Saturday, April 11, 2026
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Moçambique vai receber mais investimentos do Brasil e Egipto

Os Embaixadores do Brasil e do Egipto manifestaram, ontem, a intenção de canalizar mais recursos para investir em sectores da saúde, agricultura, pesca, turismo, gás, energias renováveis, indústrias criativas e infra-estruturas.

Em encontros separados com o Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Álvaro Massingue, os diplomatas acreditados no país referiram que os seus países querem explorar oportunidades de desenvolvimento no território moçambicano.

O Embaixador do Brasil em Moçambique, Ademar Seabra Cruz, disse que os próximos passos incluem a definição uma estratégia nacional de desenvolvimento, concebida por ambos países, incluindo o sector privado devido a sua preponderância para o crescimento económico.

“Não é possível o Estado trabalhar sozinho, portanto tem a responsabilidade de dinamizar diversos sectores produtivos do país” notou.

O Presidente da CTA referiu que a CTA está disponível a apoiar empresas brasileiras interessadas em explorar o mercado moçambicano, estabelecer parcerias com empresas locais e investir nos sectores prioritários.

Por outro lado, o diplomata egípcio, Mohamed Farghal, reconheceu que as trocas comerciais entre Moçambique e o Egipto não atravessam o melhor momento, pelo que o desiderato é “aumentar o volume de transacções comerciais” entre os países.

Dados disponíveis indicam que, nos últimos anos, as exportações de Moçambique para o Egipto situaram-se em torno de 6 a 8 milhões de dólares por ano, com destaque para produtos agrícolas e minerais, enquanto as importações do Egipto para Moçambique incluem fertilizantes, medicamentos e equipamentos, num volume anual médio de mais de 10 milhões de dólares.

Massingue adiantou que o início das conversações, será para breve, via online e está prevista a deslocação de uma delegação empresarial moçambicana ao Egipto, “para ver se aumentamos esta parceria nos próximos meses”.

Moçambicanos vencem Final Global do Hackfest 2025 com solução inovadora para atendimento ao cliente

A equipa moçambicana “Beyond Lungano” conquistou a Final Global do Hackfest 2025, promovido pelo grupo Vodafone, que teve lugar recentemente em Londres. Esta vitória surge após a consagração na fase continental do campeonato, realizada no início de Junho na África do Sul.

Composta por Adila Mussá, Abel Xavier, Célio Cumba e Idelaine Uaciquete, todos formados pelo Programa de Graduados da Vodacom Moçambique em 2024, a equipa foi distinguida na categoria Simplicidade, graças ao desenvolvimento de uma solução tecnológica que optimiza o serviço de atendimento ao cliente, tornando-o mais rápido e eficiente.

A solução premiada recorre a inteligência artificial para reduzir o número de etapas nos processos de apoio ao cliente, permitindo que os agentes deixem de se ocupar de tarefas repetitivas e burocráticas, automatizadas através da tecnologia.

“Esta proposta simplifica substancialmente os fluxos de trabalho, garantindo respostas mais céleres e eficazes aos utilizadores dos nossos serviços”, explicou o Almirante Dimas, coordenador do Programa de Graduados da Vodacom Moçambique.

A Vodacom Moçambique apresentou-se no Hackfest 2025 com projectos em quatro categorias, nomeadamente Cliente, Propósito, Crescimento e Simplicidade, todas elas apuradas nas fases nacional e continental. A proposta da equipa “Beyond Lungano” destacou-se na competição global, que reuniu jovens talentos de várias geografias onde o grupo Vodafone está presente.

O Hackfest é uma maratona internacional de programação que desafia jovens programadores a desenvolverem soluções digitais inovadoras num ambiente intensivo de colaboração e criatividade. O evento promove o uso de tecnologias emergentes para resolver desafios reais, com impacto directo na experiência dos clientes.

Esta conquista reflecte o forte investimento da Vodacom Moçambique em inovação e no desenvolvimento do talento nacional, ao proporcionar aos jovens moçambicanos formação de excelência, desafios estimulantes e oportunidades para brilhar no palco internacional.

China e Moçambique celebram 50 anos de amizade fraterna

Numa atmosfera de calorosa fraternidade e respeito mútuo, decorreu na capital moçambicana, Maputo, a cerimónia comemorativa dos 50 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre a República Popular da China e a República de Moçambique, um momento histórico que celebrou meio século de parceria sólida, desenvolvimento partilhado e intercâmbios frutíferos.

