Wednesday, September 2, 2026
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MeTL Group prepara investimento de US$ 250 milhões em Moçambique e prevê criar 20 mil empregos

O capital tanzaniano volta a olhar para Moçambique com uma aposta de grande dimensão. O Mohammed Enterprises Tanzania Limited (MeTL Group), um dos maiores conglomerados empresariais da África Oriental, planeia investir US$ 250 milhões em Moçambique, com uma previsão de criação de cerca de 20 mil postos de trabalho. A informação foi avançada pelo Club of Mozambique.

A aposta surge num momento em que o grupo procura ampliar a sua presença na região e reforçar actividades ligadas à indústria, processamento, agricultura, energia, logística e comércio. A MeTL já possui operações em Moçambique e integra uma rede empresarial que se estende por vários mercados africanos.

Uma aposta na produção e no valor acrescentado

Mais do que uma expansão comercial, a estratégia da MeTL tem sido marcada pela aposta na produção local e no processamento de matérias-primas. O grupo actua em sectores como agricultura e agro-processamento, manufactura, energia e petróleo, transporte e logística, serviços financeiros e imobiliário. De acordo com o perfil corporativo da empresa, a MeTL emprega actualmente mais de 37 mil pessoas.

A estratégia de expansão para Moçambique não é, contudo, inteiramente nova. Em 2015, o grupo já tinha anunciado planos para expandir a sua presença em países como Moçambique, Zâmbia, Ruanda, Burundi, Madagáscar e Etiópia, com uma componente importante dos investimentos direccionada para a manufactura.

A nova intenção de investimento ganha, por isso, relevância não apenas pelo valor anunciado, mas também pelo potencial de aprofundar a presença de um grande grupo industrial regional na economia moçambicana.

Emprego no centro da aposta

A previsão de 20 mil empregos coloca a dimensão laboral entre os principais impactos esperados do projecto. A criação de postos de trabalho em escala significativa poderá ter efeitos sobre cadeias de fornecimento, serviços, transporte, logística e desenvolvimento de competências locais.

A experiência da MeTL demonstra que o grupo procura construir operações integradas, combinando produção, distribuição e logística. A empresa afirma actualmente empregar cerca de 37 mil pessoas e operar em vários sectores da economia africana.

Para Moçambique, uma expansão desta dimensão poderá representar também oportunidades para fornecedores nacionais e empresas que integrem as cadeias de valor dos projectos que venham a ser desenvolvidos.

MeTL reforça estratégia industrial em África

A aposta em Moçambique deve ser lida dentro de uma estratégia mais ampla de crescimento do conglomerado liderado por Mohammed Dewji. A MeTL nasceu como uma empresa comercial na Tanzânia, mas transformou-se num grupo diversificado com presença em manufactura, agricultura, energia, logística, serviços financeiros e outros sectores.

Mais recentemente, Dewji tem sinalizado uma nova fase de expansão, com maior atenção à transformação local de recursos africanos. Entre os projectos anunciados está uma unidade de processamento de grafite, numa estratégia que procura passar da simples extracção de matérias-primas para a produção de materiais de maior valor acrescentado.

Esta orientação poderá ser particularmente relevante para Moçambique, considerando a disponibilidade de recursos naturais e o crescente interesse em desenvolver capacidade industrial e cadeias de valor dentro do país.

O que o investimento pode significar para Moçambique

Se concretizado nos termos anunciados, o investimento de US$ 250 milhões poderá representar uma das apostas empresariais de maior dimensão de um grupo da África Oriental no mercado moçambicano, sobretudo pelo potencial de geração de emprego e de desenvolvimento de actividades produtivas.

O impacto final, contudo, dependerá da natureza dos projectos, da sua localização, do calendário de implementação e do nível de integração com empresas e fornecedores nacionais.

Para Moçambique, a questão central não será apenas quanto capital estrangeiro entra no país, mas quanto valor económico permanece no país depois de o investimento ser realizado — através de emprego, fornecedores locais, transferência de conhecimento, processamento interno e criação de novas cadeias produtivas.

A aposta da MeTL coloca, assim, uma questão maior sobre o próximo ciclo de investimento em Moçambique: será possível transformar capital estrangeiro em capacidade industrial duradoura e em mais participação das empresas moçambicanas nas cadeias de valor?

Estado moçambicano passa a deter 15% gratuitos nos empreendimentos mineiros

Moçambique prepara uma mudança significativa na forma como participa e beneficia da exploração dos seus recursos minerais. O Estado passará a deter uma participação gratuita e não diluível de 15% nos empreendimentos mineiros do país, através da recém-criada Empresa Nacional de Minas.

