego no norte do país

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um financiamento de 17 milhões de dólares norte-americanos para apoiar a recuperação e o desenvolvimento socioeconómico no norte de Moçambique, com enfoque na província de Cabo Delgado, afectada pela insurgência armada desde 2017. O projecto prevê a criação de 24 mil empregos e deverá beneficiar mais de 100 mil pessoas, com prioridade para jovens e mulheres.

Segundo uma nota da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), o apoio será canalizado através do Projecto de Investimento Resiliente para o Empoderamento Socioeconómico, Paz e Segurança (RISE-PS), a ser implementado entre Setembro de 2025 e Agosto de 2029. A iniciativa será liderada pelo Governo moçambicano, com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O projecto prevê a reabilitação de 150 infra-estruturas comunitárias, incluindo escolas, centros juvenis, postos de saúde, mercados e sistemas de abastecimento de água. Está igualmente previsto o emprego imediato de 4.500 jovens e mulheres nas obras públicas, bem como a formação profissional de 9.200 pessoas. Cerca de 2.000 mulheres e jovens empresários terão acesso a subsídios para relançar pequenos negócios destruídos pela violência.

O BAD destaca ainda a construção de um Centro de Pequenas e Médias Empresas (PME) no Pólo Industrial de Afungi, com capacidade para acolher até 100 empresas em infra-estruturas modernas e sustentáveis. A responsabilidade pela construção caberá à empresa moçambicana MozParks. O projecto contará também com a participação de empresas privadas como a TotalEnergies e a ExxonMobil, que oferecerão estágios a 1.055 jovens, dos quais 70% deverão ser integrados em empregos permanentes.

O investimento total no projecto RISE-PS é de 28 milhões de dólares, dos quais 17 milhões provêm do BAD. Os restantes fundos serão assegurados pelo PNUD (4,2 milhões), Governo da Alemanha (2,4 milhões), parceiros privados (3,1 milhões) e Governo moçambicano (1,3 milhão).

PIB contrai no 1.º semestre, enquanto inflação anual se mantém em torno de 4,7%

Por: Simão Djedje

No arranque deste ano, a economia moçambicana viveu um primeiro trimestre particularmente difícil, marcado por uma contração inesperada do Produto Interno Bruto (PIB) e por incertezas que afetaram vários sectores produtivos.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o PIB registou uma variação homóloga negativa de –4,87% no quarto trimestre de 2024, contrastando com um crescimento de +3,68% verificado no trimestre anterior. O impacto prolongou-se para o início de 2025, levando mesmo o Banco de Moçambique a admitir que o “primeiro trimestre está praticamente perdido” no que toca ao crescimento económico.

Fonte: INE

Contudo, as previsões para o segundo trimestre são mais animadoras, com o próprio Banco Central a antecipar uma recuperação gradual, suportada pela política monetária mais acomodatícia. Recorde-se que, em Março, o Banco de Moçambique reduziu a taxa MIMO de 12,75% para 12,25%, ao mesmo tempo que baixou os coeficientes de reservas obrigatórias de 39% para 29%. O objectivo é claro: aliviar a pressão sobre os bancos comerciais e permitir que o crédito volte a chegar a empresas e famílias, dinamizando a economia.

Inflação contida, mas ainda com riscos

No que toca à inflação, o panorama é relativamente estável. Em Fevereiro, a taxa situava-se nos 4,74%, mantendo-se dentro do intervalo de um dígito que o Banco Central considera aceitável. Ainda assim, persistem riscos que poderão pressionar os preços ao longo do ano, nomeadamente factores climáticos e questões fiscais.

                         Fonte: Banco de Moçambique

Importa sublinhar que o maior contributo para a inflação continua a vir dos preços da alimentação, que registaram aumentos superiores a 11,9%, e dos serviços, com uma variação de +6,2%.

Sistema bancário sólido, mas com lucros em queda

O sistema financeiro mantém-se sólido e com indicadores robustos. Os dados do Banco de Moçambique revelam um rácio de solvabilidade confortável, na ordem dos 26,5%, bem acima do mínimo regulamentar de 12%, e um rácio de liquidez de 59,5%, face ao mínimo exigido de 25%.

Apesar desta resiliência, a rentabilidade dos bancos registou um recuo no ano passado: os lucros caíram cerca de 21,9%, fixando-se em cerca de 319 milhões de euros, devido a maiores custos operacionais e imparidades. Além disso, o rácio de crédito malparado subiu para 9,32%, um sinal que merece acompanhamento atento.

Dívida pública continua a crescer

No capítulo das finanças públicas, a dívida pública interna (excluindo mútuos e mora) aumentou para 445,9 mil milhões de meticais em Março de 2025, mais 30,3 mil milhões de meticais em relação a Dezembro de 2024.

 Fonte: BM e BVM

Os refinanciamentos realizados no primeiro trimestre totalizaram cerca de 19,2 mil milhões de meticais, o que contribuiu para o aumento do stock da dívida. O Banco de Moçambique reconhece que estas operações são necessárias para mitigar riscos imediatos, mas alerta para o impacto na sustentabilidade das contas públicas a médio e longo prazo.

