Thursday, May 28, 2026
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Movitel lidera velocidade de download, enquanto Vodacom assegura melhor upload

Um estudo recente sobre a velocidade de internet móvel em Moçambique revela diferenças significativas entre as principais operadoras do país, Movitel, Vodacom e Tmcel, no que respeita ao desempenho médio de download e upload. As medições foram realizadas em todo o território nacional, abrangendo as várias tecnologias de acesso disponíveis (3G, 4G e 5G, se aplicável).

De acordo com os dados recolhidos, a Movitel apresenta a melhor velocidade média de download, atingindo 22,16 Mb/s com um intervalo de confiança de ±0,19, sustentada por uma amostra de 30.550 testes. No entanto, no upload, regista uma média inferior, fixando-se nos 10,75 Mb/s (±0,09).

A Vodacom, por sua vez, destaca-se no upload, alcançando 12,65 Mb/s (±0,14) numa base de 26.481 amostras. Em termos de download, apresenta uma média de 18,87 Mb/s (±0,17), posicionando-se como a segunda mais rápida nesta categoria.

Já a Tmcel apresenta a menor velocidade de download entre as três operadoras, com 13,51 Mb/s (±0,16), embora obtenha 11,21 Mb/s (±0,16) no upload, superando a Movitel nesta métrica específica. Os resultados foram apurados a partir de 14.137 medições.

Estes indicadores fornecem uma visão técnica do panorama actual da conectividade móvel em Moçambique, reflectindo tanto os investimentos das operadoras nas suas infra-estruturas como as variações no desempenho em diferentes regiões e tecnologias.

Especialistas sublinham que, embora as velocidades médias sejam um parâmetro relevante, a experiência do utilizador depende igualmente de factores como latência, cobertura territorial e qualidade do serviço nas horas de maior tráfego.

Os dados, provenientes da plataforma independente SpeedChecker.com, assumem particular importância num contexto de crescente digitalização da economia e da sociedade moçambicana, onde o acesso fiável à internet móvel é cada vez mais essencial para actividades comerciais, educativas e de lazer.

Fonte: SpeedChecker

Absa Bank distinguido como Melhor Banco do Ano

O Absa Bank foi eleito “Melhor Banco do Ano em Moçambique” nos International Investors Awards2025, uma iniciativa promovida pela publicação britânica “International Investor Magazine”, sediada em Londres, informou, a instituição financeira em comunicado.

Segundo o documento, o prémio reconhece o desempenho da instituição bancária na promoção de soluções financeiras inovadoras e sustentáveis, alinhadas com os desafios e as ambições do mercado moçambicano. O galardão sublinha, ainda, “o compromisso do Absa com padrões elevados de ética, transparência e excelência operacional, atributos que consolidam a sua reputação no sector financeiro nacional”.

Em reacção à distinção, Pedro Carvalho, CEO do Absa Bank Moçambique, destacou o significado da conquista para o banco e para os seus clientes. “Ser reconhecido como Melhor Banco do Ano reforça o nosso compromisso em oferecer soluções bancárias personalizadas, alinhadas com as aspirações financeiras dos nossos clientes. Somos um banco orientado para a inovação, centrado nas pessoas e empenhado em promover um ambiente financeiro mais acessível, eficiente e inclusivo”, afirmou o responsável.

Absa distinguido como melhor banco do País

A avaliação das instituições concorrentes aos International Investors Awards é realizada com base em critérios como inovação tecnológica, qualidade no atendimento ao cliente, solidez financeira, responsabilidade social e práticas eficazes de gestão de riscos. De acordo com os organizadores, o Absa destacou-se pela consistência na aplicação destes princípios em todas as áreas da sua actuação.

Ao longo dos últimos anos, o banco “tem reforçado a sua presença no mercado através da digitalização de serviços, investimento em capital humano e do fortalecimento das suas políticas de sustentabilidade. Esta abordagem integrada tem permitido ao Absa consolidar-se como uma das “principais referências do sistema bancário nacional”. Para além do reconhecimento internacional, “o prémio representa um novo impulso para a estratégia da instituição, que pretende continuar a sua trajectória de crescimento assente na robustez operacional, no impacto social positivo e na liderança de mercado.”

