Wednesday, September 2, 2026
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Sector segurador cresce cerca de 8% em 2025 e atinge 24 mil milhões de Meticais

Dados oficiais indicam que o sector de seguros registou, em 2025, uma produção global de 24.6 mil milhões de Meticais, representando um crescimento de 7.6% (1.8 mil milhões de Meticais) em comparação com 2024. Segundo o Banco de Moçambique, este crescimento é reflexo, essencialmente, do incremento da produção do ramo vida.

No ano passado, a taxa de penetração do sector segurador atingiu aproximadamente 1,6%. No primeiro semestre de 2026, a produção de seguros ultrapassou 12,2 mil milhões de Meticais. Num mercado composto por 23 seguradoras, a empresa Hollard Seguros fechou 2025 como seguradora líder em Moçambique.

De origem sul-africana, a Hollard Seguros fechou o ano de 2025 como a empresa líder no mercado segurador em Moçambique (foi a que mais vendeu seguros), em detrimento da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), Fidelidade, Global Alliance, entre outras, num universo das referidas 23 seguradoras que operam em Moçambique.

Dados constantes do Relatório e Contas da EMOSE referente a 2025 indicam que, no quarto trimestre de 2025, a Hollard manteve a liderança, reforçando a sua posição ao aumentar a quota de 18,30% para 21,70%.

De acordo com a nossa fonte, a Fidelidade ocupou a segunda posição, registando uma quota de 15,10%, contudo, apresentou uma ligeira redução de 0,5 pontos percentuais (pp) face ao ano anterior. “A EMOSE passou a ocupar a terceira posição, ao registar 13,00%, aumentando a sua participação em 3,4 pp em relação ao ano anterior”, refere o Relatório da EMOSE.

Já a quarta posição foi ocupada pela Mediplus, subindo uma posição em relação ao ano anterior, enquanto a Global Alliance, que em 2024 detinha a terceira posição, desceu para o quinto lugar, registando uma quota de 7,70%, menos 6,7 pp e a Palma manteve a sua posição no ranking, 6ª posição.

Além de 23 seguradoras, actualmente, o sector integra também uma microsseguradora, uma resseguradora, oito entidades gestoras de fundos de pensões, 201 corretoras e 37 agentes, revelando uma estrutura de mercado bastante diversificada.

Fonte: Carta de Moçambique

Rovuma LNG avança com contrato de até 250 milhões de dólares para infra-estrutura de gasodutos

O projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil em Cabo Delgado, deu mais um passo na preparação da sua primeira fase com a adjudicação de um contrato para o fornecimento de cerca de 250 quilómetros de gasodutos, num negócio avaliado entre 200 milhões e 250 milhões de dólares.

O contrato foi atribuído à grega Corinth Pipeworks pelos parceiros da Área 4, tendo a ExxonMobil Moçambique como operadora delegada do Rovuma LNG. A encomenda contempla aproximadamente 120 mil toneladas de tubos de aço, com diâmetros entre 20 e 24 polegadas, destinados à rede de gasodutos offshore do projecto.

A empresa grega será responsável pela produção dos tubos nas suas instalações industriais em Thisvi, na Grécia. O fornecimento inclui ainda revestimentos anticorrosão e de betão necessários para proteger a infraestrutura em condições de operação em águas profundas.

Contratos aproximam Rovuma LNG da decisão de investimento

A adjudicação surge poucos dias depois de a ExxonMobil anunciar cerca de 1,1 mil milhões de dólares em contratos de pré-investimento associados à primeira fase do Rovuma LNG. O pacote inclui equipamentos e serviços considerados críticos para o desenvolvimento do projecto, entre sistemas submarinos de produção, válvulas de grande diâmetro, engenharia e infra-estrutura de gasodutos offshore.

O movimento reforça a percepção de que o projecto está a avançar para uma fase mais concreta de execução, depois de vários anos de suspensão. A ExxonMobil também seleccionou o consórcio SMDC, formado por Saipem, McDermott Energy Solutions, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para os trabalhos de engenharia, procurement e construção da componente onshore da primeira fase.

O Presidente da República, Daniel Chapo, indicou em Julho que esperava que a decisão final de investimento fosse tomada até Setembro, classificando o Rovuma LNG como o maior projecto privado de investimento no continente africano.