A nova entidade terá igualmente a responsabilidade de gerir os direitos relativos aos minerais estratégicos e assegurar mecanismos para a sua valorização dentro do país. Entre as medidas previstas está a requisição, custódia, gestão e alocação de uma percentagem não inferior a 20% destes recursos para consumo interno, com o objectivo de promover a transformação local e reduzir a exportação de matérias-primas sem valor acrescentado.

A informação foi avançada pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, durante o XI Conselho Coordenador do MIREME, realizado na Ponta do Ouro, distrito de Matutuíne, província de Maputo.

Segundo o ministro, a criação da Empresa Nacional de Minas, aliada ao reforço do quadro legal, pretende colocar o sector extractivo no centro da estratégia de industrialização do país. A prioridade passa por mudar o actual paradigma, apostando na transformação dos recursos minerais dentro de Moçambique e na criação de cadeias de valor nacionais.

A reforma inclui também a transformação do Instituto Nacional de Minas numa Autoridade Reguladora de Minas, designada AREMI. A nova estrutura deverá reforçar a disciplina e organização do sector, melhorar a gestão do cadastro e do licenciamento mineiro e aumentar a transparência, segurança jurídica e rastreabilidade dos processos.

O Governo pretende ainda dar maior atenção aos minerais estratégicos associados à transição energética, aproveitando o potencial geológico do país para atrair investimentos e desenvolver novas indústrias.

A reorganização do cadastro mineiro já produziu resultados. Desde finais de 2024, foram identificados 3.273 processos pendentes, dos quais 2.011 deram origem a licenças, enquanto 63 foram revogados por incumprimento e 1.199 cancelados devido a irregularidades. No mesmo período, foram levantados 860 títulos mineiros, permitindo ao Estado arrecadar cerca de 131 milhões de meticais.

Entre os avanços registados no primeiro semestre está o início da produção e a inauguração da fábrica de processamento de grafite de Nipepe, no Niassa, bem como a implantação de uma unidade de corte e tratamento de minerais na Namaacha, em Maputo.

Com estas reformas, Moçambique procura deixar para trás um modelo baseado essencialmente na extracção e exportação de matérias-primas. A nova estratégia coloca a participação do Estado, o consumo interno, a transformação local e o desenvolvimento industrial no centro da gestão dos recursos minerais, procurando fazer com que a riqueza do subsolo se traduza em mais investimento, emprego e valor acrescentado dentro do país.

Fonte: Jornal Notícias.

Cabo Delgado lidera crescimento do emprego empresarial, mas Maputo mantém concentração da economia

O crescimento do tecido empresarial moçambicano começa a produzir sinais mais fortes fora dos tradicionais centros económicos, mas a distribuição da actividade continua longe de ser equilibrada. Cabo Delgado registou, em 2025, o maior crescimento do emprego empresarial no país, enquanto a Cidade e a Província de Maputo mantiveram uma posição dominante na concentração de empresas e trabalhadores.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados na publicação Estatísticas de Empresas e Instituições Sem Fins Lucrativos, 2025, o número de pessoas ao serviço nas empresas e respectivos estabelecimentos activos em Cabo Delgado aumentou 41,3%, passando de 26.883 trabalhadores em 2024 para 37.985 em 2025. O acréscimo corresponde a mais 11.102 pessoas empregadas.

A evolução do emprego acompanhou a expansão do próprio tecido empresarial da província. No mesmo período, o número de empresas e estabelecimentos activos em Cabo Delgado cresceu 30,8%, de 3.902 para 5.103. O desempenho colocou a província à frente de Nampula, que registou um crescimento de 19,4%, e Niassa, com 15,6%.

Apesar desta aceleração no norte do país, a geografia da actividade empresarial continua fortemente concentrada em Maputo. A Cidade de Maputo contabilizou 30.468 empresas e estabelecimentos activos em 2025, equivalentes a 29,8% do total nacional, enquanto a Província de Maputo registou 14.019, correspondentes a 13,7%.

A concentração é ainda mais evidente quando analisado o emprego. A Cidade de Maputo concentrava 388.847 pessoas ao serviço, ou 38,6% do total nacional. A Província de Maputo seguia com 125.046 trabalhadores, enquanto Sofala registava 107.614. No conjunto do país, as empresas e estabelecimentos activos empregavam 1.007.954 pessoas em 2025, mais 9,2% do que no ano anterior.