“Economia do sector privado em Moçambique caiu em Junho” – Índice PMI do Standard Bank

A economia do sector privado moçambicano registou uma contração durante o passado mês de Junho, como resultado de pressões fiscais e o desequilíbrio entre a oferta e a procura. A constatação é do Purchasing Managers Index™ (PMI™), uma avaliação do Standard Bank.

“Em Junho, o PMI do Standard Bank de Moçambique caiu para 49,1 [corrigido de sazonalidade], após os 49,6 de Maio, ficando abaixo do valor de referência de 50, em cinco dos últimos oito meses”, lê-se no relatório.

Segundo o documento do Standard Bank, em Junho, ocorreram contrações mensais na produção, nas encomendas e nas aquisições. “O PMI de Junho é consistente com as recorrentes pressões fiscais e com os desequilíbrios entre a oferta e a procura de moeda externa no mercado cambial que limitam a procura agregada”.

Para o economista-chefe do Standard Bank, apesar desta contracção, o sentimento empresarial melhorou e em Junho, o sub-índice do PMI de expectativas empresariais para o futuro subiu para o valor mais alto dos últimos 13 meses.

“É de salientar que, provavelmente, os inquiridos estão a ter em consideração o progresso relativo aos projectos de gás natural liquefeito [GNL], o que poderá impulsionar a actividade económica”, assinalou.

Paulo Chibanga: “Queremos que as MPMEs cresçam e se tornem mais competitivas”

Profile Mozambique: Quais serão as principais prioridades estratégicas da sua liderança à frente da AIMO?

Paulo Chibanga: Enquanto nova direcção da Associação Industrial de Moçambique (AIMO), a nossa prioridade imediata será reforçar a coesão entre os membros da Associação, promovendo o seu fortalecimento técnico, financeiro e institucional. Queremos garantir que as pequenas e microindústrias, que representam mais de 90% do tecido industrial moçambicano, tenham condições para crescer e tornar-se mais competitivas.

Pretendemos dar continuidade a iniciativas de grande impacto, como o Mozindus – Mozambique Industrial Forum and Exhibition, e avançar com novos projectos como a Agência de Desenvolvimento Industrial e o programa de Acreditação Industrial, para apoiar a formação técnica, a certificação das empresas e a modernização tecnológica.

Outro eixo estratégico é impulsionar o conteúdo local nos grandes projectos, sobretudo no sector extractivo e energético. Vamos actualizar os cursos do nosso centro de formação metalomecânica, de forma a responder às necessidades reais do mercado, e com isto criar mais e melhores condições de empregabilidade dos jovens, e articular com o Governo e parceiros soluções para melhorar o acesso ao financiamento, um dos maiores desafios que a indústria enfrenta.

O nosso compromisso é, no final do mandato, ter um sector industrial mais forte, mais competitivo e mais preparado para criar emprego e gerar valor para Moçambique.

PM: A questão do acesso a financiamento e linhas de crédito competitivas tem sido apontada como uma das principais dificuldades do sector industrial. Que propostas específicas a AIMO trará ao diálogo com o Governo e o sistema financeiro?

PC: Na perspectiva da nova direcção, a questão do acesso ao financiamento competitivo continua a ser um dos maiores desafios para o fortalecimento da indústria nacional, em particular para as micro e pequenas empresas, que representam a larga maioria do sector.

No mandato anterior, iniciamos este caminho em parceria com a banca comercial, nomeadamente com o Millennium BIM, através da criação de uma linha de financiamento específica para a indústria, no valor de cerca de 5 mil milhões de meticais. Esta experiência permitiu perceber melhor as reais necessidades do sector e, ao mesmo tempo, revelou que mesmo com reduções marginais nas taxas de juro, o custo do dinheiro se mantém elevado e pouco acessível para a maioria dos industriais.

Para enfrentar este desafio, estamos a preparar um estudo de base (baseline study) que permita conhecer em detalhe o panorama actual da indústria moçambicana e identificar com maior precisão quais as áreas que precisam de apoio prioritário. Este trabalho será articulado com o projecto da futura Agência de Desenvolvimento Industrial, que deverá concentrar esforços no apoio técnico, capacitação e financiamento orientado sobretudo para as micro e pequenas empresas, de modo a impulsionar a competitividade e modernização do tecido produtivo nacional.