Entre riscos fiscais e inflação controlada, segundo trimestre será teste à retoma económica

Tudo indica que o segundo trimestre de 2025 será marcado por uma recuperação moderada do crescimento económico, num contexto de inflação que se mantém sob controlo, embora persistam alguns riscos. Prevê-se ainda um aumento da disponibilidade de crédito para empresas e consumidores, impulsionado pelas medidas mais acomodatícias da política monetária.

Paralelamente, deverá continuar o debate em torno da sustentabilidade da dívida pública, que permanece como um dos principais desafios macroeconómicos do país. São sinais positivos que, apesar de encorajadores, exigem acompanhamento atento, dada a vulnerabilidade da economia moçambicana a choques externos e internos.

Documentos consultados:

            •  Banco de Moçambique (2025). Comunicado do Comité de Política Monetária – Março de 2025.

            • BM – Relatório de Conjuntura Económica e Perspetivas de Inflação – Junho de 2025.

            • INE – Dados do PIB trimestral e IPC – Fevereiro e Março de 2025.

            • Ministério das Finanças (MF). Boletim trimestral da dívida pública interna – Maio de 2025.

            • Banco Mundial (2025). Actualização Económica sobre Moçambique – Abril de 2025.

Gaspar Buque: “A Field Ready surge para maximizar a empregabilidade juvenil”

Nesta entrevista concedida à PROFILE Mozambique, Gaspar Buque, Director-Geral da Field Ready em Moçambique, fala sobre os princípios que orientam a actuação da organização, os resultados alcançados, a parceria com empresas como a ExxonMobil, CFM e ROMPCO, e os planos de expansão para as diferentes províncias.

Numa conversa pautada pela visão estratégica e realismo, Buque defende que o sucesso na transição para uma economia de empregabilidade baseada em competências passa por um esforço conjunto entre governo, sector privado e instituições de ensino.

Profile Mozambique: Poderia começar por explicar, ao público moçambicano, como opera o vosso modelo, combinando inovação, design digital e resposta local, e quais as regiões-alvo em Moçambique?

Gaspar Buque: Assumimos a liderança da Field Ready desde a sua implementação em Moçambique, onde operamos há já sete anos. A origem do grupo empresarial está no Reino Unido, com sede em Londres, e temos operações também no Ghana e na Nigéria. Enquanto grupo empresarial, temos uma presença global consolidada, com mais de 30 anos de experiência em diversos sectores com foco, no sector da energia e projectos desenvolvidos em todos os continentes.

O que constatamos, nos diversos mercados onde actuamos, é que os jovens enfrentam dificuldades semelhantes para aceder ao emprego, independentemente do grau académico, seja ensino básico, técnico-médio, licenciatura ou mestrado.

As empresas sinalizam que os recém-graduados não reúnem, muitas vezes, as competências exigidas para o emprego. Quando confrontamos as instituições de ensino com esta realidade, percebemos que existe uma grande distância entre estas e o sector industrial. As escolas formam com base em suposições, sem uma ligação real com as necessidades do mercado.

É precisamente essa desconexão que procuramos reduzir, criando uma ponte entre a formação e o mercado, para que os jovens moçambicanos tenham acesso a oportunidades reais e sustentáveis de trabalho, em sectores estratégicos para o desenvolvimento económico do país.

PM: A Field Ready estabeleceu recentemente presença em Moçambique voltada ao desenvolvimento de capacidades técnicas e empregabilidade juvenil. Poderiam partilhar de quando data a vossa operação nacional e como foi o processo de adaptação ao contexto local?

GB: Esta parceria tem como principal objectivo maximizar as oportunidades de empregabilidade para os jovens, promovendo acções de sensibilização e capacitação através da nossa plataforma digital. A ExxonMobil financiou o acesso gratuito à plataforma Field Ready, onde os módulos de empregabilidade estão disponíveis, incluindo um módulo específico de HST desenvolvido de raiz em colaboração com a própria ExxonMobil e com o contributo de especialistas nacionais.

Trata-se de uma ferramenta de preparação para a futura empregabilidade no âmbito do projecto liderado pela ExxonMobil e parceiros da Área 4, e permitirá que 10 mil jovens moçambicanos tenham acesso gratuito a este módulo ainda este ano, a nível nacional. A ideia é garantir que, quando for alcançada a fase decisão final de investimento, o país tenha uma base de jovens com competências sólidas em matéria de segurança no trabalho, num sector reconhecidamente de alto risco.

Gaspar Buque, Director-Geral da Field Ready em Moçambique

É uma abordagem preventiva e estratégica, que assegura maior eficiência e segurança nos processos de mobilização de mão de obra.

Desde o lançamento do programa de HST, a plataforma da Field Ready já registou cerca de 4 mil novos utilizadores em apenas dois meses. Actualmente, a plataforma conta com mais de 14 mil jovens registados a nível nacional, o que demonstra o elevado interesse dos jovens e a relevância da iniciativa.