Um projecto de 20 mil milhões de dólares

O Rovuma LNG representa um investimento estimado em cerca de 20 mil milhões de dólares e prevê a construção de 12 módulos de liquefacção, com capacidade combinada para produzir aproximadamente 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano.

A primeira produção está actualmente projectada para 2031. O projecto é desenvolvido pelos parceiros da Área 4, incluindo a ExxonMobil, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), CNPC, Eni, KOGAS e XRG. A nova encomenda à Corinth Pipeworks acrescenta, assim, mais um contrato de grande dimensão à cadeia de fornecimento do Rovuma LNG e sinaliza a mobilização progressiva dos fornecedores internacionais para uma das maiores apostas de Moçambique na indústria do gás natural. A Reuters reportou que os contratos de pré-investimento anunciados pela ExxonMobil representam um dos sinais mais claros, até agora, do avanço do projecto.

China reforça posição na grafite moçambicana com aquisição de 70% dos activos da Triton

A chinesa NQM Gold, subsidiária do grupo mineiro Shandong Yulong Gold, concluiu a aquisição de uma participação de 70% nos activos de grafite da australiana Triton Minerals em Moçambique, numa operação avaliada em 9,6 milhões de euros. O negócio consolida a entrada da empresa chinesa como accionista maioritária de dois activos de grafite no norte do país, num momento de recuperação da produção nacional e de crescente procura global pelo mineral.

A transacção abrange 70% das empresas moçambicanas Kwe Kwe Graphite, Lda. e Grafex, Limitada, que detêm os activos da Triton no país, incluindo o projecto de Ancuabe, em Cabo Delgado. A Triton Minerals mantém os restantes 30% do capital.

O negócio resulta de um processo iniciado em Dezembro de 2024, quando a Shandong Yulong Gold acordou adquirir pelo menos 70% dos activos moçambicanos da Triton. A operação acabaria suspensa na sequência de um litígio contratual entre as partes, antes de ser retomada através de um novo acordo assinado a 18 de Agosto de 2026.

Com a conclusão da operação, a NQM Gold efectuou o pagamento final de 3,1 milhões de euros à Triton, encerrando simultaneamente o processo judicial existente entre as partes. O acordo inclui ainda um mecanismo de compensação fiscal relacionado com as empresas objecto da transacção.

China aumenta exposição a um mineral estratégico

A aquisição ocorre num contexto em que a grafite ganha importância estratégica para a indústria global, particularmente na produção de baterias para veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia. Para a China, maior actor mundial da cadeia de fornecimento de grafite, o controlo de activos de produção fora do seu mercado doméstico reforça a diversificação das fontes de matéria-prima.

Em Moçambique, a operação acrescenta capital chinês a um sector que procura recuperar depois de uma forte quebra na produção. Dados do Governo indicam que o país produziu 28.018 toneladas no primeiro trimestre de 2025, quase o dobro das 14.814 toneladas inicialmente previstas para todo o ano.

A produção nacional, que atingiu um máximo de 165.900 toneladas em 2022, caiu para 97.300 toneladas em 2023 e 34.900 toneladas em 2024. Em 2025, registou-se uma recuperação para 67.078 toneladas, apesar da suspensão temporária da mina de Balama, em Cabo Delgado, no período posterior às eleições.

Niassa amplia aposta chinesa

A operação da NQM Gold ocorre também numa fase de expansão do investimento chinês na cadeia de valor da grafite em Moçambique.

Em Janeiro deste ano, o Presidente Daniel Chapo inaugurou, em Niassa, uma unidade de processamento de grafite financiada por capital chinês e avaliada em cerca de 200 milhões de dólares. A instalação tem capacidade para produzir e processar até 200 mil toneladas de grafite por ano e poderá empregar mais de 2.000 trabalhadores quando atingir a capacidade plena.

A entrada da NQM Gold no capital dos activos da Triton acrescenta, assim, uma nova dimensão à presença chinesa no sector: além do investimento em processamento, passa a existir uma participação maioritária directa em activos de produção de grafite.

