Saturday, April 11, 2026
spot_img
Home Blog Page 44

Grupo sul-africano Vision Sugar compra açucareiras de Xinavane e Mafambisse

A Vision Sugar, uma empresa agro-industrial de capital maioritariamente africano, anunciou oficialmente a aquisição das açucareiras de Xinavane, na província de Maputo, e de Mafambisse, na província de Sofala, até agora geridas pela Tongaat Hulett Açúcar Lda., também de capitais sul-africanos.

O anúncio foi feito no último fim-de-semana, em Maputo, como parte de uma estratégia mais ampla de revitalização do sector açucareiro na região.

Com esta aquisição, o grupo Vision, garantiu já estar a implementar um novo plano de desenvolvimento agrícola, que aponta para posicionar Moçambique na liderança regional na produção de açúcar.

De acordo com o director-executivo da Vision, Gavin Guillou, a nova estratégia tem como base o reforço das parcerias locais na expansão da produção de cana-de-açúcar e na inclusão de fornecedores e agricultores das comunidades locais.

“Estamos a apostar num modelo de crescimento partilhado. Queremos que os benefícios do desenvolvimento cheguem às comunidades”, disse Guillou, citado no jornal Notícias.

Para o director-executivo da Vision Sugar, “a aquisição das açucareiras de Xinavane e de Mafambisse não é apenas uma mudança de proprietário, é um sinal de renovação, de compromisso com a estabilidade, a produtividade e o desenvolvimento económico rural em Moçambique”.

O plano contempla ainda a modernização da unidade fabril de Xinavane, com a introdução de tecnologias que aumentam a eficiência energética e a produtividade industrial, visando abrir um novo capítulo na história do sector açucareiro nacional, unindo inovação, sustentabilidade e inclusão local.

Após assumir os activos da Tongaat Hulett em Xinavane, o Grupo Vision diz ter investido cerca de mil milhões de randes para modernizar e expandir a produção açucareira naquela empresa que, viu as actividades afectadas significativamente, depois das inundações dos campos de produção, no primeiro trimestre de 2023,  que obrigou a suspensão das exportações de açúcar.

Relatório coloca Moçambique entre os países Africanos com maior custo de Gasóleo

Moçambique figura entre os dez países africanos com os preços mais elevados de gasóleo no mês de Junho de 2025, segundo dados actualizados pela plataforma GlobalPetrolPrices. Apesar de uma ligeira redução em relação a Maio, o custo do combustível mantém-se acima da média global, exercendo pressão sobre a economia nacional e o custo de vida das famílias.

De acordo com a actualização mais recente, divulgada a 9 de Junho de 2025, o preço médio mundial do gasóleo situava-se em 1,18 dólares por litro. Ainda assim, vários países africanos continuam a registar preços significativamente superiores a este valor.

Impactos Económicos e Sociais

O aumento do preço do gasóleo tem consequências directas e indirectas na economia africana, sobretudo em sectores estratégicos como logística, transporte, agricultura e indústria. Como grande parte do transporte de mercadorias em África é feito por camiões movidos a gasóleo, o encarecimento deste combustível traduz-se automaticamente em custos acrescidos no transporte de bens essenciais, como alimentos, medicamentos e materiais de construção.

No caso de Moçambique, tal realidade agrava ainda mais o custo de vida, num contexto económico já marcado por desafios relacionados com segurança alimentar, inflação e instabilidade global.

Fonte: BUSINESS INSIDER AFRICA

As pequenas e médias empresas (PMEs), que representam a espinha dorsal do emprego em África, também são afectadas de forma directa, uma vez que muitas dependem de geradores a gasóleo para suprir as constantes falhas no fornecimento regular de energia eléctrica.

O resultado é um aumento das despesas operacionais, redução das margens de lucro e, em alguns casos, encerramento de actividades ou despedimentos de trabalhadores, gerando impacto directo sobre a sustentabilidade económica local.

Mudanças nos Preços em África

Em comparação com o mês anterior, registaram-se aumentos ligeiros nos preços do gasóleo na República Centro-Africana, Malawi, Camarões e Senegal. Por outro lado, países como Zimbabué, Seychelles, Moçambique, Guiné e Burundi apresentaram reduções marginais, enquanto Serra Leoa manteve o mesmo nível de preços.

