Monday, April 6, 2026
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Nigéria vs Moçambique: Quem liderará o futuro do gás em África?

África detém mais de 500 biliões de pés cúbicos de reservas comprovadas de gás natural, concentradas sobretudo em países como a Nigéria, Moçambique, Argélia, Egipto e Tanzânia.

Estas reservas colocam o continente como um actor relevante no mercado energético global, particularmente numa altura em que a Europa e a Ásia procuram alternativas ao carvão e ao petróleo. O relatório Gas for Africa Report 2025 sublinha que a expansão do uso do gás natural é decisiva para sustentar a próxima fase de industrialização africana.

Para além de combustível para produção de electricidade, o gás constitui matéria-prima essencial para fertilizantes, petroquímica e outras indústrias capazes de dinamizar as economias locais. A monetização do gás doméstico pode reduzir a dependência de importações e criar empregos ao longo de toda a cadeia de valor energética.

O continente enfrenta ainda um défice energético significativo, com milhões de pessoas sem acesso à electricidade e a combustíveis limpos para cozinhar. Neste contexto, o gás natural surge como solução pragmática: é mais limpo do que o carvão e o petróleo, abundante localmente e adaptável tanto a grandes centrais eléctricas como a sistemas descentralizados. A expansão de infra-estruturas gasodutos, terminais de gás natural liquefeito (GNL) e redes de distribuição será determinante para reduzir esse défice.

Actualmente, dois países lideram a transformação gasífera africana: Nigéria e Moçambique. Ambos procuram aproveitar as suas vastas reservas e grandes projectos estratégicos para redesenhar o panorama energético continental. A questão central é saber qual deles assumirá a liderança.

Nigéria: o gigante africano do gás

A Nigéria possui cerca de 33% das reservas de gás do continente mais de 206 biliões de pés cúbicos. O Governo declarou a “Década do Gás” (2021–2030), colocando este recurso no centro da política energética e industrial.

O gás alimenta sectores como a indústria transformadora, fertilizantes, petroquímica e siderurgia, contribuindo para reduzir o défice energético num continente onde mais de 600 milhões de pessoas ainda não têm acesso à electricidade. Programas de gás natural comprimido (CNG) e gás natural liquefeito (LNG) estão a substituir combustíveis mais caros e poluentes, tornando a energia mais acessível e sustentável.

A estratégia nigeriana assenta num conjunto de grandes projectos estruturantes, incluindo a expansão do complexo Nigeria LNG (Train 7), o gasoduto AKK e outras iniciativas destinadas a aumentar a oferta interna e as exportações.

O projecto Train 7 representa um investimento de cerca de 10 mil milhões de dólares e deverá aumentar a capacidade de produção de LNG em 35%, de 22 para 30 milhões de toneladas anuais. As obras encontram-se em fase avançada, aproximando-se da conclusão.

Outro projecto emblemático é o gasoduto Ajaokuta–Kaduna–Kano (AKK), com 614 quilómetros de extensão, destinado a impulsionar o crescimento industrial no norte do país e integrar o sistema nacional de transporte de gás.

A estes somam-se projectos como o OB3, concebido para interligar as redes oriental e ocidental, bem como novos desenvolvimentos offshore e onshore que deverão aumentar a capacidade exportadora nos próximos anos.

Moçambique: potência emergente de LNG

Moçambique afirma-se rapidamente como um novo actor estratégico no sector energético africano, graças a vastas reservas ainda pouco exploradas que poderão impulsionar a expansão eléctrica e a transição energética do continente.

Entre os projectos mais relevantes destaca-se o Coral Sul FLNG, operado pela Eni, que iniciou produção em 2022, marcando a entrada do país no mercado global de gás natural liquefeito. O projecto produz cerca de 3,4 milhões de toneladas anuais a partir da Área 4 da Bacia do Rovuma, em parceria com empresas como ExxonMobil, CNPC, Galp, Kogas e a estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos.

Na sequência deste sucesso, está em preparação o projecto Coral Norte, avaliado em 7,2 mil milhões de dólares, que deverá praticamente duplicar a capacidade de produção flutuante do país.

Outro empreendimento de grande dimensão é o Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, estimado em cerca de 20 mil milhões de dólares. Apesar de atrasos relacionados com questões de segurança, o projecto foi recentemente reactivado, embora alguns financiadores internacionais tenham retirado apoio.

