Sunday, April 12, 2026
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Dívida pública moçambicana atinge 1 trilião de meticais

O Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (BdPESOE) de 2024, indica que a dívida pública moçambicana atingiu a marca de um trilião de meticais em 2024, representando um aumento de oito por cento em relação ao ano de 2023, em que esteve avaliada em cerca de 967,2 mil milhões de meticais.

O aumento é justificado exclusivamente pelo elevado crescimento da dívida pública interna, que no período em referência foi de 29.7%. Atingiu o valor de 407,0 mil milhões de meticais. No mesmo período, a dívida externa registou uma redução de 2,9%.

O crescimento acelerado da dívida pública, maioritariamente da dívida interna, é resultante, em parte, da instabilidade político, económico e social e da falta de implementação efectiva de medidas com vista a consolidação fiscal.

Apesar de a dívida interna representar 39% do total da dívida em 2024, os encargos a ela associados continuam a ser os mais onerosos, cerca de 45,6 mil milhões de meticais contra 11,3 mil milhões de meticais da divida externa. Os encargos da dívida interna representam um obstáculo para o alcance da sustentabilidade da Dívida Pública. (CIP)

S&P coloca temporariamente Moçambique em ‘default’ por atrasos na dívida

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) baixou a classificação de crédito de Moçambique para ‘SD’ (incumprimento selectivo) após a conclusão de uma troca de dívida interna. Simultaneamente, a classificação para dívida em moeda estrangeira foi mantida em ‘CCC+’.

Esta acção resulta de Moçambique ter trocado 3,7 mil milhões de meticais (cerca de 54 milhões de dólares) em obrigações de moeda local que venciam em março de 2025 por novas obrigações com vencimento em março de 2030, com taxas de juro mais baixas. A S&P considera esta operação uma gestão de passivos que, juntamente com um histórico de atrasos nos pagamentos da dívida interna, reflecte as restrições fiscais e de liquidez do país, sendo, portanto, considerada uma transação problemática equivalente a incumprimento. ​

A perspectiva negativa para a classificação em moeda estrangeira reflecte as contínuas pressões financeiras e potenciais atrasos em projectos de gás e fluxos de ajuda externa, além de incertezas macroeconómicas mais amplas associadas ao ambiente político frágil.

A S&P poderá baixar ainda mais a classificação em moeda estrangeira se a posição de liquidez do governo se deteriorar, por exemplo, através da redução de activos líquidos ou acumulação de atrasos para credores e fornecedores, ou se choques económicos ou externos adicionais, ou atrasos nos grandes projectos de gás, tornarem o governo menos capaz ou disposto a cumprir as suas obrigações de dívida comercial em tempo útil.

Por outro lado, a S&P poderá rever a perspetiva para estável se as receitas do governo aumentarem substancialmente, por exemplo, devido a um aumento na produção de gás a médio prazo, permitindo a Moçambique estabilizar a sua posição fiscal.

A dívida em moeda estrangeira mantém-se relativamente modesta até que o único Eurobond de Moçambique comece a ser amortizado a partir de 2028. Apesar das condições de liquidez apertadas, o governo continua a cumprir o pagamento de cupões do seu Eurobond com vencimento em 2031, que tem uma taxa de 9% (81 milhões de dólares por ano) até 2028, diminuindo posteriormente à medida que o montante em dívida reduz através da amortização do principal. A amortização será de 225 milhões de dólares anualmente entre 2028 e 2031, antes do início da produção nos mega projetos de gás, previsto para 2030. Positivamente, o US Exim Bank reaprova um empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares à TotalEnergies SE em março de 2025, o que era um impedimento chave para levantar a força maior no projecto.

ARENE e BRILHO realizam formação sobre o Quadro Regulatório para Energia em Zonas Fora da Rede

Nos dias 20 e 21 de março de 2025, o Programa BRILHO, em parceria com a Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), realizou uma sessão de formação na cidade de Nampula, centrada no novo quadro regulatório para o acesso à energia fora da rede (off-grid). O evento reuniu representantes de diversas instituições públicas e privadas, incluindo funcionários governamentais, empresas do sector energético, organizações não governamentais e académicos, com o objectivo de aprofundar a compreensão e promover a implementação eficaz das regulamentações recentemente aprovadas pelo Governo de Moçambique.​