Ao mesmo tempo, defendemos que o Governo desempenhe um papel essencial como facilitador, criando mecanismos e condições que reduzam custos estruturais, isentem taxas em momentos críticos e ajudem a proteger a indústria nacional, sem se substituir ao mercado. Nesse sentido, estamos a intensificar o diálogo com parceiros estratégicos como o Millennium, BNI, ABSA Bank, Banco Mundial e o IFC, para desenvolver pacotes integrados de apoio financeiro e técnico aos nossos associados.

PM: O fortalecimento do diálogo público-privado foi destacado como elemento central do seu mandato. Que passos práticos serão tomados para dinamizar essa relação?

PC: No âmbito do nosso mandato na AIMO, assumimos o fortalecimento do diálogo público-privado como um pilar estratégico para impulsionar a competitividade do sector industrial.

De forma prática, iniciamos ainda no mandato passado contactos directos com o Governo, incluindo um encontro de trabalho com o Ministro da Economia, onde propusemos a criação de um grupo de trabalho conjunto. Este grupo servirá para aprofundar o diálogo técnico, identificar os principais constrangimentos enfrentados pelos nossos membros e, em conjunto, traçar soluções que reforcem a protecção da indústria nacional, sobretudo em sectores vulneráveis às importações.

Paralelamente, estamos a trabalhar na criação de clusters que permitam reunir empresas por áreas estratégicas, fomentando uma reflexão colectiva sobre desafios e oportunidades das cadeias de valor que são consideradas estratégicas para o país. Pretendemos igualmente alargar a presença da AIMO para além de Maputo, através da abertura de representações regionais, garantindo que a informação e as preocupações das indústrias de todo o país sejam levadas ao centro das decisões.

Por fim, no quadro da nossa participação na CTA, continuaremos a liderar o Pelouro da Indústria, mecanismo que nos permite propor reformas concretas e articular de forma directa as prioridades do sector industrial junto do Executivo. Acreditamos que este caminho fortalecerá a voz da indústria moçambicana e contribuirá para a definição de políticas públicas mais ajustadas às reais necessidades do sector.

PM: Importamos mais do que exportamos. Como pretende a AIMO inverter este cenário e estimular a produção nacional, sobretudo nos sectores prioritários?

PC: Para inverter o actual cenário em que Moçambique importa mais do que exporta, apostamos numa abordagem estruturada e estratégica, começando pela realização de um estudo de base (industrial baseline) que nos permitirá mapear com rigor o parque industrial existente, identificar potencialidades e perceber quais produtos podem, numa primeira fase, ser produzidos localmente em substituição das importações. Acreditamos que a substituição de importações é um dos caminhos incontornáveis para independência económica e robustez da nossa balança de pagamentos que neste momento é deficitária.

Paralelamente, estamos a avançar com o projecto de Acreditação Industrial, iniciado no mandato passado, que visa certificar empresas nacionais e elevar a sua competitividade no mercado interno e externo. Pretendemos igualmente incentivar a instalação de unidades de transformação agroindustrial e metalomecânica, olhando com atenção para produtos estratégicos que possam gerar maior valor acrescentado.

Esta estratégia assenta ainda no desenvolvimento de fornecedores locais e na promoção da certificação, medidas que, em conjunto, reforçarão a capacidade produtiva nacional, criando condições para que a indústria moçambicana reduza gradualmente a dependência de produtos importados e contribua de forma mais robusta para a balança comercial do país.

PM: Na perspectiva da AIMO, qual deve ser o papel da indústria moçambicana no actual ciclo de investimentos no sector extractivo e energético?

PC: Na AIMO, acreditamos que a indústria moçambicana deve ter um papel central no actual ciclo de investimentos no sector extractivo e energético, e para isso, temos de apostar fortemente na formação técnica dos nossos profissionais. Se não investirmos na capacitação, estaremos a limitar a possibilidade das nossas empresas participarem de forma competitiva nestes grandes projectos.

