Sunday, April 12, 2026
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Governo vai renegociar contratos de megaprojectos

O Presidente da Republica, Daniel Chapo vai renegociar os contratos dos megaprojectos que explora recursos naturais no Pais, pois passam-se 20 anos e o país já não é o mesmo.

Daniel Chapo disse que ao longo dos 20 anos Moçambique sofreu profundas mudanças incluindo os interesses, expectativas e visão dos cidadãos com relação a exploração dos recursos minerais, razão pela qual será necessário ter em conta as suas especificidades quando chegar a hora de renovação dos contratos dos megaprojectos.

“Há contratos que foram assinados há 20 anos. Vou dar três exemplos; a Mozal, a Sasol, em Inhambane e Kenmare na província da Nampula. Estes contratos, passados 20 anos depois de terem sido assinados, precisamos, neste momento de fazer a renovação”, disse Chapo.

O Chefe do Estado falava este sábado em Nampula, em conferência de imprensa que marcou o fim de uma visita de trabalho de três dias àquela província do norte de Moçambique.

“Moçambique já não é o mesmo de há 20 anos. Nem somos a mesma quantidade de pessoas, nem pensamos da mesma forma, nem temos os mesmos objectivos, nem os mesmos interesses até hoje, há mudanças e também desafios. Então, em função desta mudança, em qualquer parte do mundo, incluindo o Moçambique, quando um contrato precisa de ser renovado, é preciso discutir as cláusulas da renovação. O que estamos a fazer neste momento, é discutir as cláusulas do contrato entre as partes, para que não se renove o mesmíssimo contrato”, explicou citado pela AIM.

Falando especificamente da Kenmare que aguarda a renovação do contrato por parte do Governo, disse que no processo de negociação das cláusulas do contrato há interesses a defender de parte a parte. “Naturalmente que a Kenmare vai tentar defender os seus interesses e o governo de Moçambique, por seu turno, vai defender os interesses do povo moçambicano”.

“Nesta defesa vamos levando este tempo, que parece demora, mas não é. A Kenmare está a defender os seus interesses, porque é investidor e quer ter a retorno do investimento”, disse o Chefe do Estado.

Segundo Chapo, entram também nesta equação temas relacionados com a responsabilidade social da Kenmare junto as comunidades onde desenvolve os seus projectos, situação que recomenda cautela.

“É do vosso conhecimento também, que a nível do distrito de Larde, temos desafios relacionados com responsabilidade social corporativa das comunidades locais, os nossos amigos da comunicação social, já estiveram lá, e ouviram as comunidades locais a reclamarem sobre o nível da responsabilidade social corporativa. Temos desafios relacionados com conteúdo local, portanto, acompanham os desafios que estão relacionados com os interesses do conteúdo local nos mega-projectos, a nível nacional”, anotou.

Chapo disse ainda que também existe a necessidade de defender os interesses nacionais no local onde os projectos estão a ser desenvolvidos.

Sobre a renovação do contrato com a Kenmare, Chapo disse que o Governo está a negociar, de forma pacífica, com a Kenmare e, a qualquer altura, o contrato vai ser submetido ao Conselho de Ministros logo que as partes sentirem chegarem a um acordo.

“Certamente que o contrato vai ser renovado, mas porque não há conflito e não há nenhum problema, a Kenmare nunca parou de operar. Continua a operar porque o contrato está a ser negociado de forma pacífica entre as duas partes, é uma negociação que está sendo feita de forma pacífica”, concluiu.

De referir que a Kenmare é o maior fornecedora mundial de iluminete e a terceira de titânio importante recurso para a indústria aeronáutica e tem como principais destinos a China, Estados Unidos, Europa e Arábia Saudita.

Entretanto, o contrato de exploração da Kenmare terminou em Dezembro de 2024, quando completou os 25 anos de vigência. A intenção da Kenmare é de conseguir um aval contratual por mais duas décadas.

Sector privado pondera encerrar indústrias devido à escassez de moeda estrangeira em Moçambique

Algumas empresas do sector privado calculam encerrar as actividades por conta da escassez aguda de moeda estrangeira em Moçambique para a importação de matéria-prima.