Paralelamente, a ExxonMobil prepara o projecto Rovuma LNG, avaliado em cerca de 30 mil milhões de dólares, que prevê a construção de uma unidade onshore com capacidade de 15,2 milhões de toneladas anuais. A decisão final de investimento é esperada para breve, com produção prevista para 2030.

Estes investimentos deverão gerar receitas de milhares de milhões de dólares, criar emprego e impulsionar infra-estruturas. Para além das exportações para Europa e Ásia, o gás moçambicano poderá reforçar a segurança energética regional e apoiar a industrialização da África Austral.

Em Novembro, o país iniciou também a produção do primeiro gás de cozinha (GPL) produzido localmente, reduzindo a dependência de importações. Segundo a Sasol, trata-se de um passo importante para a valorização interna dos recursos naturais.

O veredicto

Nigéria e Moçambique não estão apenas a exportar gás estão a redefinir o papel de África na ordem energética global. Ambos simbolizam a ambição continental de transformar recursos naturais em industrialização, segurança energética e crescimento sustentável.

A Nigéria mantém, por agora, a liderança, graças às maiores reservas, infra-estruturas consolidadas e forte utilização doméstica. Moçambique, contudo, avança rapidamente com megaprojectos de LNG que poderão transformá-lo numa potência exportadora global na próxima década.

O dinamismo destes dois países complementa ainda o papel histórico de produtores como Argélia e Egipto, cuja produção tem registado declínio nos últimos anos.

Fonte: Energy In Africa

Moçambique adia a conclusão da central eléctrica a gás para 2027 devido ao aumento dos custos

Moçambique adiou para 2027 a conclusão da Central Térmica de Temane (CTT), uma infra-estrutura energética a gás com capacidade de 450 megawatts, devido ao aumento significativo dos custos de construção e a constrangimentos operacionais que comprometeram o calendário inicial do projecto.

A informação foi avançada pela empresa promotora, a Globeleq, em comunicado corporativo, indicando que a entrada em funcionamento da central inicialmente prevista para finais de 2023 sofrerá um atraso superior a dois anos.

Segundo o director nacional e de desenvolvimento de negócios da empresa, Samir Sale, vários factores concorreram para o adiamento, incluindo eventos climáticos extremos, tensões sociais pós-eleitorais e a saída do empreiteiro original responsável pelas obras. O custo estimado do projecto, inicialmente fixado em cerca de 652 milhões de dólares, registou um aumento substancial, estando ainda em curso uma avaliação financeira detalhada. O Governo analisa mecanismos para mitigar o impacto orçamental decorrente do agravamento dos custos.

O cronograma começou a deteriorar-se quando a construtora espanhola TSK, contratada após o fecho financeiro em 2021, abandonou o estaleiro em Abril de 2024. Para assegurar a continuidade das obras, a empresa turca Enka İnşaat assumiu, no final do ano passado, um contrato avaliado em 159 milhões de dólares para concluir os trabalhos remanescentes. À chegada da nova empreiteira, o projecto encontrava-se aproximadamente 70% executado.

A CTT deverá produzir energia ao abrigo de um contrato de compra de energia com a empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM), injectando electricidade directamente na rede nacional a partir da sua entrada em operação comercial prevista para 2027.

A central será abastecida com gás natural proveniente dos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane, explorados pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos em parceria com a Sasol. Actualmente, grande parte da produção destes campos é exportada para a África do Sul através do gasoduto ROMPCO, sendo apenas uma fracção destinada ao consumo interno, sobretudo industrial.

Moçambique dispõe de reservas recuperáveis estimadas em cerca de 150 biliões de pés cúbicos de gás natural, resultantes das descobertas efectuadas entre 2010 e 2011. Contudo, os grandes campos offshore na província de Cabo Delgado permanecem, em grande medida, orientados para exportação e pouco utilizados para a geração de energia doméstica.

Entre os principais projectos energéticos do país destaca-se ainda o empreendimento de gás natural liquefeito liderado pela TotalEnergies, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, cuja implementação foi suspensa em 2021 devido à insegurança na região, tendo sido formalmente reactivado apenas recentemente.