PM: Celebraram MoU com a UP-Maputo e parceria com a CFM para a empregabilidade juvenil. Como estas iniciativas fortalecem o vosso alcance e contribuem para a profissionalização de jovens moçambicanos?

GB: Nós somos um elemento aglutinador das diversas entidades que intervêm no domínio da empregabilidade. Esta colaboração não é nova. Já temos acordos assinados com várias instituições, incluindo a extinta Secretaria de Estado do Ensino Técnico Profissional, o IFPELAC, bem como organizações empresariais e industriais, com o propósito de garantir que os jovens formados tenham acesso efectivo ao mercado de trabalho.

O que fizemos agora foi consolidar e expandir relações que existiam há sete anos. Trazemos agora a Universidade Eduardo Mondlane, a Universidade Pedagógica, o ISCTEM e outras instituições, bem como empresas públicas e privadas que figuram entre os principais empregadores do país.

Entre as entidades com as quais a Field Ready mantém parcerias activas destacam-se: ExxonMobil, CFM – Caminhos de Ferro de Moçambique, Sasol, Van Oord, Grindrod, MPDC – concessionária do Porto de Maputo, entre outras. Ao todo, são cerca de 65 instituições parceiras em todo o território nacional.

Todos nós já passámos pela ansiedade do pós-formação: ‘e agora?’, ‘para onde vou?’, ‘o que faço para encontrar um emprego?’. Muitos jovens saem da universidade sem saber quais ferramentas usar, como preparar um CV, como se apresentar a uma entrevista, ou como interagir com o mercado.

Através da plataforma Field Ready, os jovens podem aceder gratuitamente a conteúdos e módulos que abordam lacunas frequentemente não cobertas pelos currículos tradicionais. As instituições de ensino parceiras, passaram a integrar o esforço de difusão da plataforma nas suas comunidades estudantis.

As empresas que fazem parte da nossa aliança, sabem que os jovens inscritos na nossa plataforma já foram expostos a conteúdos de empregabilidade, o que facilita a integração nas empresas e reduz os desafios relacionados com retenção ou adaptação no início das suas carreiras profissionais.

PM: Parcerias com ExxonMobil, ROMPCO, CFM e U.P. Maputo mostram uma estratégia integrada. Que critérios utilizam na selecção de parceiros e como garantem o alinhamento entre conteúdos e mercado de trabalho?

GB: Como faço sempre questão de sublinhar, a Field Ready não existe sem o valor da sua aliança. As empresas e instituições que integram essa rede são o principal ingrediente do nosso sucesso. Todos os nossos conteúdos são produzidos por esta aliança, são essas empresas e instituições, que definem as prioridades, que desenvolvem os currículos, e que ajudam a moldar as soluções que oferecemos aos jovens.

Antes de desenvolvermos um novo programa ou solução de empregabilidade, realizamos uma reunião da aliança. Ali procuramos perceber quais são as áreas prioritárias, quais são os principais desafios que as empresas enfrentam na contratação de jovens, e quais competências precisam de ser reforçadas.

É este modelo de co-criação com os empregadores que constitui um dos grandes diferenciadores da Field Ready. Ao integrarmos os empregadores desde o desenho dos conteúdos até à entrega da formação, estamos efectivamente a ajudar as empresas a encontrarem jovens altamente empregáveis, preparados para responder às exigências do mercado actual.

PM: Que indicadores quantitativos usam para medir impacto: número de formandos certificados, colocação em estágios/empregos, projectos concluídos? Podem partilhar dados recentes sobre colocações efectivas?

GB: Actualmente, a plataforma conta com cerca de 14 mil jovens registados, distribuídos por várias províncias do país, desde Zumbo ao Índico. Apesar de ainda representar uma pequena fração dos mais de 14 milhões de jovens moçambicanos, o nosso objectivo é atingir os 100 mil jovens até ao final de 2030, expandindo assim o alcance e o impacto da plataforma.

A nossa métrica de sucesso está na acessibilidade e utilização efectiva da plataforma independentemente das restrições de cobertura de rede digital. O objectivo seria assegurar que os utilizadores possam aceder a plataforma, mesmo sem acesso a internet, e sempre que o jovem tiver contacto com a internet, os dados são sincronizados, o que nos permite acompanhar a evolução de cada utilizador.

A estratégia de expansão territorial já contempla províncias como Nampula e Cabo Delgado, onde foram implementados programas-piloto. Para os próximos tempos, o foco estará na assinatura de novos memorandos de entendimento com instituições de ensino técnico-profissional e superior, permitindo que os jovens em final de formação tenham acesso directo à plataforma.

Queremos que todas as instituições de ensino do último ciclo de formação académica, em todas as províncias, estejam conectadas à Field Ready. Só assim podemos assegurar que os jovens chegam ao mercado, munidos das ferramentas certas para competir e contribuir activamente para o crescimento do país.

PM: Como veem o papel da Field Ready no contributo para a empregabilidade juvenil, industrialização e transição para uma economia baseada em competências técnicas em Moçambique?

GB: Quando falamos da Field Ready, falamos de um caso de sucesso empresarial, capaz de congregar mais de 65 empresas com um único propósito, preparar e integrar jovens moçambicanos no mercado de trabalho.

