Thursday, May 28, 2026
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Gulamhussen: “We want to take Mozambican tourism to new frontiers”

Profile Mozambique: Tell us a little about your professional journey, what brought you to the hotel sector in Mozambique and, in particular, to VIP Hotels?

Gulamhussen: My name is Gulamhussen, although I’m better known as Dado. I was born in Beira 41 years ago, studied in Maputo, and completed my higher education in India, always focused on the tourism sector. In Mozambique, the group has been present since 2002, the year the VIP Grande Maputo opened. Twenty-three years later, we currently have four hotel units in the country, totaling around 600 rooms, which makes VIP Hotels one of the largest hotel groups nationally in terms of installed capacity. We also have an ambitious expansion plan aimed at taking our brand to other provinces and cities across the country.

My professional path is closely linked to the history of VIP Hotels, which was founded in Portugal in 1978 during the Civil War, as a result of the migration of many families, including mine. As it is a family business, I chose to study Business Administration and Tourism to continue this project, which I embraced from an early age.”*

PM: What were the main challenges you faced when you took on the leadership of VIP Hotels?

Gh: The challenges have been constant, especially in a market like Mozambique, where everything requires more effort at the outset. Over the past 23 years, VIP Hotels has experienced periods of solid growth, followed by more difficult phases marked by socio-economic and political adversities. Among the main obstacles we faced, I highlight the period of instability in 2011–2012, the impacts of the hidden debts, the COVID-19 pandemic, and more recently, the protests that affected the sector’s normal operations. Faced with this context, it has been essential to cultivate resilience and adaptability to ensure the group continues to deliver quality service and remains competitive in the market.

PM: How do you define VIP Hotels’ growth strategy in Mozambique? Are there plans to expand to other regions such as Beira, Tete, or Nampula?

IG: Currently, VIP Hotels has four units in Mozambique: two in Maputo, including VIP Suites, an apart-hotel located in Machava, and hotels in the cities of Beira and Tete, all built over the past 23 years. Regarding our growth strategy, we have expansion projects planned for new locations like Pemba, Nacala, Nampula, Lichinga, and Quelimane, as well as a unit in the southern region, in Inhambane, focused on the resort segment. We are also considering strengthening our presence in Beira.

Gulamhussen, CEO of VIP Hotels Group

However, I must emphasize that the advancement of these investments is directly dependent on the evolution of the country’s political, social, and economic context, as well as the effects of international factors that inevitably impact the domestic market. For this reason, we closely monitor indicators and carry out feasibility analyses to determine the right moment to resume and implement these expansion projects.

PM: How do you balance investment in innovation with maintaining service quality and guest comfort?

Gulamhussen: The tourism industry, and hospitality in particular, is constantly reinventing itself, following trends that increasingly prioritize digital solutions and process automation, such as self check-in, which is already common in many parts of the world.

In the Mozambican context, we recognize that there are legislative, regulatory, and structural limitations that constrain the immediate adoption of these solutions. Even so, we have been working to progressively adapt, introducing improvements that strengthen guest interaction with our services and ensure consistent standards of quality and comfort.

With over two decades of experience in the sector, we believe the future of the national hospitality industry will inevitably involve integrating these new technologies, adapting them to local realities, so we can maintain our commitment to excellent service and position Mozambique as a competitive destination on the international stage.

PM: How do you assess the evolution of business tourism in the country, and what impact have factors like the rise of new digital platforms and the shortage of foreign currency had on the hotel sector’s performance?

Gulamhussen: For many years, business tourism was the driving force behind the hotel sector in Mozambique’s main cities, supported by large infrastructures capable of hosting conferences, meetings, and corporate events.

However, this scenario began to shift following a series of adversities, from the Covid-19 pandemic, which popularized online meeting platforms such as Zoom and Teams, to the emergence of new global trends like Airbnb, local accommodation, and guesthouses, which began to compete directly with large chains.