O Governo moçambicano mantém como meta alcançar acesso universal à electricidade até 2030. Em 2024, a taxa de cobertura situava-se em cerca de 60%, com fortes disparidades entre zonas urbanas onde o acesso ronda 75% e áreas rurais, onde permanece próximo de 5%. Com presença em vários países africanos, a Globeleq detém cerca de 1.800 megawatts de capacidade instalada em sete mercados do continente, posicionando-se como um dos principais investidores privados no sector energético regional. A conclusão da Central Térmica de Temane é considerada estratégica para reforçar a segurança energética nacional e reduzir a dependência de importações de electricidade, ao mesmo tempo que potencia o aproveitamento interno dos recursos de gás natural do país.

Fonte: Energy In Africa

Maputo, afirma-se como principal polo financeiro em Moçambique

Capital reúne a fatia dominante de agências, agentes bancários, ATM e POS, confirmando o seu peso estrutural no sistema financeiro nacional.

Maputo cidade e província consolida-se como o principal polo de acesso a serviços financeiros em Moçambique. Os dados mais recentes do Banco de Moçambique (BdM) indicam que a capital concentra a maior parte das infraestruturas e canais de distribuição bancária, desde agências físicas e agentes bancários até caixas automáticas (ATM) e terminais de pagamento automático (POS).

De acordo com o Relatório de Inclusão Financeira do BdM, Maputo Cidade representa, isoladamente, 32,01% das agências bancárias do país e 29,55% dos ATM instalados. No que respeita aos POS, fundamentais para a digitalização dos pagamentos, a capital absorve 41,29% do total nacional. Já Maputo Província reforça este peso com quotas relevantes, designadamente 23,38% das agências de microbancos e cooperativas de crédito e 26,52% das instituições seguradoras.

No conjunto, os números confirmam uma concentração estrutural da oferta financeira na região sul, em particular na área metropolitana da capital, onde se localizam as sedes das principais instituições e onde se regista maior densidade empresarial e rendimento médio.

Intermediação e capilaridade

O dinamismo de Maputo não se limita às agências tradicionais. A cidade lidera igualmente na rede de agentes bancários (23,14%) e nas representações de instituições financeiras (53,90%), refletindo a crescente aposta dos bancos na expansão por via de canais alternativos e modelos de proximidade.

Este movimento acompanha uma tendência mais ampla de modernização do sistema financeiro moçambicano, assente na digitalização e na expansão dos serviços móveis. Segundo o BdM, a diversificação dos canais, incluindo agentes, microbancos e instituições de moeda eletrônica, tem sido determinante para aumentar os níveis de inclusão financeira, sobretudo em zonas periurbanas e rurais.

Ainda assim, a assimetria regional permanece evidente.

Desigualdades territoriais persistem

Fora do eixo da capital, províncias como Nampula, Zambézia e Sofala apresentam quotas intermédias em vários indicadores, beneficiando da sua dimensão populacional e relevância económica regional. Contudo, territórios como Niassa, Cabo Delgado e Gaza registam participações significativamente inferiores na maioria dos pontos de acesso.

Niassa, por exemplo, representa apenas 4,12% das agências e 1,62% dos POS do país. Cabo Delgado, apesar da sua importância estratégica e dos projetos ligados ao gás natural, mantém níveis modestos de presença física bancária (2,60% das agências de microbancos e cooperativas de crédito).

Este padrão espelha não apenas diferenças demográficas e económicas, mas também constrangimentos infra-estruturais e desafios de segurança que condicionam a expansão da rede financeira em determinadas regiões.

Inclusão financeira: avanços e desafios

Nos últimos anos, Moçambique tem registado progressos relevantes nos indicadores de inclusão financeira, impulsionados pela expansão da banca móvel e dos serviços digitais. O BdM sublinha que a estratégia nacional de inclusão financeira tem promovido o alargamento da rede de agentes e o reforço dos meios de pagamento eletrónicos, em linha com as recomendações de organismos internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

Contudo, a forte concentração em Maputo coloca desafios em matéria de coesão territorial. Especialistas defendem que a massificação dos canais digitais poderá mitigar parte destas disparidades, reduzindo a dependência de infraestruturas físicas e acelerando o acesso a serviços financeiros em regiões de menor densidade.

Para já, os dados confirmam uma realidade inequívoca, Maputo é o epicentro financeiro do país. O desafio para os próximos anos será transformar o crescimento quantitativo em inclusão qualitativa, garantindo que o acesso aos serviços financeiros se expanda de forma mais equilibrada por todo o território nacional.

Fonte: Banco de Moçambique, Relatório de Inclusão Financeira.