O evento, organizado pela Embaixada da China, teve lugar no prestigiado espaço da diplomacia internacional e contou com a presença de figuras de alto nível do Governo moçambicano, lideradas por Sua Excelência Ussene Hilário Isse, Ministro da Saúde, que representou oficialmente o Governo da República de Moçambique. Em destaque esteve ainda a apresentação formal da nova Embaixadora da China em Moçambique, Excelentíssima Senhora Zheng Xuan — a primeira mulher chinesa a assumir este cargo na história das relações bilaterais.

Uma Parceria Forjada na História, Guiada para o Futuro

Ao discursar perante convidados ilustres, membros do corpo diplomático, empresários e representantes das comunidades dos dois países, a Embaixadora Zheng Xuan evocou com emoção e orgulho o dia 25 de junho de 1975, data em que Moçambique conquistou a sua independência nacional e, simultaneamente, estabeleceu relações diplomáticas com a China. “Foi um gesto carregado de simbolismo e solidariedade”, afirmou.

Em nome do Presidente Xi Jinping, a diplomata destacou os esforços contínuos dos dois países para consolidar uma parceria estratégica global baseada no respeito mútuo, igualdade, e desenvolvimento partilhado. “A nossa amizade, construída na base da luta comum contra o imperialismo e o colonialismo, floresceu em todos os domínios da vida nacional”, destacou Zheng.

Resultados Visíveis de Cooperação Profunda

Durante os últimos 50 anos, a China tornou-se um parceiro vital para Moçambique, com a implementação de dezenas de projectos de infraestrutura, saúde, educação e bem-estar social. A Ponte Maputo-Katembe, o Parque Agrícola de Wanbao e instituições como o Instituto Confúcio e a Escola Politécnica de Gorongosa simbolizam não apenas cooperação técnica, mas também ligação humana entre os dois povos.

“Só no último ano, o volume de comércio bilateral ultrapassou os 5,2 mil milhões de dólares, colocando a China como o segundo maior parceiro comercial de Moçambique”, revelou a Embaixadora, sublinhando que “mais de 10.000 moçambicanos já receberam formação especializada na China, tornando-se hoje pilar essencial no desenvolvimento do país.

A Saúde como Pilar da Amizade

Representando o Governo de Moçambique, o Ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, expressou a profunda gratidão do povo moçambicano pela solidariedade e apoio contínuos da China, especialmente no fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde.

“As equipas médicas chinesas, enviadas desde 1976, são expressão viva de uma amizade que salva vidas”, afirmou.

O governante destacou ainda o simbolismo da nomeação da Embaixadora Zheng Xuan, sublinhando que a sua chegada inaugura um novo capítulo de confiança mútua e renovado compromisso com o progresso partilhado.

“Desejamos que a sua missão seja frutífera e que abra portas a novas oportunidades para ambos os povos”, declarou.

“A República Popular da China tem sido, ao longo das últimas cinco décadas, um parceiro estratégico do nosso país, contribuindo significativamente para o reforço da capacidade institucional, para o desenvolvimento social e económico de Moçambique e, de forma muito particular, para a consolidação do nosso Sistema Nacional de Saúde”, afirmou o Ministro.

Na sua intervenção, o governante evidenciou projectos emblemáticos apoiados pela China em Moçambique, incluindo hospitais, escolas, vias de acesso e outros empreendimentos de interesse nacional, reiterando a importância da cooperação técnica e do intercâmbio académico no desenvolvimento do capital humano moçambicano.

Ao dar as boas-vindas à nova Embaixadora, o Ministro da Saúde sublinhou o simbolismo da sua nomeação como a primeira mulher chinesa a chefiar a missão diplomática em Maputo, expressando votos de uma missão frutífera e promotora de novas oportunidades para ambos os povos.

Rumo ao Futuro: Visão Comum e Cooperação Estratégica

A Embaixadora Zheng enfatizou a importância de aproveitar os mecanismos multilaterais como o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) e a Iniciativa Cinturão e Rota para impulsionar a industrialização de Moçambique, promovendo investimentos em áreas como indústria verde, comércio digital, ciência e inteligência artificial.