No primeiro dia, os participantes foram introduzidos ao contexto evolutivo do sector de energia fora da rede em Moçambique, destacando os progressos alcançados e os desafios ainda existentes. Discutiu-se amplamente o impacto da electrificação no desenvolvimento socioeconómico do país, sublinhando o papel das tecnologias off-grid (sistemas solares domésticos e mini-redes) como complemento à rede eléctrica nacional, e como o acesso à energia pode transformar comunidades, impulsionar negócios locais e melhorar a qualidade de vida das populações rurais.​

O foco principal foi o Regulamento de Acesso à Energia nas Zonas Fora da Rede (RAE), aprovado pelo Decreto nº 93/2021, de 10 de dezembro. Este regulamento estabelece os princípios e normas para a expansão do acesso à energia em áreas não conectadas à rede nacional, visando concretizar o direito universal à energia através de infraestruturas adequadas e tecnologias limpas. Detalharam-se os procedimentos para a atribuição de concessões para mini-redes, conforme estabelecido pelo Diploma Ministerial nº 68/2023, de 31 de maio, que define processos simplificados para concessões de mini-redes, facilitando a participação do setor privado na electrificação de áreas remotas fora da rede.

No segundo dia, a formação proporcionou uma visão geral de outros regulamentos complementares, incluindo normas técnicas e de segurança, qualidade de serviço e relações comerciais, interconexão de mini-redes e tarifas para mini-redes em áreas off-grid. Estes instrumentos legais são fundamentais para criar um ambiente propício ao investimento privado e acelerar o acesso universal à energia em Moçambique até 2030.​

A formação incluiu sessões interativas, estudos de caso e exercícios práticos, permitindo que os participantes simulassem o papel de cada instituição no processo de atribuição de concessões e na implementação dos regulamentos. Esta abordagem prática facilitou a compreensão dos desafios operacionais e promoveu a troca de experiências entre os diversos intervenientes envolvidos.​

É de salientar que esta é a segunda de uma série de sessões de formação a serem realizadas no país para divulgar os regulamentos off-grid. Esta sessão, realizada em Nampula, é particularmente relevante, pois envolveu participantes dos distritos onde se prevê o lançamento do primeiro concurso público para o desenvolvimento de mini-redes na região. A primeira formação ocorreu em 2024, em Maputo, com a participação dos principais intervenientes no processo.​

Esta iniciativa reafirma o compromisso do Programa BRILHO e da SNV em apoiar o Governo de Moçambique na promoção de políticas que incentivem o desenvolvimento socioeconómico através da expansão do acesso a energia limpa e acessível. Ao fortalecer a compreensão das normas e procedimentos, espera-se uma maior eficiência nos processos de concessão e operação de mini-redes, beneficiando directamente as comunidades rurais com soluções energéticas sustentáveis e inclusivas.​

CDM entre os maiores contribuintes do IVA

A Cervejas de Moçambique (CDM) foi o segundo maior contribuinte do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) do ano fiscal de 2024, de acordo com dados da Autoridade Tributária (AT), citados em comunicado de imprensa.

O reconhecimento foi feito durante a cerimónia alusiva ao Dia Nacional do Contribuinte, promovida pela AT, que se celebra a 22 de Março.

“O prémio atribuído à CDM destaca o seu compromisso com a conformidade fiscal e a transparência na gestão financeira”, refere a nota.

O diploma de mérito foi entregue ao director-geral da CDM, Galo Riveira, que expressou a sua gratidão à AT e sublinhou a relevância da responsabilidade fiscal para o crescimento sustentável do país.

Líder no sector cervejeiro moçambicano, a CDM não se destaca apenas pelo cumprimento rigoroso das suas responsabilidades fiscais, mas também pela criação de emprego, incentivo à produção local e apoio a iniciativas sociais e ambientais.

O evento alusivo ao Dia Nacional do Contribuinte, realizado em Maputo, homenageou as empresas e os indivíduos que mais contribuíram para a arrecadação fiscal no ano passado, reforçando a importância do cumprimento das obrigações tributárias para o desenvolvimento da economia nacional.

O Dia Nacional do Contribuinte é uma data que visa incentivar a cultura de responsabilidade fiscal em Moçambique, sublinhando a importância dos impostos no financiamento de serviços públicos essenciais e no crescimento sustentável do país. Faca uma redaccao inspirada nos redactores e jornalistas de cronicas e storytelling em Mocambique.