Por exemplo, conforme disse Victor Miguel, do sector da panificação, as há moageiras que estão sem poder importar o grão do trigo e já emitiram uma nota apontando para o encerramento das portas.

Citado pela STV, ele prevê que a situação tenha um efeito dominó sobre as panificadoras. “Se não entrar o grão aqui em Moçambique vamos ter uma crise enorme na nossa produção, e pode haver a escassez de pão”.

De acordo com Eduardo Sengo, Director Executivo da CTA, sectores do turismo, transportes e logística e comércio em geral já sentem o impacto da falta de moeda estrangeira.

Para Sengo, a solução está no Banco de Moçambique (BM), que foi informado sobre a escassez de liquidez no mercado nacional, e já até recebeu propostas do sector privado sobre como resolver a situação.

No entanto, o BM, através do Governador, Rogério Zandamela, disse haver liquidez de moeda estrangeira no país em níveis satisfatórios.

“Neste momento, nós estamos tranquilos com o nível de liquidez que existe no sistema. Não há necessidade de tocar na liquidez estrutural, mexendo com as reservas obrigatórias, e por isso vamos manter” disse.

Mas Sengo desafia Zandamela a apresentar dados e deixar de ser parco nas explicações, por forma a “que se perceba o que está a acontecer”.

A serem verdadeiras as afirmações do BM, é preciso se perceber, junto dos bancos comercias “o que está a acontecer para essa liquidez não fluir”.

Primeira-Ministra inaugura Data Center da Vodacom Moçambique

A Primeira-Ministra da República de Moçambique, Maria Benvinda Delfina Levi, presidiu hoje, na província de Maputo, à cerimónia de inauguração do Vodacom Business Data Center, a maior infra-estrutura de armazenamento de dados do país. Esta instalação está preparada para responder à nova legislação sobre a segurança cibernética, crimes cibernéticos, protecção de dados, desenvolvimento, contratação, operação de serviços de computação de nuvem, alinhada com a visão do Governo de promover um ambiente digital seguro, regulamentado e em conformidade com as melhores práticas internacionais.

A cerimónia contou com a presença do Governador da Província de Maputo, Manuel Simão Tule; da Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora das Comunicações (INCM), Dra. Helena Fernandes; da administração do Grupo Vodacom Moçambique, representada pelo PCA, Dr. Lucas Chachine; do Director do Data Center, José Mendes; bem como de empresários e outras individualidades.

Com tecnologia de ponta instalada numa área de 2.600 metros quadrados, o Data Center dispõe, na sua fase inicial, de 128 racks, podendo expandir-se para mais de 500. A sua arquitectura Carrier Neutral permite a qualquer operadora de telecomunicações aceder a soluções de armazenamento seguras, posicionando Moçambique na vanguarda regional das infra-estruturas digitais.

Durante a sua intervenção, a Primeira-Ministra, Maria Benvinda Delfina Levi, sublinhou que o Centro de Dados da Vodacom constitui um ganho assinalável na caminhada que o nosso país trilha no âmbito da transformação digital. Esta infra-estrutura complementa os esforços que vêm sendo desencadeados pelo Governo e pelo sector privado com vista a criação de condições para o aumento e diversificação da capacidade de armazenamento de conteúdos e informações a nível nacional.

“É nossa expectativa que este Centro de Dados contribuirá para o reforço da quantidade e qualidade da infra-estrutura tecnológica disponível no nosso país, concorrendo, desta forma, para o aumento das instituições nacionais que colocam os seus sistemas e dados em território nacional”, disse Maria Benvinda Delfina Levi.

A governante referiu ainda que o Governo de Moçambique está a aprimorar a regulamentação na área de transformação digital do nosso país, com vista a estabelecer um regime jurídico que responda aos novos desafios que advêm do rápido desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação.

Simon Kari Kari, Director Executivo da Vodacom Moçambique, destacou a relevância estratégica do investimento:

“Este Data Center representa um passo decisivo na transformação digital de Moçambique. Com esta infra-estrutura, garantimos às empresas, instituições e cidadãos um ambiente tecnológico seguro, fiável e preparado para os desafios do futuro. Não se trata apenas de tecnologia, mas de progresso económico e inclusão digital.”