Para Moçambique, o negócio reforça o posicionamento da grafite como um dos minerais com potencial para atrair investimento estrangeiro e integrar o país nas cadeias internacionais associadas à transição energética. Ao mesmo tempo, a capacidade de transformar esse potencial em receitas de exportação, emprego e maior valor acrescentado dependerá da evolução da produção e do desenvolvimento da cadeia de processamento no país.

EMODRAGA aumenta lucros em 258% em 2025

A Empresa Moçambicana de Dragagens (EMODRAGA) registou um forte crescimento dos resultados em 2025, com o lucro líquido a aumentar 258%, para cerca de 2,6 milhões de dólares, contra aproximadamente 719 mil dólares no exercício anterior.

O desempenho foi determinado, sobretudo, pelo recebimento de uma indemnização de cerca de 3,1 milhões de dólares paga pelas seguradoras para cobrir os custos de reparação da draga Macúti, na sequência do acidente que deixou a embarcação inoperacional durante vários anos.

Apesar da melhoria expressiva dos resultados, as receitas operacionais da empresa recuaram 1,2%, para aproximadamente 18,6 milhões de dólares. A principal alteração verificou-se nos outros ganhos operacionais, que atingiram cerca de 3 milhões de dólares, depois de terem registado perdas líquidas de aproximadamente 11,4 mil dólares em 2024.

A indemnização está relacionada com o acidente ocorrido em 2016, quando a Macúti, então a maior draga da EMODRAGA, colidiu com um navio comercial de bandeira panamiana no canal de acesso ao Porto da Beira. A embarcação permaneceu cerca de sete anos em reparação na África do Sul e regressou à Beira em 2024.

Com a retoma das operações da Macúti, a EMODRAGA conseguiu também melhorar o seu desempenho operacional. O resultado operacional passou de cerca de 1,1 milhões de dólares em 2024 para 3,7 milhões de dólares em 2025, num ano em que a draga operou durante todo o exercício e retomou a actividade de manutenção do canal de acesso ao Porto da Beira.

A evolução, contudo, também teve impacto nos custos, nomeadamente no consumo de combustível, associado ao funcionamento integral da embarcação durante o ano.

Empresa estratégica para a actividade portuária

Criada em 1994, a EMODRAGA é uma empresa integralmente detida pelo Estado moçambicano e supervisionada pelo Ministério dos Transportes e Logística, sendo representada pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE).

A empresa tem como principal missão assegurar a navegabilidade dos canais de acesso aos portos nacionais. Entre as suas actividades estão a manutenção de canais de acesso, bacias de manobra, zonas de fundeadouro e áreas de acostagem, além de trabalhos de dragagem de construção e manutenção e obras hidráulicas.

No final de 2025, os activos tangíveis da EMODRAGA estavam avaliados em cerca de 56,4 milhões de dólares. A frota inclui dragas, embarcações de apoio, rebocadores, batelões e equipamentos de levantamento hidrográfico, tendo a Macúti e a Aruângua como principais activos operacionais.

Durante o exercício, a empresa procedeu ainda à reavaliação dos seus equipamentos produtivos, incluindo embarcações, activos de levantamento hidrográfico e imóveis. O processo resultou numa redução do valor contabilístico de alguns activos, reflectida nas reservas de reavaliação.

O resultado de 2025 coloca a recuperação operacional da Macúti como um dos principais factores por detrás da melhoria das contas da EMODRAGA, embora uma parcela significativa do crescimento do lucro tenha origem extraordinária, associada à indemnização do seguro.

Fonte: 360 Mozambique

Fórum de Desenvolvimento Empresarial e Pessoal – FORDEP | Edição Moçambique 2026

Date and time: September 17, 2026 (Thursday)

Location: Auditório do Edifício Sede do Conselho Municipal da Cidade da Matola – Av. das Indústrias – Matola, Mozambique

Description: International leadership and business transformation: Business and Personal Development Forum – Mozambique Edition 2026 (Fórum de Desenvolvimento Empresarial e Pessoal – FORDEP: Edição Moçambique 2026) in Matola!

Connecting business leaders across Mozambique, Angola, and Brazil! On Thursday, September 17, 2026, FORDEP, in partnership with ÉTIMO, presents the Business and Personal Development Forum – Mozambique Edition 2026 (Fórum de Desenvolvimento Empresarial e Pessoal – FORDEP: Edição Moçambique 2026) at the Municipal Council Auditorium in Matola.