Desafios e Alternativas

O relatório sublinha que, para mitigar os impactos do elevado custo dos combustíveis fósseis, os países africanos devem apostar em soluções de longo prazo, nomeadamente:

  • Aumento da capacidade local de refinação de combustíveis;
  • Estabilização cambial para proteger as importações;
  • Incentivos à transição para fontes de energia mais limpas e renováveis;
  • Criação de subsídios estratégicos e temporários para sectores vulneráveis.

Enquanto estas soluções não forem implementadas de forma estruturada, os preços elevados do gasóleo continuarão a constituir um entrave ao crescimento económico sustentável no continente.

Fonte: BUSINESS INSIDER AFRICAhttps://africa.businessinsider.com/local/markets/top-10-african-countries-with-the-highest-diesel-prices-in-june-2025/9n52ffr

Report Ranks Mozambique Among African Countries with the Highest Diesel Costs

Diesel fuel has been for a long while now, an integral part of Africa’s energy infratsructure. This fuel source powers transit networks, agricultural equipment, generators, and industrial machines in several African countries. However, as fuel prices rise throughout the continent, the knock-on consequences are proving to be economically and socially harmful.

One of the most apparent implications of high fuel prices is a significant rise in transportation and logistics costs.

Because trucks and long-haul vehicles mostly operate on diesel, rising prices imply increasing expenses for transporting commodities across cities, regions, and countries.

This, in turn, raises the cost of necessary items, particularly food, medication, and building materials, putting further burden on households already struggling to keep up with growing living costs.

Additionally, high diesel costs hurt businesses, especially small and medium-sized firms (SMEs). With an unstable energy supply still a major issue, many companies rely on diesel generators to function.

High fuel prices increase operational expenses, lower profit margins, and, in certain situations, necessitate closures or layoffs. This causes enormous economic consequences on a continent where SMEs account for the vast bulk of jobs.

High fuel costs in Africa are more than simply a nuisance; they are a systemic issue affecting food security, public health, company survival, and economic growth.

To reduce the repercussions, nations must consider long-term remedies such as increasing refining capacity, stabilizing currencies, supporting greener energy sources, and devising clever, targeted subsidies.

Until then, rising diesel prices would continue to impede Africa’s economic growth.

With that said, here are the African countries currently enduring the highest diesel costs according to GlobalPetrolPrices, which last updated its list on the 9th of June 2025, when the average price of diesel around the world was listed as $1.18.

Compared to the top 10 list last month, diesel prices for the Central African Republic, Malawi, Cameroon, and Senegal all increased slightly.

While diesel prices in Zimbabwe, Seychelles, Mozambique, Guinea, and Burundi, this month, compared to May, have reduced marginally.

The price in Sierra Leone remained the same.

SOURCE: BUSINESS INSIDER AFRICA

SOURCE: BUSINESS INSIDER AFRICAhttps://africa.businessinsider.com/local/markets/top-10-african-countries-with-the-highest-diesel-prices-in-june-2025/9n52ffr

Moçambique entre os 10 países africanos com maior melhoria no Saldo Orçamental em 2025

Moçambique integra a lista das dez economias africanas que mais melhoraram o seu saldo orçamental em 2025, segundo o mais recente relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). A posição resulta dos esforços contínuos do Governo na consolidação fiscal, reestruturação da dívida e atracção de novos investimentos estratégicos.

O estudo evidencia progressos significativos de vários países africanos na redução dos seus défices orçamentais, um indicador chave para reforçar a confiança dos investidores e aliviar a pressão sobre o endividamento público.

Depois de vários anos marcados por desequilíbrios fiscais, associados a choques como a pandemia da COVID-19, a guerra na Ucrânia e a subida das taxas de juro a nível global, o relatório do BAD mostra sinais de recuperação em várias regiões do continente.

Destaques da melhoria orçamental

A Argélia lidera o ranking africano, tendo conseguido reduzir o seu défice em mais de 10 pontos percentuais, impulsionada pela recuperação do sector energético e pela implementação de políticas de contenção de despesas públicas.

Fonte: BUSINESS INSIDER AFRICA

Seguem-se o Senegal e o Malawi, que alcançaram reduções superiores a 7 pontos percentuais nos respectivos défices fiscais, reflectindo reformas estruturais e políticas fiscais mais rigorosas.

No Norte de África, Egipto, Maurícias e Tunísia destacaram-se com melhorias substanciais, atribuídas a reformas fiscais, ajustamento de subsídios e aumento de receitas provenientes das exportações.