Microempresas continuam a sustentar a base empresarial

Os dados do INE mostram igualmente que a expansão do emprego ocorre numa estrutura empresarial ainda dominada por unidades de pequena dimensão. Em 2025, as microempresas representavam 65,7% das 93.612 empresas activas existentes no país.

Estas empresas empregavam 278.379 pessoas, equivalentes a 31,7% do total de trabalhadores. As grandes empresas, embora representem uma parcela muito menor do universo empresarial, absorviam 28,3% das pessoas ao serviço. O emprego nas microempresas cresceu 12% em relação a 2024, com Nampula a apresentar a maior variação nesta categoria, de 27,3%.

O desempenho de Cabo Delgado ganha particular relevância quando considerados todos os tipos de entidades legais activas, incluindo instituições sem fins lucrativos. Neste universo mais amplo, a província registou um crescimento de 42,5% no número de pessoas ao serviço, passando de 30.406 em 2024 para 43.315 em 2025.

Os números desenham, assim, um mapa empresarial com dois movimentos distintos: Maputo continua a concentrar a maior parte da actividade económica e do emprego, enquanto províncias como Cabo Delgado, Nampula e Niassa apresentam ritmos de expansão mais acelerados. Para a economia moçambicana, a questão passa agora por perceber se esta dinâmica de crescimento regional conseguirá transformar-se numa descentralização mais consistente da actividade produtiva e do emprego formal.

INE: Número de empresas activas em cresce 9,6%, mas microempresas continuam a dominar

O tecido empresarial moçambicano registou uma expansão significativa em 2025, mas os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o crescimento continua assente numa estrutura fortemente concentrada em microempresas.

De acordo com a publicação “Estatísticas de Empresas e Instituições Sem Fins Lucrativos, 2025”, o número de empresas activas no país aumentou 9,6%, passando de 85.423 em 2024 para 93.612 em 2025. O crescimento foi particularmente expressivo entre as empresas de média e grande dimensão, ambas com uma subida de 26,1%.

Apesar desta evolução, as microempresas continuam a representar a esmagadora maioria do universo empresarial. Em 2025, existiam 61.474 microempresas, equivalentes a 65,7% do total. As pequenas empresas somavam 28.840, enquanto as médias e grandes empresas totalizavam 2.043 e 1.255, respectivamente.

A estrutura empresarial apresenta, contudo, uma relação menos linear quando analisada pelo emprego. Embora as grandes empresas representem apenas 1,3% do universo empresarial, absorveram 28,3% das pessoas ao serviço. As microempresas concentraram a maior parcela, com 31,7%, correspondentes a 278.379 trabalhadores.

No conjunto das empresas e respectivos estabelecimentos activos, o número de pessoas ao serviço aumentou 9,1%, de 803.895 em 2024 para 876.820 em 2025. O emprego cresceu em todas as categorias: 12% nas microempresas, 8,9% nas grandes, 7,6% nas médias e 6,7% nas pequenas empresas.

Maputo mantém liderança, Cabo Delgado acelera

A distribuição territorial continua a evidenciar uma forte concentração da actividade empresarial na capital. A Cidade de Maputo contabilizou 30.468 empresas e estabelecimentos activos, correspondentes a 29,8% do total nacional, seguida pela província de Maputo, com 14.019, e Nampula, com 10.939.

O maior crescimento, entretanto, ocorreu em Cabo Delgado, onde o número de empresas e estabelecimentos activos aumentou 30,8%, passando de 3.902 em 2024 para 5.103 em 2025. Nampula registou a segunda maior expansão, de 19,4%.

A dinâmica territorial também se reflectiu no mercado de trabalho. O número total de pessoas ao serviço nas empresas e respectivos estabelecimentos atingiu 1.007.954 trabalhadores, representando um crescimento de 9,2%. A Cidade de Maputo concentrou 38,6% deste universo, enquanto Cabo Delgado registou a maior subida anual do emprego, de 41,3%, para 37.985 trabalhadores.

Os dados do INE oferecem, assim, uma leitura de duas velocidades do sector empresarial moçambicano: por um lado, um aumento relevante do número de empresas, com maior dinamismo entre as unidades de média e grande dimensão; por outro, a manutenção de uma base empresarial dominada por microempresas. A combinação entre expansão do número de operadores, criação de emprego e crescente actividade fora dos principais centros económicos será determinante para avaliar a profundidade e a sustentabilidade desta evolução.