Defendemos que esta aposta deve ser feita de forma integrada, através de centros de formação, programas de on-job training e maior aproximação entre as empresas nacionais e os projectos internacionais. Queremos que as nossas micro, pequenas e médias indústrias não só participem, mas também ganhem experiência prática e técnica para responder às exigências do sector.

Estamos conscientes de desafios como o poaching, em que os nossos técnicos mais qualificados são aliciados por novas operadoras com melhores condições. Por isso, trabalhamos em equipa para garantir que, mesmo após fases de construção dos grandes projectos, consigamos reintegrar estes profissionais em outras empresas industriais nacionais, mantendo o saber-fazer e a competitividade dentro do país.

Outro eixo essencial é a certificação das empresas moçambicanas, que, embora onerosa, é crucial para garantir padrões internacionais e aumentar o nível de conteúdo local. Como equipa, queremos que, daqui a cinco anos, possamos medir e comprovar que a indústria nacional está mais presente, mais qualificada e mais integrada nestes grandes projectos.

PM: Que visão de longo prazo projecta para a indústria nacional, tendo em conta as exigências impostas pela globalização e pela necessidade de integração regional?

PC: A nossa visão de longo prazo para a indústria nacional assenta, antes de mais, na construção de um sector verdadeiramente competitivo, capaz de responder às exigências da globalização e de aproveitar as oportunidades da integração regional.

Para isso, apostamos, como equipa, na formação de mão-de-obra qualificada, que consideramos ser a base para qualquer transformação estrutural. Queremos chegar ao fim dos próximos cinco anos com uma indústria mais moderna, profissionais preparados e um sistema financeiro capaz de oferecer melhores condições, tornando o custo do dinheiro mais acessível para projectos industriais.

O nosso grande objectivo colectivo é ver a indústria moçambicana recuperar espaço no contexto africano, voltar a figurar entre as mais relevantes do continente e, gradualmente, conquistar mercados além-fronteiras. Primeiro, reforçando as exportações na região, e depois, com ambição e trabalho conjunto, posicionando os nossos produtos a nível global. É este o caminho que traçamos, movidos pelo espírito de liderança, união e confiança no potencial do nosso sector industrial.

Conheça melhor a AIMO e acompanhe de perto o desenvolvimento das suas actividades neste link: Associação Industrial de Moçambique

Paulo Chibanga: “We want MSMEs to grow and become more competitive”

In his first exclusive interview as the newly elected president of the Industrial Association of Mozambique (AIMO), Paulo Chibanga highlights that his term will be guided by three fundamental strategic pillars: strengthening internal cohesion among members, a determined investment in technical training, and facilitating access to financing, with particular focus on small and micro industries.

Profile Mozambique: What will be the main strategic priorities of your leadership at the helm of AIMO?

Paulo Chibanga: As the new management of the Industrial Association of Mozambique (AIMO), our immediate priority is to reinforce cohesion among the Association’s members, promoting their technical, financial, and institutional strengthening. We want to ensure that small and micro industries, which represent over 90% of Mozambique’s industrial fabric, have the necessary conditions to grow and become more competitive.

We intend to continue impactful initiatives, such as the Mozindus – Mozambique Industrial Forum and Exhibition, and move forward with new projects like the Industrial Development Agency and the Industrial Accreditation Program, to support technical training, business certification, and technological modernization.

Another strategic axis is to promote local content in major projects, especially in the extractive and energy sectors. We will update the courses at our metalworking training center to respond to the real needs of the market, thus creating better employment opportunities for young people. In addition, we will work with the Government and partners to find solutions that improve access to financing, which remains one of the industry’s greatest challenges.

Our commitment is that, by the end of our mandate, we will have a stronger, more competitive industrial sector, better prepared to create jobs and generate value for Mozambique.

PM: Access to financing and competitive credit lines has been pointed out as one of the main challenges facing the industrial sector. What specific proposals will AIMO bring to its dialogue with the Government and the financial system?

PC: From the perspective of the new management, access to competitive financing remains one of the biggest challenges for strengthening the national industry, particularly for micro and small enterprises, which make up the vast majority of the sector.

