Tuesday, May 26, 2026
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Fidelidade Ímpar Moçambique distingue projectos com impacto social na 1.ª edição do Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade

A Fidelidade Ímpar Moçambique distinguiu hoje os vencedores da 1.ª edição do Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade, numa cerimónia realizada em Maputo que reuniu organizações da sociedade civil, parceiros e órgãos de comunicação social.

O Prémio nasceu com um propósito claro: reconhecer e apoiar projectos com impacto real nas comunidades moçambicanas. Nesta edição, foram distinguidas iniciativas nas áreas de Inclusão Social de Pessoas com Deficiência ou Incapacidade e de Prevenção em Saúde, com um apoio total de 1.500.000 Mzn – 750.000 meticais por organização vencedora.

A resposta superou as expectativas: foram recebidas um total de mais de 216 candidaturas nesta primeira edição. Um número que reflecte a relevância e o potencial das organizações moçambicanas.

As propostas foram avaliadas por um júri independente, composto por personalidades com um papel social reconhecido: Jorge Ferrão, Terezinha da Silva, Mércia Viriato, Stewart Sukuma e Vitor Bandeira – PCE da Fidelidade Ímpar Moçambique. A selecção teve por base a qualidade técnica, o impacto na comunidade e a sustentabilidade de cada projecto.

Projectos vencedores

Inclusão Social de Pessoas com Deficiência ou Incapacidade Projecto: NutiFamily+ (Programa Comunitário de Nutrição, Inclusão Produtiva e Resiliência Alimentar) Organização: Associação Nutrição em Desenvolvimento (ANDMoz).

Prevenção em Saúde Projecto: Empoderamento das Raparigas em Situação de Vulnerabilidade por meio da Promoção e Acesso à Higiene e Saúde Menstrual Organização: Associação Missão Moçambique (MiMo) em parceria com a Be Girl.

Para Vitor Bandeira, PCE da Fidelidade Ímpar Moçambique, “O Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade é a forma como tornamos concreto o nosso compromisso com Moçambique. Apoiar projectos que promovem a inclusão e a saúde não é apenas uma escolha é uma responsabilidade. Cada iniciativa que distinguimos é uma comunidade que avança. E isso move-nos.”

A 1.ª edição mostra o impacto que as organizações da sociedade civil conseguem ter em Moçambique. E abre caminho para as próximas.

Porque na Fidelidade Ímpar, o compromisso traduz-se sempre em passos reais.

Preços disparam para 0,22%

De acordo com o INE, os preços em Moçambique aumentaram 0,22% em março, um terço do crescimento registado em fevereiro, recuperando após as dificuldades logísticas provocadas pelas cheias no país, novamente influenciado pelo sector da alimentação e bebidas não alcoólicas, ao contribuir no total da variação mensal com 0,11 pontos percentuais positivos (0,37 em fevereiro.

No relatório destaca-se a variação mensal por produto, nomeadamente o aumento dos preços em março do tomate (5%), de refeições completas em restaurantes (0,7%), de veículos automóveis ligeiros novos (6,4%), do carvão vegetal (2,2%), da cebola (4,1%), da couve (2,2%) e de motorizadas (1,8%).

“Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,22 pontos percentuais positivos”, refere o IPC. De meados de janeiro até ao início de fevereiro, a circulação nas estradas Nacional 1 e 2, de Maputo para norte e sul, respetivamente, esteve totalmente cortada, devido às cheias, que afetaram cerca de 725 mil pessoas, comprometendo as cadeias de abastecimento e fazendo disparar os preços. O IPC de março refere que a inflação acumulada de três meses de 2026 cifra-se nos 2,16%, enquanto a variação homóloga está nos 3,37%.

Moçambique e Banco Mundial selam nova parceria estratégica avaliada em seis mil milhões de dólares

Ministra das Finanças, Carla Loveira, reuniu-se em Washington com representantes da instituição para formalizar o novo Country Partnership Framework, que consolida uma visão conjunta para o crescimento sustentável do país

A Ministra das Finanças de Moçambique, Carla Loveira, deslocou-se a Washington DC, onde se reuniu, no dia 13 de Abril de 2026, com representantes do Banco Mundial para avançar no processo de formalização do novo quadro estratégico de cooperação bilateral o Country Partnership Framework (CPF), que irá orientar a relação entre Moçambique e a instituição financeira multilateral ao longo dos próximos cinco anos, num envelope financeiro global de seis mil milhões de dólares.