INNOQ Identifica os primeiros sinais de irregularidades na Certificação de Produtos Importados

Em 2024, Moçambique recebeu mais de 400 relatórios de não conformidade relativos à inspecção de produtos destinados à exportação para Moçambique. Os relatórios são o resultado de avaliações realizadas nos países de origem para avaliar a conformidade com os padrões de qualidade exigidos.

A informação foi partilhada nesta segunda-feira, 24 de março, pelo jornal Notícias, citando o Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ), que implementa o Programa de Avaliação de Conformidade (PAC) em parceria com a Intertek. Os casos são os primeiros indicadores do funcionamento do PAC, cuja responsabilidade pela verificação nos países de origem cabe à Intertek, uma empresa global especializada neste tipo de serviço.

Em entrevista ao jornal, a directora da Divisão de Ensaios e Inspeção do INNOQ, Guilhermina Nhampulo, revelou que as notificações abrangem diversos grupos de produtos, particularmente alimentos, dispositivos eléctricos e electrónicos, artigos automóveis e materiais de construção.

No âmbito do programa, foi avaliada a qualidade de pelo menos 547 veículos usados, dos quais mais de 16% foram rejeitados por não atenderem aos padrões mínimos exigidos.
Ela explicou que, nesta fase de implementação do PAC, África do Sul, Japão e China são os países que merecem maior atenção, devido ao elevado volume de exportações para Moçambique de produtos sujeitos a controle obrigatório.

“O INNOQ reitera o seu apelo para que os agentes económicos e indivíduos interessados em importar produtos observem este procedimento nos países de origem, garantindo assim que apenas bens que cumpram os padrões nacionais de qualidade entrem no mercado nacional”, afirmou Nhampulo, citada pelo Notícias.

Apesar dos progressos feitos, ainda existe um volume considerável de produtos importados que não são certificados. Segundo a diretora, esta situação pode estar ligada à incerteza sobre a conformidade dos produtos. Contudo, o INNOQ ainda não impôs multas ou apreensões, justificando essa decisão pela necessidade de continuar a sensibilizar e divulgar as normas para que estas possam ser efetivamente consolidadas entre os empresários.

Município Digital: a nova era da digitalização dos serviços públicos

Num mundo cada vez mais conectado, a digitalização dos serviços públicos tornou-se uma prioridade para governos que buscam eficiência, transparência e proximidade com os cidadãos.

Em resposta a esta transformação, foi lançado no país o Projecto Município Digital, uma iniciativa conjunta do Ministério das Comunicações e Transformação Digital (MCTD) e da Associação Nacional dos Municípios de Moçambique (ANAMM).

A iniciativa foi lançada no dia 21 de Fevereiro pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital (MCTD), Américo Muchanga, e por João Ferreira, presidente da Associação Nacional dos Municípios de Moçambique (ANAMM), através da assinatura de um memorando de entendimento para a operacionalização do projecto.

O Projecto surge da necessidade de introduzir um conjunto de reformas visando a modernização dos processos e procedimentos de prestação de serviços públicos municipais.

Ao longo dos últimos anos de municipalização, estima-se que os municípios, de forma paralela, já tenham experimentado cerca de 178 iniciativas de digitalização dos serviços, algumas com sucesso e outras nem tanto, o que representa gastos anuais de cerca de 830 milhões de meticais.

Perante esta realidade, os munícipes viram a necessidade de se unir para a concepção de um sistema que garanta serviços de qualidade e permita que esta digitalização chegue a todos, independentemente da dimensão do município. É assim que nasce o Município Digital.

O sistema consiste num mecanismo em que todos os municípios e os parceiros partilham as mesmas infra-estruturas tecnológicas para a operacionalização dos seus serviços, com vista a garantir a interoperabilidade.

Aproximar cada vez mais o município dos munícipes

Dentre os serviços, destaca-se a consolidação da digitalização dos serviços municipais com Secretarias Virtuais Municipais em todo o país, uma plataforma digital unificada para gestão tributária e o incentivo ao uso de moeda electrónica, especialmente através de carteiras móveis, para pagamento de impostos.

Será ampliado o uso de bulk SMS para uma comunicação eficiente com os cidadãos sobre educação fiscal e temas públicos, bem como a implementação de ferramentas para fortalecer a governança participativa e a transparência na gestão municipal.