O modelo adoptado, que junta sector industrial, instituições de formação técnica e superior e empresas empregadoras, num esforço colaborativo para criar, testar e implementar currículos ajustados às reais exigências do mercado, foi reconhecido pela União Africana, em 2021, como uma das maiores inovações de formação profissional para a juventude no continente africano.

Este reconhecimento foi atribuído à abordagem sistémica e partilhada da Field Ready, que garante que os empregadores participem activamente não apenas no recrutamento, mas em todo o processo formativo dos jovens.

Saiba mais aqui: Field Ready

Gaspar Buque: “Field Ready was created to maximise youth employability”

Profile Mozambique: Could you begin by explaining to the Mozambican public how your model works, combining innovation, digital design, and local response, and which regions in Mozambique are your primary targets?

Gaspar Buque: We’ve led Field Ready since its establishment in Mozambique, where we have been operating for seven years. The group’s origins are in the United Kingdom, with headquarters in London, and we also operate in Ghana and Nigeria. As a business group, we have a consolidated global presence with over 30 years of experience across several sectors, particularly in the energy sector, with projects developed on every continent.

What we’ve observed in the various markets where we operate is that young people face similar challenges when trying to enter the workforce, regardless of their level of education, whether they hold basic, technical, undergraduate, or even master’s degrees.

Employers frequently report that recent graduates often lack the practical skills required for employment. When we share these findings with educational institutions, we discover a significant gap between them and the industrial sector. Schools tend to design curricula based on assumptions, without real alignment with the needs of the labour market.

It is precisely this disconnect that we aim to address, by building a bridge between education and employment, so that Mozambican youth can gain real and sustainable job opportunities in sectors that are strategic for the country’s economic development.

PM: Field Ready recently established a presence in Mozambique focused on technical skills development and youth employability. When did your operations begin and how did you adapt to the local context?

GB: Our main objective is to maximise youth employability opportunities through awareness and training actions delivered via our digital platform. ExxonMobil funded free access to the Field Ready platform, where our employability modules are available, including a dedicated Health, Safety and Environment (HSE) module, which was developed from scratch in partnership with ExxonMobil and with input from national experts.

This tool is designed to prepare youth for future employment within the ExxonMobil-led Area 4 project and will allow 10,000 Mozambican youth to access this module free of charge by the end of this year. The goal is to ensure that, by the time a final investment decision is made, the country has a pool of young professionals with strong safety competencies, essential in this high-risk sector.

Gaspar Buque, Country Director of Field Ready in Mozambique

It is a proactive and strategic approach that aims to ensure greater efficiency and safety during workforce mobilisation.

Since the launch of the HSE programme, the Field Ready platform has registered about 4,000 new users in just two months. Currently, the platform hosts more than 14,000 registered youthnationwide, showing high levels of interest and the importance of this initiative.

PM: You recently signed a MoU with UP Maputo and established a partnership with CFM to promote youth employability. How do these initiatives strengthen your reach and contribute to the professionalisation of Mozambican youth?

GB: We act as a unifying platform for various stakeholders involved in the employability ecosystem. This is not new for us. We already have agreements with multiple institutions, including the former Secretariat of State for Technical and Vocational Education, IFPELAC, and other business and industrial organisations, all aimed at ensuring young graduates have effective access to the labour market.

What we have now done is consolidate and expand relationships that have existed for the past seven years. We’ve recently brought on board Eduardo Mondlane University, Pedagogical University, ISCTEM, and other institutions, as well as public and private companies that rank among the country’s main employers.

Our current network includes active partnerships with ExxonMobil, CFM – Mozambique Ports and Railways, Sasol, Van Oord, Grindrod, MPDC – Maputo Port Development Company, and many others, around 65 institutions across the country.

We all know the anxiety of finishing school and asking ourselves, “What’s next?” or “Where do I look for a job?” Many young people graduate without knowing how to write a CV, how to behave in an interview, or how to approach the job market.

Through the Field Ready platform, young people can access free content and modules that address common skill gaps often left out of traditional academic curricula. Partner institutions are also helping disseminate the platform among their student communities.

Employers within our alliance know that youths enrolled in our platform have already been exposed to employability content, which facilitates smoother integration into the workplace and reduces challenges related to retention or initial adaptation.

PM: Your partnerships with ExxonMobil, ROMPCO, CFM, and UP Maputo suggest an integrated strategy. What criteria do you use to select partners, and how do you ensure alignment between content and labour market needs?

GB: As I always stress, Field Ready does not exist without the value of its alliance. The companies and institutions in this network are the key ingredient in our success. All our content is co-created with them, they help define priorities, develop curricula, and shape the solutions we offer to young people.

Before developing a new programme or employability solution, we host an alliance meeting. There, we identify priority areas, discuss challenges companies face when hiring young people, and determine which skills need strengthening.

This model of co-creation with employers is one of Field Ready’s major differentiators. By involving employers in everything from curriculum design to delivery, we are truly helping companies find highly employable young talent who are ready to meet the demands of the modern labour market.