O novo CPF resulta de um processo alargado e participativo de consultas que envolveu o Governo moçambicano, o sector privado, a sociedade civil e os principais parceiros de desenvolvimento do país. O documento consolida uma visão conjunta para o crescimento sustentável de Moçambique, definindo as prioridades de intervenção que nortearão o apoio do Banco Mundial ao desenvolvimento nacional no período em apreço.

À margem dos encontros institucionais, a Ministra Carla Loveira manteve igualmente uma reunião bilateral com o Director Executivo da Constituência da África Austral no Banco Mundial, Adriano Ubisse. O encontro centrou-se na análise da situação macrofiscal do país e no desempenho económico recente de Moçambique, num momento em que o país procura estabilizar as suas contas públicas e recuperar a confiança dos investidores e parceiros internacionais após um período marcado por sucessivos choques externos e pela crise política pós-eleitoral.

A nova parceria estratégica com o Banco Mundial representa um dos mais significativos pacotes de apoio ao desenvolvimento que Moçambique recebe nos últimos anos, e surge num momento em que o país enfrenta o desafio de conciliar a consolidação da estabilidade macroeconómica com as necessidades prementes de investimento em infra-estruturas, capital humano e resiliência climática pilares que, segundo fontes governamentais, deverão estar no centro do novo CPF.

Yango Moçambique reforça diálogo sobre o futuro da mobilidade urbana no EU–Mozambique Digital Open Day

A Yango Moçambique, parte da empresa global de tecnologia Yango Group, participou no EU–Mozambique Digital Open Day, em Bruxelas, envolvendo-se com stakeholders dos sectores público e privado sobre o futuro dos serviços de mobilidade urbana no país.

As discussões centraram-se no papel crescente das soluções de mobilidade digital no reforço da acessibilidade urbana, da participação económica e no desenvolvimento de ecossistemas de transporte mais eficientes em cidades africanas em rápida expansão.

Moçambique, e em particular Maputo, apresenta um forte potencial de crescimento para os serviços de táxi por aplicativo, impulsionado pela crescente urbanização, pela evolução das necessidades de mobilidade e pela expansão da economia digital. À medida que as cidades continuam a crescer, o papel da tecnologia na melhoria do acesso ao transporte e na criação de oportunidades económicas flexíveis torna-se cada vez mais relevante.

Durante o fórum, a Yango Moçambique contribuiu para discussões de alto nível sobre como a colaboração entre os sectores público e privado pode apoiar o desenvolvimento de modelos de mobilidade estruturados, transparentes e sustentáveis. O diálogo destacou a importância de ambientes regulatórios que promovam a inovação, garantindo simultaneamente elevados padrões de segurança, fiabilidade e responsabilização em todo o sector.

A Yango reiterou o seu compromisso em trabalhar de forma construtiva com autoridades governamentais, reguladores e parceiros do ecossistema para apoiar o desenvolvimento a longo prazo dos serviços de mobilidade em Moçambique. A empresa destacou que a construção de sistemas de mobilidade urbana eficazes exige diálogo contínuo, responsabilidade compartilhada e alinhamento entre as diferentes partes interessadas.

“Vemos um potencial significativo no sector da mobilidade urbana em Moçambique, particularmente à medida que as cidades continuam a expandir-se e as necessidades de mobilidade evoluem,” afirmou Américo Muchanga, Ministro das Comunicações e Transformação Digital

“As plataformas digitais podem desempenhar um papel importante na melhoria do acesso ao transporte, ao mesmo tempo que criam oportunidades económicas flexíveis. No entanto, alcançar este objectivo exige uma colaboração próxima entre os sectores público e privado, garantindo que a inovação evolua em paralelo com quadros regulatórios sólidos.”

A participação em Bruxelas reforçou ainda o papel da Yango Moçambique como um interveniente comprometido no ecossistema de mobilidade, contribuindo para as discussões que moldam o futuro dos serviços de transporte digital no país.