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PROJECTOS EDITORIAIS

Mozal poderá encerrar em Março, enquanto decorrem esforços de última hora

A multinacional australiana South32 não antevê margem para reverter o encerramento da fundição de alumínio Mozal, cuja paralisação está prevista para Março próximo, segundo fontes próximas do processo. A decisão surge apesar de esforços de última hora protagonizados por fornecedores de energia em Moçambique e na África do Sul, que procuram uma solução para a revisão das tarifas de electricidade.

Nos últimos dias, surgiram indicações de que o Governo moçambicano estaria a intensificar diligências para evitar o fecho da maior unidade industrial do país. O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, afirmou à agência Reuters que o Executivo está a fazer “tudo o que é necessário” para garantir a continuidade das operações da Mozal.

Do lado sul-africano, o director-executivo da empresa pública de electricidade Eskom, Dan Marokane, foi citado a 23 de Janeiro como estando empenhado em encontrar uma solução que pudesse produzir resultados, sublinhando que as negociações permaneciam em curso. Contudo, fontes ligadas à South32 indicam que a percepção interna da empresa é distinta, após cerca de seis anos de negociações em torno das tarifas de energia e, mais recentemente, um ciclo de conversações intensivas com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Eskom, tendo em vista o termo do contrato vigente em Março.

Considerada uma das “jóias da coroa” do portefólio da South32, a Mozal destacou-se pela produção de alumínio de baixo custo e com menor pegada carbónica, beneficiando historicamente da energia hidroeléctrica proveniente da barragem de Cahora Bassa. Todavia, a actual seca reduziu drasticamente a capacidade de produção da barragem, que opera actualmente a cerca de um quinto do seu potencial anterior.

Perante este cenário, a fundição passou a depender maioritariamente da energia fornecida pela Eskom, cerca de 940 megawatts consumidos de forma contínua, 24 horas por dia, proveniente, em grande medida, de centrais térmicas a carvão, com custos significativamente mais elevados. A estratégia da South32 consistia em assegurar, junto da Eskom, tarifas transitórias mais acessíveis por um período de dois anos, até que Cahora Bassa recuperasse os níveis normais de produção. No entanto, as negociações não produziram os resultados esperados.

Dados do Conselho de Minerais da África do Sul indicam que as tarifas da Eskom aumentaram cerca de 900% desde 2008, limitando a margem de manobra para concessões adicionais. Este contexto tarifário adverso terá pesado de forma decisiva na posição da South32.

O eventual encerramento da Mozal poderá ter impacto significativo na economia moçambicana. Estima-se a perda directa de cerca de cinco mil postos de trabalho, podendo o número de afectados ascender a 22 mil, incluindo trabalhadores de empresas subcontratadas. A Mozal representa aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, sendo um dos principais contribuintes para as exportações industriais do país.

Caso se confirme o fecho em Março, Moçambique enfrentará um dos maiores desafios industriais das últimas décadas, num momento em que procura consolidar a sua base produtiva e reforçar a atracção de investimento estrangeiro.

Monte Muambe projectado para produzir 15.000 toneladas anuais de terras raras com apoio dos EUA

Os Estados Unidos da América confirmaram oficialmente o seu apoio ao projecto de exploração de terras raras de Monte Muambe, na província de Tete, operado pela Altona Rare Earths, através da U.S. Trade and Development Agency (USTDA). A iniciativa visa diversificar as cadeias globais de abastecimento de minerais críticos e reduzir a dependência da China, que actualmente controla cerca de 70% da produção mundial destas matérias-primas, equivalente a cerca de 3,7 milhões de toneladas, de acordo com Business Insider Africa.

O apoio norte-americano insere-se numa estratégia mais ampla de Washington, orientada para a criação de fontes alternativas de minerais estratégicos, essenciais para a indústria de defesa, tecnologias limpas, veículos eléctricos, turbinas eólicas e manufactura avançada. Segundo Cedric Simonet, CEO da Altona Rare Earths, “o compromisso da USTDA é uma poderosa validação externa da qualidade estratégica e do potencial económico do projecto de Monte Muambe, evidenciando o forte interesse de uma instituição governamental norte-americana em desenvolver uma fonte segura de terras raras”.

Para além de Moçambique, os Estados Unidos estão igualmente a apoiar projectos de terras raras em Angola, na África do Sul e na República Democrática do Congo, visando assegurar um acesso sustentável a minerais críticos.