In the previous mandate, we began addressing this challenge in partnership with commercial banks, namely Millennium BIM, by creating a specific credit line for the industry worth about 5 billion meticais. This experience helped us better understand the real needs of the sector and revealed that, even with marginal reductions in interest rates, the cost of money remains high and largely inaccessible to most industrialists.

To address this challenge, we are preparing a baseline study that will allow us to understand in detail the current landscape of Mozambican industry and identify, more precisely, which areas need priority support. This effort will be coordinated with the project of the future Industrial Development Agency, which should focus on technical support, capacity building, and targeted financing, especially for micro and small enterprises, in order to boost the competitiveness and modernization of the national productive sector.

At the same time, we advocate for the Government to play a key role as a facilitator, creating mechanisms and conditions to reduce structural costs, exempt critical taxes, and help protect the national industry—without replacing the market itself. In this regard, we are intensifying dialogue with strategic partners such as Millennium, BNI, ABSA Bank, the World Bank, and the IFC, to develop integrated financial and technical support packages for our members.

PM: Strengthening public-private dialogue was highlighted as a central element of your mandate. What practical steps will be taken to make this relationship more dynamic?

PC: Within the scope of our mandate at AIMO, we have assumed strengthening public-private dialogue as a strategic pillar to boost the competitiveness of the industrial sector.

In practical terms, we initiated direct contacts with the Government during the previous mandate, including a working meeting with the Minister of Economy, where we proposed the creation of a joint working group. This group will deepen technical dialogue, identify the main constraints faced by our members, and together, develop solutions to strengthen the protection of national industry, particularly in sectors vulnerable to imports.

At the same time, we are working to create clusters that bring together companies by strategic areas, encouraging collective reflection on the challenges and opportunities within the value chains that are considered strategic for the country. We also intend to expand AIMO’s presence beyond Maputo, through the opening of regional representations, ensuring that information and concerns from industries across the country reach decision-making centers.

Finally, within our participation in CTA, we will continue to lead the Industry Portfolio, a mechanism that allows us to propose concrete reforms and directly convey the industrial sector’s priorities to the Government. We believe that this approach will strengthen the voice of Mozambican industry and help define public policies that are better aligned with the sector’s real needs.

PM: We import more than we export. How does AIMO plan to reverse this scenario and stimulate national production, especially in priority sectors?

PC: To reverse the current scenario in which Mozambique imports more than it exports, we are betting on a structured and strategic approach, starting with conducting a baseline study that will rigorously map the existing industrial landscape, identify potential, and determine which products could initially be locally produced to replace imports. We believe that import substitution is an unavoidable path toward economic independence and strengthening our balance of payments, which is currently in deficit.

In parallel, we are moving forward with the Industrial Accreditation project, launched in the previous mandate, which aims to certify national companies and increase their competitiveness in both domestic and foreign markets. We also plan to encourage the establishment of agro-industrial and metalworking processing units, paying close attention to strategic products that can generate greater added value.

This strategy also relies on the development of local suppliers and the promotion of certification—measures that, together, will strengthen the national productive capacity, create conditions for Mozambican industry to gradually reduce its dependence on imported products, and contribute more robustly to the country’s trade balance.

PM: From AIMO’s perspective, what should be the role of Mozambican industry in the current cycle of investment in the extractive and energy sectors?

PC: At AIMO, we believe that Mozambican industry should play a central role in the current cycle of investments in the extractive and energy sectors, and to achieve this, we must strongly invest in the technical training of our professionals. If we do not invest in capacity building, we will limit our companies’ ability to participate competitively in these large projects.

We argue that this investment must be integrated—through training centers, on-job training programs, and closer ties between national companies and international projects. We want our micro, small, and medium industries not only to participate but also to gain practical and technical experience to meet the sector’s demands.

We are aware of challenges such as poaching, where our most qualified technicians are recruited by new operators offering better conditions. Therefore, we work as a team to ensure that, even after the construction phases of major projects, we can reintegrate these professionals into other national industrial companies, preserving know-how and competitiveness within the country.

Another essential axis is the certification of Mozambican companies, which, although costly, is crucial to meet international standards and increase local content levels. As a team, we want that, within five years, we can measure and prove that national industry is more present, more qualified, and better integrated into these major projects.