Como parte da sua abordagem de longo prazo, a Yango continua a apoiar o desenvolvimento de soluções de mobilidade acessíveis, fiáveis e adaptadas ao contexto local, respondendo às necessidades das populações urbanas e contribuindo para cidades mais conectadas e inclusivas.

Sobre o Yango Group

O Yango Group é uma empresa tecnológica que transforma tecnologias globais em serviços do dia-a-dia adaptados às comunidades locais. Com um compromisso contínuo com a inovação, a empresa adapta e integra tecnologias de ponta de diferentes partes do mundo em serviços práticos e acessíveis, ajustados às necessidades de cada região.

CTA Lança Observatório Doing Business (DBO) na Primeira Mesa-Redonda de Conteúdo Local

A Confederação das Associações Económicas (CTA), através do seu Bureau de Conteúdo Local (BCL), lançou oficialmente o Observatório Doing Business (DBO) durante a Primeira Mesa-Redonda: Encontro com Stakeholders de Conteúdo Local, realizada em Maputo.

Posicionado como uma voz estruturada do sector privado, o DBO é um serviço de envolvimento de stakeholders e recolha de evidências, concebido para capturar e organizar experiências empresariais. O lançamento teve lugar durante um evento que reuniu stakeholders-chave do sector do petróleo e gás, incluindo operadores, parceiros institucionais e representantes do governo, reforçando o compromisso da CTA em melhorar o ambiente de negócios através de um envolvimento estruturado e baseado em evidências do sector privado.

Reforçar o Conteúdo Local através de Perspectivas Práticas e Envolvimento Baseado em Evidências

O lançamento do DBO reflete o esforço mais amplo da CTA para fortalecer o conteúdo local, assegurando que as experiências empresariais sejam sistematicamente capturadas e transformadas em insights accionáveis.

Desenvolvido pelo Bureau de Conteúdo Local da CTA, em parceria com a Câmara de Comércio Suíço-Moçambicana, o DBO fornece um canal estruturado para empresas e investidores partilharem feedback sobre as suas interacções com instituições públicas, incluindo ministérios, reguladores e municípios.

Em vez de implementar reformas ou emitir recomendações políticas, o DBO concentra-se em organizar o feedback em evidências credíveis, identificar padrões recorrentes e produzir relatórios regulares para apoiar o envolvimento da CTA com as autoridades relevantes.

Ao consolidar experiências individuais em evidências sectoriais, o DBO permite um diálogo mais informado entre o sector privado e o governo, contribuindo para maior eficiência, previsibilidade e transparência no ambiente de negócios.

Como Participar

Empresas e stakeholders são convidados a contribuir partilhando as suas experiências, insights e recomendações. Feedback claro, factual e prático, seja para destacar desafios ou boas práticas, terá um papel fundamental na construção de um ambiente de negócios mais eficiente e responsivo em Moçambique.

As submissões podem ser enviadas por email para: dbo@bcl.cta.org.mz 

Sobre o Bureau de Conteúdo Local

O Bureau de Conteúdo Local é uma divisão especializada da Confederação das Associações Económicas (CTA), dedicada a promover a participação moçambicana no crescimento económico do país. Serve como o escritório operacional do mandato de Conteúdo Local da CTA, garantindo que empresas nacionais, trabalhadores e comunidades beneficiem directamente do desenvolvimento industrial e dos recursos naturais.

Trabalhando em sectores-chave como energia, mineração, manufactura e infra-estruturas, o Bureau apoia a criação de emprego, o desenvolvimento empresarial e a integração de fornecedores. As suas iniciativas ligam empresas nacionais a investimentos de grande escala, promovem o acesso a financiamento e fortalecem a colaboração entre governo, indústria e comunidades locais.

INP reforça capacidade regulatória com apoio da Noruega numa nova fase de cooperação no sector de gás e petróleo

Programa Energy for Development substitui modelo anterior centrado no petróleo e incorpora sustentabilidade, descarbonização e governação como pilares da supervisão do segmento “upstream”

O Instituto Nacional de Petróleo (INP) está a reforçar a sua capacidade técnica para a supervisão do segmento upstream da indústria petrolífera moçambicana, num movimento que reflecte a crescente complexidade do sector extractivo nacional e a necessidade de alinhamento com padrões internacionais cada vez mais exigentes.