O projecto, avaliado em 276,3 milhões de dólares, prevê a produção de cerca de 15.000 toneladas anuais de carbonato misto de terras raras ao longo de 18 anos, com estudos de pré-viabilidade em curso para optimizar os números finais. A concretização do projecto posiciona Moçambique como actor relevante no mercado global de minerais críticos, ao mesmo tempo que oferece oportunidades para atracção de investimento, transferência de tecnologia e criação de emprego.

Para além de Moçambique, os Estados Unidos têm vindo a apoiar iniciativas semelhantes em África. Em Angola, a Pensana busca financiamento de até 160 milhões de dólares do U.S. Export-Import Bank para o projecto de Longonjo. Na África do Sul, o projecto de Phalaborwa recebeu apoio através de um subsídio da U.S. Development Finance Corporation (DFC), em parceria com a TechMet. Na República Democrática do Congo, Washington assinou em Dezembro de 2025 uma parceria estratégica de mineração, incluindo a aquisição de 40% das minas de cobre-cobalto Mutanda e Kamoto pelo Orion Critical Mineral Consortium, num investimento avaliado em cerca de 9 mil milhões de dólares.

Analistas destacam que o envolvimento norte-americano reflecte a crescente importância de África na arquitectura global de fornecimento de minerais críticos, num contexto em que as grandes potências procuram reduzir vulnerabilidades nas cadeias de valor e fortalecer a segurança económica. Estima-se que o continente possa fornecer até 9% das terras raras globais até 2029, consolidando a sua posição estratégica no mercado internacional.

Com este apoio, Moçambique reforça a sua presença no mapa global de recursos estratégicos, num sector que poderá assumir um papel determinante no futuro da economia mundial, consolidando o país como um ponto-chave na diversificação do fornecimento de minerais críticos e na transição para tecnologias verdes.

Executivo aposta na digitalização para acelerar crescimento e competitividade

A transformação digital deixou de ser apenas uma ambição tecnológica para se afirmar como uma escolha política estratégica do Estado moçambicano. A garantia foi dada pelo Ministro das Comunicações e Transformação Digital (MCTD), Américo Muchanga, à margem da Conferência Nacional de Transformação Digital, recentemente realizada em Maputo.

Segundo o governante, o maior desafio do país não é apenas tecnológico, mas estrutural e cultural. “Estivemos, essencialmente, a discutir como é que o Estado se transforma para colocar o cidadão no centro da sua agenda”, afirmou, sublinhando que digitalizar não significa apenas introduzir ferramentas tecnológicas, mas promover uma mudança profunda na forma como o Estado serve cidadãos e empresas.

Muchanga reconheceu que o actual modelo administrativo ainda funciona de forma segmentada, com instituições públicas a operarem em sistemas isolados e sem comunicação entre si. “Os sistemas não estão integrados. E, se queremos servir melhor o cidadão, temos de garantir que estejam interligados”, defendeu, acrescentando que é necessário superar resistências internas e abandonar a lógica de compartimentação institucional.

“O Estado precisa de funcionar como um corpo uno e indivisível”, frisou, explicando que a integração de dados e plataformas permitirá eliminar a peregrinação dos cidadãos entre várias instituições para resolver um único assunto.

Digitalização como pilar governativo

Na sessão de abertura da conferência, o Presidente da República, Daniel Chapo, reforçou que a transformação digital constitui um dos pilares do actual ciclo governativo. “A transformação digital é uma escolha política”, declarou, acrescentando que esta agenda caminha lado a lado com reformas estruturais destinadas a modernizar o Estado, aumentar a transparência, melhorar o ambiente de negócios e reforçar a confiança entre o cidadão e as instituições.

Foi nesse contexto que o Chefe de Estado destacou a criação, pela primeira vez na história do país, do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, com mandato claro para liderar o processo.

Daniel Chapo advertiu, contudo, que “não haverá Estado digital se persistirem mentalidades analógicas”, rejeitando a existência de “ilhas tecnológicas” dentro da Administração Pública. Para o Presidente, sistemas que não comunicam entre si, bases de dados desintegradas e serviços duplicados geram ineficiência, criam vulnerabilidades e prejudicam a competitividade da economia.

O estadista alertou ainda que as calamidades naturais que ciclicamente afectam o país demonstram a urgência da digitalização. A ausência de sistemas integrados compromete a capacidade de alerta atempado, a protecção de vidas e a preservação da memória colectiva do Estado.