“Defendemos juntos o verdadeiro multilateralismo, rejeitando o unilateralismo e protecionismo que ameaçam os países em desenvolvimento”, reforçou, citando a nova política chinesa de isenção de tarifas para 100% dos produtos de 53 países africanos.

A cerimónia culminou com um brinde emocionado proposto pela Embaixadora Zheng:

“Viva a amizade China-Moçambique! Viva o mundo de paz, prosperidade e progresso.”

Convidados presentes na cerimónia descreveram o evento como uma verdadeira expressão de irmandade entre nações do Sul Global, destacando os valores de cooperação, solidariedade e desenvolvimento sustentável.

Com música tradicional, exposições culturais e pratos típicos das duas nações, o evento reafirmou não apenas laços diplomáticos, mas a comunhão entre dois povos com sonhos compartilhados de um futuro próspero e harmonioso.

Fonte: https://portuguese.cgtn.com/2025/06/24/ARTI1750732067750224/

Construção do porto de Techobanine colide com a nova zona de património mundial

A costa sul de Moçambique volta a concentrar as atenções internacionais, desta vez no âmbito de uma proposta de grande impacto ambiental e económico: a possível classificação de parte do seu litoral como Património Mundial da UNESCO, numa altura em que avança o debate sobre o projecto portuário de águas profundas de Techobanine, no distrito de Matutuíne, província de Maputo.

A informação é avançada pelo jornal sul-africano Daily Maverick, que revela que o Governo moçambicano apresentará formalmente, em Julho próximo, durante a 46.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, a candidatura de uma área transfronteiriça de conservação, que integra o Parque Nacional de Maputo e o Parque de Zonas Húmidas de iSimangaliso, na África do Sul.

A proposta descreve o local como “cenicamente belo” e “uma das mais extraordinárias zonas húmidas e costeiras naturais de África”, acolhendo recifes de coral, populações de tartarugas marinhas, golfinhos e uma das maiores concentrações mundiais do peixe carapau-gigante (Caranx ignobilis).

A zona proposta inclui ainda a histórica Reserva de Elefantes de Maputo, a Península de Machangulo e as ilhas de Inhaca e Portuguesa, cobrindo uma área de elevada sensibilidade ecológica e importância estratégica para o turismo de natureza e conservação da biodiversidade.

No entanto, o projecto de construção do porto de águas profundas de Techobanine, concebido como terminal de exportação de carvão e outros recursos minerais, levanta preocupações quanto à compatibilidade com o estatuto de conservação pretendido. O plano inclui também uma linha férrea de 1.100 quilómetros, ligando Moçambique ao Zimbabué e ao Botsuana, com vista à exportação para mercados asiáticos.

Apesar de documentos oficiais sublinharem que “não existem planos imediatos” para avançar com o porto dentro dos limites propostos para o Património Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou recentemente uma doação de três milhões de dólares (cerca de 192 milhões de meticais) para a realização de estudos de viabilidade da infra-estrutura portuária e ferroviária, cujo custo total está estimado entre 800 milhões e 1,9 mil milhões de dólares (51 a 122 mil milhões de meticais).

Organizações parceiras do Governo, como a Peace Parks Foundation e o Banco Mundial, destacam os avanços nos programas de repopulação de espécies, monitoria ambiental e no fomento de um modelo de turismo sustentável como instrumentos que devem moldar qualquer projecto de desenvolvimento na região.

A proposta exclui, porém, o Corredor de Futi, considerado vital para as rotas migratórias de elefantes entre Moçambique e a África do Sul, embora este continue protegido dentro dos limites do Parque Nacional de Maputo.

A decisão do Comité do Património Mundial está agendada para o período de 6 a 16 de Julho de 2025, em Paris, e poderá representar um marco histórico na consagração do valor ambiental da costa sul moçambicana, mas também um teste à capacidade do país em conciliar conservação ambiental com projectos estruturantes de impacto económico.

O Governo moçambicano afirma manter o compromisso com a preservação dos ecossistemas sensíveis, ao mesmo tempo que defende a importância de explorar infra-estruturas estratégicas que impulsionem o crescimento económico e a integração regional.