Banco de Moçambique fixa limite anual de 3 milhões de meticais para pagamentos no exterior com cartões

O Banco de Moçambique estabeleceu um novo tecto anual de 3 milhões de meticais para pagamentos sobre o exterior efectuados através de cartões bancários emitidos por instituições de crédito autorizadas no país, numa medida que passa a abranger tanto pessoas singulares como colectivas.

A regra consta do Aviso n.º 4/GBM/2026, de 27 de Julho, que estabelece novas disposições para operações realizadas com cartões de crédito, débito ou pré-pagos. Segundo o banco central, a medida visa ajustar os limites aplicáveis aos pagamentos sobre o exterior no quadro da Lei Cambial.

O novo limite, equivalente a cerca de 41.700 euros, não é atribuído individualmente a cada cartão ou conta bancária. O valor é calculado de forma agregada por titular em todo o sistema bancário nacional, independentemente do número de bancos com os quais mantenha relações, da quantidade de cartões que possua ou dos canais utilizados para efectuar as transacções.

Na prática, a utilização de vários cartões emitidos por diferentes bancos não permite ultrapassar o tecto anual de 3 milhões de meticais. O limite é associado ao titular e inclui os diferentes canais de pagamento, incluindo levantamentos em numerário.

As instituições de crédito mantêm, entretanto, a possibilidade de estabelecer limites diários específicos para cada cartão. Os bancos passam também a ser obrigados a verificar previamente, junto do Banco de Moçambique, a situação do cliente relativamente ao limite anual antes da emissão ou renovação de cartões.

Quando um titular atingir os 3 milhões de meticais, todas as instituições de crédito deverão bloquear imediatamente os seus cartões para transacções sobre o exterior. Os bancos terão ainda de informar os clientes quando estes atingirem 50%, 75% e 100% do limite anual, bem como no momento em que os cartões forem bloqueados.

Limite adicional mediante autorização

O novo regime prevê uma excepção para situações consideradas de particular relevância. Nesses casos, o Banco de Moçambique poderá autorizar, caso a caso, um limite superior aos 3 milhões de meticais.

O pedido deverá ser apresentado pelo titular através de uma instituição de crédito e acompanhado de documentação que justifique a necessidade de um montante adicional, indique o valor pretendido e apresente outras informações consideradas relevantes.

O banco comercial terá cinco dias úteis para analisar o pedido e encaminhar ao Banco de Moçambique um parecer fundamentado. A autoridade monetária terá, por sua vez, até 15 dias úteis para tomar uma decisão. Em caso de aprovação, a instituição de crédito deverá actualizar a situação do cliente e comunicar-lhe a decisão no prazo máximo de um dia útil.

A medida aplica-se a residentes e não-residentes cambiais, sejam pessoas singulares ou colectivas, titulares de cartões bancários emitidos em Moçambique. O Banco de Moçambique esclarece que o conceito de pagamento sobre o exterior abrange qualquer operação realizada fora do país através de um cartão emitido por uma instituição de crédito autorizada.

O novo aviso substitui o regime anterior e determina que os titulares ficam sujeitos aos novos limites independentemente do nível de utilização realizado ao abrigo das regras anteriormente em vigor. O banco central deverá ainda emitir instruções adicionais, através de circular, para orientar a implementação do novo regime.

A alteração introduz, assim, um mecanismo de controlo transversal sobre a utilização de cartões para operações externas, colocando o limite por titular e não por cartão no centro da gestão das transacções internacionais realizadas através do sistema bancário moçambicano.

Agência Internacional de Energia prevê redução da demanda de petróleo em 2026

A procura mundial por petróleo deverá cair 1,6 milhão de barris por dia em 2026, pressionada pelo fechamento contínuo do Estreito de Ormuz e pelos elevados preços dos combustíveis, que continuam a reduzir o consumo global.

O mais recente relatório de Mercado de Petróleo da Agência Internacional de de Petróleo, AIE, de 12 de Agosto, indica para queda da demanda do produto  de 1,6 milhões de barris por dia, com uma revisão em baixa de 510 milhões em relação às projecções do mês de Julho.

De acordo com o relatório, “o fechamento contínuo do Estreito de Ormuz e os elevados preços dos combustíveis continuam a pressionar o consumo de petróleo.” Refere o relatório que prevê uma redução da contração anual de 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026 para 2,8 milhões/dia.