“Queremos um país onde cada cidadão possa aceder aos serviços públicos a partir de qualquer ponto do território nacional e mesmo no exterior através de sistemas interoperáveis e soluções de pagamento digitais seguras”, afirmou, defendendo que a Internet deve ser promovida como um direito humano.

Integração abre espaço ao sector privado

Para o Ministro Américo Muchanga, a transformação digital representa igualmente uma oportunidade concreta para o sector privado. A partir deste ano, instituições privadas poderão integrar os seus sistemas com plataformas estatais.

No sector financeiro, por exemplo, a interligação ao sistema de identificação do Estado permitirá maior rapidez na abertura de contas e reforço da segurança na verificação de identidade.

O governante assegurou que o Executivo não pretende monopolizar o desenvolvimento tecnológico. “Queremos que o sector privado seja actor deste processo, sob supervisão e regulação do Estado”, declarou.

Entre as iniciativas em curso destacam-se a plataforma de assinatura digital certificada, o Portal do Cidadão, o projecto de identidade digital e a expansão da infra-estrutura de telecomunicações para mais de 300 localidades, muitas com financiamento do Banco Mundial. Está igualmente prevista a criação da Agência de Modernização e Inovação e o reforço da legislação sobre cibersegurança e protecção de dados.

Comissão técnica para integrar serviços

Na abertura da conferência, o Presidente da República lançou o desafio da criação de uma Comissão Técnica Multissectorial dos Serviços Digitais, com mandato para apresentar, até ao final do primeiro semestre de 2026, um plano nacional de integração.

A comissão deverá mapear serviços existentes, promover interoperabilidade, eliminar redundâncias, definir prioridades e propor um roteiro de integração digital.

“O tempo da hesitação terminou. Queremos um Estado à distância de um clique, mas próximo das necessidades do povo”, enfatizou o Chefe de Estado.

Novo quadro regulatório reforça soberania digital

Entretanto, a recente aprovação dos Regulamentos de Centros de Dados e de Computação em Nuvem é apontada como um passo estruturante para a consolidação da soberania digital.

Os diplomas estabelecem regras claras para operadores nacionais e internacionais, reforçando a segurança e protecção de dados, especialmente em sectores críticos como finanças, transportes, telecomunicações e Administração Pública. Definem igualmente critérios sobre localização e tratamento de dados sensíveis e criam previsibilidade regulatória, elemento considerado essencial para atrair investimento e inovação.

Plataformas e provedores não residentes passam a operar sob um quadro jurídico definido, com obrigações proporcionais, incluindo representação local e requisitos de conformidade alinhados às boas práticas internacionais.

Banco Mundial reforça apoio

A transformação digital integra também a carteira de prioridades do Banco Mundial. Em entrevista exclusiva, o Director da instituição para Moçambique, Fily Sissoko, revelou que estão a ser mobilizados financiamentos acompanhados de assistência técnica e partilha de conhecimento internacional.

Com mais de duas décadas de experiência no sector financeiro internacional, Sissoko apontou o Vietname como exemplo de execução bem-sucedida. “O que fez a diferença foi a forma como decidiram executar”, afirmou, recordando que o país asiático começou por investir em aprendizagem internacional, lançou projectos-piloto e rapidamente escalou soluções, passando de meia dúzia para cerca de dois mil serviços digitais disponíveis numa única plataforma em pouco mais de um ano.

Para o responsável, a digitalização é uma das mais poderosas alavancas para acelerar o desenvolvimento económico, melhorar serviços públicos e reforçar a competitividade nacional.

Soberania no século XXI

Para o Governo, a transformação digital representa uma nova fronteira da soberania. “Ontem, a independência media-se pelo controlo do território. Hoje, mede-se também pela capacidade de governar o espaço digital”, afirmou o Presidente da República.

A ambição é clara: construir um Estado digital robusto, capaz de sustentar uma economia digital forte, reduzir burocracias, combater práticas indevidas, atrair investimento e criar empregos qualificados para a juventude.

“Queremos criar a nossa própria esfera digital”, sintetizou o Ministro Américo Muchanga, reafirmando que a digitalização não é apenas uma agenda tecnológica, mas uma agenda de dignidade, eficiência e futuro colectivo para Moçambique.

Ecobank mudou de nome para FDH Bank

Ecobank está presente em Moçambique desde 2000

O ECOBANK Moçambique passa, a partir do dia 20 de fevereiro, a chamar-se oficialmente FDH Bank Moçambique, depois de concluídas todas as autorizações pelo Banco Central.