A iniciativa enquadra-se num novo ciclo de cooperação com a Norwegian Offshore Directorate (NOD), no âmbito do programa Energy for Development (EfD), lançado em 2023. O novo programa sucede ao modelo anterior de cooperação, designado Oil for Development (OfD), e traduz uma adaptação ao contexto global actual, marcado por exigências crescentes em matéria de sustentabilidade, descarbonização e integração progressiva das energias renováveis na matriz energética mundial.

Uma Mudança de Paradigma na Cooperação Bilateral

A transição do Oil for Development para o Energy for Development não é meramente nominal. Representa uma reconfiguração substantiva da abordagem bilateral, que passa a incorporar dimensões anteriormente periféricas na cooperação sectorial, como a gestão ambiental, a redução de emissões com destaque particular para o metano e o reforço da segurança operacional. Estes elementos assumem crescente centralidade no sector energético global e tornam-se incontornáveis para qualquer país produtor que ambicione atrair investimento responsável e manter credibilidade junto dos mercados internacionais de capitais.

A cooperação entre Moçambique e a Noruega no domínio do sector extractivo estende-se por mais de cinco décadas, um historial que confere robustez e maturidade à actual iniciativa. Ao longo deste período, a parceria tem desempenhado um papel determinante no fortalecimento institucional do INP e na promoção de boas práticas de governação ao longo de toda a cadeia de valor do sector. O novo ciclo beneficia, assim, de uma base de confiança e de transferência de conhecimento consolidada, permitindo ir além da assistência técnica pontual para internalizar modelos regulatórios considerados de referência a nível internacional.

Reforço Técnico em Áreas Críticas de Supervisão

No plano operacional, o INP deverá beneficiar de assistência técnica especializada em domínios considerados críticos para o exercício eficaz da função regulatória. Entre as áreas prioritárias figuram o desenvolvimento e aperfeiçoamento de instrumentos regulatórios, a implementação de mecanismos de monitoria, reporte e verificação, e a consolidação de práticas de fiscalização orientadas para o desempenho instrumentos que permitem avaliar não apenas a conformidade formal dos operadores, mas o impacto efectivo das suas operações.

Este reforço ocorre num momento de particular relevância para o sector moçambicano de petróleo e gás, impulsionado pela crescente dinâmica dos grandes projectos de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. A capacidade de supervisão eficaz do upstream assume, neste contexto, uma dimensão estratégica que transcende a mera conformidade regulatória trata-se de maximizar o valor económico dos recursos naturais e garantir que a sua exploração se traduza em benefícios sustentáveis e duradouros para a economia nacional.

Regulação ao Serviço da Transição Energética

O novo enquadramento de cooperação introduz também uma leitura mais ampla do papel do INP no ecossistema energético nacional. O instituto é chamado a posicionar-se não apenas como guardião da conformidade regulatória no sector extractivo tradicional, mas como actor central na gestão da transição para modelos energéticos mais sustentáveis e resilientes.

Neste sentido, o reforço institucional do INP pode ser interpretado como um passo estruturante na consolidação de uma arquitectura regulatória capaz de responder simultaneamente às exigências do presente produção, investimento e geração de receitas fiscais e aos desafios do futuro, marcados pela pressão crescente da transição energética global e pela exigência de maior responsabilidade ambiental e social por parte da indústria extractiva.

Para Moçambique, país que aspira a transformar os seus recursos naturais em desenvolvimento económico inclusivo e de longo prazo, a qualidade da regulação do sector upstream não é um factor secundário. É, cada vez mais, uma condição determinante para atrair investimento de qualidade, preservar a confiança dos parceiros internacionais e assegurar que a riqueza do subsolo se converta em prosperidade para os moçambicanos.

Governo lança concurso internacional para concessão do Porto de Nacala

Projecto abrange terminais de contentores e carga geral e visa posicionar Moçambique como plataforma logística de referência na África Austral

O Governo moçambicano deu início a um novo ciclo de transformação do sector logístico nacional com o lançamento de um concurso público internacional para a concessão dos terminais de contentores e carga geral do Porto de Nacala. A iniciativa, enquadrada no Plano Integrado de Expansão e Desenvolvimento do Porto de Nacala, representa um passo estratégico na afirmação do país como corredor logístico privilegiado da região, capitalizando a posição geográfica privilegiada daquela infra-estrutura portuária no contexto da África Oriental e Austral.