Despite these challenges, I believe there is room for everyone, as long as there is greater diversification of offerings, proper regulation, and effective oversight of the sector. On the other hand, the shortage of foreign currency today is a cross-cutting problem: it affects airlines, increases ticket prices, and reduces the arrival of tourists and investors.

This domino effect ultimately impacts the entire value chain, hotels, restaurants, transport providers, and tour guides.

PM: In your view, what should be the role of national entrepreneurs in promoting sustainable development and positioning the country as an economic and tourism destination?

Gulamhussen: I actively participate in various sector-related bodies, such as the CTA and the Hotel Association, because I believe it is up to all of us to promote and highlight the potential that Mozambique offers, whether in natural, mineral, and agricultural resources, logistics, infrastructure, or tourism, sectors that carry significant weight in our export potential.

There has been a joint effort from both the government and the private sector to showcase these opportunities to the world, especially through international fairs and conferences. It is a process that requires commitment, planning, and a long-term strategic vision to deliver sustainable results..

Moçambique avança para se tornar hub energético regional com refinaria de 240 000 bpd

Moçambique dá um passo decisivo na sua estratégia de autonomia energética e industrialização ao assinar, em Maputo, um contrato EPC para a construção de uma refinaria modular com capacidade de processamento de 240 000 barris por dia (bpd). A iniciativa, resultado de uma parceria entre a empresa nigeriana Aiteo US Corporation e a petrolífera estatal Petromoc, representa uma ambição clara de reduzir a importação de combustíveis refinados e posicionar o país como um fornecedor de referência na região da SADC.

O anúncio oficial foi feito durante a 11.ª edição da Mozambique Mining and Energy Conference (MMEC), presidida pelo Presidente Daniel Chapo, que sancionou o início das obras. O contrato com a empresa norte-americana Deerfield Energy Services LLC visa uma abordagem modular, iniciando com uma linha de fabrico de 80 000 bpd, com expansão programada para atingir os 240 000 bpd em fase seguinte.

Impacto económico e posicionamento estratégico

O novo empreendimento está alinhado com o plano nacional para reforço da capacidade energética interna, industrialização e geração de emprego, especialmente para jovens.

O projecto deverá incluir infraestruturas de armazenamento para 160 000 toneladas de combustíveis líquidos e 24 000 toneladas de gás liquefeito de petróleo (GPL), com conclusão da primeira fase prevista em 24 meses, ou seja, até meados de 2027.

Vê-se além das refinarias

A iniciativa integra um pacote mais vasto de investimentos no sector energético: um memorando de entendimento paralelo antecipa a construção de um oleoduto de 1.400 km ligando o Porto da Beira a Ndola, na Zâmbia, e projecta o sector do gás natural, com destaque à segunda fase do Coral Norte FLNG e à retoma do projecto de LNG em Afungi, em parceria com a TotalEnergies e a ExxonMobil.

  • Criação de uma refinaria modular de 240 000 bpd, em parceria Aiteo–Petromoc, com o apoio da EPC Deerfield.
  • Estratégia faseada: 80 000 bpd na primeira fase, expansão até 240 000 bpd.
  • Ampliação de armazenamento para combustíveis e GPL.
  • Reforço industrial, económico e laboral para Moçambique e região SADC.
  • Integração a um ecossistema energético mais amplo, incluindo oleoduto regional e projetos de LNG.

Este projecto simboliza uma viragem estratégica para Moçambique, que busca não apenas garantir segurança energética nacional, mas também afirmar-se como hub regional no mercado de combustíveis refinados e gás natural.

Preços de bens e serviços sobem 4,15% em Junho, pressionando custo de vida

O nível geral de preços em Moçambique registou um aumento significativo de 4,15% emJunho, comparativamente ao mesmo mês de 2024, após uma relativa estabilidade em Maio, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O comportamento inflacionário foi impulsionado principalmente por três categorias de consumo:

Geograficamente, as províncias mais afetadas foram Tete (+6,31%), Xai-Xai (+5,67%) e Inhambane (+5,53%), índices superiores à média nacional.