Under the theme “Management, Innovation, and Human Development as Pillars for Sustainable Growth in Mozambique” (“Gestão, Inovação e Desenvolvimento Humano como Pilares para o Crescimento Sustentável em Moçambique”), this special summit gathers prominent speakers and specialists—including Danilo Satar Adam, Dário Abdula Camal, Eduardo Madope, Virgílio Sitóe, Juliana Ferreira, Kátia Massarongo-Nguelume, and Dama do Bling. The conference provides a high-impact space for strategic networking, leadership insights, and cross-border commercial connections.

WhatsApp Information: +258 87 697 9577

Social Media Channels: @Fordep | @Etimo (Facebook, TikTok, Instagram, YouTube)

Mozambique Transport and Logistics Investment Forum | 1st Edition

Date and time: 4–5 November, 2026

Location: Maputo, Mozambique

Description: Launching: TRANS-LOG MOZ 2026!

The premier platform for transport, logistics, ports, rail, trade facilitation and infrastructure investment in Mozambique is here. Join government leaders, investors, logistics operators, project developers and industry experts as we explore how Mozambique can strengthen its position as a regional trade gateway and transit hub. Under the theme: “From Coast to Corridors: Investing in Mozambique as a Regional Trade Gateway and Transit Hub”.
Be part of the conversations, partnerships and investments shaping the future of transport and logistics in Southern Africa.

Registration: www.translog-moz.com

Nedbank assinala 15 anos de actividade com robustez financeira e foco no financiamento da economia

O Nedbank Moçambique assinalou no dia 22 de Agosto, 15 anos de actividade no mercado nacional, entrando numa nova fase marcada por uma posição financeira robusta, maior aposta na transformação digital e o desafio de ampliar o financiamento à actividade produtiva. A instituição, que iniciou operações em 2011 como Banco Único, está actualmente presente em sete cidades através de 15 balcões.

A evolução do banco ocorre num contexto em que empresas e famílias moçambicanas continuam a enfrentar limitações no acesso ao financiamento. Para os próximos anos, a capacidade de transformar a solidez financeira acumulada em mais crédito para investimento, empresas e sectores produtivos poderá assumir um papel central na estratégia da instituição.

Capitalização acima dos mínimos regulamentares

Os indicadores financeiros referentes a Junho de 2026 mostram uma posição de capitalização confortável. O rácio de solvabilidade do Nedbank Moçambique situava-se em 30,83%, mais do dobro do mínimo regulamentar de 12%, enquanto o rácio de capital de nível principal atingia 31,28%. O rácio de alavancagem era de 17,91%.

Estes indicadores conferem ao banco uma margem relevante para absorver eventuais perdas e, simultaneamente, expandir os seus activos, incluindo a carteira de crédito, sem comprometer os requisitos prudenciais.

A robustez financeira é acompanhada por níveis positivos de rendibilidade. No final do primeiro semestre, a rendibilidade dos capitais próprios (ROE) situava-se em 15,52%, enquanto a rendibilidade dos activos (ROA) alcançava 2,92%. A margem financeira era de 11,88% e o rácio entre custos e receitas fixava-se em 48,31%.

Em 2025, o banco registou lucros equivalentes a aproximadamente 15,1 milhões de dólares, representando um crescimento de 6,4% face ao ano anterior.

Liquidez abre espaço para mais crédito

Um dos indicadores que coloca o desafio da intermediação em evidência é o rácio entre crédito e depósitos. Em Junho, este indicador era de 47,07%, significando que o volume de crédito correspondia a menos de metade dos depósitos captados pelo banco. O rácio de activos líquidos, por sua vez, atingia 36,68%.

A posição não significa necessariamente uma menor capacidade de financiamento. Num contexto de risco elevado e de procura limitada por crédito em condições bancáveis, uma política de maior prudência pode justificar níveis mais baixos de transformação dos depósitos em empréstimos.

Contudo, o indicador também aponta para espaço para aprofundar a intermediação financeira, desde que existam projectos viáveis, empresas formalizadas e riscos compatíveis com os critérios de concessão de crédito da instituição.