Por seu turno, o PCA da Vodacom, Dr. Lucas Chachine, reforçou:

“A digitalização já não é uma tendência, é uma exigência dos tempos actuais. Este centro responde às necessidades crescentes do mercado e está em sintonia com a visão governamental de um Moçambique moderno, competitivo e digitalmente integrado. Reforça-se, assim, a soberania digital do país, permitindo que dados críticos sejam geridos localmente com elevados padrões de segurança.”

O Data Center foi concebido para assegurar níveis máximos de segurança, elevada conectividade e eficiência energética de classe mundial. José Correia Mendes, Director da Vodacom Business, sublinhou o seu impacto no tecido empresarial:

“As empresas moçambicanas passam a dispor de um ambiente tecnológico avançado, que lhes permitirá escalar operações, reduzir custos e operar com maior segurança e eficiência. O sucesso empresarial depende, cada vez mais, da gestão inteligente dos dados, da computação em nuvem e de uma conectividade fiável – elementos que esta infra-estrutura proporciona.”

Marco Marques, EHOD da Vodacom Carrier Services, destacou os aspectos técnicos:

“Trata-se de uma infra-estrutura Tier III, com disponibilidade de 99,982%, garantindo operação contínua e elevada resiliência. Conta com redundância total em todos os sistemas críticos, múltiplas ligações de fibra óptica de alta velocidade e um sistema avançado de segurança multicamada. A eficiência energética foi um dos eixos centrais do projecto, com sistemas inteligentes de refrigeração e gestão de consumo que asseguram um PUE altamente eficiente.”

Este novo Data Center não é apenas uma infra-estrutura de armazenamento e processamento – é um catalisador de inovação e crescimento. Permitirá atrair investimento estrangeiro, fortalecer o sector tecnológico nacional e modernizar os serviços públicos.Com este investimento, a Vodacom Moçambique reafirma o seu compromisso em liderar a transformação digital do país, oferecendo soluções de conectividade avançadas, promovendo a segurança cibernética e preparando empresas, instituições e cidadãos para um futuro digital mais dinâmico e interligado.

Certificado pelo Uptime Institute como Tier III, o Vodacom Business Data Center garante elevada disponibilidade, segurança de dados e eficiência energética, impulsionando a competitividade e a digitalização das empresas moçambicanas.

Prime Minister Inaugurates Vodacom Mozambique Data Center

The Prime Minister of the Republic of Mozambique, Maria Benvinda Delfina Levi, presided today, in the Maputo Province, over the inauguration ceremony of the Vodacom Business Data Center, the largest data storage infrastructure in the country. This facility is designed to meet the requirements of the new legislation on cybersecurity, cybercrime, data protection, and the development, contracting, and operation of cloud computing services. It aligns with the Government’s vision of promoting a secure, regulated digital environment that complies with international best practices.

The ceremony was attended by the Governor of Maputo Province, Mr. Manuel Simão Tule; the Chairperson of the Board of Directors of the Communications Regulatory Authority (INCM), Dr. Helena Fernandes; the Vodacom Mozambique Group’s leadership, represented by the Chairman of the Board (PCA), Dr. Lucas Chachine; the Data Center Director, Mr. José Mendes; as well as businesspeople and other distinguished guests.

Equipped with cutting-edge technology across a 2,600 square metre area, the Data Center currently houses 128 racks in its initial phase, with potential to expand to over 500. Its Carrier-Neutral architecture allows any telecommunications operator to access secure storage solutions, positioning Mozambique at the forefront of regional digital infrastructure.

During her address, Prime Minister Maria Benvinda Delfina Levi emphasised that the Vodacom Data Center represents a significant milestone in Mozambique’s digital transformation journey. This infrastructure complements the ongoing efforts by the Government and the private sector to create conditions for increasing and diversifying the country’s capacity to store content and data nationally.