João Ferreira, presidente da Associação dos Municípios, vê na digitalização dos serviços a ferramenta para aproximar cada vez mais o município dos munícipes e assegurar que os serviços sejam prestados com a qualidade desejada pelos cidadãos.

O presidente acredita que a concretização do Município Digital só será possível com a cooperação de todos os envolvidos no processo.

“A implementação do Projecto Município Digital representa uma reforma de grande vulto para os municípios do país, daí que vai demandar engajamento e comprometimento de todos os actores que intervêm na área de governação municipal”, afirmou durante a sua intervenção.

Já o ministro Américo Muchanga destacou que o Projecto vai contribuir para a promoção da transformação digital das autarquias e modernizar a gestão municipal.

“O Projecto Municipal vai tornar os serviços públicos eficientes e de qualidade, bem como alargar a capacidade de arrecadação de receita própria”, disse.

Mais do que a modernização dos serviços, o ministério entende a necessidade de serviços públicos digitais confiáveis, pelo que está também a implementar a Política Nacional de Segurança Cibernética e Estratégia da sua Implementação, instrumento que realça as acções ligadas à liderança e coordenação, bem como à protecção de infra-estruturas críticas de informação.

Sector Privado alerta que carga fiscal de 36% trava investimento e incentiva evasão fiscal

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) alertou nesta Segunda-feira (24) que a actual carga fiscal, fixada em 36,1 por cento, está a comprometer a competitividade das empresas, a desincentivar o investimento privado e a fomentar práticas informais como o contrabando e a evasão fiscal.

“O sector privado está próximo do estrangulamento da sua actividade económica,” afirmou o presidente da CTA, Agostinho Vuma, durante a cerimónia do Dia do Contribuinte, realizada em Maputo.

De acordo com os dados apresentados pela confederação, a carga fiscal vigente está acima da média dos países em desenvolvimento e aproxima-se do limite máximo teórico da curva de Laffer, estimado em 36,67 por cento.

“Ultrapassar este limite poderá resultar em rentabilidade nula para as empresas, com efeitos adversos sobre o investimento e o crescimento económico,” advertiu, apelando à contenção fiscal por parte do Estado, sobretudo na introdução de novas taxas e encargos.

A CTA apela igualmente à revisão dos procedimentos administrativos e do tempo necessário para o cumprimento das obrigações fiscais, considerando que o modelo actual onera desproporcionalmente os operadores económicos, especialmente os pequenos produtores, que acabam por recorrer ao mercado informal e à evasão fiscal como estratégias de sobrevivência.

A confederação propôs que o Governo centralize a política fiscal no Ministério das Finanças, com o objectivo de assegurar uma avaliação técnica rigorosa dos impactos fiscais sobre a economia nacional, tendo igualmente solicitado a criação de mecanismos efectivos de combate à corrupção, para garantir que a receita arrecadada seja devidamente canalizada para o desenvolvimento do país.

“É fundamental que as decisões fiscais considerem o equilíbrio entre as necessidades do Estado e a real capacidade das empresas em suportar a carga tributária, sem que isso inviabilize a sua actividade ou desencoraje o investimento produtivo,” sublinhou Vuma.

A intervenção da CTA surge num contexto de crescente pressão fiscal em Moçambique, num momento em que o tecido empresarial ainda procura recuperar dos impactos da pandemia, dos conflitos no norte do país, das calamidades naturais e das manifestações populares, factores que, segundo os empresários, exigem políticas fiscais mais sensíveis à realidade económica.

​Kenmare obrigada a corrigir contabilidade da mina de Moma após intervenção do regulador irlandês​

A empresa mineira Kenmare Resources, cotada na bolsa de Dublin e operadora da mina de Moma em Moçambique, foi obrigada a rever os seus critérios de avaliação contabilística após uma inspeção pela Autoridade de Supervisão de Auditoria e Contabilidade da Irlanda (IAASA), que identificou lacunas na forma como a empresa apresentava os seus ativos e fluxos financeiros futuros.

O relatório da IAASA, divulgado em março de 2025, destaca três principais áreas de preocupação: o acordo de licença mineira em vigor com o governo moçambicano, as projeções financeiras de longo prazo utilizadas para justificar o valor dos ativos da mina e a falta de dados claros sobre os riscos associados às mudanças climáticas.