Embora o desempenho de 2026, no geral, se mostre baixo, o crescimento poderá ser retomado no último trimestre, e prevê-se que a demanda “deverá expandir 2,4 milhões de barris por dia em 2027.” Le-se no documento.

O processamento mundial de petróleo bruto nas refinarias aumentou em Julho, não obstante, continua 5 milhões de barris por dia abaixo dos níveis de 2025. O relatório explica que “as contínuas interrupções nas exportações de produtos do Oriente Médio e os ataques a refinarias russas reduziram as estimativas de processamento para o terceiro trimestre de 2026 em mais 370 mil barris por dia.”

ExxonMobil e parceiros atribuem contratos de US$1,1 mil milhões para avançar Rovuma LNG

A ExxonMobil Moçambique, em representação dos parceiros da Área 4, atribuiu contratos de pré-investimento avaliados em cerca de 1,1 mil milhões de dólares para equipamentos críticos de longo prazo destinados à primeira fase do projecto Rovuma LNG, em Cabo Delgado. A decisão representa mais um passo na preparação do empreendimento para a sua decisão final de investimento (FID).

Os contratos abrangem serviços de engenharia, aquisição e fabrico de sistemas de produção submarina, válvulas de produção de grande diâmetro e tubagem offshore, componentes considerados essenciais para a futura infraestrutura de produção de gás na Área 4.

O maior contrato foi atribuído à OneSubsea UK Limited e OneSubsea AS, para trabalhos de engenharia, aquisição, fabricação e produção de sistemas submarinos, controlos e umbilicais. A execução no país contará com o apoio da Aker Solutions Mozambique, Limitada, reforçando a componente local da cadeia de fornecimento do projecto.

Outros contratos foram atribuídos à Advanced Technology Valve S.p.A., para o fornecimento de válvulas de produção de grande diâmetro; à Corinth Pipeworks Pipe Industry Single Member S.A. e à Sumitomo Corporation of America, para diferentes tipos de tubos; e à Zhejiang Jiuli Hi-Tech Metals Co., Ltd., para o fornecimento de tubos revestidos e outros componentes associados.

Segundo a ExxonMobil, a contratação antecipada destes equipamentos permitirá aos fornecedores iniciar a produção de materiais que exigem volumes significativos e equipamentos especializados, alguns dos quais apresentam prazos de entrega prolongados. A estratégia procura optimizar o calendário de execução do projecto e assegurar a disponibilidade atempada de infraestruturas críticas antes da FID.

O Rovuma LNG prevê o desenvolvimento de recursos de gás natural offshore na Área 4 e a construção de uma unidade de liquefacção em terra com capacidade prevista de 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano. A ExxonMobil lidera o desenvolvimento e operação do projecto em representação dos parceiros da Área 4, que incluem a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), CNPC, Eni, KOGAS e XRG.

A nova ronda de contratos surge poucos dias depois de os parceiros da Área 4 terem seleccionado uma joint venture liderada pela Saipem, McDermott, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation para serviços associados à engenharia e aquisição da componente midstream do projecto.

O movimento reforça a percepção de que o Rovuma LNG entrou numa fase mais avançada de preparação técnica e comercial. Embora a decisão final de investimento ainda seja determinante para o arranque pleno do desenvolvimento, a contratação antecipada de equipamentos e serviços críticos sinaliza uma maior mobilização da cadeia internacional de fornecimento em torno de um dos maiores projectos de gás previstos para Moçambique.

Para Moçambique, o avanço do projecto mantém em perspectiva os potenciais efeitos sobre investimento, receitas públicas, emprego e desenvolvimento da cadeia de fornecimento nacional, num momento em que o sector do gás volta a ganhar centralidade na agenda económica do país.

Crédito malparado do Moza Banco aproxima-se dos 30% no primeiro semestre de 2026

O Moza Banco encerrou o primeiro semestre de 2026 com 29,66% da sua carteira de crédito classificada como crédito malparado, registando uma deterioração face aos 27,58% observados no final de Março, segundo os indicadores prudenciais e económico-financeiros divulgados pelo Banco de Moçambique.

A evolução representa um agravamento de 2,08 pontos percentuais no rácio de crédito malparado (Non-Performing Loans – NPL) em apenas três meses, colocando o Moza Banco entre as instituições com os níveis mais elevados de incumprimento no sistema bancário moçambicano.

Apesar do aumento do crédito em incumprimento, o banco registou uma melhoria na cobertura do crédito malparado por imparidades. O indicador passou de 36,42% no primeiro trimestre para 46,85% no segundo trimestre, sinalizando um reforço da cobertura dos riscos associados à carteira de crédito.