“We expect this Data Center to contribute to strengthening both the quantity and quality of technological infrastructure available in our country, thereby encouraging more national institutions to host their systems and data within national territory,” said Maria Benvinda Delfina Levi.

The Prime Minister further noted that the Government of Mozambique is actively enhancing the regulatory framework governing the country’s digital transformation, aiming to establish a legal regime capable of addressing the new challenges arising from the rapid development of information and communication technologies.

Simon Kari Kari, CEO of Vodacom Mozambique, highlighted the strategic relevance of this investment:

“This Data Center represents a decisive step in Mozambique’s digital transformation. With this infrastructure, we provide companies, institutions, and citizens with a secure, reliable technological environment prepared to meet future challenges. It is not just about technology – it is about economic progress and digital inclusion.”

Dr. Lucas Chachine, Chairman of the Board of Vodacom, reinforced the message:

“Digitalisation is no longer a trend – it is a necessity of our times. This center addresses the growing needs of the market and aligns with the Government’s vision for a modern, competitive, and digitally integrated Mozambique. It strengthens the country’s digital sovereignty, ensuring that critical data is managed locally under high security standards.”

Designed to deliver maximum security, high connectivity, and world-class energy efficiency, the Data Center was hailed by José Correia Mendes, Director of Vodacom Business, for its impact on the business sector:

“Mozambican companies now have access to an advanced technological environment that will allow them to scale operations, reduce costs, and operate with greater safety and efficiency. Business success increasingly depends on smart data management, cloud computing, and reliable connectivity – all of which this infrastructure provides.”

Marco Marques, EHOD of Vodacom Carrier Services, detailed the technical aspects:

“This is a Tier III infrastructure with 99.982% uptime, ensuring continuous operation and high resilience. It features full redundancy across all critical systems, multiple high-speed fibre optic connections, and a sophisticated multi-layered security system. Energy efficiency was a core pillar of the project, with intelligent cooling and consumption management systems ensuring a highly efficient PUE.”

This new Data Center is more than a storage and processing facility – it is a catalyst for innovation and growth. It will attract foreign investment, strengthen the national tech sector, and modernise public services.

With this investment, Vodacom Mozambique reaffirms its commitment to leading the country’s digital transformation, delivering advanced connectivity solutions, promoting cybersecurity, and preparing businesses, institutions, and citizens for a more dynamic and interconnected digital future.

Certified by the Uptime Institute as a Tier III facility, the Vodacom Business Data Center guarantees high availability, data security, and energy efficiency – boosting the competitiveness and digitalisation of Mozambican companies.

“A sustentabilidade dos negócios de tecnologia só é possível com uma estratégia eficiente.”

sector empresarial

Moçambique tem avançado significativamente no sector tecnológico, com investimentos que impulsionam a digitalização e promovem a inovação em diversas áreas. A crescente adopção de plataformas digitais, soluções de cibersegurança e o desenvolvimento de startups apontam para um cenário promissor, apesar dos desafios estruturais ainda existentes. Diante desse contexto, conversamos com Igor Sambo, Deployment Lead na Heineken Moçambique, para conhecer a sua perspectiva sobre o papel da tecnologia no futuro do país e como ela pode contribuir para um crescimento sustentável.

1.Como investimentos em tecnologia podem melhorar a situação socio-económica de Moçambique?

Os investimentos em tecnologia podem melhorar a situação socio-económica de Moçambique por meio da adopção de uma estratégia eficaz no sector tecnológico. Essa estratégia precisa ser capaz de impulsionar o desenvolvimento. Uma das formas de garantir o sucesso desse investimento é a implementação de um plano, que funciona como um mecanismo de orientação para os investimentos e define claramente como cada sector será conduzido nos próximos anos.  É importante que exista um alinhamento entre os diferentes actores do sector – governo, empreendedores, desenvolvedores e investidores para que todos compartilhem uma visão comum e entendam o que é prioridade. Muitas vezes, vemos o surgimento de projectos, como startups, que, infelizmente, desaparecem do mercado em um curto período, geralmente entre 2 a 4 anos. Esse fenómeno ocorre devido à falta de clareza e planeamento estratégico, o que resulta em desafios tanto para os empreendedores quanto para os investidores.