PM: What quantitative indicators do you use to measure impact, number of certified graduates, job/stage placements, completed projects? Could you share recent data on effective placements?

GB: The platform currently has about 14,000 registered youth, distributed across several provinces, from Zumbo to the Indian Ocean. Although this still represents a small fraction of the more than 14 million young people in Mozambique, our goal is to reach 100,000 users by the end of 2030, significantly increasing the platform’s reach and impact.

Our key success metric is accessibility and effective use of the platform, regardless of digital connectivity constraints. The platform allows for offline access, and once users reconnect to the internet, their data is synchronized, allowing us to monitor their progress.

Territorial expansion already includes provinces such as Nampula and Cabo Delgado, where pilot programmes have been implemented. Looking ahead, the focus will be on signing new MoUs with technical and higher education institutions, ensuring final-year students gain direct access to the platform.

We want all institutions delivering final academic cycles in every province to be connected to Field Ready. Only then can we ensure that young people enter the market equipped with the right tools to compete and actively contribute to the country’s growth.

PM: How do you see Field Ready’s role in promoting youth employability, industrialisation, and the transition to a skills-based economy in Mozambique?

GB: Field Ready is a business success story, bringing together more than 65 companies with a shared goal: to train and integrate young Mozambicans into the labour market.

Our model, uniting the industrial sector, training institutions, and employers in a collaborative effort to create, test, and implement demand-driven curricula, was recognised by the African Union in 2021 as one of Africa’s leading innovations in youth vocational training.

This recognition was awarded in acknowledgment of Field Ready’s systemic and inclusive approach, where employers actively participate not only in recruitment but throughout the entire training process, ensuring that new professionals are equipped with the skills that today’s economy demands.

Learn more here: Field Ready

Moçambicanos com ativos financeiros no exterior devem declará-los ao Banco Central

O Banco de Moçambique passou a exigir que todos os cidadãos nacionais e residentes, singulares ou colectivos, que detenham activos financeiros ou patrimoniais fora do país, procedam à sua declaração formal junto da instituição. A medida enquadra-se na nova regulamentação cambial, aprovada ao abrigo da Lei n.º 11/2009, que visa reforçar a monitoria dos fluxos financeiros internacionais, promover a transparência e alinhar o país com as melhores práticas internacionais em matéria de controlo cambial e prevenção de branqueamento de capitais.

De acordo com as orientações do banco central, a obrigatoriedade de declaração incide sobre activos como contas bancárias no estrangeiro, participações em empresas, títulos mobiliários, aplicações em plataformas digitais de investimento, fundos e outros instrumentos financeiros mantidos fora do território nacional. A informação deve ser submetida ao Banco de Moçambique através de canais apropriados e actualizada, no mínimo, uma vez por ano ou sempre que houver alterações relevantes no valor ou natureza dos bens detidos.

A instituição alerta que o incumprimento desta disposição poderá resultar em sanções administrativas, incluindo multas e restrições em operações cambiais. Esta iniciativa surge no contexto de um esforço mais amplo de consolidação da governação económica, combate à evasão fiscal, protecção do sistema financeiro nacional e melhoria dos mecanismos de supervisão macroeconómica.

O Banco de Moçambique reitera que o reforço da cultura de reporte financeiro, por parte dos residentes com interesses no exterior, é fundamental para garantir uma gestão mais eficaz da política cambial, mitigar riscos sistémicos e assegurar um ambiente de negócios estável e competitivo.

Produção Nacional: Gás de cozinha chega em 2026

Moçambique poderá iniciar, até ao princípio de 2026, a produção nacional de gás de cozinha em Inhassoro, província de Inhambane, num passo decisivo para reduzir a dependência externa e promover o acesso doméstico a energia limpa, segundo anunciou o Governo.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, confirmou que o projecto de produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) em Inhassoro está em fase final de conclusão e deverá entrar em funcionamento entre Dezembro de 2025 e o início de 2026. A implementação sofreu atrasos devido às manifestações pós-eleitorais, que afectaram infra-estruturas e colocaram em risco a segurança das equipas no terreno.

“Contamos que até ao final do ano ou princípio do próximo começará a funcionar”, afirmou Pale na cidade da Maxixe.

Este projecto integra-se no Projecto Integrado de Gás e Energia de Temane, que envolve a instalação de uma central térmica com 450 megawatts e a construção de uma unidade de produção de GPL com capacidade anual de 30 mil toneladas. O investimento inclui ainda uma linha de transporte de energia com 563 quilómetros entre Temane e Maputo.

Redução das Importações e Transição Energética

O GPL produzido internamente será um factor de transformação no acesso à energia doméstica em Moçambique. O Governo estabeleceu a meta de reduzir em 70% as importações de gás de botija, incentivando a utilização de fontes energéticas mais limpas e sustentáveis.

“O objectivo é disponibilizar às famílias uma alternativa acessível e ambientalmente responsável”, frisou o ministro.

Com esta medida, espera-se também contribuir para a mitigação do desmatamento, promovendo a substituição progressiva do uso de lenha e carvão vegetal no consumo doméstico.