Crédito produtivo no centro do próximo ciclo

É neste ponto que se encontra um dos principais desafios para o novo ciclo do banco. Mais do que aumentar simplesmente o volume de crédito, a questão passa por canalizar recursos para actividades capazes de gerar produção, rendimento, emprego e capacidade de reembolso.

Agricultura, indústria, comércio, energia, logística, infra-estruturas e pequenas e médias empresas estão entre as áreas que apresentam necessidades relevantes de financiamento. Instrumentos como financiamento estruturado, garantias, seguros, assistência técnica e parcerias com instituições de desenvolvimento podem ajudar a reduzir os riscos associados a determinados projectos.

A expansão deve, contudo, preservar a qualidade da carteira. Em Junho, o rácio de crédito em incumprimento do Nedbank Moçambique era de 3,20%, enquanto a cobertura desses créditos através de provisões e imparidades atingia 83,76%.

A combinação entre capital elevado e crédito malparado relativamente controlado cria condições para uma expansão prudente, mas também coloca sobre a instituição a necessidade de encontrar projectos economicamente sustentáveis.

PME representam oportunidade

As pequenas e médias empresas surgem como um dos segmentos com maior potencial de expansão. Apesar do seu peso na actividade económica e no emprego, muitas PME enfrentam dificuldades relacionadas com garantias, formalização, contabilidade, informação financeira e capacidade de gestão.

A digitalização poderá ajudar a ultrapassar parte destas limitações. Dados sobre transacções, facturação, pagamentos e movimentos de conta podem permitir avaliações de risco mais dinâmicas, reduzindo a dependência exclusiva de garantias físicas.

Para o sector bancário, o desafio passa igualmente por combinar financiamento com capacitação empresarial e apoio na preparação de projectos. O objectivo é permitir que pequenas empresas evoluam de relações predominantemente transaccionais para relações de crédito e investimento de maior dimensão.

Tecnologia redefine relação com clientes

A transformação digital constitui outro dos pilares da estratégia do banco. O Nedbank tem reforçado o investimento em tecnologia, cibersegurança e canais digitais, acompanhando a migração de pagamentos, transferências e outras operações dos balcões para plataformas digitais.

A aplicação MyUey recebeu, em 2026, uma distinção na categoria de melhor aplicação de banca móvel, segundo informação divulgada pelo banco. A aposta digital procura reduzir custos operacionais e ampliar o acesso aos serviços financeiros, sobretudo num país com grande extensão territorial e baixa densidade de balcões.

Ainda assim, a transformação digital não deverá significar o desaparecimento da presença física. Os 15 balcões continuam relevantes para operações empresariais, aconselhamento financeiro, gestão patrimonial e situações que exigem acompanhamento especializado. O modelo que se desenha combina, por isso, canais digitais para operações correntes com balcões mais orientados para aconselhamento e relações de maior complexidade.

Integração regional amplia possibilidades

A participação maioritária do Grupo Nedbank constitui outro activo estratégico. O grupo sul-africano aumentou a sua participação no capital da operação moçambicana para 87,5% em 2021, reforçando a integração da subsidiária na sua plataforma financeira regional.

Com presença em vários mercados africanos, o grupo pode apoiar operações de comércio transfronteiriço, gestão cambial, garantias e financiamento de empresas com actividade regional. A integração oferece ainda acesso a tecnologia, competências, produtos e sistemas de gestão de risco.

No primeiro semestre de 2026, as operações da região da SADC registaram um crescimento de 39% nos resultados do Grupo Nedbank. A instituição contava, a nível global, com mais de oito milhões de clientes.

Os próximos 15 anos

Ao completar 15 anos, o Nedbank Moçambique apresenta uma estrutura que combina capitalização, liquidez, rentabilidade, uma rede física estabelecida, canais digitais e o suporte de um grupo financeiro regional.

O desafio passa agora por transformar esses activos em maior impacto económico. Isso significa aprofundar a concessão de crédito produtivo, apoiar a expansão das empresas nacionais, melhorar a inclusão financeira e acompanhar sectores com potencial de crescimento.

Segundo o presidente da Comissão Executiva do banco, Joel Rodrigues, a instituição pretende continuar a apoiar empresas e famílias e a contribuir para o crescimento económico e social do país. A estratégia anunciada coloca a tecnologia e a experiência do cliente entre as ferramentas para tornar a banca mais simples e próxima.