O modelo de concessão adoptado, do tipo Reabilitar-Operar-Transferir (ROT), prevê a participação do sector privado na operação, gestão, manutenção e investimento nos terminais em regime de longo prazo, preservando simultaneamente o papel estratégico do Estado na supervisão e regulação da infra-estrutura. O Governo pretende, com este mecanismo, mobilizar capital privado internacional e assegurar a transferência de conhecimento técnico especializado para a gestão de grandes terminais portuários.

Vantagens Competitivas de Nacala no Contexto Regional

O Porto de Nacala reúne condições naturais que o distinguem de forma assinalável no contexto portuário da África Austral. Com profundidades naturais superiores a 14 metros e capacidade para acolher navios de grande porte, incluindo embarcações da classe Post-Panamax, a infra-estrutura dispensa operações extensivas de dragagem, o que representa uma redução significativa dos custos operacionais ao longo de toda a cadeia logística.

A esta vantagem acresce a ligação directa ao Corredor de Nacala, que serve os países do hinterland nomeadamente o Malawi e a Zâmbia e que constitui uma das rotas de escoamento mais relevantes para o comércio dos países sem litoral da África Central e Austral. A captação destes fluxos de comércio regional e internacional é, precisamente, um dos objectivos centrais da estratégia de desenvolvimento do porto.

Integração Multimodal e Reforço da Capacidade Logística

Para além da modernização dos terminais existentes, o projecto prevê a integração com os serviços ferroviários ao longo do Corredor de Nacala e o desenvolvimento de interfaces multimodais que assegurem maior eficiência na movimentação de carga entre os diferentes meios de transporte. O âmbito da concessão poderá ainda abranger investimentos complementares, como terminais secos, estaleiros flutuantes e infra-estruturas de apoio logístico e industrial, reforçando a capacidade do porto para responder à crescente procura regional.

A ambição declarada é clara: transformar o Porto de Nacala num hub logístico integrado, capaz de atrair volumes crescentes de comércio num contexto em que a competitividade das cadeias de abastecimento depende cada vez mais da eficiência das infra-estruturas portuárias e da sua articulação com os corredores de transporte terrestres e ferroviários.

Selecção do Concessionário em Duas Fases

O processo de selecção do futuro concessionário decorrerá em duas fases distintas. A primeira consiste numa pré-qualificação dos candidatos, assente na avaliação da experiência técnica, da capacidade financeira e do historial em projectos de natureza similar. A segunda fase centra-se na apreciação das propostas técnicas e financeiras, incluindo os planos de investimento, os modelos operacionais e os indicadores de desempenho comprometidos pelos candidatos.

Esta estrutura processual reflecte a intenção do Governo de atrair operadores internacionais com experiência comprovada e reconhecida na gestão de grandes terminais portuários, assegurando simultaneamente padrões elevados de governação, eficiência operacional e sustentabilidade financeira do projecto.

O Desafio da Execução

O lançamento deste concurso ocorre num momento em que Moçambique procura consolidar o seu posicionamento como corredor logístico de referência na região, tirando partido de uma costa extensa e da crescente importância dos fluxos comerciais intra-africanos impulsionados pela implementação da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).

O principal desafio residirá, contudo, na capacidade de traduzir este potencial em execução efectiva. Garantir que os investimentos previstos se materializem em ganhos concretos de eficiência, em reduções mensuráveis dos custos logísticos e em maior competitividade da economia nacional será o verdadeiro teste à ambição estratégica que subjaz a esta iniciativa.

Projecto Mphanda Nkuwa impulsiona estratégia de conteúdo local

Sector privado moçambicano mobiliza-se para capturar valor económico ao longo de toda a cadeia do megaprojecto hidroeléctrico de 1.500 megawatts, previsto para entrar em operação por volta de 2031

O sector privado moçambicano está a posicionar-se para capturar valor económico substancial no âmbito do projecto Mphanda Nkuwa, na sequência de um acordo de parceria estratégica celebrado entre a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e o gabinete de implementação do projecto. O empreendimento hidroeléctrico de 1.500 megawatts, cuja entrada em operação está prevista para cerca de 2031, representa um dos mais significativos investimentos em infra-estruturas da África Austral e as empresas moçambicanas estão agora a ser mobilizadas para competir ao longo de toda a sua cadeia de valor.