BCI mantém NPL acima de 14%

A deterioração da qualidade do crédito não foi uniforme entre os principais bancos comerciais do país.

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) registou uma ligeira melhoria, com o rácio de crédito malparado a recuar de 14,47% em Março para 14,11% em Junho. Ao mesmo tempo, a cobertura por imparidades aumentou de aproximadamente 21,03% para 25,11%.

Já o Millennium bim, embora mantenha um nível de NPL significativamente inferior ao do Moza Banco e do BCI, registou uma ligeira deterioração. O rácio passou de 2,37% para 2,62% no mesmo período. A cobertura do crédito malparado, contudo, aumentou de 86,57% para 91,91%.

Diferenças significativas entre os bancos

Os dados do Banco de Moçambique evidenciam diferenças consideráveis na qualidade das carteiras de crédito das instituições que operam no mercado nacional.

Entre os bancos com rácios de crédito malparado mais baixos em Junho estavam o FDH Bank Mozambique, com 0,13%, o Standard Bank Mozambique, com 1,48%, e o First Capital Bank (FCB), com 1,66%.

O First National Bank (FNB) apresentou um rácio de 3,12%, enquanto o Nedbank Mozambique registou 3,20% e o Absa Bank Mozambique, 4,07%. Estas instituições mantiveram os respectivos níveis de crédito malparado abaixo da referência de 5%.

Na outra extremidade, para além do Moza Banco, o Vista Bank Mozambique apresentou um NPL de 19,06%. O Banco Letshego registou 9,20%, o United Bank for Africa (UBA) 8,59% e o Banco Nacional de Investimento (BNI) cerca de 7,21%.

Qualidade do crédito continua a ser um desafio

A evolução dos indicadores mostra que a qualidade da carteira de crédito continua a constituir um dos principais desafios para o sector bancário moçambicano, embora com impactos distintos entre as instituições.

No caso do Moza Banco, a aproximação do rácio de crédito malparado aos 30% significa que aproximadamente três em cada dez meticais da carteira de crédito estavam em situação de incumprimento no final de Junho.

A diferença face aos bancos com menores níveis de NPL evidencia também a necessidade de estratégias diferenciadas de gestão de risco, recuperação de crédito e constituição de provisões.

A melhoria da cobertura por imparidades registada pelo Moza Banco constitui um factor positivo na gestão do risco, mas a subida do crédito malparado continua a pressionar a qualidade dos activos e a exigir maior atenção à recuperação da carteira.

Os dados do segundo trimestre confirmam, assim, um cenário heterogéneo no sistema bancário moçambicano, com algumas instituições a manterem níveis reduzidos de incumprimento e outras a enfrentarem uma pressão significativamente maior sobre as suas carteiras de crédito.

Da mineração ao Oil & Gas: A corrida pela eficiência operacional

A Rovuma Tech surge num momento em que a transformação digital deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma necessidade operacional para empresas e instituições. Que problema concreto a empresa procura resolver no mercado moçambicano?

A Rovuma Tech procura responder a um desafio que ainda existe em muitos sectores em Moçambique que são operações pouco eficientes, processos excessivamente manuais e dificuldade de acesso a soluções técnicas especializadas.

Hoje, os clientes já não procuram apenas fornecedores. Procuram parceiros capazes de entender a operação e apresentar soluções que tragam mais eficiência, confiabilidade e continuidade operacional.

É aí onde a Rovuma Tech entra. Trabalhamos muito na ligação entre procurement estratégico, soluções industriais e tecnologia aplicada à operação.

Um exemplo concreto disso é a implementação de sistemas de lubrificação automática no sector ferroviário, onde actividades anteriormente manuais passaram a ser automatizadas, permitindo maior eficiência, redução de falhas e melhor gestão da manutenção.

Acreditamos que tecnologia não é apenas software. Muitas vezes, tecnologia significa automatizar processos, melhorar a performance operacional e criar soluções mais sustentáveis para os clientes.

O sector tecnológico tornou-se cada vez mais competitivo, com a entrada de novos actores locais e internacionais. Como é que a Rovuma Tech se diferencia num mercado onde muitas empresas oferecem serviços semelhantes?

A nossa principal diferença está na forma como entendemos o negócio dos nossos clientes.