No acumulado do primeiro semestre, todos os distritos registaram subida dos preços, com Tete a liderar, com uma inflação acumulada de 3%, seguida de Inhambane e Xai-Xai.

O governo manteve a previsão de que a inflação deverá fechar 2025 em torno dos 7%, cumprindo a meta do Banco de Moçambique de manter a taxa abaixo dos 10% anuais.

Esta crescente pressão inflacionária, especialmente nos produtos essenciais, está directamente a impactar o nível de vida dos moçambicanos e poderá exigir reacções de política monetária para controlar a escalada de preços e atenuar as consequências sociais no trimestre em curso.

Exportações de algodão resgistam queda acentuada, mas sector preserva potencial de recuperação

As exportações de algodão moçambicano registaram, em 2024, uma redução significativa nas receitas, apesar do ligeiro aumento da produção nacional, apontando para um cenário misto que conjuga desafios imediatos e sinais de resiliência do sector a médio prazo.

De acordo com dados recentemente divulgados, o país exportou cerca de 24 mil toneladas, valor que representa um crescimento de 2% face ao ano anterior. Ainda assim, as receitas totais provenientes destas exportações caíram para aproximadamente 14,2 milhões de dólares, menos de metade do registado em anos anteriores, atingindo assim o valor mais baixo dos últimos cinco anos.

Entre as principais causas desta redução, destacam-se a descida dos preços internacionais do algodão, agravada por factores internos como secas sazonais associadas ao fenómeno El Niño e desafios logísticos em algumas regiões produtoras. A combinação destes elementos comprometeu o rendimento dos exportadores, mesmo com o aumento do volume exportado.

O Governo, através do Ministério da Agricultura, tinha lançado no último ano agrícola um subsídio de cinco meticais por quilograma, medida que beneficiou directamente mais de 600 mil produtores e procurou mitigar o impacto da descida dos preços no mercado internacional. Apesar de ter sido descontinuado por limitações orçamentais, o subsídio permitiu garantir maior estabilidade durante a campanha passada.

Os dados oficiais indicam ainda que, nos últimos cinco anos, o sector do algodão gerou cerca de 120,9 milhões de dólares em receitas de exportação, mantendo-se como uma das fileiras agrícolas com maior potencial para contribuir para o crescimento económico, redução da pobreza e criação de emprego nas zonas rurais.

Analistas consideram que, para consolidar a retoma do sector, será fundamental garantir maior modernização da produção, melhorar a competitividade externa e reforçar a transparência no mercado internacional, de forma a proteger os produtores das flutuações dos preços globais. Ainda assim, a manutenção da área cultivada e a recuperação parcial da produção são sinais de que, mesmo perante adversidades, o algodão moçambicano continua a ter margem para retoma e crescimento sustentado

Money Savvy Mozambique lança programa de educação financeira para cadeia de valor do agronegócio em Marracuene

A Money Savvy Mozambique, representada pela sócia-gerente Dra. Sany Weng, lançou oficialmente o Programa de Educação Financeira para a Cadeia de Valor do Agronegócio, uma iniciativa que visa apoiar produtores, empreendedores e agentes económicos de diferentes segmentos do sector.

A formação, que contará com 150 beneficiários, foi desenvolvida com base em conteúdos práticos e acessíveis da International Labour Organization (ILO), reforçando o compromisso da entidade em promover maior literacia financeira junto de quem dinamiza o agronegócio local.

O Município de Marracuene, por intermédio do seu Presidente, Shafee Sidat, acolheu e apoiou a iniciativa desde o primeiro contacto, tendo cedido salas para a realização das sessões de formação, um gesto concreto que reflecte o compromisso da autarquia com o desenvolvimento económico local.

No acto de lançamento, o Vereador de Urbanização e Infra-Estruturas, Aníbal Bechel, destacou a importância da parceria entre entidades públicas e privadas para o fortalecimento da cadeia de valor agrícola no distrito.