O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, realizou uma visita de trabalho ao Gabinete do Projecto Mphanda Nkuwa (GMNK) com o objectivo de estabelecer mecanismos formais de cooperação e identificar as áreas de intervenção para as empresas nacionais. A parceria assenta num princípio estratégico central: a preparação tem de começar agora, e não quando as obras se iniciarem. O Director-Geral do GMNK, Carlos Yum, sublinhou este posicionamento estratégico, afirmando que a mobilização antecipada garante que as empresas moçambicanas estarão em condições de aproveitar as oportunidades de negócio à medida que estas forem surgindo.

Estruturação do Conteúdo Local da Construção à Exploração

A parceria visa assegurar a participação nacional ao longo de todo o ciclo de vida do projecto da construção e logística ao fornecimento de equipamentos e à gestão operacional. Ambas as partes reconheceram que uma participação efectiva em conteúdo local exige mais do que acesso ao mercado: implica mecanismos de contratação estruturados e capacidade competitiva real por parte das empresas moçambicanas.

Massingue destacou a importância da transferência de tecnologia e do desenvolvimento de capacidades internas para gerar emprego qualificado e sustentável. A CTA compromete-se a organizar sessões de mobilização junto da comunidade empresarial mais alargada e a promover a visibilidade do avanço do projecto, com o intuito de acelerar a formação de consórcios e o estabelecimento de parcerias de investimento entre empresas nacionais e os intervenientes internacionais do projecto.

Um Potencial Transformador que Transcende a Energia

O projecto Mphanda Nkuwa vai muito além da geração de electricidade. Ambas as partes reconheceram o seu impacto transformador sobre a agricultura, o turismo e a criação de emprego, ao mesmo tempo que reforçará a espinha dorsal da rede nacional de transmissão eléctrica e promoverá a interligação dos sistemas energéticos do centro e do sul do país. O projecto fornecerá electricidade a tarifas competitivas, consolidando assim a segurança energética regional.

A parceria reforça igualmente o posicionamento institucional do GMNK enquanto gabinete de projecto transparente e inclusivo, comprometido com o desenvolvimento económico nacional. Ao estruturar antecipadamente os requisitos de conteúdo local, Moçambique procura evitar lacunas de capacidade que, de outro modo, poderiam limitar a participação de empresas nacionais em contratos de elevado valor acrescentado.

Para os investidores institucionais e os profissionais de finanças para o desenvolvimento, esta articulação antecipada entre a gestão pública do projecto e as confederações do sector privado é um sinal de maturidade na governação de infra-estruturas em Moçambique. O envolvimento precoce de ambas as partes reduz o risco de implementação e aumenta a probabilidade de que os benefícios económicos locais sejam sustentáveis ao longo de toda a vida útil do projecto.

DHL avança para a aquisição de três empresas Sul-Africanas de logística

Comissão de Concorrência da África do Sul aprovou a operação, que aguarda apenas a homologação final do Tribunal da Concorrência; transacção insere-se numa aposta de longo prazo da gigante alemã no mercado africano

A multinacional alemã de logística DHL está a dar passos concretos para reforçar significativamente a sua presença na África do Sul, com um conjunto de aquisições a aproximar-se da fase de aprovação definitiva.

A Comissão de Concorrência da África do Sul autorizou a aquisição, pela DHL, de três empresas pertencentes ao Grupo Vital, a Vital Distribution, a Vital Fleet e a Staffing Logistics. O negócio aguarda ainda a homologação final do Tribunal da Concorrência para poder ser plenamente concretizado, mas a decisão favorável da Comissão representa a superação do principal obstáculo regulatório.

De acordo com a entidade reguladora, a operação não deverá perturbar a dinâmica competitiva do mercado logístico sul-africano, nem suscita preocupações de interesse público avaliação que abre caminho à conclusão do processo.

As três empresas em causa têm perfis complementares e distintos. A Vital Distribution opera nas áreas de transporte, armazenagem e distribuição, servindo sectores como o retalho e a indústria transformadora. A Vital Fleet gere uma frota diversificada, que vai desde veículos ligeiros de entrega até pesados de longa distância. Já a Staffing Logistics assegura soluções de recursos humanos com implantação nacional de largo espectro.