Moçambicano João Papel eleito vice-presidente do comité mundial de ciência e tecnologia

O moçambicano João Filipe Papel foi eleito vice-presidente do Comité Técnico Mundial de Avaliação Científica do Instituto de Engenheiros Eléctricos e Electrónicos (IEEE) na categoria de Sistemas de consumo para cuidados de saúde e bem-estar (CSH, sigla inglesa).

Trata-se duma distinção que torna João Papel no primeiro pesquisador moçambicano e africano a integrar a liderança deste organismo mundial, entre os 15 comités técnicos de avaliação científica actualmente existentes na IEEE CTSoc e os mais de 40 membros eleitos para o presente mandato.

No ano passado, o moçambicano João Filipe Papel tornou-se, pela primeira vez, no primeiro pesquisador africano a integrar o Comité Técnico Mundial de Avaliação Científica do Instituto de Engenheiros Eléctricos e Electrónicos (IEEE).

O CSH TC é um grupo de engenheiros, profissionais, tecnólogos, cientistas e investigadores da indústria e da academia de todo o mundo.

O Comité Técnico Mundial de Sistemas de Consumo para Cuidados de Saúde e Bem-Estar (CSH TC) do IEEE CTSoc tem como missão implementar e apoiar as novas iniciativas tecnológicas bem como reforçar a troca de informações na área dos sistemas de consumo para saúde e bem-estar.

A IEEE, ou Institute of Electrical and Electronics Engineers, é reconhecida como a maior organização técnico-científica do mundo, fundada em 1963 nos Estados Unidos.

João Filipe Papel, vice-presidente do Comité Técnico Mundial de Avaliação Científica do Instituto de Engenheiros Eléctricos e Electrónicos (IEEE)

Doutorado em Engenharia de Ciências Tecnológicas pela Universidade de Tokai, no Japão, João Papel foi bolsista da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA) entre 2020-2024 no âmbito do programa denominado “Programa Líder Global dos ODS para os países da África Subsaariana”.

Com esta conquista, Moçambique tornou-se o primeiro e único país africano com representação na liderança do comité técnico de avaliação científica do IEEE.

Aprovado projecto de 7,2 mil milhões USD da Eni para segunda Unidade Flutuante de GNL

O Governo moçambicano deu luz verde ao plano de desenvolvimento do projecto Coral Norte, liderado pela petrolífera italiana Eni, com um investimento previsto de 7,2 mil milhões de dólares norte-americanos, abrindo caminho para a construção da segunda unidade flutuante de produção de Gás Natural Liquefeito (FLNG) no país.

A confirmação foi feita a 11 de Junho, durante um encontro em Maputo entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente Executivo da Eni, Claudio Descalzi, que afirmou que, com a autorização governamental formalizada e os termos acordados, “Coral Norte é agora uma realidade concreta”.

Replicação do modelo Coral Sul, já em produção

O projecto Coral Norte segue o modelo do Coral Sul FLNG, actualmente o único empreendimento de GNL em operação em Moçambique, com a primeira exportação realizada em 2022. Ambos os projectos exploram o mesmo reservatório de gás na Área 4 da Bacia do Rovuma, estimado entre 450 e 500 mil milhões de metros cúbicos.

A nova unidade FLNG será abastecida por seis poços submarinos, ligados a uma plataforma flutuante de produção, com capacidade de processamento de 3,55 milhões de toneladas por ano (mtpa), capacidade idêntica à do Coral Sul.

Segundo fontes da Eni, estão em curso negociações com a sul-coreana Samsung Heavy Industries, que liderou o consórcio de engenharia e construção do Coral Sul, em parceria com a Technip Energies e a japonesa JGC. A Samsung poderá assegurar um contrato de 2,5 mil milhões de dólares, o maior do seu portfólio para 2025.

A decisão final de investimento (FID) para Coral Norte é esperada ainda este ano, com início das exportações previsto para o segundo trimestre de 2028.

GNL em Moçambique: Desafios e Retomas

Enquanto os projectos offshore avançam, os megaprojectos onshore continuam suspensos devido à insegurança na península de Afungi, em Cabo Delgado. A TotalEnergies declarou “força maior” em 2021, suspendendo o seu projecto de 20 mil milhões USD para explorar os campos Golfinho e Atum e construir uma planta de liquefacção de 13,1 mtpa.