PM: What long-term vision do you project for the national industry, considering the demands of globalization and the need for regional integration?

PC: Our long-term vision for the national industry is, first and foremost, to build a truly competitive sector, capable of responding to globalization’s demands and seizing opportunities for regional integration.

To achieve this, we, as a team, focus on training a qualified workforce, which we consider to be the foundation for any structural transformation. We aim to reach the end of the next five years with a more modern industry, well-prepared professionals, and a financial system capable of offering better conditions, making the cost of money more accessible for industrial projects.

Our collective goal is to see Mozambican industry regain its place within the African context, return to being among the continent’s most relevant, and gradually conquer markets beyond our borders. First, by strengthening exports within the region, and then, with ambition and teamwork, positioning our products at the global level. This is the path we are charting, driven by a spirit of leadership, unity, and confidence in the potential of our industrial sector.

Learn more about AIMO and closely follow the progress of its activities at this link: Industrial Association of Mozambique

Transparência e impacto social: o que diz o modelo moçambicano de partilha de recursos?

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Num contexto global em que a gestão responsável dos recursos naturais se torna cada vez mais central para a sustentabilidade económica, o modelo moçambicano de partilha de receitas provenientes da exploração mineira e petrolífera tem ganho atenção pela tentativa de conciliar interesses do Estado, empresas e comunidades locais.

Mateus Mosse, Director de Relações Corporativas na Sasol Moçambique

De acordo com Mateus Mosse, Director de Relações Corporativas na Sasol Moçambique, em uma análise publicada pela revista brasileira Financial Times Brasil, Moçambique implementou um modelo que, embora ainda recente e com desafios, procura garantir que uma percentagem das receitas fiscais geradas por projectos de grande dimensão seja directamente canalizada para as zonas onde decorrem as operações extractivas.

Modelo moçambicano: percentagem destinada às comunidades

Desde 2013, a legislação moçambicana prevê que 2,75% das receitas fiscais provenientes da exploração de recursos naturais sejam destinadas às comunidades locais afectadas pelos projectos. Este mecanismo procura promover desenvolvimento local, inclusão social e redução das assimetrias regionais, sobretudo em províncias ricas em recursos como Cabo Delgado, Tete e Inhambane.

Na prática, os valores são aplicados em infra‑estruturas comunitárias – estradas, escolas, centros de saúde ou projectos de geração de rendimento – identificadas em consulta com as populações locais e autoridades distritais.

Comparação internacional: onde Moçambique se posiciona

Segundo a análise, Moçambique destaca-se, entre os países africanos lusófonos, por ter legislação específica que define um percentual fixo para as comunidades. Em contraste:

  • Em Angola, por exemplo, não existe uma percentagem definida por lei; a alocação é decidida caso a caso ou via fundos específicos.
  • Em países como Gana ou Nigéria, estruturas de fundos soberanos e fundos comunitários são mais consolidadas, contando com regras claras para reinvestimento em educação, saúde ou diversificação económica.

A nível global, países como Noruega são frequentemente citados como modelo pelo investimento rigoroso de receitas petrolíferas num fundo soberano para garantir benefícios intergeracionais.

Desafios e oportunidades

Especialistas ouvidos na análise apontam que, apesar dos avanços, Moçambique enfrenta desafios significativos na transparência, fiscalização e eficiência na aplicação destes recursos, especialmente em contextos de tensão social ou limitada capacidade institucional local.

Ademais, a volatilidade dos preços internacionais de carvão, gás e minerais influencia directamente o montante disponível para comunidades e orçamento nacional.

Ainda assim, o país tem procurado alinhar‑se com boas práticas internacionais, aderindo à Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extractivas (EITI) e aprofundando debates sobre o reforço de mecanismos de participação local.

Impacto potencial para a coesão económica

A partilha justa e transparente das receitas dos recursos naturais é vista como chave para:

  • Reduzir desigualdades regionais;
  • Reforçar a confiança entre Estado, empresas e cidadãos;
  • Transformar recursos não‑renováveis em investimentos de longo prazo.

