O capital tanzaniano volta a olhar para Moçambique com uma aposta de grande dimensão. O Mohammed Enterprises Tanzania Limited (MeTL Group), um dos maiores conglomerados empresariais da África Oriental, planeia investir US$ 250 milhões em Moçambique, com uma previsão de criação de cerca de 20 mil postos de trabalho. A informação foi avançada pelo Club of Mozambique.
A aposta surge num momento em que o grupo procura ampliar a sua presença na região e reforçar actividades ligadas à indústria, processamento, agricultura, energia, logística e comércio. A MeTL já possui operações em Moçambique e integra uma rede empresarial que se estende por vários mercados africanos.
Uma aposta na produção e no valor acrescentado
Mais do que uma expansão comercial, a estratégia da MeTL tem sido marcada pela aposta na produção local e no processamento de matérias-primas. O grupo actua em sectores como agricultura e agro-processamento, manufactura, energia e petróleo, transporte e logística, serviços financeiros e imobiliário. De acordo com o perfil corporativo da empresa, a MeTL emprega actualmente mais de 37 mil pessoas.
A estratégia de expansão para Moçambique não é, contudo, inteiramente nova. Em 2015, o grupo já tinha anunciado planos para expandir a sua presença em países como Moçambique, Zâmbia, Ruanda, Burundi, Madagáscar e Etiópia, com uma componente importante dos investimentos direccionada para a manufactura.
A nova intenção de investimento ganha, por isso, relevância não apenas pelo valor anunciado, mas também pelo potencial de aprofundar a presença de um grande grupo industrial regional na economia moçambicana.
Emprego no centro da aposta
A previsão de 20 mil empregos coloca a dimensão laboral entre os principais impactos esperados do projecto. A criação de postos de trabalho em escala significativa poderá ter efeitos sobre cadeias de fornecimento, serviços, transporte, logística e desenvolvimento de competências locais.
A experiência da MeTL demonstra que o grupo procura construir operações integradas, combinando produção, distribuição e logística. A empresa afirma actualmente empregar cerca de 37 mil pessoas e operar em vários sectores da economia africana.
Para Moçambique, uma expansão desta dimensão poderá representar também oportunidades para fornecedores nacionais e empresas que integrem as cadeias de valor dos projectos que venham a ser desenvolvidos.
MeTL reforça estratégia industrial em África
A aposta em Moçambique deve ser lida dentro de uma estratégia mais ampla de crescimento do conglomerado liderado por Mohammed Dewji. A MeTL nasceu como uma empresa comercial na Tanzânia, mas transformou-se num grupo diversificado com presença em manufactura, agricultura, energia, logística, serviços financeiros e outros sectores.
Mais recentemente, Dewji tem sinalizado uma nova fase de expansão, com maior atenção à transformação local de recursos africanos. Entre os projectos anunciados está uma unidade de processamento de grafite, numa estratégia que procura passar da simples extracção de matérias-primas para a produção de materiais de maior valor acrescentado.
Esta orientação poderá ser particularmente relevante para Moçambique, considerando a disponibilidade de recursos naturais e o crescente interesse em desenvolver capacidade industrial e cadeias de valor dentro do país.
O que o investimento pode significar para Moçambique
Se concretizado nos termos anunciados, o investimento de US$ 250 milhões poderá representar uma das apostas empresariais de maior dimensão de um grupo da África Oriental no mercado moçambicano, sobretudo pelo potencial de geração de emprego e de desenvolvimento de actividades produtivas.
O impacto final, contudo, dependerá da natureza dos projectos, da sua localização, do calendário de implementação e do nível de integração com empresas e fornecedores nacionais.
Para Moçambique, a questão central não será apenas quanto capital estrangeiro entra no país, mas quanto valor económico permanece no país depois de o investimento ser realizado — através de emprego, fornecedores locais, transferência de conhecimento, processamento interno e criação de novas cadeias produtivas.
A aposta da MeTL coloca, assim, uma questão maior sobre o próximo ciclo de investimento em Moçambique: será possível transformar capital estrangeiro em capacidade industrial duradoura e em mais participação das empresas moçambicanas nas cadeias de valor?