Relativamente ao acordo de licença, a Kenmare baseou os seus relatórios financeiros na suposição de que possui o direito automático de operar a mina por 40 anos, até 2063. Este entendimento foi baseado num acordo assinado em 2002 ao abrigo da antiga Lei Mineira nº 13/87, que prevê um prazo inicial de 25 anos, automaticamente renovável por mais 15 anos até 2042.

A empresa também considerou que poderia estender a licença até ao fim da vida útil da mina, estimada em 40 anos, com base em cláusulas contratuais e nas chamadas disposições de direitos adquiridos (garantias legais que mantêm contratos antigos válidos mesmo após alterações legislativas).

A IAASA reconheceu que o contrato parece permitir essas extensões, mas alertou que tais julgamentos “constituem elementos significativos de julgamento” e, como tal, devem ser claramente divulgados nas demonstrações financeiras da empresa, de acordo com o parágrafo 122 da norma internacional IAS 1 (Apresentação de Demonstrações Financeiras).

Outro ponto levantado pelo regulador diz respeito às projeções de valor em uso, ou seja, as estimativas de fluxos de caixa futuros que sustentam a avaliação dos ativos da mina. A Kenmare apresentou um modelo com projeções mensais até 2050, que a IAASA considerou excessivas e irrazoáveis.

Após a intervenção do regulador, a empresa concordou em reformular as contas utilizando um modelo mais conservador: projeções detalhadas para os próximos cinco anos, seguidas de extrapolações baseadas no quinto ano para completar o horizonte de 40 anos. Esta revisão confirmou que não seria necessário registrar qualquer imparidade nos ativos.

No entanto, a IAASA apontou falhas significativas no tratamento pela Kenmare dos riscos ambientais e das mudanças climáticas. Embora a empresa tenha anunciado a sua ambição de alcançar a neutralidade carbónica até 2040 nas áreas 1 e 2 (emissões diretas e energia adquirida), o seu plano de transição ainda estava a ser avaliado quando as contas anuais de 2023 foram publicadas.

O regulador exigiu, portanto, que a empresa incluísse esta questão como uma “fonte de incerteza de estimativa” nos relatórios futuros e que ampliasse as análises de sensibilidade relativamente aos custos e benefícios associados ao seu plano climático.

Em resposta à auditoria, a Kenmare comprometeu-se a melhorar a qualidade das suas divulgações financeiras. Entre as medidas acordadas estão a clarificação do status legal da licença mineira, a explicação das suposições utilizadas nos testes de imparidade e a incorporação dos riscos climáticos nas projeções económicas.

Estas exigências surgem num momento delicado para a empresa. O fundador e ex-diretor-geral da Kenmare, Michael Carvill, agora ligado à empresa de investimento Oryx Global Partners, com sede em Abu Dhabi, está a estudar uma nova oferta pública de aquisição para a empresa mineira. No início de março, a Kenmare recusou uma oferta no valor de 473 milhões de dólares (28,4 mil milhões de meticais) do mesmo consórcio.

Entretanto, as ações da empresa subiram quase 50 por cento nas últimas semanas na bolsa irlandesa, impulsionadas pela especulação em torno da possível operação. Fontes do setor indicam que, no ano passado, a Kenmare também recebeu uma proposta preliminar da multinacional Rio Tinto, que acabou por não avançar.

A mina de Moma, localizada na província de Nampula, é uma das maiores operações de extração de minerais pesados em África e é responsável pela produção de titânio e zircão, exportados principalmente para a China, Estados Unidos e Europa. A forma como os ativos são contabilizados e divulgados tem um impacto direto não apenas na avaliação da empresa pelos investidores, mas também na transparência da atividade extrativa em solo moçambicano.

CEO do UBA África busca novas parcerias em Moçambique

A CEO do United Bank for Africa (UBA África), Abiola Bawuah, visitou recentemente Moçambique com o objeCtivo de fortalecer relações institucionais e estabelecer novas parcerias estratégicas que impulsionem o crescimento das Pequenas e Médias Empresas (PMEs), especialmente as lideradas por jovens e mulheres. Durante a sua estadia, Bawuah reuniu-se com representantes do governo, do Banco de Moçambique, da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e com líderes empresariais e investidores.