A iniciativa conta ainda com o apoio da Fundação Salimo Abdula, representada pelo Presidente, Paulo Oliveira, e pela São Abdula, que disponibilizaram apoio financeiro para cobrir parte dos custos logísticos associados ao programa.

Antes do arranque oficial, equipas de extensionistas realizaram trabalho de campo junto às comunidades, mobilizando beneficiários, apresentando os objectivos da formação e recolhendo as principais preocupações e expectativas dos participantes. Este contacto directo foi apontado como essencial para garantir que os conteúdos da formação estejam alinhados com as reais necessidades identificadas no terreno.

G20 discute incertezas económicas globais em Durban sob tensão geopolítica e pressão sobre economias emergentes

A reunião de ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 em Durban, África do Sul, decorreu num ambiente dominado por crescentes tensões geoeconómicas e financeiras. A ausência do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pelo segundo encontro consecutivo, e as ameaças de tarifas aduaneiras dos EUA a países do BRICS complicaram a coordenação do grupo.

O diretor-geral do Tesouro sul-africano, Dr. Duncan Pieterse, advertiu que estes desafios intensificam a fragilidade dos sistemas multilaterais e podem atrasar a recuperação económica global. Ele destacou a urgência de reforçar a arquitectura financeira internacional, promover a sustentabilidade da dívida, resolver problemas de liquidez e fortalecer bancos multilaterais de desenvolvimento.

O encontro abordou ainda a dívida externa da África subsaariana, estimada em 800 mil milhões de dólares, a necessidade de transparência em empréstimos chineses e a redução do apoio financeiro dos EUA e Europa, que acentuaram a pressão sobre economias em desenvolvimento .

O Presidente do Banco de Inglaterra e actual líder do Conselho de Estabilidade Financeira, Andrew Bailey, reforçou a importância da cooperação global, salientando que a incerteza política e económica continua a prejudicar as perspetivas de crescimento.

Com a presidência sul-africana a destacar a “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, está prevista a publicação de um comunicado ao final da semana, cujo sucesso depende da capacidade de encontrar consenso num momento internacional marcado por isolamento e proteccionismo crescente

Airlink projecta dois voos semanais na rota Nacala–Joanesburgo

O aeroporto internacional de Nacala poderá, em breve, contar com dois voos semanais para Joanesburgo, na África do Sul, operados pela companhia aérea Airlink. A informação resulta de um encontro entre o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, e representantes da transportadora sul-africana, realizado à margem da Feira Económica de Nampula (FENA 2025).

Durante a reunião, a companhia aérea sul-africana Airlink manifestou interesse em explorar a rota Nacala–Joanesburgo e comprometeu-se a enviar, nos próximos dias, uma equipa técnica para avaliar o potencial do mercado.

Na ocasião, o governador Eduardo Abdula assegurou total apoio institucional à iniciativa, sublinhando que a abertura desta ligação internacional poderá impulsionar o turismo, o comércio e o investimento, contribuindo para o desenvolvimento económico da província e do Corredor de Nacala.

Recorde-se que o aeroporto de Nacala tem operado muito abaixo da sua capacidade instalada apesar de possuir infra-estruturas modernas. A entrada da Airlink é vista como uma oportunidade para a sua dinamização e internacionalização.

Sul-africana Eskom comprou 66% da eletricidade da barragem moçambicana de Cahora Bassa

HCB

“Neste ano de 2025, além de implementar projetos de reabilitação, a HCB, olhando para a reversão energética prevista para 2030, Moçambique passa a controlar a fonte de geração de energia com o fim do contrato com a Eskom, deve consolidar o seu papel no desenvolvimento energético de Moçambique“, disse o chefe de Estado, no seu discurso, confirmando assim a intenção já sinalizada no Governo anterior.

A Lusa noticiou em fevereiro de 2024 que o Governo moçambicano, então liderado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, pretendia “repatriar” a partir de 2030, para uso doméstico, a eletricidade que exporta da HCB para África do Sul desde 1979.