A celebração dos 15 anos marca, assim, menos um ponto de chegada do que o início de uma nova etapa. Com uma posição financeira confortável, o principal teste para o Nedbank Moçambique será demonstrar até que ponto consegue transformar essa capacidade em financiamento efectivo à economia, particularmente nos segmentos empresariais e produtivos que continuam a enfrentar maiores restrições de capital.

Governo concretiza Parque Industrial de Topuito para facilitar ligação entre PMEs e Kennmare

O Governo de Moçambique concretizou, recentemente, no distrito de Larde, província de Nampula, o arranque da construção do Parque Industrial de Topuito, uma infra-estrutura avaliada em 600 milhões de Meticais, concebida para aproximar as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) das oportunidades de fornecimento de bens e serviços gerados pela Kennmare, empresa que explora areias pesadas na região.

A primeira pedra do empreendimento marca o início de uma obra prevista para durar um ano e que pretende transformar a economia local, através da integração das empresas nacionais na cadeia de valor dos grandes projectos. Na fase de plena operação, o parque poderá gerar mais de 10 mil postos de trabalho, entre directos e indirectos.

A iniciativa é liderada pelo projecto Conecta Negócios, com apoio do Banco Mundial, e implementada pelo Moz Parks, em coordenação com a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN). O parque está inserido numa área de 215 hectares, dos quais 10 hectares serão destinados à Vila das PMEs, sendo que actualmente já estão ocupados cinco hectares. Prevê-se instalação na área mais de 50 empresas.

Segundo Dito Andela, especialista de infra-estruturas do Conecta Negócios, a principal função da Vila das PMEs é de integrar as micro e pequenas empresas locais na cadeia de suprimentos dos grandes projectos instalados na região. Para isso, é importante resolver o défice de qualidade que limita a participação das empresas locais nos grandes investimentos. “Esta vila das Micro e Pequenas Empresas servirá para treinar essas empresas. A estrutura permitirá às PMEs aproximarem-se da cadeia de valor dos produtos e serviços demandados pela Kennmare e por outros grandes investimentos.”, afirmou Andela.

O projecto prevê armazéns, oficinas, centro de treinamento, infra-estruturas de frio e espaços para formação e residências. A cadeia de frio deverá responder também às necessidades dos sectores agrícola e pesqueiro, permitindo conservar, processar e colocar a produção local nos mercados.

Para a Kennmare, a instalação do parque representa uma oportunidade para reduzir custos e prazos de abastecimento. Jalak Zent, director de suprimentos da empresa, explicou que a presença de fornecedores nas proximidades poderá diminuir o tempo de espera e reforçar a disponibilidade de bens necessários às operações.“Isso vai reduzir o prazo de espera para a Kenmare. Isso também permite que as empresas instaladas no parque adquiram capacidade para responder às exigências da mineradora”, disse Zent.

A multinacional garante ainda preferência às empresas locais nos processos de contratação, embora a capacidade técnica continue a ser determinante. Zent revelou que, durante o último ano em que decorreu um projecto de expansão, a Kennmar destinou boa do orçamento destinado a bens e serviços, para empresas moçambicanas, embora os valores variam conforme os projectos de investimento Em 2025, a multinacional colocou mais de 70 milhões de dólares norte-americanos à contratação de serviços.

Para Onório Boane, Director da Moz Parks, a Kennmar deve funcionar como uma empresa-âncora para desencadear a diversificação económica de Larde. “Não queremos eternamente depender da Kenmar. A primeira fase estará ligada à cadeia da mineradora, mas que, posteriormente, o parque deverá atrair empresas de outros sectores.”, afirmou Boane.

Entre as oportunidades identificadas estão o agro-processamento, processamento de pescado, engenharia, metalomecânica e fabricação de peças. O potencial é reforçado pela dimensão das operações da Kennmar.

Segundo Boane, a nova Lei de Minas abre igualmente uma perspectiva de transformação industrial. O diploma estabelece que até 20% do minério extraído deve ser processado localmente, criando espaço para futuras unidades de processamento no parque. Para concretizar esta ambição, será necessário reforçar as estradas e a capacidade energética da região.