Articulação Público-Privada

O projecto resulta de um acordo de partilha de produção entre o Governo de Moçambique, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a Sasol, numa parceria que visa acelerar a industrialização energética nacional.

No mesmo evento, o ministro Pale reiterou que estão a ser criadas as condições para a retoma do Projecto Mozambique LNG, em Afungi, esperando-se que a TotalEnergies levante a cláusula de “força maior” em breve. O Presidente Daniel Chapo reafirmou, nesse contexto, o compromisso do Governo em garantir um ambiente estável e favorável ao investimento.

O início da produção de gás de cozinha em Inhassoro simboliza um passo estratégico para a autonomia energética de Moçambique e uma resposta prática aos desafios da transição para fontes mais limpas. A concretização deste projecto poderá significar uma revolução no consumo doméstico, com impacto social, ambiental e económico profundo.

COTUR recebe certificação internacional de qualidade

A Agência COTUR alcançou um feito inédito no setor de transportes e turismo em Moçambique. A empresa tornou-se a primeira do ramo a receber o Certificado Internacional de Qualidade ISO 9001 atribuído pela entidade Bureau Veritas.

Num marco histórico para o setor dos transportes e turismo em Moçambique, a agência COTUR recebeu esta terça-feira o Certificado Internacional de Qualidade ISO 9001, emitido pela conceituada entidade certificadora Bureau Veritas.

Para a instituição não é apenas o reconhecimento da excelência dos serviços prestados pela COTUR, mas também uma elevação do padrão de qualidade. 

“Este reconhecimento internacional com a certificação ISO 9001 não é apenas uma meta interna alcançada, mas uma ferramenta do nosso setor para servir o futuro do turismo moçambicano. Mais do que um diploma na parede, esta certificação é um compromisso com aquilo que mais nos importa, os nossos clientes e o nosso país. É a garantia de processos sólidos, de qualidade consistente, de um serviço fiável e à altura das expectativas”, disse Muhammad Abdullah, CEO da Agência COTUR. 

Com esta certificação, Segundo Guilherme Drehmer, representante da Bureau Veritas, aCOTUR torna-se a primeira empresa moçambicana do setor de transportes e turismo a obter o ISO 9001 uma norma reconhecida internacionalmente pela gestão da qualidade, emitida por uma entidade de referência global.

“Esta certificação não é só um certificado que vai ser entregue, vai ficar estampado dentro da COTUR, mas sim é uma ótima ferramenta de gestão, onde vai permitir que a COTUR dê continuidade à evolução contínua de procedimentos”, avançou.  

Apesar deste momento de celebração, o setor manifesta crescente preocupação com a escassez de divisas no mercado nacional.

“Temos estado a alertar a quem de direito que é preciso tomar uma ação concreta para a resolução ou a amenização, pelo menos, desta situação. Devo também dizer que alguma melhoria ainda não muito significativa já fez-se sentir, mas infelizmente temos várias companhias aéreas com os seus acessos cortados para o nosso mercado. Há muita limitação. Temos recebido avisos todos os dias de possíveis novos cortes, o que faz com que o mercado das viagens ressinta-se diretamente”, revelou.

A COTUR reforça o seu compromisso com a qualidade, inovação e resiliência, apelando à continuação de esforços conjuntos entre o setor público e privado para assegurar um ambiente econômico mais estável e favorável ao investimento.

FonteO País

Organizações ambientais tentam travar o financiamento do projecto LNG em Cabo Delgado

Organizações ambientais internacionais interpuseram terça-feira (15) uma acção civil no Tribunal do Distrito de Colúmbia, nos Estados Unidos, para impedir o desembolso de 4,7 mil milhões de dólares em financiamento do projecto de Gás Natural Liquefeito de Moçambique (GNL) ao largo da costa da província de Cabo Delgado, operado pela empresa francesa TotalEnergies.

De acordo com uma notícia publicada na edição de quarta-feira da publicação online “Mozambique Times”, o caso está a ser liderado pela Friends of the Earth U.S. e pela Justiça Ambiental/Friends of the Earth Mozambique, representadas pelo grupo de advocacia EarthRights International, sediado nos Estados Unidos.

As ONGs alegam que a aprovação do financiamento pelo Banco de Exportação-Importação dos Estados Unidos (Exim Bank) foi ilegal e que o projecto “deslocou milhares de residentes locais, foi palco de alegadas violações dos direitos humanos, está rodeado de conflitos violentos e causará uma destruição ambiental significativa”.

Segundo a mesma publicação, as organizações acusam o Exim Bank de ter apressado o processo de aprovação “sem realizar as avaliações ambientais e económicas necessárias e sem permitir a participação do público e do Congresso, tal como previsto”.

“O Exim não cumpriu os seus próprios estatutos e a lei federal, criando um precedente perigoso para futuras decisões”, lê-se na declaração das ONG.

A acção judicial acusa ainda o Presidente dos EUA, Donald Trump, de ter nomeado ilegalmente membros do conselho de administração do Exim Bank sem confirmação do Senado, violando os procedimentos oficiais de nomeação.