Burquina Faso, Uganda e Quénia completam a lista antes de Moçambique, que fecha o grupo dos dez primeiros, destacando-se pelo compromisso em manter a trajectória de recuperação económica, num contexto de ajustamento fiscal e captação de investimentos.

A melhoria do saldo orçamental permite aos governos maior margem para investir em infra-estruturas, saúde e educação, sem recorrer de forma excessiva ao endividamento externo. No caso de Moçambique, o resultado positivo surge no seguimento das reformas económicas em curso, bem como de esforços de reestruturação da dívida pública.

Contudo, o relatório sublinha que a sustentabilidade destes ganhos dependerá da continuidade das reformas internas e da estabilidade económica global.

Com este desempenho, Moçambique reforça a sua presença no debate sobre a gestão sustentável das finanças públicas em África, num momento em que o continente procura equilibrar as necessidades de desenvolvimento com a prudência fiscal.

Fonte: BUSINESS INSIDER AFRICAhttps://africa.businessinsider.com/local/markets/top-10-african-countries-with-the-largest-improvement-in-fiscal-balance-in-2025/pcxykm8

Mozambique Among the Top 10 African Countries with the Largest Improvement in Fiscal Balance in 2025

In 2025, some African countries are showing major strides in improving their fiscal balance. After years of debt build-up and wide deficits, these improvements suggest tighter government spending, better revenue collection, and in some cases, support from rising commodity prices.

Fiscal balance reflects the gap between what a government earns and what it spends. A negative figure means a deficit. When countries succeed in reducing that gap, it can ease pressure on public debt and attract more investor confidence.

Throughout the past few years, fiscal deficits in Africa widened due to shocks like the COVID-19 pandemic, Russia’s war in Ukraine, and rising global interest rates.

However, in the latest report by the African Development Bank, several countries are now cutting their deficits significantly. In North, East, and West Africa, new policies are beginning to show results.

This ranking highlights the ten African countries that made the most progress in narrowing their fiscal deficits, based on AfDB data for 2025.

Algeria leads the continent with the most significant improvement in fiscal balance, narrowing its deficit by over 10 percentage points. This is likely linked to strong performance in the energy sector and firm expenditure controls.

Senegal and Malawi follow, each cutting their fiscal gaps by more than 7 percentage points. These gains may reflect fiscal consolidation measures and policy reforms to stabilize public finances.

In North Africa, Egypt, Mauritius, and Tunisia all recorded marked improvements. The shift points to better tax policies, subsidy reforms, or higher export revenues.

Burkina Faso, Uganda, and Kenya also made progress, despite ongoing economic challenges and rising public needs. Their positions on the list suggest a stronger push to balance budgets.

Mozambique rounds out the top 10, continuing its recovery efforts amid debt restructuring and new investments.

Across these countries, improved fiscal balances are a positive sign. They offer governments more room to invest in infrastructure, health, and education without relying as heavily on debt. However, sustaining this trend will depend on continued reforms and global economic stability.

As of 2025, these fiscal improvements are a key story in Africa’s economic outlook, one that could shape debt management and development for years to come.

FonteBUSINESS INSIDER AFRICA – https://africa.businessinsider.com/local/markets/top-10-african-countries-with-the-largest-improvement-in-fiscal-balance-in-2025/pcxykm8

 

Diálogo de Negócios Rússia-África: Moçambique propõe novo sistema financeiro global

O Governo de Moçambique defendeu, esta semana, a criação de um novo sistema financeiro internacional mais justo e inclusivo, apelando a uma maior colaboração entre os países em desenvolvimento e a Federação Russa. O apelo foi feito pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante a sua intervenção no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), na Rússia.

Falando no painel “Diálogo de Negócios Rússia-África”, Valá sublinhou que Moçambique está disponível para cooperar com a Rússia e outros parceiros do Sul Global na construção de um novo quadro financeiro internacional, que privilegie o investimento produtivo e promova o desenvolvimento sustentável em África.

Apesar de ser detentor de recursos minerais e energéticos valiosos, incluindo gás natural, ouro, rubis e carvão, o governante frisou que “o maior recurso estratégico de Moçambique é o seu povo”, razão pela qual defendeu que o foco do desenvolvimento deve estar centrado na melhoria da qualidade de vida dos moçambicanos.