A retoma do projecto da TotalEnergies está prevista para meados de 2025, segundo afirmou o seu CEO, Patrick Pouyanné, durante a Cimeira de Energia do Japão em Junho. A empresa conta com apoio financeiro do Banco de Exportações e Importações dos EUA (Exim Bank) no valor de 4,7 mil milhões USD.

Já a ExxonMobil, responsável pela construção da unidade de liquefação onshore no consórcio Mozambique Rovuma Venture (MRV), em que a Eni lidera a componente offshore, adiou a sua decisão final de investimento para 2026.

No entanto, analistas apontam para sinais de descongelamento do sector, com recentes anúncios de atribuição de contratos de engenharia e expectativas positivas por parte das operadoras, face à estabilização crescente da segurança no norte de Moçambique.

GNL como pilar estratégico da economia nacional

Com três projectos de GNL já aprovados nas Áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma, Moçambique continua a consolidar-se como um dos principais mercados emergentes no sector do gás natural a nível mundial. A aposta em plataformas flutuantes como solução de mitigação de risco demonstra a flexibilidade do país e dos investidores em garantir a viabilidade de longo prazo dos seus recursos energéticos.

Fonte: Journal of Petroleum Technology – https://jpt.spe.org/mozambique-greenlights-enis-coral-norte-flng

Moçambique apela à TotalEnergies para levantar a cláusula de “Força Maior” sobre o projecto de GNL

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu este domingo, em Maputo, que a TotalEnergies deve levantar a cláusula de “força maior”, activada em 2021 devido à insegurança em Cabo Delgado, de modo a permitir o avanço do projecto de exploração de Gás Natural Liquefeito (GNL) avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares norte-americanos.

Em entrevista a diversos órgãos de comunicação social, incluindo a agência Lusa, o Chefe de Estado moçambicano foi claro: “O mais importante neste momento com a TotalEnergies é o levantamento da ‘força maior’. Isso permitiria que qualquer plano de desenvolvimento [do projecto de gás] tivesse avanços concretos.”

A cláusula de “força maior” foi invocada unilateralmente pela TotalEnergies após os ataques terroristas ocorridos na vila de Palma, em 2021, que colocaram em risco a segurança dos técnicos e das infra-estruturas em Afungi, onde decorre a construção da central de liquefação.

O projecto liderado pela multinacional francesa prevê uma capacidade anual de produção de 13,12 milhões de toneladas de GNL, com destino maioritariamente ao mercado asiático. TotalEnergies detém uma participação de 26,5%, ao lado de parceiros moçambicanos e da japonesa Mitsui (20%).

Segundo o Presidente Chapo, 13 mil milhões de dólares dos 15 mil milhões ainda necessários já estão garantidos, estando pendente o posicionamento de bancos europeus para o fecho financeiro completo. O Banco de Exportações e Importações dos Estados Unidos (Exim Bank) já confirmou o seu apoio com um financiamento de 4,7 mil milhões de dólares.

“O projecto tem tudo para avançar financeiramente. A TotalEnergies já indicou que, mesmo que o financiamento externo não se concretize totalmente, os parceiros podem cobrir o montante em falta, que é relativamente pequeno”, reforçou.

Apesar de reconhecer os avanços em matéria de segurança, com o apoio das forças regionais e moçambicanas no norte de Cabo Delgado, o Presidente Chapo sublinha que o levantamento da cláusula cabe exclusivamente à TotalEnergies.

“Foi a TotalEnergies que invocou a ‘força maior’. Não foi o Governo. Portanto, é à TotalEnergies que cabe também o levantamento dessa condição. Contudo, temos a nossa parte, garantir segurança e estabilidade internas. Cada um deve fazer o seu papel”, enfatizou.

O director executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, já havia declarado que a empresa pretende relançar o projecto até ao meio do ano, admitindo que a situação em Palma está “completamente segura” quatro anos após a suspensão.

A retoma do projecto terá impactos significativos no posicionamento de Moçambique como player global no mercado de gás, reforçando as expectativas em torno da monetização dos recursos da bacia do Rovuma.

Moçambique tem três projectos aprovados de GNL na bacia do Rovuma, considerados entre os maiores do mundo, com potencial para transformar estruturalmente a economia do país.