A Rovuma Tech não actua apenas como fornecedora de equipamentos ou materiais. Procuramos perceber os desafios operacionais de cada cliente e apresentar soluções ajustadas à realidade de cada projecto.

Temos uma forte actuação em sectores exigentes como oil & gas, mining e railway, onde qualidade, confiabilidade e capacidade de resposta são fundamentais.

Outro ponto importante é a nossa ligação com fabricantes e marcas internacionais, o que nos permite trazer para o mercado moçambicano soluções industriais modernas e alinhadas aos padrões globais.

Além disso, combinamos procurement, suporte técnico, logística e conhecimento operacional, o que nos permite agregar valor muito além do fornecimento tradicional.

II.  PANORAMA DO MERCADO

Muitas empresas ainda operam com processos manuais e pouca utilização estratégica de dados. Até que ponto o mercado moçambicano já compreendeu que tecnologia deixou de ser custo e passou a ser factor de competitividade?

O mercado moçambicano está claramente a evoluir nesse sentido.

Hoje existe uma percepção muito maior de que investir em tecnologia já não é apenas uma questão de modernização, mas sim de competitividade e sustentabilidade operacional.

Nos sectores industriais, por exemplo, as empresas começam a perceber que automatizar processos, melhorar sistemas de monitoramento e utilizar soluções mais inteligentes reduz custos operacionais, minimiza falhas e melhora a produtividade.

Ainda existe espaço para crescer, principalmente em termos de digitalização e integração tecnológica, mas vemos uma mudança muito positiva na mentalidade do mercado.

Os clientes estão mais atentos à eficiência, previsibilidade e continuidade operacional, e isso naturalmente aumenta a procura por soluções tecnológicas aplicadas à indústria

Que segmentos de mercado representam hoje maior potencial de crescimento para a Rovuma Tech: sector público, banca, telecomunicações, PME’s ou grandes empresas? 

Acreditamos que os maiores potenciais de crescimento continuam concentrados nos sectores industriais e infraestruturais, especialmente oil & gas, mineração, ferrovia e energia.

São áreas onde existe uma necessidade crescente de modernização operacional, manutenção especializada, automação e soluções técnicas mais eficientes.

Moçambique está numa fase importante de desenvolvimento industrial, e isso cria oportunidades para empresas capazes de entregar soluções com qualidade, capacidade técnica e visão de longo prazo.

Também vemos espaço de crescimento em empresas que começam a investir mais em eficiência operacional e modernização dos seus processos internos.

O sector tecnológico vive uma pressão constante entre inovação, escalabilidade e sustentabilidade financeira. Como é que a Rovuma Tech equilibra crescimento do negócio com capacidade de execução e qualidade de entrega?

Para nós, crescimento só faz sentido quando vem acompanhado de capacidade real de entrega.

A Rovuma Tech procura crescer de forma estruturada, mantendo foco na qualidade, confiabilidade e relacionamento de longo prazo com os clientes.

Temos muito cuidado em garantir que cada projecto seja executado com responsabilidade técnica e acompanhamento adequado.

Ao mesmo tempo, continuamos a investir em parcerias internacionais, melhoria de processos internos e desenvolvimento da nossa equipa, porque acreditamos que sustentabilidade empresarial também depende da capacidade de adaptação e evolução contínua.

III.  VISÃO & FUTURO

Quais são as duas ou três apostas estratégicas da Rovuma Tech para os próximos dois/três anos, e o que precisa de acontecer no mercado moçambicano para que façam sentido?

Uma das nossas principais apostas é continuar a expandir soluções ligadas à modernização e automação industrial.

Acreditamos que haverá cada vez mais procura por sistemas que aumentem eficiência operacional, reduzam processos manuais e melhorem a gestão de manutenção e desempenho dos equipamentos.

Outra aposta importante é o fortalecimento das nossas parcerias com fabricantes e marcas internacionais, permitindo trazer tecnologias e soluções mais avançadas para o mercado moçambicano. Um exemplo disso é a nossa colaboração e representação de marcas reconhecidas internacionalmente, como a VALMET SA e a VOGELSANG, reforçando o nosso compromisso em disponibilizar soluções industriais modernas, eficientes e alinhadas com os padrões globais.

Também queremos continuar a consolidar a Rovuma Tech como um parceiro estratégico nas áreas de procurement técnico, supply chain e soluções industriais integradas.

Para que isso aconteça de forma sustentável, será importante continuar a desenvolver infraestruturas, qualificação técnica e investimento industrial no país.