Segundo analistas, a consolidação e monitoria eficaz do modelo moçambicano podem servir de referência para outros países africanos, especialmente no actual ciclo de expansão do sector do gás natural na bacia do Rovuma.

Leia a pesquisa completa aqui: https://revistaft.com.br/como-os-paises-partilham-as-receitas-de-recursos-naturais-o-modelo-de-mocambique/

Porto seco zambiano em Nacala reforça comércio e corta custos na região

Moçambique vai disponibilizar uma área de terra para que a Zâmbia construa um porto seco na província de Nacala, reforçando a cooperação bilateral e o potencial logístico do Corredor de Nacala, um dos mais estratégicos do continente africano.

O anúncio foi feito pelo Ministro dos Transportes e Logística da Zâmbia, Frank Tayali, no domingo, em declarações à emissora estatal Zambia National Broadcasting Corporation (ZBC). Segundo Tayali, a decisão foi confirmada pelo homólogo moçambicano, João Matlombe, durante o Global Transport Connectivity Forum 2025, realizado na Turquia.

Marco para a integração logística regional

Equipas técnicas de ambos os países irão trabalhar em conjunto para acelerar a formalização e implementação do projecto, que Tayali classificou como “um marco na cooperação bilateral” e uma medida que vai reduzir custos operacionais para o comércio zambiano.

A gestão do porto seco ficará a cargo da estatal Zamcargo, responsável também por instalações logísticas semelhantes na Namíbia e na Tanzânia.

Ligação estratégica ao Corredor de Nacala

O futuro porto seco surge integrado numa visão mais ampla da Zâmbia para dinamizar a sua infra-estrutura de transportes, nomeadamente através do projecto ferroviário Chipata–Serenje, que deverá ligar-se à linha Chipata–Mchinji no Malawi.

Com esta ligação, as mercadorias zambianas terão acesso facilitado ao Porto de Nacala, considerado um dos portos naturais mais profundos de África e peça central no escoamento de exportações e importações para os mercados internacionais.

A iniciativa reforça o posicionamento de Nacala como ponto logístico estratégico e confirma o papel de Moçambique como plataforma regional de comércio e transporte no eixo que liga o Oceano Índico ao interior da África Austral.

Mozambique allocates land to Zambia to develop dry port at Nacala

Mozambique has agreed to allocate land to Zambia for the development of a dry port in Nacala province, the Minister of Transport and Logistics Frank Tayali announced on Sunday. The Zambian minister told state broadcaster Zambia National Broadcasting Corporation (ZBC) that the development of the project had been confirmed by his Mozambican counterpart. Joao Matlombe during the Global Transport Connectivity Forum 2025, which concluded on Sunday in Turkey.

Technical teams from Zambia and Mozambique will reportedly work together to accelerate the formalization of the project, which Tayali described as “a milestone in bilateral cooperation” and a catalyst for reducing operating costs.

Zambia’s state-owned logistics company, Zamcargo, will oversee operations at the new facility, as it does in Namibia and Tanzania.

The dry port is expected to complement Zambia’s broader infrastructure ambitions, including the Chipata-Serenje rail project. Once completed, the rail will connect to the Chipata-Mchinji line in Malawi, providing easy access to the Port of Nacala, one of Africa’s deepest natural harbours and a key hub in the Nacala Corridor.

Lucros da banca moçambicana recuam mais de 20% em 2024, mas sector mantém robustez financeira

Os bancos comerciais que operam em Moçambique registaram, em 2024, uma redução de 21,9% nos seus lucros, que se fixaram em cerca de 24 mil milhões de meticais (aproximadamente 319,4 milhões de euros), segundo revela o Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado em Junho pelo Banco de Moçambique.
Em termos médios diários, o lucro líquido do sector bancário caiu para menos de 900 mil euros por dia.

De acordo com o documento, esta quebra foi influenciada principalmente pelo aumento dos custos operacionais, com destaque para os custos com pessoal, que cresceram 7,88%, e ainda pelo agravamento das perdas por imparidade, que subiram 44,6%, penalizando os resultados operacionais.