Fonte: Energy Intelligence – https://www.energyintel.com

Mozambique Calls on Total to Lift Force Majeure on LNG Project

Mozambique’s President Daniel Chapo said on Sunday that TotalEnergies must lift the “force majeure” clause, triggered in 2021 due to terrorist attacks in Cabo Delgado, so that the natural gas megaproject can finally move forward.

“The most important thing right now with TotalEnergies is the lifting of ‘force majeure’. The lifting of ‘force majeure’ lets any development plan [for the gas project] achieve meaningful progress,” said the head of state in an interview with several media outlets in Maputo, including the Lusa news agency.

“If the ‘force majeure’ clause is lifted,” he said, “the project will go ahead,” which anticipates an annual production capacity of 13.12 million tonnes of LNG.

Daniel Chapo said that the government is “working” with the French multinational to lift this clause, which allowed TotalEnergies, for security reasons due to terrorist attacks in Cabo Delgado, where the Liquefied Natural Gas (LNG) exploration was being implemented, to suspend the project in 2021.

He added that according to information from TotalEnergies, of the $15 billion (€13 billion) in financing still needed for the project – out of a total of $20 billion – $13 billion  is guaranteed, recalling the previous announcement by US Exim Bank, the United States’ export bank, which in March confirmed its support of $4.7 billion, with European banks expected to announce their decision on the remainder soon.

“The promise was that the most important thing was the amount that was missing [from the United States] (…) even if, at this time, the other banks choose not to move forward, the partners, internally, can actually make the contributions and move forward with the project,” explained Chapo.

“At the level of European banks, we are working to see. This is the first solution. We are moving forward, and if we continue, we will complete the amount. The project has everything it needs to move forward financially. TotalEnergies has said that, if external funding does not materialise, the partners themselves can provide the remaining amount, because it is small compared to what is needed,” he insisted.

However, he reiterated that “the focus must be on lifting the ‘force majeure’”.

“TotalEnergies invoked ‘force majeure’, not the government. We must make this point clear. TotalEnergies invoked ‘force majeure’. TotalEnergies, which invoked ‘force majeure’, has the responsibility to lift it. However, we also have our responsibility, our part, because everything has to do with internal security issues.” Therefore, each of us can do our part,” he said.

French multinational TotalEnergies has stated that it plans to resume the mega LNG project in northern Mozambique this summer, with financing needs virtually secured and the security situation in the area reportedly stable.

“The goal is to relaunch this project somewhere by the middle of the year,” TotalEnergies CEO Patrick Pouyanné said recently.

TotalEnergies, leader of the Area 1 consortium, is building a plant in Afungi, near Palma, for the production and export of LNG.

Pouyanné acknowledged that four years later, the area is “completely safe and secure.”

Since October 2017, gas-rich Cabo Delgado has been facing an armed rebellion that has left thousands dead and caused a humanitarian crisis with more than a million people displaced.

TotalEnergies holds a 26.5% stake in this project, primarily targeting customers in Asia, alongside Mozambican partners and Japan’s Mitsui (20%).

Mozambique has three approved development projects for the exploration of natural gas reserves in the Rovuma basin, classified among the largest in the world, off the coast of Cabo Delgado.

Source: Energy Intelligence – https://www.energyintel.com

HCB sob gestão exclusiva de moçambicanos

HCB

A gestão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) empresa moçambicana público-privada, está actualmente sob responsabilidade exclusiva de nacionais, após mais de 40 anos nas mãos dos estrangeiros.

O facto foi avançado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante a cerimónia alusiva à celebração dos 50 anos da HCB, evento que teve lugar hoje no município de Chitima, distrito de Cahora Bassa, província central de Tete.

Chapo, que efectuou uma visita de um dia aquela província, referiu que há algumas décadas atrás, era impensavel ter moçambicanos na administração e gestão da HCBl, por ser uma infra-estrutura de uma dimensão internacional.

Actualmente, os moçambicanos, segundo o Chefe do Estado, constituem uma realidade construída com competência, responsabilidade, dedicação e elevado sentido de patriotismo.

“Este feito não representa apenas independência técnica. Representa a emancipação plena, a confiança no nosso potencial humano, como moçambicanos, e a concretização da visão de uma empresa moçambicana, feita por moçambicanos, para Moçambique e para África”, disse.