Para a DHL, esta operação transcende a mera adição de frotas e armazéns, trata-se de aprofundar o controlo sobre toda a cadeia logística, desde a força de trabalho até aos meios de transporte, consolidando uma oferta integrada e de maior valor acrescentado para os seus clientes no mercado sul-africano.

A aquisição das três empresas do Grupo Vital insere-se numa estratégia mais ampla de expansão da DHL em África. A multinacional havia anunciado anteriormente um investimento de vários mil milhões de randes nas suas operações africanas, confirmando a confiança de longo prazo da empresa na região. Os responsáveis da DHL têm apontado o crescimento sustentado do comércio na África Subsariana e a procura crescente de serviços logísticos mais fiáveis e eficientes como os principais vectores que justificam este posicionamento.

Para os operadores locais, em particular as empresas de menor dimensão, a consolidação de um actor global com recursos financeiros substanciais e sistemas integrados representa um desafio competitivo acrescido. Ao mesmo tempo, a aposta da DHL sublinha o que muitos no sector já reconhecem, o mercado logístico africano está em rápido crescimento, e os grandes operadores internacionais estão a posicionar-se antecipadamente para capturar esse potencial.

TOTALENERGIES e MASDAR criam gigante das energias renováveis na ÁSIA em parceria avaliada em 2,2 mil milhões de dólares

Empresa francesa presente em Moçambique e grupo emiratista consolidam activos solares, eólicos e de armazenamento em nove países asiáticos, com capacidade operacional inicial de três gigawatts

A petrolífera francesa TotalEnergies e a empresa emiratista de energias renováveis Masdar assinaram um acordo para a criação de uma joint venture avaliada em 2,2 mil milhões de dólares, que consolida as actividades de energia renovável terrestre de ambas as companhias em nove países da Ásia. O anúncio, feito através de um comunicado conjunto, representa um dos maiores movimentos estratégicos no sector das renováveis na região neste ano.

A nova entidade combinará activos comparáveis das duas empresas, oferecendo, numa fase inicial, uma capacidade operacional de três gigawatts e seis gigawatts em fase avançada de desenvolvimento, com entrada em operação prevista antes de 2030.

De acordo com o comunicado conjunto, a joint venture será o veículo exclusivo de ambas as empresas para desenvolver, construir, deter e explorar projectos de energia solar, eólica e de armazenamento em baterias no Azerbaijão, na Indonésia, no Japão, no Cazaquistão, na Malásia, nas Filipinas, em Singapura, na Coreia do Sul e no Usbequistão.

A motivação estratégica da parceria foi exposta por Sultan Al Jaber, Ministro da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos e presidente da Masdar. Segundo Al Jaber, a Ásia será o principal motor do crescimento da procura global de electricidade durante esta década, e a colaboração com a TotalEnergies permitirá acelerar a presença de ambas as companhias no continente.

Do lado da TotalEnergies, o presidente executivo Patrick Pouyanné sublinhou que o acordo reúne dois grandes actores do sector das energias renováveis para criar um líder na Ásia, gerando mais valor do que se as empresas actuassem de forma isolada. A nova parceria contará com cerca de 200 colaboradores provenientes de ambas as empresas, sendo a equipa de gestão anunciada nas próximas semanas.

A concretização formal do acordo está ainda sujeita a aprovações regulatórias e ao cumprimento de determinadas condições, num processo que as duas partes prevêem concluir em tempo útil para responder à acelerada expansão da procura de electricidade na Ásia.

A TotalEnergies é uma das maiores empresas do sector energético com presença em Moçambique, onde detém participação no megaprojecto de gás natural liquefeito de Cabo Delgado cujas operações se encontram suspensas desde 2021 na sequência da insurreição armada na província e na distribuição de combustíveis e lubrificantes no mercado nacional.

A expansão da empresa no sector das renováveis em parceria com a Masdar insere-se numa reorientação estratégica global da companhia rumo à diversificação da sua carteira energética, num contexto de pressão crescente dos mercados e dos reguladores para a redução da dependência dos combustíveis fósseis.

Fonte: Plataforma Media