“Poucas semanas depois, em Março, esse conselho ‘interino’ indevidamente constituído aprovou um empréstimo maciço para apoiar um projecto controverso liderado pelo gigante petrolífero TotalEnergies”, afirmam as ONG. “A decisão foi tomada apesar do conflito armado em curso e da crise humanitária na região, bem como da própria declaração de força maior da TotalEnergies”.

A directora-adjunta de Política Económica da Friends of the Earth U.S., Kate DeAngelis, é citada no comunicado como tendo dito, “existem procedimentos legais e salvaguardas para garantir que o Banco de Exportação-Importação dos EUA não desperdice o dinheiro dos contribuintes em projectos arriscados em áreas afectadas por insurgências violentas”.

A mesma publicação refere ainda que as organizações ambientais contrataram especialistas em insurgência jihadista para argumentar em tribunal que o financiamento do projecto de exploração de gás em Cabo Delgado contribui para alimentar o conflito. Alegam que o projecto é uma das causas estruturais da insurreição, exacerbando as desigualdades locais entre as comunidades afectadas e os trabalhadores trazidos pelo projecto.

“O GNL de Moçambique só beneficiaria as empresas de combustíveis fósseis e uma pequena elite política. Continuar a financiar projectos de gás em Cabo Delgado seria uma traição a Moçambique e à humanidade. Seria um desrespeito pela justiça devida àqueles que sofreram violações dos direitos humanos. Seria ignorar as vozes das famílias que carregam os fardos mais pesados, aquelas que perderam as suas terras, o acesso ao mar e os seus meios de subsistência”, afirmam as ONG.

Entretanto, caso o tribunal dos EUA decida suspender o desembolso dos fundos, o reinício do projecto da TotalEnergies em Cabo Delgado, previsto para o terceiro trimestre de 2025, poderá sofrer mais um atraso,  pois a contribuição do Exim Bank representa cerca de 25% do investimento total necessário para o projecto de 20 mil milhões de dólares.

Absa Bank eleito melhor banco para empresas no Global Banking And Finance Awards

O Absa Bank Moçambique foi reconhecido como o “Melhor Banco Para Empresas” pela conceituada revista internacional Global Banking & Finance Review, sediada no Reino Unido, no âmbito dos prestigiados Global Banking and Finance Awards 2025.

De acordo com um comunicado partilhado pelo banco, este prémio “reflecte o contínuo investimento da instituição em inovação e na oferta de produtos e serviços bancários alinhados às necessidades do mundo empresarial. Como parte de um dos maiores grupos financeiros de África, o Absa Bank Moçambique contribui activamente para o crescimento da economia nacional, apoiando as necessidades de financiamento das empresas locais e internacionais que operam no País.”

A directora da Banca Corporativa e de Investimentos no Absa Bank Moçambique, Patrícia Darsam, afirmou que o prémio evidencia a “excelência em toda a cadeia de valor do banco, incluindo a qualidade dos serviços, a satisfação dos clientes e a capacidade do organismo se manter relevante num mercado dinâmico e competitivo.”

“O nosso compromisso é criar impacto na economia e na comunidade apoiando o crescimento sustentável dos nossos clientes e ajudando-os a escrever a história de sucesso dos seus negócios. Somos um banco que apoia aspirações sob medida para cada negócio, projecto e sector através de soluções diferenciadas e inovadoras. Este reconhecimento não é apenas do Absa – é também de todas as empresas que confiam nos nossos serviços”, destacou Patrícia Darsam, reforçando o compromisso do banco com o crescimento empresarial.

Para assegurar uma relação sólida com as empresas, o Absa tem investido em inovação tecnológica, eficiência operacional e resiliência da sua infra-estrutura, garantindo protecção contra riscos emergentes e prestação de serviços contínuos e fiáveis, aponta o comunicado.

Esse compromisso estende-se à oferta de soluções digitais avançadas, como ferramentas de gestão financeira online, plataformas de pagamento e sistemas de análise e protecção de dados, que facilitam as operações diárias dos seus clientes empresariais.

Gulamhussen: “Queremos levar o turismo moçambicano a novas fronteiras”

Profile Mozambique: Conte-nos um pouco sobre o seu percurso profissional, o que o trouxe ao sector hoteleiro em Moçambique e, em particular, ao VIP Hotels?

Gulamhussen: Chamo-me Gulamhussen, embora seja mais conhecido por Dado. Nasci em Pemba há 41 anos. A minha infância foivivida entre Maputo e Pemba e desde cedo tive interesse pela área do turismo. Em Moçambique, o grupo está presente desde 2002, ano em que foi inaugurado o VIP Grand Maputo. Passados 23 anos, contamos actualmente com quatro unidades hoteleiras no país, somando cerca de 660 quartos, o que faz do VIP Hotels um dos maiores grupos hoteleiros nacionais em termos de capacidade instalada. Temos ainda um plano de expansão ambicioso para levar a marca a outras províncias e cidades do país.

A maior parte da minha carreira profissional está directamente ligada à história do Grupo VIP Hotels, que nasceu em Portugal em 1978 fruto da migração de muitas famílias, incluindo a minha.