A componente de formação surge como uma mais-valia, com um centro de treinamento deverá preparar jovens locais para responder às exigências técnicas da indústria, enquanto as infra-estruturas de frio deverão ligar pescadores e produtores agrícolas as empresas fornecedoras de refeições a Kenmare. “O recurso que existe aqui só fará sentido se ele for capaz de transformar a vida social e a vida económica desses que são daqui”, afirmou. (AIM)

Receitas do gás e crédito às empresas ganham espaço no novo ciclo económico

A evolução da dívida pública, as perspectivas de aumento das receitas provenientes do gás natural e o reforço do financiamento às pequenas e médias empresas (PME) estiveram entre os principais temas da semana económica em Moçambique. Os desenvolvimentos apontam, por um lado, para os esforços do Governo de conter a pressão sobre as finanças públicas e, por outro, para a expectativa de que os grandes projectos de gás impulsionem receitas e investimento nos próximos anos.

Serviço da dívida continua a pressionar as contas públicas

O Governo prevê reduzir o peso do serviço da dívida de cerca de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2025 e 2026, para 5,9% em 2029. De acordo com o Cenário Fiscal de Médio Prazo (CFMP) 2027–2029, o indicador deverá situar-se em 5,8% do PIB em 2027 e 2028, antes de subir ligeiramente para 5,9% em 2029.

Apesar desta redução em termos relativos, o montante nominal destinado ao serviço da dívida deverá aumentar de aproximadamente 1,4 mil milhões de euros em 2027 para 1,5 mil milhões em 2028 e 1,6 mil milhões em 2029.

Em paralelo, as projecções apontam para uma redução da dívida pública de 72,2% do PIB em 2025 para 67,1% em 2029, apoiada pela consolidação fiscal, crescimento económico e maior contenção na contratação de novo endividamento.

INSS sob escrutínio

As finanças públicas estiveram também no centro das atenções devido a alegadas irregularidades no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).

O Ministério Público acusa altos funcionários da instituição, um empresário e uma empresa de comunicação de estarem envolvidos num alegado esquema de corrupção que terá causado prejuízos ao Estado estimados em 4,3 milhões de euros.

O processo envolve pelo menos seis suspeitos e está relacionado com a adjudicação e execução de contratos de prestação de serviços. As alegações encontram-se no âmbito do processo judicial e não constituem, por si só, uma condenação dos envolvidos.

Gás natural melhora perspectivas de receitas

Se a dívida continua a constituir um desafio, as perspectivas para o sector do gás natural apresentam um cenário mais favorável.

O Governo prevê que as receitas provenientes da produção de gás natural liquefeito (GNL) atinjam 101 milhões de dólares em 2029, contra 80,1 milhões de dólares projectados para 2027 e 78,4 milhões para 2028.

O crescimento esperado está associado à entrada progressiva em produção de novos projectos na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. O projecto Coral Norte deverá iniciar a produção em 2028, enquanto o Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, tem como meta entrar em produção no último trimestre de 2029.

Rovuma LNG aproxima-se de uma nova fase

No projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil na Área 4, foram atribuídos cerca de 1,1 mil milhões de dólares em contratos de pré-investimento para equipamentos considerados críticos e de longo prazo de fabrico.

Os contratos abrangem sistemas submarinos de produção, válvulas de grande diâmetro e gasodutos offshore, entre outros equipamentos. A contratação pretende avançar com trabalhos preparatórios enquanto os parceiros se aproximam da decisão final de investimento (FID), prevista para Setembro.

A evolução destes projectos reforça a expectativa de que o gás natural passe a desempenhar um papel cada vez mais relevante nas receitas públicas e na actividade económica do país.

PME ganham acesso a mais financiamento

Os efeitos esperados do ciclo de investimento no sector do gás começam também a reflectir-se nas iniciativas destinadas ao sector empresarial nacional.

A Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze disponibilizou cerca de 5,1 milhões de euros para financiar pequenas e médias empresas das regiões Centro e Norte do país.

Nesta terceira fase do processo, estão actualmente em análise 56 planos de negócio. O acesso ao financiamento deverá ser precedido pela criação de relações comerciais entre as PME beneficiárias e empresas de maior dimensão.