Visão económica de longo prazo

Durante a sua intervenção, o Ministro apresentou a visão estratégica de desenvolvimento de Moçambique para os próximos 20 anos, orientada para a diversificação económica, com prioridade para a modernização da agricultura, industrialização e expansão das tecnologias de informação e comunicação (TIC).

Valá defendeu a necessidade de uma maior convergência entre países africanos e a Rússia para fortalecer o sector privado e consolidar novas bases financeiras para o investimento sustentável.

“Precisamos de alianças sólidas para viabilizar a industrialização africana, desenvolver infra-estruturas, atrair mais investimentos e gerar empregos dignos. O futuro de África deve ser definido pela inovação, educação e prosperidade”, reforçou.

Tecnologias e parcerias no sector digital

As perspectivas de cooperação entre Moçambique e a Rússia estendem-se também à esfera digital. O representante da Autoridade Reguladora das Comunicações (INCM), Eugénio Alberto Macumbe, destacou recentemente o interesse nacional em aprender com a experiência russa no domínio da transformação digital e inteligência artificial.

Na última feira nacional de tecnologia, realizada em Maio, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento reafirmou que as TIC serão um pilar crítico para o crescimento económico de Moçambique nas próximas décadas, como parte de uma estratégia integrada de modernização económica.

Mudança de narrativas sobre áfrica

Valá apelou ainda a uma mudança de narrativas sobre África no contexto internacional, defendendo que o continente seja reconhecido não apenas pelo seu potencial em recursos naturais, mas também pela capacidade de inovação, dinamismo empresarial e contributo para a estabilidade global.

A intervenção de Moçambique insere-se num esforço diplomático mais alargado de reposicionamento do país e da região como actores activos na redefinição da arquitectura financeira internacional.

IDE em África cresce 75% e atinge novo recorde

O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em África registou um crescimento expressivo de 75% em 2024, atingindo um recorde histórico de 97 mil milhões de dólares.

A informação consta no mais recente relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

O documento, que é citado pela imprensa internacional, indica que o desempenho notável foi impulsionado, em grande parte, por um megaprojecto de desenvolvimento urbano no Egipto. Ainda assim, mesmo excluindo este factor pontual, os fluxos de investimento para o continente aumentaram 12%, totalizando cerca de 62 mil milhões de dólares.

A UNCTAD destaca que o investimento directo estrangeiro  em África passou a representar 6% do total mundial em 2024, uma melhoria face aos 4% registados no ano anterior.

Este crescimento é atribuído, em parte, à adopção de políticas de liberalização e medidas de facilitação de investimentos por vários governos africanos.

O relatório refere ainda que 36% das medidas políticas favoráveis aos investidores em 2024 foram adoptadas por países africanos.

A nível regional, o Norte de África liderou o aumento nos fluxos de IDE, sobretudo devido ao investimento significativo no Egipto.

Já a África Austral, que inclui países como Angola e Moçambique, viu os investimentos crescerem 44%, passando de 7 para 11 mil milhões de dólares.

Em contrapartida, a África Ocidental, onde se encontram países como Cabo Verde e Guiné-Bissau, registou uma ligeira retração nos investimentos, com uma descida de 7%, situando-se agora em 15 mil milhões de dólares, face aos 16 mil milhões em 2023.

No que diz respeito à origem dos investimentos, segundo o relatório,  a Europa mantém-se como a principal fonte de IDE em África, seguida pelos Estados Unidos e pela China. Os investidores têm mostrado interesse crescente em sectores como o farmacêutico e o da transformação alimentar.

O relatório sublinha, por fim, que, apesar das incertezas globais, África tem conseguido atrair mais capital estrangeiro devido a reformas e iniciativas que tornam o continente cada vez mais atrativo para os investidores internacionais.

Investidores sul-africanos projectam construir três hotéis no país

O grupo turístico sul-africano Singita, que opera 19 empreendimentos em vários países africanos, anunciou a intenção de construir três hotéis no arquipélago de Bazaruto, na província de Inhambane, região Sul de Moçambique.

A informação foi avançada nesta quarta-feira (18), pelo director-executivo da Singita Management Company, durante um encontro em Maputo com o Presidente da República, Daniel Chapo, com o objectivo de obter apoio do Governo.