Lucro concentrado nos bancos sistémicos

Apesar do recuo, o sector bancário manteve uma elevada concentração dos lucros em três instituições classificadas como sistémicas, que representaram 64,63% do total:

  • Banco Comercial e de Investimentos (BCI), detido maioritariamente pela portuguesa Caixa Geral de Depósitos;
  • Standard Bank Moçambique, filial do grupo sul-africano;
  • Banco Internacional de Moçambique (BIM), integrado no grupo português BCP.

Juntas, estas instituições alcançaram lucros de cerca de 16,82 mil milhões de meticais (cerca de 223,8 milhões de euros) ao longo do ano.

Crédito malparado agrava-se, mas liquidez permanece sólida

O rácio de crédito vencido (NPL ratio) do sistema bancário subiu de 8,23% em 2023 para 9,32% em 2024, mantendo-se acima do limite internacionalmente aceite de 5%.
Já o rácio de cobertura do crédito vencido caiu para 60,29%, face aos 66,02% registados no ano anterior.

Ainda assim, o Banco de Moçambique destaca que o sector “continua a apresentar níveis adequados de capitalização, liquidez e rentabilidade, apesar da redução na qualidade dos activos”.

O rácio global de solvabilidade fixou-se em 26,11%, mais do que duplicando o requisito regulamentar mínimo de 12%, enquanto o rácio de cobertura de liquidez a curto prazo alcançou 49,64%, também acima do mínimo exigido de 25%.

Queda nos indicadores de rentabilidade

O relatório aponta igualmente para uma descida dos principais indicadores de rentabilidade:

  • Return on Assets (ROA) recuou de 4,66% (2023) para 3,38% (2024);
  • Return on Equity (ROE) diminuiu de 19,11% (2023) para 13,91% (2024).

Retrato do sistema bancário nacional

Actualmente, Moçambique conta com:

  • 15 bancos comerciais;
  • 12 microbancos;
  • Cooperativas de crédito e outras instituições de poupança e crédito que complementam o sistema financeiro.

O Banco de Moçambique sublinha, no entanto, que apesar dos desafios macroeconómicos, o sector bancário “mantém-se resiliente”, desempenhando um papel essencial na canalização de recursos para a economia, mesmo perante o agravamento do risco de crédito e aumento dos custos operacionais.

Fonte: Relatório de Estabilidade Financeira – Banco de Moçambique

Mozambique: Bank profits fell by over 20% to under €900,000 a day in 2024

Profits of Mozambican banks fell by 21.9% in 2024, to around €900,000 per day, according to data from the Bank of Mozambique in its June financial stability report.

The central bank explains in the document that the reduction in the banks’ net profits, which totalled 24 billion meticais (€319.4 million), is the result of “an increase in operating costs, particularly personnel costs, by 7.88%”, but also “of a reduction in other operating results, reflecting a 44.60% increase in impairment losses”.

In 2023, the profits of Mozambican banks had grown by 8.12% compared to the previous year, the document recalls, adding that, in the 2024 result, 64.63%, equivalent to 16.82 billion meticais (€223.8 million), correspond to only three domestic credit institutions classified as systemic. These are Banco Comercial de Investimentos (BCI), owned by the Portuguese Caixa Geral de Depósitos, the South African bank Standard Bank and Banco Internacional de Moçambique (BIM), from the Portuguese group BCP.

The non-performing loan ratio (NPL ratio) of the Mozambican banking sector “remains above the conventionally accepted limit (5.00%), having stood at 9.32%, after 8.23% in 2023”, while the NPL coverage ratio stood at 60.29% in 2024, compared to 66.02% in 2023, the central bank points out.

“The banking sector remains profitable and with adequate levels of capitalisation, liquidity and profitability, despite the reduction in asset quality”, the report states, adding that, in 2024, the overall solvency ratio stood at 26.11%, “above the regulatory minimum of 12.00%”.

On the other hand, the short-term liquidity coverage ratio stood at 49.64%, also above the regulatory minimum of 25%.

The document also states that the Return on Assets (ROA) and Return on Equity (ROE) ratios of Mozambican banks were set at 3.38% and 13.91% in 2024, respectively, against 4.66% and 19.11% in 2023.

There are 15 commercial banks and 12 micro-banks operating in Mozambique, in addition to credit cooperatives and savings and credit organizations, among others.