Muitas empresas tecnológicas crescem rapidamente, mas enfrentam dificuldades de consolidação. Quais são os maiores riscos de sustentabilidade para negócios digitais em Moçambique actualmente?

Um dos maiores desafios continua a ser a capacidade de acompanhar a velocidade da evolução tecnológica sem perder capacidade operacional e qualidade de entrega.

Muitas empresas conseguem crescer rapidamente, mas têm dificuldade em consolidar processos, estrutura técnica e sustentabilidade financeira.

Outro ponto importante é a necessidade de maior investimento em formação especializada e desenvolvimento de competências técnicas, principalmente em áreas industriais e tecnológicas.

Também acreditamos que o ambiente empresarial ainda precisa evoluir em aspectos como financiamento, infraestruturas e acesso a tecnologias mais avançadas.

Apesar dos desafios, vemos um mercado com enorme potencial de crescimento, especialmente para empresas que consigam combinar inovação, execução e visão estratégica de longo prazo.

Millennium bim aumenta depósitos em 10,4% e crédito em 11,8% no primeiro semestre de 2026

O Millennium bim registou um crescimento significativo da sua actividade no primeiro semestre de 2026, com os fundos de clientes a aumentarem 10,4%, para 180,6 mil milhões de meticais, enquanto o crédito concedido a clientes cresceu 11,8%, para 53,6 mil milhões de meticais, reforçando a posição do banco no sistema financeiro moçambicano.

O crescimento dos depósitos foi impulsionado sobretudo pelos depósitos à ordem, que aumentaram 15,3% em termos homólogos. No mesmo período, o banco ultrapassou os 2,3 milhões de clientes, dos quais mais de 74% dos clientes activos utilizam regularmente os seus canais digitais, com destaque para a aplicação Smart IZI.

Receitas bancárias crescem 4,6%

A expansão da actividade comercial também se reflectiu nas receitas. O produto bancário aumentou 4,6%, para 10 mil milhões de meticais, enquanto o produto bancário líquido de juros cresceu 5,8%. As receitas provenientes de comissões e outros serviços aumentaram 5,4% no período.

Ao mesmo tempo, os custos operacionais diminuíram 2,3%, reflectindo, segundo o banco, medidas de eficiência. Esta evolução foi parcialmente contrariada pelo aumento de 13,4% nos custos com pessoal, associado ao crescimento dos salários e benefícios dos trabalhadores.

Lucro pressionado por imparidades

Apesar do crescimento da actividade, o resultado líquido do Millennium bim fixou-se em 1,048 mil milhões de meticais, abaixo do registado no primeiro semestre de 2025.

O banco atribui a redução principalmente ao aumento das imparidades e das provisões adicionais relacionadas com a descida do rating soberano de Moçambique. Excluindo este impacto extraordinário, o Millennium bim estima que o lucro teria crescido 21,6% face ao mesmo período do ano anterior.

No que diz respeito à qualidade da carteira de crédito, o rácio de crédito malparado com mais de 90 dias situou-se em 2,6%, enquanto o nível de cobertura por imparidades atingiu 157%, evidenciando uma posição prudente na gestão do risco de crédito.

Activos crescem 9,2%

Os activos líquidos do banco aumentaram 9,2%, para 226,1 mil milhões de meticais, enquanto os capitais próprios atingiram 36,1 mil milhões de meticais. O rácio de crédito líquido sobre depósitos situou-se em 27,5%.

A solidez financeira manteve-se igualmente elevada. O rácio de solvabilidade atingiu 40,8%, mais de três vezes acima do mínimo regulamentar de 12%, conferindo ao banco uma margem significativa para continuar a financiar famílias e empresas.

Digitalização ganha peso

A expansão dos canais digitais continua a ser uma das principais apostas estratégicas do Millennium bim. Mais de três quartos dos clientes activos utilizam regularmente os canais digitais, enquanto o banco destaca a possibilidade de abertura integralmente digital de contas para clientes particulares como uma das inovações introduzidas no mercado moçambicano.

O desempenho do primeiro semestre ocorre num contexto macroeconómico ainda desafiante, mas o banco considera que o crescimento dos depósitos, do crédito e da utilização dos canais digitais demonstra a confiança dos clientes e a capacidade de expansão da actividade.

O Millennium bim mantém, assim, uma estratégia assente no crescimento sustentável, transformação digital, proximidade aos clientes e gestão prudente do risco, procurando reforçar o seu papel no financiamento da economia moçambicana.

Fonte: 360 Mozambique