“Encontrámo-nos com o Presidente para discutir algumas iniciativas na área do turismo. Estamos à procura de construir dois, talvez três, hotéis, ‘lodges’, no arquipélago de Bazaruto, um dos locais mais procurados pelos turistas em Moçambique”, descreveu o director-executivo daquele grupo de ecoturismo e preservação ambiental, Luke Bailes.

Na ocasião, Luke Bailes esclareceu que “o grupo Singita é uma marca de ecoturismo e conservação e tem o compromisso de preservar e proteger a natureza selvagem de África para as gerações futuras”, revelando que inaugurou o seu primeiro “lodge” em 1993, estando actualmente presente na África do Sul, Zimbabué, Tanzânia e Ruanda.

“O Singita emprega actualmente centenas de pessoas em África e opera 19 alojamentos, acampamentos e vilas de uso exclusivo em seis locais que abrangem quatro países, cada um deles um santuário de paz que celebra a beleza da floresta africana”, acrescentou.

Fórum empresarial projecta crescimento bilateral: Comércio entre Moçambique e Turquia já ultrapassa 450 milhões USD

  • Encontro B2B em Maputo junta empresários moçambicanos e turcos em torno de sectores estratégicos como vestuário, têxteis, maquinaria, química e agro-indústria;
  • Exportações moçambicanas para a Turquia cresceram 54% entre 2018 e 2023, superando os 130 milhões USD;
  • Turquia posiciona-se como 10.º maior investidor em Moçambique, com interesse crescente nos sectores de energia, turismo, agricultura e infra-estruturas;
  • CTA e APIEX destacam complementaridade económica e necessidade de maquinaria, tecnologia e know-how para dinamizar o parque industrial moçambicano;
  • Empresários apontam oportunidade de substituição de importações, criação de emprego e industrialização sustentável.

O recente encontro empresarial bilateral entre Moçambique e Turquia, realizado esta quarta-feira em Maputo, reforçou as perspectivas de cooperação económica entre os dois países, com foco no estímulo à industrialização moçambicana através de transferência de tecnologia, instalação de parques industriais e parcerias produtivas estratégicas.

Cooperação que responde a necessidades reais

A plataforma B2B (Business to Business), promovida pela Câmara de Comércio de Moçambique e pela CTA em parceria com a Assembleia dos Exportadores da Turquia (TiM), permitiu mapear interesses comuns nos sectores de embalagem, maquinaria, alumínio, produtos alimentares, vestuário, têxteis, aquacultura, metalomecânica e química, entre outros.

“A indústria turca apresenta soluções tecnológicas e produtivas que respondem directamente às necessidades do tecido económico moçambicano”, afirmou Aly Lalgy, Presidente do Conselho Fiscal da CTA, sublinhando que Moçambique precisa de maquinaria, tecnologia e know-how para alavancar os seus sectores transformadores.

Presidente do Conselho Fiscal da CTA, Aly Lalgy

Turquia como parceiro estratégico em África

O Embaixador da Turquia em Moçambique, Ferhat Alkan, manifestou satisfação com o progresso das relações bilaterais, referindo que a Turquia vê Moçambique como “a pérola de África” e parceiro estratégico em sectores como energia, agricultura, turismo e construção.

“As nossas relações estão a fortalecer-se nos domínios do comércio, economia, energia e investimento. Esperamos que este fórum resulte em acordos concretos entre empresas turcas e moçambicanas”, declarou.

Embaixador da Turquia em Moçambique, Ferhat Alkan

Comércio em alta, mas ainda assimétrico

De acordo com António Macamo, assessor da Direcção-Geral da APIEX, o volume de comércio entre os dois países tem crescido: as exportações moçambicanas para a Turquia subiram 54% entre 2018 e 2023, atingindo 130 milhões de dólares, enquanto as importações turcas cresceram apenas 4%, estabilizando em cerca de 322 milhões USD. O responsável defendeu que esta evolução deve ser vista como positiva, evidenciando maior inserção de Moçambique nas cadeias comerciais bilaterais.

Assessor da Direcção-Geral da APIEX, António Macamo,

Aposta na produção nacional e valor local

Do lado moçambicano, os empresários destacaram a necessidade de utilizar esta cooperação para dinamizar a produção nacional, substituindo importações e fomentando cadeias de valor internas com base em matérias-primas locais. A criação de um parque industrial moderno e sustentável, com tecnologias turcas, foi apontada como um objectivo concreto e desejável.