A posição consta da Estratégia para Transição Energética em Moçambique até 2050, aprovada pelo Governo anterior, em que se assume esse objetivo para 2030: “A principal prioridade hídrica de curto prazo é a repatriamento da eletricidade da HCB, atualmente exportada para a África do Sul (8-10 TWh) [TeraWatt-hora], bem como a adição de 2 GW [GigaWatt] de nova capacidade hidroelétrica nacional até 2031”.

No documento recorda-se igualmente que a central hidroelétrica de Cahora Bassa é a “mais importante de Moçambique”, com uma capacidade total instalada de 2.075 MW (Megawatt), sendo detida maioritariamente pelo Estado moçambicano.

“Desde o início das operações em 1979, a HCB exportou a maior parte da sua produção de eletricidade para a estatal sul-africana Eskom, com uma parte menor fornecida à Eletricidade de Moçambique. A eletricidade da HCB é barata e limpa”, lê-se no documento.

Da produção total, apenas 300 MW de “energia firme” e 380 MW de “energia variável” são fornecidas pela HCB à elétrica estatal moçambicana.

“Em 2030 o Contrato de Aquisição de Energia entre a HCB e a Eskom chegará ao fim e decisões importantes terão de ser tomadas relativamente à comercialização e destino final de energia limpa da HCB”, acrescenta-se.

Nos arredores de Maputo, sul do país, funciona a fábrica de alumínio da Mozal, sul-africana e alimentada pela eletricidade precisamente fornecida pela Eskom, contrato de fornecimento que por sua vez termina em 2026, devido às dificuldades de cobertura da rede elétrica moçambicana, sendo aquela uma das maiores consumidoras de eletricidade do país, com necessidades de 900 MW.

Já o aumento da capacidade da produção hidroelétrica, segundo o documento, será garantido pela nova hidroelétrica de Mphanda Nkuwa e pela construção da estação norte da HCB.

“Os recursos hidroelétricos únicos de Moçambique formarão a espinha dorsal estratégica para a produção de energia de baixo carbono e as ambições de industrialização verde do país, que é uma prioridade nacional”, assumiu o Governo no mesmo documento.

Fonte: Observador

Empresariado moçambicano defende a criação de um banco agrícola para dinamizar a produção

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a maior entidade patronal no País, defendeu esta quinta-feira (10), em Nampula, norte de Moçambique, a criação urgente de um banco agrícola robusto, com um quadro legal adequado para financiar, de forma estratégica e sustentável, os sectores produtivos, com enfoque absoluto no agronegócio.

A proposta foi apresentada pelo presidente da CTA, Álvaro Massingue, durante a primeira Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio (CINA), que decorre na cidade de Nampula.

Citado numa publicação do Jornal Rigor, Massingue explicou que a solução passa por uma abordagem económica centrada no financiamento produtivo. “O Governo deve impulsionar o crédito comercial e reconhecer a banca de desenvolvimento como motor do progresso nacional, é urgente criar um banco agrícola robusto que responda às necessidades do sector produtivo”, sublinhou.

O presidente da agremiação acrescentou ainda que o Governo deve assumir o seu papel de facilitador, criando incentivos ao investimento, eliminando burocracias e acelerando processos. “A nutrição não é apenas um problema social — é uma gigantesca oportunidade económica. O momento de agir é agora.”

A CTA elogiou a visão estratégica do governo provincial de Nampula e saudou o compromisso do Governo de Moçambique com a agenda nutricional, através da promoção de cadeias de valor alimentares mais inclusivas, resilientes e sustentáveis. Destacou que a conferência deve gerar acções concretas para inverter os alarmantes indicadores de desnutrição, sobretudo em Nampula, a província mais populosa do país.

“Moçambique dispõe de 36,5 milhões de hectares de terras aráveis. Paradoxalmente, apenas 15% dessa terra está efectivamente em produção. Este dado não apenas revela um desafio, é um grito de alerta para uma transformação urgente”, advertiu.