  1. Tal como fez menção a startups que após dois a três anos, acabam desaparecendo do mercado. Como podemos trabalhar para fazer face a este desafio?

De forma resumida, eu não saberia apontar a raiz exacta do problema, mas acredito que uma das causas principais seja a falta de clareza no estudo de mercado. É fundamental que as startups invistam mais em pesquisas de mercado, semelhantes às desenvolvidas por perfis especializados, para entender melhor a viabilidade e sustentabilidade de seus negócios.

Num outro prisma, é importante colectar dados sobre a sensibilidade dos consumidores e os desafios específicos do sector de tecnologia, ou mais especificamente, das startups no contexto local. Com uma análise mais profunda e estratégica do mercado, as startups terão melhores condições de se manterem-se competitivas e sustentáveis no longo prazo. 

  1. De que forma a transformação digital em Moçambique tem impactado a criação de empregos e a melhoria da renda familiar nas comunidades locais, especialmente em áreas rurais?

Ao longo dos últimos 10 anos, podemos observar o surgimento de diversos aplicativos que têm impulsionado a transformação digital em Moçambique, com um impacto directo na criação de empregos e na melhoria da renda familiar. Um exemplo notável é o Carta Fácil, um aplicativo pago que permite o acesso a diversos testes teóricos de condução, ajudando as pessoas a se prepararem para o exame de habilitação. Esse tipo de plataforma não só beneficia os usuários, mas também gera uma fonte de renda para os desenvolvedores.

Outro exemplo importante é o Yango, um aplicativo de mobilidade que facilita a locomoção. Com o Yango, as pessoas podem se cadastrar como motoristas e gerar uma renda extra ao transportar passageiros. Esse tipo de plataforma tem um impacto directo na geração de empregos.

Ademais, a transformação digital tem incentivado o desenvolvimento de carteiras móveis, que são uma inovação importante para a circulação de dinheiro de forma digital, rompendo com os moldes tradicionais. Esses sistemas de pagamento digital não apenas facilitam transacções, mas também criam empregos para os operadores e agentes dessas carteiras móveis, que actuam em diversos pontos.

4.Como as iniciativas locais como a MozDevz, têm promovido a digitalização de micro, pequenas e médias empresas em Moçambique, e quais os resultados concretos observados até agora?

Nos últimos três anos, a MozDevz tem se focado mais no desenvolvimento de capacidades do que directamente no desenvolvimento de negócios. No entanto, mesmo com essa abordagem, conseguimos estabelecer algumas parcerias e relações com pequenas e médias empresas em Moçambique, o que tem sido um passo importante para promover a digitalização no sector empresarial.

Embora a nossa actuação não tenha sido directamente voltada para o sector de negócios, um aspecto importante a destacar é que, em termos de desenvolvimento de capacidades, fomos reconhecidos como uma das principais comunidades de desenvolvedores de software e aplicativos em Moçambique. Essa distinção tinha também a presença de vários países da África, como África do Sul, Nigéria, etc.

Embora ainda não tenhamos resultados concretos directamente relacionados à digitalização em grande escala de micro, pequenas e médias empresas, os avanços no desenvolvimento de capacidades e nas parcerias estabelecidas são passos importantes para fomentar um ambiente mais digitalizado e impulsionar a transformação do sector empresarial em Moçambique.

  1. Quais tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e a cibersegurança, estão sendo adoptadas por empresas moçambicanas, e como essas soluções têm contribuído para a sustentabilidade dos negócios?

Nos últimos anos, temos observado uma crescente adopção de tecnologias emergentes por empresas moçambicanas, com destaque para a cibersegurança. Grandes empresas, especialmente as públicas, têm implementado soluções de segurança cibernética para proteger seus sistemas e dados. Isso se tornou ainda mais relevante após um episódio de invasão cibernética, o que gerou uma conscientização maior sobre os riscos digitais. Como resultado, muitas empresas passaram a adoptar estratégias de segurança mais robustas para prevenir ataques cibernéticos e proteger as informações sensíveis.