Além disso, Moçambique apresenta vantagens estratégicas de acesso preferencial à SADC e ao mercado africano, estabilidade crescente e uma população jovem com capacidade de absorver novas competências técnicas, factores que atraem o investimento turco.

Compromissos institucionais

A CTA comprometeu-se a facilitar parcerias, fornecer informação de mercado e promover o diálogo entre sectores público e privado, enquanto a APIEX reafirmou a aposta do Governo na criação de um ambiente propício ao investimento estruturante.

Um caminho para a reindustrialização

O encontro B2B Moçambique–Turquia revelou-se mais do que um exercício diplomático, representando um marco prático no reforço de ligações empresariais e industriais estruturantes. À medida que Moçambique procura reposicionar-se como um destino de investimento produtivo, a Turquia oferece soluções com capacidade de gerar impacto real e imediato, desde que ancoradas em parcerias equilibradas e orientadas para resultados concretos.

Aquisição de participações na LAM deverá estar concluída em três meses com meta de 130 milhões USD e renovação da frota

A compra de participações da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) deverá ser concluída os próximos três meses, segundo garantias do Presidente do Conselho de Administração da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique.

Agostinho Langa Júnior assegurou que a companhia terá novas aeronaves. Para já está em curso o pagamento das dívidas da companhia aérea, cuja responsabilidade é do executivo de Daniel Chapo.

“Relativamente à compara de acções, há uma série de condições precedentes que devem ser cumpridas, sendo a principal o saneamento das dívidas da LAM. Portanto, é preciso que se limpem as contas da LAM, para que tudo aquilo que esses accionistas e outros que possam aderir à iniciativa não vejam o seu dinheiro contaminado ao entrar nas contas da LAM. Este é o processo que, neste momento, está em curso. Essa não é a responsabilidade dos accionistas, é a responsabilidade do Governo. Quando isto estiver tudo pronto, acredito que estaremos em condições de avançar.  Acreditamos que o processo vai correr bem, que o Governo vai atingir os seus objectivos. Estamos a acompanhar o processo do saneamento das dívidas, e acreditamos que em mais dois ou três meses o processo estará resolvido e começaremos a ter aviões novos para a LAM” disse, citado pela STV.

O PCA dos CFM escusou-se em falar sobre o montante das dívidas da LAM.

Ainda hoje, mas noutro evento, na cidade da Matola, o Ministro dos Transportes, João Matlombe, assegurou que os “demónios da LAM” serão exorcizados em breve.

“Há uma empresa que foi contratada, está a cumprir o plano que acordou com o Governo. A LAM é prioridade de todos os moçambicanos, e o Governo está a assegurar que esse desejo dos moçambicanos de ter uma companhia aérea fiável, funcional e com orgulho dos moçambicanos seja uma realidade. O nosso compromisso como Governo é trabalhar para que essa nova companhia exista” disse

O Governo autorizou, este ano, os CFM, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) a adquirir 91% das participações do Estado na LAM.

A medida, conforme explicou em algumas ocasiões o porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, visa reestruturar a empresa e injectar capital para assegurar as operações e aquisição de frota. Com a operação, se pretende arrecadar 130 milhões de dólares e oito aeronaves.

Recorde-se que, no primeiro momento de intervenção do actual Governo, foram desvendados conflitos de interesse na LAM. No balanço dos primeiros 100 dias de governação, o Presidente da República (PR), Daniel Chapo, disse que um grupo de pessoas enviado para adquirir três aeronaves da Europa passou 15 dias naquele continente e não apresentou resultados. Chapo depreendeu que se trata do grupo interessado em ver a LAM a continuar a fretar/alugar os aviões.

Em Maio passado, o PR exonerou “com efeitos imediatos” o PCA da LAM, Marcelino Gildo Alberto. Além do PCA, foram afastados o Administrador do Pelouro de Finanças, Recursos Humanos e Serviços Corporativos, Altino Xavier Mavile, e do Administrador do pelouro Técnico e Operacional Bruno Miguel Domengue Lorena Heliotrope Miranda.

Com efeito, foi nomeado um novo Conselho de Administração Não-Executivo, composto por funcionários das empresas accionistas dos CFM, HCB e EMOSE. Uma Comissão de Gestão com funções executivas foi nomeada para assegurar a gestão corrente da empresa aérea.