Segundo dados do SETSAN citados por Massingue, 37% das crianças moçambicanas com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. Em Nampula, a situação é ainda mais preocupante: 47,6% das crianças são afectadas, 2,5% nascem com baixo peso e 9,1% enfrentam desnutrição aguda.

“Estamos perante um drama nacional que compromete o desenvolvimento cognitivo, a aprendizagem e, no futuro, a inserção no mercado de trabalho de uma geração inteira. Uma geração em risco de exclusão das oportunidades do século XXI”, alertou.

Massingue descreveu a conferência como um apelo à consciência nacional. “Ou continuamos a importar alimentos e, com isso, importar pobreza. Ou produzimos localmente, alimentamos melhor o nosso povo e criamos riqueza dentro da nossa casa.”

Afirmou ainda que a nutrição deve ser encarada como vector de crescimento económico. “Garantir a nutrição é garantir dignidade, saúde e desenvolvimento humano. Num País com rápido crescimento populacional, a única via sustentável é produzir mais, melhor e localmente.”

Bruno Dias: “EY aposta na inovação e talento para liderar o ponto de viragem económico do país”

Profile Mozambique: Como descreve a evolução e o posicionamento da EY Moçambique ao longo destes mais de 30 anos de actividade no país?

Bruno Dias: A EY é uma das quatro maiores firmas de serviços profissionais a nível mundial, presente em mais de 150 países, e em Moçambique conta já com uma história de mais de três décadas.

Durante este percurso, construímos uma presença sólida e sustentável, marcada por um crescimento constante e pelo reforço contínuo da qualidade dos nossos serviços de auditoria, consultoria, assessoria fiscal e transacional.

Orgulhamo-nos de ter acompanhado e apoiado o país e o sector privado em momentos decisivos de transformação e modernização da economia nacional, contribuindo para a adopção de melhores práticas de governação, transparência e eficiência empresarial.

Hoje, mantemos o compromisso de permanecer ao lado das empresas moçambicanas, como parceiro estratégico para enfrentar novos desafios e potenciar oportunidades de desenvolvimento económico e social.

PM: Que prioridades estratégicas orientam este novo ciclo de liderança da Ernst & Young Moçambique?

BD: Na EY Moçambique, iniciamos este novo ciclo de liderança com uma estratégia assente em três grandes prioridades: inovação, talento e proximidade ao mercado.

Em primeiro lugar, reforçamos o compromisso com a inovação tecnológica, procurando integrar soluções digitais que tornem os nossos serviços mais ágeis, seguros e alinhados com os desafios de transformação digital que também os nossos clientes enfrentam.

Country Managing Partner da EY Moçambique

Em segundo lugar, colocamos um foco renovado no desenvolvimento e retenção de talento moçambicano, investindo fortemente em formação contínua, certificações internacionais e programas de mobilidade que permitem expor as nossas equipas às melhores práticas globais.

Por fim, mantemos como prioridade estratégica a proximidade ao tecido empresarial e institucional, apoiando empresas e sectores-chave da economia nacional em processos de crescimento sustentável, governação corporativa e adaptação a novas exigências regulatórias e de mercado.

PM: Como a sua experiência pessoal e trajectória profissional influenciam a abordagem que pretende imprimir à EY Moçambique?

BD: A minha experiência de mais de 25 anos, repartida entre grandes firmas como a EY e projectos próprios em ambientes empreendedores, permite-me conjugar solidez e agilidade na gestão. Aliada ao conhecimento adquirido em mercados emergentes, essa trajectória reforça a visão de liderar a EY Moçambique com proximidade, flexibilidade e elevado rigor técnico, contando com uma equipa preparada para responder aos desafios do mercado nacional.

PM: Como avalia o actual ambiente de negócios em Moçambique e quais são, na sua visão, os principais desafios e oportunidades para o sector privado?

BD: O ambiente de negócios em Moçambique tem atravessado momentos complexos, marcados recentemente por alguma instabilidade social e por uma contracção económica no primeiro trimestre deste ano, que registou uma redução do PIB em cerca de 3,9%.