A informação foi anunciada ontem pelo banco malawiano FDH, depois de ter concluído, em setembro, a aquisição do Ecobank Moçambique, que passa a liderar com uma quota de 98,87%.

“Esta alteração reflete o nosso crescimento e o foco renovado em prestar serviços de excelência aos nossos clientes e a todas as partes interessadas. A presente mudança afeta exclusivamente o nome do banco”, refere o grupo FDH Bank, em comunicado citado pela Lusa.

O grupo garantiu ainda que todos os contratos e acordos em vigor permanecem válidos, sendo apenas atualizado o nome da instituição na documentação oficial.

“A partir de 20 de fevereiro de 2026, os clientes começarão a ver o novo nome do banco em todos os documentos bancários oficiais, incluindo livros de cheques e outros formulários transacionais, plataformas digitais, sinalização das agências, e-mails, assinaturas de e-mail e demais comunicações”, lê-se ainda.

O FDH Bank, do Malawi, confirmou no final de setembro ter concluído a aquisição do Ecobank Moçambique, que passa a liderar, com uma quota de 98,87%, conforme informação enviada à bolsa de valores daquele país.

De acordo com a informação, o banco FDH concluiu a compra da totalidade da participação do grupo pan-africano Ecobank na instituição, enquanto a posição minoritária restante de 1,13% continuará a ser detida pelo Fundo para o Fomento de Habitação (FFH).

O processo de transição incluirá uma mudança de nome e reformulação da marca, para garantir continuidade e estabilidade para clientes, funcionários e outras partes interessadas”, referia ainda.

“Esta aquisição representa um marco significativo na estratégia de crescimento regional do FDH Bank Plc e reafirma o forte compromisso do banco em investir na África Austral. Espera-se que ofereça benefícios estratégicos, incluindo expansão de mercado, diversificação de receita, sinergias operacionais e criação de valor a longo prazo”, lê-se ainda na informação anteriormente enviada à bolsa.

A intenção de vender a participação foi oficialmente anunciada em 5 de agosto pelo Ecobank, considerado principal grupo privado de serviços financeiros no continente, presente em 35 países da África Subsaariana.

“Esta transação representa uma alteração estratégica na estrutura acionista e na gestão operacional, não se prevendo qualquer perturbação nas operações bancárias, ativos ou colaboradores”, referia então a instituição financeira pan-africana.

O Ecobank operava até agora com agências nas principais cidades, desde 2000, tendo sido inicialmente constituído como Novo Banco, adotando a designação atual em 2014, na sequência da aquisição então feita pelo grupo pan-africano.

Mãe dá à luz durante viagem da Yango com apoio do motorista

Motorista da Yango ajuda mulher a dar à luz em segurança a caminho do hospital na província Maputo

Um motorista de táxi por aplicativo, Yango, ajudou, em segurança, uma cidadã que se encontrava em trabalho de parto, dando à luz um bebé saudável, durante uma viagem à caminho do hospital, na província de Maputo.

O episódio ocorreu quando Odete Pembele começou a sentir fortes contracções em casa. Sozinha e impossibilitada de aguardar pelo marido, que se encontrava de serviço, decidiu solicitar uma viagem através da aplicativo Yango para se deslocar com urgência ao hospital.

O motorista da Yango,  Gil Chissaque respondeu prontamente ao pedido e, ao perceber-se a gravidade da situação, manteve a calma e ofereceu apoio emocional à passageira, garantindo uma condução segura num momento de grande tensão.

Assim, à medida que a viagem avançava, as contracções intensificaram-se e, de forma inesperada, a cidadã começou a entrar em trabalho de parto com o auxílio do motorista. Assim, o que era para ser uma simples viagem por táxi de aplicativo Yango transformou-se num momento de vida marcante.

De acordo com a equipa médica do Centro de Saúde de Nkobe, para onde a mãe e​ o bebé foram levados em segurança, o apoio prestado pelo motorista durante todo o trajecto, contribuiu para que o nascimento da bebé ocorresse em segurança até à chegada da parturiente e o eu bebé à unidade sanitária.

“Quando alguém pede uma viagem numa situação como está, é porque confia nos nossos serviços. A jovem mãe confiou na Yango e em mim. Foi uma experiência inesperada, mas felizmente tudo correu bem. Estou grato por ter ajudado num momento tão delicado”,  Relatou o motorista  Gil Chissaque.