Sendo um negócio de cariz familiar, escolhi formar-me em Administração de Empresas e Turismo para dar continuidade a este projecto, que abracei desde cedo.

PM: Quais foram os principais desafios que o Grupo VIP tem enfrentado no mercado moçambicano?

Gulamhussen: Os desafios têm sido constantes, especialmente num mercado como o moçambicano, onde tudo exige maior esforço no arranque. Nos últimos 23 anos, o percurso do VIP Hotels teve momentos de franco crescimento, seguidos de fases mais difíceis, marcadas por adversidades socioeconómicas.

Entre os principais obstáculos enfrentados, destaco o período de instabilidade em 2011-2012, os impactos das dívidas ocultas, a pandemia de COVID-19 e, mais recentemente, as manifestações que afectaram o país.

Perante este contexto, tornou-se essencial cultivar resiliência e capacidade de adaptação para garantir que o grupo continua a servir com qualidade e a manter-se competitivo no mercado.

PM: Como define a estratégia de crescimento do VIP Hotels em Moçambique? Há planos de expansão para outras regiões como Beira, Tete ou Nampula?

Gulamhussen: Actualmente, o VIP Hotels conta com quatro unidades em Moçambique: duas em Maputo, incluindo o VIP Suites, um apart-hotel localizado na Machava, e ainda hotéis nas cidades da Beira e de Tete.

Relativamente à estratégia de crescimento, temos projectos de expansão previstos para novas localizações como Pemba, Nacala, Nampula, Lichinga e Quelimane, além de uma unidade na Zona Sul, em Inhambane, focada no segmento de resorts. Também equacionamos reforçar a presença na Beira..

Gulamhussen, CEO do Grupo VIP Hotels

No entanto, sublinho que o avanço destes investimentos está directamente condicionado pela evolução do contexto político, social e económico do país, assim como pelos reflexos de fenómenos internacionais que acabam por impactar o mercado interno. Por isso, acompanhamos de perto os indicadores e realizamos análises de viabilidade para determinar o momento mais adequado para retomar e concretizar estes projectos de expansão.

PM: Como equilibra o investimento em inovação com a manutenção de qualidade de serviço e conforto para o hóspede?

Gulamhussen: A indústria do turismo, e em particular a hotelaria, está em constante reinvenção, acompanhando tendências que privilegiam cada vez mais o digital e a automatização de processos, como por exemplo o self check-in, que já é prática em várias partes do mundo.

No contexto de Moçambique, reconhecemos que existem limitações legislativas, regulamentares e estruturais que condicionam a adopção imediata dessas soluções. Ainda assim, temos procurado adaptar-nos progressivamente, introduzindo melhorias que reforcem a interacção do hóspede com os nossos serviços e assegurem padrões consistentes de qualidade e conforto.

Com mais de duas décadas de actividade no sector, acreditamos que o futuro da hotelaria nacional passará inevitavelmente por integrar essas novas tecnologias, ajustando-as à realidade local, de forma a manter o compromisso de bem-servir e posicionar Moçambique como destino competitivo no panorama internacional.

PM: Como avalia a evolução do turismo de negócios no país, e que impacto tiveram factores como o surgimento de novas plataformas digitais e a escassez de divisas no desempenho do sector hoteleiro?

Gulamhussen: Durante muitos anos, o turismo de negócios foi o motor do sector hoteleiro nas principais cidades moçambicanas, sustentado por grandes infraestruturas com capacidade para acolher conferências, reuniões e eventos corporativos.

Contudo, este cenário começou a mudar com a sucessão de adversidades, desde a pandemia da Covid-19, que popularizou plataformas de reuniões online como Zoom ou Teams, até ao surgimento de novas tendências globais, como o Airbnb, alojamento local e guesthouses, que passaram a concorrer directamente com as grandes cadeias.

Apesar destes desafios, acredito que há espaço para todos, desde que haja maior diversificação da oferta, regulamentação e fiscalização adequadas para o sector. Por outro lado, a insuficiência de divisas representa hoje um problema transversal, afecta as companhias aéreas, encarece bilhetes e reduz a vinda de turistas e investidores.

Este efeito em cadeia acaba por atingir toda a cadeia de valor, hotéis, restaurantes, transportes e guias turísticos.

PM: Na sua perspectiva, qual deve ser o papel do empresariado nacional na promoção do desenvolvimento sustentável e na afirmação do país como destino económico e turístico?

Gulamhussen: Participo activamente em várias estruturas ligadas ao sector, como a CTA e a Associação dos Hotéis, porque acredito que cabe a todos nós trabalhar para valorizar e divulgar as potencialidades que Moçambique oferece, seja nos recursos naturais, minerais, agrícolas, na logística, nas infraestruturas ou no turismo, sectores que têm um enorme peso no nosso potencial de exportação.

Tem havido um esforço conjunto, tanto do governo como do sector privado, para mostrar estas oportunidades ao mundo, nomeadamente através de feiras e conferências internacionais. É um processo que requer compromisso, planeamento e visão estratégica de longo prazo para produzir resultados sustentáveis.