A iniciativa enquadra-se num esforço mais amplo para melhorar o acesso das empresas nacionais ao capital. Desde 2025, foram disponibilizados 74 milhões de dólares através de dois mecanismos nacionais de apoio às micro, pequenas e médias empresas, incluindo o Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração — Conecta Negócios, financiado pelo Banco Mundial.

Fundo Soberano começa a gerar retornos

Enquanto o Governo procura reduzir a pressão da dívida e aumentar as receitas futuras provenientes dos recursos naturais, o Fundo Soberano começa a apresentar os primeiros resultados da sua estratégia de investimento.

No segundo trimestre, o Fundo registou 827 mil euros em retornos, correspondentes a uma rentabilidade de 0,41%. Desde o início do ano, os ganhos acumulados rondam 1,75 milhões de euros.

No final de Junho, o Fundo apresentava um valor de mercado de aproximadamente 102,9 milhões de euros, dos quais 100,9 milhões correspondiam a capital proveniente das receitas do gás natural.

A carteira de investimentos estava maioritariamente denominada em dólares, que representavam cerca de 70% do total, enquanto os activos denominados em euros correspondiam aos restantes 30%.

Uma economia entre consolidação e expectativa

Os principais acontecimentos da semana revelam duas dinâmicas distintas da economia moçambicana. No curto prazo, o Governo continua confrontado com a necessidade de gerir uma elevada carga de dívida e controlar a pressão sobre as finanças públicas. No médio prazo, porém, os projectos de gás natural e os investimentos associados à Bacia do Rovuma alimentam expectativas de aumento das receitas e de maior actividade económica.

O desafio será transformar essa expectativa em benefícios mais amplos para a economia nacional, nomeadamente através do desenvolvimento de empresas moçambicanas, criação de emprego e expansão do acesso ao financiamento.

Fonte: 360º Mozambique

SASOL ultrapassa 143 milhões de dólares em obra social até 2030

Mais de 143 milhões de dólares americanos será o valor que, até 2030, terá sido investido pela multinacional petroquímica sul-africana SASOL em projectos de responsabilidade social no país.

A SASOL instalou-se em Moçambique em 2000, altura em que iniciou a pesquisa de gás natural em Pande e Temane, respectivamente nos distritos de Govuro e Inhassoro, no norte da província de Inhambane.

Após comprovadas reservas comercialmente viáveis, quatro anos depois, em 2004, a companhia começou, efectivamente, com a exploração e exportação de gás natural nos campos de Pande e Temane para a África do Sul, seguido de outros projectos energéticos localmente, com destaque para as províncias de Inhambane e Maputo até aos dias actuais.

O volume do valor a ser investido em obras sociais até 2030 foi anunciado na tarde desta quinta-feira, 20 de Agosto, por Mateus Mosse, Director das Relações Corporativas da SASOL, durante uma interação com jornalistas moçambicanos idos de diversas províncias do país e um estrangeiro (português), que se encontram em Inhambane no quadro de uma visita de três dias iniciada na terça-feira (18) e que se prolonga até amanhã (21).

Os visitantes visitaram campos de exploração da SASOL e a nova fábrica de gás de cozinha, inaugurada em Dezembro de 2025 pelos presidentes de Moçambique e África do Sul, respectivamente Daniel Chapo e Chril Ramaphosa.

De acordo com Mateus Mosse, só nos últimos seis anos, a SASOL investiu mais de 64 milhões de dólares em diversos projectos de desenvolvimento social nos distritos de Vilankulos, Inhassoro e Govuro.

Entretanto, contando com os valores aplicados desde 2000, a soma ultrapassa actualmente a cifra de 100 milhões de dólares.

Relativamente a planos de intervenção social da SASOL para o futuro imediato, Mosse precisou que, do ano passado até 2030, a empresa já tem aprovada a verba de 43 milhões de dólares que serão aplicados em projectos aprovados pelas 70 comunidades beneficiárias nos três distritos da região norte de Inhambane.

Os projectos incidem, particularmente, sobre infraestruturas de educação básica e técnico-profissional e vocacional, saúde, fornecimento de água potável, energia, desporto e, ainda, produção alimentar e geração de renda para as famílias beneficiárias.

Fonte: Gasoduto

(Foto DR)