Por sua vez, Odete Pembele destaca a importância do apoio recebido: “Usei o aplicativo para ir ao hospital porque estava sozinha. Quando estávamos quase a chegar, as contracções já eram muito fortes e acabei por dar à luz dentro do carro. Graças a Deus tudo correu bem.”,

A Yango Moçambique destaca esta história como um exemplo do seu compromisso com a segurança da comunidade. O episódio evidencia a importância de estarmos preparados para o inesperado e demonstra como os serviços digitais podem fazer a diferença em momentos de urgência e necessidade.

Coral Norte garante retorno de 3,2 vezes o investimento, superando Mozambique LNG

Os projectos Coral North FLNG (Área 4, offshore), liderado pela Eni, e Mozambique LNG (Área 1, onshore), operado pela TotalEnergies, apresentam perfis distintos em termos de capacidade produtiva, risco de segurança e retorno económico para o Estado moçambicano, de acordo com dados disponíveis sobre investimento, receitas esperadas e impacto local.

O projecto Coral North, de natureza offshore, terá uma capacidade de produção anual entre 3,55 e 3,6 milhões de toneladas de GNL, com o início das operações previsto para 2028. O investimento estimado situa-se entre 7 e 7,2 mil milhões de dólares, com receitas fiscais e económicas projectadas em cerca de 23 mil milhões de dólares ao longo de 25 anos de exploração.

Segundo as projecções, o rácio entre receitas governamentais e investimento atinge cerca de 3,19 vezes, posicionando o Coral North como um dos projectos de maior eficiência financeira no portefólio do gás natural em Moçambique. Em termos de conteúdo local, o projecto deverá gerar mais de 3 mil milhões de dólares em contratos para empresas moçambicanas, o que corresponde a um rácio de 0,42 vezes face ao investimento total.

Do ponto de vista da segurança, a localização offshore do Coral North reduz significativamente a exposição a riscos de insurgência armada em Cabo Delgado, sendo considerada uma opção estratégica enquanto a situação de segurança na região se consolida. O projecto deverá gerar emprego especializado no sector offshore, embora em menor escala quando comparado com empreendimentos em terra firme.

Já o Mozambique LNG, localizado em Afungi, Cabo Delgado, apresenta uma escala substancialmente maior, com capacidade instalada de 13 milhões de toneladas anuais, distribuídas por duas linhas de liquefação, com possibilidade de expansão futura. O início da produção está agora projectado para 2029, após sucessivos atrasos provocados por constrangimentos de segurança que culminaram na declaração de força maior em 2021.

O investimento inicial do projecto rondava os 20 mil milhões de dólares, tendo sido revisto em alta em cerca de 4 mil milhões de dólares, elevando o custo total para aproximadamente 24 mil milhões de dólares. As receitas acumuladas para o Estado moçambicano poderão atingir 35 mil milhões de dólares ao longo da vida útil do projecto, o que se traduz num rácio de retorno de cerca de 1,46 vezes face ao capital investido.

Em termos de impacto local, o Mozambique LNG destaca-se pela criação de até 7.000 postos de trabalho durante a fase de construção, pela atribuição de mais de 4 mil milhões de dólares em contratos a empresas nacionais e pela constituição de uma fundação de desenvolvimento socioeconómico avaliada em 200 milhões de dólares. Ainda assim, o rácio de conteúdo local situa-se em cerca de 0,17 vezes em relação ao investimento total.

A análise comparativa indica que, embora o Mozambique LNG apresente o maior impacto económico agregado, com receitas estimadas superiores em 12 mil milhões de dólares face ao Coral North, o projecto offshore liderado pela Eni evidencia maior eficiência financeira, com um retorno sobre o investimento mais do dobro do registado pelo projecto onshore.

Por: Herinques Maculuve e Simão Djedje

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Fontes Consultadas: Lusahttps://www.aman-alliance.org/Home/ContentDetail/88352?utm_

ENIhttps://www.eni.com/en-IT/media/press-release/2025/10/pr-eni-announces-final-investment-decision-mozambique-coral-north-project.html?utm

INVESTINGhttps://www.investing.com/news/company-news/totalenergies-resumes-mozambique-lng-project-after-4year-force-majeure-93CH-4473893?utm

REUTERShttps://www.reuters.com/sustainability/climate-energy/totalenergies-partners-lift-force-majeure-20-billion-mozambique-lng-project-2025-10-25/?utm