Esta visita reforça o compromisso do UBA em expandir a sua presença como facilitador do desenvolvimento económico de Moçambique. Bawuah destacou que a instituição está empenhada em promover um ecossistema inclusivo, fortalecendo as PMEs e ampliando o acesso a soluções financeiras inovadoras. “Moçambique apresenta um grande potencial de crescimento e o UBA quer desempenhar um papel crucial na transformação dos desafios em oportunidades, contribuindo para um futuro mais próspero e inclusivo”, afirmou Bawuah, sublinhando o compromisso do banco com o financiamento de projectos estratégicos.

Durante a visita, a CEO do UBA África reuniu-se com o Banco de Moçambique para discutir o ambiente macroeconómico e o papel do setor bancário no estímulo ao crescimento empresarial. Em encontros com o Ministro da Economia e Finanças, Basílio Muhate, e com o Ministro na Presidência para Assuntos da Casa Civil, Ricardo Sengo, foram exploradas formas de cooperação para fomentar a inclusão financeira e fortalecer o sector económico. ​

Bawuah também se reuniu com a empresa Vulcan, discutindo possibilidades de financiamento para projectos nos sectores de energia e mineração, visando acelerar o crescimento dessas indústrias essenciais para a economia moçambicana. ​

Um dos momentos mais significativos da visita foi o encontro com a direcção da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM). A CEO do UBA destacou o interesse do banco em apoiar a modernização da infraestrutura ferroviária e portuária, considerada fundamental para dinamizar o comércio e impulsionar o desenvolvimento económico do país. “O sector ferroviário representa uma grande oportunidade para impulsionar a conectividade regional e o UBA está comprometido em colaborar no desenvolvimento de soluções financeiras que fortaleçam esse segmento”, afirmou Bawuah.

A visita da CEO do UBA África também reforçou o compromisso do banco com o empoderamento feminino e o apoio a empresárias moçambicanas. A instituição tem investido em programas de financiamento, mentoria e educação financeira, proporcionando ferramentas essenciais para que mulheres empreendedoras expandam os seus negócios, criem empregos e impulsionem o crescimento económico.

Com uma história consolidada de apoio às PMEs lideradas por jovens e mulheres, o UBA oferece linhas de crédito acessíveis e soluções bancárias digitais que facilitam a gestão financeira e promovem a inclusão económica.

A visita de Abiola Bawuah a Moçambique reafirma a estratégia do UBA de se consolidar como um parceiro-chave para o desenvolvimento económico do país. A instituição pan-africana continua empenhada em estabelecer iniciativas concretas e parcerias estratégicas que viabilizem soluções financeiras inovadoras, fomentem a inclusão económica e impulsionem setores essenciais da economia moçambicana. ​

Retoma do projecto de LNG vai permitir 16.400 empregos de 68 empresas

A retoma do projecto de Gás Natural Liquefeito (LNG, na sigla em inglês) em Cabo Delgado, vai apoiar 16.400 empregos de 68 empresas nos EUA, disse o banco norte-americano Exim Bank.

De acordo com informação do banco, o Conselho de Administração do estatal Exim Bank, que apoia as exportações e importações norte-americanas, refere que a “segunda emenda” ao empréstimo concedido em 2019 ao projecto, de até 4.700 milhões de dólares, foi aprovada em 13 de Março “por unanimidade”.

O financiamento visa “apoiar a exportação de bens e serviços dos EUA para o desenvolvimento e construção” do projecto integrado de LNG, investimento de 15 mil milhões de dólares que a TotalEnergies está a construir – suspenso desde 2021 devido a ataques terroristas em Cabo Delgado.

“Apoiará a engenharia, aquisição e construção da fábrica de LNG ‘onshore’, instalações relacionadas e actividades ‘offshore’. A transação, que estava numa pausa de quatro anos, apoiará cerca de 16.400 empregos norte-americanos bem remunerados que sustentam trabalhadores e famílias em mais de 68 empresas em 14 estados”, lê-se na informação do Exim Bank, que destaca ser “o maior negócio na história de 91 anos” da instituição de crédito.

Além de reembolsado nos 4.700 milhões de dólares, escreve a Lusa, o Exim Bank prevê receber 600 milhões de dólares em juros.

Citado no documento, o vice-presidente do banco, Jim Burrows, sublinha que este financiamento permitirá exportar equipamento norte-americano para Cabo Delgado, “algo que, em vez disso, teria ido para fabricantes chineses e russos, não fosse a liderança do Presidente [dos Estados Unidos Donald] Trump em re-autorizar” o aval ao empréstimo concedido em 2019 pelo Exim Bank. (Jornal Notícias)