Além disso, a cibersegurança tem se mostrado fundamental para a sustentabilidade dos negócios, pois ajuda a evitar perdas financeiras significativas, danos à reputação e a interrupção de operações. Com o crescente número de transacções e processos digitais, a protecção contra ameaças cibernéticas é um aspecto essencial para garantir a continuidade dos negócios no cenário actual.

Embora a inteligência artificial (IA) ainda esteja em uma fase de implementação mais gradual em Moçambique, algumas empresas têm começado a explorar soluções baseadas em IA para optimizar processos e melhorar a eficiência operacional.

  1. Qual é a sua visão sobre o futuro da tecnologia em Moçambique nos próximos anos?

Vejo o futuro da tecnologia em Moçambique como muito promissor e bem mais avançado nos próximos anos. Com o desenvolvimento acelerado que temos testemunhado nos últimos tempos, a tendência é que o país continue a fazer progressos em termos de digitalização e inovação tecnológica.

Nos próximos anos, acredito que a infra-estrutura tecnológica de Moçambique vai melhorar consideravelmente, permitindo uma maior conectividade e acesso à internet, especialmente em áreas rurais, o que abrirá portas para diversas oportunidades, como a digitalização de serviços públicos, a criação de novas soluções financeiras digitais e a introdução de tecnologias.

 

Porto de Maputo inicia expansão de 2 mil milhões de dólares para duplicar capacidade

O Porto de Maputo iniciou a primeira fase de um ambicioso projecto de expansão avaliado em 2 mil milhões de dólares (equivalente a 128 mil milhões de meticais), com o objectivo de transformar a infra-estrutura num dos principais centros logísticos da África Austral e duplicar a capacidade do terminal de contentores.

De acordo com Osório Lucas, director executivo da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), a fase inaugural das obras representa um investimento de 164 milhões de dólares (10,5 mil milhões de meticais) e visa aumentar a capacidade do terminal de 255.000 TEUS (contentores de 20 pés) para 530.000 TEUS por ano, num período estimado de dois anos.

As obras em curso incluem a ampliação do cais em 400 metros, atingindo um comprimento total de 650 metros, bem como o aprofundamento do calado para 16 metros, permitindo a atracação de navios de grande porte. Estas melhorias têm como finalidade reforçar a eficiência operacional do porto e aumentar a sua competitividade na região.

O Porto de Maputo tem registado um crescimento constante no manuseamento de carga, impulsionado pelas dificuldades logísticas na vizinha África do Sul, que têm levado muitos exportadores a procurarem alternativas viáveis. A expansão em curso posiciona Moçambique como a opção preferencial para o transporte de mercadorias na região.

A MPDC é um consórcio constituído pela multinacional DP World, pela sul-africana Grindrod e pela empresa pública Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM). Apesar de uma ligeira queda nas exportações no final de 2024, associada à instabilidade política pós-eleitoral, a direcção da empresa espera retomar as operações no próximo mês.

Este projecto de expansão é visto como estratégico para a economia moçambicana, prevendo-se impactos significativos ao nível da logística regional, criação de emprego e atracção de novos investimentos.

Fonte: Engineering News

A trajectória inspiradora de Hussein Chalha, CEO e fundador do Grupo SPAR VIP

Hussein Chalha nasceu na cidade de Balback, no Líbano, aos 12 de Fevereiro de 1983. Filho de Mohamad Hussein Chalha e de Najah Toufaily, é actualmente o CEO da empresa SPAR VIP Supermercados Limitada, uma das principais cadeias de retalho em Moçambique, com mais de 15 lojas e uma equipa composta por 1.200 colaboradores.