Entre os principais desafios imediatos destaco a questão cambial e da disponibilidade de divisas, que carece de uma abordagem estruturada, bem como a necessidade de um maior controlo da dívida pública por parte do Estado.

Apesar deste contexto, considero que estamos a chegar a um ponto de viragem, com sinais que permitem encarar o futuro com optimismo. O reinício dos grandes projectos de gás natural representa um catalisador importante para dinamizar a economia no curto prazo, embora devamos evitar depender excessivamente deste sector, preservando capacidade de crescimento sustentável noutras áreas estratégicas.

De forma geral, mantenho uma visão optimista sobre o potencial do país, acreditando que existirão novas oportunidades para os investidores privados e para o fortalecimento do tecido empresarial moçambicano.

PM: Que sectores da economia moçambicana a EY identifica como prioritários para impulsionar o crescimento nos próximos anos?

BD: Na nossa visão, o sector energético, incluindo os grandes projectos de gás natural e iniciativas em energias renováveis, representa um importante catalisador para a economia moçambicana no curto prazo.

Contudo, para sustentar um crescimento equilibrado e de longo prazo, identificamos como prioritário o investimento em infraestruturas, nomeadamente a criação de um corredor estruturante norte-sul, que permita melhor integrar as diferentes regiões do país e potenciar a circulação de bens e serviços, especialmente considerando que a capital está localizada no extremo sul.

Destacamos igualmente a importância estratégica do sector primário, com enfoque na agricultura, que é a base económica de Moçambique, e cuja modernização e dinamização poderão ter efeitos directos na redução da pobreza e na criação de emprego.

Por outro lado, defendemos que a industrialização deve ser uma prioridade clara, alicerçada em planos diretores robustos, capazes de promover a transformação local e o aumento do valor acrescentado nacional.

PM: Que contributo a EY pretende dar no apoio às empresas moçambicanas na sua preparação para desafios como ESG (Ambiental, Social e Governança), digitalização e integração em cadeias de valor globais?

BD: A EY pretende apoiar as empresas moçambicanas a preparar-se para os desafios de ESG, digitalização e integração em cadeias de valor globais, alinhando-se à estratégia internacional All In, que coloca estes vectores no centro do nosso crescimento.

Em Moçambique, já desenvolvemos projectos de modernização no sector privado e no Estado, incluindo iniciativas apoiadas pelo Banco Mundial para digitalizar a função pública. Queremos ser parceiros estratégicos neste processo, trazendo conhecimento global adaptado à realidade local.

Paralelamente, apostamos na formação de jovens moçambicanos em áreas como inteligência artificial e cibersegurança, integrando-os em equipas internacionais para desenvolver projectos de referência, contribuindo assim para o fortalecimento de competências técnicas no país.

PM: Que visão de longo prazo projecta para a EY Moçambique no seu mandato? Há intenção de expandir áreas de actuação ou desenvolver novos serviços?

BD: A visão de longo prazo para a EY Moçambique passa por reforçar os serviços tradicionais, como auditoria e consultoria fiscal, mas sobretudo por expandir para áreas estratégicas como a digitalização, consultoria tecnológica e serviços de BPO.

Com esta aposta, pretendemos não só modernizar a nossa oferta, mas também tornar-nos um parceiro ainda mais próximo do crescimento e eficiência operacional dos nossos clientes no país.

PM: Quais são as principais iniciativas de responsabilidade social que a EY Moçambique tem implementado, especialmente no apoio ao empreendedorismo feminino e às organizações locais?

BD: A EY desenvolve várias acções de responsabilidade social através do programa global Ripples, apoiando de forma discreta instituições e pequenas associações locais. Destacamos ainda a iniciativa Be Like a Woman, que entra agora numa nova edição e visa apoiar e capacitar jovens empresárias moçambicanas, contribuindo para o seu crescimento profissional e para o fortalecimento do empreendedorismo feminino no país.

Saiba mais aqui: EY Moçambique