A HCB conta actualmente com 1.400 trabalhadores, entre efectivos e sazonais e, de acordo com Chapo, todos moçambicanos.

Pelo que a HCB deixou de ser apenas uma barragem e passa a entrar no legado, no presente e futuro, e uma declaração convincente de que os moçambicanos têm capacidade de gestão.

Trata-se de um empreendimento mais estratégico do sector energético para o desenvolvimento do país, tanto pelo seu impacto económico, quanto pelo seu potencial de impulsionar o crescimento sustentável do país e consolidar a posição de Moçambique como hub energético regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Por isso, o governo, de acordo com Chapo, continuará a apoiar a HCB para que a empresa possa permanecer como exemplo de soberania energética, de boa governação, responsabilidade social, excelência técnica e, sobretudo, de exemplo de uma empresa que sabe participar no desenvolvimento de Moçambique e as suas comunidades à volta.

Chapo disse que a HCB sempre está em prontidão para servir os moçambicanos, através das suas contribuições não só com a energia que produz, mas também através de impostos, taxas, acções de responsabilidade social, e de Conteúdo Local.

Por isso, o Chefe do Estado instou aos trabalhadores da HCB a se empenharem cada vez mais no trabalho para manter a estabilidade da empresa e continuar a ser orgulho para o país.

A HCB vai se responsabilizar no segundo semestre em curso, de construir uma unidade sanitária na vila de Chitima, em Cahora Bassa.

“Portanto, continuem empenhados, minhas irmãs, meus irmãos, da HCB em produzir mais e mais para que se mantenha como orgulho de Moçambique”, disse.

Com uma capacidade instalada de 2.075 megawatts (MW) e com potencialidade de incremento em cerca de cinco por cento, Cahora Bassa é um dos mais proeminentes empreendimentos da geração, transporte e comercialização de energia hidroeléctrica de Moçambique e da região austral de África.

A sua história da criação remonta desde 1956, com as primeiras visitas aos rápidos de Cahora Bassa, mas a hidroeléctrica começa a erguer-se em 1969, com adjudicação da obra da construção do empreendimento ao consórcio Zambezi African Mining Corporation (ZAMCO, sigla em inglês) e só em 1975 é criada a HCB.

GIFiM intensifica acções de prevenção ao branqueamento de capitais em zonas de risco

O Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) está a intensificar as acções de prevenção ao branqueamento de capitais e ao financiamento ao terrorismo, com foco especial nas cidades de Nampula, Lichinga, apontadas como zonas de alto risco devido à sua proximidade com a província de Cabo Delgado, afectada por acções terroristas.

Segundo uma publicação do jornal Rigor, no âmbito deste esforço, o GIFiM realizou-se na cidade de Nampula, um seminário de sensibilização dirigido às entidades dos sectores não financeiros, como imobiliárias, revendedoras de veículos, advogados, conservadores, notários e assistentes jurídicos. A actividade insere-se no Plano Nacional de Acção alinhado com as recomendações do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).

“Vamos realizar três actividades principais: acompanhar a expansão dos sectores de venda e revenda de viaturas e do sector imobiliário, promover seminários de sensibilização junto às entidades desses sectores e proceder com o registo e cadastro das entidades financeiras e não financeiras designadas. Este é o nosso objectivo principal”, explicou Pedro Comissário, chefe do Departamento Central do GIFiM. Segundo o responsável, ações semelhantes decorrem em simultâneo nas cidades de Lichinga e Chimoio.

As medidas respondem aos resultados da Avaliação Nacional de Riscos, que identificou as províncias de Nampula e Niassa (Lichinga) como particularmente vulneráveis devido à porosidade das fronteiras e à ameaça crescente do terrorismo na região norte do país.

“É um facto que a província de Cabo Delgado está a ser assolada pelo terrorismo, e é indiscutível que o financiamento do terrorismo se faz com base em actividades criminosas. Logo, as províncias vizinhas estão expostas, e é fundamental adoptar medidas preventivas para evitar que essas práticas se instalem”, alertou Pedro Comissário.

Segundo o responsável, os sectores da venda de automóveis e do imobiliário são particularmente susceptíveis à lavagem de dinheiro, razão pela qual estão sob supervisão directa do GIFiM. No entanto, o convite aos seminários foi alargado a outras áreas da cadeia preventiva.