Além do mercado moçambicano, Chalha tem liderado a expansão internacional da SPAR VIP. A primeira loja no Dubai já está em funcionamento, com planos para inaugurar uma segunda no terceiro trimestre de 2024. Estão também em curso projectos para entrar nos mercados da Tanzânia e Angola, evidenciando a ambição de levar a marca a novos horizontes. ​

Aos 13 anos, Hussein deixou o Líbano em busca de melhores oportunidades para si e para a sua família, estabelecendo-se em Moçambique. Desde tenra idade, compreendeu que os maiores desafios podem transformar-se nas melhores oportunidades. Enquanto outras crianças brincavam, ele já delineava o seu percurso no mundo dos negócios.​

Enfrentando inúmeros obstáculos, Hussein utilizou cada desafio como uma fonte de motivação, clarificando gradualmente os seus objectivos e o caminho a seguir. A sua persistência e foco culminaram na criação do Grupo SPAR VIP, que se tornou uma referência no sector do retalho em Moçambique.​

Actualmente, Hussein Chalha continua à procura de novas formas de inovar e expandir, mantendo um compromisso firme com a qualidade e o crescimento sustentável. A sua história é uma fonte de inspiração para muitos, reflectindo a essência do espírito empreendedor e a capacidade de transformar adversidades em oportunidades.

The Inspiring Journey of Hussein Chalha, CEO and Founder of the SPAR VIP Group

Hussein Chalha was born in the city of Balback, Lebanon, on February 12, 1983. Son of Mohamad Hussein Chalha and Najah Toufaily, he is currently the CEO of SPAR VIP Supermercados Limitada, one of the leading retail chains in Mozambique, with over 15 stores and a team of 1,200 employees.

In addition to the Mozambican market, Chalha has led the international expansion of SPAR VIP. The first store in Dubai is already operational, with plans to open a second in the third quarter of 2024. Projects are also underway to enter the Tanzanian and Angolan markets, highlighting the ambition to take the brand to new horizons.

At the age of 13, Hussein left Lebanon in search of better opportunities for himself and his family, settling in Mozambique. From a young age, he understood that the greatest challenges can become the greatest opportunities. While other children played, he was already outlining his path in the business world.

Facing numerous obstacles, Hussein used each challenge as a source of motivation, gradually clarifying his goals and the way forward. His persistence and focus culminated in the creation of the SPAR VIP Group, which has become a benchmark in the retail sector in Mozambique.

Today, Hussein Chalha continues to seek new ways to innovate and expand, maintaining a firm commitment to quality and sustainable growth. His story is a source of inspiration to many, reflecting the essence of entrepreneurial spirit and the ability to turn adversity into opportunity.

BM diz que “não há necessidade de tocar na liquidez estrutural dos bancos”

O governador do Banco de Moçambique (BdM), Rogério Zandamela, assegura que a liquidez no sistema financeiro é suficiente, após a redução decidida em Janeiro dos coeficientes.

Falando esta quarta-feira (26) após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), que decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária MIMO, de 12,25% para 11,75%, Rogério Zandamela adiantou que não haver previsões para já de voltar a mexer os os coeficientes das reservas obrigatórias.

“Estamos tranquilos com o nível de liquidez que existe no sistema, não há necessidade de tocar na liquidez estrutural, mexendo com as reservas obrigatórias. Vamos manter. Não é uma coisa que se brinca, com os coeficientes”, reiterou Zandamela.

A última mexida dos coeficientes de reservas obrigatórias aconteceu em Janeiro, tendo cortado os coeficientes em moeda nacional, de 39,0% para 29,0%, e em moeda estrangeira, de 39,50% para 29,50%, visando apoiar a economia na reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços.

Ministra das Finanças diz que dívida pública poderá comprometer Orçamento do Estado de 2025

O Governo alerta que a actual dívida pública do País está com forte tendência de crescimento e teme que possa comprometer o Orçamento do Estado (OE) para este ano. Por isso, o Executivo quer rever a Estratégia da Dívida Pública do País para o período 2026/2029.

Falando esta quarta-feira (26), no final da primeira sessão ordinária do Parlamento, a ministra das Finanças, Carla Louveira, revelou que em 2024, a  dívida pública moçambicana atingiu a marca histórica de um trilião de meticais, um aumento de oito por cento em relação ao ano anterior.

Citada pela Rádio Moçambique, Carla Louveira, explicou que “a Estratégia 2022-2025, vigente no País, já prevê uma revisão para tornar sustentável a actual dívida”.